O Auto da Compadecida

AUTO DA COMPADECIDA

Auto da Compadecida.

CHICÓ: – Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho.

JOÃO GRILO: – No dia em que chegou o motor novo do major Antônio Morais o senhor não benzeu?

PADRE: – Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar.

CHICÓ: – Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor.

PADRE: – É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro?

JOÃO GRILO: – É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer motor do major Antônio Morais e outra benzer o cachorro do major Antônio Morais.

PADRE: – (mão em concha no ouvido) Como?

JOÃO GRILO: – Eu disse que uma coisa era o motor e outra o cachorro do major Antônio Morais.

PADRE: – E o dono do cachorro de quem vocês estão falando é Antônio Morais?

JOÃO GRILO: – É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse o Chicó: o padre vai se zangar.

PADRE: – (desfazendo-se em sorrisos) Zangar nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter direitos de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro!

JOÃO GRILO: – (cortante) Quer dizer que benze, não é?

PADRE: – (a Chicó) Você o que é que acha?

CHICÓ: – Eu não acho nada de mais.

PADRE: – Nem eu. Não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de Deus.

(in Suassuna, Ariano – TEATRO MODERNO – AUTO DA COMPADECIDA. 8 ed., Rio: Agir-Instituto Nacional do Livro, 1971, pp. 32-34.)

A espontaneidade dos diálogos, a força poética de seu texto e a capacidade de exprimir o espírito popular de nossa gente fazem com que o escritor Ariano Suassuna (1927) seja reconhecido como um dos principais autores brasileiros contemporâneos. Diz o crítico Sábato Magaldi que a religiosidade de Ariano “pode espantar aos cultores de um catolicismo acomodatício, mas responde às exigências daqueles que se conduzem por uma fé verdadeira”.

1. (UNESP) Com base nesta observação, responda:

a) por que, segundo aquele padre, é fácil benzer um motor?

b) em que sentido o fragmento apresentado encerra uma crítica ácida ao modo como o padre comanda a sua paróquia?

RESPOSTA:

a) Porque, segundo o padre, todo mundo faz isso (e o motor é do major)


b) Os assuntos eclesiásticos ficam subordinados ao poder político e social do major.

2. (UFOP) PALHAÇO “Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre, é um povo salvo e tem direito a certas intimidades.” (SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 19ªed. Rio de Janeiro: Agir, 1983. p.23-24).

A partir da leitura do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, justifique essa fala da personagem Palhaço, enfatizando o vínculo entre sofrimento e salvação. Não se esqueça de mencionar pelo menos um exemplo extraído do texto para embasar seus argumentos

RESPOSTA:  O sofrimento na Terra será recompensado pela felicidade no Céu. Povo que sofre é povo salvo, conforme a crença popular.

3. (UEPB) O Auto, jogo linguístico de origem medieval, peça em que certas atitudes consideradas “pecaminosas” eram “questionadas” através de uma carga de humor, foi incorporado à produção literária brasileira (ou literatura feita no Brasil, como bem fez o padre José de Anchieta com a sua escrita evangelizadora e moralística), de forma que, mesmo distante no tempo e no espaço, este tipo de texto alcança um vasto público, como é o caso de O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Considerando os fragmentos abaixo, marque a alternativa correta:

[…] PADRE

É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor á fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro?

JOÃO GRILO

É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer o motor do major Antônio de Morais e outra é benzer o cachorro do major Antônio de Morais.

[…]

BISPO

Então houve isso? Um cachorro enterrado em latim?

JOÃO GRILO

E então? É proibido?

BISPO

Se é proibido? Deve ser, porque é engraçado demais para não ser. É proibido! É mais do que proibido! Código Canônico, Artigo 1627, parágrafo único, letra k. Padre, o senhor vai ser suspenso

[…]

JOÃO GRILO

É mesmo, é uma vergonha. Um cachorro safado daquele se atreve a deixar três contos para o sacristão, quatro para o padre e seis para o bispo, é demais.

[…]

BISPO É por isso que eu vivo dizendo que os animais também são criaturas de Deus. Que animal interessante! Que sentimento nobre

a)O Auto da Compadecida mantém relação direta com os autos medievais a partir somente do tipo formal de texto – auto – porque o conteúdo a ser desenvolvido neste tipo de literatura varia no tempo e no espaço de forma que um escritor contemporâneo não poderia recuperar nem atualizar esta forma textual.

b) “Os vícios dos homens e da sociedade” são apenas uma forma bem humorada de perceber o mundo, de entreter a razão, de valer o texto por si mesmo, independente de alusão ou denúncia a que faça referência porque o riso, e somente o riso, é o que está em primeiro plano neste tipo de texto.

c) O Auto da Compadecida não faz nenhuma alusão ao teatro de Gil Vicente porque dista deste no tempo e no espaço, logo os “vícios dos homens e da sociedade” não poderiam ser os mesmos. O texto de Ariano Suassuna é apenas uma paródia dos autos medievais.

d) O Auto da Compadecida não tem caráter moralístico porque a literatura de ficção nunca se propôs a discutir aspectos relacionados a contextos socioculturais, uma vez que se volta para o plano estético, desconsiderando qualquer alusão a práticas culturais, a papéis sociais e outros.

e) “Os vícios dos homens e da sociedade estão em todas as peças de Gil Vicente, representados por frades libertinos, magistrados corruptos, mulheres adúlteras […] tipos que proliferam quando as sociedades esquecem os valores éticos e morais” (João Domingues Maia), característica observada na peça de Ariano Suassuna O Auto da Compadecida.

4. (UFRS) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo é a personagem principal que, por ser mais instruída e por não acreditar em religião, sobressai entre as demais.


b) A obra baseia-se em romances e histórias populares do Nordeste, dando expressão tanto à tradição cristã quanto às crenças mais ingênuas do povo.

c) Após a morte das personagens, a figura de Nossa Senhora intervém junto ao seu Filho e pede compaixão pelos pecados cometidos.

d) É um texto teatral de 1955, cuja temática central é a religiosidade brasileira, que serve de inspiração a uma história plena de peripécias.

e) Além da Compadecida e de outras entidades sobrenaturais, o texto põe em cena personagens da terra, como o padre, o bispo e Chicó.

5. (UFES) Cada opção abaixo traz um trecho do texto “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, seguido de um comentário. Assinale a opção em que o comentário esteja em DESACORDO com o trecho.

a) A COMPADECIDA – “É verdade que eles praticaram atos vergonhosos, mas é preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. A carne implica todas essas coisas turvas e mesquinhas.” o personagem demonstra a dimensão da complacência que tem para com os homens.

b) CHICÓ – “Não sei, só sei que foi assim.”: fala recorrente do personagem que conta com frequência histórias inverossímeis.

c) JOÃO GRILO – “Porque… não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado.”: João Grilo, esperto, busca desestabilizar os argumentos do Encourado, por meio de chistes e piadas.

d) MANUEL – “Eu, Jesus, nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter nascido preto. Para mim, tanto faz um branco como um preto. Você pensa que eu sou americano para ter preconceito de raça?”, o personagem revela-se bastante crítico quanto à questão étnica.

e) PALHAÇO, entrando – “Peço desculpas ao distinto público que teve de assistir a essa pequena carnificina, mas ela era necessária ao desenrolar da história. Agora a cena vai mudar um pouco. João, levante-se e ajude a mudar o cenário. Chicó! Chame os outros.”: o Palhaço intervém na trama, podendo dirigir-se tanto à plateia quanto aos personagens.

6. (UFRN) No “Auto da Compadecida” (1956), de Ariano Suassuna, a personagem Chicó reproduz sentenças baseadas na sabedoria popular, como se pode verificar nos exemplos seguintes:

Não sei, só sei que foi assim.

[…] na hora do aperto, dá-se um jeito a tudo.

SUASSUNA, A. “Auto da compadecida”. 34 ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 2001.

Tais sentenças indicam que a personagem

a) apresenta comportamento calculista ao fingir que aceita as leis da religião católica.

b) demonstra seu caráter ingênuo ao resolver situações complicadas de um modo absolutamente inacreditável.

c) apresenta comportamento resignado ao aceitar as dificuldades próprias de uma sociedade desigual.

d) demonstra seu caráter astucioso ao resolver situações complicadas de um modo que chega a parecer inverossímil.

7. (UFRN) Mesmo sob perspectivas diversas, muitas produções literárias brasileiras dialogam com a tradição que particulariza os valores de culturas originadas fora dos grandes centros urbanos. Encontram-se registros dessa tradição nas seguintes obras:

a) “Várias Histórias” (Machado de Assis), “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna) e “Iracema” (José de Alencar).

b) “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna), “Morte e Vida Severina” (João Cabral de Melo Neto) e “Lendas Brasileiras” (Câmara Cascudo).

c) “Morte e Vida Severina” (João Cabral de Melo Neto), “Iracema” (José de Alencar) e “Memórias de um Sargento de Milícias” (Manuel Antônio de Almeida).

d) “Memórias de um Sargento de Milícias” (Manuel Antônio de Almeida), “Lendas Brasileiras” (Câmara Cascudo) e “Várias Histórias” (Machado de Assis).

8.(UFRS) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo é a personagem principal que, por ser mais instruída e por não acreditar em religião, sobressai entre as demais.

b) A obra baseia-se em romances e histórias populares do Nordeste, dando expressão tanto à tradição cristã quanto às crenças mais ingênuas do povo.

c) Após a morte das personagens, a figura de Nossa Senhora intervém junto ao seu Filho e pede compaixão pelos pecados cometidos.

d) É um texto teatral de 1955, cuja temática central é a religiosidade brasileira, que serve de inspiração a uma história plena de peripécias.

e) Além da Compadecida e de outras entidades sobrenaturais, o texto põe em cena personagens da terra, como o padre, o bispo e Chicó.

9. (UFRS) Assinale a afirmação correta em relação a personagens de “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo envolve-se na malandragem por solidariedade ao amigo.

b) O padre João é o elo entre os seres terrestres e a Virgem.

c) A mulher do padeiro encarna o adultério.

d) O Filho de Deus é representado pela personagem Encourado, um Cristo negro.

e) Severino Aracaju personifica a passividade e a bondade do sertanejo.

10.(UEPG) Em relação à problemática e à estrutura da peça “O Auto da Compadecida”, assinale o que for correto.

(01) A preocupação maior do autor reside em distanciar-se da estrutura de um auto de moralidade, ao estilo quinhentista português (modelo Gil Vicente).

(02) Os componentes estruturais do texto revelam personagens que simbolizam pecados (maiores ou menores), que recebem o direito ao julgamento, que gozam do livre-arbítrio e que são ou não condenados.

(04) A peça se embasa em determinadas tradições localistas e regionalistas do folclore.

(08) A realidade nordestina está presente, através de seus instrumentos culturais mais significativos, as crenças e a literatura de cordel.

(16) A intenção clara e expressa do texto dramatúrgico em questão é de natureza moral, desvinculada de credo religioso.

RESPOSTA:2 + 4 + 8 = 14

11.(UPE) A respeito da estrutura e do estilo da obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, analise cada uma das afirmações abaixo.

I      II

0      0      Ariano Suassuna escreveu essa comédia, dentre outras fontes, a partir do romance popular anônimo, escrito no Nordeste, sob o título: “História do Cavalo que defecava dinheiro”.

1      1      A personagem Palhaço não participa propriamente do enredo: sua função na peça seria equivalente, numa comparação, à do narrador no romance.

2      2      O forte teor psicológico da personagem João Grilo não nos permite classificá-la como um simples tipo humano. Por isso, a peça de Suassuna se insere no filão das obras psicológicas.

3      3      O que diferencia o texto de Ariano Suassuna da estrutura do romance popular é o fato de tratar-se, no caso do Auto da Compadecida, de uma peça, caracterizada pela apresentação direta das personagens, que realizam, elas mesmas, a ação.

4      4      Com o Auto da Compadecida, Ariano Suassuna faz uma crítica ao catolicismo, usando, para isso, a figura do Bispo, do Frade, do Padre João e da própria Compadecida.

Resposta

  1. I: 0., 1., 3., 4. / II: 2.

Leia o texto abaixo e responda às questões 12 a 14:

João Grilo: Ah isso é comigo. Vou fazer um chamado especial, em verso. Garanto que ela vem, querem ver? (Recitando.)

Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher.

Encourado: Vá vendo a falta de respeito, viu?

João Grilo: Falta de respeito nada, rapaz! Isso é o versinho de Canário Pardo que minha mãe cantava para eu dormir. Isso tem nada de falta de respeito!

Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher. Valha-me. Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré.

Cena igual à da aparição de Nosso Senhor, e Nossa Senhora, A compadecida, entra.

Encourado, com raiva surda: Lá vem a compadecida! Mulher em tudo se mete!

João Grilo: Falta de respeito foi isso agora, viu? A senhora se zangou com o verso que eu recitei?

A Compadecida: Não, João, porque eu iria me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de tristeza é o diabo.

João Grilo: É porque esse camarada aí, tudo o que se diz ele enrasca a gente, dizendo que é falta de respeito.

A Compadecida: É máscara dele, João. Como todo fariseu, o diabo é muito apegado às formas exteriores. É um fariseu consumado.

Encourado: Protesto.

Manuel: Eu já sei que você protesta, mas não tenho o que fazer, meu velho. Discordar de minha mãe é que eu não vou.

(…)

(Fonte: Auto da Compadecida. 15 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979.)

12. (UEL) A obra O Auto da Compadecida foi escrita para o teatro:

a) Por João Cabral de Melo Neto e aborda temas recorrentes do Nordeste brasileiro.

b) E seu autor, Ariano Suassuna, aborda o tema da seca que sempre marcou o Nordeste.

c) Pelos autores do Movimento Armorial, abordando temas religiosos e costumes populares.

d) Por Ariano Suassuna, tendo como base romances e histórias populares do Nordeste brasileiro.

e) Por João Cabral de Melo Neto e aborda temas religiosos divulgados pela literatura de cordel.

13. Ao humanizar personagens como Manuel e a Compadecida, o autor pretende:

a) Denunciar o lado negativo do clero, na religião católica.

b) Exaltar o sentimento da justiça divina ao contemplar os simples de coração.

c) Mostrar um sentimento religioso simples e humanizado, mais próximo do povo.

d) Retratar o sentimento religioso do povo nordestino, numa visão iconoclasta.

e) Fazer caricatura com as figuras de Cristo e de Nossa Senhora.

14. Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre a obra, as personagens João Grilo e Chicó identificam-se com:

a) Os bobos da corte da Idade Média.

b) Os palhaços dos circos populares.

c) As figuras de arlequim e pierrô da tradição romântica universal.

d) Tipos humanos autenticamente brasileiros.

e) Figuras lendárias da literatura popular nordestina, semelhantes a Lampião e Padre Cícero.

15.(CEDERJ)“A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto… Nunca vi um gênio com gosto médio. (Ariano Suassuna)

Considerado um dos maiores dramaturgos do Brasil, Ariano Suassuna tem seu nome identificado por sua obra mais conhecida, O Auto da Compadecida, de 1955, e reputada, já em 1962, como um dos textos mais representativos da história do teatro brasileiro. Sobre o papel desse autor e de sua obra, assinale a alternativa correta.

a) A atualização do teatro nacional reuniu valores europeus, num movimento conhecido como “Os discípulos da Compadecida”.

b) A obra de Ariano Suassuna se confunde com a modernização do teatro brasileiro, incorpora e dá especial destaque à chamada cultura popular nordestina.

c) Ariano Suassuna tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, mas jamais conseguiu projeção nacional, a despeito da divulgação de suas obras.

d) O Auto da Compadecida é, em síntese, uma exaltação dos poderosos e uma crítica aos pobres, identificados como ignorantes e preguiçosos.

16. (UFOP) A respeito do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é incorreto dizer que:

a) incorporando romances e histórias populares do Nordeste brasileiro, é um texto cuja vinculação com os mistérios e moralidades medievais é bastante nítida.

b) tem fortes particularidades de um metateatro, principalmente na construção da personagem Palhaço.

c) apresenta uma longa rubrica inicial, com precisas indicações para o diretor, para o cenógrafo e para o sonoplasta.

d) desprezando a cultura religiosa das personagens que habitam seu cenário, tem um desfecho inverossímil e incompatível com o contexto que representa.

e) é um texto estruturado com excepcional dinamismo, dado que os diálogos são curtos e as ações muito rápidas.

17.Sobre a obra o Auto da Compadecida, é correto afirmar:

I. O texto propõe-se como um auto. Dentro da tradição da cultura de língua portuguesa, o auto é uma modalidade do teatro medieval cujo assunto é basicamente religioso. Assim o entendeu Paula Vicente, filha de Gil Vicente, quando publicou os textos de seu pai, no século XVI, ordenando-os principalmente em termos de autos e farsas.

II. O texto propõe-se como resultado de uma pesquisa sobre a tradição oral dos romanceiros e narrativas nordestinas, fixados ou não em termos de literatura de cordel. Propõe, portanto, um enfoque regionalista ou, pelo menos, organiza um acervo regional com vistas a uma comunicação estética mais trabalhada.

III. A primeira intenção do texto está em moldá-lo dentro de um enquadramento do teatro medieval português ou, mais precisamente, dentro das perspectivas do teatro de Gil de Vicente, que realizou o ideal do teatro medieval um século mais tarde, isso no século XVI, portanto, em pleno Quinhentismo (estilo de época).

a) Apenas I

b) Apenas II

c) Apenas III

d) Apenas I e II

e) Todas estão corretas.

18. (UFOP) Sobre a construção das personagens do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é incorreto afirmar que:

(A) João Grilo, como protagonista, é um herói no sentido mais clássico do termo, uma vez que combina peculiaridades do herói trágico (a grandeza, p. ex.) e do herói épico (a coragem, p. ex.).

(B) o Diabo é uma alegoria que detém uma grande funcionalidade, contrastando vivamente com Manuel e com a Compadecida.

(C) o Padeiro e sua mulher demonstram claramente que o sistema moral da sociedade está totalmente comprometido com o sistema econômico.

(D) a Compadecida, justificando a metonímia com a qual é designada, apresenta-se como a maior e a melhor advogada de João Grilo.

(E) o Padre e o Bispo são verdadeiras caricaturas dos maus sacerdotes, o que justifica os traços fortes com que são compostos.

Texto para as questões 19 e 20

JOÃO GRILO: Como vai a senhora? Já está mais consolada?

MULHER: Como, se além de perder meu cachorro, ainda tive de gastar treze contos para ele se enterrar?

JOÃO GRILO: Está aí, o dinheiro?

MULHER: Está. Entregue ao padre e ao sacristão.

JOÃO GRILO: Um momento. O que é que tem escrito aqui?

MULHER: Sacristão.

JOÃO GRILO: E aqui?

MULHER: Padre.

JOÃO GRILO: Pois por favor, escreva aqui “bispo e padre”.

MULHER: Bispo e padre? Por quê?

JOÃO GRILO: Porque houve aqui um pequeno arranjo e o bispo também teve que entrar no testamento.

MULHER: Que complicação! E se ao menos eu lucrasse alguma coisa… Mas perdi foi meu cachorro.

JOÃO GRILO: Quem não tem cão caça com gato.

MULHER: Hem?

JOÃO GRILO: Quem não tem cão caça com gato e eu arranjei um gato que é uma beleza para a senhora.

MULHER: Um gato?

JOÃO GRILO: Um gato.

MULHER: E é bonito?

JOÃO GRILO: Uma beleza.

MULHER: Ai, João, traga para eu ver! Chega a me dar uma agonia. Traga, João, já estou gostando do bichinho. Gente, não, é povo que não tolero, mas bicho dá gosto.

JOÃO GRILO: Pois então vou buscá-lo.

MULHER: Espere. Sabe do que mais, João? Não vá buscar o gato que isso só me traz aborrecimento e despesa. Não viu o que aconteceu com o cachorro? Terminei tendo que fazer o testamento.

JOÃO GRILO: Ah, mas aquilo é porque foi o cachorro. Com meu gato é diferente…

MULHER: Diferente por quê?

JOÃO GRILO: Porque, em vez de dar despesa, esse gato dá lucro.

MULHER: Fora vaca, cavalo e criação, bicho que dá lucro não existe.

JOÃO GRILO: Não existe, sei não… Eu fico meio encabulado de dizer!

MULHER: Que é isso, João, você está em casa! Diga!

JOÃO GRILO: É que o gato que eu lhe trouxe, descome dinheiro.

MULHER: Descome dinheiro?

JOÃO GRILO: Descome, sim.

MULHER: Essa eu só acredito vendo.

JOÃO GRILO: Pois vai ver. Chicó!

MULHER: Ah, e é história de Chicó? Logo vi.

JOÃO GRILO: Nada de história de Chicó, mas foi ele quem guardou o bicho. Chicó!

CHICÓ, entrando com o gato. Tome seu gato. Eu não tenho nada com isso. João dá-lhe uma cotovelada e apresenta o gato à mulher.

JOÃO GRILO: Está aí o gato.

MULHER: E daí?

JOÃO GRILO: É só tirar o dinheiro.

