DUAS METADES IGUAIS? DUAS METADES? OU METADES?

METADE

               Ao usarmos a palavra metades, não há necessidade alguma de dizermos duas, porque metades sempre são duas e nem iguais, já que sendo metades, são necessariamente iguais.

             Diga, portanto:

  1. Dividiram a casa em metades.
  2. Dividiram a casa em duas partes iguais.
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Preposição

prep

1.(UNICAMP) Considere as orações em pauta analisando-as:

O passageiro chegou ao metrô às duas horas.
O passageiro chegou no metrô que partira há duas horas.

Quanto ao valor semântico estabelecido pelas preposições, ambas apresentam semelhança de sentido? Explique.

RESPOSTA:

Não, pois o valor semântico estabelecido pela primeira é de lugar, enquanto que na segunda revela o instrumento utilizado para se locomover de um lugar a outro.

2.(FUVEST) I. O QUE MUDOU NA LEGISLAÇÃO ELEITORAL
COMO ERA EM 89
(…)
Apenas pessoas físicas podiam fazer doações (…)

‘Entidades de classe ou sindicais não podiam contribuir com os partidos. (…)’
[“Folha de S. Paulo”, 3/12/94, 1-8]

II. CONTRIBUIR 1. (…) Tomar parte em despesa comum, pagar contribuição; dar dinheiro, com outros (para determinado fim) (…) “Você não contribui para as obras da igreja?” (…) Contribuí com cem reais. Poucos paroquianos deixaram de contribuir. (…)
[C. P. LUFT, Dicionário de regência verbal]
a) O período destacado em I apresenta uma incorreção na regência verbal. Redija-o corretamente, com base na informação de II.
b) Ainda com base em II, formule uma explicação adequada para o uso da preposição no período destacado em I.
RESPOSTAS:

a) Entidades de classe ou sindicais não podiam contribuir PARA os partidos.
b) Confundiu-se uma preposição que expressa meio com outra que indica finalidade.

 3.Explique a diferença de sentido entre:

a) Toda a cidade se enfeita para a grande festa.

b) Toda cidade se enfeita para a grande festa.

RESPOSTAS:

Em A – a cidade inteira; a totalidade da cidade.

Em B – as cidades em geral, todas elas.

4.(FUVEST – SP) Na frase: “Estamos a bordo”, a preposição indica uma relação de lugar. Escreva duas frases em que o emprego dessa mesma preposição indique:
a)relação de tempo habitual.
b) relação de instrumento.

RESPOSTAS:

a) Às segundas e terças-feiras fazemos visitas a instituições de caridade.  b) O assaltante foi morto a tiros.

5.Identifique no anuncio o valor semântico das preposições empregadas nas seguintes situações:

a)“Compromisso com um futuro melhor” .

b) “Futuro melhor para todos”.

c) “Respeito ao planeta”.

d) “4 milhões de filhotes de tartarugas ao mar”.

e)“Em 19 anos de parceria com a Petrobras”.

RESPOSTAS:

a)Associação

b) Finalidade

c) direção

d) lugar ou direção

e) associação

6.(FUVEST – SP) Em “óculos sem aro”, a preposição indica ausência, falta. Explique o sentido expresso pelas preposições em:
a) “Cale-se ou expulso a senhora da sala”.

b) “… interrompia a lição com piadinhas.”

RESPOSTAS:

a) lugar     

b) instrumento/modo. 

7.Na passagem – o consórcio que o Brasil inteiro confia – deve ser acrescentada uma preposição. Reescreva a passagem acrescentando essa preposição.
RESPOSTA:

O verbo “confiar” nesse contexto tem o sentido de ter confiança, acreditar, caso em que é transitivo indireto; na frase, tem por objeto o pronome relativo “que” (referindo-se a consórcio); nessa acepção, o verbo deve vir acompanhado da preposição “em”, para introduzir seu objeto indireto: Eu confio em você. Você é a pessoa em quem confio.
A passagem reescrita será: o consórcio em que o Brasil inteiro confia.

 8.(FUVEST) No final da Guerra Civil americana, o ex-coronel ianque (…) sai à caça do soldado desertor que realizou assalto a trem com confederados.
[“O Estado de S. Paulo”, 15/09/95]
O uso da preposição ‘com’ permite diferentes interpretações da frase anterior.
a) Reescreva-a de duas maneiras diversas, de modo que haja um sentido diferente em cada uma.
b) Indique, para cada uma das redações, a noção expressa pela preposição ‘com’.
RESPOSTAS:

a) … sai à caça do soldado desertor que, com confederados, realizou assalto a trem.
… sai à caça do soldado desertor que realizou assalto a trem com confederados em seu interior.
b) No primeiro caso há noção de companhia; no segundo, de conteúdo.

 9.Com referência às alternativas propostas, analise-as de acordo com o código em evidência, levando em consideração o valor semântico estabelecido pelas preposições destacadas:

A – Causa
B – Posse
C – Companhia
D – Finalidade
E – Assunto

(  ) O livro do professor está emprestado aos alunos. 
(  ) Fomos com os amigos ao cinema.
(  ) O animal morreu de fome.
(  ) Fizemos o trabalho sobre questões ambientais.
(   ) O cenário encontra-se ornamentado para as festividades.

RESPOSTA:

B, C, A, E, D.

10.(FUVEST) Ao ligar dois termos de uma oração, a preposição pode expressar, entre outros aspectos, uma relação temporal, espacial ou nocional. Nos versos
“Amor total e falho… Puro e impuro…
Amor de velho adolescente…” 
a preposição “de” estabelece uma relação nocional. Essa mesma relação ocorre em:
a) “Este fundo de hotel é um fim de mundo.”
b) “A quem sonha de dia e sonha de noite, sabendo todo sonho vão.”
c) “Depois fui pirata mouro, / flagelo da Tripolitânia.”
d) “Chegarei de madrugada, / quando cantar a seriema.”
e) “Só os roçados da morte / compensam aqui cultivar.”

11.Assinale a alternativa que indica corretamente o valor semântico das preposições em destaque nas frases:

I. Ele sempre cuidou da família com muita dedicação.

II.Com a doença do pai, ela voltou para a cidade natal.

III. Desde pequenos, os príncipes eram preparados para a liderança.

IV. A pequena casa de madeira foi destruída machado.

a) modo – companhia – modo – modo

b) causa – modo – finalidade – instrumento

c) modo – modo – causa – causa

d) modo – causa – finalidade – instrumento

e) companhia – causa – semelhança – modo

12. (UNITAU) Na frase “Permitam-me fazer uma confissão: para mim o esforço no sentido de obter…”, o autor empregou o pronome “mim” no lugar de “eu”, porque
a) a preposição “para” rege o verbo “obter”.
b) a preposição “para” rege o pronome oblíquo átono “mim”.
c) a preposição “para” é regida pelo verbo “permitam”.
d) o autor errou; o certo é usar “eu”.
e) a preposição “para” rege o pronome oblíquo tônico “mim”.

13.Assinale a alternativa que indique a definição correta de preposição:

a) Preposição é a palavra invariável que liga duas outras palavras, estabelecendo entre elas determinadas relações de sentido e de dependência.

b) Preposição é a palavra invariável que liga duas orações ou duas palavras de mesma função em uma oração.

c) Preposição é a palavra ou conjunto de palavras que exprimem sentimentos, emoções e reações psicológicas.

d) Preposição é a palavra cuja função principal é indicar o posicionamento, o lugar de um ser, relativamente à posição ocupada por uma das três pessoas gramaticais.

e) Preposição é a palavra que exprime uma quantidade definida, exata de seres (pessoas, coisas etc.), ou a posição que um ser ocupa em determinada sequência.

14. (FUVEST) O segmento do texto em que a preposição DE estabelece uma relação de causa é:
a) “ao pé de uma casa amarelada”.
b) “escada, de degraus gastos”.
c) “gradeadozinho de arame”.
d) “parda do pó acumulado”.
e) “luz suja do saguão”.

15. Atente-se para os fragmentos poéticos, identificando a classe gramatical referente à palavra que se junta às preposições em destaque:

a)“Estou numa esquina de Copacabana, são duas horas da madrugada.” (Fernando Sabino)

b) “Teu corpo moreno
É da cor da ” (Manuel Bandeira)

c) “Todo mundo sabia da existência desses trens que estavam sendo ocultados.” (Bernardo Élis)

RESPOSTAS:

a –  numa – preposição em + o artigo indefinido uma

b – da – preposição de + o artigo definido a

c – desses – preposição de + o pronome demonstrativo esse

16.(UNIRIO) A preposição DE contida nas opções abaixo NÃO estabelece relação de posse em:
a) “… a tessitura dos pontos… “
b) “… ao fim do bordado… “.
c) “… o destino dos seres… ” .
d) “… pessoas (…) de cuja existência…”
e) “… tamanho do bastidor.”

17. “… a folha de um livro retoma.”
“como sob o vento a árvore que o doa.”
“e nada finge vento em folha de árvore”.

As expressões destacadas são introduzidas por preposições. Tais preposições são usadas, nesses versos, com a ideia de:

a) origem, lugar, especificação

b) especificação, agente causador, lugar

c) instrumento, especificação, lugar

d) agente causador, especificação, lugar

e) lugar, instrumento, origem

18. (UFV) “Em 1932, Freud escreveu uma carta a Einstein que fazia uma estranha pergunta/afirmação…” (par.3) Uma maneira de reconstruirmos essa frase seria antepormos ao pronome relativo a preposição:
a) a.
b) de.
c) para.
d) em.
e) sobre.

19.As lacunas em evidência devem ser preenchidas utilizando-se corretamente dos termos que a elas são atribuídos:

a)O médico não assistiu ______ paciente, pois preferiu assistir _____ filme juntamente com os amigos.

b) A garota era obediente ______ professora, razão pela qual foi promovida ________ representante de classe.

c) Depois de ter proferido _______ palavras, demonstrou-se alheio ______ atitude que tomara.

d) Falar _____ telefone quando estamos ______ trânsito é infração  prevista em lei. 

e) Eu me aproximei ______ você, pois precisava ter afinidade _____ todas as pessoas com as quais eu convivia.

RESPOSTAS:

a – o; ao

b – à; a

c – as; à

d – ao; no

e – de; com

20. (FUVEST) O segmento em que a preposição destacada estabelece uma relação de causa é:

a) A carruagem parou ao pé de uma casa amarelada.

b) A escada, de degraus gastos, subia ingrememente.

c) No patamar da sobreloja, uma janela com um gradeadozinho de arame […]

d) […] uma janela com gradeadozinho de arame, parda do pó acumulado…

e) […] coava a luz suja do saguão.

21. (UFSM) Em “O comportamento animal contribui PARA a compreensão do problema da violência premeditada entre os humanos”, a preposição destacada estabelece uma relação de sentido semelhante à apresentada na seguinte frase:
a) A reportagem serviu PARA analisar a violência.
b) Já nascem com a mente voltada PARA a guerra.
c) Estava muito impressionada PARA preocupar-se com banalidades.
d) Estamos agora indo PARA o mundo real.
e) PARA mim eles eram animais pacíficos e inteligentes.

22. (UFV) Assinale a alternativa em que a presença/ausência da preposição acarreta alteração semântica:
a) Meu filho sempre aspirou ao ar puro aqui do “campus”. / Meu filho sempre aspirou o ar puro aqui do “campus.”
b) Meu filho sempre assistiu a futebol pela tv. / Meu filho sempre assistiu futebol pela tv.
c) Meu filho sempre obedeceu a seus superiores. / Meu filho sempre obedeceu seus superiores.
d) Meu filho sempre precisou de que o amparassem. / Meu filho sempre precisou que o amparassem.
e) Meu filho sempre necessitou de que o amparassem. / Meu filho sempre necessitou que o amparassem.

23. ( FGV) Observe os termos destacados nas seguintes frases:
– Chegou a hora DO PÚBLICO se manifestar contra a publicação desse impostor.
– As palmas DO PÚBLICO ecoavam pelo teatro, em apoio à proposta de Nabuco.
– Vista DO PÚBLICO, a cantora parecia bonita; da coxia, percebia-se que era feia.
Sobre eles, é correto afirmar:
a) Para o segundo exemplo, vários gramáticos recomendam a forma DE O em lugar de DO, porque a preposição está regendo o sujeito.
b) Para o terceiro exemplo, vários gramáticos recomendam a forma DE O em lugar de DO, porque a preposição está regendo o sujeito.
c) Nos três exemplos, os termos destacados exercem a mesma função sintática de adjunto adverbial.
d) No primeiro e no segundo exemplos, os termos destacados exercem a mesma função sintática de adjunto adnominal.
e) Para o primeiro exemplo, vários gramáticos recomendam a forma DE O em lugar de DO, porque O PÚBLICO é sujeito, que não deve ser iniciado por preposição.

24. Na tirinha de Fernando Gonsales, a preposição “de” em “cadeira de balanço” assume o valor semântico de:

a) causa

b) instrumento

c) finalidade

d) modo

e) tempo

25. (ITA) O projeto Montanha Limpa, desenvolvido desde 1992, por meio da parceria entre o Parque Nacional de Itatiaia e a DuPont, visa amenizar os problemas causados pela poluição em forma de lixo deixado por visitantes desatentos.
(Folheto do Projeto Montanha Limpa do Parque Nacional de Itatiaia).
A preposição que indica que o Projeto Montanha Limpa continua até a publicação do Folheto é
a) entre.
b) por (por visitantes).
c) em.
d) por (pela poluição).
e) desde.

26. (UERJ) Algumas preposições podem expressar sentidos variados e introduzir termos com funções sintáticas diversas.
No exemplo “Pequeno deu a quantia determinada pela esposa de Zé Gordo”, a preposição POR tem características semânticas e sintáticas idênticas às da seguinte alternativa:
a) “caibros cobertos, em geral, POR telhas de zinco”
b) “num desespero absoluto e que POR ser absoluto é calado.”
c) “que se estendia POR caminhos muitas vezes sem sentido algum”
d) “becos que, POR terem só uma entrada, se tornam becos sem saídas,”

27. (FGV) Assinale a alternativa em que a norma culta de regência verbal admite a preposição “de” antes da palavra “que”, no contexto da frase.
a) …livros antigos maravilhosos, com fatos que não podem ser esquecidos.
b) Eles ficariam chocados se soubessem que nossos alunos são impedidos de observar o mundo que os cerca.
c) Os livros, se forem bons, confirmarão o que você já suspeitava.
d) Hoje nossos alunos são proibidos de observar o mundo, trancafiados que ficam numa sala de aula.
e) …são a carga de atitudes e visões incorretas que alguns nos ensinam.

28. (INATEL) Assinale a alternativa em que a norma culta não aceita a contração da preposição de:

a) Aos prantos, despedi-me dela.

b) Está na hora da criança dormir.

c) Falava das colegas em público.

d) Retirei os livros das prateleiras para limpá-los.

e) O local da chacina estava interditado.

29. (FGV) Observe a palavra destacada na frase: “A campanha de meus adversários interpõe-se À dos meus parceiros”. Assinale a alternativa que JUSTIFICA o uso do sinal de crase:
a) “Interpor-se” rege preposição “a” e subentende-se um objeto indireto feminino.
b) “Interpor-se” rege preposição “a” e “dos meus parceiros” é masculino.
c) “Interpor-se” rege preposição “a” e subentende-se um objeto direto feminino.
d) “Interpor-se” rege preposição “a” e o objeto direto explícito é masculino.
e) “Interpor-se” é verbo intransitivo e “dos meus parceiros” é adjunto masculino.

30. (UFRS)Considere as seguintes afirmações sobre o uso da preposição DE.
I – Em DE TANTOS PONTOS ALTOS , a preposição DE poderia ser substituída, sem prejuízo do sentido por “graças a”.
II – Em SEGUIDA DE UM MAGNÍFICO SHOW e FALANDO DE SUAS EXPERIÊNCIAS , a preposição DE estabelece idêntica relação semântica entre os elementos que liga.
III – Em SHOW DE PAULINHO , a preposição DE exprime autoria, como em TUDO […] DO GROSSMAN .
Quais estão corretas?
a) Apenas II.
b) Apenas III.
c) Apenas I e II.
d) Apenas I e III.
e) Apenas II e III.

31. (UNIFESP) No verso “Metal de voz que enleva de doçura”, a preposição DE ocorre duas vezes, formando expressões que indicam, respectivamente, relação de
a) posse e de consequência.
b) causa e de posse.
c) qualificação e de causa.
d) modo e de qualificação.
e) posse e de modo.

32. (FAU-SANTOS) “O policial recebeu o ladrão abala. Foi necessário apenas um disparo; o assaltante recebeu abala na cabeça e morreu na hora.”
No texto, os vocábulos em destaque são respectivamente:
a) preposição e artigo
b) preposição e preposição
c) artigo e artigo
d) artigo e preposição
e) artigo e pronome indefinido

33.(NCE/Ministério Público) A frase abaixo em que a preposição DE tem seu valor corretamente indicado é:

a) pulseira de plástico = qualidade

b) morreu de cansaço = causa

c) rosto de anjo = origem

d) tampa da panela = matéria

e) viagem de longe = parte

34. (FGV) Assinale a alternativa em que, CONTRARIANDO A NORMA CULTA, usou-se ou deixou-se de usar uma preposição antes do pronome relativo.
a) No momento que os gaúchos chegaram, os castelhanos soltaram vivas.
b) A moça, que os amigos generosamente acolheram, portou-se como uma verdadeira dama.
c) Era uma flor belíssima, de cujo olor extraíra o poeta sua inspiração.
d) Tinha mãos sujas da graxa em que a peça estivera mergulhada.
e) A linguagem era recheada de palavras pretensamente eruditas, que o condenavam.

35.  (UFPA) No trecho: “(O Rio) não se industrializou, deixou explodir a questão social, fermentada por mais de dois milhões de favelados, e inchou, à exaustão, uma máquina administrativa que não funciona…”, a preposição a (que está contraída com o artigo a) traduz uma relação de: 

a) fim

b) causa

c) concessão

d) limite

e) modo 

36.(Fameca-SP) As relações expressas pelas preposições estão corretas na sequência:

I. Saí com ela.

II. Ficaram sem um tostão.

III. Esconderam o lápis de Maria.

IV Ela prefere viajar de navio.

V. Estudou para passar.

a) falta; companhia; posse; meio; fim

b) companhia; falta; posse; fim; meio

c) companhia; posse; falta; meio; fim

d) companhia; falta; meio; posse; fim

e) companhia; falta; posse; meio; fim

37. (Ufac) “O que desejava… Ah! Esquecia-se. Agora se descordava da viagem que tinha feito pelo sertão, a cair de fome.” (Graciliano Ramos). A alternativa em que a preposição de expressa a mesma ideia que possui em “…a cair de fome” é:

a) De tanto gritar, sua voz ficou rouca.

b) De grão em grão, a galinha enche o papo.

c) De noite todos os gatos são pardos.

d) Chegaram cedo de Cruzeiro do Sul.

e) Trazia no bolso uma caneta de prata.

38. (UNIFESP) TEXTO 1

… a serpente mostrava ser a mais cautelosa de todos os animais selváticos do campo, que Jeová Deus havia feito. Assim, ela começou dizer à mulher: “É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?” A isso a mulher disse à serpente: “Do fruto das árvores do jardim podemos comer. Mas quanto a comer do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Não deveis comer dele, não, nem deveis tocar nele, para que não morrais.’ ” A isso a serpente disse à mulher: “Positivamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no mesmo dia que em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” Consequentemente, a mulher viu que a árvore era boa para alimento e que era algo para os olhos anelarem, sim, a árvore desejável para se contemplar. De modo que começou a tomar do seu fruto e a comê-lo. Depois deu também dele a seu esposo, quando estava com ela, e ele começou a comê-lo. Abriram-se então os olhos e começaram a perceber que estavam nus. Por isso coseram folhas de figueira e fizeram para si coberturas para os lombos. (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.)

TEXTO 2

Você já ouviu a história de Adão e Eva? Se não leu, certamente ouviu alguém contar, e deve se lembrar do que aconteceu com os dois. Com os dois e com a serpente, é claro. Conta a Bíblia que Adão e Eva viviam muito felizes no Paraíso, onde só havia uma proibição: eles não podiam experimentar o gosto da maçã. Adão, mais obediente, bem que não queria comer a tal da maçã. Mas Eva falou tão bem dela, fez com que parecesse tão gostosa, que o pobre coitado não resistiu. Foi dar a primeira mordida e perder o lugar no Paraíso… Se Eva vivesse hoje, seria uma ótima publicitária, uma profissional de propaganda. Afinal, ela soube convencer Adão de que valia a pena pagar um preço tão alto por uma simples maçã. Mas, se a gente pensar bem, Eva não foi a primeira publicitária. Antes dela, houve uma outra, a serpente. Simbolizando o demônio, foi a serpente que criou, na mulher, o desejo de experimentar o fruto proibido. E, assim, nasceu a propaganda. (André Carvalho & Sebastião Martins. Propaganda.)

