NO MEIO DO CAMINHO

CDA I

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) conheceu a notoriedade em 1928. Nesse ano, aparecia nas páginas da revista Antropofagia, o polêmico poema “No meio do caminho”.

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra. ( Carlos Drummond de Andrade)

      Esse poema causou controvérsia. De um lado, os modernistas o reconheciam como uma manifestação significativa dos novos valores estéticos. Do outro, a opinião pública via o poema como uma síntese do desrespeito da nova geração de poetas em relação à boa literatura. Entretanto, é  preciso uma leitura mais atenta para percebermos uma profunda reflexão sobre a existência, infelizmente o anedótico que é tão perceptível esconde o filosofar: no Meio do Caminho evoca o primeiro canto de A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Esse segmento-título insistente reiterado na pequena composição de Drummond é tradução literal das palavras iniciais do poema de Dante.

    Dante narra. Tendo perdido o caminho verdadeiro, achava-se embrenhado em selva escura. Recorda relutante. A experiência foi dolorosa. Mas, o Bem que por fim alcançou anima-o a prosseguir.

No Meio do Caminho apresenta-se como narrativa frustrada. a jornada não progride em direção ao bem. os três versos iniciais e os três finais são inversamente simétricos. De sorte que o poema gira sobre si mesmo e se fecha.

A Divina Comédia é um poema em espiral. Começa na selva escura e culmina nos píncaros da luminosidade divina. Todos os obstáculos são transpostos. O percurso entre esses dois extremos traça o aperfeiçoamento gradativo do homem.

No Meio do Caminho é um poema em circular. O executor perfaz continuamente o mesmo percurso. O movimento circular deixa irremissivelmente no princípio quem está a caminho. A pedra erige-se em símbolo de obstáculo intransponível.

O ritmo não é criado pela tonicidade ou pelo som, mas pela reiteração dos mesmos segmentos. Marca iconicamente a marcha em círculo nas origens. Esse ritmo reiterativo mantém a pedra na esfera de ação do observador. No seu movimento circular a pedra se move em torno do observador. O observador faz menção a si mesmo nos versos centrais do poema. Na realização do poema a experiência se espacializa. A pedra envolve o poema em insistentes aparições. Age como um sortilégio, só quebrado por um ato de reflexão. No entanto, nem aí a pedra sai da esfera do observador. Antes o observador como que se tinha esvaziado na observação da pedra. ao se apreender, reflete ainda sobre si em face da pedra.

E, desde que o observador é executor de uma ordem que se menciona, em busca de um bem que também não se define, o observar converte a pedra em problema no sentido primitivo. Algo que foi posto diante dele como obstáculo.

Na sua presença passiva a pedra se transforma em oponente – densa e inerte, A inércia irremovível da pedra fatiga as retinas. Presa nas malhas da memória, a pedra se fixa no caminho. Não há promessa de ir além. O caminho sugere o além. A pedra o converte em presença negada: ausência.

O conflito faz-se tácito. O olhar e pedra. A fadiga é a do homem abandonado e fraco do Poema da Sete Faces. A despreocupação em caracterizar o Eu e a ausência de outras determinações espaciais além do caminho e da pedra criam o vácuo em torno do executor abandonado. Errante, sem paisagem, sem ordenador, sem auxiliar, inerte diante do oponente também inerte. Respira-se a angustiante atmosfera das soluções impossíveis, a opressiva presença do nada.

FONTE:

SCHULER, Donald – A Dramaticidade naPoesia de Drummond.  Editora da URGS.

 

 

 

 

 

 

 

 

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OUTROS TEMAS PROVÁVEIS – ENEM 2017

PATRIMÔNIOS IMATERIAIS: COMO PRESERVAR E VALORIZAR ELEMENTOS CULTURAIS DAS MATRIZES AFRICANAS E INDÍGENAS.

CULTURA

Atualmente, há leis que asseguram a obrigatoriedade do ensino da cultura e história afro-brasileiras, africanas e indígenas nas escolas. A lei 10.639 foi sancionada em 2003 e institui o ensino da cultura e história afro-brasileiras e africanas e a lei 11.645complementa a lei 10.639 ao acrescentar o ensino da cultura e história indígenas. Ambas alteram a lei 9.394 , que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. http://www.epsjv.fiocruz.br

A MÚSICA POPULAR  COMO EXPRESSÃO CULTURAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA

MÚSICA

A música popular brasileira começou, de vez, nos anos 60. No entanto, é interessante traçar brevemente o caminho da origem da MPB, desde muito antes da Bossa Nova.  http://www.uppermag.com

 

OCUPAÇÃO DE ESCOLAS

ESCOLA

A conscientização dos jovens e adolescentes no país é cada vez maior, a atual cena de ocupação de escolas públicas têm chamado a atenção, trazendo a tona a importância do diálogo e respeito pela opinião desses jovens. O tema pode levantar questões como a importância da Educação e da participação dos estudantes nas políticas públicas para essa importante área.

ESPORTE COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL

ESPORTE

O Brasil sediou os Jogos Pan-americanos de 2007, a Copa do Mundo de 2014 e foi o primeiro país da América do Sul a sediar uma Olimpíada, portanto, um tema relacionado ao esporte tem chance de ser cobrado na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio. A nossa aposta é no esporte como ferramenta de inclusão social, pois, além de ajudar na formação ética, é uma importante ferramenta de socialização e o Brasil dispõe de inúmeros casos de sucesso e superação por meio do esporte. Nos Jogos Olímpicos de 2016, por exemplo, o Brasil obteve o melhor resultado de sua história, conquistando 19 medalhas e alguns atletas faziam parte de programas sociais. A atleta Rafaela Silva, do judô, que trouxe a primeira medalha de ouro para o Brasil na Rio 2016 e Isaquias Queiroz, da canoagem, que entrou para história como o primeiro atleta brasileiro a receber três medalhas em uma mesma Olimpíada são beneficiários de programas sociais do governo. Ao conquistar a incrível façanha, Isaquias disse: “Essa medalha tem um significado especial por ter vindo de um projeto social.”
Se o esporte como ferramenta de inclusão social aparecer como tema de redação do ENEM o que você pode abordar em sua redação?
Faça um apanhado dos programas sociais disponibilizados pelo governo ou por ONG´s que beneficiaram muitos esportistas brasileiros. E não deixe de expor como o esporte é importante para o desenvolvimento, formação e melhoria da qualidade de vida de muitas crianças e adolescentes. Além de ajudar na socialização, a prática frequente de atividades esportivas também ajuda na formação ética, atuando como um ótimo disseminador de valores, além de exigir ordem, disciplina, paciência e dedicação.http://www.imaginie.com/

 

SEGURANÇA PÚBLICA- PORTE DE ARMAS E ESTATUTO DO DESARMAMENTO

ARMA

REFUGIADOS NO BRASIL

REFUGIADO

 

O Brasil deixou de ser um destino acolhedor para os refugiados. No ano passado, o governo endureceu a concessão de vistos para quem pediu asilo no País, e a queda em relação a 2015 chegou a 28%.

Foram 886 solicitações de refúgio deferidas em 2016, contra 1.231 no ano anterior. Menos da metade dos pedidos recebidos foi atendida, demonstram dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão interministerial que cuida do assunto e é presidido por um representante da pasta da Justiça. https://www.cartacapital.com.br

 

TRAGÉDIAS AMBIENTAIS QUAL O PREÇO DO PROGRESSO?

MARIANA

Especialistas destacam que a grandiosidade dos danos se deve à amplitude dos impactos ambientais, bem como à variedade e à extensão atingida. “Trata-se de  desastre que além de trazer incalculáveis prejuízos ambientais, também acarreta prejuízos sociais, econômicos e culturais”, avalia Gustavo Souto Maior, do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Brasília (UnB). http://www.ebc.com.br

AS MANIFESTAÇÕES POLÍTICAS

MANIFESTAÇÃO

Que estão acontecendo nas ruas, mas que participaram das redes sociais, como essas ferramentas de comunicação e interação “virtual” estão despertando o interesse político e levando às pessoas as ruas. É interessante falar sobre a potencialidade da ferramenta na comunicação das pessoas, no debate de assuntos e de levar a informação ao público. Também é possível falar sobre a confiabilidade do que passa pelas redes sociais, pois nem sempre as informações são corretas.