MULHER: Pois tire.

JOÃO GRILO virando o gato para Chicó, com o rabo levantado. Tire aí, Chicó.

CHICÓ: Eu não, tire você.

JOÃO GRILO: Deixe de luxo, Chicó, em ciência tudo é natural.

CHICÓ: Pois se é natural, tire.

JOÃO GRILO: Então tiro. (Passa a mão no traseiro do gato e tira uma prata de cinco tostões.) Está aí, cinco tostões que o gato lhe dá de presente.

MULHER: Muito obrigada, mas se você não se zanga quero ver de novo.

JOÃO GRILO: De novo?

MULHER: Vi você passar a mão e sair com o dinheiro mas agora quero ver é o parto.

JOÃO GRILO: O parto?

MULHER: Sim, quero ver o dinheiro sair do gato.

JOÃO GRILO: Pois então veja

MULHER, depois da nova retirada.

Nossa Senhora, é mesmo. João, me arranje esse gato pelo amor de Deus.

JOÃO GRILO: Arranjar é fácil, agora, pelo amor de Deus é que não pode ser, porque sai muito barato. Amor de Deus é coisa que eu tenho, dê ou não lhe dê o gato.

MULHER: Quer dizer que não tem jeito de eu arranjar esse gato?

JOÃO GRILO: De modo nenhum, há um jeito e é até fácil.

MULHER: Pois diga qual é, João.

JOÃO GRILO: Deixe eu entrar no testamento do cachorro.

MULHER: Pois você entra. Por quanto vende o gato?

JOÃO GRILO: Um conto, está bom?

MULHER: Esta não, está caro.

JOÃO GRILO: Mas por um gato que descome dinheiro!

MULHER: Já fiz a conta, vou levar dois mil dias só para tirar o preço.

JOÃO GRILO: Mas ele descome mais de uma vez por dia, a senhora não viu?

MULHER: Mas ele pode morrer. Só dou quinhentos e se você não aceitar será demitido da padaria.

JOÃO GRILO: Está certo, fica pelos quinhentos.

MULHER: Tome lá. Passe o gato, Chicó. Meu Deus, que gatinho lindo! Agora a coisa é outra, tenho um filho de novo e vou tirar o prejuízo.

Sai contentíssima.

CHICÓ: João, adeus. Eu vou-me embora.

JOÃO GRILO: Nada disso, tome lá a metade do dinheiro e deixe de ser mole.

CHICÓ: Homem, eu não tenho coragem de continuar sempre, é melhor fugir logo, enquanto tudo está em paz.

JOÃO GRILO: Não adianta, Chicó, você já entrou na história e agora é tarde porque a mulher descobre já.

Quantas pratas você conseguiu meter?

CHICÓ: Três!

JOÃO GRILO: Então o negócio estoura já. (Ariano Suassuna – Auto da Compadecida)

19. Coloque V para verdadeiro e F para falso nos parênteses abaixo:

(   ) O livro Auto da Compadecida apresenta uma história muito engraçada que se passa no nordeste brasileiro.

(  ) O filme O auto da Compadecida apresenta cenas diferentes das que estão no livro “Auto da Compadecida”.

(    ) O autor Ariano Suassuna era formado em Engenharia civil.

(    ) No livro, a história é apresentada por um palhaço.

(    ) No julgamento final, João Grilo é o único que não vai para o inferno. Todos os outros personagens são levados pelo diabo.

V V F V F

20.Releia o trecho  abaixo e assinale a única alternativa CORRETA:

JOÃO GRILO: Então tiro. (Passa a mão no traseiro do gato e tira uma prata de cinco tostões.) Está aí, cinco tostões que o gato lhe dá de presente.

a) O trecho destacado indica voz do narrador do texto. 

b) O sinal de travessão foi usado para indicar um comentário feito por Chicó.

c) O texto destacado expressa o quanto João Grilo gostava do gato.

d) O trecho destacado indica a voz de Ariano Suassuna. 

e) O texto entre parênteses indica um esclarecimento para o leitor, feito por João Grilo. 

21. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Chicó – 3 Por que essa raiva dela? João Grilo – Ó homem sem vergonha! Você inda pergunta? 5 Está esquecido de que ela o deixou? Está esquecido da exploração que eles fazem conosco naquela padaria do inferno? Pensam que são o cão só porque enriqueceram, mas 4 um dia hão de pagar. E a raiva que eu tenho é 3 porque quando estava doente, me acabando em cima de uma cama, via passar o prato de comida 6 que ela mandava para o cachorro. Até carne passada na manteiga tinha. Para mim nada, João Grilo 6 que se danasse. Um dia eu me vingo. Chicó – João, 1 deixe de ser vingativo que 2 você se desgraça. Qualquer dia você inda se mete numa embrulhada séria. Ariano Suassuna, Auto da Compadecida 3. (Mackenzie) Considere as seguintes afirmações.

I. O texto de Ariano Suassuna recupera aspectos da tradição dramática medieval, afastando-se, portanto, da estética clássica de origem greco-romana.

II. palavra Auto, no título do texto, por si só sugere que se trata de peça teatral de tradição popular, aspecto confirmado pela caracterização das personagens.

III. O teor crítico da fala da personagem, entre outros aspectos, remete ao teatro humanista de Gil Vicente, autor de vários autos, como, por exemplo, o Auto da barca do inferno.

Assinale:

a) se todas estiverem corretas.

b) se apenas I e II estiverem corretas.

c) se apenas II estiver correta.

d) se apenas II e III estiverem corretas.

e) se todas estiverem incorretas.

22. (UFPB) Sobre a obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, identifique a(s) proposição(ões) verdadeira(s):

01. O autor, embora faça críticas à Igreja Católica, apresenta alguns valores cristãos como a misericórdia, o perdão e a salvação.

02. A peça é dividida em três atos, marcados pela mudança total de cenário e de personagens.

04. Os personagens divinos Manoel (Jesus) e a Compadecida (Nossa Senhora) expressam, em suas falas, sentimentos do ser humano: alegria, medo, dúvida.

08. Todos os representantes da Igreja Católica (Padre, Sacristão, Bispo e Frade) são mortos pelo cangaceiro Severino e condenados ao purgatório.

16.A Compadecida, no momento do julgamento, justifica os atos vergonhosos praticados pelos personagens, em função da triste condição do homem, “feito de carne e de sangue”.

A soma dos valores atribuídos à(s) proposição(ões) verdadeira(s) é igual a: 21

 23. (UEPG) Sobre o final das obras Auto da Compadecida e O mestre e o herói é correto afirmar:

01) O palhaço, aquele que inicia a peça, é quem encerra o último ato, pedindo aplausos à plateia.

02) O pai do herói viaja ao encontro do filho e do antigo amigo, apresentando na ocasião sua atual mulher.

04) Chicó promete dar todo o dinheiro que tem, se João Grilo não morresse, mas eles encontram um jeito de quebrar a promessa.

08) O herói volta da viagem de autoconhecimento e amadurecimento que faz com o mestre e ganha de seu novo amigo o canivete, objeto já confessado como peça de estimação.

SOMA: 01+08= 09

24.(UEPG) A classificação dos gêneros literários foi proposta, na antiguidade clássica, pelo filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.). É correto afirmar que as obras O mestre e o herói, Auto da Compadecida, Bagagem, Dom Casmurro e As meninas são classificadas como: 01) O livro O mestre e o herói é classificado como pertencente ao gênero épico por ser um romance, que, neste caso, apresenta 22 capítulos curtos e nomeados.

02) A obra Auto da Compadecida é classificada como pertencente ao gênero dramático por ser um teatro e está composta em 3 atos.

04) O livro Bagagem é classificado como pertencente ao gênero lírico, e está dividido em 5 partes com um total de 113 poesias.

08) A obra Dom Casmurro é classificada como pertencente ao gênero épico por ser um romance, que, neste caso, apresenta 148 capítulos nomeados e curtos. Mesma classificação cabe ao romance As meninas que apresenta 12 capítulos longos e sem nomes.

SOMA: 01+02+04+08= 15

25. (UEPG)  Assinale o que é correto afirmar sobre as obras As meninas, Auto da Compadecida, Dom Casmurro e O mestre e o herói:

01)Em As meninas, irmã Bula é vista como suspeita de escrever cartas anônimas para Madre Alix, fazendo denúncias acerca de eventos ocorridos no quarto de Lorena e com as suas amigas.

02) Em Auto da Compadecida, o frade não é assassinado e o motivo dado para isso é que Severino diz não gostar de matar frade porque dá azar.

04) Em Dom Casmurro, Bento Santiago, abandona a vida de padre, após descobrir que Capitu, seu amor desde a infância, casara-se com um de seus amigos de seminário, Escobar.

08) Em O mestre e o herói, o mestre é na verdade um empresário que abandonou o budismo para viver, longe dos mosteiros, uma vida simples em sua fazenda, local reservado para fazer um trabalho terapêutico com os que por ali passam ou são recomendados a conhecer.

SOMA: 01+02= 03

PALHAÇO: “Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre e tem direito a certas intimidades.”. Fonte: Auto da Compadecida. 15 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979. 16.

26. Em o Auto da Compadecida, há a presença da personagem Palhaço, que, de certa forma, narra a história que será dramatizada, indicando a ação das demais personagens, bem como o cenário. Segundo Ariano Suassuna, ele quis ser representado na peça pelo palhaço. A partir disso, e do fragmento apresentado acima, assinale a alternativa que contenha a justificativa mais coerente acerca da presença desta personagem no interior da história.

a) Por se tratar de uma personagem cômica, que não é levada, em geral, a sério, o autor, assim, ganharia mais possibilidades de falar de temas polêmicos.

b) Ao escolher a personagem Palhaço, Ariano Suassuna desejava dizer a todos o quanto ele é engraçado.

c) O palhaço é símbolo da alegria, embora seja uma tragédia, o Auto da Compadecida faz com que todos riam.

d) A personagem Palhaço foi escolhida para rememorar os grandes palhaços dos circos que Ariano Suassuna frequentava quando criança.

e) Ariano Suassuna, ao escolher o palhaço como narrador de sua peça, traz um elemento da cultura popular para evidenciar seu amor à cultura brasileira.

27. (UEPG)  Sobre o enredo de Auto da Compadecida e de O mestre e o herói, é correto afirmar: 01) Ideias como um animal que defecava dinheiro e um julgamento celeste, cujo desfecho era alterado pela intervenção da mãe de Jesus, chamada de Compadecida, foram aproveitadas de folhetos de cordel e histórias populares e orais que Ariano Suassuna já conhecia. 02) Após uma passeio e mergulho, cujo ar fora cortado propositalmente pelo mestre, ao girar o pino do cilindro, o herói, antes assustado e emburrado, encontra-se na praia com a menina que escreve “boba” na areia e a ele declara o que sente. 04) “João Grilo: […]… lembrem-se de dizer, em vez ‘agora e na hora de nossa morte’, ‘agora na hora de nossa morte’, porque do jeito que nós estamos, está tudo misturado. Todos: Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora na hora de nossa morte. Amém.”. No trecho em questão, o personagem João Grilo sugere a modificação na oração, pois todos com quem falava já estavam mortos. 08) Após, lavarem suas roupas, o herói tem a oportunidade de descobrir qual o tesouro que o mestre guarda em sua sacola, no entanto, para sua surpresa, só havia livros.

SOMA:  01+02+04+08= 15

28.(UFPE) Sobre o teatro brasileiro contemporâneo, examinemos três autores, em relação a algumas de suas obras e características. 

( ) João Cabral de Melo Neto tem como obra mais conhecida o auto de Natal, “Morte e Vida Severina”, narrando a trajetória de um sertanejo que abandona o agreste, rumo ao litoral. Ele encontra, nesta migração, somente morte.

( ) O auto de João Cabral, cujo título denuncia a influência do teatro medieval, foi levado à cena com música de Chico Buarque. Está dividido em duas partes: a viagem para o litoral e a chegada ao Recife, onde o protagonista, Severino, encontra o mestre carpina José.

( ) João Cabral também escreveu “Auto do Frade”, uma peça sobre frei Caneca, considerado herói de revoluções libertárias.

( ) Ariano Suassuna foi buscar nas fontes populares o motivo de sua dramaturgia. A sua peça mais famosa é também um auto, “Auto da Compadecida”, que tem a dimensão de uma farsa, apresenta personagens burlescos e ambiente circense.

( ) Dias Gomes, autor de “O Pagador de Promessas”, “O Bem Amado” e “O Santo Inquérito”, utiliza em suas obras um tom dramático e nacionalista; não concede espaço a tipos caricaturais nem a temas de denúncia social.

RESPOSTA:V V V V F

29.Sobre o filme “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso:

a – (    ) o filme aborda aspectos culturais e religiosos do nordeste Brasileiro

b – (    ) O enredo se desenvolve com ambientação no sertão nordestino:

c – (    ) O nome dos dois personagens principais é João Grilo e Chicó

d – (    ) Os personagens principais são muito pobres e sobrevivem de pequenos negócios e saques enquanto vagam pelo sertão.

e – (    ) Em um desses golpes, eles se envolvem com Severino de Aracaju, um temido cangaceiro, que os persegue pela região. 

Agora marque a alternativa correta

a) V,V,F,F,V

b) F,F,V,F,F

c) V,V,V,V,V

d) F,F,F,F,V

e) F,F,F,F,F

30.As questões a seguir são referentes ao livro Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna: Ariano Suassuna, autor de O auto da Compadecida, em diversas conferências que realizou, falou acerca da existência de dois “Brasis”. Segundo ele, Machado de Assis dizia que no Brasil existem dois países, o oficial e o real. Para Machado, “o país real é bom, revela os melhores instintos. Mas o país oficial é caricato e burlesco”. Em outras palavras, o país oficial é o país dos privilegiados, que têm acesso à cultura e ao dinheiro, já o país real é daqueles que mais sofrem e trabalham. A partir da definição de Brasil oficial e Brasil real, de Ariano Suassuna, assinale a alternativa que contenha, respectivamente, a personagem que no Auto da Compadecida é representante do primeiro Brasil e qual é representante do segundo:

a) Coronel Antônio de Moraes e o Bispo.

b) João Grilo e Chicó.

c) Coronel Antônio de Moraes e João Grilo.

d) Mulher do Padeiro e Encourado.

e) Severino e Palhaço.

31. É o fragmento do Auto da Compadecida que melhor descreve a personagem João Grilo:

a) “Enganava o marido com todo o mundo”.

b) “Ele está de um jeito que não respeita mais ninguém e com mania de benzer tudo”.

c) “Antes de morrer, olhava para a torre da igreja toda vez que o sino batia”.

d) “Negociou com o cargo, aprovando o enterro de um cachorro em latim, porque o dono lhe deu seis contos”.

e) “Um canalhinha amarelo que mora aqui e trabalha na padaria”.

“BISPO. Quanto ao senhor, senhor João Grilo, vai ver agora o que é administrar. O senhor vai se arrepender de suas brincadeiras, jogando a Igreja contra Antônio Morais.

JOÃO GRILO. É mesmo, é uma vergonha. Um cachorro. Quatro para o padre e seis para o bispo, é demais.

BISPO, mão em concha no ouvido. Como?

JOÃO GRILO. Ah! E o senhor não sabe da história do testamento ainda não?

BISPO. Do testamento? Que testamento?

CHICÓ. O testamento do cachorro.

BISPO. Testamento do cachorro?

PADRE, animando-se. Sim. O cachorro tinha um testamento. Maluquice de sua dona. Deixou três contos de réis para o sacristão, quatro para a paróquia e seis para a diocese.

BISPO. É por isso que eu vivo dizendo que os animais também são criaturas de Deus. Que animal interessante! Que sentimento nobre!

PADRE, arriscando. Para atender à vontade da dona, deixei que o sacristão  acompanhasse o … “

32.O excerto  acima pertence a O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Considere as afirmações abaixo a respeito dessa obra:

I-Estão presentes nessa obra diversos artifícios propiciadores do riso. Entre esses avulta a quebra de hierarquia social e religiosa; a subversão de valores e a presença do absurdo e do ridículo. .

II – O Diabo, uma das personagens do texto, por nunca ter sido homem, entende bem o que é o medo da fome, do sofrimento, da solidão e da morte.

III – Há dois julgamentos: o primeiro é feito pelo Encourado (Diabo) e o segundo, por Manuel ( Jesus Cristo).

IV-Um dos pontos importantes é o fato de, ao lado dos dois bons padres, ser colocado um mau, e a peça inicia e termina com a fala da mesma personagem, ou seja, com a fala de A Compadecida ( Nossa Senhora).

V- O Palhaço, encerrando a história da Compadecida, diz estas palavras: “E se não há quem queira pagar, peço pelo menos uma recompensa que custa nada e é sempre eficiente: seu aplauso.”

São verdadeiras:

a.(  ) I, II e III         

b.( ) I, III e IV        

c) I, III e V        

d.( ) III  e  IV.  

e.(  ) II, IV e V

33. A respeito d obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, são feitas três afirmativas:

I – Alaíde, Madame Clessi, Pedro e Lúcia são as principais personagens da obra em questão.  

II -O autor utiliza, no texto, expressões por vezes rudes e outras pitorescas, caracterizando

urna linguagem de certa forma, grosseira, representativa das personagens e do ambiente

retratados.

III – Pode-se dizer que a obra apresenta um sentido moralizante expresso através de uma

visão cristã da vida, denotadora da simplicidade do espírito popular.

Está(ão) correta(s):

a) Apenas a I.                                

d) Apenas a I e a II.

c) Apenas a II e a III.                     

d) Todas as alternativas.

e) Apenas a I e a III.

João Grilo

Mas Chicó, e o rio São Francisco?

Chicó

Só podia estar seco nesse tempo, porque não me lembro quando passei… E nesse tempo todo o cavalo ali comigo, sem reclamar nada!

 […]

Palhaço

[…] nas cenas seguintes, dois demônios vestidos de vaqueiro, pois isso decorre de uma crença comum no sertão do Nordeste SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014, p. 23 e 117

34. (UFSC) Sobre o Nordeste brasileiro, é correto afirmar que:

01. no sertão, principal cenário da obra de Suassuna, o tipo climático predominante é o tropical alternadamente seco e úmido.

02. considerando as informações contidas no texto acima, há trechos em que o rio São Francisco é considerado intermitente.

04. no final de 2015, o rompimento de barragens contendo resíduos de mineração resultou na contaminação do rio São Francisco em vários trechos, comprometendo inclusive a pesca artesanal e o abastecimento de água potável.

08. a Caatinga, principal bioma do sertão nordestino, ainda carece de marcos regulatórios e de ações e investimentos em sua conservação e uso sustentável.

16. afloramentos rochosos são uma característica comum das áreas mais altas da Caatinga; esses afloramentos e os solos pouco profundos formam as condições ideais para as cactáceas. 32. as formações de planícies que dominam o sertão nordestino são compostas de argilito metamorfoseado de rochas quartzíticas consolidadas na era Cenozoica.

SOM A:  02+ 08+16 = 26

35.(UFMA) Auto da Compadecida, de autoria de Ariano Suassuna, apresenta, em sua estrutura, uma divisão da peça em dois cenários, haja vista o desenrolar da história. Pode-se afirmar que essa forma de composição se deve à:

a) presença de romances e histórias populares do Nordeste, nas quais o autor se baseou para a construção da peça.

b) intervenção do palhaço, que funciona como porta-voz dos personagens João Grilo e Chicó.

c) característica do teatro moderno, construído sob o alicerce da composição das cenas em cenários diferentes.

d) intromissão do narrador que prepara o leitor para as cenas seguintes, sobretudo para o julgamento final.

e) necessidade, inicialmente, de compor o perfil imoral dos personagens e, num segundo momento, o seu julgamento perante o juízo final.

36.(UNEMAT) Sobre o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, assinale o único elemento que se encontra na famosa cena do julgamento.

  1. Sentido moralizante, a partir da perspectiva cristã de cunho popular.
  2. Densa discussão teológica.
  3. Dessacralização de dogmas da religião católica.
  4. Ausência do elemento caricatural nas ações das personagens.
  5. Preconceito racial.

37.(UNEMAT) Sabato Magaldi (2004) afirma que Ariano Suassuna aproxima-se de uma visão do mundo contemporâneo, que introduz o  Auto da Compadecida como o texto mais popular do Modernismo brasileiro.

Neste sentido, assinale a alternativa incorreta.

a) A matéria textual é o folclore. 

b) A figura do malandro apresenta esperteza, certo amoralismo e desejo de vingança.

c) O primitivismo e a ingenuidade são deliberados, juntamente com um tom primário.

d) A função de João Grilo limita-se a intriga teatral, pois não domina o seu destino.

e) A história constrói-se com vários interlocutores.

 

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O Santo e a Porca

santo-e-a-porca

1.(Ueg)  A peça teatral “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, tem como referência histórica a Primeira República – período caracterizado por fenômenos socioculturais como cangaço e fervor religioso. Analise a relação do governo republicano com esses fenômenos.