 A alternativa em que o uso da preposição em destaque tem função mais estilística do que gramatical é

a) … quando estava com ..

b) Do fruto das árvores do jardim podemos comer.

c) … e fizeram para si coberturas para os lombos.

d) … ela começou dizer à..

e) Depois deu também dele a seu esposo …

39. (CESGRANRIO) Assinale a opção em que a preposição com traduz uma relação de instrumento:

a) “Teria sorte nos outros lugares, com gente estranha.”
b) “Com o meu avô cada vez mais perto de mim, o Santa Rosa seria um inferno.”
c) “Não fumava, e nenhum livro com força de me prender.”
d) “Trancava-me no quarto fugindo do aperreio, matando-as com jornais.”
e) “Andavam por cima do papel estendido com outras já pregadas no breu.”

40. (FAC. RUI BARBOSA) Assinale a alternativa em que ocorre combinação de uma preposição com um pronome demonstrativo:

a)Estou na mesma situação.
b) Neste momento, encerramos nossas transmissões.
c) Daqui não saio.
d) Ando só pela vida.
e) Acordei num lugar estranho.

41. (Unb-BRASÍLIA) Assinale o item que só contenha preposições:
a) durante, entre, sobre , por
b) com, sob, depois
c) para, atrás
d) em, caso, após
e) após, sobre, acima

Homônimos e Parônimos

homonimos

1.Algumas anedotas exploram recursos estilísticos, mais precisamente o emprego de palavras homônimas, para enfatizar de forma contundente o humor. Assim sendo, leia e identifique tal recurso presente no exemplo a seguir:

Um candidato a juiz de direito, na prova, ao redigir uma sentença, escreveu o seguinte:

“Isto posto, paço a decidir…”

Passo com paço não passa! E não passou no exame.

RESPOSTA:O recurso utilizado pelo autor da anedota para criar o humor foi a de grafar de forma incorreta, a primeira pessoa do singular referente ao  verbo passar com ç, uma vez que paço significa palácio.

2. Ao considerarmos que o discurso presente nas tiras humorísticas tem por finalidade retratar uma crítica ligada aos fatos sociais, recorra aos seus conhecimentos sobre as relações de significado estabelecidas entre as palavras, relacionando-as com base no referido diálogo, o qual retrata a modalidade citada.

– Pai, qual é a diferença entre infração e inflação?

– Bem, infração é quando alguém sabe que cometeu um erro e… É punido!

– E inflação?

– Bem, aí é quando ninguém sabe quem cometeu um erro e… Todos são punidos!

a .A explicação proferida pelo pai em resposta ao questionamento do filho está correta?

b . Qual a crítica implícita no discurso retratado?

RESPOSTAS:

a –  Somente quanto ao significado referente à infração. Quanto ao vocábulo inflação, o mesmo é revelado pela queda do valor de mercado ou poder de compra do dinheiro.

b – A crítica reside no fato de que, se há inflação, tal ocorrência se deve à atitude proferida por alguém, e no final somos nós que pagamos por isto.  

3. Comprimento e cumprimento

Complete corretamente:

a) O……………………………… de seu vestido está fora de moda.

b) O……………………………… do amigo foi muito frio e distante.

c) Talvez o……………………………………… do terreno não seja ideal para a construção de um asilo.

d) Quero um……………………………….. cordial e festivo quando o presidente do orfanato chegar.

RESPOSTAS:

a)comprimento

b) cumprimento

c) comprimento

d) cumprimento

4. (FEI) Assinalar a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases adiante:

I. Guardando sigilo, você agirá com________.

II. Os bancos transacionam somas_________.

III. Os culpados devem_________suas falhas.

IV. O secretário______o pedido do funcionário.

V. O professor_________-lhe um duro castigo.

a) discrição – vultuosas – espiar – diferiu – infringiu

b) descrição – vultosas – expiar – deferiu – inflingiu

c) discrição – vultosas – expiar – deferiu – infligiu

d) descrição – vultuosas – espiar – diferiu – infringiu

e) discrição – vultuosas – espiar – deferiu – infligiu

5. (FUVEST) Indique a alternativa correta:

a) O ladrão foi apanhado em flagrante.

b) Ponto é a intercessão de duas linhas.

c) As despesas de mudança serão vultuosas.

d) Assistimos a um violenta coalizão de caminhões.

e) O artigo incerto na Revista das Ciências foi lido por todos nós.

6. (PUC-MG) “Durante a ………. solene era ………. o desinteresse do mestre diante da ………. demonstrada pelo político.”

a) seção – fragrante – incipiência

b) sessão – flagrante – insipiência

c) sessão – fragrante – incipiência

d) cessão – flagrante – incipiência

e) seção – flagrante – insipiência

7. (UEL) Os pares acidente/incidente; cheque/xeque; vultoso/vultuoso; verão/estio são, respectivamente:

a) sinônimos, homônimos, parônimos e antônimos.

b) parônimos, homônimos, parônimos e sinônimos.

c) parônimos, parônimos, sinônimos e sinônimos.

d) homônimos, homônimos, parônimos e sinônimos.

e) sinônimos, parônimos, sinônimos e antônimos.

8.(CESCEM) Na …… plenária estudou-se a …… de direitos territoriais a ….. .

a) sessão – cessão – estrangeiros

b) seção – cessão – estrangeiros

c) secção – sessão – extrangeiros

d) sessão – seção – estrangeiros

e) seção – sessão – estrangeiros

9. (FUVEST) “A …………… científica do povo levou-o a …………… de feiticeiros os …………… em astronomia.”

a) insipiência tachar expertos

b) insipiência taxar expertos

c) incipiência taxar espertos

d) incipiência tachar espertos

e) insipiência taxar espertos

10.(FEI) Assinalar a alternativa que preenche corretamente as lacunas do seguinte período: A _____________ da obrigação e a _____________ não permitiam que ele percebesse a ___________ do ____________.

a) consciência – passiência – estensão – cançaço

b) consciência – paciência – extensão – cansaço.

c) conciência – paciênssia – extenção – cançasso.

d) conciência – passiênssia – estenção – cansaço.

e) consciência – passiência – extenção – canssaço.

11.(UM-SP) Na oração: “Em sua vida, nunca teve muito……, apresentava-se sempre …. no….. de tarefas…… “; as palavras adequadas para o preenchimento das lacunas são:

a) censo, lasso, cumprimento, eminentes

b) senso, laço, comprimento, iminentes

c) senso, lasso, cumprimento, iminentes

d) senso, lasso, cumprimento, eminentes

e) censo, lasso, comprimento, iminentes

12. (FEI) Assinale a alternativa que preencha corretamente as lacunas:

I.Estamos chegando. São Paulo fica ______ apenas 50 quilômetros daqui.

II.O governo federal vai realizar o ______ da população em 1996.

III. No início do século, muitos italianos ______ para o Brasil.

IV. João é muito ______ educado.

a) a – censo – imigraram – mal.

b) à – censo – emigraram – mau.

c) há – senso – imigraram – mau.

d) a – senso – emigraram – mal.

e) à – senso – imigraram – mau.

13. (Mackenzie ) I – Na_____de um debate televisivo, já sofrem tanto, que temos a certeza_____terão de_____ os pecados publicamente.

II – Sem_____ou delicadeza, _____o regulamento gritando muito e tumultuando a_____de posse do novo diretor.

III – O_____ descrédito junto_____nova clientela acelerou o processo de elevação das_____sobre os serviços prestados.

IV – _____vestidos com linha que inventava,_____bolos com farinha docemente peneirada e, assim,_____do lodo e da mesmice.

V – Corrijo, ou seja,_____tudo o que eu disse, você sabe muito bem_____.

Assinale a alternativa que completa adequadamente as lacunas da frase indicada.

a) I – eminência, que, espiar.

b) II – descrição, infligiu, sessão.

c) III – incipiente, a, taxas.

d) IV – cosia, cozia, emergia.

e) V – ratifico, porque

14. (FCMPA-MG) Assinale o item em que a palavra destacada está incorretamente aplicada:

a) Trouxeram-me um ramalhete de flores fragrantes.

b) A justiça infligiu a pena merecida aos desordeiros.

c) Promoveram uma festa beneficiente para a creche.

d) Devemos ser fiéis ao cumprimento do dever.

e) A cessão de terras compete ao Estado

15.(ITA) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.

I._______ os amigos, jamais ________ sua atenção e confiança.

II. _______dos políticos que dizem que os recursos públicos não ________do povo.

a) destratando – se granjeiam – divirjamos – provêm

b) distratando – se granjeiam – divirjamos – provêm

c) distratando – granjeamos – diverjamos – provêem

d) destratando – grangeamos – divirjamos – provêem

e) distratando – se granjeia – diverjamos – provêm

16.(Mack) Assinale a alternativa que preenche com exatidão as lacunas:

Não poderia tratá-lo ______ com amabilidade, pois, ______ fosse ele, não poderia analisar comparativamente as ideias ______ destas teorias, ______ de elaborar meu trabalho.

a) senão – se não – a fins – afim

b) se não – senão – afins – a fim

c) senão – se não – afins – a fim

d) se não – senão – a fins – afim

e) senão – senão – afins – a fim

17.(FEB) Há uma alternativa errada. Assinale-a:

a) cozer = cozinhar; coser = costurar

b) imigrar = sair do país; emigrar = entrar no país

c) comprimento = medida; cumprimento = saudação

d) consertar = arrumar; concertar = harmonizar

e) chácara = sítio; xácara = verso

18. (Mackenzie ) I – Durante o regime militar, muitos políticos tiveram seus mandatos caçados e foram exilados.

II – Os detectores do poder anseiam sempre por subjulgar os mais fracos.

III – Os dirigentes governamentais que, verdadeiramente, respeitam a liberdade dos indivíduos não deveriam ser uma exceção.

Quanto à ortografia, assinale:

a) se todas as afirmações estão corretas.

b) se apenas I está correta.

c) se apenas II está correta.

d) se apenas III está correta.

e) se todas estão incorretas

19. (CFC) Assinalar a alternativa que preenche corretamente as lacunas do seguinte período: “Em _____ plenária, estudou-se a _____ de terras a _____ japoneses.”

a) seção – cessão – emigrantes

b) cessão – sessão – imigrantes

c) sessão – secção – emigrantes

d) sessão – cessão – imigrantes

20.(UEL) Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada. Se minha conduta …… dúvidas, que posso fazer para as …… para afastar de mim tanta ………………..?

a) suscita – dirimir – suspeição.

b) suscita – derimir – suspeição.

c) sucita – derimir – suspeissão.

d) sucita – dirimir – suspeição.

e) suscita – dirimir – suspeição

21. (TRT) O ………………… do prefeito foi ……………………. ontem.

a) mandado – caçado

b) mandado – casçado

c) mandato – cassado

d) mandado – cassado

e) mandato – caçado

22.(Mackenzie ) I – Nordestinos ________ para São Paulo, ________      ________ havendo ________     ________ entre brasileiros.

II – Com a ________, muitos brasileiros querem ________ para os Estados Unidos que, cada vez mais, _________ a vida de imigrantes.

Aponte a alternativa que completa corretamente todas as lacunas.

a) migram, aonde, está, fragrantes, descriminações, ressessão, migrar, dificulta.

b) imigram, onde, está, flagrantes, descriminações, recesão, migrar, dificulta.

c) emigram, aonde, estão, fragrantes, discriminações, recessão, emigrar, dificultam.

d) migram, onde, está, flagrantes, discriminações, recessão, emigrar, dificultam.

e) imigram, onde, estão, flagrantes, discriminações, recessão, migrar, dificulta.

23.(CESD) Cauda/rabo, calda/açúcar derretido para doce. São, portanto, palavras homônimas. Associe as duas colunas e assinale a alternativa com a seqüência correta.

1 – conserto      (   ) valor pago

2 – concerto      (   ) juízo claro

3 – censo          (   ) reparo

4 – senso          (   ) estatística

5 – taxa            (   ) pequeno prego

6 – tacha          (   ) apresentação musical

a) 5-4-1-3-6-2

b) 5-3-2-1-6-4

c) 4-2-6-1-3-5

d) 1-4-6-5-2-3

24.(UEL) Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada. A visão ….. dos fatos explica ….. apenas alguns alunos foram premiados.

a) destorcida – porque.

b) distorcida – por que.

c) distorcida – porque.

d) destorcida – por que.

25.(BAURU) Há uma alternativa errada. Assinale-a:

a) A eminente autoridade acaba de concluir uma viagem política.

b) A catástrofe torna-se iminente.

c) Sua ascensão foi rápida.

d) Ascenderam o fogo rapidamente.

e) Reacendeu o fogo do entusiasmo

26. (Mackenzie) I – Por falta de________, pôs tudo a perder, tornando-se participante do________ de drogas, até fugir, depois de ter recebido um _____ de prisão.

II – O_______do prefeito, que foi________ de louco, ________ ________ dois meses.

III – O advogado cometeu um erro________ , impedindo a divulgação do________ da conta bancária do criminoso.

IV – A classe dirigente manifestou-se contrária________ ________ de terras________ imigrantes.

V – Após o________de violino, o guarda ________, em ________, o músico, que passou a________ as leis do trânsito.

Aponte a alternativa que preenche corretamente todas as lacunas das frases indicadas.

a) I – censo, tráfico, mandato.

b) II – mandato, tachado, espirou, a.

c) III – flagrante, extrato.

d) IV – à, cessão, à

e) V – concerto, atuou, flagrante, infringir.

27.(CFS) Assinalar o par de palavras parônimas

a)céu – seu

b) paço – passo

c) eminente – evidente

d) descrição – discrição

28.(Mackenzie ) I – O Congresso deveria _______ o _______ de todos os políticos corruptos.

II – Quando há muita _______ é preciso dirigir com o máximo de cautela.

III – Os jurados não concordaram em _______ o réu acusado de _______ negros em seu restaurante.

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas acima.

a) cassar – mandado – serração – descriminar – discriminar

b) cassar – mandato – serração – discriminar – descriminar

c) caçar – mandato – serração – descriminar – descriminar

d) cassar – mandato – cerração – descriminar – discriminar

e) cassar – mandato – cerração – discriminar – discriminar

29. (U-SC) Assinale a alternativa que apresenta erro quanto ao sentido dos homônimos abaixo:

a) cerrar = fechar serrar = cortar

b) cela = arreio de cavalgadura sela = aposento de religiosos

c) incipiente = principiante insipiente = ignorante

d) círio = vela grande de cera sírio = da Síria

e) caçar = perseguir a caça cassar = anular

30. (ESAF) Marque a alternativa cujas palavras preenchem corretamente as respectivas lacunas, na frase seguinte: “Necessitando ………………… o número do cartão do PIS, …………… a data de meu nascimento.”

a) ratificar, proscrevi

d) proscrever, prescrevi

b) prescrever, discriminei

e) retificar, ratifiquei

c) descriminar, retifiquei

31. (UNISINOS) A frase onde os homônimos e / ou parônimos em destaque estão com significação invertida é:

a)Era iminente a queda do eminente deputado.

b) A justiça infringe uma pena a quem inflige a lei.

c) Vultosa quantia foi gasta para curar sua vultuosa

d) O mandado de segurança impediu a cassação do mandato.

e) O nosso censo depende exclusivamente do senso de responsabilidade do IBGE.

32. (TFC) Indique a letra na qual as palavras complementam, corretamente, os espaços das frases abaixo:

Quem possui deficiência auditiva não consegue ………. os sons com nitidez.

Hoje são muitos os governos que passaram a combater o ………. de entorpecentes com rigor.

O Diretor do presídio ………. pesado castigo aos prisioneiros revoltosos.

a) discriminar – tráfico – infligiu

b) discriminar – tráfico – infringiu

c) descriminar – tráfego – infringiu

d) descriminar – tráfego – infligiu

e) descriminar – tráfico – infringiu

33. (TRE-MG) A palavra nos parênteses não preenche adequadamente a lacuna do enunciado em:

a)O crime foi bárbaro. Somente após a ………….. do assunto é que foi possível prendê-lo. (descrição)

b) Só seria possível ………….. o acusado, se conseguíssemos mais provas que o inocentassem. (descriminar)

c) A negociações só vão …………… os resultados esperados, caso todos compareçam. (sortir)

d) O corpo estava ………….., apenas a cabeça estava fora da água, que subia cada vez mais. (imerso)

e)Como a mercadoria estava muito pesada, o recurso foi ………….. o cofre ali mesmo, na escada (arriar

34.(FUVEST) No último ………. da orquestra sinfônica, houve ………. entre os convidados, apesar de ser uma festa ………. .

a) conserto – flagrantes descriminações – beneficente

b) concerto – fragrantes discriminações – beneficiente

c) conserto – flagrantes descriminações – beneficiente

d) concerto – fragrantes discriminações – beneficente

e) concerto – flagrantes discriminações – beneficente

35. (TTN) Assinale a alternativa em que a palavra sublinhada foi empregada erroneamente:

a)O Diretor-Geral retificou a Portaria 601 que fora publicada com incorreções.

b) Este assunto é confidencial, conto, portanto, com sua descrição.

c) O Superintendente da Receita Federal deferiu aquele nosso pedido.

d) Recuso-me a defender aquele réu, pois foi pego em flagrante.

e) Este fiscal vai trabalhar na seção de Tributação.

36.(NCE) Marque a única opção que se completa corretamente com a forma entre parênteses.

a) O médico__________ uso de alho por lhe fazer bem. (proscreveu)

b) As condições de vida apresentam‑se __________ . (degredadas)

c) A dieta com alho pode __________ efeito. (surtir)

d) Os males da sociedade __________ do noticiário. (imergem)

e) Lê nos jornais a __________ de cartas dos leitores. (sessão)

Processo de Formação de Palavras

formaÇÃo de palavras

1.Usando prefixos, substitua as expressões destacadas por palavras equivalentes.

Modelo: Ele desenhou a metade de um círculo.

               Ele desenhou um semicírculo.

a. Essa é uma característica de animais de dois pés.

b. O garoto era quase o último da fila

c. As negociações não eram legais.

d. O incêndio começou na parte superior da loja.

e. Há animais que passam por mudanças em suas formas.

f. Ele vai pôr um ao lado do outro os pedaços da peça.

RESPOSTAS: a. bípedes, b. penúltimo, c. ilegais,  d. sobreloja,   e, metamorfose,  f. justapor

 2.Usando sufixos, substitua as expressões destacadas por palavras equivalentes.

a. Esse material pode ser lavado.

b. Aquela região tinha muitos pântanos.

c. A era dos átomos trouxe progresso e medo ao homem.

d. A madeira parecia ter-se transformado em pedra.

e. O projeto poderia ser executado.

RESPOSTAS:

a. lavável, b. era pantanosa, c. atômica,    d. petrificado    e, era exequível ou executável

3. Considerando os radicais formadores da palavra caligrafia, faça um breve comentário a respeito da seguinte frase:

“Aquele rapaz tem uma caligrafia bonita.”

RESPOSTA: cali = bonita; grafia = escrita. Portanto, em “ caligrafia bonita” há redundância (pleonasmo)

4. Leia o trecho da música Língua, de Caetano Veloso:

“E eu não tenho pátria: tenho mátria

Eu quero frátria.”

Considerando os radicais formadores das palavras pátria, mátria e frátria, explique, de forma breve, o que o compositor quer dizer nesse trecho da música.

RESPOSTA: O compositor está dizendo que ele não tem pai (= pátria), tem mãe (= mátria) e quer ter irmão (= frátria)

 5. Dê o significado dos radicais formadores das palavras destacadas nas frases abaixo.

a.O semáforo da avenida está quebrado.

sema: sinal, significado            foros: que tem, que apresenta

b. Aquele país é governado por plutocratas.

pluto: dinheiro                          crato: poder

c. Os artrópodes são animais de simetria bilateral.

artros: articulados                    podos: pés

 6.Indique a alternativa onde há uma palavra que não tem prefixo:

a.propor, desligar

b. configurar, bípede

c.antever, refazer

d. prefixo, infeliz

e. escurecer, amanhecer

7.Considere o processo de formação das palavras amarelar e avermelhar e assinale a alternativa a alternativa correta:

a.Ambas foram formadas por derivação prefixal.

b. Ambas foram formadas por derivação sufixal.

c. Ambas foram formadas por parassíntese.

d. A primeira formou-se por derivação sufixal e a segunda por parassíntese.

e. A primeira formou-se por derivação sufixal e a segunda por derivação prefixal.