 

TRAGÉDIA CHAPECOENSE

CHAPECO

Um avião que levava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, caiu na madrugada desta terça-feira (29-11-2016) a poucos quilômetros da cidade colombiana.

O Diretor Geral da Unidade Nacional para Gestão de Risco e Desastres colombiana, Carlos Iván Márquez Pérez, disse que as operações de busca e resgate foram encerradas com o seguinte balanço: 6 feridos e 71 mortos. http://g1.globo.com/mundo

 

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

ORGÃO

 

Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira (27-09-2017), Dia Nacional da Doação de Órgãos, que o Brasil registrou recorde de doadores de órgãos, com 1.662 doadores no primeiro semestre — aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar disso, segundo a pasta, a recusa das famílias em autorizar os transplantes ainda é alta (43%).  https://g1.globo.com/bemestar/

 

PROVÁVEIS TEMAS – 2017

1.G-20

G-20

Os dirigentes do G20 reuniram-se na Alemanha, em 7 e 8 de julho.

Os dirigentes adotaram uma declaração que aborda os seguintes aspetos:

partilhar os benefícios da globalização

desenvolver a resiliência

melhorar os meios de subsistência sustentáveis

assumir responsabilidades.

Declaração dos líderes do G20 – Construir um mundo interconectado,

Além disso, adotaram um plano de ação para reforçar a cooperação na luta contra o terrorismo.

No que se refere à energia e ao clima, os dirigentes tomaram nota da decisão dos Estados Unidos da América de se retirar do Acordo de Paris. Os dirigentes dos outros membros do G20 declararam que o Acordo de Paris é irreversível.   http://www.consilium.europa.eu

2.DESAFIOS DA MOBILIDADE URBANA

MOBILIDADE

Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) do governo federal, Lei 12.587/12, pretende estimular transporte coletivo público nas cidades. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a falta de políticas públicas para transporte de massa e mobilidade urbana, aliada a passagens cada vez mais caras, provocaram uma queda de cerca de 30% na utilização do transporte público no Brasil nos últimos dez anos.   http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal

3.LIXO E MEIO AMBIENTE

LIXOA Política Nacional de Resíduos Sólidos  criada pela lei número 12.305/2010, representou um avanço na questão do lixo, mas pouco foi implantado até agora. Claro que o poder público tem grande responsabilidade na destinação dos resíduos sólidos, mas o setor privado também pode, e deve, colaborar para mudar o cenário nacional. “As empresas podem questionar o uso de embalagens supérfluas em seus produtos, estimular a reciclagem, acolher em seus processos a reutilização, como matéria-prima dos produtos da coleta seletiva”, explica a professora Maria Luiza.  http://revistagalileu.globo.com

4.POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA

POPULAÇÃO DE RUAPopulação em situação de rua, reflexo da exclusão social

Uma pesquisa publicada pelo Ipea com base em dados de 2015 projetou que o Brasil tem pouco mais de 100 mil pessoas vivendo nas ruas. O Texto para Discussão Estimativa da População em Situação de Rua no Brasil aponta que os grandes municípios abrigavam, naquele ano, a maior parte dessa população. Das 101.854 pessoas em situação de rua, 40,1% estavam em municípios com mais de 900 mil habitantes e 77,02% habitavam municípios com mais de 100 mil pessoas. Já nos municípios menores, com até 10 mil habitantes, a porcentagem era bem menor: apenas 6,63%. 26/01/2017 09:06 – http://www.ipea.gov.br

5.ATIVISMO NAS REDES SOCIAIS

ATIVISMO

O ciberativismo é um termo recente e consiste na utilização da internet por grupos politicamente motivados que buscam difundir informações e reivindicações sem qualquer elemento intermediário com o objetivo de buscar apoio, debater e trocar informação, organizar e mobilizar indivíduos para ações, dentro e fora da rede. https://vestibular.uol.com.br

6.FORÇA DA JUVENTUDE

FORÇA JUVENTUDEDaniel Perez, professor do Cursinho Maximize, acredita que temas ligados à juventude podem aparecer. O professor lembra que a força da juventude e a importância dos jovens para a sociedade são assuntos que nunca foram abordados, são fortes e por isso têm potencial para cair este ano. https://g1.globo.com/

                     7.ANTI-VACINAÇÃO

ANTI-VACINAÇÃO

Cresce no mundo o número de pais contrários à imunização dos filhos por considerarem a proteção mais prejudicial do que benéfica. O movimento pode aumentar os casos de doenças como o sarampo ou adiar a erradicação da pólio. https://istoe.com.br

8.PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

PESSOAS COM DEFICIENCIA

Segundo a OMS, com dados de 2011, 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência – isso significa uma em cada sete pessoas no mundo. A falta de estatísticas sobre pessoas com deficiência contribui para a invisibilidade dessas pessoas. Isso representa um obstáculo para planejar e implementar políticas de desenvolvimento que melhoram as vidas das pessoas com deficiência.  A ONU alerta ainda que 80% das pessoas que vivem com alguma deficiência residem nos países em desenvolvimento. No total, 150 milhões de crianças (com menos de 18 anos de idade) tem alguma deficiência, segundo o UNICEF. https://nacoesunidas.org

        9.SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO

PRISÃOA superlotação dos presídios e às condições dos detentos, que apresentam bastante espaço para propostas de intervenção. “O estudante pode sugerir que haja uma melhoria na estrutura e na inspeção dos locais, diminuindo a precariedade, levando condições de vida dignas às pessoas e controlando efetivamente o que ocorre dentro dos presídios”. Outra intervenção seria a de implementar projetos de educação e recolocação do indivíduo na sociedade. “Visto que a falta dessas ações fazem com que o preso, após cumprir a pena, tenha uma grande chance de voltar ao cárcere por não possuir perspectivas de ressocialização.” https://g1.globo.com

10.INDÍGENA

INDIGENA

Os povos indígenas brasileiros enfrentam atualmente riscos mais graves do que em qualquer outro momento desde a adoção da Constituição de 1988. Essa é a conclusão de relatório que será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos pela relatora especial da ONU sobre os direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz. Segundo ela, no atual contexto político, as ameaças que esses povos enfrentam podem ser exacerbadas, e a proteção de longa data de seus direitos pode estar em risco. https://nacoesunidas.org

11.VIOLÊNCIA URBANA

VIOLENCIA URBANA

A violência urbana tem ocasionado a morte de milhares de jovens no Brasil, é o principal fator de mortandade dessa faixa etária.
A criminalidade não é um “privilégio” exclusivo dos grandes centros urbanos do país, entretanto o seu crescimento é largamente maior do que em cidades menores. É nas grandes cidades brasileiras que se concentram os principais problemas sociais, como desemprego, desprovimento de serviços públicos assistenciais (postos de saúde, hospitais, escolas etc.), além da ineficiência da segurança pública. Tais problemas são determinantes para o estabelecimento e proliferação da marginalidade e, consequentemente, da criminalidade que vem acompanhada pela violência.
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br

 

12.SAÚDE E O SUS

SAUDE

 Casos de pacientes em macas espalhadas pelos corredores ou em colchões sobre o chão, falta de água em chuveiros e sanitários e cenários que se assemelham aos de uma enfermaria de guerra integram relatório divulgado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O órgão, em parceria com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, hospitais de urgência da rede pública. A conclusão: problemas estruturais no Sistema Único de Saúde (SUS) ferem a dignidade e os direitos da população.

13.CONFUSÃO ENTRE GRAFITE E PICHAÇÃO

PICHAÇÃO

Ambas são pinturas feitas com tintas spray ou de latas. Ambas são manifestações que nasceram no século XX, dentro de uma produção cultural urbana. No entanto, uma é mais aceito que a outra. A palavra “Grafite” deriva do italiano grafitto, usualmente é conceituado como “inscrição ou desenho de épocas antigas, toscamente riscado à ponta ou a carvão, em rochas, paredes, vasos etc.”. Um grafismo seria um desenho ou imagem. No dicionário Aurélio, pichação possui “caráter político, escrito em muro de via pública”. É associado à palavra, mas na prática, nem toda pichação busca transmitir uma mensagem política.