RESPOSTA: O governo republicano brasileiro tratou esses dois fenômenos de maneira diversa. No caso do cangaço, apesar de muitas vezes ser combatido no âmbito local, foi também utilizado pelo governo, como no caso do grupo liderado por Lampião, para fazer frente à Coluna Prestes. No caso dos movimentos religiosos populares, principalmente de caráter messiânico, ocorridos na Primeira República, o governo brasileiro tratou de forma repressiva, como pode ser notado no caso do movimento de Canudos, no interior da Bahia e Contestado, em Santa Catarina.  

 2. Sobre a peça O santo e a Porca, de Ariano Suassuna, é incorreto afirmar:

a) O Santo e a Porca é uma peça que, aparentemente, trata de um tema simples, que é a avareza, em tom de humor por ser uma comédia.

b) A peça não contribui para a reflexão e divulgação da cultura nordestina.

c) As personagens estão intimamente ligadas ao enredo e vice-versa. Essas são as duas forças principais que regem um texto dramático.

d) Na apresentação de sua peça O Santo e a Porca (1957), Ariano Suassuna subintitula-a de “Imitação Nordestina de Plauto”, referindo-se à Aulularia, do autor latino Plauto.

e) O texto promove uma reflexão sobre a relação do ser humano com o mundo físico (representado pela porca) e o espiritual (representado por Santo Antônio).

3. (UFPR) Leia o texto a seguir.

EURICÃO: Você não está entendendo nada! E como ficaria eu? Você casa com Dodô, Benona com Eudoro, Caroba com Pinhão. Não vê que eu fico só? No meio disso tudo, com quem casaria eu?

CAROBA: Com a porca. E, se ela não serve mais, com Santo Antônio!

EURICÃO: Estão me ouvindo? É a voz da sabedoria, da justiça popular. Tomem seus destinos, eu quero ficar só. Aqui hei de ficar até tomar uma decisão. Mas agora sei novamente que posso morrer, estou novamente colocado diante da morte e de todos os absurdos, nesta terra a que cheguei como estrangeiro e como estrangeiro vou deixar. Mas minha condição não é pior nem melhor do que a de vocês. Se isso aconteceu comigo pode acontecer com todos, e se aconteceu uma vez pode acontecer a qualquer instante. Um golpe do acaso abriu meus olhos, vocês continuam cegos! Agora vão, quero ficar só!

(SUASSUNA, Ariano. “O santo e a porca”. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.)

Esse trecho é de “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, e mostra Euricão quando, já ao final da peça, descobre que todo o dinheiro que guardou em sua porca de madeira não valia mais nada por causa das mudanças de moeda. Sobre o texto, é correto afirmar.

(01) Ao falar em “voz da sabedoria” e em “justiça popular”, a personagem reflete uma das referências principais da peça, que une um enredo recorrente na história da literatura ocidental a situações de uma comédia de costumes centrada em valores e figuras da cultura regional.

(02) Os tratos e destratos feitos com Santo Antônio são um bom exemplo da praticidade da religiosidade popular, e as negociações com o santo de devoção criam espaço na peça para muito do seu resultado cômico e crítico.

(04) Coerentemente com o regionalismo brasileiro, a peça valoriza a transformação e modernização dos costumes; daí o papel de Caroba e seu esforço para modificar a vida das outras personagens.

(08) Apesar do tema humorístico, das cenas rápidas, da celeridade dos quiproquós, há, no fundo temático, um conflito entre os bens materiais e os espirituais, encarnado na figura de Euricão.

(16) Euricão é uma personagem-tipo da literatura: ele tem uma característica principal, a avareza, e é sobre essa característica que toda sua ação na peça se sustenta.

SOMA: 01 + 02 + 08 + 16 = 27

4. (UFPR) No início de “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, o protagonista Euricão recebe uma correspondência de Eudoro Vicente. Considere as seguintes palavras da carta: “Mando na frente meu criado Pinhão, homem de toda confiança, para avisá-lo de minha chegada aí, mas quero logo avisá-lo: pretendo privá-lo de seu mais precioso tesouro!”.

Assinale a alternativa que interpreta corretamente os desdobramentos desse episódio.

a) Apresentado como homem de toda confiança, Pinhão decepcionou seu patrão ao envolver-se com Margarida, a filha de Euricão.

b) A presença das personagens Pinhão e Caroba é estratégica para multiplicar as situações cômicas, mas não é decisiva para a solução dos eventos representados.

c) A perda do tesouro guardado na porca denuncia as carências do sertão nordestino, pois o velho avarento não teria como recorrer aos serviços de algum banco ou instituição financeira.

d) Os vários disfarces que movimentam a ação da peça são arranjos de Euricão para proteger seu tesouro da cobiça das demais personagens.

e) Euricão atribuiu sentido literal à expressão “seu mais precioso tesouro”, empregada por Eudoro Vicente em sentido metafórico.

5. (UFSC) Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S) com relação às obras “Bagagem”, de Adélia Prado e “O Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna.

(01) Em “Bagagem”, a autora explora temas do cotidiano e, em muitos de seus poemas, homenageia autores como Carlos Drummond de Andrade, utilizando, principalmente, a intertextualidade.

(02) Apesar de tratar de temas que envolvem o cotidiano, Adélia Prado, em “Bagagem”, preferiu não abordar a religião, pois, segundo ela, “cada um tem o direito de acreditar no que quiser”.

(04) Em “O Santo e a Porca”, o autor retrata de modo cômico e satírico as atitudes do velho Euricão, para quem a filha Margarida era o único tesouro.

(08) A trama de Suassuna tem início a partir do momento em que Euricão recebe uma carta de Eudoro pedindo permissão para que Margarida se case com Dodó.

(16) Em “O Santo e a Porca”, a personagem Margarida vive, às escondidas, um romance com Dodó que, utilizando um disfarce, se passa por guardião da moça.

(32) Adélia Prado, como maior representante da poética dos anos 40, na Segunda Fase Modernista, apresenta em sua obra, quanto à forma, preocupação com a métrica e a rima; e quanto à temática, referência à realidade de modo vago e impreciso.

SOMA: 1 + 16 = 17

PINHÃO Sai ao mesmo tempo que BENONA entra.

BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e quer falar com você.

EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá fora, mas não quero falar com ele.

BENONA: Mas Eurico, nós lhe devemos certas atenções.

EURICÃO: Você, que foi noiva dele. Eu, não!

BENONA: Isso são coisas passadas.

EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi meu. Esperava que Eudoro, com todo aquele dinheiro, se tornasse meu cunhado. Era uma boca a menos e um patrimônio a mais. E o peste me traiu. Agora, parece que ouviu dizer que eu tenho um tesouro. E vem louco atrás dele, sedento, atacado de verdadeira hidrofobia. Vive farejando ouro, como um cachorro da molest’a, como um urubu, atrás do sangue dos outros. Mas ele está enganado. Santo Antônio há de proteger minha pobreza e minha devoção.

SUASSUNA, A. O santo e a porca, Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento)

6. Nesse texto teatral, o emprego das expressões “o peste” e “cachorro da molest’a” contribui para

a)marcar a classe social das personagens.

b) caracterizar usos linguísticos de uma região.

c) enfatizar a relação familiar entre as personagens.

d) sinalizar a influência do gênero nas escolhas vocabulares.

e) demonstrar o tom autoritário da fala de uma das personagens.

7.(UFSC) Acerca da peça O santo e a porca, de Ariano Suassuna, é CORRETO afirmar que:

01. o personagem Pinhão, representado como um tipo comum do interior do Nordeste brasileiro, mostra-se moldado pela sabedoria popular ao resumir situações por meio de ditados.

02. a personagem Caroba é caracterizada como uma figura feminina tipicamente submissa ao jugo masculino, o que bem representa os efeitos de uma cultura machista.

04. o bordão pronunciado por Euricão Engole-Cobra – “Ai a crise, ai a carestia!” – reforça a característica cômica desse personagem avarento.

08. a comédia de Ariano Suassuna pretende denunciar o caráter dos sovinas como algo ridículo e, por meio do riso, educar moralmente o público.

16. Santo Antônio é evocado como protetor dos pobres, como aquele que ajuda a encontrar os objetos perdidos, mas, sobretudo, como interventor direto das uniões matrimoniais, ao final da peça.

32. o personagem Euricão Engole-Cobra acaba solitário e pobre ao final da peça porque essa seria a justiça poética do destino contra a presença dos imigrantes árabes na Região Nordeste.

SOMA:  01 – 04 – 08 = 13

TEXTO PARA A QUESTÃO 08 E 09.

EURICÃO – Caroba! Olhe a caranguejeira!

CAROBA – Ai! Esta casa está cheia de bichos, Seu Euricão!

PINHÃO – Sabe por que é isso, Seu Euricão? São essas velharias que o senhor guarda aqui. Só essa porca já tem mais de duzentos anos.

CAROBA – Por que o senhor não joga isso fora? Outro dia eu e Dona Margarida quisemos fazer uma surpresa ao senhor. A gente ia jogar fora essa porca velha e comprar uma nova para lhe dar.

EURICÃO – (Arriando numa cadeira.) Ai, ai! Miseráveis, miseráveis, assassinas, bandidas! Logo minha porquinha que herdei de meu avô! Toque nela e quem vai embora é você, está ouvindo, assassina? Sou louco por essa porca! Ai Santo Antônio, querem me roubar, me assassinar, e ainda por cima comprar uma porca nova que deve custar uma fortuna! Ladrões, ladrões! Ai a crise, ai a carestia! Santo Antônio, Santo Antônio!

CAROBA – Está certo, Seu Euricão, está certo! Diabo duma agonia danada! Deixe a porca de lado, ninguém toca mais nela! Que é que vale uma porca? O negócio agora é evitar a facada que o tal do Eudoro vem lhe dar.

EURICÃO – A facada?

CAROBA – E então? O senhor vai ver se não é! Pinhão me contou como ele faz. Chega cheio de delicadezas. A essa hora, já se informou de sua devoção por Santo Antônio. Ele chega e faz que é devoto do mesmo santo. Elogia o senhor, elogia sua filha, pergunta como vão os negócios, todo amável, e vai amolando a faca. (À medida que fala, vai evocando a cena imaginária com gestos significativos e cortantes.) SUASSUNA, Ariano. O santo e a porca. 30ª. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015. pp. 50 e 51.

8. (UDESC)  Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto .

I.Em “Caroba! Olhe a caranguejeira” o termo destacado é, na morfossintaxe, substantivo e vocativo.

II. Nos períodos “Olhe a caranguejeira” e “Deixe a porca de lado, ninguém toca mais nela” tem-se a função apelativa da linguagem.

III. A locução verbal “vai amolando”, constituída por um verbo auxiliar e uma forma nominal, no texto, expressa ação progressiva.

IV. Infere-se da leitura da obra, na fala das personagens, alguns temas implícitos, tais como: desejar melhorar de vida, a solidão e o vazio existencial.

V. Na oração “Que é que vale uma porca”, a expressão destacada pode ser retirada, por ser uma partícula expletiva e, ainda assim, mantém-se o sentido e a coerência textual. Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas II, III, IV e V são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras.

e)Todas as afirmativas são verdadeiras.

9.(UDESC) Assinale a alternativa correta em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto 

a)Da leitura de “Sou louco por essa porca” infere-se que Euricão gostava da porca unicamente porque ele prezava as relíquias da família, as quais cultivava com esmero.

b) Em “Pinhão me contou como ele faz” a palavra destacada indica circunstância de tempo.

c) Em relação à oração “Por que o senhor não joga isso fora?” , passando-se a expressão destacada para o final da oração tem-se O senhor não joga isso fora por quê?

d) Da leitura da obra, infere-se que Margarida, filha de Euricão, também amava Eudoro.

e)No período “Toque nela e quem vai embora é você” , flexionando-se o verbo destacado na segunda pessoa do singular tem-se Tocai nela e quem vai embora sois vós

 TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 10 A 11. 

EURICÃO – Ai, gritaram “Pega o ladrão!”. Quem foi? Onde está? Pega, pega! Santo Antônio, Santo Antônio, que diabo de proteção é essa? Ouvi gritar “Pega o ladrão!”. Ai, a porca, ai meu sangue, ai minha vida, ai minha porquinha do coração! Levaram, roubaram!

Ai, não, está lá, graças a Deus! Que terá havido, minha Nossa Senhora? Terão desconfiado porque tirei a porca do lugar? Deve ter sido isso, desconfiaram e começaram a rondar para furtá-la! É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos, assim ninguém lhe dará importância! Ou não? Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a para aqui, sob sua proteção? Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças! É melhor trazê-la. Com a capa, porque alguém pode aparecer. Santo Antônio, faça com que não apareça ninguém! Não deixe ninguém entrar aqui. Vou buscar minha porquinha, mas não quero ninguém aqui.

SUASSUNA Ariano. O santo e a porca. 30a ed. José Olympio. RJ 2015, pp.97 e 98.

10. Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto.

I.Na peça, Ariano Suassuna procura passar uma visão satirizada entre o sagrado e o profano na cultura do sertanejo nordestino.

II. Da leitura da peça, percebe-se que no momento em que Caroba esconde o dinheiro dentro de um santo de pau-oco – Santo Antônio, Ariano Suassuna traz uma visão acerca da história do Brasil, de como procediam os traficantes de ouro, durante o auge da mineração.

III. A peça encerra com um final feliz de todas as personagens com seus pares, exceto o protagonista, Euricão, que acaba sozinho, fazendo uma reflexão sobre o significado da existência.

IV. A leitura da peça leva o leitor a inferir que, embora seja uma obra do período Modernista, o fato de a personagem Euricão viver a dualidade entre o divino e o material, há uma referência à estética barroca, pois alude ao homem sempre dividido entre o mundo espiritual e o material.

V. A obra reflete a carência do sertão nordestino quando a personagem Euricão depara-se pobre, pois o dinheiro, agora sem valor algum, fora guardado na porca devido à inexistência de alguma agência bancária ou instituição financeira, na região.

(UDESC) Assinale a alternativa correta.

a)Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

11. (UDESC) Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto.

I.Da leitura da oração “Que terá havido, minha Nossa Senhora?” , deduz-se que Euricão duvida da proteção da Santa à porca, pois seu santo de devoção era apenas Santo Antônio.

II. A leitura do texto leva o leitor a inferir que a repetição das expressões “Ai” e “ai” denota a excessiva frequência que Euricão apelava a tudo para manter segura a porca – seu tesouro

III. Quanto à colocação pronominal na oração “assim ninguém lhe dará importância” a próclise é justificada pela presença do pronome indefinido; assim a próclise também deveria ocorrer em “ou trago-a para aqui” , pois a palavra que antecede o verbo também é atrativa.

IV. A expressão “Pega o ladrão” está entre aspas para justificar a fala das personagens que queriam parodiar Euricão.

V. Na oração “Não deixe ninguém entrar aqui” as palavras destacadas são, quanto à morfossintaxe, advérbio/adjunto adverbial; pronome/sujeito e advérbio/adjunto adverbial, sequencialmente. Assinale a alternativa correta.

a)Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas II e V são verdadeiras.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

12.Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto , e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

( ) No sintagma “Vou buscar minha porquinha, mas não quero ninguém aqui” tem-se período composto por coordenação – uma oração assindética e outra sindética adversativa, e ambas têm sujeito simples desinencial.

( ) No período “É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos” (linha 6) o acento indicador da crase é justificado por ser a expressão destacada uma locução prepositiva, formada por palavra feminina.

( ) No sintagma verbal “Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças” (linha 8) a palavra destacada pode ser excluída sem que ocorra alteração de sentido no período, pois é uma partícula expletiva.

( ) Da leitura do período “Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a para aqui, sob sua proteção” (linhas 7 e 8), infere-se uma pseudo imagem de Euricão, pois o seu sentimento religioso é tragado pela idolatria ao dinheiro.

( ) A leitura do período “Terão desconfiado porque tirei a porca do lugar” (linhas 4 e 5) leva o leitor a inferir que a personagem principal, Euricão, vivia constantemente trocando a porca de lugar por insegurança, por não conseguir confiar nas pessoas que conviviam com ele. Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo.

a)V – V – V – F – V

b) V – F – V – V – V

c) V – V – V – V – V

d) V – F – V – V – F

e) F – V – F – V – F

13. (UNP) Leia as afirmações abaixo sobre a peça O santo e a porca, de Ariano Suassuna, e escolha a alternativa correta.

I – A peça é um retrato sem retoques do político nordestino durante o período do coronelismo, cuja representação é a personagem de Eudoro.

II – A peça tem como tema central a avareza, que é representada pela personagem de Euricão e a forma como cuida dos seus bens.

III – Por meio de personagens típicos do sertão nordestino, a peça discute temas universais, como o amor e o dinheiro.

IV – Por meio de personagens típicos do sertão nordestino, a peça é uma adaptação das tragédias gregas de Aristófanes.

a) Estão corretas as afirmações I, II e III.

b) Estão corretas as afirmações I e III.

c) Estão corretas as afirmações I e II.

d) Estão corretas as afirmações II e III

14. (UNEMAT) “Ladrões, ladrões! Será que me roubaram? É preciso ver, é preciso vigiar! Vivem de olho no meu dinheiro, Santo Antônio! Dinheiro conseguido duramente, dinheiro que juntei com os maiores sacrifícios…!” Esta é uma passagem de O Santo e a Porca, uma obra de Ariano Suassuna, publicada em 1957. Com base na leitura de O Santo e a Porca, assinale os itens a seguir como verdadeiros (V) ou falsos (F).

1. Trata-se de um romance que relata o dia-a-dia de uma família simples do Nordeste brasileiro.

2. O referido texto é de caráter cômico e está centrado na questão da avareza apresentada por um de seus personagens, o Euricão.

3. Através dessa peça de teatro, Ariano Suassuna apresenta questões pertinentes à sociedade e à dramaturgia brasileira ao colocar em cena um personagem que, apesar de avaro, valoriza sua família colocando-a acima de qualquer valor material.

4.Todo sentido da vida de Euricão está centrado na porca de madeira e ele é ameaçado de perdê-la através de um acontecimento inesperado: o casamento da filha.

RESPOOSTA: FVFV

15.(UFCG) Sobre as personagens Caroba, de O Santo e a Porca, e Maria Moura, de O Memorial de Maria Moura, coloque V ou F, conforme sejam Verdadeiras ou Falsas as proposições abaixo.

I.Caroba e Maria Moura, embora vivam em condições sociais semelhantes, agem de maneira diferente. A primeira é submissa, fiel e apaixonada, de modo que realiza todas as vontades do namorado sem questioná-lo. A segunda representa a figura da mulher guerreira, forte e descrente em relação ao amor.

II) Caroba é uma mulher apegada ao dinheiro que inventa histórias fabulosas recheadas de mentiras no intuito de conseguir vantagens financeiras. Ela representa uma personagem-tipo da literatura, que tem como traço principal a avareza, característica sobre a qual se sustenta toda a ação da peça.

III) Maria Moura é uma mulher forte, que exerceu influência no seu meio social, adquirindo poder e fortuna. Sua palavra era lei, numa terra sem lei, onde imperava o poder do mais forte. Para se defender e ser respeitada, travestiu-se de homem.

IV) Caroba aproxima-se da figura do anti-herói popular, conseguindo, por meio da esperteza, sobressair-se de situações adversas, ao modo de personagens como João Grilo e Pedro Malasartes. São verdadeiras as afirmações:

a) I e II.

b) II e III.

c) I e IV.

d) II e IV.

e) III e IV.

16. (UFCG)Com base no enredo de O santo e a porca, assinale a alternativa CORRETA.

a) Margarida – filha de Euricão – embora inicialmente se deixe ludibriar pelo jogo de interesse de Caroba, Pinhão e de Dodó, percebe, por fim, que o objetivo de todos é roubar o seu pai, atitude com a qual não concorda.

b) A complicação tem início, na trama com o envio da carta escrita por Eudoro Vicente a Eurico Árabe, na qual o primeiro informa que fará uma visita para pedir o bem mais precioso de Euricão, que fica apreensivo, pois imagina que lhe pedirá dinheiro emprestado.

c) Caroba e Pinhão são amantes e trabalham para o avarento Euricão Árabe, que explora os empregados a fim de acumular cada vez mais riquezas e deixa para a filha, que se sujeita a todos os caprichos do pai.

d) A história encerra-se com o casamento de Margarida com o rico fazendeiro Eudoro Vicente, após ela e o pai descobrirem que o dinheiro depositado na porca de madeira, por ter sido guardado por muito tempo, havia perdido o valor.

e) O personagem Dodô, filho de Eudoro Vicente, embora demonstre afeição pelos empregados Caroba e Pinhão, revoltado com a trama de Caroba para aproximar Margarida de Eudoro, delata a Euricão o plano dos criados de roubar a porca recheada de dinheiro.

O Pagador de Promessas

PAGADOR

(UNEB B(A)

MINHA TIA Caruru de Santa Bárbara. Antigamente a gente fazia isso e era de graça. Hoje, com a vida do jeito que está, a gente tem mesmo é que cobrar.

GALEGO (Atravessa a praça com um prato de sanduíches na mão e vai a Zé-do-Burro) Pero vo no cobro nada. (Oferece) Oferta da casa.