8.“ A vida é combate

Que os fracos abate

E os fortes e bravos

Só pode exaltar.”   (Gonçalves Dias)

As palavras destacadas formaram-se, respectivamente, por:

a.derivação prefixal e derivação sufixal.

b. derivação regressiva e derivação imprópria.

c. composição por justaposição e derivação imprópria.

d. derivação prefixal e derivação regressiva.

9. (Unirio-RJ) Assinale o vocábulo cujo prefixo não tem valor negativo:

a.incertezas

b. impregnado

c. inculto

d. indiferente

e. independência

10. (Unirio-RJ) Assinale a série em que os prefixos têm o mesmo significado:

a. contradizer, antídoto

b. supercílio, acéfalo

c. desfolhar, epiderme

d. semimorto, perianto

e. decapitar, hemiciclo

11. Em qual das alternativas abaixo o sufixo exprime ideia de agente?

a.imperial

b. gloriosa

d. horrível

d. vencedor    

e. abdicação

12. (Univ. Fed. Espírito Santo) O item cuja palavra destacada apresenta, equivocadamente, um sufixo que significa agente da ação, em vez de apresentar outro que significa resultado da ação, é:

a. “É ótimo saber de Celso Luft, nesse revolucionário texto, que não…”

b. “… é que um dicionarista e gramático (…) apoie tais ideias.”

c. “ A favor da democratização da gramática…”

d. “ O que é espantosamente inovador é que um…”

e.“… e constituinte precisa ser redigida também numa nova linguagem e…”

13. (Univ. Fed. Pará) O par de vocábulos que apresenta sufixos que expressam noção coletiva é:

a. jenipapeiro, endiabrada

b. vaqueiro, atoleiro

c. longíssimo, atoleiro

d. musculatura, jenipapeiro

e. bicheira, musculatura

14. (Univ. Fed. Pará) Todos os vocábulos são cognatos:

a. dourado, auricular, ourives, áureo

b. amor, amável, amigo, inimigo

c. face, fácil, facilitar difícil

d., mudança, mudar, emudecer, imutável

e. café, cafeteira, cafezinho, cafajeste

15. (Univ. Fed. Ceará) Sobre a formação das palavras, aponte as indicações corretas:

a.retificação: palavra formada por prefixação e sufixação.

b. guarda-livros: palavra formada por justaposição.

c. pequenino: palavra formada por sufixação.

d. oficial: palavra formada por sufixação.

e.barbear: palavra primitiva

16. ( Fuvest-SP) Assinale a alternativa em que uma das palavras não é formada por prefixação:

a. readquirir, predestinado, propor

b. irrestrito, antípoda, prever

c. irregular, amoral, demover

d. dever, deter, antever

e. remeter, conter, antegozar

17. A palavra incorruptível é formada pelo seguinte processo;

a.derivação prefixal

b. derivação prefixal e sufixal

c. derivação parassintética

d. aglutinação

e. derivação sufixal

18.Os vocábulos troposfera e estratosfera, produtos de radicais gregos, obedecem ao seguinte processo de formação:

a.derivação prefixal

b. derivação sufixal

c. composição

d. derivação regressiva

e. parassíntese

19.A alternativa em que todas as palavras foram formadas pelo mesmo processo de composição é:

a.passatempo, destemido, subnutrido

b. cabisbaixo, pernalta, vaivém

c. pernilongo, pontiagudo, embora

d. planalto, aguardente, passatempo

e.leiteiro, histórico, desgraçado

20. Univ. Fed. Goiás – adaptada) Considere as afirmações:

1. roseira, sedentos e gerações são compostas por aglutinação.

2.ajuntar, recriar e remover são derivadas por prefixação.

3.gerações, jovens e sede são casos de derivação regressiva.

4.Roseira. Sedentos e Aninha são derivados por prefixação.

Assinale a alternativa que apresenta afirmações verdadeiras:

a.apenas 1, 2 e 3 estão corretas

b. todas estão corretas

c. apenas 2, 3, e 4 estão corretas

d. nenhuma correta

e. apenas 2 e 4 são corretas.

21.(Univ. Fed. Maranhão) Todas as palavras são formadas por sufixação na opção:

a. móvel, ocular, aéreo

b. fidalgo, campestre, cordel

c. ateu, plebeia, injusto

d. fuzil, passatempo, afônico

e. justiça, átomo. Inoperante

 22. (Vunesp-SP) Em: “… gordos irlandeses de rosto vermelho…” e “… deixa entrever o princípio de uma tatuagem”, os termos destacados são formados, respectivamente, a partir do processo de:

a.derivação prefixal e derivação sufixal

b. derivação sufixal e derivação prefixal

c. composição por aglutinação e derivação prefixal

d. derivação sufixal e composição por justaposição

e. derivação parassintética e derivação sufixal

23. ( Univ. Fed. Paraíba) O processo de formação das palavras beleza, envelhecer e girassol é, respectivamente. O mesmo de:

a. terreiro, anoitecer, buscapé

b. bondade, enjaular, francamente

c. livraria, ancorar e super-homem

d. abalo, adoçar, passatempo

e. aguardente, nacionalizar, janta

24.(Fuvest-SP) Foram formadas pelo mesmo processo as seguintes palavras:

a.vendavais, naufrágios, polêmicas

b. quietação, sabonete, nadador

c. descompõem, desempregado, desejava

d. religião, irmão, solidão

e. estendendo, escritório, espírito

25. (Fatec-SP) Nas palavras poliglota, tecnocracia, acrópole, demagogo e geografia encontramos elementos gregos que têm as seguintes significações, respectivamente:

a. garganta, ciência, cidade, conduzo, terra

b. língua, governo, civilização, enganar, terra

c. muitas, deus, alto, povo planeta

d. língua, governo, alto, povo, terra

e. muitas, poder, cidade, diabo, tratado

26.(UBC-SP) Entre os termos abaixo, aponte o correto:

a. teocracia: governo de privilegiados

b. plutocracia: governo de muitos

c. oligarquia: governo de pequeno grupo

d. aristocracia: governo de dinheiro

e. anarquia; governo do povo

27. (Cesgranrio-RJ) “Chapechape. As alpercatas batiam no chão rachado. O corpo de vaqueiro derreava-se, as pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. Parecia um macaco. ( … ) Fabiano sempre havia obedecido. Tinha muque e substância. Mas pensava pouco e obedecia. ( … )” (Graciliano Ramos)

Identifique a palavra que foge ao processo de formação de chapechape:

a.zumzum

b. reco-reco

c. toque-toque

d. tim-tim

e. vivido

 28.(UFMG) Os elementos destacados de cada vocábulos estão corretamente identificados, exceto em:

a. moeda escura, recolhida, desusada. Des-: prefixo indicador de ação contrária.

b. decadência… tempos anacrônicos, superados. –cron-: radical grego que significa tempo.

c. sesmarias. Escravatura. Caixas de lavrado. –ura: sufixo indicador de resultado de ação.

d. pessimismo recalcando aquele que pensava evoluir. Re-: prefixo indicador de movimento para trás.

e.vintém de cobre: economia. Poupança. –ança: sufixo indicado de resultado de ação.

RESPOSTA. C

 29. (FCMSC-SP) Em qual dos exemplos abaixo está presente um caso de derivação parassintética?

a. Lá vem ele, vitorioso do combate.

b. Ora, vá plantar batatas!

c. Começou o ataque.

d. Assustado, continuou a se distanciar do animal.

e. Não vou mais me entristecer, vou é cantar.

RESP. E

 30. (Unesp-SP) As palavras perda, corredor e saca-rolha são formadas respectivamente por:

a. derivação regressiva, derivação sufixal, composição por justaposição

b. derivação regressiva, derivação sufixal, derivação parassintética

c. composição por aglutinação, derivação parassintética, derivação regressiva

d. derivação parassintética, composição por justaposição, composição por aglutinação

e. composição por justaposição, composição por aglutinação derivação prefixal

31. (UEL-PR) Indique a alternativa em que o sufixo não dá à palavra o sentido de resultado de ação:

a.ferimento

b. nomeação

c. vingança

d. instrumento

e. traição

32.(UEL-PR) Assinale a alternativa em que o prefixo da palavra indica duplicidade.

a.circunlóquio

b. ambivalência     

c. contradizer

d. adjacente

e. transporte

33.(Fuvest-SP) Assinalar a alternativa em que a primeira palavra apresenta sufixo formador de advérbio e, a segunda. Sufixo formador de substantivo:

a. perfeitamente, varrendo

b. atrevimento, ignorância

c. provavelmente, erro

d. proveniente, furtado

e. lentamente, explicação

 33.(UFPE) Em “continuará DEATIVADO o canal povo rainha”. A palavra em destaque é formada com acréscimo de um prefixo que expressa negação ou privação, como em:

a. inflação e ingestão

b. anáfora e êxodo

c. inapto e inábil

d. reprovar e distender

e. amorfo e anfíbio

34. (UFF-RJ) O léxico de uma língua é constantemente atualizado em função de mudanças sociais e de conquistas tecnológicas. Assinale, respectivamente, o valor do sufixo – agem e –ico em “ técnica de clonagem” e “ contos da era clônICA”.

a. instituição, relação

b. ofício, proveniência

c. ato, referência

d. intensidade,  pertinência

e. semelhança, propriedade

35. (FGV-SP) É comum que, na formação de palavras da língua portuguesa, algumas se tenham consagrado com prefixo latino e outras se tenham consagrado com prefixo grego, ambas com o mesmo significado. Isso acontece em qual alternativa?

a. ditirambo, exaltação

b. diáfano, tranquilo

c. progresso, desgarrar

d. ambidestro, anfibologia

e. diversidade, desgarrar

36.(UFPE) Identifique a série em que todas as palavras se iniciam com um prefixo de sentido idêntico ao do prefixo IN- em INCRÍVEL:

a. desembargue, incalculável, ignição

b . desconhecido, injetável, ateu

c. indiscreta, imemorável, incoativo

d. atípico, inapto, ignoto

e.irreparável, indexada, incoerente

37. (UFPE) Assinale a série de palavras cujos prefixos indicam negação, como em ILÓGICO:

a. inaproveitável, irremovível, irromper

b. invalidar, inativo, ingerir

c. irrestrito, improfícuo, imberbe

d. ateu, incoercível, imerso

e. incriminar, imiscuir, imanente

38. (Fuvest-SP) O valor semântico de DES- não coincide com o do par centralização/  DEScentralização apenas em:

a. Despregar o prego foi muito mais difícil do que pregá-lo.

b. “Belo, belo, que vou para o Céu…” – e se soltou, para voar: descaiu foi lá de riba, no chão muito se machucou.

c. Enquanto isso ele ficava ali em Casa, em certo repouso, até a saúde de tudo se desameaçar.

d. A despoluição do rio Tietê é um repto urgente aos políticos e à população de São Paulo.

e. O governo de Israel decidiu desbloquear metade da renda de arrecadação fiscal que Israel devia à Autoridade Nacional Palestina

39. (PUC-DF) “Na feira-livre do arrabaldezinho/ um homem loquaz apregoa balõezinhos

O item que descreve corretamente o processo de formação das palavras destacadas é:

a. derivação, composição, composição

b. composição, derivação, derivação

c. derivação, derivação, derivação

d. composição, derivação, composição

e. derivação, composição, derivação

40. (UFPE) Estabeleça a combinação dos radicais latinos das colunas I e II, de forma a construir termos que signifiquem: “quem vaga pela noite”, “ o que quer o bem”, “o que é relativo ao campo”:

A

1. fratri                                             (   ) vago

2. agri                                               (   ) fero

3. bene                                              (   ) cida

4. nocti                                              (   ) volo

5. soni                                                (   ) cola

A sequência correta é:

a. 5, 2, 3, 4 e 1

b. 2, 4, 5, 1 e 3

c. 4, 5, 1, 3 e 2

d. 2, 5, 1, 3 e 4

e. 1. 1, 2, 3, 4 e 5

41. (Fuvest-SP) Assinalar a alternativa que registra a palavra que tem sufixo formador de advérbio:

a. desesperança

b. pessimismo

c. empobrecimento

d. extremamente

e. sociedade

42. Assinale o par de vocábulos cujos prefixos apresentam significado equivalente ao dos elementos iniciais de impessoal e predeterminado.

a. amoral, epidérmico

b. contraindicado, transatlântico

c. antiaéreo, hipertenso

d. disforme, ultrapassado

e. desumano, antediluviano

43.(UFMG) Em qual alternativa a palavra destacada resulta de derivação imprópria?

a. Ás sete horas da manhã começou o trabalho principal: a VOTAÇÃO

b. Pereirinha estava mesmo com a razão. Sigilo… Voto secreto… BOBAGENS, BOBAGENS!

c. Sem radical REFORMA DA LEI ELEITORAL, as eleições continuariam sendo uma farsa!

d. Não chegaram a trocar UM ISTO DE PROSA, e se entenderam.

e. Dr. Osmirio andaria DESORIENTADO, senão bufando de raiva.

44.(UEL –PR) Identifique a alternativa que contenha palavras formadas exclusivamente por derivação sufixal:

a. gotícula, folhagem, amanhecer

b. rendeira, aguardente, sonolento

c.abotoar, envernizar, subterrâneo

d. semicírculo, península, democracia

e. caldeirão, chuvisco, povaréu

 45. (Cefet-BA) Aplicaram-se nas palavras desfazimento e celebridades, respectivamente, os mesmos processos d e formação empregados em qual alternativa?

a.estabilidade, novíssimo

b. formigamento, finalmente

c. redescoberta , alagoano

d. inadvertidamente, desdobramento

e.imobilismo, desagregador

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrs )             Pais e adultos em geral são incompetentes para entender o que vai pela cabeça das crianças; estas, por sua vez, são incapazes de detectar o que se esconde sob os gestos e as frases dos mais velhos. Na zona cinzenta que reúne essas duas conhecidas limitações, reside o objeto de “Quarto de Menina”, estreia literária da psicanalista carioca Lívia Garcia Roza.

            Luciana, oito anos, filha única de pais separados, é inteligente, sapeca, sem papas na língua e mora com o pai, intelectual, pacato, caladão, professor de filosofia. É ela a narradora do livro. Ao longo de 180 páginas, relata o seu cotidiano, que se limita, aqui, ao próprio quarto, à biblioteca do pai, à sala e à casa da mãe. […]

            Apesar disso, não se trata de uma obra para crianças. A construção híbrida da narrativa descarta episódios mais banais ou preocupações que seriam em tese mais comuns às crianças, dando destaque para os diálogos, seja entre Luciana e os pais, seja entre a garota e suas bonecas.

            No primeiro caso, Luciana frequentemente não entende certas insinuações dos pais, enquanto estes ficam perplexos diante de reações ou perguntas da filha. Já nas “conversas” com seus amigos de quarto, a narradora expõe seu estranhamento, desabafa, chora, faz planos e, ao mesmo tempo, revela indireta e inconscientemente a dificuldade de captar o significado dos eventos que ela mesma narra, significado que nós, leitores presumivelmente maduros, enxergamos logo de cara.

            Nessa capacidade de explicar ao mesmo tempo uma história e a não compreensão dessa mesma história pelo seu próprio narrador, aí está um dos pontos mais interessantes de “Quarto de Menina”. […] (Ajzenberg B. A ABISSAL NORMALIDADE DO COTIDIANO, Folha de São Paulo, 15.10.95, p. 5-11)

46.Todas as palavras a seguir possuem o mesmo prefixo, COM EXCEÇÃO DE

a) insinuações

b) indireta

c) incompetentes

d) incapazes

e) inconscientemente

 (Uerj )            O ENSINO NA BRUZUNDANGA

            Já vos falei na nobreza ¢doutoral desse país; é lógico, portanto, que vos fale do ensino que é ministrado nas suas escolas, donde se origina essa nobreza. Há diversas espécies de escolas mantidas pelo governo geral, pelos governos provinciais e por particulares. Estas últimas são chamadas livres e as outras oficiais, mas todas elas são equiparadas entre si e os seus diplomas se £equivalem. Os meninos ou rapazes, que se destinam a elas, não têm medo absolutamente das dificuldades que o curso de qualquer delas possa apresentar. Do que eles têm medo, é dos exames preliminares.

            Passando assim pelo que nós chamamos preparatórios, os futuros diretores da República dos Estados Unidos da Bruzundanga acabam os cursos mais ignorantes e presunçosos do que quando para lá entraram. São esses tais que berram: “Sou formado! Está falando com um homem formado!”.

            Ou senão quando alguém lhes diz:

            – “Fulano é inteligente, ilustrado…”, acode o homenzinho logo:

            – É formado?

            – Não.

            – Ahn!

                Raciocina ele muito bem. Em tal terra, quem não arranja um título como ele obteve o seu, deve ser muito burro, naturalmente.

            Apesar de não ser da Bruzundanga, eu me interesso muito por ela, pois lá passei uma grande parte da minha meninice e mocidade.

            Meditei muito sobre os seus problemas e creio que achei o remédio para esse mal que é o seu ensino. Vou explicar-me sucintamente.

            O Estado da Bruzundanga, de acordo com a sua carta constitucional, declararia livre o exercício de qualquer profissão, extinguindo todo e qualquer privilégio de diploma.

            Quem quisesse estudar medicina, frequentaria as cadeiras necessárias à especialidade a que se destinasse, evitando as disciplinas que julgasse inúteis. Aquele que tivesse vocação para engenheiro de estrada de ferro, não precisava estar perdendo tempo estudando hidráulica. Cada qual organizaria o programa do seu curso, de acordo com a especialidade da profissão liberal que quisesse exercer, com toda a honestidade e sem as escoras de privilégio ou diploma todo poderoso.

            Semelhante forma de ensino, evitando o diploma e os seus privilégios, extinguiria a nobreza doutoral; e daria aos jovens da Bruzundanga mais honestidade no estudo, mais segurança nas profissões que fossem exercer, com a força que vem da concorrência entre os homens de valor e inteligência nas carreiras que seguem.

(BARRETO, Lima. OS BRUZUNDANGAS. São Paulo, Ática, 1985. p. 49-51 – com adaptações.)

47. A palavra extraída do texto, cujo processo de formação está explicado corretamente, é:

a) doutoral (ref. 1) = é formada por parassíntese

b) equivalem (ref. 2) = é composta por justaposição

c) homenzinho (ref. 3) = tem sufixo de valor iônico

d) hidráulica (ref. 4) = tem prefixo de origem latina

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Unifesp) INSTRUÇÃO: As questões seguintes baseiam-se no poema “Pneumotórax”, do modernista Manuel Bandeira.

Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:

– Diga trinta e três.

– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

– Respire.

……………………………………………………………………………….

– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

(Manuel Bandeira, Libertinagem)

48. “Pneumotórax”, palavra que dá título ao famoso poema de Manuel Bandeira, é vocábulo constituído de dois radicais gregos (pneum[o]- + -tórax]. Significa o procedimento médico que consiste na introdução de ar na cavidade pleural, como forma de tratamento de moléstias pulmonares, particularmente a tuberculose. Tal enfermidade é referida no diálogo entre médico e paciente, quando o primeiro explica a seu cliente que ele tem “uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado”. Esta última palavra é formada com base em um radical: “filtro”. Quanto à formação vocabular, o título do poema e o vocábulo “infiltrado” são constituídos, respectivamente, por

a) composição, e derivação prefixal e sufixal.

b) derivação prefixal e sufixal, e composição.

c) composição por hibridismo, e composição prefixal e sufixal.

d) simples flexão, e derivação prefixal e sufixal.

e) simples derivação, e composição sufixal e prefixal.

(Fuvest )                     Filosofia de Epitáfios.

   Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos. (Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)

49. O processo de transposição de uma palavra de uma classe gramatical para outra é conhecido pelo nome de derivação imprópria. É correto afirmar que, no texto, esse processo ocorre no emprego do vocábulo:

a) epitáfios.

b) mortos.

c) tristeza.

d) podridão.

e) inconsolável.

(Faap ) Barcos de Papel

Quando a chuva cessava e um vento fino

franzia a tarde tímida e lavada,

eu saía a brincar pela calçada,

nos meus tempos felizes de menino.