A principal diferença é que a pichação advém da escrita, enquanto o grafite está diretamente relacionado à imagem. A distinção entre as práticas do grafite e da pichação é algo que acontece especificamente no Brasil. Em países como os Estados Unidos e Colômbia, as duas práticas possuem a mesma nomenclatura. https://vestibular.uol.com.br

 

14.TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL ATUAL

TRABALHO ESCRAVO

A nova lei que regula a definição do trabalho escravo não é fruto do capitalismo, mas sim do arcaísmo que resiste ao avanço do capitalismo e que tomou para si as decisões do governo imperial, assim como do governo temer.

2013- Ele afirma que, desde 2010, quando começaram as operações de combate ao trabalho escravo voltadas exclusivamente para estrangeiros, 128 bolivianos e um peruano foram resgatados no Estado de São Paulo, que concentra o maior contingente de trabalhadores estrangeiros do país.

2014 – Dezenove trabalhadores foram encontrados em condições análogas à de escravos em carvoarias do interior de São Paulo. Sete crianças e adolescentes também foram flagrados trabalhando durante uma megaoperação conjunta para combater o crime em Pedra Bela, Joanópolis e Piracaia. Ao todo, dez estabelecimentos foram alvo da blitz, e seis acabaram interditados. http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/

2015 O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) diz ter encontrado 130 trabalhadores no norte do Piauí em situações degradantes e parecidas com escravidão. Eles dormiam em redes junto a porcos em alojamentos de uma  fazendas.

2016 – O Ministério do Trabalho e Previdência Social resgatou 1.010 trabalhadores em 2015 que estavam em condições análogas à escravidão. As 140 operações feitas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel e por auditores fiscais do trabalho identificaram trabalhadores nessa situação em 90 dos 257 estabelecimentos fiscalizados, segundo balanço do ministério divulgado para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.   https://economia.uol.com.br/

15.ANSIEDADE, DEPRESSÃO E SUICÍDIO

SUICIDIO

Dados divulgados pela BBC Brasil indicam que, entre 1980 e 2014, a taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos aumentou 27,2% no Brasil. Estes dados são preocupantes e merecem um olhar atento de todos nós.

 A depressão está aumentando em toda a população, inclusive entre os mais jovens. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país campeão mundial do transtorno de ansiedade e somos o quinto em número de pessoas com depressão; o que significa aproximadamente 11,5 milhões de bemestar – Segunda-feira, 24/04/2017

 

16.BULLYING NAS ESCOLAS

BULLYNG

O bullying é um fenômeno que não faz distinção de camadas sociais e está presente em escolas públicas e particulares do mundo inteiro. Tem características semelhantes em qualquer país, mas no Brasil tem uma particularidade: só aqui a maioria dos casos – 21% – ocorre dentro da sala de aula, e não no pátio da escola. É o que mostra a pesquisa O Bullying Escolar no Brasil, organizada pela Plan Internacional, uma ONG voltada para os direitos da infância.

Lei nº 13.185 determina que será considerada intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo.

https://www.cartacapital.com.br

17.CONSUMISMO

CONSUMISMO

Prazer, sucesso, felicidade, alívio. Todas essas sensações costumam surgir como consequência da realização de um objetivo ou meta. No entanto, são também esses sentimentos que costumam respaldar o ato de comprar compulsivamente e, portanto, explorados pelo consumismo, modo de vida orientado para uma crescente propensão ao consumo de bens e serviços, em geral, supérfluos. www.cartaeducacao.com.br

 

18.DESIGUALDADE SOCIAL

DESIGUALDADE

A desigualdade voltou a aumentar no país. Ao atingir patamares recordes em 2016, o desemprego fez com que a disparidade da renda domiciliar per capita no Brasil registrasse o primeiro aumento em 22 anos, desde o início do Plano Real, mostra o índice de Gini calculado pela FGV Social.
https://oglobo.globo.com/economia/com

19.BELEZA, NO BRASIL, VIROU RELIGIÃO E O CORPO, UMA OBSESSÃO

BELEZA

Nas sociedades modernas há uma crescente preocupação com o corpo, com a dieta alimentar e o consumo excessivo de cosméticos, impulsionados basicamente pelo processo de massificação das mídias a partir dos anos 1980, onde o corpo ganha mais espaço, principalmente nos meios midiáticos. Não por acaso que foi nesse período que surgiram as duas maiores revistas brasileiras voltados para o tema: “Boa Forma” (1984) e “Corpo a Corpo” (1987). brasilescola.uol.com.br

20.FAMÍLIA NO SÉCULO 21

FAMILIA

   Especialistas e intelectuais afirmam que não há um conceito único de família e que ele permanece aberto, em construção, e deve acompanhar as mudanças de comportamento, religiosas, econômicas e socioculturais da sociedade. Alas mais conservadoras da sociedade e de diferentes religiões não compartilham dessa visão e mantém o entendimento de que o fator gerador da família é o casamento entre homem e mulher, os filhos gerados dessa união e seus demais parentes.

     Mas, com o passar do tempo, novas combinações e formas de interação entre os indivíduos passaram a constituir diferentes tipos de famílias contemporâneas: a nuclear tradicional (um casal de homem e mulher com um ou dois filhos, sendo a relação matrimonial ou não); matrimonial; informal (fruto da união estável); homoafetiva; adotiva; anaparental (sem a presença de um ascendente); monoparental (quando apenas um dos pais se responsabiliza pela criação dos filhos); mosaico ou pluriparental (o casal ou um dos dois têm filhos provenientes de um casamento ou relação anterior); extensa ou ampliada (tem parentes próximos com os quais o casal e/ou filhos convivem e mantém vínculo forte); poliafetiva (na qual três ou mais pessoas relacionam-se de maneira simultânea); paralela ou simultânea (concomitância de duas entidades familiares), eudomonista (aquela que busca a felicidade individual), entre outras. https://vestibular.uol.com.br/

 

21.CIBERBULLYING E OUTROS CRIMES VIRTUAIS

CYBERBULLYING

Alana Vivas e André Valente, professor do Cursinho da Poli, lembram que o tema norteou muitas discussões deste ano. Bons exemplos são a série “13 Reasons Why”, da Netflix, que foi febre entre os jovens e retratou o ciberbullying e a depressão, além do fenômeno Baleia Azul, um “jogo virtual” que incentivava a automutilação e o suicídio.

“O aluno, ao se deparar com um tema como esse, pode argumentar que a escola e a família possuem papéis distintos, mas complementares no processo de conscientização acerca do ciberbullying e dos crimes virtuais, além de sugerir que o aumento da depressão entre os jovens seja tratado pelo ministério da saúde como um problema de saúde pública”, afirma Alana.  https://g1.globo.com

22.ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO

 

 

IDOSO

Atualmente somos considerados um país adulto, e a estimativa é que até 2050 passemos à categoria idoso. Mudanças socioeconômicas, avanços tecnológicos, processo de urbanização e políticas públicas mais consistentes garantiram expressiva melhoria na qualidade de vida do brasileiro”, afirma.