Pra mim?

GALEGO

Si, para usted. Cachorro-quente. Después trarê um cafezito.

Não, obrigado.

GALEGO

Pode aceitar sin constrangimento. E podemos até hacer um negócio. Se usted promete no arredar pé de cá, yo me comprometo a fornecer comida e bebida gratuitamente para los dos.

Não, não tenho fome.

 GALEGO

(Muito preocupado) Pero, asi usted no poderá resistir!

Não importa.

GALEGO

(Oferece a Rosa) A senhora não quer?…

ROSA

Não estou com vontade.

GALEGO

(Encolhe os ombros, conformado) Bien… (Volta à venda)

SECRETA

(Para o Galego) Uma meladinha.

Galego

serve a cachaça com mel. (Notando a apreensão de Rosa) Que há?

ROSA

 Ele não é nosso amigo.

E que tem isso?

ROSA

Ouvi dizer que é da polícia.

Não sou nenhum criminoso, não fiz mal a ninguém.

GOMES, Alfredo Dias. O pagador de promessas. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p. 83-85.

1.O fragmento, no contexto da obra, permite considerar correta a alternativa:

a) Zé-do-Burro, envolvido totalmente com o objetivo de cumprir a promessa, mantém-se alheio ao comportamento transgressor de Rosa.

b) Rosa resiste ao assédio de Bonitão motivada pelo desejo de persuadir Zé-do-Burro da urgência de voltar para a roça.

c) Minha Tia, ao cobrar pelo caruru de Santa Bárbara, evidencia a sua descrença nos valores religiosos do candomblé.

d) Rosa revela consciência do risco que representa a persistência de Zé de contrapor-se à autoridade constituída.

d) Galego, num gesto desinteressado, mostra o quanto está solidário com Zé-do-Burro.

2.(CEFET-PR) Leia atentamente as afirmações abaixo sobre O Pagador de Promessas e assinale a verdadeira:
a) Zé-do-Burro e sua esposa, Rosa, mantêm um relacionamento amoroso conflituoso devido a ele ser um revolucionário do campo e ela, uma beata devota.
b) O Secreta, o Delegado e o Guarda demonstram a nova face da polícia, após a ditadura de Vargas, preocupada com os direitos humanos.
c) Minha Tia e Mestre Coca são representantes do povo, católicos ardorosos, que se revoltam com as heresias cometidas por Marli e Zé-do-Burro.
d) Bonitão e Marli são o exemplo de um relacionamento moderno, em que homem e mulher usufruem dos mesmos direitos.
e) O Monsenhor e Padre Olavo representam a rigidez de princípios teóricos da doutrina católica diante de situações práticas inusitadas.

3.Em O pagador de promessas, Dias Gomes

a) propõe um ataque à Igreja católica, o que evidencia o caráter subversivo da obra.

b) instiga a polícia, causadora de tragédias populares no Brasil.

c) investe contra a ignorância do povo, fato que conduz Zé à morte.

d) ilustra a voluptuosidade das mulheres do interior ao demonstrar os interesses de Rosa em Bonitão.

e) demonstra, de modo hiperbólico, a relação brasileira com a fé

4.(UTFPR) Em O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, “ABC da Mulata Esmeralda” de Dedé Cospe-Rima que conta a história dessa mulher, “desde o nascimento, no Beco das Inocências, até a morte, por trinta facadas, na Rua da Perdição”, é de certa forma um prenúncio da própria história narrada na peça, pois:
I) a mulher de Zé-do-Burro é morta com trinta facadas quando se aproxima da roda de capoeiristas.
II) a trajetória dos personagens Zé-do-Burro e Rosa segue o mesmo caminho, da inocência à perdição.
III) Zé-do-Burro, trinta anos presumíveis, acaba morto na “rua da perdição” de sua mulher, que o traiu.
Está(ão) correta(s) somente:
a) I.
b) II.
c) III.
d) II e III.
e) I e II.

5.A linguagem de O pagador de promessas, Dias Gomes, é …, à medida em que …, numa abordagem legitimamente …

a) coloquial – apresenta variedades linguísticas – oral

b) estilizada – linguagem inventiva – formal

c) padrão – respeita a norma culta – formal

d) despojada – respeita as diferenças regionais – estilizada

e) beletrista – investe em tratamento artístico – moderna

6.(PUC-SP)Leia o seguinte fragmento de uma rubrica retirada de O pagador de promessas, peça de Dias Gomes. Ela tem, na realidade, vinte e oito anos, mas aparenta mais dez. Pinta-se com exagero, mas mesmo assim não consegue esconder a tez amarelo-esverdeada. Possui alguns traços de uma beleza doentia, uma beleza triste e suicida. Usa um vestido muito curto e decotado, já um tanto gasto e fora de moda, mas ainda de bom efeito visual. Seus gestos e atitudes refletem o conflito da mulher que quer libertar-se de uma tirania que, no entanto, é necessária ao seu equilíbrio psíquico (…). (GOMES, Dias. O pagador de promessas. 56 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011, p.27.)

Esse excerto diz respeito à seguinte personagem:

a)Marli.

b) Rosa.

c) Minha Tia.

d) Uma prostituta não nominada.

e) Uma figurante não identificada.

7.O pagador de promessas, Dias Gomes, pode ser entendido como

a) uma tragédia rural brasileira à medida que as questões agrárias ficam em segundo plano.

b) uma tragédia popular brasileira, salientada pelas más-intenções das autoridades policiais.

c) uma trama de caráter burlesco, cujo final, absurdo, ilustra a ignorância popular.

d) um retrato da fratura social brasileira, num conflito que demonstra a incompreensão de diferentes partes.

e) um rito de passagem de Zé para a verdadeira religião, simbolizado por sua imagem na cruz.

8. (UTFPR) Em O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, o personagem central, Zé-do-Burro, é casado com uma mulher que, segundo a rubrica da peça, “parece pouco ter de comum com ele. (…) Ao contrário do marido, tem “sangue quente”. “Demonstração do “sangue quente” da esposa se dá quando ela:
a) enfrenta a vendedora de Beiju devido aos ciúmes que sente do relacionamento desta com o marido.
b) bate na prostituta, até matá-la, pela traição em roubar-lhe o amante, Bonitão.
c) cansada do descaso de Zé-do-Burro, quebra a cruz, impossibilitando-o de cumprir sua promessa.
d) sem resistir, seduzida por Bonitão, entrega-se ao sensual cafetão traindo o marido.
e) delata o marido para o Secreta a fim de vingar-se da traição de Zé-do- Burro com Iansan.

9.A ironia é fator importante na peça O pagador de promessas, de Dias Gomes. Considere as seguintes afirmações sobre o uso desse recurso no texto:

I. A ironia pode ser vista no fato de Zé carregar uma cruz, trabalho braçal duro, por um burro.

II. Elemento de ironia curioso é o fato de a fé se Zé do Burro “vencer” até mesmo a divindade, sobretudo quando ele mesmo diz que Santa Bárbara o abandonou.

III. Irônico também é o diálogo entre Zé e Bonitão, uma vez que Zé entrega com confiança a mulher ao gigolô. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

10. (PAES) Leia o fragmento da obra O pagador de promessas, de Dias Gomes:

PADRE
Que ninguém agora nos acuse de intolerantes. E que todos se lembrem das palavras de Jesus: “Porque surgirão falsos Cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam a muitos” (GOMES, 2008, p. 128).

Sobre a obra O pagador de promessas, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO
A) A inserção da capoeira, no terceiro ato, intensifica o ritmo e a tensão narrativos.
B) O desfecho da narrativa possibilita a aproximação de Zé-do-burro ao Cristo crucificado.
C) O caráter polifônico da obra é evidenciado, entre outras coisas, nas expressões do personagem Galego.
D) Zé-do-burro é a personificação de um falso profeta que tenta enganar os fiéis católicos.

11. (UTFPR) Leia atentamente os excertos de rubricas retirados da peça O Pagador de Promessas, de Dias Gomes.
I) “É uma bela mulher, embora seus traços sejam um tanto grosseiros, tal como suas maneiras. (…) É agressiva em seu “sexy”, revelando, logo à primeira vista, uma insatisfação sexual e uma ânsia recalcada de romper com o ambiente em que se sente sufocar. Veste-se como uma provinciana que vem à cidade, mas também como uma mulher que não deseja ocultar os encantos que possui”.
II) “Ela tem, na realidade, vinte e oito anos, mas aparenta mais dez. Pinta-se com exagero, mas mesmo assim não consegue esconder a tez amarelo-esverdeada. Possui alguns traços de uma beleza doentia, uma beleza triste e suicida. Usa um vestido muito curto e decotado, já um tanto gasto e fora de moda, mas ainda de bom efeito visual. Seus gestos e atitudes refletem o conflito da mulher que quer libertar-se de uma tirania que, no entanto, é necessária ao seu equilíbrio psíquico…”.
Em relação às assertivas I e II é correto afirmar que:
a) em I e II tem-se a descrição da mesma mulher, Rosa, amante de Bonitão, o malandro cafetão.
b) em I tem-se a descrição de Rosa, mulher do personagem principal de O pagador de promessas.
c) em II tem-se a descrição de Rosa, amante de Bonitão, o malandro cafetão.
d) em II tem-se a descrição de Marli, mulher do personagem principal de O pagador de promessas.
e) em I e II tem-se a descrição da mesma mulher, Marli, mulher do personagem principal, Zé-do-Burro.

12.Na peça O pagador de promessas, Dias Gomes

I. expõe um drama em que um homem de vida rural, depois de ter repartido as terras, carrega uma cruz até Salvador.

II. aborda a burocracia da Igreja, que só admite da entrada da cruz depois que Zé renegar sua fé em Insã.

III. demonstra a rivalidade religiosa dos populares que, devotos do candomblé, desejam invadir a igreja. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

13. (UTFPR) Na obra O Pagador de Promessas, circulam pela praça, onde se passa a história, diversos personagens que retratam diferentes questões. Estabelecendo uma correlação entre personagens e temas, teremos:
I) Zé-do-Burro e a fé; Padre Olavo e a intransigência
II) Bonitão e o amor; Rosa e a traição
III) Galego e a ambição; Mestre Coca e o sentimento de coletividade
IV) Repórter e a vaidade; Marli e a pureza
Estão corretas somente as assertivas:
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) II e III.
e) II e IV.

14. (UFPR) Considere as seguintes afirmações sobre a obra “O pagador de promessas”, de Dias Gomes:
1. A Igreja, representada no plano mais imediato por Padre Olavo, revela-se incapaz de dialogar compreensivelmente com a tosca realidade do camponês nordestino.
2. “O pagador de promessas” traz à luz os muitos interesses escusos com os quais se corrompe e desvirtua a ação da imprensa na cidade onde transcorre a ação da peça.
3. Manipulado, enganado e despojado de seus direitos, Zé-do-Burro compõe-se, aos olhos do espectador, como vítima da opressão que pesa sobre o povo brasileiro mais desamparado.
4. A peça foi escrita e representada pela primeira vez em momento histórico no qual vicejavam ações políticas que refletiam um profundo ideal de transformação social na América Latina.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.

15. (UFPR) Qual das alternativas contém informações determinantes para o desfecho trágico de O pagador de promessas, de Dias Gomes?

a) A traição de Rosa, seduzida por Bonitão, enfraqueceu a convicção do protagonista quanto ao pagamento de sua promessa.

b) O Padre recusou-se a abrir a porta da igreja porque a promessa de Zé-do-Burro beneficiou um animal, e não um ser humano.

c) A divulgação dos feitos de Zé-do-Burro pela imprensa impediu que seu ato fervoroso assumisse conotação política.

d) Apesar de sentir que Santa Bárbara o abandonara, Zé-do-Burro não teve suas convicções abaladas pela intolerância religiosa nem pela ameaça a sua integridade física.

e) Por não aceitar a correspondência entre uma santa católica (Santa Bárbara) e uma divindade de religião afro-brasileira (Iansan), Zé-do-Burro recusou a sugestão de Minha Tia, de levar sua cruz até um terreiro de candomblé.

16. Quanto ao personagem Zé do Burro, de O pagador de promessas, de Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I.O motivo de sua promessa é a vida e a saúde de um burro, Nicolau, ferido numa tempestade.

II. O sincretismo religioso de Zé fica evidente pelo fato de ele ter feito promessa a Santa Bárbara diante de uma imagem de Insã.

III. A fé de Zé é elevada ao primeiro plano, tanto que o caso de sua mulher com Bonitão seria resolvido depois que pagasse sua promessa.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

17. (UFPR) Com base na leitura de O pagador de promessas, identifique a única alternativa que não corresponde ao texto.

a) O texto é dividido em atos e quadros.

b) Os diálogos entre as personagens são fundamentais para se compreender a evolução da ação.

c) Características físicas das personagens são especificadas em rubricas.

d) A temática do texto está voltada a dificuldades de um homem do interior em confronto com códigos culturais urbanos.

e) O narrador domina a cena final, apresentando a ação das personagens em discurso indireto.

 18. (UEL) Sobre o motivo da jornada da personagem Zé-do-Burro até Salvador, no livro O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, assinale a alternativa correta.

a) Pagamento de promessa pela conquista de suas terras.

b) Pagamento de promessa pela recuperação de Rosa.

c) Pagamento de promessa pelo restabelecimento do burro.

d) Pretexto para fazer campanha a favor da reforma agrária.

e) Pretexto para protestar contra a ditadura.

19. (UEL) Sobre as personagens de O Pagador de Promessas, assinale a alternativa correta.

a) Galego e Bonitão são artistas populares nordestinos.

b) Minha Tia e os capoeiristas são católicos praticantes do candomblé.

c) O repórter e o fotógrafo são policiais disfarçados que manipulam Zé-do-Burro.

d) O padre e a beata ilustram a intolerância religiosa.

e) Rosa e Marli representam o movimento de liberação feminina dos anos 1990.

20. Considere a tabela abaixo, relacionando os papéis de determinados segmentos da sociedade, com o mecanismo de O pagador de promessas, Dias Gomes.

1. imprensa – estabelece o papel de deturpação dos reais motivos de Zé, transformando fé até mesmo em motivos políticos.

2. religiosos – preocupados com a ordem social, os religiosos apenas protegem a imagem dogmática da Igreja.

3. Galego – dono de bar, o estrangeiro tem com única preocupação auxiliar Zé do Burro a cumprir sua promessa.

4. polícia – sem compreender a situação, a polícia, chamada por Bonitão, não só não controla a situação como é responsável pelo erro trágico do desfecho da peça. Quais relações estão corretas?

a) Apenas 1.

b) 1 e 2.

c) 2 e 3.

d) 1 e 4

e) 1, 3 e 4.

21. (UEL) Com base em O Pagador de Promessas, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o parecer crítico que analisa a obra.

a) “A mola propulsora da peça – o autor deixou bem claro – é a espinafração.”

b) “Nunca um escritor nacional se preocupou tanto em investigar sem lentes embelezadoras a realidade, mostrando-a ao público na crueza de matéria bruta.”

c) “Sério exercício de introspecção, o texto se passa em uma viagem de volta ao interior, ao encontro do pai distante.”

d) “O espectador que desejar a diversão desabrida da farsa encontrará na peça um motivo inesgotável de comicidade.”

e) “Essa intolerância erige-se, na peça, em símbolo da tirania de qualquer sistema organizado contra o indivíduo desprotegido e só.”

 22.Quanto à personagem Rosa, O pagador de promessas, Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I.Rosa compartilha da mesma fé do marido – prova disso é a espontaneidade como o acompanha na promessa.

II. A cidade aparece como algo estranho na vida de Rosa, a começar pela discussão que observa entre Bonitão e Marli.

III. O envolvimento de Rosa e Bonitão ilustra bem o caráter de corrupção da cidade em relação ao modo de vida simples de Rosa e a ingenuidade de Zé. Quais estão corretas? a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

23. (UEL) Sobre o intertexto bíblico presente em O Pagador de Promessas, considere as frases a seguir.

I.“Mas eu conheço seus adeptos! Mesmo quando se disfarçam sob a pele do cordeiro!”

II. “Por que então repete a Divina Paixão? Para salvar a humanidade?”

III. “Uma epopeia. Uma nova Ilíada, onde Troia é a Lua e o cavalo de Troia é o cavalo de São Jorge!”

IV.“É até bom demais. Nunca fez mal a ninguém, nem mesmo a um passarinho.” Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, frases com intertexto bíblico.

a) Somente as frases I e II.

b) Somente as frases I e IV.

c) Somente as frases III e IV.

d) Somente as frases I, II e III.

e) Somente as frases II, III e IV.

24. Quanto a O pagador de promessas, Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I. A Igreja é vista como burocrática e incapaz de compreender o modo de vida dos fiéis. II. A imprensa é ilustrada como instituição oportunista, embora se revele o desejo claro de fidelidade documental.

III. A violência final que se instaura demonstra a incapacidade das autoridades de entender o fenômeno que ali ocorria. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

25. (UFPR ) Leia o trecho abaixo de “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, que narra o que acontece imediatamente depois da morte de Zé do Burro:

DELEGADO (para o Secreta): Vamos buscar reforço.

(Sai, seguido do Secreta e do Guarda)

O Padre desce os degraus da igreja, em direção ao corpo de Zé do Burro.

ROSA (com rancor): Não chegue perto!

PADRE: Queria encomendar a alma dele…

ROSA: Encomendar a quem? Ao Demônio?

Considerando tanto o trecho acima quanto a totalidade da obra, considere as seguintes afirmativas:

I. O Delegado, o Secreta e o Guarda saem com a desculpa de buscar reforço, mas na verdade fogem, porque percebem que a morte de Zé do Burro foi um erro e que a justiça irá cobrar explicações deles.

II. Rosa, apesar da raiva que sente de Zé do Burro no início da peça, do constrangimento público que a situação deles representa e de se ter entregado a Bonitão, termina sentindo que são mais fortes do que antes os laços que a ligavam ao marido.

III. A reação do Padre não tem traços de caridade cristã e se dá por puro medo, já que se sente ameaçado pelo fato de todo o povo que se juntou na praça estar contra a proibição da entrada de Zé do Burro na igreja.

IV. O responsável por toda a tragédia é, no fundo, o próprio Zé do Burro, vítima da ignorância e da pobreza que geram o fanatismo religioso católico característico do Nordeste brasileiro. Assinale a alternativa CORRETA.

A) Somente a afirmativa II é verdadeira.

B) Somente a afirmativa III é verdadeira.

C) Somente a afirmativa IV é verdadeira.

D) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.

E) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras.

Zé do Burro, de faca em punho, recua em direção à igreja. Sobe um ou dois degraus, de costas. O Padre vem por trás e dá uma pancada em seu braço, fazendo com que a faca vá cair no meio da praça. Zé do Burro corre e abaixa-se para apanhá-la. Os policiais aproveitam e caem sobre ele, para subjugá-lo. E os capoeiras caem sobre os policiais para defendê-lo. Zé do Burro desapareceu na onda humana. Ouve-se um tiro. A multidão se dispersa como num estouro de boiada. Fica apenas Zé do Burro no meio da praça, com as mãos sobre o ventre. Ele dá ainda um passo em direção à igreja e cai morto.

ROSA (Num grito)

Zé! (Corre para ele)

PADRE (Num começo de reconhecimento de culpa) Virgem Santíssima!

DELEGADO (Para o Secreta) Vamos buscar reforço. (Sai, seguido do Secreta e do Guarda). O Padre desce os degraus da igreja, em direção do corpo de Zé do Burro.

ROSA (Com rancor) Não chegue perto!

 PADRE Queria encomendar a alma dele…

ROSA Encomendar a quem? Ao Demônio?

         O Padre baixa a cabeça e volta ao alto da escada. Bonitão surge na ladeira. Mestre Coca consulta os companheiros com o olhar. Todos compreendem a sua intenção e respondem afirmativamente com a cabeça. Mestre Coca inclina-se diante de Zé do Burro, segura-o pelos braços, os outros capoeiras se aproximam também e ajudam a carregar o corpo. Colocam-no sobre a cruz, de costas, com os braços estendidos, como um crucificado. Carregam-no assim, como numa padiola e avançam para a igreja. Bonitão segura Rosa por um braço, tentando levá-la dali. Mas Rosa o repele com um safanão e segue os capoeiras. Bonitão dá de ombros e sobe a ladeira. Intimidados, o Padre e o Sacristão recuam, a Beata foge e os capoeiras entram na igreja com a cruz, sobre ela o corpo de Zé do Burro. O Galego, Dedé e Rosa fecham o cortejo. Só Minha Tia permanece em cena. Quando uma trovoada tremenda desaba sobre a praça. MINHA TIA (Encolhe-se toda, amedrontada, toca com as pontas dos dedos o chão e a testa) Êparrei minha mãe! E O PANO CAI LENTAMENTE. DIAS GOMES, Alfredo de Freitas. O pagador de promessas. Disponível em: . Acesso em: 26 jul. 2016

Zé do Burro, protagonista de O pagador de promessas, havia feito uma promessa a Santa Bárbara, que lhe concedera a graça de salvar seu burro muito querido da morte. Assim, começa sua “via crucis” no primeiro ato da peça, que culmina, no terceiro e último, com um desfecho trágico.