Fazia de papel toda uma armada

e, estendendo meu braço pequenino,

eu soltava os barquinhos, sem destino,

ao longo das sarjetas, na enxurrada…

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,

que não são barcos de ouro os meus ideais:

são feitos de papel, tal como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais…

– que os meus barquinhos, lá se foram eles! foram-se embora e não voltaram mais!  Guilherme de Almeida

50. Foram-se embora. EMBORA (em + boa + hora) – processo de formação de palavra:

a) composição por justaposição

b) composição por aglutinação

c) derivação prefixial

d) derivação sufixial

e) parassintetismo

O Auto da Compadecida

AUTO DA COMPADECIDA

Auto da Compadecida.

CHICÓ: – Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho.

JOÃO GRILO: – No dia em que chegou o motor novo do major Antônio Morais o senhor não benzeu?

PADRE: – Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar.

CHICÓ: – Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor.

PADRE: – É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro?

JOÃO GRILO: – É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer motor do major Antônio Morais e outra benzer o cachorro do major Antônio Morais.

PADRE: – (mão em concha no ouvido) Como?

JOÃO GRILO: – Eu disse que uma coisa era o motor e outra o cachorro do major Antônio Morais.

PADRE: – E o dono do cachorro de quem vocês estão falando é Antônio Morais?

JOÃO GRILO: – É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse o Chicó: o padre vai se zangar.

PADRE: – (desfazendo-se em sorrisos) Zangar nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter direitos de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro!

JOÃO GRILO: – (cortante) Quer dizer que benze, não é?

PADRE: – (a Chicó) Você o que é que acha?

CHICÓ: – Eu não acho nada de mais.

PADRE: – Nem eu. Não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de Deus.

(in Suassuna, Ariano – TEATRO MODERNO – AUTO DA COMPADECIDA. 8 ed., Rio: Agir-Instituto Nacional do Livro, 1971, pp. 32-34.)

A espontaneidade dos diálogos, a força poética de seu texto e a capacidade de exprimir o espírito popular de nossa gente fazem com que o escritor Ariano Suassuna (1927) seja reconhecido como um dos principais autores brasileiros contemporâneos. Diz o crítico Sábato Magaldi que a religiosidade de Ariano “pode espantar aos cultores de um catolicismo acomodatício, mas responde às exigências daqueles que se conduzem por uma fé verdadeira”.

1. (UNESP) Com base nesta observação, responda:

a) por que, segundo aquele padre, é fácil benzer um motor?

b) em que sentido o fragmento apresentado encerra uma crítica ácida ao modo como o padre comanda a sua paróquia?

RESPOSTA:

a) Porque, segundo o padre, todo mundo faz isso (e o motor é do major)


b) Os assuntos eclesiásticos ficam subordinados ao poder político e social do major.

2. (UFOP) PALHAÇO “Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre, é um povo salvo e tem direito a certas intimidades.” (SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 19ªed. Rio de Janeiro: Agir, 1983. p.23-24).

A partir da leitura do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, justifique essa fala da personagem Palhaço, enfatizando o vínculo entre sofrimento e salvação. Não se esqueça de mencionar pelo menos um exemplo extraído do texto para embasar seus argumentos

RESPOSTA:  O sofrimento na Terra será recompensado pela felicidade no Céu. Povo que sofre é povo salvo, conforme a crença popular.

3. (UEPB) O Auto, jogo linguístico de origem medieval, peça em que certas atitudes consideradas “pecaminosas” eram “questionadas” através de uma carga de humor, foi incorporado à produção literária brasileira (ou literatura feita no Brasil, como bem fez o padre José de Anchieta com a sua escrita evangelizadora e moralística), de forma que, mesmo distante no tempo e no espaço, este tipo de texto alcança um vasto público, como é o caso de O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Considerando os fragmentos abaixo, marque a alternativa correta:

[…] PADRE

É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor á fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro?

JOÃO GRILO

É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer o motor do major Antônio de Morais e outra é benzer o cachorro do major Antônio de Morais.

[…]

BISPO

Então houve isso? Um cachorro enterrado em latim?

JOÃO GRILO

E então? É proibido?

BISPO

Se é proibido? Deve ser, porque é engraçado demais para não ser. É proibido! É mais do que proibido! Código Canônico, Artigo 1627, parágrafo único, letra k. Padre, o senhor vai ser suspenso

[…]

JOÃO GRILO

É mesmo, é uma vergonha. Um cachorro safado daquele se atreve a deixar três contos para o sacristão, quatro para o padre e seis para o bispo, é demais.

[…]

BISPO É por isso que eu vivo dizendo que os animais também são criaturas de Deus. Que animal interessante! Que sentimento nobre

a)O Auto da Compadecida mantém relação direta com os autos medievais a partir somente do tipo formal de texto – auto – porque o conteúdo a ser desenvolvido neste tipo de literatura varia no tempo e no espaço de forma que um escritor contemporâneo não poderia recuperar nem atualizar esta forma textual.

b) “Os vícios dos homens e da sociedade” são apenas uma forma bem humorada de perceber o mundo, de entreter a razão, de valer o texto por si mesmo, independente de alusão ou denúncia a que faça referência porque o riso, e somente o riso, é o que está em primeiro plano neste tipo de texto.

c) O Auto da Compadecida não faz nenhuma alusão ao teatro de Gil Vicente porque dista deste no tempo e no espaço, logo os “vícios dos homens e da sociedade” não poderiam ser os mesmos. O texto de Ariano Suassuna é apenas uma paródia dos autos medievais.

d) O Auto da Compadecida não tem caráter moralístico porque a literatura de ficção nunca se propôs a discutir aspectos relacionados a contextos socioculturais, uma vez que se volta para o plano estético, desconsiderando qualquer alusão a práticas culturais, a papéis sociais e outros.

e) “Os vícios dos homens e da sociedade estão em todas as peças de Gil Vicente, representados por frades libertinos, magistrados corruptos, mulheres adúlteras […] tipos que proliferam quando as sociedades esquecem os valores éticos e morais” (João Domingues Maia), característica observada na peça de Ariano Suassuna O Auto da Compadecida.

4. (UFRS) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo é a personagem principal que, por ser mais instruída e por não acreditar em religião, sobressai entre as demais.


b) A obra baseia-se em romances e histórias populares do Nordeste, dando expressão tanto à tradição cristã quanto às crenças mais ingênuas do povo.

c) Após a morte das personagens, a figura de Nossa Senhora intervém junto ao seu Filho e pede compaixão pelos pecados cometidos.

d) É um texto teatral de 1955, cuja temática central é a religiosidade brasileira, que serve de inspiração a uma história plena de peripécias.

e) Além da Compadecida e de outras entidades sobrenaturais, o texto põe em cena personagens da terra, como o padre, o bispo e Chicó.

5. (UFES) Cada opção abaixo traz um trecho do texto “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, seguido de um comentário. Assinale a opção em que o comentário esteja em DESACORDO com o trecho.

a) A COMPADECIDA – “É verdade que eles praticaram atos vergonhosos, mas é preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. A carne implica todas essas coisas turvas e mesquinhas.” o personagem demonstra a dimensão da complacência que tem para com os homens.

b) CHICÓ – “Não sei, só sei que foi assim.”: fala recorrente do personagem que conta com frequência histórias inverossímeis.

c) JOÃO GRILO – “Porque… não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado.”: João Grilo, esperto, busca desestabilizar os argumentos do Encourado, por meio de chistes e piadas.

d) MANUEL – “Eu, Jesus, nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter nascido preto. Para mim, tanto faz um branco como um preto. Você pensa que eu sou americano para ter preconceito de raça?”, o personagem revela-se bastante crítico quanto à questão étnica.

e) PALHAÇO, entrando – “Peço desculpas ao distinto público que teve de assistir a essa pequena carnificina, mas ela era necessária ao desenrolar da história. Agora a cena vai mudar um pouco. João, levante-se e ajude a mudar o cenário. Chicó! Chame os outros.”: o Palhaço intervém na trama, podendo dirigir-se tanto à plateia quanto aos personagens.

6. (UFRN) No “Auto da Compadecida” (1956), de Ariano Suassuna, a personagem Chicó reproduz sentenças baseadas na sabedoria popular, como se pode verificar nos exemplos seguintes:

Não sei, só sei que foi assim.

[…] na hora do aperto, dá-se um jeito a tudo.

SUASSUNA, A. “Auto da compadecida”. 34 ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 2001.

Tais sentenças indicam que a personagem

a) apresenta comportamento calculista ao fingir que aceita as leis da religião católica.

b) demonstra seu caráter ingênuo ao resolver situações complicadas de um modo absolutamente inacreditável.

c) apresenta comportamento resignado ao aceitar as dificuldades próprias de uma sociedade desigual.

d) demonstra seu caráter astucioso ao resolver situações complicadas de um modo que chega a parecer inverossímil.

7. (UFRN) Mesmo sob perspectivas diversas, muitas produções literárias brasileiras dialogam com a tradição que particulariza os valores de culturas originadas fora dos grandes centros urbanos. Encontram-se registros dessa tradição nas seguintes obras:

a) “Várias Histórias” (Machado de Assis), “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna) e “Iracema” (José de Alencar).

b) “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna), “Morte e Vida Severina” (João Cabral de Melo Neto) e “Lendas Brasileiras” (Câmara Cascudo).

c) “Morte e Vida Severina” (João Cabral de Melo Neto), “Iracema” (José de Alencar) e “Memórias de um Sargento de Milícias” (Manuel Antônio de Almeida).

d) “Memórias de um Sargento de Milícias” (Manuel Antônio de Almeida), “Lendas Brasileiras” (Câmara Cascudo) e “Várias Histórias” (Machado de Assis).

8.(UFRS) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo é a personagem principal que, por ser mais instruída e por não acreditar em religião, sobressai entre as demais.

b) A obra baseia-se em romances e histórias populares do Nordeste, dando expressão tanto à tradição cristã quanto às crenças mais ingênuas do povo.

c) Após a morte das personagens, a figura de Nossa Senhora intervém junto ao seu Filho e pede compaixão pelos pecados cometidos.

d) É um texto teatral de 1955, cuja temática central é a religiosidade brasileira, que serve de inspiração a uma história plena de peripécias.

e) Além da Compadecida e de outras entidades sobrenaturais, o texto põe em cena personagens da terra, como o padre, o bispo e Chicó.

9. (UFRS) Assinale a afirmação correta em relação a personagens de “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo envolve-se na malandragem por solidariedade ao amigo.

b) O padre João é o elo entre os seres terrestres e a Virgem.

c) A mulher do padeiro encarna o adultério.

d) O Filho de Deus é representado pela personagem Encourado, um Cristo negro.

e) Severino Aracaju personifica a passividade e a bondade do sertanejo.

10.(UEPG) Em relação à problemática e à estrutura da peça “O Auto da Compadecida”, assinale o que for correto.

(01) A preocupação maior do autor reside em distanciar-se da estrutura de um auto de moralidade, ao estilo quinhentista português (modelo Gil Vicente).

(02) Os componentes estruturais do texto revelam personagens que simbolizam pecados (maiores ou menores), que recebem o direito ao julgamento, que gozam do livre-arbítrio e que são ou não condenados.

(04) A peça se embasa em determinadas tradições localistas e regionalistas do folclore.

(08) A realidade nordestina está presente, através de seus instrumentos culturais mais significativos, as crenças e a literatura de cordel.

(16) A intenção clara e expressa do texto dramatúrgico em questão é de natureza moral, desvinculada de credo religioso.

RESPOSTA:2 + 4 + 8 = 14

11.(UPE) A respeito da estrutura e do estilo da obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, analise cada uma das afirmações abaixo.

I      II

0      0      Ariano Suassuna escreveu essa comédia, dentre outras fontes, a partir do romance popular anônimo, escrito no Nordeste, sob o título: “História do Cavalo que defecava dinheiro”.

1      1      A personagem Palhaço não participa propriamente do enredo: sua função na peça seria equivalente, numa comparação, à do narrador no romance.

2      2      O forte teor psicológico da personagem João Grilo não nos permite classificá-la como um simples tipo humano. Por isso, a peça de Suassuna se insere no filão das obras psicológicas.

3      3      O que diferencia o texto de Ariano Suassuna da estrutura do romance popular é o fato de tratar-se, no caso do Auto da Compadecida, de uma peça, caracterizada pela apresentação direta das personagens, que realizam, elas mesmas, a ação.

4      4      Com o Auto da Compadecida, Ariano Suassuna faz uma crítica ao catolicismo, usando, para isso, a figura do Bispo, do Frade, do Padre João e da própria Compadecida.

Resposta

  1. I: 0., 1., 3., 4. / II: 2.

Leia o texto abaixo e responda às questões 12 a 14:

João Grilo: Ah isso é comigo. Vou fazer um chamado especial, em verso. Garanto que ela vem, querem ver? (Recitando.)

Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher.

Encourado: Vá vendo a falta de respeito, viu?

João Grilo: Falta de respeito nada, rapaz! Isso é o versinho de Canário Pardo que minha mãe cantava para eu dormir. Isso tem nada de falta de respeito!

Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher. Valha-me. Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré.

Cena igual à da aparição de Nosso Senhor, e Nossa Senhora, A compadecida, entra.

Encourado, com raiva surda: Lá vem a compadecida! Mulher em tudo se mete!

João Grilo: Falta de respeito foi isso agora, viu? A senhora se zangou com o verso que eu recitei?

A Compadecida: Não, João, porque eu iria me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de tristeza é o diabo.

João Grilo: É porque esse camarada aí, tudo o que se diz ele enrasca a gente, dizendo que é falta de respeito.

A Compadecida: É máscara dele, João. Como todo fariseu, o diabo é muito apegado às formas exteriores. É um fariseu consumado.

Encourado: Protesto.

Manuel: Eu já sei que você protesta, mas não tenho o que fazer, meu velho. Discordar de minha mãe é que eu não vou.

(…)

(Fonte: Auto da Compadecida. 15 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979.)

12. (UEL) A obra O Auto da Compadecida foi escrita para o teatro:

a) Por João Cabral de Melo Neto e aborda temas recorrentes do Nordeste brasileiro.

b) E seu autor, Ariano Suassuna, aborda o tema da seca que sempre marcou o Nordeste.

c) Pelos autores do Movimento Armorial, abordando temas religiosos e costumes populares.

d) Por Ariano Suassuna, tendo como base romances e histórias populares do Nordeste brasileiro.

e) Por João Cabral de Melo Neto e aborda temas religiosos divulgados pela literatura de cordel.

13. Ao humanizar personagens como Manuel e a Compadecida, o autor pretende:

a) Denunciar o lado negativo do clero, na religião católica.

b) Exaltar o sentimento da justiça divina ao contemplar os simples de coração.

c) Mostrar um sentimento religioso simples e humanizado, mais próximo do povo.

d) Retratar o sentimento religioso do povo nordestino, numa visão iconoclasta.

e) Fazer caricatura com as figuras de Cristo e de Nossa Senhora.

14. Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre a obra, as personagens João Grilo e Chicó identificam-se com:

a) Os bobos da corte da Idade Média.

b) Os palhaços dos circos populares.

c) As figuras de arlequim e pierrô da tradição romântica universal.

d) Tipos humanos autenticamente brasileiros.

e) Figuras lendárias da literatura popular nordestina, semelhantes a Lampião e Padre Cícero.

15.(CEDERJ)“A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto… Nunca vi um gênio com gosto médio. (Ariano Suassuna)

Considerado um dos maiores dramaturgos do Brasil, Ariano Suassuna tem seu nome identificado por sua obra mais conhecida, O Auto da Compadecida, de 1955, e reputada, já em 1962, como um dos textos mais representativos da história do teatro brasileiro. Sobre o papel desse autor e de sua obra, assinale a alternativa correta.

a) A atualização do teatro nacional reuniu valores europeus, num movimento conhecido como “Os discípulos da Compadecida”.

b) A obra de Ariano Suassuna se confunde com a modernização do teatro brasileiro, incorpora e dá especial destaque à chamada cultura popular nordestina.

c) Ariano Suassuna tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, mas jamais conseguiu projeção nacional, a despeito da divulgação de suas obras.

d) O Auto da Compadecida é, em síntese, uma exaltação dos poderosos e uma crítica aos pobres, identificados como ignorantes e preguiçosos.

16. (UFOP) A respeito do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é incorreto dizer que:

a) incorporando romances e histórias populares do Nordeste brasileiro, é um texto cuja vinculação com os mistérios e moralidades medievais é bastante nítida.

b) tem fortes particularidades de um metateatro, principalmente na construção da personagem Palhaço.

c) apresenta uma longa rubrica inicial, com precisas indicações para o diretor, para o cenógrafo e para o sonoplasta.

d) desprezando a cultura religiosa das personagens que habitam seu cenário, tem um desfecho inverossímil e incompatível com o contexto que representa.

e) é um texto estruturado com excepcional dinamismo, dado que os diálogos são curtos e as ações muito rápidas.

17.Sobre a obra o Auto da Compadecida, é correto afirmar:

I. O texto propõe-se como um auto. Dentro da tradição da cultura de língua portuguesa, o auto é uma modalidade do teatro medieval cujo assunto é basicamente religioso. Assim o entendeu Paula Vicente, filha de Gil Vicente, quando publicou os textos de seu pai, no século XVI, ordenando-os principalmente em termos de autos e farsas.

II. O texto propõe-se como resultado de uma pesquisa sobre a tradição oral dos romanceiros e narrativas nordestinas, fixados ou não em termos de literatura de cordel. Propõe, portanto, um enfoque regionalista ou, pelo menos, organiza um acervo regional com vistas a uma comunicação estética mais trabalhada.

III. A primeira intenção do texto está em moldá-lo dentro de um enquadramento do teatro medieval português ou, mais precisamente, dentro das perspectivas do teatro de Gil de Vicente, que realizou o ideal do teatro medieval um século mais tarde, isso no século XVI, portanto, em pleno Quinhentismo (estilo de época).

a) Apenas I

b) Apenas II

c) Apenas III

d) Apenas I e II

e) Todas estão corretas.

18. (UFOP) Sobre a construção das personagens do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é incorreto afirmar que:

(A) João Grilo, como protagonista, é um herói no sentido mais clássico do termo, uma vez que combina peculiaridades do herói trágico (a grandeza, p. ex.) e do herói épico (a coragem, p. ex.).

(B) o Diabo é uma alegoria que detém uma grande funcionalidade, contrastando vivamente com Manuel e com a Compadecida.

(C) o Padeiro e sua mulher demonstram claramente que o sistema moral da sociedade está totalmente comprometido com o sistema econômico.

(D) a Compadecida, justificando a metonímia com a qual é designada, apresenta-se como a maior e a melhor advogada de João Grilo.

(E) o Padre e o Bispo são verdadeiras caricaturas dos maus sacerdotes, o que justifica os traços fortes com que são compostos.

Texto para as questões 19 e 20

JOÃO GRILO: Como vai a senhora? Já está mais consolada?

MULHER: Como, se além de perder meu cachorro, ainda tive de gastar treze contos para ele se enterrar?

JOÃO GRILO: Está aí, o dinheiro?

MULHER: Está. Entregue ao padre e ao sacristão.

JOÃO GRILO: Um momento. O que é que tem escrito aqui?

MULHER: Sacristão.

JOÃO GRILO: E aqui?

MULHER: Padre.

JOÃO GRILO: Pois por favor, escreva aqui “bispo e padre”.

MULHER: Bispo e padre? Por quê?

JOÃO GRILO: Porque houve aqui um pequeno arranjo e o bispo também teve que entrar no testamento.

MULHER: Que complicação! E se ao menos eu lucrasse alguma coisa… Mas perdi foi meu cachorro.

JOÃO GRILO: Quem não tem cão caça com gato.

MULHER: Hem?

JOÃO GRILO: Quem não tem cão caça com gato e eu arranjei um gato que é uma beleza para a senhora.

MULHER: Um gato?

JOÃO GRILO: Um gato.

MULHER: E é bonito?

JOÃO GRILO: Uma beleza.

MULHER: Ai, João, traga para eu ver! Chega a me dar uma agonia. Traga, João, já estou gostando do bichinho. Gente, não, é povo que não tolero, mas bicho dá gosto.

JOÃO GRILO: Pois então vou buscá-lo.

MULHER: Espere. Sabe do que mais, João? Não vá buscar o gato que isso só me traz aborrecimento e despesa. Não viu o que aconteceu com o cachorro? Terminei tendo que fazer o testamento.