O consultor lembra que o país conta com mais aposentados do que contribuintes, o que deu precedente à reforma da previdência proposta pelo atual governo. https://g1.globo.com

23.HOMOFOBIA E CRIMINALIZAÇÃO NO BRASIL

HOMOFOBIA

Depois de oito anos em tramitação, o projeto de lei da Câmara dos Deputados (PLC 122/06) que dispõe sobre o tema foi arquivado em 2014, sem conseguir aprovação. O texto define crimes resultantes de discriminação ou preconceito de gênero e orientação sexual e encontra resistência, sobretudo, entre parlamentares da bancada religiosa. “Esse preconceito faz parte das estruturas sociais, marcados pelo machismo e o patriarcado. www.em.com.br/app/noticia/especiais

24.LIBERDADE DE EXPRESSÃO E MÍDIA

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Diante do mundo, desde 1988 o Brasil voltou a fazer parte do rol de países democráticos, em que a liberdade política e de expressão são asseguradas. Os pesquisadores do Observatório de Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (Obcom) porém, têm muito claro que a cultura da censura ainda persiste no país, e que ela se manifesta de diversas formas. Interdições são promovidas principalmente pelas mãos do Estado, seja pela atuação do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. Para os estudiosos do tema, estes poderes ainda se apoiam em critérios e justificativas oficiais para favorecer os anseios de uma elite econômica ou política que protege seus interesses. http://www5.usp.br/

25.JOVENS E DROGAS

DROGA

Simone Motta, coordenadora de português do Etapa, acha que um assunto provável é o consumo de álcool e drogas entre adolescentes. O tema pode ser abordado sob a ótica da saúde pública e o impacto desse consumo cada vez mais precoce à saúde.

https://g1.globo.com/educacao/enem/2017

26. PODER TRANSFORMADOR DO TRABALHO

TRABALHO I

Daniel Perez acredita que a redação vai manter a linha de abordar um problema social brasileiro. Uma de suas apostas é o “trabalho e seu poder transformador”, assim como questões ligadas ao empreendedorismo relacionadas à criatividade do povo brasileiro. https://g1.globo.com/educacao/enem/2017

27.TECNOLOGIA E SOCIEDADE: TECNOVÍCIOS

TECNOVÍCIO

O vício tecnológico é um problema sério, semelhante às dependências químicas, alertam especialistas. De acordo com psiquiatras e psicólogos que debateram o tema no congresso anual da Associação Brasileira de Psiquiatria, em Brasília, um agravante é que, diferentemente de álcool e drogas, esse ainda é um campo desconhecido. https://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia

28.JOGO BALEIA AZUL

BALEIA AZUL

O desafio da Baleia Azul é um game on-line que teria sido criado na Rússia. Só existe em grupos fechados nas redes sociais e em sites obscuros. O jogo dura 50 dias e propõe desafios perversos às crianças e adolescentes participantes, como automutilação. O último desafio é tirar a própria vida.

http://politica.estadao.com.br

29.INTERNET: NOTÍCIAS FALSAS– AS NOTÍCIAS FALSAS (FAKE NEWS)

NOTICIAS FALSAS

O poder do fake news foi visto durante a campanha presidencial norte-americana, no ano passado, em que grupos fora dos Estados Unidos fizeram uma avalanche de notícias mentirosas contra a democrata Hillary Clinton.

Depois disso, gigantes da internet, como Facebook e Google, demonstraram preocupação com os efeitos desse tipo de conteúdo e prometeram mais investimentos para combater as notícias falsas. http://epoca.globo.com/tecnologia

30.SAÚDE: OBESIDADE

OBESIDADE

A cada cinco brasileiros, um está obeso. Mais da metade da população está acima do peso. O país que até pouco tempo lutava para combater a fome e a desnutrição, agora precisa conter a obesidade. Indicadores  mostram que, nos últimos 10 anos, a prevalência da obesidade no Brasil aumentou em 60%, passando de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016. O excesso de peso também  subiu de 42,6% para 53,8% no período. https://g1.globo.com/bemestar/noticia

31.A PRECARIEDADE DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

EDUCAÇÃO BB

Os desafios enfrentados pelo Brasil na educação básica são enormes. Para alcançarmos as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), será preciso ampliar o atendimento, melhorar a qualidade e reduzir as desigualdades entre escolas e redes de ensino público. http://www.estadao.com.br/noticias

32.MAUS-TRATOS CONTRA ANIMAIS

ANIMAIS

A Divisão Especializada em Meio Ambiente (Dema) da Polícia Civil do Pará afirma que, em média, por semana, 20 denúncias de maus-tratos contra animais são recebidas na delegacia. http://g1.globo.com/pa/para/noticia

33.PEDOFILIA

PEDOFILIA

Cerca de 1,1 mil policiais civis de 24 estados brasileiros e do Distrito Federal estão nas ruas nesta sexta-feira 20, em uma megaoperação contra a pedofilia. A operação Luz na Infância é resultado de uma investigação de seis meses coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça, em parceria com secretarias de segurança regionais e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. http://veja.abril.com.br/brasil/megaoperacao-contra-pedofilia

34.REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENA

MAIORIDADE.jpg

Tema recorrente pelo menos uma vez por ano no Congresso Nacional, a redução da maioridade penal volta a ser discutida no Congresso Nacional. Dessa vez, a proposta que está pautada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para esta quarta feira, 06, é a PEC 33/2012, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).  Dentre os crimes que motivariam a redução, estão os elencados na contestada lei de crimes hediondos, bem como os crimes contra a vida e casos de reincidência de roubo. O tráfico de drogas foi excluído do rol pelo atual relator da matéria na comissão, Ricardo Ferraço (PSDB-ES). Se aprovada na CCJ, o que é provável diante da maioria conservadora, a matéria passará por votação no Plenário. http://justificando.cartacapital.com.br/2017/09/05/reducao-da-maioridade-penal

35.IDEOLOGIA DE GÊNERO

IDEOLOGIA DE GENERO

A polêmica vem desde 2014, quando durante a tramitação no Congresso Nacional do PNE (Plano Nacional de Educação), que dita as diretrizes e metas da educação para os próximos dez anos, a questão de gênero foi retirada do texto.

Análise: A Onda

ONDA

A Onda

a onda anda

aonde anda

      a onda?

a onda ainda

ainda onda

ainda anda

        aonde?

aonde?

a onda anda?

      Manuel  Bandeira. Estrela da tarde

 

       O que mais chama atenção do leitor no poema é a utilização de palavras parecidas entre si, ou seja, um recurso estilístico sonoro cujo nome é paronomásia: onda, anda, aonde, ainda. A palavra que serve de base às variações sonoras é “onda”, que dá título ao poema.

      Manuel Bandeira, por meio do emprego das figuras de linguagem: paronomásia, anáfora, a combinação de um pequeno repertório vocabular e a disposição das palavras no papel, sugere o movimento da onda. As palavras do poema descrevem uma sonoridade arredondada, que provoca uma espécie de letargia, de embriaguez. Como se não bastasse todo esse poder de sugestão, ainda, pode-se acrescentar: a leitura em voz alta do poema em análise, acarreta a sensação de estar recitando um mantra ou mesmo uma espécie de ladainha.

      Ao optar por este tipo de construção o autor viabilizou a fluidez sonora, por isso os vocábulos perdem a sua singularidade e se assemelham cada vez mais. Observa-se que mesmo comprometendo a regência verbal – a construção “ aonde anda a onda?” talvez cause estranheza . Não se deveria perguntar “ para onde anda a onda?” Com certeza, pois essa seria a forma mais correta de acordo com o ponto de vista gramatical. Entretanto, a presença da preposição para quebraria a fluidez sonora e a semelhança entre as palavras que compõem o poema.

      O conhecimento, a intencionalidade e a sensibilidade de Bandeira não permitiram a quebra da musicalidade do poema em nome da obediência à regra gramatical. A utilização da preposição para seria um corpo completamente estranho nesse poema que possui apenas o –nd- como consoantes, aliás, presentes em todas as palavras, tornando, é claro, sua musicalidade ainda mais forte. Se a consoante é escassa, logo abundância de vogais, que são mais leves e mais fluidas, atendendo, portanto, ao propósito do autor, já que elas servem melhor para exprimir as flutuações do mar, o ritmo das águas.

     Deve-se, portanto, celebrar a genialidade de Manuel Bandeira. Por que incorporar à sua produção duas consoantes P e R? Se elas têm o poder de quebrar a musicalidade de um poema tão líquido!

                                                                                             Zamira Pacheco

O TAMANHO DO TEU DEDO MINDINHO PODE DIZER MUITO SOBRE A TUA PERSONALIDADE! O QUE DIZ O TEU?

DEDO

Qual o tamanho do teu mindinho? É impressionante como o que ele diz coincide perfeitamente contigo!

Existe gente que acredita que, ao analisarmos as linhas da palma da mão, podemos descobrir o nosso futuro. No entanto, uma outra teoria relacionada tornou-se viral. Algumas pessoas dizem que o comprimento do seu dedo mindinho pode dizer muito sobre a sua personalidade.