26. O fragmento, inserido na obra, permite considerar correto afirmar que essa peça teatral evidencia que a

I. intolerância de um padre ao impedir Zé do Burro de entrar com sua cruz na igreja, a fim de cumprir sua promessa, não foi a verdadeira causa de todos os conflitos postos em tela.

II. explosão de raiva da personagem central é inaceitável diante da demonstração de fé que a movera até aquele local, longe de sua moradia, carregando um enorme e pesado madeiro sobre os ombros.

III. obstinação de um homem simples em cumprir o que havia prometido resultou não só no enfrentamento da burocracia que é imposta pela organização interior do sistema religioso católico, mas também no de outros impasses.

IV. lei, representada pela polícia, revela a incompetência das autoridades em resolver situações comuns, deixando claro, ainda, o perigo de se defender as próprias ideias num mundo onde o respeito aos semelhantes parece inexistir.

V. personagem que protagoniza a cena, para quem cumprir a promessa feita era uma questão de vida ou de morte, após o seu fim trágico, teve sua missão levada a cabo, embora de modo imprevisto, pelos que deram valor à sua crença. A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

a) I e V.

b) I, III e IV.

c) II e III.

d) III, IV e V.

e) I, II e V.

27. (FMP) Considere as seguintes afirmações sobre O Pagador de Promessas, de Dias Gomes.

IEnvolvido em uma rede de intrigas, Zé do Burro acaba não cumprindo sua palavra, deixa de pagar sua promessa à Santa Bárbara e retorna ao interior da Bahia.

II. O Pagador de Promessas é uma tragédia de cunho popular, cujo principal confronto se dá quando do cruzamento de diferentes interesses, sobretudo do mundo popular interiorano com o da grande cidade.

III. Rosa, mulher de Zé do Burro, é a única pessoa fiel ao pagador de promessas, pois não o abandona até o fim de seu martírio. Qual(is) está(ao) correta(s)?

a) Apenas a I.

b) Apenas a II.

c) Apenas a III.

d) Apenas a I e a II.

e) A I, a II e a II

Agosto

AGOSTO

1.(UFLA) Considerando a construção do texto de Rubem Fonseca, na obra Agosto, verifica-se que a linguagem é:
a) distinta, assim como a técnica narrativa, conferindo maior verossimilhança aos relatos.
b) satírica e paródica, uma vez que a obra foi elaborada em contraposição à tradição literária.
c) sobretudo agressiva, já que a relação entre os personagens é apresentada como uma relação de forças.
d) muitas vezes figurada, e suas imagens resultam freqüentemente de analogias com o mundo idealizado, fantasioso.
e) marcada por expressões grosseiras, rudes, provenientes do vocabulário relacionado à esfera política e ao sensacionalismo jornalístico.

2. (Ufop-MG) Agosto, de Rubem Fonseca, pode ser caracterizado claramente como:

a)um romance histórico.

b) um romance policial.

c) uma narrativa de aventuras e suspense.

d) uma narrativa satírica.

e) essa caracterização não é possível, uma vez que o romance mistura elementos dos gêneros policial e histórico.

3. O detetive Matos, em seu trabalho de investigação policial, toma conhecimento de episódios políticos que tiveram desfecho com a morte de um Presidente da República.
Essa afirmativa se refere a
a) O VAMPIRO DE CURITIBA, de Dalton Trevisan.
b) CICLO DAS ÁGUAS, de Moacyr Scliar.
c) AS VIRTUDES DA CASA, de Luís Antonio de Assis Brasil.
d) BANDOLEIROS, de João Gilberto Noll.
e) AGOSTO, de Rubem Fonseca.

Os jornais da manhã noticiavam em grandes manchetes o atentado. Os estudantes haviam entrado em uma greve de “protesto contra o banditismo. Nossa alma está coberta de opróbrio. Uma cova se abriu e o povo não esquecerá”. A repercussão do atentado no Congresso fora enorme. As galerias da Câmara dos Deputados e do Senado estavam lotadas quando foram abertos os trabalhos nas duas casas do Legislativo. Conforme os congressistas da oposição, “corria sangue nas ruas da capital e não havia mais tranquilidade nos lares”. Representantes de todos os partidos políticos haviam feito discursos condenando o atentado. O deputado Armando Falcão apresentara um projeto de amparo à viúva do major Vaz. Respondendo às afirmativas de Lacerda, publicadas nos jornais, de que as “fontes do crime estão no Palácio do Catete, Lutero Vargas é um dos mandantes do crime”, o líder do governo na Câmara, deputado Gustavo Capanema, ocupara a tribuna para classificar de infundadas as acusações ao filho do presidente da República. A multidão que ocupava as galerias vaiara Capanema estrepitosamente. FONSECA, Rubem. Agosto. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 74
Com base na variedade padrão escrita da língua portuguesa, na leitura do texto do livro Agosto, de Rubem Fonseca, publicado pela primeira vez em 1990, e no contexto histórico ao qual a obra remete, é CORRETO afirmar que:

01.Rubem Fonseca faz um trabalho de recriação ficcional de personagens históricas. São de sua autoria os pseudônimos “Anjo Negro” e “Corvo”, empregados para designar, respectivamente, Gregório Fortunato e Lacerda.

02. na obra, a polêmica influência de Lacerda sobre a população fica evidente em termos e expressões tais quais “lacerdismo” ou “lacerdistas doentes”, que se referem, respectivamente, às atitudes de quem apoiava Lacerda e aos adeptos de Lacerda que contraíram problemas de saúde após os protestos contra o governo.

04. o narrador que mais ganha voz em Agosto é Getúlio Vargas, tendo em vista que o ex-presidente é a personagem central da trama de Rubem Fonseca.

08. Agosto é uma obra composta por uma sucessão de narrativas curtas que se desenrolam em núcleos distintos. Tais narrações tanto se desenvolvem paralelamente no tempo e no espaço quanto dão lugar a digressões e avanços

16. Mattos, o comissário responsável pelo suposto atentado a Lacerda, incorpora o investigador de romance policial por excelência. Rubem Fonseca destaca-se nesse gênero com textos nos quais são recorrentes as investigações policiais, os crimes e a brutalidade das personagens.

32. os verbos “apresentara” (linha 07), “ocupara” (linha 10) e “vaiara” (linha 11) têm como variantes as formas compostas pelos verbos auxiliares ter e haver. Assim, sem que houvesse mudança de sentido, poderíamos substituí-los por tinha/havia apresentado, tinha/havia ocupado e tinha/havia vaiado.

64. considerando o sentido da palavra “opróbrio” (linha 02), ela está empregada adequadamente na frase: “Nas ruas, as multidões comemoravam mais uma vitória repletas de opróbrio.”

RESPOSTA: 08 + 32 = 40

 

 

A Moratória

MORATORIA

1. (UNICENTRO) Estão presentes em A Moratória, de Jorge Andrade, EXCETO
A) o patriarcalismo.
B) a nostalgia de um mundo extinto.
C) a preocupação com as aparências.
D) a valorização da sociedade industrial.
E) a condição de inferioridade da mulher.

2. (UFPR) Sábato Magaldi, importante crítico teatral brasileiro, afirma a respeito de “A moratória”:
Situando a peça em dois planos e a ação nos anos de 1929 e 1932, Jorge Andrade quis deixar bem marcada a queda irremediável da aristocracia rural. Há ironia e quase sadismo na repetição do jogo de esperança e desespero, até que o pano baixe sobre um silêncio mortal. Apenas 1929 seria o retrato da crise, da perda da fazenda com o aviltamento do preço do café. Mas um grupo não morre de uma vez, a não ser pela revolução, e “A moratória” compraz-se em consignar os estertores, a última tentativa de sobrevivência. Procura-se alegar, judicialmente, a nulidade do processo de praceamento, mas uma sutileza jurídica, arbitrária quase na indiferença com que atua, torna vão o esforço. 1932 encerra em definitivo uma fase da vida nacional e “A moratória” sela, na literatura, o processo de decomposição.
(“Panorama do teatro brasileiro”. SNT; DAC/FUNARTE; MEC, [s. d.]. p. 213.)
Pensando nas palavras do crítico, assinale a(s) alternativa(s) correta(s) a respeito de “A moratória”.
(01) O fundo histórico da peça são o crack da Bolsa de Nova Iorque e os problemas políticos que o Brasil vive na transição da República Velha para a República Nova.
(02) A fala de Joaquim, repetida diversas vezes durante a peça, “somos o que fomos”, representa seu orgulho e a certeza de que a realidade não alterará a trajetória da vida mantida até ali.
(04) Olímpio, namorado de Helena, só será aceito por Joaquim por ser advogado e, assim, ter meios para tentar reverter o processo de perda da fazenda.
(08) Joaquim e Lucília, durante o transcurso da peça, vivem processo psicológico idêntico: de personagens absolutamente duros, quase cruéis, tornam-se aos poucos mais dóceis, a ponto de acreditar que perder a fazenda foi uma lição de humildade que receberam.
(16) Alternando as falas do plano do presente e do plano do passado, a peça ganha intenso dinamismo dramatúrgico, ao mesmo tempo que marca as diferenças entre a riqueza do passado e a pobreza do presente a que está relegada uma família rural e aristocrática.
(32) Após a decadência, Helena, a esposa de Joaquim, Lucília e Marcelo, os filhos, trabalham duramente em profissões diversas para garantir o mínimo de dignidade à família falida.
RESPOSTA:01 + 02 + 16 = 19

3. (UFRN) A ação de A moratória situa-se em um momento histórico importante. Na peça, as profundas transformações por que passa a sociedade brasileira são representadas

a) pelo isolamento de Joaquim e pelo alcoolismo de Marcelo.

b) pela demissão de Marcelo do frigorífico e pela alienação de Helena.

c) pela proposta de casamento de Olímpio e pelo apego de Lucília à família.

d) pelo trabalho de Lucília e pela ida da família de Joaquim para a cidade.

4. (UFRN) Tendo em vista a composição das personagens, o autor de A moratória fornece a seguinte orientação:

 “(Olímpio e Lucília saem, abraçados, pela porta em arco. Ao mesmo tempo, Marcelo aparece à porta de seu quarto no Primeiro Plano e Helena, com uma bandeja de xícaras, à porta da cozinha no Segundo Plano. Helena volta-se e sai novamente. Marcelo encosta-se ao batente da porta, completamente atordoado.)” ANDRADE, Jorge. A moratória. Rio de Janeiro: Agir, 2003. p. 116.

Nessa orientação, o autor indica um traço psicológico que, ao longo da peça, caracteriza uma das personagens. O trecho em que isso se verifica é:

a) “Marcelo encosta-se ao batente da porta, completamente atordoado.”

b) “Ao mesmo tempo, Marcelo aparece à porta de seu quarto no Primeiro Plano e Helena, com uma bandeja de xícaras, à porta da cozinha no Segundo Plano.”

c) “Helena volta-se e sai novamente.

d) “Olímpio e Lucília saem, abraçados, pela porta em arco.”

5. (UNICENTRO) Sobre as personagens de A moratória, peça de Jorge Andrade que narra as transformações ocorridas na vida de uma família depois da perda de sua fazenda, é correto afirmar:

a) Joaquim é o chefe da família, que, depois de perder a fazenda, procura adaptar-se a um novo emprego na cidade e tenta convencer seus filhos de que não vale a pena lutar para recuperar a fazenda.

b) Lucília, filha de Joaquim, é a moça forte que, depois da perda da fazenda, sustenta a casa com pequenos trabalhos de costura; ao passo que Marcelo, seu irmão, não consegue se adaptar à nova situação e encontra refúgio na bebida.

c) Olímpio, noivo de Lucília, rompe o noivado depois da perda da fazenda, demonstrando que o que o motivava não era o amor, mas o interesse financeiro.

d) Sempre unidos e em perfeita harmonia, Joaquim e Marcelo, depois da perda da fazenda, montam um pequeno negócio na cidade, por meio do qual pretendem sustentar a família.

e) Marcelo, filho de Joaquim, é o rapaz que, depois da perda da fazenda, consegue um emprego na cidade e garante o sustento da família, enquanto Lucília, sua irmã, não consegue se adaptar à nova situação e vive deprimida, presa a um passado que não existe mais.

6. Jorge Andrade escreveu “A Moratória”, encenada em 1955 no Rio de Janeiro, cuja arquitetura dramática utiliza dois planos concomitantes – passado e presente –, além de
“diálogos construídos a partir de frases secas, cortantes, incisivas”. Segundo Sábato Magaldi, essas características evidenciam influências, entre outros, do dramaturgo:
a) Nelson Rodrigues
b) Ariano Suassuna
c) Oswald de Andrade
d) Gianfrancesco Guarnieri

7. De autoria de Jorge de Andrade, A moratória é considerada uma das grandes peças da dramaturgia brasileira. Qual o seu tema?
a) A falta de moral das classes dominantes
b) A crise cafeeira do final dos anos 20
c) A perseguição aos judeus do interior do Paraná
d) A queda da bolsa em 1929
e) Nenhuma das respostas anteriores

Carnavais, Malandros e Heróis

CARNAVAL

(UESB) Texto para as questões de 01 a 03

Numa esquina perigosa, conhecida por sua má sinalização e pelas batidas que lá ocorrem, há um acidente de automóvel. Como o motorista de um dos carros está visivelmente errado, o guarda a ele se dirige propondo abertamente esquecer o caso por uma boa propina. O homem fica indignado e, usando o “Você sabe com quem está falando?”, identifica-se como promotor público, prendendo o guarda.
Uma moça visita seu tio, um pescador. Enquanto falava com ele, passa um desconhecido e lhe dirige um gracejo muito pesado. Ouvindo o galanteador, o tio dá-lhe um soco, dizendo: “Você sabe com quem está falando? A moça é minha sobrinha!”
Num posto de atendimento público, alguém espera na fila. Antes do horário regulamentar para o término do expediente, verifica-se que o guichê está sendo fechado e o atendimento do público, suspenso.
Correndo para o responsável, essa pessoa ouve uma resposta insatisfatória, e fica sabendo que o expediente terminaria mais cedo por ordem do chefe. Manda chamar o chefe e, identificando-se como presidente do órgão em pauta, despede todo o grupo.
DAM ATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1990. p. 170-171.
1. Identifique as afirmativas verdadeiras.
Sobre os fatos narrados no texto, é correto afirmar:
I. O ocorrido apresentado no primeiro parágrafo evidencia comportamentos contraditórios dos personagens envolvidos.
II. A primeira e última ocorrência destacam que diferentes grupos humanos praticam relações interpessoais fundamentadas em posição de poder, fruto da condição social de cada um.
III. Os dois últimos acontecimentos são exemplos ilustrativos de negação das propaladas compreensão e cordialidade do brasileiro.
IV. As três situações configuram exemplos de relações sociais pautadas em leis que devem valer para todos.
V. Os três casos são representativos de relações interpessoais isentas de hierarquização de posições sociais.
As alternativas em que todas as afirmativas indicadas são verdadeiras é a
a) I e IV.
b) II e V.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) I, III, IV e V.

2. No segundo parágrafo, o agressor, ao revelar-se tio da “moça” para justificar a sua reação ao galanteio do desconhecido, mostra
a) um recurso legítimo e ponderado para resolver questões.
b) a pessoa que castiga do lado da lei, mantendo o sistema justo.
c) a visão cultural de “cada qual no seu lugar” como sendo uma mera fantasia.
d) a ideia de “consideração” como valor fundamental nas relações interpessoais.
e) um comportamento que nega a ideia de uma sociedade voltada para a integração humana.

3. O enunciador, ao usar o “Você sabe com quem está falando?”, pretende
a) criar um novo conceito de interlocutor.
b) tornar pública uma falsa ideia de sua identidade.
c) colocar o interlocutor em uma posição semelhante à sua.
d) dividir com o seu interlocutor a responsabilidade de uma ação.
e) passar uma imagem de si mesmo como alguém possuidor de autoridade.

Texto 1

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de juiz do Rio de Janeiro que reivindica que a Justiça obrigue os funcionários do prédio onde esse juiz mora a chamá-lo de “senhor” ou de “doutor”, sob pena de multa diária. Na ação judicial, o juiz argumenta que foi chamado pelo porteiro do condomínio de “você” e de “cara” e que ouviu a expressão “fala sério!” após ter feito uma reclamação.
(Mariana Oliveira. “Ministro do STF nega pedido de juiz que quer ser chamado de ‘doutor’”. http://g1.globo.com, 22.04.2014. Adaptado.)

Texto 2

O “Você sabe com quem está falando?” não parece ser uma expressão nova, mas velha, tradicional, entre nós. Na medida em que as marcas de posição e hierarquização tradicional, como a bengala, as roupas de linho branco, o anel de grau e a caneta-tinteiro no bolso de fora do paletó se dissolvem, incrementa-se imediatamente o uso da expressão separadora de posições sociais para que o igualitarismo formal e legal, mas cambaleante na prática social, possa ficar submetido a outras formas de hierarquização social.
(Roberto da Matta. Carnavais, malandros e heróis, 1983. Adaptado.)

4. (UNESP) Considerando a análise do antropólogo Roberto da Matta, o fato descrito no texto 1 pode ser corretamente interpretado como resultante:

a)da contradição entre igualitarismo liberal e autoritarismo cultural.

b) da plena assimilação cultural dos ideais iluministas de cidadania.

c) das tendências estatais de controle totalitário da existência cotidiana.

d) da superação das hierarquias sociais pela universalização ética.

e) da hegemonia ideológica da classe operária sobre a classe burguesa

Eu

EU

Texto para as questões 01 a 03

VERSOS ÍNTIMOS

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

1.Comente a postura de Augusto dos Anjos em relação à vida e à seleção vocabular feita pelo poeta e relacione-a à temática do poema.

RESPOSTA: Destaca-se o pessimismo do autor diante de uma sociedade formada por feras e que leva o homem a ser também, fera. A seleção vocabular revela o juízo de valor que o falante tem da vida e das relações humanas: enterro, lama, miserável, feras, escarro, chaga escarra.

2.Em que sentido foi empregado a palavra homem no segundo quarteto? No sentido de RESPOSTA: qualquer indivíduo, qualquer pessoa.

3.Há uma única palavra que nos passa a mínima informação sobre a identidade do interlocutor. Qual é essa palavra?

RESPOSTA: Trata-se da palavra amigo.

4. Sobre os poemas lidos de Augusto dos Anjos, assinale a alternativa incorreta:

a) Unindo o Simbolismo ao cientificismo naturalista, Augusto dos Anjos apresenta grande originalidade em seus versos, cujo ineditismo figura como uma experiência única na literatura mundial.

b) Influenciado pelo pessimismo do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, Augusto dos Anjos deixa expresso em sua poesia seus anseios e angústias existenciais.

c) Destacou-se no gênero conto, sem grandes pretensões de promover renovação estética. Criticou a falta de uma identidade genuinamente nacional através de uma linguagem inovadora e irônica.

d) Pode ser situado entre os escritores pré-modernistas devido ao caráter sincrético de sua poesia, que não priorizava uma única influência.

e) A poesia de Augusto dos Anjos emprega termos considerados “baixos” e “antipoéticos”, sobretudo se comparados à linguagem literária vigente, provocando grande estranhamento no público e na crítica especializada.

 TEXTO

VERSOS A UM COVEIRO
Augusto dos Anjos

Numerar sepulturas e carneiros,
Reduzir carnes podres a algarismos,
Tal é, sem complicados silogismos,
A aritmética hedionda dos coveiros!

Um, dois, três, quatro, cinco… Esoterismos
Da Morte! E eu vejo, em fúlgidos letreiros,
Na progressão dos números inteiros
A gênese de todos os abismos!

Oh! Pitágoras da última aritmética,
Continua a contar na paz ascética
Dos tábidos carneiros sepulcrais

Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros,
Porque, infinita como os próprios números,
A tua conta não acaba mais!
(ANJOS, Augusto dos. “Toda a poesia”. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978)

5. (PUC) a) Os versos de Augusto dos Anjos (1884 – 1914) já foram considerados “exatos como fórmulas matemáticas”.
(ROSENFELD, Anatol. “A costeleta de prata de A. dos Anjos”. Texto/contexto, São Paulo: Perspectiva, 1969, p. 268).
Justifique essa afirmativa, destacando aspectos formais do texto.
b) Transcreva de “Versos a um coveiro” palavras e expressões científicas, estabelecendo um contraste entre o poema de Augusto dos Anjos e a tradição romântica, no que se refere à abordagem da temática da morte.
RESPOSTAS:

a) A precisão matemática pode ser observada no rigor formal que estrutura o poema: a forma clássica do soneto (14 versos, 2 quartetos, 2 tercetos); e métrica e rimas regulares (predominância de versos decassílabos; nos quartetos as rimas obedecem ao esquema “abba” – rimam as últimas palavras do primeiro e quarto versos e as do segundo e terceiro versos – e nos tercetos, o esquema é “aab”).

b) O poema faz uso de palavras e expressões do campo semântico da matemática (“algarismos”; “silogismos”; “aritmética”; “progressão dos números inteiros”; “Pitágoras”) e da biologia (“Tíbias, cérebros, crânios, rádios e úmeros”). O emprego de termos técnicos racionaliza a morte, tratada como realidade objetiva, quantificável, sem mistificação. Tal perspectiva contrasta com o sentimentalismo e subjetivismo da tradição romântica, que idealiza a morte como evento transcendental.