JOÃO GRILO: Ah, mas aquilo é porque foi o cachorro. Com meu gato é diferente…

MULHER: Diferente por quê?

JOÃO GRILO: Porque, em vez de dar despesa, esse gato dá lucro.

MULHER: Fora vaca, cavalo e criação, bicho que dá lucro não existe.

JOÃO GRILO: Não existe, sei não… Eu fico meio encabulado de dizer!

MULHER: Que é isso, João, você está em casa! Diga!

JOÃO GRILO: É que o gato que eu lhe trouxe, descome dinheiro.

MULHER: Descome dinheiro?

JOÃO GRILO: Descome, sim.

MULHER: Essa eu só acredito vendo.

JOÃO GRILO: Pois vai ver. Chicó!

MULHER: Ah, e é história de Chicó? Logo vi.

JOÃO GRILO: Nada de história de Chicó, mas foi ele quem guardou o bicho. Chicó!

CHICÓ, entrando com o gato. Tome seu gato. Eu não tenho nada com isso. João dá-lhe uma cotovelada e apresenta o gato à mulher.

JOÃO GRILO: Está aí o gato.

MULHER: E daí?

JOÃO GRILO: É só tirar o dinheiro.

MULHER: Pois tire.

JOÃO GRILO virando o gato para Chicó, com o rabo levantado. Tire aí, Chicó.

CHICÓ: Eu não, tire você.

JOÃO GRILO: Deixe de luxo, Chicó, em ciência tudo é natural.

CHICÓ: Pois se é natural, tire.

JOÃO GRILO: Então tiro. (Passa a mão no traseiro do gato e tira uma prata de cinco tostões.) Está aí, cinco tostões que o gato lhe dá de presente.

MULHER: Muito obrigada, mas se você não se zanga quero ver de novo.

JOÃO GRILO: De novo?

MULHER: Vi você passar a mão e sair com o dinheiro mas agora quero ver é o parto.

JOÃO GRILO: O parto?

MULHER: Sim, quero ver o dinheiro sair do gato.

JOÃO GRILO: Pois então veja

MULHER, depois da nova retirada.

Nossa Senhora, é mesmo. João, me arranje esse gato pelo amor de Deus.

JOÃO GRILO: Arranjar é fácil, agora, pelo amor de Deus é que não pode ser, porque sai muito barato. Amor de Deus é coisa que eu tenho, dê ou não lhe dê o gato.

MULHER: Quer dizer que não tem jeito de eu arranjar esse gato?

JOÃO GRILO: De modo nenhum, há um jeito e é até fácil.

MULHER: Pois diga qual é, João.

JOÃO GRILO: Deixe eu entrar no testamento do cachorro.

MULHER: Pois você entra. Por quanto vende o gato?

JOÃO GRILO: Um conto, está bom?

MULHER: Esta não, está caro.

JOÃO GRILO: Mas por um gato que descome dinheiro!

MULHER: Já fiz a conta, vou levar dois mil dias só para tirar o preço.

JOÃO GRILO: Mas ele descome mais de uma vez por dia, a senhora não viu?

MULHER: Mas ele pode morrer. Só dou quinhentos e se você não aceitar será demitido da padaria.

JOÃO GRILO: Está certo, fica pelos quinhentos.

MULHER: Tome lá. Passe o gato, Chicó. Meu Deus, que gatinho lindo! Agora a coisa é outra, tenho um filho de novo e vou tirar o prejuízo.

Sai contentíssima.

CHICÓ: João, adeus. Eu vou-me embora.

JOÃO GRILO: Nada disso, tome lá a metade do dinheiro e deixe de ser mole.

CHICÓ: Homem, eu não tenho coragem de continuar sempre, é melhor fugir logo, enquanto tudo está em paz.

JOÃO GRILO: Não adianta, Chicó, você já entrou na história e agora é tarde porque a mulher descobre já.

Quantas pratas você conseguiu meter?

CHICÓ: Três!

JOÃO GRILO: Então o negócio estoura já. (Ariano Suassuna – Auto da Compadecida)

19. Coloque V para verdadeiro e F para falso nos parênteses abaixo:

(   ) O livro Auto da Compadecida apresenta uma história muito engraçada que se passa no nordeste brasileiro.

(  ) O filme O auto da Compadecida apresenta cenas diferentes das que estão no livro “Auto da Compadecida”.

(    ) O autor Ariano Suassuna era formado em Engenharia civil.

(    ) No livro, a história é apresentada por um palhaço.

(    ) No julgamento final, João Grilo é o único que não vai para o inferno. Todos os outros personagens são levados pelo diabo.

V V F V F

20.Releia o trecho  abaixo e assinale a única alternativa CORRETA:

JOÃO GRILO: Então tiro. (Passa a mão no traseiro do gato e tira uma prata de cinco tostões.) Está aí, cinco tostões que o gato lhe dá de presente.

a) O trecho destacado indica voz do narrador do texto. 

b) O sinal de travessão foi usado para indicar um comentário feito por Chicó.

c) O texto destacado expressa o quanto João Grilo gostava do gato.

d) O trecho destacado indica a voz de Ariano Suassuna. 

e) O texto entre parênteses indica um esclarecimento para o leitor, feito por João Grilo. 

21. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Chicó – 3 Por que essa raiva dela? João Grilo – Ó homem sem vergonha! Você inda pergunta? 5 Está esquecido de que ela o deixou? Está esquecido da exploração que eles fazem conosco naquela padaria do inferno? Pensam que são o cão só porque enriqueceram, mas 4 um dia hão de pagar. E a raiva que eu tenho é 3 porque quando estava doente, me acabando em cima de uma cama, via passar o prato de comida 6 que ela mandava para o cachorro. Até carne passada na manteiga tinha. Para mim nada, João Grilo 6 que se danasse. Um dia eu me vingo. Chicó – João, 1 deixe de ser vingativo que 2 você se desgraça. Qualquer dia você inda se mete numa embrulhada séria. Ariano Suassuna, Auto da Compadecida 3. (Mackenzie) Considere as seguintes afirmações.

I. O texto de Ariano Suassuna recupera aspectos da tradição dramática medieval, afastando-se, portanto, da estética clássica de origem greco-romana.

II. palavra Auto, no título do texto, por si só sugere que se trata de peça teatral de tradição popular, aspecto confirmado pela caracterização das personagens.

III. O teor crítico da fala da personagem, entre outros aspectos, remete ao teatro humanista de Gil Vicente, autor de vários autos, como, por exemplo, o Auto da barca do inferno.

Assinale:

a) se todas estiverem corretas.

b) se apenas I e II estiverem corretas.

c) se apenas II estiver correta.

d) se apenas II e III estiverem corretas.

e) se todas estiverem incorretas.

22. (UFPB) Sobre a obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, identifique a(s) proposição(ões) verdadeira(s):

01. O autor, embora faça críticas à Igreja Católica, apresenta alguns valores cristãos como a misericórdia, o perdão e a salvação.

02. A peça é dividida em três atos, marcados pela mudança total de cenário e de personagens.

04. Os personagens divinos Manoel (Jesus) e a Compadecida (Nossa Senhora) expressam, em suas falas, sentimentos do ser humano: alegria, medo, dúvida.

08. Todos os representantes da Igreja Católica (Padre, Sacristão, Bispo e Frade) são mortos pelo cangaceiro Severino e condenados ao purgatório.

16.A Compadecida, no momento do julgamento, justifica os atos vergonhosos praticados pelos personagens, em função da triste condição do homem, “feito de carne e de sangue”.

A soma dos valores atribuídos à(s) proposição(ões) verdadeira(s) é igual a: 21

 23. (UEPG) Sobre o final das obras Auto da Compadecida e O mestre e o herói é correto afirmar:

01) O palhaço, aquele que inicia a peça, é quem encerra o último ato, pedindo aplausos à plateia.

02) O pai do herói viaja ao encontro do filho e do antigo amigo, apresentando na ocasião sua atual mulher.

04) Chicó promete dar todo o dinheiro que tem, se João Grilo não morresse, mas eles encontram um jeito de quebrar a promessa.

08) O herói volta da viagem de autoconhecimento e amadurecimento que faz com o mestre e ganha de seu novo amigo o canivete, objeto já confessado como peça de estimação.

SOMA: 01+08= 09

24.(UEPG) A classificação dos gêneros literários foi proposta, na antiguidade clássica, pelo filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.). É correto afirmar que as obras O mestre e o herói, Auto da Compadecida, Bagagem, Dom Casmurro e As meninas são classificadas como: 01) O livro O mestre e o herói é classificado como pertencente ao gênero épico por ser um romance, que, neste caso, apresenta 22 capítulos curtos e nomeados.

02) A obra Auto da Compadecida é classificada como pertencente ao gênero dramático por ser um teatro e está composta em 3 atos.

04) O livro Bagagem é classificado como pertencente ao gênero lírico, e está dividido em 5 partes com um total de 113 poesias.

08) A obra Dom Casmurro é classificada como pertencente ao gênero épico por ser um romance, que, neste caso, apresenta 148 capítulos nomeados e curtos. Mesma classificação cabe ao romance As meninas que apresenta 12 capítulos longos e sem nomes.

SOMA: 01+02+04+08= 15

25. (UEPG)  Assinale o que é correto afirmar sobre as obras As meninas, Auto da Compadecida, Dom Casmurro e O mestre e o herói:

01)Em As meninas, irmã Bula é vista como suspeita de escrever cartas anônimas para Madre Alix, fazendo denúncias acerca de eventos ocorridos no quarto de Lorena e com as suas amigas.

02) Em Auto da Compadecida, o frade não é assassinado e o motivo dado para isso é que Severino diz não gostar de matar frade porque dá azar.

04) Em Dom Casmurro, Bento Santiago, abandona a vida de padre, após descobrir que Capitu, seu amor desde a infância, casara-se com um de seus amigos de seminário, Escobar.

08) Em O mestre e o herói, o mestre é na verdade um empresário que abandonou o budismo para viver, longe dos mosteiros, uma vida simples em sua fazenda, local reservado para fazer um trabalho terapêutico com os que por ali passam ou são recomendados a conhecer.

SOMA: 01+02= 03

PALHAÇO: “Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre e tem direito a certas intimidades.”. Fonte: Auto da Compadecida. 15 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979. 16.

26. Em o Auto da Compadecida, há a presença da personagem Palhaço, que, de certa forma, narra a história que será dramatizada, indicando a ação das demais personagens, bem como o cenário. Segundo Ariano Suassuna, ele quis ser representado na peça pelo palhaço. A partir disso, e do fragmento apresentado acima, assinale a alternativa que contenha a justificativa mais coerente acerca da presença desta personagem no interior da história.

a) Por se tratar de uma personagem cômica, que não é levada, em geral, a sério, o autor, assim, ganharia mais possibilidades de falar de temas polêmicos.

b) Ao escolher a personagem Palhaço, Ariano Suassuna desejava dizer a todos o quanto ele é engraçado.

c) O palhaço é símbolo da alegria, embora seja uma tragédia, o Auto da Compadecida faz com que todos riam.

d) A personagem Palhaço foi escolhida para rememorar os grandes palhaços dos circos que Ariano Suassuna frequentava quando criança.

e) Ariano Suassuna, ao escolher o palhaço como narrador de sua peça, traz um elemento da cultura popular para evidenciar seu amor à cultura brasileira.

27. (UEPG)  Sobre o enredo de Auto da Compadecida e de O mestre e o herói, é correto afirmar: 01) Ideias como um animal que defecava dinheiro e um julgamento celeste, cujo desfecho era alterado pela intervenção da mãe de Jesus, chamada de Compadecida, foram aproveitadas de folhetos de cordel e histórias populares e orais que Ariano Suassuna já conhecia. 02) Após uma passeio e mergulho, cujo ar fora cortado propositalmente pelo mestre, ao girar o pino do cilindro, o herói, antes assustado e emburrado, encontra-se na praia com a menina que escreve “boba” na areia e a ele declara o que sente. 04) “João Grilo: […]… lembrem-se de dizer, em vez ‘agora e na hora de nossa morte’, ‘agora na hora de nossa morte’, porque do jeito que nós estamos, está tudo misturado. Todos: Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora na hora de nossa morte. Amém.”. No trecho em questão, o personagem João Grilo sugere a modificação na oração, pois todos com quem falava já estavam mortos. 08) Após, lavarem suas roupas, o herói tem a oportunidade de descobrir qual o tesouro que o mestre guarda em sua sacola, no entanto, para sua surpresa, só havia livros.

SOMA:  01+02+04+08= 15

28.(UFPE) Sobre o teatro brasileiro contemporâneo, examinemos três autores, em relação a algumas de suas obras e características. 

( ) João Cabral de Melo Neto tem como obra mais conhecida o auto de Natal, “Morte e Vida Severina”, narrando a trajetória de um sertanejo que abandona o agreste, rumo ao litoral. Ele encontra, nesta migração, somente morte.

( ) O auto de João Cabral, cujo título denuncia a influência do teatro medieval, foi levado à cena com música de Chico Buarque. Está dividido em duas partes: a viagem para o litoral e a chegada ao Recife, onde o protagonista, Severino, encontra o mestre carpina José.

( ) João Cabral também escreveu “Auto do Frade”, uma peça sobre frei Caneca, considerado herói de revoluções libertárias.

( ) Ariano Suassuna foi buscar nas fontes populares o motivo de sua dramaturgia. A sua peça mais famosa é também um auto, “Auto da Compadecida”, que tem a dimensão de uma farsa, apresenta personagens burlescos e ambiente circense.

( ) Dias Gomes, autor de “O Pagador de Promessas”, “O Bem Amado” e “O Santo Inquérito”, utiliza em suas obras um tom dramático e nacionalista; não concede espaço a tipos caricaturais nem a temas de denúncia social.

RESPOSTA:V V V V F

29.Sobre o filme “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso:

a – (    ) o filme aborda aspectos culturais e religiosos do nordeste Brasileiro

b – (    ) O enredo se desenvolve com ambientação no sertão nordestino:

c – (    ) O nome dos dois personagens principais é João Grilo e Chicó

d – (    ) Os personagens principais são muito pobres e sobrevivem de pequenos negócios e saques enquanto vagam pelo sertão.

e – (    ) Em um desses golpes, eles se envolvem com Severino de Aracaju, um temido cangaceiro, que os persegue pela região. 

Agora marque a alternativa correta

a) V,V,F,F,V

b) F,F,V,F,F

c) V,V,V,V,V

d) F,F,F,F,V

e) F,F,F,F,F

30.As questões a seguir são referentes ao livro Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna: Ariano Suassuna, autor de O auto da Compadecida, em diversas conferências que realizou, falou acerca da existência de dois “Brasis”. Segundo ele, Machado de Assis dizia que no Brasil existem dois países, o oficial e o real. Para Machado, “o país real é bom, revela os melhores instintos. Mas o país oficial é caricato e burlesco”. Em outras palavras, o país oficial é o país dos privilegiados, que têm acesso à cultura e ao dinheiro, já o país real é daqueles que mais sofrem e trabalham. A partir da definição de Brasil oficial e Brasil real, de Ariano Suassuna, assinale a alternativa que contenha, respectivamente, a personagem que no Auto da Compadecida é representante do primeiro Brasil e qual é representante do segundo:

a) Coronel Antônio de Moraes e o Bispo.

b) João Grilo e Chicó.

c) Coronel Antônio de Moraes e João Grilo.

d) Mulher do Padeiro e Encourado.

e) Severino e Palhaço.

31. É o fragmento do Auto da Compadecida que melhor descreve a personagem João Grilo:

a) “Enganava o marido com todo o mundo”.

b) “Ele está de um jeito que não respeita mais ninguém e com mania de benzer tudo”.

c) “Antes de morrer, olhava para a torre da igreja toda vez que o sino batia”.

d) “Negociou com o cargo, aprovando o enterro de um cachorro em latim, porque o dono lhe deu seis contos”.

e) “Um canalhinha amarelo que mora aqui e trabalha na padaria”.

“BISPO. Quanto ao senhor, senhor João Grilo, vai ver agora o que é administrar. O senhor vai se arrepender de suas brincadeiras, jogando a Igreja contra Antônio Morais.

JOÃO GRILO. É mesmo, é uma vergonha. Um cachorro. Quatro para o padre e seis para o bispo, é demais.

BISPO, mão em concha no ouvido. Como?

JOÃO GRILO. Ah! E o senhor não sabe da história do testamento ainda não?

BISPO. Do testamento? Que testamento?

CHICÓ. O testamento do cachorro.

BISPO. Testamento do cachorro?

PADRE, animando-se. Sim. O cachorro tinha um testamento. Maluquice de sua dona. Deixou três contos de réis para o sacristão, quatro para a paróquia e seis para a diocese.

BISPO. É por isso que eu vivo dizendo que os animais também são criaturas de Deus. Que animal interessante! Que sentimento nobre!

PADRE, arriscando. Para atender à vontade da dona, deixei que o sacristão  acompanhasse o … “

32.O excerto  acima pertence a O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Considere as afirmações abaixo a respeito dessa obra:

I-Estão presentes nessa obra diversos artifícios propiciadores do riso. Entre esses avulta a quebra de hierarquia social e religiosa; a subversão de valores e a presença do absurdo e do ridículo. .

II – O Diabo, uma das personagens do texto, por nunca ter sido homem, entende bem o que é o medo da fome, do sofrimento, da solidão e da morte.

III – Há dois julgamentos: o primeiro é feito pelo Encourado (Diabo) e o segundo, por Manuel ( Jesus Cristo).

IV-Um dos pontos importantes é o fato de, ao lado dos dois bons padres, ser colocado um mau, e a peça inicia e termina com a fala da mesma personagem, ou seja, com a fala de A Compadecida ( Nossa Senhora).

V- O Palhaço, encerrando a história da Compadecida, diz estas palavras: “E se não há quem queira pagar, peço pelo menos uma recompensa que custa nada e é sempre eficiente: seu aplauso.”

São verdadeiras:

a.(  ) I, II e III         

b.( ) I, III e IV        

c) I, III e V        

d.( ) III  e  IV.  

e.(  ) II, IV e V

33. A respeito d obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, são feitas três afirmativas:

I – Alaíde, Madame Clessi, Pedro e Lúcia são as principais personagens da obra em questão.  

II -O autor utiliza, no texto, expressões por vezes rudes e outras pitorescas, caracterizando

urna linguagem de certa forma, grosseira, representativa das personagens e do ambiente

retratados.

III – Pode-se dizer que a obra apresenta um sentido moralizante expresso através de uma

visão cristã da vida, denotadora da simplicidade do espírito popular.

Está(ão) correta(s):

a) Apenas a I.                                

d) Apenas a I e a II.

c) Apenas a II e a III.                     

d) Todas as alternativas.

e) Apenas a I e a III.

João Grilo

Mas Chicó, e o rio São Francisco?

Chicó

Só podia estar seco nesse tempo, porque não me lembro quando passei… E nesse tempo todo o cavalo ali comigo, sem reclamar nada!

 […]

Palhaço

[…] nas cenas seguintes, dois demônios vestidos de vaqueiro, pois isso decorre de uma crença comum no sertão do Nordeste SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014, p. 23 e 117

34. (UFSC) Sobre o Nordeste brasileiro, é correto afirmar que:

01. no sertão, principal cenário da obra de Suassuna, o tipo climático predominante é o tropical alternadamente seco e úmido.

02. considerando as informações contidas no texto acima, há trechos em que o rio São Francisco é considerado intermitente.

04. no final de 2015, o rompimento de barragens contendo resíduos de mineração resultou na contaminação do rio São Francisco em vários trechos, comprometendo inclusive a pesca artesanal e o abastecimento de água potável.

08. a Caatinga, principal bioma do sertão nordestino, ainda carece de marcos regulatórios e de ações e investimentos em sua conservação e uso sustentável.

16. afloramentos rochosos são uma característica comum das áreas mais altas da Caatinga; esses afloramentos e os solos pouco profundos formam as condições ideais para as cactáceas. 32. as formações de planícies que dominam o sertão nordestino são compostas de argilito metamorfoseado de rochas quartzíticas consolidadas na era Cenozoica.