Vamos fazer o teste!

Está pronto para saber a verdade sobre a sua personalidade?

Qual das imagens é igual aos seus?

IMAGEM A

O dedo mindinho atinge este ponto mediano do anular

A honestidade é fundamental para essas pessoas, assim como a independência. Normalmente, todos confiam em você devido à sua franqueza e sabedoria. Quando se envolve em projeto, você tenta que tudo seja absolutamente perfeito. A injustiça é algo que não suporta, mas por detrás desse caráter forte existe uma alma terna e amorosa.

IMAGEM B

O dedo mindinho atinge este ponto superior do anular

Pessoas com o dedo mindinho maior que o anular são de confiança, e detestam mentiras. São estáveis e sabem perfeitamente o que querem para as suas vidas. Têm uma personalidade muito forte, e podem às vezes ser um pouco intensas demais, causando situações menos agradáveis. Apesar disso são muito leais, tanto na amizade como no amor!

IMAGEM C

O dedo mindinho atinge este ponto inferior do anular

Se tem essa caraterística, isso quer dizer que é uma pessoa agradável, com um coração enorme, e que adora apoiar as pessoas à sua volta. Os seus amigos podem contar consigo sempre que precisarem!

Infelizmente, a sua bondade pode pregar partidas. Você tende a confiar muito nas pessoas, portanto pode se deixar levar e ser enganado… tenha cuidado.

                                                                         FONTE: https://www.dicasobretudo.top

 

 

A Ciência da Persuasão

PERSUASÃO

Há pessoas que parecem ter o dom de convencer os outros sem que tenham que se esforçar muito. São capazes de pedir favores, de efetuar vendas ou de angariar fundos com aparente facilidade. Para os restantes, aqueles que são persuadidos, tal capacidade parece quase que “mágica”, como fazendo parte da personalidade dessas pessoas e sendo por isso inatingível para os restantes. É por isso natural que muitas vezes se fale na “arte da persuasão”, porque a arte é algo que se desenvolve e cultiva, mas que dificilmente se aprende. Anos passados em escolas artísticas não tornam qualquer um em pintor famoso; ou se tem arte, ou não se tem! Mas este pensamento aplicado à persuasão está errado! A persuasão não é uma arte, é uma ciência, ou melhor, um ramo de uma ciência que se chama psicologia!

        Os processos de influência e persuasão já são estudados desde a Grécia Antiga, com a Retórica de Aristóteles como referência máxima, mas continuam ainda hoje a fascinar os investigadores na área das ciências sociais particularmente na área da psicologia social. Estudar os mecanismos os quais levam a que alguém esteja em melhores condições para persuadir, ou ser persuadido, tem sido preocupação de vários investigadores cujos trabalhos desmistificaram a ideia da persuasão como uma arte controlada por uns poucos, e a colocaram em um patamar científico e disponível para ser aprendida por qualquer pessoa.

     Um desses psicólogos sociais é Robert Cialdini, professor na Universidade Estatal do Arizona . Cialdini tem sido um dos investigadores mais envolvidos com as dinâmicas da persuasão e da influência social sendo um dos nomes mais respeitados em nível acadêmico nesse campo. Este autor é, sobretudo, reconhecido pela sua definição dos 6 princípios base que são inerentes a qualquer tentativa de persuasão.
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DE ACORDO COM CIALDINI OS 6 PRINCÍPIOS DA PERSUASÃO SÃO:

  • RECIPROCIDADE – este princípio define que as pessoas estão mais dispostas a anuir com algum pedido quando algo lhes foi “dado” em primeiro lugar;

  • CONSISTÊNCIA – as pessoas sentem-se mais dispostas a atuar de certa forma se encararem isso como sendo consistente com o seu comportamento prévio;

  • AUTORIDADE – de acordo com este princípio, a autoridade ou perícia percebida do comunicador é um fator importante para que as pessoas se sintam dispostas a concordar ou fazer algo;

  • VALIDAÇÃO SOCIAL – quanto mais “popular” for percebido ser um comportamento, maior será a tendência para que alguém se comporte dessa forma;

  • ESCASSEZ – a atratividade de um dado objeto/serviço/situação é inversamente proporcional à sua disponibilidade;

  • ATRAÇÃO – as pessoas estão mais dispostas a ajudar ou concordar com aqueles de quem gostam, têm uma relação de amizade, por quem se sentem atraídos ou consideram ser similares a si.

Essas  estratégias de persuasão de sucesso se enquadram em, ou em mais, destes princípios.

 

Análise do poema Estrela da manhã

ESTRELA

Eu quero a estrela da manhã

Onde está a estrela da manhã?

Meus amigos meus inimigos

Procurem a estrela da manhã

 

Ela desapareceu ia nua

Desapareceu com quem?

Procurem por toda parte

 

Digam que eu sou um homem sem orgulho

Um homem que aceita tudo

Que me importa?

Eu quero a estrela da manhã

 

Três dias e três noites

Fui assassino e suicida

Ladrão, pulha, falsário

 

Virgem mal sexuada

Atribuladora dos aflitos

Girafa de duas cabeças

Pecai por todos pecai com todos

 

Pecai com os malandros

Pecai com os sargentos

Pecai com os fuzileiros navais

Pecai de todas as maneiras

 

Com os gregos e com os troianos

Com o padre e com o sacristão

Com o leproso de Pouso Alto

 

Depois comigo

 

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra e direi

[coisas de uma ternura tão simples

Que tu desfalecerás

 

Procurem por toda parte

Pura ou degradada até a última baixeza

Eu quero a estrela da manhã.

O poema em análise abre o livro Estrela da manhã é homônimo do título da obra. Ele é composto de 31 versos livres, distribuídos em 10 estrofes. A estrofe inicial apresenta a ânsia do poeta em encontrar o que ele denomina “estrela da manhã”, solicitando para tanto a ajuda dos amigos e dos inimigos. A segunda estrofe confere um significado especial à estrela, pois ela desapareceu nua, talvez acompanhada por alguém. Ao associar o termo nua ao termo estrela, este ganha no sentido, indicando a encarnação do desejo do poeta aludindo a uma figura feminina.

       Na terceira estrofe, o despojamento moral do eu lírico reforça a ideia de seu sofrimento em função da privação da companhia desejada: “Digam que sou um homem sem orgulho / um homem que aceita tudo/ que me importa?”

       A quarta e quinta estrofes apresentam a passagem para um estado delirante, que se inicia por uma auto degradação e culmina em uma visão surrealista, isto é, em uma imagem que brota, diretamente, do inconsciente: “girafa de duas cabeças”.

      A sexta e sétima estrofes revelam, pelo recurso da anáfora, isto é, da repetição do termo no início do verso, o dilaceramento do eu lírico em face ao desejo, pois ele aceita toda a degradação moral do objeto desejado. A repetição do verbo no imperativo “pecai” alude ao próprio desejo de pecar, o que pode ser observado na estrofe seguinte, composta de um único verso: “Depois comigo”. O isolamento do verso na estrofe intensifica a ideia de solidão. A sucessão dos verbos no imperativo pelo verso nominal, ou seja, o verso sem verbo, realça a intensidade do desejo e a condição solitária do eu lírico.

       A abertura da penúltima estrofe apresenta um verso longo, sem vírgulas: “Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples”. A ausência de pontuação reforça a amplitude do desejo. Mafuás são feiras ou parques de diversões; novena é o período de nove dias dedicado a orações; cavalhadas é um folguedo, uma festa popular; a diversão (mafuás, cavalhadas) e a devoção (novena) fundem-se em uma mesma perspectiva, que é a busca da realização do desejo do poeta, e a imagem da mulher desejada torna-se simultaneamente sagrada e profana. O desejo é tão intenso que chega ao limiar da loucura “comerei terra” para, em seguida, converter-se em sublime ternura na construção de um discurso “e direi coisas de uma ternura tão simples” capaz de levar o objeto do seu desejo, no verso seguinte, à perda da consciência “Que tu desfalecerás”.

      Na última estrofe, o eu lírico invoca o auxílio de todos em busca da “estrela da manhã”: “ Procurem por toda parte”. E a estrela parece assumir o significado do desejo amoroso atormentado, pois é desejada “Pura ou degradada até a última baixeza”.