 6.(PUC-RS) A relação entre obra, autor e comentário NÃO está correta em:
a) A idealização do passado, recordado entre laranjeiras, bananeiras e jardins, presente na obra “Primaveras”, é um dos temas comuns à lírica amorosa de Casimiro de Abreu.
b) No romance de Luiz Antônio de Assis Brasil “As virtudes da casa”, a natureza sulina atrai o viajante francês que iria desestabilizar a vida na Estância da Fonte.
c) No livro “Eu”, obra única do poeta paraibano Augusto dos Anjos, a natureza é cenário constante para os poemas lírico-amorosos.
d) Em “A divina quimera”, a atmosfera de jardins encantados, o entardecer e o amor espiritualizado ajudam a compor o tom simbolista da poesia de Eduardo Guimaraens.
e) Em “Contos gauchescos”, a paisagem sul-rio-grandense é o cenário dos registros folclóricos e das crônicas históricas que servem de matéria para Simões Lopes Neto.

Leia o poema a seguir, intitulado “A Ideia”, de Augusto dos Anjos.

“De onde ela vem? De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica…

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica!”

7. (UFRS) Assinale a alternativa correta sobre esse poema.
a) A interrogação inicial expressa o apego do poeta aos temas sentimentais do Romantismo no Brasil.
b) A linguagem, rica de imagens, utiliza um vocabulário científico para abordar uma questão filosófica.
c) O emprego de palavras como “estalactites” (ref. 1) e “moléculas” (ref. 2) mostra uma inadequação entre a linguagem científica e o conteúdo do poema.
d) O poeta adota a forma do soneto, porém rompe com o temário cientificista dominante no seu tempo.
e) No primeiro quarteto, as palavras “nebulosas” e “misteriosas” constituem rimas pobres, retomadas no segundo quarteto pelas palavras “nervosas” e “maravilhosas”.

(UFSM-RS) Leia o soneto a seguir.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigêneses da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos, “Eu”, Rio de Janeiro.

8.A partir desse soneto, é correto afirmar:
I. Ao se definir como filho do carbono e do amoníaco, o eu lírico desce ao limite inferior da materialidade biológica pois, pensando em termos de átomos (carbono) e moléculas (amoníaco), que são estudados pela Química, constata-se uma dimensão onde não existe qualquer resquício de alma ou de espírito.
II. O amoníaco, no soneto, é uma metáfora de alma, pois, segundo o eu lírico, o homem é composto de corpo (carbono) e alma (amoníaco) e, no fim da vida, o corpo (orgânico) acaba, apodrece, enquanto a alma (inorgânica) mantém-se intacta.
III. O soneto principia descrevendo as origens da vida e termina descrevendo o destino final do ser humano; retrata o ciclo da vida e da morte, permeado de dor, de sofrimento e da presença constante e ameaçadora da morte inevitável.
Está(ão) correta(s)
a) apenas II.
b) apenas III.
c) apenas I e II.
d) apenas I e III.
e) apenas II e III.
9.(Mackenzie-SP)A estrofe que NÃO apresenta elementos típicos da produção poética de

Augusto dos Anjos é:

a) Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.

b) Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja a mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

c) Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.

Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:

Na bruta ardência orgânica da sede,

Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

d) Beijarei a verdade santa e nua,

Verei cristalizar-se o sonho amigo…

Ó minha virgem dos errantes sonhos,

Filha do céu, eu vou amar contigo!

e) Agregado infeliz de sangue e cal,

Fruto rubro de carne agonizante,

Filho da grande força fecundante

De minha brônzea trama neuronial.

Para responder às questões 10 e 11, ler o texto que segue.

Eterna Mágoa  

“O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!”

Para responder à questão 10, analisar as afirmativas que seguem, sobre o poema.

I.O existir pressupõe ser tomado pela tristeza do Mundo.

II. Quanto mais o homem triste se submeter ao seu infortúnio maior será o seu sofrimento.

III. O homem tem plena consciência do seu próprio sofrimento.

IV.O sofrimento do homem ganha dimensão de eternidade.

 10.(PUC-RS) Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas

a) A I e a II, apenas.

b) A I e a III, apenas.

c) A II e a IV, apenas.

d) A III e a IV, apenas.

e) A I, a II, a III e a IV.
11. (PUC-RS) Todas as alternativas estão corretas em relação a Augusto dos Anjos, autor do poema em questão, EXCETO

a) Divulgou sua produção em um único livro.

b) Enfatizou o lado obscuro do homem.

c) Associou-se ao movimento parnasiano.

d) Escreveu sobre a carne em decomposição.

e) Produziu poesia de caráter cientificista.

12. Augusto dos Anjos é autor de um único livro, EU, editado pela primeira vez em 1912. OUTRAS POESIAS acrescentaram-se às edições posteriores. Considerando a produção literária desse poeta, pode-se dizer que:
a) foi recebida sem restrições no meio literário de sua época, alcançando destaque na história das formas literárias brasileiras.
b) revela uma militância político-ideológica que o coloca entre os principais poetas brasileiros de veio socialista.
c) foi elogiada poeticamente pela crítica de sua época, entretanto não representou um sucesso de público.
d) traduz a sua subjetividade pessimista em relação ao homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário técnico-científico-poético.
e) anuncia o Parnasianismo, em virtude das suas inovações técnico-científicas e de sua temática psicanalítica.

BUDISMO MODERNO

Tome, Dr., esta tesoura, e… corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas ida lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!
(Augusto dos Anjos)

13. (Mackenzie) Assinale a alternativa que não se aplica ao soneto anterior.
a) As três primeiras estrofes expressam uma ideia de fim, enquanto veiculam o desânimo e o ceticismo.
b) A última estrofe concretiza uma ideia de continuidade, enquanto veicula o sonho, ou a criação, que perpetua o criador.
c) A oração coordenada sindética adversativa, que constitui o verso 12, aponta para uma contrariedade de ideias, ou seja, matéria vs. espírito.
d) O cientificismo é o doador da sensação de continuidade, que salta de uma estrofe para o título e vice-versa.
e) “Fique batendo” expressa, pela continuidade temporal, uma ação incessante e ininterrupta, que se opõe à ideia de fim.
VERSOS ÍNTIMOS
Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

14. (UFRS) Considere as seguintes afirmações em relação ao poema de Augusto dos Anjos
I – O poema comenta sarcasticamente o fim da vida e contradiz os ideais de solidariedade humana.
II – Os versos demonstram que os animais são os principais responsáveis pela violência sobre a terra.
III – O poeta serviu-se da imagem do fósforo para transmitir ao eleito uma mensagem de luz e de esperança.
Quais estão corretas?
a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas I e II
d) Apenas I e III
e) I, II e III

 15.(UEM) Leia o poema a seguir e assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

Ricordanza della mia gioventu (*)

A minha ama-de-leite Guilhermina
Furtava as moedas que o Doutor me dava.
Sinhá-Mocinha, minha mãe, ralhava…
Via naquilo a minha própria ruína!

Minha ama, então, hipócrita, afetava
Susceptibilidades de menina:
“- Não, não fora ela! – “E maldizia a sina,
Que ela absolutamente não furtava.

Vejo, entretanto, agora, em minha cama,
Que a mim somente cabe o furto feito…
Tu só furtaste a moeda, o ouro que brilha…

Furtaste a moeda só, mas eu, minha ama,
Eu furtei mais, porque furtei o peito
Que dava leite para a tua filha!
(Augusto dos Anjos)

(*) “Lembrança da minha juventude”

01) O narrador desse texto se lembra da juventude com saudades, fazendo uma brincadeira com a ama-de-leite. Essa saudade é típica do gênero lírico, assim como o são os temas amorosos e a contemplação da natureza.
02) Esse soneto é bastante característico de Augusto dos Anjos, com seu contraste entre os valores efêmeros (“o ouro que brilha”) e os eternos (o leite materno, simbolizando o amor e os cuidados de mãe), sua amarga decepção com as falhas humanas e sua linguagem cheia de preciosismos.
04) O soneto tem fortes relações com a vida de Augusto dos Anjos: mulato, pobre, talentoso, não pôde avançar em sua carreira no funcionalismo público por não possuir amigos influentes e por recusar-se a dedicar seus sonetos aos poderosos; tais eram os motivos do seu tom crítico, amargo, retratando a realidade corrupta e medíocre do Brasil, especialmente do Rio de Janeiro. Em razão disso, no poema, faz menções irônicas ao Doutor, à Sinhá-Mocinha, ao ouro corruptor e à hipocrisia.
08) O eu-lírico desse texto é bastante típico de Augusto dos Anjos, com sua atitude de desgosto e de desilusão perante os fatos da vida. Contudo, esse soneto não é dos mais típicos de sua obra, uma vez que sua temática sugere um problema social, a exploração da ama, que deixa de alimentar a própria filha para dar o leite a outra criança.
16) O soneto pode ter relações com a vida de Augusto dos Anjos, filho de uma família de antigos senhores de engenho na Paraíba. Mas isso não “explica” seu sentido, que é mais o de uma grande ironia: a ama, que furtava e mentia, é posta sob outra luz, através da memória, quando o menino fala de uma culpa que não pode ser encarada como individual (o menino “furtar” o leite), mas coletiva (a situação social que obrigava a mulher a ganhar a vida vendendo o próprio leite).
32) O narrador faz uso de alguns elementos de época que estão fora de uso hoje: a) a ama-de-leite, geralmente descendente de escravos, amamentava os filhos de pais ricos; b) a crença de que o leite ajudava a formar o caráter da criança, por isso a mãe do garoto via no furto a “ruína” do filho; c) a menção à sina, que significa “destino”, remete a “tirar a sina”, crença de que alguns indivíduos com poderes divinatórios poderiam prever com exatidão o destino das crianças; d) a figura da escrava petulante, espertalhona, capaz de furtos e de pequenas malandragens.
RESPOSTA:56

Leia o poema a seguir, intitulado “A Ideia”, de Augusto dos Anjos.

“De onde ela vem? De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de £moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica…

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica!”

16. Assinale a alternativa correta sobre esse poema.
a) A interrogação inicial expressa o apego do poeta aos temas sentimentais do Romantismo no Brasil.
b) A linguagem, rica de imagens, utiliza um vocabulário científico para abordar uma questão filosófica.
c) O emprego de palavras como “estalactites” (ref. 1) e “moléculas” (ref. 2) mostra uma inadequação entre a linguagem científica e o conteúdo do poema.
d) O poeta adota a forma do soneto, porém rompe com o temário cientificista dominante no seu tempo.
e) No primeiro quarteto, as palavras “nebulosas” e “misteriosas” constituem rimas pobres, retomadas no segundo quarteto pelas palavras “nervosas” e “maravilhosas”.

(UFOP) Leia com atenção o seguinte texto:

Como uma cascavel que se enroscava,
A cidade dos lázaros dormia…
Somente, na metrópole vazia,
Minha cabeça autônoma pensava!

 Mordia-me a obsessão má de que havia,
Sob os meus pés, na terra onde eu pisava,
Um fígado doente que sangrava
E uma garganta de órfã que gemia!

 Tentava compreender com as conceptivas
Funções do encéfalo as substâncias vivas
Que nem Spencer, nem Haeckel compreenderam…

 E via em mim, coberto de desgraças,
O resultado de bilhões de raças
Que há muitos anos desapareceram!

(ANJOS, Augusto dos. Eu: poesias. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998. p. 61)

17.Assinale a alternativa incorreta:

a) É possível observar, na construção desse texto, uma tal concentração no conteúdo que faz com que a forma fique bastante negligenciada.

b) Observa-se uma tendência bastante forte para a exploração de temas mórbidos e patológicos, como nos demais poemas de Augusto dos Anjos.

c) Apresenta o poema um pendor para a representação de um cientificismo, mesmo que o impulso lírico seja uma constante presença.

d) Faz-se notar um pessimismo que, na sua exacerbação, acaba caminhando para um quase total aniquilamento.

e) Justificando a obra a que pertence, há, no poema, um individualismo bem nítido.

18. (UFOP) A respeito de Eu, de Augusto dos Anjos, é correto dizer que:

a) sendo uma obra eminentemente barroca, representa com perfeição as dualidades céu/terra, pecado/graça, treva/luz.

b) sendo uma obra eminentemente romântica, apresenta um subjetivismo exacerbado, que extrapola todos os limites.

c) sendo uma obra eminentemente parnasiana, prima pela perfeição formal, desprezando quaisquer outras preocupações.

d) sendo uma obra eminentemente simbolista, usa e abusa dos meios-tons que tanto caracterizam essa poesia nefelibata.

e) sendo uma obra de difícil classificação, reserva, mesmo assim, um lugar de destaque na poesia brasileira como um caso à parte.

19.(MACK-SP) A estrofe que NÃO apresenta elementos típicos da produção poética de Augusto dos Anjos é:

a) Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

b) Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja a mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

c) Meia-noite.
Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego!
E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

d)Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

e) Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial.

(Enem-2014)

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

(ANJOS, A. Obra completa. Rio de  Janeiro: Nova Aguilar, 1994. )

20. A poesia de  Augusto dos Anjos revela aspectos de uma literatura de  transição designada como pré-modernista. Com relação à poética e  à abordagem temática presentes no soneto, identificam-se  marcas dessa literatura de  transição,  como

(A) a forma do  soneto,  os  versos  metrificados, a  presença de  rimas, o vocabulário requintado, além do ceticismo, que antecipam conceitos estéticos vigentes no Modernismo.

(B) o  empenho do eu lírico pelo resgate da poesia simbolista, manifesta em  metáforas como “Monstro de  escuridão e rutilância” e “Influência má  dos  signos do zodíaco”.

(C) a seleção lexical emprestada do cientificismo, como se  lê em  “carbono e amoníaco”, “epigêneses da infância”, “frialdade inorgânica”, que restitui a visão naturalista do homem.

(D) a manutenção de elementos  formais vinculados à  estética do  Parnasianismo e do Simbolismo, dimensionada pela inovação  na expressividade poética e o desconcerto existencial.

(E) a ênfase no  processo de  construção de  uma poesia descritiva e ao mesmo  tempo filosófica, que incorpora  valores  morais e científicos mais tarde renovados pelos modernistas.

21. (MACK-SP) Assinale a alternativa onde aparece uma característica que não se aplica à obra de Augusto dos Anjos.
a) referência à decomposição da matéria.

b) pessimismo diante da vida.

c) amor reduzido a instinto.

d) incorporação de vocabulário científico.

e) nacionalismo exaltado.

 22. (PUC-RS)

“Triste a escutar, pancada por pancada.

A sucessividade dos segundos,

Ouço em sons subterrâneos, do orbe oriundos,

O choro da energia abandonada.”

A crítica reconhece na poesia de Augusto dos Anjos, como exemplifica a estrofe, a forte presença de uma dimensão:

a) niilista.

b) patológica.

c) cósmica.

d) estética.

e) metafísica.

Texto para as questões 23 a 28.

Psicologia de um vencido
Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

23.O poema tem como temática

a) a influência dos signos do zodíaco sobre a vida humana.

b) os medos enfrentados pelos homens durante a infância.

c) a angústia diante da decomposição fatal do corpo humano.

d) as doenças que levam o homem à morte.

24. Apresenta uma comparação os versos

a) “Sofro, desde a epigênese da infância

      A influência dos signos do zodíaco”

b) “Profundissimamente hipocondríaco,

      Este ambiente me causa repugnância…”

c) “E há de deixar-me apenas os cabelos,

      Na frialdade inorgânica da terra”

d) “Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

      Que escapa da boca de um cardíaco.”

25. São palavras que fazem parte do vocabulário científico

a) guerra e terra

b) zodíaco e ânsia

c) inorgânica e epigênese

d) signos e operário.

26.Segundo os versos do poema, o eu lírico

a) é uma pessoa cardíaca.

b) declarou guerra a vida.

c) sente-se um verme.

d) considera-se um sofredor.

27.“Monstro de escuridão e rutilância”, o verso apresenta

a) uma antítese

b) um eufemismo

c) uma hipérbole

 d) uma metonímia

28. O verme representa para o eu lírico

a) uma doença

b) um predador

c) um aliado

d) uma solução

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Notas: 1. Um dos principais constituintes da matéria orgânica. 2. Gás que se encontra nas matérias em decomposição. 3. Brilho. 4. Teoria da geração dos seres por estágios graduais. No texto, pode significar apenas origem. 5. Zona da esfera celeste dividida ao meio pela elíptica e que contém as doze constelações, representadas por animais, que o Sol parece percorrer durante um ano. Conjunto dos signos que compõe uma carta astrológica. 6. Melancólico, doentio. 7. Grande quantidade de corpos mortos; matança.

29. I.O poema contém os elementos centrais da poética de Augusto dos Anjos, que, basicamente, se funda na adoção pessoal do vocabulário científico para produzir o efeito poético de angústia existencial diante da inexorabilidade das leis da natureza.

II. Os quartetos caracterizam-se pela adoção de vocábulos dominantemente coloquiais, em contraste evidente com os tercetos, em que se acentua a preferência por termos técnico-científicos.

III. No segundo quarteto, demonstra-se o princípio de que um verso decassílabo necessariamente requer diversos vocábulos, processo em que o poeta demonstra grande virtuosismo técnico.

a) Todas estão corretas.

b) Todas estão incorretas.

c) Somente I e II estão corretas.

d) Somente I está correta.

e) Somente I e III estão corretas

TEXTO PARA AS QUESTÕES 30 E 31

Apóstrofe à carne

Quando eu pego nas carnes do meu rosto.
Pressinto o fim da orgânica batalha:
– Olhos que o húmus necrófago o estraçalha,
Diafragmas, decompondo-se, ao sol posto…

E o Homem – negro e heteróclito composto,
Onde a alva flama psíquica trabalha,
Desagrega-se e deixa na mortalha
O tacto, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!

Carne, feixe de mônadas bastardas,
Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas,
A dardejar relampejantes brilhos,

Dói-me ver, muito embora a alma te acenda,
Em tua podridão a herança horrenda,
Que eu tenho de deixar para os meus filhos!

30..(UNIFESP – SP) No soneto de Augusto dos Anjos, é evidente

(A) a visão pessimista de um “eu” cindido, que desiste de conhecer-se, pelo medo de constatar o já sabido de sua condição humana transitória.

(B) o transcendentalismo, uma vez que o “eu” desintegrado objetiva alçar voos e romper com um projeto de vida marcado pelo pessimismo e pela tortura existencial.

(C) a recorrência a ideias deterministas que impulsionam o “eu” a superar seus conflitos, rompendo um ciclo que naturalmente lhe é imposto.

(D) a vontade de se conhecer e mudar o mundo em que se vive, o que só pode ser alcançado quando se abandona a desintegração psíquica e se parte para o equilíbrio do “eu”.

(E) o uso de conceitos advindos do cientificismo do século XIX, por meio dos quais o poeta mergulha no “eu”, buscando assim explorar seu ser biológico e metafísico.

 31.(UNIFESP – SP) No plano formal, o poema é marcado por:

a) versos brancos, linguagem obscena, rupturas sintáticas.

b) vocabulário seleto, rimas raras, aliterações.

c) vocabulário antilírico, redondilhas, assonâncias.

d) assonâncias, versos decassílabos, versos sem rimas.

e) versos livres, rimas intercaladas, inversões sintáticas.

 32.(PUC-SP) Augusto dos Anjos é autor de um único livro, Eu, editado pela primeira vez em 1912. Outras Poesias acrescentaram-se às edições posteriores. Considerando a produção literária desse poeta, pode-se dizer que:

a) foi recebida sem restrições no meio literário de sua época, alcançando destaque na história das formas literárias brasileiras.

b) revela uma militância político-ideológica que o coloca entre os principais poetas brasileiros de veio socialista.

c) foi elogiada poeticamente pela crítica de sua época, entretanto não representou um sucesso de público.

d) traduz a sua subjetividade pessimista em relação ao homem e ao cosmos, por meio de um vocabulário técnico-científico-poético.

e) anuncia o Parnasianismo, em virtude das suas inovações técnico-científicas e de sua temática psicanalítica.