SOM A:  02+ 08+16 = 26

35.(UFMA) Auto da Compadecida, de autoria de Ariano Suassuna, apresenta, em sua estrutura, uma divisão da peça em dois cenários, haja vista o desenrolar da história. Pode-se afirmar que essa forma de composição se deve à:

a) presença de romances e histórias populares do Nordeste, nas quais o autor se baseou para a construção da peça.

b) intervenção do palhaço, que funciona como porta-voz dos personagens João Grilo e Chicó.

c) característica do teatro moderno, construído sob o alicerce da composição das cenas em cenários diferentes.

d) intromissão do narrador que prepara o leitor para as cenas seguintes, sobretudo para o julgamento final.

e) necessidade, inicialmente, de compor o perfil imoral dos personagens e, num segundo momento, o seu julgamento perante o juízo final.

36.(UNEMAT) Sobre o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, assinale o único elemento que se encontra na famosa cena do julgamento.

  1. Sentido moralizante, a partir da perspectiva cristã de cunho popular.
  2. Densa discussão teológica.
  3. Dessacralização de dogmas da religião católica.
  4. Ausência do elemento caricatural nas ações das personagens.
  5. Preconceito racial.

37.(UNEMAT) Sabato Magaldi (2004) afirma que Ariano Suassuna aproxima-se de uma visão do mundo contemporâneo, que introduz o  Auto da Compadecida como o texto mais popular do Modernismo brasileiro.

Neste sentido, assinale a alternativa incorreta.

a) A matéria textual é o folclore. 

b) A figura do malandro apresenta esperteza, certo amoralismo e desejo de vingança.

c) O primitivismo e a ingenuidade são deliberados, juntamente com um tom primário.

d) A função de João Grilo limita-se a intriga teatral, pois não domina o seu destino.

e) A história constrói-se com vários interlocutores.

 

O Santo e a Porca

santo-e-a-porca

1.(Ueg)  A peça teatral “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, tem como referência histórica a Primeira República – período caracterizado por fenômenos socioculturais como cangaço e fervor religioso. Analise a relação do governo republicano com esses fenômenos.

RESPOSTA: O governo republicano brasileiro tratou esses dois fenômenos de maneira diversa. No caso do cangaço, apesar de muitas vezes ser combatido no âmbito local, foi também utilizado pelo governo, como no caso do grupo liderado por Lampião, para fazer frente à Coluna Prestes. No caso dos movimentos religiosos populares, principalmente de caráter messiânico, ocorridos na Primeira República, o governo brasileiro tratou de forma repressiva, como pode ser notado no caso do movimento de Canudos, no interior da Bahia e Contestado, em Santa Catarina.  

 2. Sobre a peça O santo e a Porca, de Ariano Suassuna, é incorreto afirmar:

a) O Santo e a Porca é uma peça que, aparentemente, trata de um tema simples, que é a avareza, em tom de humor por ser uma comédia.

b) A peça não contribui para a reflexão e divulgação da cultura nordestina.

c) As personagens estão intimamente ligadas ao enredo e vice-versa. Essas são as duas forças principais que regem um texto dramático.

d) Na apresentação de sua peça O Santo e a Porca (1957), Ariano Suassuna subintitula-a de “Imitação Nordestina de Plauto”, referindo-se à Aulularia, do autor latino Plauto.

e) O texto promove uma reflexão sobre a relação do ser humano com o mundo físico (representado pela porca) e o espiritual (representado por Santo Antônio).

3. (UFPR) Leia o texto a seguir.

EURICÃO: Você não está entendendo nada! E como ficaria eu? Você casa com Dodô, Benona com Eudoro, Caroba com Pinhão. Não vê que eu fico só? No meio disso tudo, com quem casaria eu?

CAROBA: Com a porca. E, se ela não serve mais, com Santo Antônio!

EURICÃO: Estão me ouvindo? É a voz da sabedoria, da justiça popular. Tomem seus destinos, eu quero ficar só. Aqui hei de ficar até tomar uma decisão. Mas agora sei novamente que posso morrer, estou novamente colocado diante da morte e de todos os absurdos, nesta terra a que cheguei como estrangeiro e como estrangeiro vou deixar. Mas minha condição não é pior nem melhor do que a de vocês. Se isso aconteceu comigo pode acontecer com todos, e se aconteceu uma vez pode acontecer a qualquer instante. Um golpe do acaso abriu meus olhos, vocês continuam cegos! Agora vão, quero ficar só!

(SUASSUNA, Ariano. “O santo e a porca”. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.)

Esse trecho é de “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, e mostra Euricão quando, já ao final da peça, descobre que todo o dinheiro que guardou em sua porca de madeira não valia mais nada por causa das mudanças de moeda. Sobre o texto, é correto afirmar.

(01) Ao falar em “voz da sabedoria” e em “justiça popular”, a personagem reflete uma das referências principais da peça, que une um enredo recorrente na história da literatura ocidental a situações de uma comédia de costumes centrada em valores e figuras da cultura regional.

(02) Os tratos e destratos feitos com Santo Antônio são um bom exemplo da praticidade da religiosidade popular, e as negociações com o santo de devoção criam espaço na peça para muito do seu resultado cômico e crítico.

(04) Coerentemente com o regionalismo brasileiro, a peça valoriza a transformação e modernização dos costumes; daí o papel de Caroba e seu esforço para modificar a vida das outras personagens.

(08) Apesar do tema humorístico, das cenas rápidas, da celeridade dos quiproquós, há, no fundo temático, um conflito entre os bens materiais e os espirituais, encarnado na figura de Euricão.

(16) Euricão é uma personagem-tipo da literatura: ele tem uma característica principal, a avareza, e é sobre essa característica que toda sua ação na peça se sustenta.

SOMA: 01 + 02 + 08 + 16 = 27

4. (UFPR) No início de “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, o protagonista Euricão recebe uma correspondência de Eudoro Vicente. Considere as seguintes palavras da carta: “Mando na frente meu criado Pinhão, homem de toda confiança, para avisá-lo de minha chegada aí, mas quero logo avisá-lo: pretendo privá-lo de seu mais precioso tesouro!”.

Assinale a alternativa que interpreta corretamente os desdobramentos desse episódio.

a) Apresentado como homem de toda confiança, Pinhão decepcionou seu patrão ao envolver-se com Margarida, a filha de Euricão.

b) A presença das personagens Pinhão e Caroba é estratégica para multiplicar as situações cômicas, mas não é decisiva para a solução dos eventos representados.

c) A perda do tesouro guardado na porca denuncia as carências do sertão nordestino, pois o velho avarento não teria como recorrer aos serviços de algum banco ou instituição financeira.

d) Os vários disfarces que movimentam a ação da peça são arranjos de Euricão para proteger seu tesouro da cobiça das demais personagens.

e) Euricão atribuiu sentido literal à expressão “seu mais precioso tesouro”, empregada por Eudoro Vicente em sentido metafórico.

5. (UFSC) Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S) com relação às obras “Bagagem”, de Adélia Prado e “O Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna.

(01) Em “Bagagem”, a autora explora temas do cotidiano e, em muitos de seus poemas, homenageia autores como Carlos Drummond de Andrade, utilizando, principalmente, a intertextualidade.

(02) Apesar de tratar de temas que envolvem o cotidiano, Adélia Prado, em “Bagagem”, preferiu não abordar a religião, pois, segundo ela, “cada um tem o direito de acreditar no que quiser”.

(04) Em “O Santo e a Porca”, o autor retrata de modo cômico e satírico as atitudes do velho Euricão, para quem a filha Margarida era o único tesouro.

(08) A trama de Suassuna tem início a partir do momento em que Euricão recebe uma carta de Eudoro pedindo permissão para que Margarida se case com Dodó.

(16) Em “O Santo e a Porca”, a personagem Margarida vive, às escondidas, um romance com Dodó que, utilizando um disfarce, se passa por guardião da moça.

(32) Adélia Prado, como maior representante da poética dos anos 40, na Segunda Fase Modernista, apresenta em sua obra, quanto à forma, preocupação com a métrica e a rima; e quanto à temática, referência à realidade de modo vago e impreciso.

SOMA: 1 + 16 = 17

PINHÃO Sai ao mesmo tempo que BENONA entra.

BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e quer falar com você.

EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá fora, mas não quero falar com ele.

BENONA: Mas Eurico, nós lhe devemos certas atenções.

EURICÃO: Você, que foi noiva dele. Eu, não!

BENONA: Isso são coisas passadas.

EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi meu. Esperava que Eudoro, com todo aquele dinheiro, se tornasse meu cunhado. Era uma boca a menos e um patrimônio a mais. E o peste me traiu. Agora, parece que ouviu dizer que eu tenho um tesouro. E vem louco atrás dele, sedento, atacado de verdadeira hidrofobia. Vive farejando ouro, como um cachorro da molest’a, como um urubu, atrás do sangue dos outros. Mas ele está enganado. Santo Antônio há de proteger minha pobreza e minha devoção.

SUASSUNA, A. O santo e a porca, Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento)

6. Nesse texto teatral, o emprego das expressões “o peste” e “cachorro da molest’a” contribui para

a)marcar a classe social das personagens.

b) caracterizar usos linguísticos de uma região.

c) enfatizar a relação familiar entre as personagens.

d) sinalizar a influência do gênero nas escolhas vocabulares.

e) demonstrar o tom autoritário da fala de uma das personagens.

7.(UFSC) Acerca da peça O santo e a porca, de Ariano Suassuna, é CORRETO afirmar que:

01. o personagem Pinhão, representado como um tipo comum do interior do Nordeste brasileiro, mostra-se moldado pela sabedoria popular ao resumir situações por meio de ditados.

02. a personagem Caroba é caracterizada como uma figura feminina tipicamente submissa ao jugo masculino, o que bem representa os efeitos de uma cultura machista.

04. o bordão pronunciado por Euricão Engole-Cobra – “Ai a crise, ai a carestia!” – reforça a característica cômica desse personagem avarento.

08. a comédia de Ariano Suassuna pretende denunciar o caráter dos sovinas como algo ridículo e, por meio do riso, educar moralmente o público.

16. Santo Antônio é evocado como protetor dos pobres, como aquele que ajuda a encontrar os objetos perdidos, mas, sobretudo, como interventor direto das uniões matrimoniais, ao final da peça.

32. o personagem Euricão Engole-Cobra acaba solitário e pobre ao final da peça porque essa seria a justiça poética do destino contra a presença dos imigrantes árabes na Região Nordeste.

SOMA:  01 – 04 – 08 = 13

TEXTO PARA A QUESTÃO 08 E 09.

EURICÃO – Caroba! Olhe a caranguejeira!

CAROBA – Ai! Esta casa está cheia de bichos, Seu Euricão!

PINHÃO – Sabe por que é isso, Seu Euricão? São essas velharias que o senhor guarda aqui. Só essa porca já tem mais de duzentos anos.

CAROBA – Por que o senhor não joga isso fora? Outro dia eu e Dona Margarida quisemos fazer uma surpresa ao senhor. A gente ia jogar fora essa porca velha e comprar uma nova para lhe dar.

EURICÃO – (Arriando numa cadeira.) Ai, ai! Miseráveis, miseráveis, assassinas, bandidas! Logo minha porquinha que herdei de meu avô! Toque nela e quem vai embora é você, está ouvindo, assassina? Sou louco por essa porca! Ai Santo Antônio, querem me roubar, me assassinar, e ainda por cima comprar uma porca nova que deve custar uma fortuna! Ladrões, ladrões! Ai a crise, ai a carestia! Santo Antônio, Santo Antônio!

CAROBA – Está certo, Seu Euricão, está certo! Diabo duma agonia danada! Deixe a porca de lado, ninguém toca mais nela! Que é que vale uma porca? O negócio agora é evitar a facada que o tal do Eudoro vem lhe dar.

EURICÃO – A facada?

CAROBA – E então? O senhor vai ver se não é! Pinhão me contou como ele faz. Chega cheio de delicadezas. A essa hora, já se informou de sua devoção por Santo Antônio. Ele chega e faz que é devoto do mesmo santo. Elogia o senhor, elogia sua filha, pergunta como vão os negócios, todo amável, e vai amolando a faca. (À medida que fala, vai evocando a cena imaginária com gestos significativos e cortantes.) SUASSUNA, Ariano. O santo e a porca. 30ª. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015. pp. 50 e 51.

8. (UDESC)  Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto .

I.Em “Caroba! Olhe a caranguejeira” o termo destacado é, na morfossintaxe, substantivo e vocativo.

II. Nos períodos “Olhe a caranguejeira” e “Deixe a porca de lado, ninguém toca mais nela” tem-se a função apelativa da linguagem.

III. A locução verbal “vai amolando”, constituída por um verbo auxiliar e uma forma nominal, no texto, expressa ação progressiva.

IV. Infere-se da leitura da obra, na fala das personagens, alguns temas implícitos, tais como: desejar melhorar de vida, a solidão e o vazio existencial.

V. Na oração “Que é que vale uma porca”, a expressão destacada pode ser retirada, por ser uma partícula expletiva e, ainda assim, mantém-se o sentido e a coerência textual. Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas II, III, IV e V são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras.

e)Todas as afirmativas são verdadeiras.

9.(UDESC) Assinale a alternativa correta em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto 

a)Da leitura de “Sou louco por essa porca” infere-se que Euricão gostava da porca unicamente porque ele prezava as relíquias da família, as quais cultivava com esmero.

b) Em “Pinhão me contou como ele faz” a palavra destacada indica circunstância de tempo.

c) Em relação à oração “Por que o senhor não joga isso fora?” , passando-se a expressão destacada para o final da oração tem-se O senhor não joga isso fora por quê?

d) Da leitura da obra, infere-se que Margarida, filha de Euricão, também amava Eudoro.

e)No período “Toque nela e quem vai embora é você” , flexionando-se o verbo destacado na segunda pessoa do singular tem-se Tocai nela e quem vai embora sois vós

 TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 10 A 11. 

EURICÃO – Ai, gritaram “Pega o ladrão!”. Quem foi? Onde está? Pega, pega! Santo Antônio, Santo Antônio, que diabo de proteção é essa? Ouvi gritar “Pega o ladrão!”. Ai, a porca, ai meu sangue, ai minha vida, ai minha porquinha do coração! Levaram, roubaram!

Ai, não, está lá, graças a Deus! Que terá havido, minha Nossa Senhora? Terão desconfiado porque tirei a porca do lugar? Deve ter sido isso, desconfiaram e começaram a rondar para furtá-la! É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos, assim ninguém lhe dará importância! Ou não? Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a para aqui, sob sua proteção? Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças! É melhor trazê-la. Com a capa, porque alguém pode aparecer. Santo Antônio, faça com que não apareça ninguém! Não deixe ninguém entrar aqui. Vou buscar minha porquinha, mas não quero ninguém aqui.

SUASSUNA Ariano. O santo e a porca. 30a ed. José Olympio. RJ 2015, pp.97 e 98.

10. Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto.

I.Na peça, Ariano Suassuna procura passar uma visão satirizada entre o sagrado e o profano na cultura do sertanejo nordestino.

II. Da leitura da peça, percebe-se que no momento em que Caroba esconde o dinheiro dentro de um santo de pau-oco – Santo Antônio, Ariano Suassuna traz uma visão acerca da história do Brasil, de como procediam os traficantes de ouro, durante o auge da mineração.

III. A peça encerra com um final feliz de todas as personagens com seus pares, exceto o protagonista, Euricão, que acaba sozinho, fazendo uma reflexão sobre o significado da existência.

IV. A leitura da peça leva o leitor a inferir que, embora seja uma obra do período Modernista, o fato de a personagem Euricão viver a dualidade entre o divino e o material, há uma referência à estética barroca, pois alude ao homem sempre dividido entre o mundo espiritual e o material.

V. A obra reflete a carência do sertão nordestino quando a personagem Euricão depara-se pobre, pois o dinheiro, agora sem valor algum, fora guardado na porca devido à inexistência de alguma agência bancária ou instituição financeira, na região.

(UDESC) Assinale a alternativa correta.

a)Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

11. (UDESC) Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto.

I.Da leitura da oração “Que terá havido, minha Nossa Senhora?” , deduz-se que Euricão duvida da proteção da Santa à porca, pois seu santo de devoção era apenas Santo Antônio.

II. A leitura do texto leva o leitor a inferir que a repetição das expressões “Ai” e “ai” denota a excessiva frequência que Euricão apelava a tudo para manter segura a porca – seu tesouro

III. Quanto à colocação pronominal na oração “assim ninguém lhe dará importância” a próclise é justificada pela presença do pronome indefinido; assim a próclise também deveria ocorrer em “ou trago-a para aqui” , pois a palavra que antecede o verbo também é atrativa.

IV. A expressão “Pega o ladrão” está entre aspas para justificar a fala das personagens que queriam parodiar Euricão.

V. Na oração “Não deixe ninguém entrar aqui” as palavras destacadas são, quanto à morfossintaxe, advérbio/adjunto adverbial; pronome/sujeito e advérbio/adjunto adverbial, sequencialmente. Assinale a alternativa correta.

a)Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas II e V são verdadeiras.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

12.Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto , e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

( ) No sintagma “Vou buscar minha porquinha, mas não quero ninguém aqui” tem-se período composto por coordenação – uma oração assindética e outra sindética adversativa, e ambas têm sujeito simples desinencial.

( ) No período “É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos” (linha 6) o acento indicador da crase é justificado por ser a expressão destacada uma locução prepositiva, formada por palavra feminina.

( ) No sintagma verbal “Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças” (linha 8) a palavra destacada pode ser excluída sem que ocorra alteração de sentido no período, pois é uma partícula expletiva.

( ) Da leitura do período “Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a para aqui, sob sua proteção” (linhas 7 e 8), infere-se uma pseudo imagem de Euricão, pois o seu sentimento religioso é tragado pela idolatria ao dinheiro.

( ) A leitura do período “Terão desconfiado porque tirei a porca do lugar” (linhas 4 e 5) leva o leitor a inferir que a personagem principal, Euricão, vivia constantemente trocando a porca de lugar por insegurança, por não conseguir confiar nas pessoas que conviviam com ele. Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo.

a)V – V – V – F – V

b) V – F – V – V – V

c) V – V – V – V – V

d) V – F – V – V – F

e) F – V – F – V – F

13. (UNP) Leia as afirmações abaixo sobre a peça O santo e a porca, de Ariano Suassuna, e escolha a alternativa correta.

I – A peça é um retrato sem retoques do político nordestino durante o período do coronelismo, cuja representação é a personagem de Eudoro.

II – A peça tem como tema central a avareza, que é representada pela personagem de Euricão e a forma como cuida dos seus bens.

III – Por meio de personagens típicos do sertão nordestino, a peça discute temas universais, como o amor e o dinheiro.

IV – Por meio de personagens típicos do sertão nordestino, a peça é uma adaptação das tragédias gregas de Aristófanes.

a) Estão corretas as afirmações I, II e III.

b) Estão corretas as afirmações I e III.

c) Estão corretas as afirmações I e II.

d) Estão corretas as afirmações II e III

14. (UNEMAT) “Ladrões, ladrões! Será que me roubaram? É preciso ver, é preciso vigiar! Vivem de olho no meu dinheiro, Santo Antônio! Dinheiro conseguido duramente, dinheiro que juntei com os maiores sacrifícios…!” Esta é uma passagem de O Santo e a Porca, uma obra de Ariano Suassuna, publicada em 1957. Com base na leitura de O Santo e a Porca, assinale os itens a seguir como verdadeiros (V) ou falsos (F).

1. Trata-se de um romance que relata o dia-a-dia de uma família simples do Nordeste brasileiro.

2. O referido texto é de caráter cômico e está centrado na questão da avareza apresentada por um de seus personagens, o Euricão.

3. Através dessa peça de teatro, Ariano Suassuna apresenta questões pertinentes à sociedade e à dramaturgia brasileira ao colocar em cena um personagem que, apesar de avaro, valoriza sua família colocando-a acima de qualquer valor material.

4.Todo sentido da vida de Euricão está centrado na porca de madeira e ele é ameaçado de perdê-la através de um acontecimento inesperado: o casamento da filha.

RESPOOSTA: FVFV

15.(UFCG) Sobre as personagens Caroba, de O Santo e a Porca, e Maria Moura, de O Memorial de Maria Moura, coloque V ou F, conforme sejam Verdadeiras ou Falsas as proposições abaixo.

I.Caroba e Maria Moura, embora vivam em condições sociais semelhantes, agem de maneira diferente. A primeira é submissa, fiel e apaixonada, de modo que realiza todas as vontades do namorado sem questioná-lo. A segunda representa a figura da mulher guerreira, forte e descrente em relação ao amor.

II) Caroba é uma mulher apegada ao dinheiro que inventa histórias fabulosas recheadas de mentiras no intuito de conseguir vantagens financeiras. Ela representa uma personagem-tipo da literatura, que tem como traço principal a avareza, característica sobre a qual se sustenta toda a ação da peça.