      O tema da frustração é uma constante na obra de Manuel Bandeira e aparece muitas vezes ligado à imagem da estrela. A estrela que o poeta pode apenas contemplar, sem jamais tocar, simboliza a impossibilidade da realização de uma vida desejada. Na abertura de Estrela da vida inteira, o poeta escreveu: “Estrela da vida inteira/ da vida inteira que poderia ter sido/ e que não foi./ Poesia, minha vida verdadeira.”

       Em Estrela da manhã, a imagem da estrela está relacionada ao desejo amoroso, mas ao desejo amoroso frustrado. O poeta procura pela estrela, porém não consegue encontrá-la e nem tocá-la.

         Curiosamente, o poema de abertura do livro e o de fechamento mantêm entre si uma estreita relação, porque o último poema também apresenta a imagem da estrela:

A Estrela e o Anjo

Vésper caiu cheia de pudor na minha cama

Vésper em cuja ardência não havia a menor parcela de sensualidade

Enquanto eu gritava o seu nome três vezes

Dois grandes botões de rosa murcharam

E o anjo da guarda quedou-se de mãos postas no desejo in-

                                                                  satisfeito de Deus

 

 

 

 

Dylan, o Nobel e a questão dos gêneros literários

São muitas as manifestações literárias em que música e palavra permaneceram unidas. Ao outorgar o prêmio a Dylan, a Academia fez referência a Homero e Safo, poetas gregos

BOB

Dylan é, ao mesmo tempo, trovador e menestrel

Eles mandam, e vós servis; eles dormem, e vós velais; eles descansam, e vós trabalhais: eles gozam os frutos de vossos trabalhos, e o que vós colheis deles é um trabalho sobre outro. Não há trabalhos mais doces que os das vossas oficinas; mas toda essa doçura para quem é? Sois como as abelhas, de quem disse o poeta: Sic vos non vobis melificates apes [Assim como as abelhas, vós produzis o mel, mas não para vós].

Esse é o excerto de um sermão do Padre Antônio Vieira, pregado em 1633,Os Escravos de um engenho da Bahia. Os negros são as laboriosas abelhas, mas não desfrutarão do mel. O exercício retórico, o manuseio da linguagem e a metáfora caracterizam o texto como literário? É literatura, apesar de pertencer ao gênero sermão? O padre jesuíta luso-brasileiro (1608/1697) poderia ganhar, hoje, o O Prêmio Nobel?

Voltando ao tempo e não escapando das raízes portuguesas, pensemos no cronista Fernão Lopes, possivelmente nascido em 1380 e ainda vivo, ao que consta, em 1459. Segundo Southey, erudito inglês do século XIX, aquele era “o maior cronista de qualquer época ou nação”. Crônica, posteriormente chamada historiografia, era o nome dado à narração de feitos da nobreza na Idade Média. Ao escrever História, teria sido Fernão Lopes um literato no sentido restrito da palavra? “Nobelizável”, então? Era um historiador, como, neste século, o mineiro José Murilo de Carvalho (1938), membro da Academia Brasileira de Letras desde 2004.

Muitos afirmam que a seleta banca responsável pela eleição de um músico norte-americano, Bob Dylan, para receber a lauda máxima da Academia Sueca na categoria literatura está se ajustando ao tempo. Estaria ela buscando aceitar a ideia de que os gêneros literários extrapolam a milenar divisão aristotélica: lirismo, drama e epopeia. A leitura da Poética, de Aristóteles, é conclusiva a respeito de uma divisão estrita entre música e literatura – esta seria “a arte que se utiliza apenas de palavras, sem ritmo ou metrificadas”, diferente daquela produzida por “citareiros” e “flauteiros”.

A produção literária ao longo do tempo, no entanto, não se restringiu aos limites estabelecidos pelo filósofo. São muitas as manifestações literárias em que música e palavra permaneceram unidas. Ao outorgar o prêmio a Dylan, a Academia fez referência a Homero e Safo, poetas gregos. Tanto as epopeias eram cantadas pelos aedos quanto os poemas líricos eram acompanhados de instrumento. Aliás, recorde-se aqui a origem do termo lírico, do latim (lyricu) “lira”, um instrumento musical. Em alemão, “das lied” tanto significa poema lírico quanto canção. Nas cantigas trovadorescas anteriores ao Humanismo, poema e música são indissociáveis.

Suponhamos que alguma divisão seja de fato essencial. Separemos, pois, as letras das canções do suporte musical. Os menestréis do Trovadorismo eram acompanhados de instrumentos. Os textos verbais das cantigas, compostos por trovadores. Dylan é, ao mesmo tempo, trovador e menestrel. Segundo a crítica, não é um instrumentista nem um cantor à altura de prêmios. É, entretanto, um grande compositor e, principalmente, letrista. Resta saber se suas letras sobrevivem – enquanto produção com palavras – sem o canto. Caso a resposta seja sim, passariam à categoria de poemas… mas seria mesmo necessária a divisão?

Atualizemos a discussão. Os poetas concretos, a partir dos anos 50 do século passado, não usavam unicamente a folha de papel como suporte. Podiam colocar seus textos em esculturas, quadros, filmes ou outdoors. E hoje temos a cibercultura, que inclui a ciberliteratura. Nas nuvens e em suportes digitais, o texto verbal deixa de ser literário?

À guisa de conclusão, fiquemos com as palavras de Ezra Pound, em seu ABC da Literatura: “literatura é a linguagem carregada de significado. Grande literatura é simplesmente a linguagem carregada de significado até o máximo grau possível.” Pode-se afirmar que, em sua carreira, Bob Dylan foi um transgressor não só na literatura que curtia, incluindo a geração beat, os outsiders, quanto pelas abordagens viscerais que fez e faz em suas composições. Suas canções são, sem sombra de dúvida, linguagem carregada de sentido.

*Flora Bender Garcia é doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP).
*José Ruy Lozano é autor de livros didáticos e professor do Instituto Sidarta.

 

Augusto dos Anjos e a poesia de tudo quanto é morto

Um convite aos versos que ecoam a tragicidade irônica da condição humana

AUGUSTO

Augusto, “um dos nossos primeiros poetas modernos”, só foi reconhecido depois de sua morte, em 1914

“Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!”

Assim se define Augusto dos Anjos em O Poeta do Hediondo. A palavra “hediondo”, que dá título ao soneto, significa aquilo ou aquele que nos causa horror, espanto, indignação.

E é justamente dessa forma que o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), cujo centenário de morte foi comemorado em 2014, ficou conhecido na história da poesia brasileira: aquele dos versos repletos de vermes, de morte e de decomposição.

Versos de um solitário autor de apenas um livro, Eu (1912), que só pôde ser publicado porque contou com a ajuda financeira do irmão e que mal foi notado pelos críticos da época, parado nas livrarias e rapidamente esquecido por quase todos.

Somente dois anos depois da publicação desse primeiro e único livro, em 1914, o poeta morreu de pneumonia, muito precocemente, com não mais do que 30 anos. Morreu antes de conhecer o sucesso que faria no futuro: poucos o valorizavam e sua morte quase não teve repercussão na imprensa.

Francisco de Assis Barbosa conta que poucos dias depois do falecimento de Augusto dos Anjos, na cidade de Leopoldina, em Minas Gerais, seus grandes amigos Orris Soares e Heitor Lima andavam pelo Rio de Janeiro e se detiveram na frente da Casa Lopes Fernandes, onde estava o grande poeta parnasiano Olavo Bilac, conhecido já na época como o Príncipe dos Poetas.

Ao ser informado sobre a morte recente, ele perguntou: “E quem é esse Augusto dos Anjos? Grande poeta? Não o conheço. Nunca ouvi falar seu nome. Sabem alguma coisa dele?” Heitor Lima disse, de cor, o soneto Versos a um Coveiro. Bilac, em silêncio, ouviu até o fim e, depois, deu um sorriso de desprezo e disse: “Era esse o poeta? Ah, então fez bem em morrer. Não se perdeu grande coisa”.