 33Leia o poema abaixo, de Augusto dos Anjos, e assinale a afirmativa INCORRETA.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância…

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há de deixar-me apenas os cabelos,

Na frialdade inorgânica da terra!

a) O elemento verme, que aparece no poema como sinônimo de morte, revela os traços modernistas de Augusto dos Anjos. O poeta, assim como Manuel Bandeira, usa com frequência a imagem do verme para refletir sobre a inutilidade da vida humana, cujo único fim é servir de alimento a “este operário das ruínas”.

b) A expressão “filho do carbono e do amoníaco”, presente no primeiro verso do poema, revela a preocupação do sujeito lírico em tentar definir o “eu”, o qual, na poesia de Augusto dos Anjos, figura como um mistério originado a partir da fusão de todas as energias do universo.

c) O vocabulário científico presente no poema – carbono, amoníaco, epigênese – ainda que lembre o evolucionismo naturalista, revela a problemática existencial, que se afasta do cientificismo, na medida em que revela uma profunda angústia diante da fatalidade humana. Tal aspecto pode ser observado nas duas últimas estrofes, o que nos permite aproximar Augusto dos Anjos da poesia simbolista.

d) Os dois últimos versos da primeira estrofe, “Sofro, desde a epigênese da infância,/ A influência má dos signos do zodíaco”, tematizam a miséria da existência humana desde o momento de sua constituição mais elementar, epigênese. O homem, assim, se encaminha, gradativamente, para a destruição implacável, para a “frialdade inorgânica da terra”, habitada apenas pelo verme.

e) O título do poema, “Psicologia de um vencido”, sintetiza a vivência de asco e horror do eu-lírico diante de um mundo doente, “profundissimamente hipocondríaco”. Tal fato pode ser observado pelo contraste estabelecido entre o eu e o mundo nos três

últimos versos da segunda estrofe: “Este ambiente me causa repugnância…/ Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia/ Que se escapa da boca de um cardíaco”.

Astrologia

Minha estrela não é a de Belém:

A que, parada, aguarda o peregrino.

Sem importar-se com qualquer destino

A minha estrela vai seguindo além…

– Meu Deus, o que é que esse menino tem? –

Já suspeitavam desde eu pequenino.

O que eu tenho? É uma estrela em desatino…

E nos desentendemos muito bem!

E quando tudo parecia a esmo

E nesses descaminhos me perdia

Encontrei muitas vezes a mim mesmo…

Eu temo é uma traição do instinto

Que me liberte, por acaso, um dia

Deste velho e encantado Labirinto (QUINTANA, Mario. Quintana).

A influência dos astros na vida dos homens faz-se presente, também, nos seguintes versos do poeta Augusto dos Anjos:

 “Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.”(Psicologia de um vencido. In: ANJOS, Augusto

34. Comparando o poema Astrologia, de Mario Quintana, com os versos de Augusto dos Anjos, considere as afirmativas:

I.Nos versos de Augusto dos Anjos e no poema de Mario Quintana, há uma visão pessimista da matéria, da vida e do cosmo.

II. No poema de Mario Quintana a inquietação em relação ao destino não assume um tom angustiado, como se observa nos versos de Augusto dos Anjos.

III. O poema de Mario Quintana e os versos de Augusto dos Anjos expressam a dor de existir e uma profunda descrença na vida humana.

Está(ão) correta(s):

a) todas

b) nenhuma

c) apenas I e II

d) apenas I e III

e) apenas II

Para responder à questão, leia o poema Psicologia de um Vencido, de Augusto dos Anjos: 

Psicologia de um Vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênesis da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância…

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há de deixar-me apenas os cabelos,

Na frialdade inorgânica da terra.              Augusto dos Anjos

35. I. Influenciado pela estética parnasiana, Augusto dos Anjos demonstra grande domínio técnico e gosto pela métrica, características evidenciadas através da escolha renitente pelos sonetos;

II. A influência simbolista pode ser percebida através dos temas recorrentes em sua obra, como a fascinação pela morte, a angústia e a utilização de elementos simbólicos, além do uso de metáforas;

III. A adoção do vocabulário científico produz um efeito poético de angústia existencial diante das implacáveis leis da natureza, promovendo assim uma análise sobre a efemeridade humana;

IV. Ao fazer referência ao amoníaco, Augusto dos Anjos estabelece uma metáfora entre o composto químico e a alma do eu-lírico, pois ao fim da vida a matéria se desintegra, mas a alma é inorgânica, por isso mantém-se intacta.

Julgue as proposições:

a) Todas estão corretas.

b) Todas estão incorretas.

c) Apenas IV está correta.

d) I, II e III estão corretas.

e) I e IV estão corretas.

36.A partir desse soneto, é correto afirmar:
I. Ao se definir como filho do carbono e do amoníaco, o eu lírico desce ao limite inferior da materialidade biológica pois, pensando em termos de átomos (carbono) e moléculas (amoníaco), que são estudados pela Química, constata-se uma dimensão onde não existe qualquer resquício de alma ou de espírito.
II. O amoníaco, no soneto, é uma metáfora de alma, pois, segundo o eu lírico, o homem é composto de corpo (carbono) e alma (amoníaco) e, no fim da vida, o corpo (orgânico) acaba, apodrece, enquanto a alma (inorgânica) mantém-se intacta.
III. O soneto principia descrevendo as origens da vida e termina descrevendo o destino final do ser humano; retrata o ciclo da vida e da morte, permeado de dor, de sofrimento e da presença constante e ameaçadora da morte inevitável.
Está(ão) correta(s)
a) apenas II.

b) apenas III.

c) apenas I e II.

d) apenas I e III.

e) apenas II e III.
37.Acordou, vendo sangue… – Horrível! O osso
Frontal em fogo… Ia talvez morrer,
Disse. Olhou-se no espelho. Era tão moço,
Ah! certamente não podia ser!

A crítica reconhece na poesia de Augusto dos Anjos, como exemplifica a estrofe acima, a forte presença de uma dimensão:
a) niilista

b) patológica

c) cósmica

d) estética

e) metafísica

Martírio do Artista

Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento
Que em suas fronetais células guarda!

Tarda-lhe a Ideia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento,
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento!

Tenta chorar, e os olhos sente enxutos!…
É como paralítico que, à míngua
Da própria voz, e, na, que ardente o lavra,

Febre de, em vão, falar, com os dedos brutos
Para falar, puxa e repuxa a língua,
E não lhe vem à boca uma palavra!

38.”O Martírio do Artista” foi escrito em 1906 e integra os poemas do EU. Nele, pode-se verificar:
a) o emprego de figura de linguagem, mediada por partícula conectiva, que pressupõe a existência de semelhanças entre ideias distintas.
b) o emprego da paráfrase nos versos: “Busca exteriorizar o pensamento (…)E não lhe vem à boca uma palavra!”.
c) a incidência de pontos de exclamação que, se, por um lado, corrobora o martírio do artista, por outro, insinua sua alegria por ter o pensamento exteriorizado.
d) o sofrimento do artista restrito apenas à folha de papel violentamente rasgada, visto que esta é a superfície sobre a qual o pensamento exteriorizar-se-á.
e) o não artesanato da linguagem, mas a mera preocupação conteudística voltada para o martírio do artista.

Obras Poéticas

OBRAS

Soneto LXXII

Já rompe, Nise, a matutina aurora
O negro manto, com que a noite escura,
Sufocando do Sol a face pura,
Tinha escondido a chama brilhadora.

Que alegre, que suave, que sonora,
Aquela fontezinha aqui murmura!
E nestes campos cheios de verdura
Que avultado o prazer tanto melhora!

Só minha alma em fatal melancolia,
Por te não poder ver, Nise adorada,
Não sabe inda, que coisa é alegria;

E a suavidade do prazer trocada,
Tanto mais aborrece a luz do dia,
Quanto a sombra da noite lhe agrada.
COSTA, Cláudio Manuel.

1.A quem se dirige o poeta?
2. Nas duas primeiras estrofes, descreve a natureza que o cerca:
quais elementos são mencionados? Em que tom são apresentados?
3. Nas duas últimas estrofes, o eu poético apresenta seu estado de espírito.
Há uma diferença marcante entre o tom da descrição do ambiente e o tom com que o eu poético se refere a seu estado de espírito. Qual?Por que diz, na terceira estrofe, “Só minha alma…/ Não sabe inda, que coisa é alegria”?Que consequência essa situação tem para o eu poético?

RESPOSTAS:
1. Dirige-se a Nise.
2.o amanhecer, a fonte de água e os campos verdes;
num tom positivo, prazeroso.
3.não mais a beleza e o prazer do ambiente, mas a melancolia e a tristeza;
pelo fato de não poder ver a amada;
a luz do dia o aborrece e a sombra da noite lhe agrada.

 (Ufscar-SP)  

“Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado.
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!” Cláudio Manuel da Costa. Sonetos (VlI).

4. O estilo neoclássico, fundamento do Arcadismo brasileiro, de que fez parte Cláudio Manuel da Costa, caracteriza-se pela utilização das formas clássicas convencionais, pelo enquadramento temático em paisagem bucólica pintada como lugar aprazível, pela delegação da fala poética a um pastor culto e artista, pelo gosto das circunstâncias comuns, pelo vocabulário de fácil entendimento e por vários outros elementos que buscam adequar a sensibilidade, a razão, a natureza e a beleza.
Dadas estas informações:

a) Indique qual a forma convencional clássica em que se enquadra o poema.

b) Transcreva a estrofe do poema em que a expressão da natureza aprazível, situada no passado, domina sobre a expressão do sentimento da personagem poemática.

RESPOSTAS:

a)Trata-se de um soneto, cuja forma poética é constituída de dois quartetos e dois tercetos.
b) É na terceira estrofe do poema em que o poeta descreve de modo objetivo a expressão de natureza aprazível. “Árvores aqui vi tão florescentes,/Que faziam perpétua a primavera:/Nem troncos vejo agora decadentes”

 TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Onde estou? Este sítio desconheço:

Quem fez diferente aquele prado?

Tudo outra natureza tem tomado;

E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

De estar a ela um dia reclinado.

Ali em vale um monte está mudado:

Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,

Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era:

Mas que venho a estranhar, se estão presentes

Meus males, com que tudo degenera!    (Cláudio Manuel da Costa. “Sonetos (VlI)).

5. (UFSCAR)  Um dos elementos que diferenciam Cláudio Manuel da Costa de outros poetas do Arcadismo brasileiro é o fato de ainda conservar algumas características do estilo barroco. No poema transcrito, a presença barroca se dá no rebuscamento sintático causado pelas inversões, atenuadas por exigência do ritmo e da rima. Sabendo que as inversões de ordem sintática acontecem em todas as estrofes,

a) reescreva a segunda estrofe de modo a preservar a colocação normal pedida pela sintaxe.

b) transcreva dois versos de terceto que, mesmo sendo reescritos segundo a colocação normal pedida pela sintaxe, preservem a rima escolhida pelo poeta.

RESPOSTAS:
a) Reescrevendo a segunda estrofe na colocação normal, tem-se:

Houve aqui uma fonte; eu não me esqueço

De estar reclinado a ela um dia.

Ali um monte está mudado em vale

Quanto o progresso dos anos pode.

b) Da terceira estrofe, o primeiro e o terceiro versos assim seriam reescritos:

Aqui vi árvores tão florescentes,

Nem vejo agora troncos decadentes. 

  TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

ALTÉIA

Cláudio Manuel da Costa

Aquele pastor amante,

Que nas úmidas ribeiras

Deste cristalino rio

Guiava as brancas ovelhas;

Aquele, que muitas vezes

Afinando a doce avena,

Parou as ligeiras águas,

Moveu as bárbaras penhas;

Sobre uma rocha sentado

Caladamente se queixa:

Que para formar as vozes,

Teme, que o ar as perceba. Cláudio Manuel da Costa.

6. (UNESP)  Neste fragmento do romance ALTEIA, de Cláudio Manuel da Costa, acumulam-se características peculiares do Arcadismo. Releia o texto que lhe apresentamos e, a seguir:

a) Aponte duas dessas características.

RESPOSTAS:
a) Pastoralismo e bucolismo.

b) “Aquele pastor amante”

    “Deste cristalino rio”  

(CFTMG ) Leia o soneto abaixo para responder à questão.

Para cantar de amor tenros cuidados,

Tomo entre vós, ó montes, o instrumento;

Ouvi pois o meu fúnebre lamento;

Se é que de compaixão sois animados:

Já vós vistes, que aos ecos magoados

Do trácio Orfeu parava o mesmo vento;

Da lira de 1Anfião ao doce acento

Se viram os rochedos abalados.

Bem sei, que de outros gênios o 2Destino,

Para cingir de 3Apolo a verde rama,

Lhes influiu na lira estro divino:

O canto, pois, que a minha voz derrama,

Porque ao menos o entoa um peregrino,

Se faz digno entre vós também de fama.

COSTA, Cláudio Manuel da. A poesia dos inconfidentes. (Org.: COSTA, MACHADO). São Paulo: Martins Fontes, 1966, p. 51 – 52.

Vocabulário:

1Anfião: Deus da mitologia grega, filho de Zeus e Antíope, que recebeu uma lira como presente de Apolo, que também o ensinou a tocá-la. Ele construiu a cidade de Tebas tocando a lira, pois, ao som de sua música, as pedras se moviam sozinhas.

2Destino: Na Grécia Antiga, o Destino dos deuses e dos homens era concedido às três irmãs Moiras, responsáveis por tecer e cortar o fio da vida de cada um.

3Apolo: Filho de Zeus e Latona, é considerado o deus da juventude e da luz. Apesar de ser sempre associado à imagem de um jovem viril e talentoso, não teve sucesso no amor, devido à paixão não correspondida por Dafne. O poeta Calímaco apresenta Apolo como o inventor da lira, mas outros textos indicam que quem o inventou foi seu irmão Hermes.

7. O soneto de Cláudio Manuel da Costa traz vários elementos característicos da estética árcade, como a recuperação dos valores clássicos, percebida na menção aos deuses gregos. Por meio dessa estratégia, o autor indica a

a) aspiração do eu lírico a seu destino artístico.

b) razão do eu lírico para suas escolhas poéticas.   

c) subordinação do eu lírico ao desejo dos deuses.

d) aproximação entre o eu lírico e os deuses do Panteão

8. (UFSM-RS) Autor de Obras poéticas, apresenta, em suas composições, motivos árcades. Assinale a alternativa que identifica esse autor, associando, corretamente, seu nome à característica presente nessa obra.

a) Cláudio Manuel da Costa — desencanto e brevidade do amor

b) Basílio da Gama — preocupação com feito histórico

c) Tomás Antônio Gonzaga — celebração da natureza

d) Basílio da Gama — inspiração religiosa

e) Tomás Antônio Gonzaga — celebração da amada.

9. (UEG) Leia o poema e observe a pintura a seguir para responder à questão.

Destes penhascos fez a natureza

O berço, em que nasci: oh quem cuidara,

Que entre pedras tão duras se criara

Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por empresa

Tomou logo render-me ele declara

Centra o meu coração guerra tão rara,

Que não me foi bastante a fortaleza

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,

A que dava ocasião minha brandura,

Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,

Temei, penhas, temei; que Amor tirano,

Onde há mais resistência mais se apura

COSTA, Claudio Manuel da. Soneto XCVIII. Disponível em: <http://www.bibvirt.futuro.usp.br&gt;. Acesso em: 26 ago. 2015

10. Tendo por base a comparação entre o poema e a pintura apresentados, verifica-se que

a) o poema alude a questões de ordem social e política, ao passo que a pintura faz referência a aspectos de teor material.

b) a pintura representa uma cena de teor espiritual, ao passo que o poema retrata elementos concretos de uma paisagem pedregosa.    

c) a pintura cristaliza um momento de louvor à força humana, ao passo que o poema discute questões atinentes à covardia do homem.

d) o poema sugere uma correspondência entre dureza da paisagem e dureza da alma, ao passo que a pintura metaforiza questões mitológicas.

(UFMT) Leia o poema do poeta árcade Cláudio Manoel da Costa e responda às questões 11 e 12.

VIII

Este é o rio, a montanha é esta,
Estes os troncos, estes os rochedos;
São estes inda os mesmos arvoredos;
Esta é a mesma rústica floresta.

Tudo cheio de horror se manifesta,
Rio, montanha, troncos, e penedos;
Que de amor nos suavíssimos enredos
Foi cena alegre, e urna é já funesta.

Oh quão lembrado estou de haver subido
Aquele monte, e as vezes, que baixando
Deixei do pranto o vale umedecido!

Tudo me está a memória retratando;
Que da mesma saudade o infame ruído
Vem as mortas espécies despertando.

MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através de textos. São Paulo: Cultrix, 1986.

11.(UFMT)  A respeito do texto, assinale a afirmativa verdadeira.

a) A natureza é cenário tranquilo, descrita sem levar em conta o estado de espírito de quem a descreve, como ocorre no Romantismo.

b) O poema faz elogio ao pastoralismo, criticando os males que o meio urbano traz ao homem.

c) Exemplo típico do Arcadismo, o poema apresenta a primazia da razão sobre a emoção, revelando a influência da lógica iluminista.

d) A antítese Foi cena alegre, e urna é já funesta. resume o poema, indicando a passagem do tempo e a lembrança do amor perdido.

e) Faz referência à constância da vida, à previsibilidade do destino, recomendando que se aproveite o dia.

12.(UFMT)  A respeito da construção do poema, assinale a afirmativa INCORRETA.

a) A métrica regular e a estrutura do poema, um soneto, são de inspiração greco-latina.

b) O jogo interior × exterior organiza o poema em duas partes: os dois quartetos × os dois tercetos.

c) Nas duas primeiras estrofes, as rimas são emparelhadas e interpoladas; nas duas últimas, cruzadas.

d) Apresenta períodos em ordem indireta, mas sem o radicalismo da escrita barroca.

e) Apresenta vocabulário erudito, com latinismos próprios à literatura clássica.

(Mackenzie) Torno a ver-vos ó montes: o destino
Aqui me torna a pôr nestes outeiros,
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte rico e fino.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço e mais valia,
Que da Cidade o lisonjeiro encanto;

Aqui descanse a louca fantasia;
E o que até agora se tornava pranto,
Se converta em aspectos de alegria.
13. O soneto apresenta características predominantes do:
a) Arcadismo.
b) Romantismo.
c) Parnasianismo.
d) Simbolismo.
e) Barroco.

 (ITA) Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros;
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte rico, e fino.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia,
Que da Cidade o lisonjeiro encanto;

Aqui descanse a louca fantasia;
E o que té agora se tornava em pranto,
Se converta em afetos de alegria.

14.Dadas as asserções:
I – O poema manifesta o conflito do poeta, homem nativista provinciano, ligado à terra natal, cuja formação superior deu-se na metrópole.
II – O poema mostra como o autor soube explorar a característica principal do Arcadismo: a celebração da vida urbana pelo intelectual, consciente das dificuldades da vida no campo.
III – O poema manifesta a preocupação do poeta com os problemas sociais da época: transferência de riquezas da colônia para a metrópole, oriundas da pecuária e empobrecimento do homem do campo.
está(ão) correta(s):
a) Apenas a I.
b) Apenas a II.
c) I e II.
d) I e III.
e) II e III.

 (UFES) Destes penhascos fez a natureza
O berço, em que nasci! oh queima cuidara,
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor , que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Pois mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mas se apura.  (Cláudio Manuel da Costa)

ruaruaruasol
ruaruasolrua
ruasolruarua
solruaruarua
ruaruaruas    (Ronaldo Azeredo)

15. Considerando as obras supracitadas como ilustrativas da poesia árcade e da poesia concreta, assinale a opção cuja ordem preenche CORRETAMENTE as afirmativas seguintes:

1 – “O __________ é, pois, consciência de integração: de ajustamento a uma ordem natural, social e literária, decorrendo disso a estética da imitação, por meio da qual o espírito reproduz as formas naturais, não apenas como elas aparecem à razão, mas como as conceberam e recriaram os bons autores da Antigüidade.”
2 – “Os elementos de composição característicos da poesia _________ são a organização geométrica do espaço e o jogo de semelhanças de significantes.”
3 – “Os ___________ se recusavam a uma exploração mais completa da psicologia humana, assim como se tinham negado a uma concepção mais imaginativa da linguagem.”
4 – “Talvez se pudesse concluir que um poema __________ seja definido mais ou menos assim: um tipo de composição poética centrada na utilização de poucos elementos dispostos no papel de modo a valorizar a distribuição espacial, o tamanho e a forma dos caracteres tipográficos e as semelhanças fônicas entre as palavras.”
5 – A poesia __________ significou o reconhecimento do poema como objeto também espacial, e da necessidade de procedimentos composicionais compatíveis com essa realidade.”

a) 1-Arcadismo; 2-concreta; 3-concretistas; 4-concreto; 5-árcade.
b) 1-Concretismo; 2-concreta; 3-concretistas; 4-árcade; 5-concreta.
c) 1-Arcadismo; 2-concreta; 3-árcades; 4-concreto; 5-concreta.
d) 1-Concretismo; 2-árcade; 3-árcades; 4-árcade; 5-concreta.
e) 1-Arcadismo; 2-árcade; 3-árcades; 4-concreto; 5-árcade.

(UFMG) Leia o soneto que se segue, de Cláudio Manuel da Costa.

Pastores, que levais ao monte o gado,

Vede lá como andais por essa serra;

Que para dar contágio a toda a terra,

Basta ver se o meu rosto magoado:

Eu ando (vós me vedes) tão pesado;

E a pastora infiel, que me faz guerra,

É a mesma, que em seu semblante encerra

A causa de um martírio tão cansado.