III) Maria Moura é uma mulher forte, que exerceu influência no seu meio social, adquirindo poder e fortuna. Sua palavra era lei, numa terra sem lei, onde imperava o poder do mais forte. Para se defender e ser respeitada, travestiu-se de homem.

IV) Caroba aproxima-se da figura do anti-herói popular, conseguindo, por meio da esperteza, sobressair-se de situações adversas, ao modo de personagens como João Grilo e Pedro Malasartes. São verdadeiras as afirmações:

a) I e II.

b) II e III.

c) I e IV.

d) II e IV.

e) III e IV.

16. (UFCG)Com base no enredo de O santo e a porca, assinale a alternativa CORRETA.

a) Margarida – filha de Euricão – embora inicialmente se deixe ludibriar pelo jogo de interesse de Caroba, Pinhão e de Dodó, percebe, por fim, que o objetivo de todos é roubar o seu pai, atitude com a qual não concorda.

b) A complicação tem início, na trama com o envio da carta escrita por Eudoro Vicente a Eurico Árabe, na qual o primeiro informa que fará uma visita para pedir o bem mais precioso de Euricão, que fica apreensivo, pois imagina que lhe pedirá dinheiro emprestado.

c) Caroba e Pinhão são amantes e trabalham para o avarento Euricão Árabe, que explora os empregados a fim de acumular cada vez mais riquezas e deixa para a filha, que se sujeita a todos os caprichos do pai.

d) A história encerra-se com o casamento de Margarida com o rico fazendeiro Eudoro Vicente, após ela e o pai descobrirem que o dinheiro depositado na porca de madeira, por ter sido guardado por muito tempo, havia perdido o valor.

e) O personagem Dodô, filho de Eudoro Vicente, embora demonstre afeição pelos empregados Caroba e Pinhão, revoltado com a trama de Caroba para aproximar Margarida de Eudoro, delata a Euricão o plano dos criados de roubar a porca recheada de dinheiro.

O Pagador de Promessas

PAGADOR

(UNEB B(A)

MINHA TIA Caruru de Santa Bárbara. Antigamente a gente fazia isso e era de graça. Hoje, com a vida do jeito que está, a gente tem mesmo é que cobrar.

GALEGO (Atravessa a praça com um prato de sanduíches na mão e vai a Zé-do-Burro) Pero vo no cobro nada. (Oferece) Oferta da casa.

Pra mim?

GALEGO

Si, para usted. Cachorro-quente. Después trarê um cafezito.

Não, obrigado.

GALEGO

Pode aceitar sin constrangimento. E podemos até hacer um negócio. Se usted promete no arredar pé de cá, yo me comprometo a fornecer comida e bebida gratuitamente para los dos.

Não, não tenho fome.

 GALEGO

(Muito preocupado) Pero, asi usted no poderá resistir!

Não importa.

GALEGO

(Oferece a Rosa) A senhora não quer?…

ROSA

Não estou com vontade.

GALEGO

(Encolhe os ombros, conformado) Bien… (Volta à venda)

SECRETA

(Para o Galego) Uma meladinha.

Galego

serve a cachaça com mel. (Notando a apreensão de Rosa) Que há?

ROSA

 Ele não é nosso amigo.

E que tem isso?

ROSA

Ouvi dizer que é da polícia.

Não sou nenhum criminoso, não fiz mal a ninguém.

GOMES, Alfredo Dias. O pagador de promessas. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p. 83-85.

1.O fragmento, no contexto da obra, permite considerar correta a alternativa:

a) Zé-do-Burro, envolvido totalmente com o objetivo de cumprir a promessa, mantém-se alheio ao comportamento transgressor de Rosa.

b) Rosa resiste ao assédio de Bonitão motivada pelo desejo de persuadir Zé-do-Burro da urgência de voltar para a roça.

c) Minha Tia, ao cobrar pelo caruru de Santa Bárbara, evidencia a sua descrença nos valores religiosos do candomblé.

d) Rosa revela consciência do risco que representa a persistência de Zé de contrapor-se à autoridade constituída.

d) Galego, num gesto desinteressado, mostra o quanto está solidário com Zé-do-Burro.

2.(CEFET-PR) Leia atentamente as afirmações abaixo sobre O Pagador de Promessas e assinale a verdadeira:
a) Zé-do-Burro e sua esposa, Rosa, mantêm um relacionamento amoroso conflituoso devido a ele ser um revolucionário do campo e ela, uma beata devota.
b) O Secreta, o Delegado e o Guarda demonstram a nova face da polícia, após a ditadura de Vargas, preocupada com os direitos humanos.
c) Minha Tia e Mestre Coca são representantes do povo, católicos ardorosos, que se revoltam com as heresias cometidas por Marli e Zé-do-Burro.
d) Bonitão e Marli são o exemplo de um relacionamento moderno, em que homem e mulher usufruem dos mesmos direitos.
e) O Monsenhor e Padre Olavo representam a rigidez de princípios teóricos da doutrina católica diante de situações práticas inusitadas.

3.Em O pagador de promessas, Dias Gomes

a) propõe um ataque à Igreja católica, o que evidencia o caráter subversivo da obra.

b) instiga a polícia, causadora de tragédias populares no Brasil.

c) investe contra a ignorância do povo, fato que conduz Zé à morte.

d) ilustra a voluptuosidade das mulheres do interior ao demonstrar os interesses de Rosa em Bonitão.

e) demonstra, de modo hiperbólico, a relação brasileira com a fé

4.(UTFPR) Em O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, “ABC da Mulata Esmeralda” de Dedé Cospe-Rima que conta a história dessa mulher, “desde o nascimento, no Beco das Inocências, até a morte, por trinta facadas, na Rua da Perdição”, é de certa forma um prenúncio da própria história narrada na peça, pois:
I) a mulher de Zé-do-Burro é morta com trinta facadas quando se aproxima da roda de capoeiristas.
II) a trajetória dos personagens Zé-do-Burro e Rosa segue o mesmo caminho, da inocência à perdição.
III) Zé-do-Burro, trinta anos presumíveis, acaba morto na “rua da perdição” de sua mulher, que o traiu.
Está(ão) correta(s) somente:
a) I.
b) II.
c) III.
d) II e III.
e) I e II.

5.A linguagem de O pagador de promessas, Dias Gomes, é …, à medida em que …, numa abordagem legitimamente …

a) coloquial – apresenta variedades linguísticas – oral

b) estilizada – linguagem inventiva – formal

c) padrão – respeita a norma culta – formal

d) despojada – respeita as diferenças regionais – estilizada

e) beletrista – investe em tratamento artístico – moderna

6.(PUC-SP)Leia o seguinte fragmento de uma rubrica retirada de O pagador de promessas, peça de Dias Gomes. Ela tem, na realidade, vinte e oito anos, mas aparenta mais dez. Pinta-se com exagero, mas mesmo assim não consegue esconder a tez amarelo-esverdeada. Possui alguns traços de uma beleza doentia, uma beleza triste e suicida. Usa um vestido muito curto e decotado, já um tanto gasto e fora de moda, mas ainda de bom efeito visual. Seus gestos e atitudes refletem o conflito da mulher que quer libertar-se de uma tirania que, no entanto, é necessária ao seu equilíbrio psíquico (…). (GOMES, Dias. O pagador de promessas. 56 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011, p.27.)

Esse excerto diz respeito à seguinte personagem:

a)Marli.

b) Rosa.

c) Minha Tia.

d) Uma prostituta não nominada.

e) Uma figurante não identificada.

7.O pagador de promessas, Dias Gomes, pode ser entendido como

a) uma tragédia rural brasileira à medida que as questões agrárias ficam em segundo plano.

b) uma tragédia popular brasileira, salientada pelas más-intenções das autoridades policiais.

c) uma trama de caráter burlesco, cujo final, absurdo, ilustra a ignorância popular.

d) um retrato da fratura social brasileira, num conflito que demonstra a incompreensão de diferentes partes.

e) um rito de passagem de Zé para a verdadeira religião, simbolizado por sua imagem na cruz.

8. (UTFPR) Em O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, o personagem central, Zé-do-Burro, é casado com uma mulher que, segundo a rubrica da peça, “parece pouco ter de comum com ele. (…) Ao contrário do marido, tem “sangue quente”. “Demonstração do “sangue quente” da esposa se dá quando ela:
a) enfrenta a vendedora de Beiju devido aos ciúmes que sente do relacionamento desta com o marido.
b) bate na prostituta, até matá-la, pela traição em roubar-lhe o amante, Bonitão.
c) cansada do descaso de Zé-do-Burro, quebra a cruz, impossibilitando-o de cumprir sua promessa.
d) sem resistir, seduzida por Bonitão, entrega-se ao sensual cafetão traindo o marido.
e) delata o marido para o Secreta a fim de vingar-se da traição de Zé-do- Burro com Iansan.

9.A ironia é fator importante na peça O pagador de promessas, de Dias Gomes. Considere as seguintes afirmações sobre o uso desse recurso no texto:

I. A ironia pode ser vista no fato de Zé carregar uma cruz, trabalho braçal duro, por um burro.

II. Elemento de ironia curioso é o fato de a fé se Zé do Burro “vencer” até mesmo a divindade, sobretudo quando ele mesmo diz que Santa Bárbara o abandonou.

III. Irônico também é o diálogo entre Zé e Bonitão, uma vez que Zé entrega com confiança a mulher ao gigolô. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

10. (PAES) Leia o fragmento da obra O pagador de promessas, de Dias Gomes:

PADRE
Que ninguém agora nos acuse de intolerantes. E que todos se lembrem das palavras de Jesus: “Porque surgirão falsos Cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam a muitos” (GOMES, 2008, p. 128).

Sobre a obra O pagador de promessas, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO
A) A inserção da capoeira, no terceiro ato, intensifica o ritmo e a tensão narrativos.
B) O desfecho da narrativa possibilita a aproximação de Zé-do-burro ao Cristo crucificado.
C) O caráter polifônico da obra é evidenciado, entre outras coisas, nas expressões do personagem Galego.
D) Zé-do-burro é a personificação de um falso profeta que tenta enganar os fiéis católicos.

11. (UTFPR) Leia atentamente os excertos de rubricas retirados da peça O Pagador de Promessas, de Dias Gomes.
I) “É uma bela mulher, embora seus traços sejam um tanto grosseiros, tal como suas maneiras. (…) É agressiva em seu “sexy”, revelando, logo à primeira vista, uma insatisfação sexual e uma ânsia recalcada de romper com o ambiente em que se sente sufocar. Veste-se como uma provinciana que vem à cidade, mas também como uma mulher que não deseja ocultar os encantos que possui”.
II) “Ela tem, na realidade, vinte e oito anos, mas aparenta mais dez. Pinta-se com exagero, mas mesmo assim não consegue esconder a tez amarelo-esverdeada. Possui alguns traços de uma beleza doentia, uma beleza triste e suicida. Usa um vestido muito curto e decotado, já um tanto gasto e fora de moda, mas ainda de bom efeito visual. Seus gestos e atitudes refletem o conflito da mulher que quer libertar-se de uma tirania que, no entanto, é necessária ao seu equilíbrio psíquico…”.
Em relação às assertivas I e II é correto afirmar que:
a) em I e II tem-se a descrição da mesma mulher, Rosa, amante de Bonitão, o malandro cafetão.
b) em I tem-se a descrição de Rosa, mulher do personagem principal de O pagador de promessas.
c) em II tem-se a descrição de Rosa, amante de Bonitão, o malandro cafetão.
d) em II tem-se a descrição de Marli, mulher do personagem principal de O pagador de promessas.
e) em I e II tem-se a descrição da mesma mulher, Marli, mulher do personagem principal, Zé-do-Burro.

12.Na peça O pagador de promessas, Dias Gomes

I. expõe um drama em que um homem de vida rural, depois de ter repartido as terras, carrega uma cruz até Salvador.

II. aborda a burocracia da Igreja, que só admite da entrada da cruz depois que Zé renegar sua fé em Insã.

III. demonstra a rivalidade religiosa dos populares que, devotos do candomblé, desejam invadir a igreja. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

13. (UTFPR) Na obra O Pagador de Promessas, circulam pela praça, onde se passa a história, diversos personagens que retratam diferentes questões. Estabelecendo uma correlação entre personagens e temas, teremos:
I) Zé-do-Burro e a fé; Padre Olavo e a intransigência
II) Bonitão e o amor; Rosa e a traição
III) Galego e a ambição; Mestre Coca e o sentimento de coletividade
IV) Repórter e a vaidade; Marli e a pureza
Estão corretas somente as assertivas:
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) II e III.
e) II e IV.

14. (UFPR) Considere as seguintes afirmações sobre a obra “O pagador de promessas”, de Dias Gomes:
1. A Igreja, representada no plano mais imediato por Padre Olavo, revela-se incapaz de dialogar compreensivelmente com a tosca realidade do camponês nordestino.
2. “O pagador de promessas” traz à luz os muitos interesses escusos com os quais se corrompe e desvirtua a ação da imprensa na cidade onde transcorre a ação da peça.
3. Manipulado, enganado e despojado de seus direitos, Zé-do-Burro compõe-se, aos olhos do espectador, como vítima da opressão que pesa sobre o povo brasileiro mais desamparado.
4. A peça foi escrita e representada pela primeira vez em momento histórico no qual vicejavam ações políticas que refletiam um profundo ideal de transformação social na América Latina.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.

15. (UFPR) Qual das alternativas contém informações determinantes para o desfecho trágico de O pagador de promessas, de Dias Gomes?

a) A traição de Rosa, seduzida por Bonitão, enfraqueceu a convicção do protagonista quanto ao pagamento de sua promessa.

b) O Padre recusou-se a abrir a porta da igreja porque a promessa de Zé-do-Burro beneficiou um animal, e não um ser humano.

c) A divulgação dos feitos de Zé-do-Burro pela imprensa impediu que seu ato fervoroso assumisse conotação política.

d) Apesar de sentir que Santa Bárbara o abandonara, Zé-do-Burro não teve suas convicções abaladas pela intolerância religiosa nem pela ameaça a sua integridade física.

e) Por não aceitar a correspondência entre uma santa católica (Santa Bárbara) e uma divindade de religião afro-brasileira (Iansan), Zé-do-Burro recusou a sugestão de Minha Tia, de levar sua cruz até um terreiro de candomblé.

16. Quanto ao personagem Zé do Burro, de O pagador de promessas, de Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I.O motivo de sua promessa é a vida e a saúde de um burro, Nicolau, ferido numa tempestade.

II. O sincretismo religioso de Zé fica evidente pelo fato de ele ter feito promessa a Santa Bárbara diante de uma imagem de Insã.

III. A fé de Zé é elevada ao primeiro plano, tanto que o caso de sua mulher com Bonitão seria resolvido depois que pagasse sua promessa.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

17. (UFPR) Com base na leitura de O pagador de promessas, identifique a única alternativa que não corresponde ao texto.

a) O texto é dividido em atos e quadros.

b) Os diálogos entre as personagens são fundamentais para se compreender a evolução da ação.

c) Características físicas das personagens são especificadas em rubricas.

d) A temática do texto está voltada a dificuldades de um homem do interior em confronto com códigos culturais urbanos.

e) O narrador domina a cena final, apresentando a ação das personagens em discurso indireto.

 18. (UEL) Sobre o motivo da jornada da personagem Zé-do-Burro até Salvador, no livro O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, assinale a alternativa correta.

a) Pagamento de promessa pela conquista de suas terras.

b) Pagamento de promessa pela recuperação de Rosa.

c) Pagamento de promessa pelo restabelecimento do burro.

d) Pretexto para fazer campanha a favor da reforma agrária.

e) Pretexto para protestar contra a ditadura.

19. (UEL) Sobre as personagens de O Pagador de Promessas, assinale a alternativa correta.

a) Galego e Bonitão são artistas populares nordestinos.

b) Minha Tia e os capoeiristas são católicos praticantes do candomblé.

c) O repórter e o fotógrafo são policiais disfarçados que manipulam Zé-do-Burro.

d) O padre e a beata ilustram a intolerância religiosa.

e) Rosa e Marli representam o movimento de liberação feminina dos anos 1990.

20. Considere a tabela abaixo, relacionando os papéis de determinados segmentos da sociedade, com o mecanismo de O pagador de promessas, Dias Gomes.

1. imprensa – estabelece o papel de deturpação dos reais motivos de Zé, transformando fé até mesmo em motivos políticos.

2. religiosos – preocupados com a ordem social, os religiosos apenas protegem a imagem dogmática da Igreja.

3. Galego – dono de bar, o estrangeiro tem com única preocupação auxiliar Zé do Burro a cumprir sua promessa.

4. polícia – sem compreender a situação, a polícia, chamada por Bonitão, não só não controla a situação como é responsável pelo erro trágico do desfecho da peça. Quais relações estão corretas?

a) Apenas 1.

b) 1 e 2.

c) 2 e 3.

d) 1 e 4

e) 1, 3 e 4.

21. (UEL) Com base em O Pagador de Promessas, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o parecer crítico que analisa a obra.

a) “A mola propulsora da peça – o autor deixou bem claro – é a espinafração.”

b) “Nunca um escritor nacional se preocupou tanto em investigar sem lentes embelezadoras a realidade, mostrando-a ao público na crueza de matéria bruta.”

c) “Sério exercício de introspecção, o texto se passa em uma viagem de volta ao interior, ao encontro do pai distante.”

d) “O espectador que desejar a diversão desabrida da farsa encontrará na peça um motivo inesgotável de comicidade.”

e) “Essa intolerância erige-se, na peça, em símbolo da tirania de qualquer sistema organizado contra o indivíduo desprotegido e só.”

 22.Quanto à personagem Rosa, O pagador de promessas, Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I.Rosa compartilha da mesma fé do marido – prova disso é a espontaneidade como o acompanha na promessa.

II. A cidade aparece como algo estranho na vida de Rosa, a começar pela discussão que observa entre Bonitão e Marli.

III. O envolvimento de Rosa e Bonitão ilustra bem o caráter de corrupção da cidade em relação ao modo de vida simples de Rosa e a ingenuidade de Zé. Quais estão corretas? a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

23. (UEL) Sobre o intertexto bíblico presente em O Pagador de Promessas, considere as frases a seguir.

I.“Mas eu conheço seus adeptos! Mesmo quando se disfarçam sob a pele do cordeiro!”

II. “Por que então repete a Divina Paixão? Para salvar a humanidade?”

III. “Uma epopeia. Uma nova Ilíada, onde Troia é a Lua e o cavalo de Troia é o cavalo de São Jorge!”

IV.“É até bom demais. Nunca fez mal a ninguém, nem mesmo a um passarinho.” Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, frases com intertexto bíblico.

a) Somente as frases I e II.

b) Somente as frases I e IV.

c) Somente as frases III e IV.

d) Somente as frases I, II e III.

e) Somente as frases II, III e IV.

24. Quanto a O pagador de promessas, Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I. A Igreja é vista como burocrática e incapaz de compreender o modo de vida dos fiéis. II. A imprensa é ilustrada como instituição oportunista, embora se revele o desejo claro de fidelidade documental.

III. A violência final que se instaura demonstra a incapacidade das autoridades de entender o fenômeno que ali ocorria. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

25. (UFPR ) Leia o trecho abaixo de “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, que narra o que acontece imediatamente depois da morte de Zé do Burro:

DELEGADO (para o Secreta): Vamos buscar reforço.

(Sai, seguido do Secreta e do Guarda)

O Padre desce os degraus da igreja, em direção ao corpo de Zé do Burro.

ROSA (com rancor): Não chegue perto!

PADRE: Queria encomendar a alma dele…

ROSA: Encomendar a quem? Ao Demônio?

Considerando tanto o trecho acima quanto a totalidade da obra, considere as seguintes afirmativas:

I. O Delegado, o Secreta e o Guarda saem com a desculpa de buscar reforço, mas na verdade fogem, porque percebem que a morte de Zé do Burro foi um erro e que a justiça irá cobrar explicações deles.

II. Rosa, apesar da raiva que sente de Zé do Burro no início da peça, do constrangimento público que a situação deles representa e de se ter entregado a Bonitão, termina sentindo que são mais fortes do que antes os laços que a ligavam ao marido.

III. A reação do Padre não tem traços de caridade cristã e se dá por puro medo, já que se sente ameaçado pelo fato de todo o povo que se juntou na praça estar contra a proibição da entrada de Zé do Burro na igreja.