De fato, do ponto de vista dos eruditos da época, que tratavam a obra de arte como “o sorriso da sociedade”, um objeto belo e simétrico, a poesia de Augusto dos Anjos não era bem-vinda.

Em contraste com o otimismo dessa belle époque brasileira, seus versos eram cheios de “esterco” e de “escarro” e o poeta não hesitava em dizer coisas como “Mostro meu nojo à Natureza Humana/A podridão me serve de Evangelho…”

Até mesmo a concepção de arte de Augusto distanciava-se, em muito, daquela dos parnasianos: se para esses a Arte era considerada, sobretudo, como o elogio a um objeto imaculado e de formas perfeitas, nos poemas de Augusto dos Anjos, ao contrário, o que é chamado de Arte é “a mais alta expressão da dor estética” – e somente ela é capaz de esculpir “a humana mágoa” (trechos de o Monólogo de Uma Sombra).

É como se Augusto tivesse, com sua linguagem e conteúdo tão fortes, descido do Monte Parnaso dos artistas para ir de encontro às camadas inferiores da humanidade, nas quais o que se vê não é tão limpo e brilhante como são as estrelas evocadas por Olavo Bilac.

Uma linguagem baixa, com que a poesia não estava acostumada, começou a se revelar em Augusto dos Anjos. Palavras sujas convivem com um vocabulário científico, criando uma abordagem do mundo muito própria, em que se misturam aspectos de um realismo cortante, de raízes de um simbolismo e, até, de certa modernidade que só se manifestaria com força alguns anos depois na história da poesia brasileira.

Foi ao aproximar a linguagem poética da realidade cotidiana, das experiências vividas, que Augusto trouxe uma renovação para a lírica e se tornou, mais tarde, uma das principais influências do Modernismo brasileiro – que valoriza, justamente, esses aspectos do dia a dia, da fala comum, para construir a partir deles um universo poético.

É por isso que Ferreira Gullar, por exemplo, considera Augusto dos Anjos “um dos nossos primeiros poetas modernos”: uma série de elementos que serão recuperados e intensificados a partir dos anos 1920 e 1930 já estão nos poemas de Augusto, que só foi reconhecido vários anos depois de sua morte.

Se, em 1912, a primeira edição do seu livro, de apenas mil exemplares, quase não surtiu efeito no público e permaneceu encalhada, a passagem dos anos ajudou a fazer com que o livro e seu autor crescessem e ganhassem espaço.

A obra foi relançada em 1920 sob o título de Eu e Outras Poesias, acrescida postumamente por outros poemas reunidos, e organizada pelo amigo Orris Soares, que também escreveu o prefácio do volume.

Ainda assim, a maior parte da crítica não considerou o livro, e poucas vozes o reconheceram como grande poeta. José Oiticica, filólogo e poeta, foi um dos únicos dessa época a voltar os olhos para Augusto dos Anjos, afirmando que, no futuro, ele seria, sem dúvida, “o mais assinalado poeta brasileiro de seu tempo”.

Mas foi somente em 1928, quando a Livraria Castilho publicou a terceira edição do livro, que a recepção do poeta deu a virada decisiva: 3 mil exemplares esgotaram-se em 15 dias, e duas reedições foram feitas ainda em 1928-1929.

A partir daí, não parou mais: contam-se pelo menos 50 edições diferentes do livro até hoje e, cem anos depois de sua morte, ele continua a ser lido e estudado pelos mais diversos públicos.

Voz política

“São versos que ficaram nos ouvidos de gerações de adolescentes, pois de adolescentes conservam um quê de pedantismo dos autodidatas verdes, em geral acerbos e solitários”, diz, a respeito do poeta, Alfredo Bosi, em História Concisa da Literatura Brasileira.

Realmente, a tragicidade irônica que atravessa os temas de Augusto dos Anjos marca essa fase da vida em que tudo carrega mais gravidade e, por isso, não é raro que seus poemas sejam muito lidos por adolescentes, que fazem destes versos uma espécie de manifesto: Apedreja essa mão vil que te afaga,/Escarra nessa boca que te beija! Ou, então: Escarrar de um abismo noutro abismo,/ Mandando ao Céu o fumo de um cigarro,/Há mais filosofia neste escarro/Do que em toda a moral do cristianismo!

Mas basta mergulhar um pouco mais a fundo no universo de Augusto dos Anjos para compreender que essas palavras muito ultrapassam o estereótipo no qual poderiam ser enquadradas em um primeiro momento.

Não é ódio gratuito ou ironia vazia que fundamentam esses versos: pelo contrário, cada poema é profundamente político, e muitos deles fazem críticas severas ao País e à exploração dos homens pelos homens.

Enquanto a maioria dos artistas se contentava em elogiar e exaltar a fauna e a flora brasileiras, Augusto afastava-se das imagens da natureza tropical, inspirado antes pelas cinzas e pelos abutres que também participam do cenário do Brasil: uma das únicas ocorrências do vocábulo “pátria” em seus versos é no título do poema O Lázaro da Pátria, que trabalha justamente com a vitimização e o sofrimento de um índio.

Também no longo poema Os Doentes, o que se lê em certa passagem é a terrível imagem de um índio morto em meio à floresta, cujo ruído é a vibração “mais recôndita da alma brasileira”:

Aturdia-me a tétrica miragem
De que, naquele instante, no Amazonas,
Fedia, entregue a vísceras glutonas,
A carcaça esquecida de um selvagem.

O quadro político da época era bastante complicado: entre uma burguesia ascendente, a imigração decorrente do desenvolvimento industrial, grandes revoltas e greves de operários, era como se o País estivesse em confronto consigo mesmo. As forças agrárias e tradicionais, maiores detentoras do poder, entravam em conflito com a industrialização e a urbanização que pediam por mudanças e pela modernização do Brasil.

Também o cenário internacional mostrava-se cada vez mais preocupante, com as batalhas que preparavam aquilo que viria a ser Primeira Guerra Mundial– que teve início três meses antes da morte de Augusto dos Anjos.

Assim, é compreensível que o poeta abra espaço para a expressão de seu estranhamento e indignação, fazendo deles matéria-prima para os versos:

A passagem dos séculos me assombra
Para onde irá correndo minha sombra
Nesse cavalo de eletricidade?!

Foi a partir dessas incertezas que nasciam com o novo século que Augusto compôs seus poemas, repletos de cores escuras, da morte iminente e de desintegração.

Singularíssima pessoa

Conta-se que Augusto dos Anjos era franzino e recurvo, tinha um bigode mínimo e um andar inseguro, como se estivesse sempre na ponta dos pés. Passava tardes andando pela sala e falando sozinho, gesticulando – comportamento que, para quem visse de fora, poderia ser considerado o de um louco.

Na verdade, como conta Orris Soares, era esse o seu processo de criação: “Toda arquitetura e pintura dos versos, ele as fazia mentalmente, só as transferindo ao papel quando estavam integrais”.

Nascido em Engenho de Pau d’Arco, na Paraíba, em 1884, dentro de uma família de proprietários de engenho, Augusto dos Anjos era descendente de senhores rurais e latifundiários. Foi seu pai, homem de ideais abolicionistas, que educou o poeta na primeira infância – e dizem que ele começou a escrever versos já com 7 anos de idade.

Depois de se formar advogado na Faculdade de Direito do Recife, Augusto casou e tornou-se professor de escola: deu aulas no Liceu Paraibano, onde havia estudado, e depois no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Foi uma vida simples, sem grandes reviravoltas, e com poucos fatos a serem contados.

Algumas imagens de sua infância e da terra onde cresceu, no entanto, são retomadas nos poemas, com certa reminiscência, como se caracterizassem uma inocência perdida com a vida adulta.

O pé de tamarindo, árvore que ainda hoje continua a existir no Memorial Augusto dos Anjos, é personagem recorrente – tanto que é à sombra dele que Augusto deseja ficar depois de sua morte, como anuncia no soneto Debaixo do Tamarindo.

Chamada de “Tamarindo de minha desventura”, a árvore parece representar uma natureza diferente daquela exaltada pelos parnasianos: mais íntima e melancólica, ela permanece como imagem visceral de uma realidade que não foi afetada pela crueldade humana e que pode ser a alternativa para uma harmonia que não existe entre os homens.

De onde ela vem?! De que matéria bruta/Vem essa luz que sobre as nebulosas/Cai de incógnitas criptas misteriosas/Como as estalactites duma gruta?!, pergunta-se Augusto dos Anjos no poema O Deus-Verme.

Essa luz evocada, desconhecida e sombria, que vem de algum lugar não revelado, das “desintegrações maravilhosas”, é aquela que mostra, de viés, as diferentes faces de um poeta complexo que foge aos enquadramentos e às classificações.

Também nós nos perguntamos de onde surgiu essa singularíssima pessoa que estava à frente de seu tempo, e já antecipava os temas e imagens que viriam mais tarde.

Quando Carlos Drummond de Andrade, em 1930, compôs os versos que viriam a se tornar o refrão da poesia brasileira: “Quando nasci, um anjo torto/Desses que vivem na sombra/Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida”, talvez houvesse ali algo da voz de um poeta também solitário e angustiado que, 17 anos antes, havia escrito Ah! Um urubu pousou na minha sorte!

* Leda Cartum é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro As horas do dia – Pequeno dicionário-calendário

* Publicado originalmente em Carta na Escola

 

 

O essencial de Graciliano Ramos

O escritor nos deixa ver o que normalmente ignoramos na atenção para coisas aparentemente insignificantes, dentre vestes e disfarces.

graciliano

      O escritor ficou conhecido por trabalhar vários anos em seus textos, cortando “tudo o que não fosse essencial”

      Nascido em 1892 numa pequena cidade do sertão de Alagoas, Graciliano Ramos começou a se interessar pelas palavras ainda criança, quando ficou temporariamente cego por causa de uma doença, e, até voltar a enxergar, teve de passar algum tempo encerrado no quarto, ouvindo as cantigas folclóricas que sua mãe cantava enquanto arrumava a casa.

      Mas, apesar do interesse precoce pelas letras e das profissões que Graciliano teve, muito ligadas à escrita (foi revisor, jornalista e colaborador de jornais), demorou muito tempo para publicar seu primeiro livro: apenas em 1933, com então 41 anos, o autor lançou Caetés, texto que passou quase dez anos escrevendo e que faria parte de uma trilogia de livros marcados pelos questionamentos de personagens em crise. Não é à toa, assim, que Graciliano Ramos seja conhecido como um escritor de lentidão; sempre levou muito tempo até decidir publicar seus textos e, se não fosse a pressão dos editores, poderia continuar para sempre trabalhando neles, cortando e eliminando “tudo o que não é essencial”, como observa Otto Maria Carpeaux a seu respeito.
Mesmo que a obra desse autor seja toda transpassada por sua biografia, considerando que alguns de seus romances são até memorialistas, seria precipitado achar que, por causa disso, o autor seja intimista e subjetivo. No caso de Graciliano, o fato de seus livros girarem em torno de seu universo pessoal não significa que eles sejam autocentrados; pelo contrário, falar de si, para ele, quer dizer falar de todos, já que compreender a própria dor é também procurar compreender a dor de todo ser humano em sociedade.

      É por isso que, até em livros autobiográficos como Infância ou Memórias do Cárcere, a primeira pessoa do autor é sempre contornada (como ele mesmo dizia: “Desgosta-me a primeira pessoa, (…) é desagradável adotar o pronomezinho irritante”), e o que ganha destaque são, sobretudo, as relações pessoais, na sua verdade mais pura e espantosa: importam menos os adjetivos e muito mais aquilo que as pessoas têm de substantivo.

       No livro Infância, de 1945, o autor narra sua vida até os 12 anos, e para isso não omite a dureza e a secura das suas relações familiares: descreve os pais e a vida em seu entorno de forma objetiva e direta, deixando claro ao leitor tanto a rispidez da mãe quanto o autoritarismo do pai, que cometeu injustiças como no episódio em que deu uma surra no filho por uma acusação que logo depois descobriu ser falsa. É a partir de situações como essa que Graciliano compreende a crueldade dos homens, e a dificuldade de conviver em sociedade.

       Nem por isso, no entanto, mesmo tendo vivido uma das mais sofridas e duras trajetórias de um artista brasileiro, tendo perdido mulher e filho, tendo sido preso sem motivo claro, Graciliano nunca se colocou como vítima nem permitiu que o leitor se compadecesse dele: não há complacência possível, nem para si mesmo nem para os outros. O autor se descreve, em Infância, como “um menino troncho e esquisito”, e sabe que os sofrimentos que viveu não são maiores do que os de outras pessoas, nem o tornam melhor ou mais merecedor do que os outros.

      Assim como em Vidas Secas, livro mais conhecido do autor, Infância é composto de capítulos curtos que podem ser lidos de maneira independente do todo, mesmo que constitua uma unidade tanto formal quanto temática. Essa é uma técnica constante na obra de Graciliano Ramos, já que seu outro livro biográfico, Memórias do Cárcere, apresenta uma forma bastante semelhante: narrado em primeira pessoa, como Infância, os mais de 120 capítulos desse livro são também curtos e podem ser abordados de forma descontínua, ainda que ligados por um narrador comum. Memórias do Cárcere foi escrito quando Graciliano estava à beira da morte (na verdade reescrito, considerando o fato de que boa parte dele já tinha sido escrita na prisão, mas foi destruída quando ele saiu de lá), tendo sido deixado incompleto, sem o capítulo final, já que, por causa da mencionada lentidão do escritor, ele não teve tempo de finalizá-lo.

        Uma abertura esclarece ao leitor o motivo da escrita de um livro como esse, que, depois de dez anos do acontecido, conta as histórias vividas por Graciliano Ramos quando foi preso, em 1936: “Quem dormiu no chão deve lembrar-se disto, impor-se disciplina, sentar-se em cadeiras duras, escrever em tábuas estreitas. Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, contorná-las, envolvê-las em gaze”. De fato, o livro não poupa episódios de aspereza nem economiza as características duras e muitas vezes cruéis dos personagens; assim, nos coloca diante de uma realidade como a do cárcere, em que as pessoas se revelam de forma diferente daquela cotidiana – ladrões, assassinos ou carcereiros mostram-se às vezes muito mais generosos do que aqueles que são aparentemente mais cultos e educados, e que podem se revelar orgulhosos, vaidosos ou egoístas.

       Graciliano Ramos foi preso por ocasião da ditadura de Getúlio Vargas, sem uma acusação clara, além do fato de ser intelectual de esquerda, e passou por diversos presídios e cárceres durante quase um ano, desde a Casa de Correção do Rio de Janeiro até o presídio da Ilha Grande. Esse livro de memórias é, então, mais do que uma coletânea dos fatos ocorridos: é um retrato de um período da história do País nas suas relações humanas complexas e sem disfarces, assim como vemos na falta de estilização ou enfeites de Infância e de seus outros livros ficcionais.

       Pois não é apenas quando se debruça sobre sua própria vida que Graciliano traça um retrato da sociedade brasileira: suas obras de ficção, tanto quanto as memórias, são todas tentativas de capturar o ser humano na sua brutalidade, ou seja, sem procurar redimi-lo ou desculpá-lo. Assim, pode-se tomar como exemplo um livro como Angústia (1936), narrado em primeira pessoa por Luís da Silva, personagem que se aproxima do próprio Graciliano, já que é também um funcionário público que escreve artigos para jornais. Aqui, o narrador passa todo o livro num processo doentio de autoanálise e de análise de todos os que estão ao seu redor.

       É a partir de um monólogo interior que se desenreda a história de um crime, e Luís da Silva desce à sua profundidade psicológica, compreendendo as relações que tem com os outros e a vida que leva de maneira cada vez mais pessimista e atordoada, desenvolvendo uma ojeriza crescente em relação a si mesmo e aos outros. Em Angústia e nos dois outros livros que integram uma série mais psicológica e questionadora do autor Caetés, de 1933, e São Bernardo, de 1936), a realidade externa só aparece como repercussão interna, numa tentativa de compreender a complexidade da maneira como percebemos o mundo.

Fonte: cartaeducacao.com.br