IV. O responsável por toda a tragédia é, no fundo, o próprio Zé do Burro, vítima da ignorância e da pobreza que geram o fanatismo religioso católico característico do Nordeste brasileiro. Assinale a alternativa CORRETA.

A) Somente a afirmativa II é verdadeira.

B) Somente a afirmativa III é verdadeira.

C) Somente a afirmativa IV é verdadeira.

D) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.

E) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras.

Zé do Burro, de faca em punho, recua em direção à igreja. Sobe um ou dois degraus, de costas. O Padre vem por trás e dá uma pancada em seu braço, fazendo com que a faca vá cair no meio da praça. Zé do Burro corre e abaixa-se para apanhá-la. Os policiais aproveitam e caem sobre ele, para subjugá-lo. E os capoeiras caem sobre os policiais para defendê-lo. Zé do Burro desapareceu na onda humana. Ouve-se um tiro. A multidão se dispersa como num estouro de boiada. Fica apenas Zé do Burro no meio da praça, com as mãos sobre o ventre. Ele dá ainda um passo em direção à igreja e cai morto.

ROSA (Num grito)

Zé! (Corre para ele)

PADRE (Num começo de reconhecimento de culpa) Virgem Santíssima!

DELEGADO (Para o Secreta) Vamos buscar reforço. (Sai, seguido do Secreta e do Guarda). O Padre desce os degraus da igreja, em direção do corpo de Zé do Burro.

ROSA (Com rancor) Não chegue perto!

 PADRE Queria encomendar a alma dele…

ROSA Encomendar a quem? Ao Demônio?

         O Padre baixa a cabeça e volta ao alto da escada. Bonitão surge na ladeira. Mestre Coca consulta os companheiros com o olhar. Todos compreendem a sua intenção e respondem afirmativamente com a cabeça. Mestre Coca inclina-se diante de Zé do Burro, segura-o pelos braços, os outros capoeiras se aproximam também e ajudam a carregar o corpo. Colocam-no sobre a cruz, de costas, com os braços estendidos, como um crucificado. Carregam-no assim, como numa padiola e avançam para a igreja. Bonitão segura Rosa por um braço, tentando levá-la dali. Mas Rosa o repele com um safanão e segue os capoeiras. Bonitão dá de ombros e sobe a ladeira. Intimidados, o Padre e o Sacristão recuam, a Beata foge e os capoeiras entram na igreja com a cruz, sobre ela o corpo de Zé do Burro. O Galego, Dedé e Rosa fecham o cortejo. Só Minha Tia permanece em cena. Quando uma trovoada tremenda desaba sobre a praça. MINHA TIA (Encolhe-se toda, amedrontada, toca com as pontas dos dedos o chão e a testa) Êparrei minha mãe! E O PANO CAI LENTAMENTE. DIAS GOMES, Alfredo de Freitas. O pagador de promessas. Disponível em: . Acesso em: 26 jul. 2016

Zé do Burro, protagonista de O pagador de promessas, havia feito uma promessa a Santa Bárbara, que lhe concedera a graça de salvar seu burro muito querido da morte. Assim, começa sua “via crucis” no primeiro ato da peça, que culmina, no terceiro e último, com um desfecho trágico.

26. O fragmento, inserido na obra, permite considerar correto afirmar que essa peça teatral evidencia que a

I. intolerância de um padre ao impedir Zé do Burro de entrar com sua cruz na igreja, a fim de cumprir sua promessa, não foi a verdadeira causa de todos os conflitos postos em tela.

II. explosão de raiva da personagem central é inaceitável diante da demonstração de fé que a movera até aquele local, longe de sua moradia, carregando um enorme e pesado madeiro sobre os ombros.

III. obstinação de um homem simples em cumprir o que havia prometido resultou não só no enfrentamento da burocracia que é imposta pela organização interior do sistema religioso católico, mas também no de outros impasses.

IV. lei, representada pela polícia, revela a incompetência das autoridades em resolver situações comuns, deixando claro, ainda, o perigo de se defender as próprias ideias num mundo onde o respeito aos semelhantes parece inexistir.

V. personagem que protagoniza a cena, para quem cumprir a promessa feita era uma questão de vida ou de morte, após o seu fim trágico, teve sua missão levada a cabo, embora de modo imprevisto, pelos que deram valor à sua crença. A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

a) I e V.

b) I, III e IV.

c) II e III.

d) III, IV e V.

e) I, II e V.

27. (FMP) Considere as seguintes afirmações sobre O Pagador de Promessas, de Dias Gomes.

IEnvolvido em uma rede de intrigas, Zé do Burro acaba não cumprindo sua palavra, deixa de pagar sua promessa à Santa Bárbara e retorna ao interior da Bahia.

II. O Pagador de Promessas é uma tragédia de cunho popular, cujo principal confronto se dá quando do cruzamento de diferentes interesses, sobretudo do mundo popular interiorano com o da grande cidade.

III. Rosa, mulher de Zé do Burro, é a única pessoa fiel ao pagador de promessas, pois não o abandona até o fim de seu martírio. Qual(is) está(ao) correta(s)?

a) Apenas a I.

b) Apenas a II.

c) Apenas a III.

d) Apenas a I e a II.

e) A I, a II e a II

Agosto

AGOSTO

1.(UFLA) Considerando a construção do texto de Rubem Fonseca, na obra Agosto, verifica-se que a linguagem é:
a) distinta, assim como a técnica narrativa, conferindo maior verossimilhança aos relatos.
b) satírica e paródica, uma vez que a obra foi elaborada em contraposição à tradição literária.
c) sobretudo agressiva, já que a relação entre os personagens é apresentada como uma relação de forças.
d) muitas vezes figurada, e suas imagens resultam freqüentemente de analogias com o mundo idealizado, fantasioso.
e) marcada por expressões grosseiras, rudes, provenientes do vocabulário relacionado à esfera política e ao sensacionalismo jornalístico.

2. (Ufop-MG) Agosto, de Rubem Fonseca, pode ser caracterizado claramente como:

a)um romance histórico.

b) um romance policial.

c) uma narrativa de aventuras e suspense.

d) uma narrativa satírica.

e) essa caracterização não é possível, uma vez que o romance mistura elementos dos gêneros policial e histórico.

3. O detetive Matos, em seu trabalho de investigação policial, toma conhecimento de episódios políticos que tiveram desfecho com a morte de um Presidente da República.
Essa afirmativa se refere a
a) O VAMPIRO DE CURITIBA, de Dalton Trevisan.
b) CICLO DAS ÁGUAS, de Moacyr Scliar.
c) AS VIRTUDES DA CASA, de Luís Antonio de Assis Brasil.
d) BANDOLEIROS, de João Gilberto Noll.
e) AGOSTO, de Rubem Fonseca.

Os jornais da manhã noticiavam em grandes manchetes o atentado. Os estudantes haviam entrado em uma greve de “protesto contra o banditismo. Nossa alma está coberta de opróbrio. Uma cova se abriu e o povo não esquecerá”. A repercussão do atentado no Congresso fora enorme. As galerias da Câmara dos Deputados e do Senado estavam lotadas quando foram abertos os trabalhos nas duas casas do Legislativo. Conforme os congressistas da oposição, “corria sangue nas ruas da capital e não havia mais tranquilidade nos lares”. Representantes de todos os partidos políticos haviam feito discursos condenando o atentado. O deputado Armando Falcão apresentara um projeto de amparo à viúva do major Vaz. Respondendo às afirmativas de Lacerda, publicadas nos jornais, de que as “fontes do crime estão no Palácio do Catete, Lutero Vargas é um dos mandantes do crime”, o líder do governo na Câmara, deputado Gustavo Capanema, ocupara a tribuna para classificar de infundadas as acusações ao filho do presidente da República. A multidão que ocupava as galerias vaiara Capanema estrepitosamente. FONSECA, Rubem. Agosto. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 74
Com base na variedade padrão escrita da língua portuguesa, na leitura do texto do livro Agosto, de Rubem Fonseca, publicado pela primeira vez em 1990, e no contexto histórico ao qual a obra remete, é CORRETO afirmar que:

01.Rubem Fonseca faz um trabalho de recriação ficcional de personagens históricas. São de sua autoria os pseudônimos “Anjo Negro” e “Corvo”, empregados para designar, respectivamente, Gregório Fortunato e Lacerda.

02. na obra, a polêmica influência de Lacerda sobre a população fica evidente em termos e expressões tais quais “lacerdismo” ou “lacerdistas doentes”, que se referem, respectivamente, às atitudes de quem apoiava Lacerda e aos adeptos de Lacerda que contraíram problemas de saúde após os protestos contra o governo.

04. o narrador que mais ganha voz em Agosto é Getúlio Vargas, tendo em vista que o ex-presidente é a personagem central da trama de Rubem Fonseca.

08. Agosto é uma obra composta por uma sucessão de narrativas curtas que se desenrolam em núcleos distintos. Tais narrações tanto se desenvolvem paralelamente no tempo e no espaço quanto dão lugar a digressões e avanços

16. Mattos, o comissário responsável pelo suposto atentado a Lacerda, incorpora o investigador de romance policial por excelência. Rubem Fonseca destaca-se nesse gênero com textos nos quais são recorrentes as investigações policiais, os crimes e a brutalidade das personagens.

32. os verbos “apresentara” (linha 07), “ocupara” (linha 10) e “vaiara” (linha 11) têm como variantes as formas compostas pelos verbos auxiliares ter e haver. Assim, sem que houvesse mudança de sentido, poderíamos substituí-los por tinha/havia apresentado, tinha/havia ocupado e tinha/havia vaiado.

64. considerando o sentido da palavra “opróbrio” (linha 02), ela está empregada adequadamente na frase: “Nas ruas, as multidões comemoravam mais uma vitória repletas de opróbrio.”

RESPOSTA: 08 + 32 = 40

 

 

A Moratória

MORATORIA

1. (UNICENTRO) Estão presentes em A Moratória, de Jorge Andrade, EXCETO
A) o patriarcalismo.
B) a nostalgia de um mundo extinto.
C) a preocupação com as aparências.
D) a valorização da sociedade industrial.
E) a condição de inferioridade da mulher.

2. (UFPR) Sábato Magaldi, importante crítico teatral brasileiro, afirma a respeito de “A moratória”:
Situando a peça em dois planos e a ação nos anos de 1929 e 1932, Jorge Andrade quis deixar bem marcada a queda irremediável da aristocracia rural. Há ironia e quase sadismo na repetição do jogo de esperança e desespero, até que o pano baixe sobre um silêncio mortal. Apenas 1929 seria o retrato da crise, da perda da fazenda com o aviltamento do preço do café. Mas um grupo não morre de uma vez, a não ser pela revolução, e “A moratória” compraz-se em consignar os estertores, a última tentativa de sobrevivência. Procura-se alegar, judicialmente, a nulidade do processo de praceamento, mas uma sutileza jurídica, arbitrária quase na indiferença com que atua, torna vão o esforço. 1932 encerra em definitivo uma fase da vida nacional e “A moratória” sela, na literatura, o processo de decomposição.
(“Panorama do teatro brasileiro”. SNT; DAC/FUNARTE; MEC, [s. d.]. p. 213.)
Pensando nas palavras do crítico, assinale a(s) alternativa(s) correta(s) a respeito de “A moratória”.
(01) O fundo histórico da peça são o crack da Bolsa de Nova Iorque e os problemas políticos que o Brasil vive na transição da República Velha para a República Nova.
(02) A fala de Joaquim, repetida diversas vezes durante a peça, “somos o que fomos”, representa seu orgulho e a certeza de que a realidade não alterará a trajetória da vida mantida até ali.
(04) Olímpio, namorado de Helena, só será aceito por Joaquim por ser advogado e, assim, ter meios para tentar reverter o processo de perda da fazenda.
(08) Joaquim e Lucília, durante o transcurso da peça, vivem processo psicológico idêntico: de personagens absolutamente duros, quase cruéis, tornam-se aos poucos mais dóceis, a ponto de acreditar que perder a fazenda foi uma lição de humildade que receberam.
(16) Alternando as falas do plano do presente e do plano do passado, a peça ganha intenso dinamismo dramatúrgico, ao mesmo tempo que marca as diferenças entre a riqueza do passado e a pobreza do presente a que está relegada uma família rural e aristocrática.
(32) Após a decadência, Helena, a esposa de Joaquim, Lucília e Marcelo, os filhos, trabalham duramente em profissões diversas para garantir o mínimo de dignidade à família falida.
RESPOSTA:01 + 02 + 16 = 19

3. (UFRN) A ação de A moratória situa-se em um momento histórico importante. Na peça, as profundas transformações por que passa a sociedade brasileira são representadas

a) pelo isolamento de Joaquim e pelo alcoolismo de Marcelo.

b) pela demissão de Marcelo do frigorífico e pela alienação de Helena.

c) pela proposta de casamento de Olímpio e pelo apego de Lucília à família.

d) pelo trabalho de Lucília e pela ida da família de Joaquim para a cidade.

4. (UFRN) Tendo em vista a composição das personagens, o autor de A moratória fornece a seguinte orientação:

 “(Olímpio e Lucília saem, abraçados, pela porta em arco. Ao mesmo tempo, Marcelo aparece à porta de seu quarto no Primeiro Plano e Helena, com uma bandeja de xícaras, à porta da cozinha no Segundo Plano. Helena volta-se e sai novamente. Marcelo encosta-se ao batente da porta, completamente atordoado.)” ANDRADE, Jorge. A moratória. Rio de Janeiro: Agir, 2003. p. 116.

Nessa orientação, o autor indica um traço psicológico que, ao longo da peça, caracteriza uma das personagens. O trecho em que isso se verifica é:

a) “Marcelo encosta-se ao batente da porta, completamente atordoado.”

b) “Ao mesmo tempo, Marcelo aparece à porta de seu quarto no Primeiro Plano e Helena, com uma bandeja de xícaras, à porta da cozinha no Segundo Plano.”

c) “Helena volta-se e sai novamente.

d) “Olímpio e Lucília saem, abraçados, pela porta em arco.”

5. (UNICENTRO) Sobre as personagens de A moratória, peça de Jorge Andrade que narra as transformações ocorridas na vida de uma família depois da perda de sua fazenda, é correto afirmar:

a) Joaquim é o chefe da família, que, depois de perder a fazenda, procura adaptar-se a um novo emprego na cidade e tenta convencer seus filhos de que não vale a pena lutar para recuperar a fazenda.

b) Lucília, filha de Joaquim, é a moça forte que, depois da perda da fazenda, sustenta a casa com pequenos trabalhos de costura; ao passo que Marcelo, seu irmão, não consegue se adaptar à nova situação e encontra refúgio na bebida.

c) Olímpio, noivo de Lucília, rompe o noivado depois da perda da fazenda, demonstrando que o que o motivava não era o amor, mas o interesse financeiro.

d) Sempre unidos e em perfeita harmonia, Joaquim e Marcelo, depois da perda da fazenda, montam um pequeno negócio na cidade, por meio do qual pretendem sustentar a família.

e) Marcelo, filho de Joaquim, é o rapaz que, depois da perda da fazenda, consegue um emprego na cidade e garante o sustento da família, enquanto Lucília, sua irmã, não consegue se adaptar à nova situação e vive deprimida, presa a um passado que não existe mais.

6. Jorge Andrade escreveu “A Moratória”, encenada em 1955 no Rio de Janeiro, cuja arquitetura dramática utiliza dois planos concomitantes – passado e presente –, além de
“diálogos construídos a partir de frases secas, cortantes, incisivas”. Segundo Sábato Magaldi, essas características evidenciam influências, entre outros, do dramaturgo:
a) Nelson Rodrigues
b) Ariano Suassuna
c) Oswald de Andrade
d) Gianfrancesco Guarnieri

7. De autoria de Jorge de Andrade, A moratória é considerada uma das grandes peças da dramaturgia brasileira. Qual o seu tema?
a) A falta de moral das classes dominantes
b) A crise cafeeira do final dos anos 20
c) A perseguição aos judeus do interior do Paraná
d) A queda da bolsa em 1929
e) Nenhuma das respostas anteriores

Carnavais, Malandros e Heróis

CARNAVAL

(UESB) Texto para as questões de 01 a 03

Numa esquina perigosa, conhecida por sua má sinalização e pelas batidas que lá ocorrem, há um acidente de automóvel. Como o motorista de um dos carros está visivelmente errado, o guarda a ele se dirige propondo abertamente esquecer o caso por uma boa propina. O homem fica indignado e, usando o “Você sabe com quem está falando?”, identifica-se como promotor público, prendendo o guarda.
Uma moça visita seu tio, um pescador. Enquanto falava com ele, passa um desconhecido e lhe dirige um gracejo muito pesado. Ouvindo o galanteador, o tio dá-lhe um soco, dizendo: “Você sabe com quem está falando? A moça é minha sobrinha!”
Num posto de atendimento público, alguém espera na fila. Antes do horário regulamentar para o término do expediente, verifica-se que o guichê está sendo fechado e o atendimento do público, suspenso.
Correndo para o responsável, essa pessoa ouve uma resposta insatisfatória, e fica sabendo que o expediente terminaria mais cedo por ordem do chefe. Manda chamar o chefe e, identificando-se como presidente do órgão em pauta, despede todo o grupo.
DAM ATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1990. p. 170-171.
1. Identifique as afirmativas verdadeiras.
Sobre os fatos narrados no texto, é correto afirmar:
I. O ocorrido apresentado no primeiro parágrafo evidencia comportamentos contraditórios dos personagens envolvidos.
II. A primeira e última ocorrência destacam que diferentes grupos humanos praticam relações interpessoais fundamentadas em posição de poder, fruto da condição social de cada um.
III. Os dois últimos acontecimentos são exemplos ilustrativos de negação das propaladas compreensão e cordialidade do brasileiro.
IV. As três situações configuram exemplos de relações sociais pautadas em leis que devem valer para todos.
V. Os três casos são representativos de relações interpessoais isentas de hierarquização de posições sociais.
As alternativas em que todas as afirmativas indicadas são verdadeiras é a
a) I e IV.
b) II e V.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) I, III, IV e V.

2. No segundo parágrafo, o agressor, ao revelar-se tio da “moça” para justificar a sua reação ao galanteio do desconhecido, mostra
a) um recurso legítimo e ponderado para resolver questões.
b) a pessoa que castiga do lado da lei, mantendo o sistema justo.
c) a visão cultural de “cada qual no seu lugar” como sendo uma mera fantasia.
d) a ideia de “consideração” como valor fundamental nas relações interpessoais.
e) um comportamento que nega a ideia de uma sociedade voltada para a integração humana.

3. O enunciador, ao usar o “Você sabe com quem está falando?”, pretende
a) criar um novo conceito de interlocutor.
b) tornar pública uma falsa ideia de sua identidade.
c) colocar o interlocutor em uma posição semelhante à sua.
d) dividir com o seu interlocutor a responsabilidade de uma ação.
e) passar uma imagem de si mesmo como alguém possuidor de autoridade.

Texto 1

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de juiz do Rio de Janeiro que reivindica que a Justiça obrigue os funcionários do prédio onde esse juiz mora a chamá-lo de “senhor” ou de “doutor”, sob pena de multa diária. Na ação judicial, o juiz argumenta que foi chamado pelo porteiro do condomínio de “você” e de “cara” e que ouviu a expressão “fala sério!” após ter feito uma reclamação.
(Mariana Oliveira. “Ministro do STF nega pedido de juiz que quer ser chamado de ‘doutor’”. http://g1.globo.com, 22.04.2014. Adaptado.)

Texto 2

O “Você sabe com quem está falando?” não parece ser uma expressão nova, mas velha, tradicional, entre nós. Na medida em que as marcas de posição e hierarquização tradicional, como a bengala, as roupas de linho branco, o anel de grau e a caneta-tinteiro no bolso de fora do paletó se dissolvem, incrementa-se imediatamente o uso da expressão separadora de posições sociais para que o igualitarismo formal e legal, mas cambaleante na prática social, possa ficar submetido a outras formas de hierarquização social.
(Roberto da Matta. Carnavais, malandros e heróis, 1983. Adaptado.)

4. (UNESP) Considerando a análise do antropólogo Roberto da Matta, o fato descrito no texto 1 pode ser corretamente interpretado como resultante:

a)da contradição entre igualitarismo liberal e autoritarismo cultural.

b) da plena assimilação cultural dos ideais iluministas de cidadania.

c) das tendências estatais de controle totalitário da existência cotidiana.

d) da superação das hierarquias sociais pela universalização ética.

e) da hegemonia ideológica da classe operária sobre a classe burguesa