Se a quereis conhecer, vinde comigo,

Vereis a formosura, que eu adoro;

Mas não; tanto não sou vosso inimigo:

Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro;

Que se seguir quiserdes, o que eu sigo,

Chorareis, ó pastores, o que eu choro.

16.Todas as alternativas contêm afirmações corretas sobre esse soneto, exceto:

a) O poema opõe um estilo de vida simples a um estilo de vida dissimulado.

b) A palavra “guerra” enfatiza a recusa da pastora a corresponder aos afetos do poeta.

c) O sentido da visão é o predominante em todas as estrofes do poema.

d) A expressão “para dar contágio a toda a terra” revela a intensidade do sofrimento do pastor.


(ENEM) Torno a ver-vos, ó montes; o destino (verso 1)

Aqui me torna a pôr nestes outeiros,

Onde um tempo os gabões deixei grosseiros

Pelo traje da Corte, rico e fino. (verso 4)

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,

Os meus fiéis, meus doces companheiros,

Vendo correr os míseros vaqueiros (verso 7)

Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,

Que chega a ter mais preço, e mais valia (verso 10)

Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,

Aqui descanse a louca fantasia,

E o que até agora se tornava em pranto (verso 13)

Se converta em afetos de alegria.

Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.

17. Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção.

a) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”.

b) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia.

c) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional.

d) A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole.

e) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.

(UEL) Sou pastor; não te nego; os meus montados
São esses, que aí vês; vivo contente
Ao trazer entre a relva florescente
A doce companhia do meu gado.

18. Nos versos anteriores, de Cláudio Manuel da Costa, exemplifica-se o seguinte traço da lírica arcádica:
a) valorização das circunstâncias biográficas do poeta.
b) imaginação delirante de paisagens exóticas.
c) valorização das classes humildes, opostas às aristocráticas.
d) representação da natureza amena e do sentimento bucólico.
e) representação da natureza como espelho das fortes paixões.

(ENEM) Soneto VII

Onde estou? Este sítio desconheço:

Quem fez tão diferente aquele prado?

Tudo outra natureza tem tomado;

E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

De estar a ela um dia reclinado:

Ali em vale um monte está mudado:

Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,

Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era;

Mas que venho a estranhar, se estão presentes

Meus males, com que tudo degenera!   COSTA, C. M. Poemas.

19. No soneto de Cláudio Manuel da Costa, a contemplação da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que transparece uma

a) angústia provocada pela sensação de solidão.

b) resignação diante das mudanças do meio ambiente.

c) dúvida existencial em face do espaço desconhecido.

d) intenção de recriar o passado por meio da paisagem.

e) empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra.

 (UNIFESP) Leia o soneto de Cláudio Manuel da Costa para responder às questões de números 20 a 23.

“Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado.
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!”

Cláudio Manuel da Costa. Sonetos (VlI).

 20.São recursos expressivos e tema presentes no soneto, respectivamente,

a) metáforas e a ideia da imutabilidade das pessoas e dos lugares.

b) sinestesias e a superação pelo eu lírico de seus maiores problemas.

c) paradoxos e a certeza de um presente melhor para o eu lírico que o passado.

d) hipérboles e a força interior que faz o eu lírico superar seus males.

e) antíteses e o abalo emocional vivido pelo eu lírico

 21.No soneto, o eu lírico expressa-se de forma

a) eufórica, reconhecendo a necessidade de mudança.

b) contida, descortinando as impressões auspiciosas do cenário.

c) introspectiva, valendo-se da idealização da natureza.

d) racional, mostrando-se indiferente às mudanças.

e) reflexiva, explorando ambiguidades existenciais.]

 22. No contexto em que estão empregados, os termos sítio (1.º verso), tímido (4.º verso) e perpétua (10.º verso) significam, respectivamente,

a) acampamento, imaturo e permanente.

b) campo, fraco e imprescindível.

c) fazenda, obscuro e frequente.

d) lugar, receoso e eterna.

e) imediação, inseguro e duradoura.

23. Nesse soneto, são comuns as inversões, como se vê no verso – Quanto pode dos anos o progresso! – que, em ordem direta, assume a seguinte redação:

a) Quanto dos anos o progresso pode!

b) O progresso quanto pode dos anos!

c) Pode quanto dos anos o progresso!

d) Quanto o progresso dos anos pode!

e) Pode quanto o progresso dos anos!

(Cescem) – “Alguém há de cuidar que é frase inchada
Daquela que lá se usa entre essa gente
Que julga, que diz muito, e não diz nada.
O nosso humilde gênio não consente,
Que outra coisa se diga mais, que aquilo
Que só convém ao espírito inocente.”

24. Os versos de Cláudio Manuel da Costa lembram o fato de que:
a) a expressão exata, contida, que busca os limites do essencial, é traço da literatura colonial brasileira e dos primeiros movimentos estéticos pós-Independência.
b) o Barroco se esforçou por alcançar uma expressão rigorosa e comedida, a fim de espelhar os grandes conflitos do homem.
c) o Arcadismo, buscando simplicidade, se opôs à expressão intrincada a aos excessos do cultismo do Barroco.
d) o Romantismo, embora tenha refugado os rigores do formalismo neoclássico, tomou por base o sentimentalismo originário desse movimento estético.
e) o Romantismo negou os rigores da expressão clássica e lusitana, mas incorporou a tradição literária da poesia colonial.

 25.(UEL) – Sou Pastor; não te nego; os meus montados
São esses, que aí vês; vivo contente
Ao trazer entre a relva florescente
A doce companhia dos meus gados.
Os versos acima são exemplos
a) do espírito harmonioso da poesia arcádica.
b) do estilo tortuoso do período barroco.
c) do refinamento e da ostentação da poesia parnasiana.
d) do intento nacionalista na poesia romântica.
e) do humor e do lirismo dos primeiros modernistas.

26. (VUNESP-SP) Leia atentamente o seguinte texto:

Correi de leite e mel,

Ó Pátrio cio,

E abri dos seios o metal guardado;

Os borbotões de prata, e de oiro os cios

Saiam de Luso a enriquecer o estado.

Esses versos do árcade, Cláudio Manuel da Costa:

a. mostram a revolta do poeta contra a corte portuguesa.

b. usam o fingimento poético para exaltar a natureza pátria.

c. desejam que surjam o ouro e a prata dos rios da pátria para enriquecer Portugal.

d. fazem uma associação poética entre prata e leite, mel e oiro.

e. desejam que Portugal devolva o oiro ao Brasil.

 

Cartas Chilenas

CARTAS

INSTRUÇÃO: As questões de números 01 a 03 tomam por base um trecho do poema satírico Cartas Chilenas, do poeta neoclássico Tomás Antônio Gonzaga (1744- 1810), e um fragmento do poema João Boa-Morte, cabra marcado para morrer, do poeta neoconcretista Ferreira Gullar (1930).

Cartas Chilenas

Os grandes, Doroteu, da nossa Espanha

têm diversas herdades: umas delas

dão trigo, dão centeio e dão cevada;

as outras têm cascatas e pomares,

com outras muitas peças, que só servem,

nos calmosos verões, de algum recreio.

Assim os generais da nossa Chile

têm diversas fazendas: numas passam

as horas de descanso, as outras geram

os milhos, os feijões e os úteis frutos,

que podem sustentar as grandes casas.

(…)

Amigo Doroteu, és pouco esperto;

as fazendas que pinto não são dessas

que têm para as culturas largos campos

e virgens matarias, cujos troncos

levantam, sobre as nuvens, grossos ramos.

 Não são, não são fazendas onde paste

o lanudo carneiro e a gorda vaca,

a vaca, que salpica as brandas ervas

com o leite encorpado, que lhe escorre

das lisas tetas, que no chão lhe arrastam.

Não são, enfim, herdades, onde as loiras,

zunidoras abelhas de mil castas,

nos côncavos das árvores já velhas,

que bálsamos destilam, escondidas,

fabriquem rumas de gostosos favos.

Estas quintas são quintas só no nome,

pois são os dois contratos que utilizam

aos chefes, ainda mais que o próprio Estado.

Cada triênio, pois, os nossos chefes

levantam duas quintas ou herdades,

e, quando o lavrador da terra inculta

despende o seu dinheiro, no princípio,

fazendo levantar, de paus robustos,

as casas de vivenda e, junto delas,

em volta de um terreiro, as vis senzalas,

os nossos generais, pelo contrário,

quando estas quintas fazem, logo embolsam

 uma grande porção de loiras barras. (Tomás Antônio Gonzaga, Cartas Chilenas. 1.ª edição: 1788-1789.)

João Boa-Morte

Vou contar para vocês

um caso que sucedeu

na Paraíba do Norte

com um homem que se chamava

Pedro João Boa-Morte,

lavrador de Chapadinha:

 talvez tenha morte boa

porque vida ele não tinha.

Sucedeu na Paraíba

mas é uma história banal

em todo aquele Nordeste.

Podia ser em Sergipe,

Pernambuco ou Maranhão,

que todo cabra da peste

ali se chama João

Boa-Morte, vida não.

Morava João nas terras

de um coronel muito rico.

Tinha mulher e seis filhos,

 um cão que chamava “Chico”,

um facão de cortar mato,

um chapéu e um tico-tico.

Trabalhava noite e dia

nas terras do fazendeiro.

Mal dormia, mal comia,

mal recebia dinheiro;

se recebia não dava

pra acender o candeeiro

João não sabia como

fugir desse cativeiro. (Ferreira Gullar, João Boa-Morte, cabra marcado para morrer. 1.a edição: 1962.)

1.No fragmento das Cartas Chilenas, a identidade das personagens censuradas pelo eu-poemático é fragmentada em expressões como “os grandes”, “os generais” e “os chefes”. Em João Boa-Morte, embora o enunciador revele ter um nome, sua identidade também se coletiviza e ele perde a individualidade, absorvida pela situação descrita no poema. Com base nessa opção,

a) explique por que motivo essa personagem deixa de ser individualizada e acaba assumindo uma dimensão tipicamente coletiva;

b) transcreva os dois versos de João Boa-Morte, em que o eu-poemático reconhece essa coletivização da identidade.

RESPOSTAS:

a) João Boa-Morte é personagem de “uma história banal”, que poderia ter ocorrido “em todo aquele Nordeste”. O seu é, portanto, o destino de toda uma coletividade pobre e explorada. Daí porque ele “se coletiviza, perde a individualidade”, absorvida pela generalidade da situação que vive. Note-se que se trata de situação idêntica à do protagonista de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. A auto-apresentação de Severino, na introdução daquele poema dramático, deve ter sido o modelo desta apresentação de João Boa-Morte. Deve-se observar, porém, que nem no âmbito da ficção João Boa-Morte pode ser considerado o “enunciador” da narrativa, como se lê no caput da questão (“Em João Boa-Morte, embora o enunciador revele ter um nome…”). João Boa-Morte não é, de fato, nem o enunciador fictício, porque a narração não é de primeira pessoa, mas de terceira.

b) A segunda estrofe do texto transcrito é toda dedicada à “desindividualização” da personagem:

“Sucedeu na Paraíba

mas é uma história banal

em todo aquele Nordeste.

Podia ser em Sergipe,

Pernambuco ou Maranhão,

que todo cabra da peste

ali se chama João

Boa-Morte, vida não.“

2.Aspectos da métrica e da rima costumam ser diferenciais de certos períodos literários. Esses recursos podem ligar os poemas de Gonzaga e de Ferreira Gullar com o Neoclassicismo, de um lado, e com a transposição de temas para a literatura de cordel, de outro. Tendo em vista essas possibilidades,

a) aponte as diferenças entre os dois poemas, quanto ao número de sílabas métricas e quanto ao emprego de rimas;

b) identifique um par de expressões rimadas, na segunda estrofe do poema de Ferreira Gullar, que remete à região onde é típica a literatura de cordel.

RESPOSTAS:

a) Os versos das Cartas Chilenas são decassílabos brancos, isto é, sem rimas (a grande maioria desses versos corresponde ao modelo rítmico chamado heroico, com tempos fortes na sexta e décima sílabas; raramente encontram-se versos ditos sáficos, com acentuação predominante na quarta, oitava e décima sílabas: “das lisas tetas, que no chão lhe arrastam”). Os versos de João Boa-Morte são redondilhos maiores, ou seja, contam sete sílabas métricas, e a maioria deles apresenta rimas, dispostas em esquemas variáveis (dos 30 versos transcritos, 18 são rimados e 12 são brancos).

b) O “par de expressões rimadas” só pode ser “todo aquele Nordeste” e “todo cabra da peste”. O Nordeste é a “região onde é típica a literatura de cordel” e onde é típico o dialeto a que remete a expressão “cabra da peste”, designadora de homem másculo e destemido.

 3. Em João Boa-Morte, o vocábulo “cativeiro” enfatiza o tipo de tratamento, próprio da escravidão, dispensado pelo fazendeiro ao seu empregado. Nas Cartas Chilenas, o eu-poemático denuncia a corrupção das autoridades, mas, em certo momento, faz também uma referência à escravidão. Relendo o texto de Gonzaga,

a) destaque o verso desse poema que contém essa alusão a elementos ligados à escravidão;

b) indique a palavra, no verso encontrado, que resume a opinião do eu-poemático quanto à escravidão, justificando sua escolha.

RESPOSTAS:

a) O único verso que alude à escravidão no fragmento transcrito das Cartas Chilenas é “em volta de um terreiro, as vis senzalas”, onde senzalas são as habitações dos escravos.

b) Vis é a palavra que, na opinião da Banca Examinadora, “resume a opinião do eu-poemático quanto à escravidão”. Essa, porém, é apenas uma – e discutível – interpretação da passagem em questão. Com efeito, vis pode indicar apenas que as senzalas eram habitações sórdidas ou de pouco valor, sem que isso implique qualquer opinião negativa do “enunciador” acerca da escravidão. Ademais, nada indica que Gonzaga fosse antiescravista ou censurasse as condições em que viviam os escravos – ele que, como se sabe, tornou-se em Moçambique um grande mercador de escravos, tendo herdado o lucrativo negócio em razão de seu casamento com a herdeira, uma viúva analfabeta. Já antes, quando se discutiu a abolição da escravatura, como item do programa da conjuração mineira, Gonzaga foi dos que se opuseram a essa proposta.

4. O que ocorre, verdadeiramente, no prólogo de Cartas Chilenas?

RESPOSTA:

É um dos artifícios empregados na produção das Cartas Chilenas; não houve nenhum mancebo como portador delas, tampouco, seus originais foram escritos em castelhana. As cartas foram escritas por Tomás Antônio Gonzaga, em função de sua desavença com o governador de Minas Gerais Luís da Cunha Menezes.

5. Quais os pseudônimos usados nas cartas?

RESPOSTA:

Doroteu (Cláudio Manuel da Costa) – vivia aparentemente na Espanha, Critilo (Tomás Antônio Gonzaga), Fanfarrão Minésio (Luís da Cunha Meneses) Critilo diz ser o general do Chile. Onde se lê Chile deve ser província de Minas Gerais, onde se lê Santiago deve ser Vila Rica (atual Ouro Preto)

6. Trace um perfil de Luís da Cunha Meneses, de seu despotismo e das condições em que mantinha seus prisioneiros.

RESPOSTA:

Luís da Cunha Meneses na é condizente com as leis do reino, ele as extrapola com sua crueldade doentia; é apresentado como um sanguinário e torturador: “Estes tristes, mal chegam, são julgados / pelo benigno Chefe a cem açoites”.

7.(VUNESP-SP) Há no Arcadismo brasileiro uma obra satírica de forma epistolar que suscitou dúvidas de autoria durante mais de um século. Assinale abaixo a alternativa que apresente o nome correto dessa obra e seu autor mais provável:

a)reino da estupidez e Francisco de Melo Franco

b) Viola de Gereno e Domingos Caldas Barbosa

c) desertor e Manuel Inácio da Silva Alvarenga

d) Cartas chilenas e Tomás Antônio Gonzaga

e) os Bruzundangas e Lima Barreto

8.(UFU)

“Tem pesado semblante, a cor é baça

O corpo de estatura um tanto esbelta,

Feições compridas e olhadura feia,

Tem grossas sobrancelhas, testa curta,

Nariz direito e grande, fala pouco

Em rouco baixo som de mau falsete.

Sem ser velho, já tem cabelo ruço

E cobre este defeito a fria calva

À força do polvilho, que lhe deita.”

O trecho acima pertence a uma obra importante de certo período da literatura brasileira, e descreve com impiedade o tirano Luís da Cunha Menezes, que governou a cidade na época em que fervilhava uma vida cultural com traços cosmopolitas e impulsos de liberdade. Aponte dentre as alternativas abaixo aquela que explicita o título da obra, o período a que pertence e a cidade em questão.

a)Cartas chilenas, Arcadismo, Vila Rica.

b) Uraguai, Indianismo, Rio de Janeiro.

c) Cartas persas, Realismo, Ouro Preto.

d) Cartas mineiras, Romantismo, Ouro Preto.

e)Caramuru, Simbolismo, Vila Rita.

9. Ora pois, doce amigo, vou pintá-lo
Da sorte que o topei a vez primeira;
(…)
Tem pesado semblante, a cor é baça

O corpo de estatura um tanto esbelta,

Feições compridas e olhadura feia,

Tem grossas sobrancelhas, testa curta,

Nariz direito e grande, fala pouco

Em rouco baixo som de mau falsete.

Sem ser velho, já tem cabelo ruço

E cobre este defeito a fria calva

À força do polvilho, que lhe deita.

Ainda me parece que o estou vendo

no gordo rocinante escarranchado,

as longas calças pelo embigo atadas,

amarelo colete, e sobre tudo

vestida uma vermelha e justa farda. (Cartas Chilenas)
O texto  faz parte das Cartas Chilenas, produção localizada no período da nossa história literária conhecido como Arcadismo. Considerando o fragmento citado, bem como os aspectos estéticos e históricos dessas cartas, analise as afirmações abaixo.
I. As Cartas Chilenas foram emitidas por Critilo a seu destinatário, Doroteu, personagens fictícias usadas por um autor que preferiu se esconder no anonimato.
II. O conjunto das cartas se refere a personagens e situações estrangeiras, mas nelas se vê o reflexo das circunstâncias que envolveram o governo corrupto e arbitrário de Cunha Meneses, governador de Minas Gerais.
III. O trecho do poema apresentado tem uma forma eminentemente descritiva, como se pode perceber pela natureza dos tempos verbais utilizados. Um forte teor irônico-satírico perpassa essa descrição.
IV. Uma das grandes obras do Governador do Chile foi a construção de uma cadeia pública, um modesto edifício que supria as necessidades prioritárias de um centro urbano já plenamente desenvolvido.
V. As Cartas Chilenas figuram no rol das obras mais representativas do Arcadismo, apresentando todos os temas caros a essa estética, como o fugere urbem (fuga da cidade) e o locus amoenus (lugar ameno).
Estão CORRETAS apenas as afirmações:
A) I, III e IV.
B) IV e V.
C) I, II e III.
D) I, II e V.
E) II, III e IV.

10. (FUVEST) As chamadas Cartas Chilenas são obra anônima porque:

a)os originais, assinados pelo autor, perderam-se em um terremoto do Chile.

b) a ditadura que dominou o Brasil, entre 1937 e 1945, tornava perigosa a divulgação do nome de seu autor.

c) seu conteúdo pornográfico, pouco condizente com a moral da época, desaconselhava a relação da autoria.

d) contendo severas críticas ao governador de uma Província, seria imprudente a divulgação do nome de seu autor.

e) nome do autor é substituído pelo pseudônimo Fanfarrão Minésio, que os críticos ainda não conseguiram identificar.

Poema satírico sobre os desmando administrativos e morais imputados a Luís da Cunha Menezes, que governou a Capitania das Minas de 1783 e 1788:

a)Marília de Dirceu

b) Uraguai

c) Fábula do Ribeirão do Carmo

d) Vila Rica

e) Cartas Chilenas

11.(Mackenzie) – Apontar a alternativa correta:

a) Tomás Antônio Gonzaga cultivou a poesia satírica em O Desertor.

b) Na obra Cartas Chilenas, temos uma sátira contra a administração de Luís da Cunha Menezes. 

c) Nessa obra o autor se disfarça sob o nome de “Doroteu”

d) Para maior disfarce, o autor de Cartas Chilenas faz passar a ação na cidade do Rio de Janeiro.

e) Tomás Antônio Gonzaga tinha o pseudônimo de “Doroteu”.

12. (UFV) Os árcades, no Brasil, assimilaram as idéias neoclássicas europeias, muitas vezes, reinterpretando, cada um ao seu estilo, a realidade sociopolítica e cultural do país, como se observa no seguinte fragmento das “Cartas Chilenas”:

Pretende, Doroteu, o nosso chefe

erguer uma cadeia majestosa,

que possa escurecer a velha fama

da torre de Babel e mais dos grandes,

custosos edifícios que fizeram,

para sepulcros seus, os reis do Egito.

Talvez, prezado amigo, que imagine

que neste monumento se conserve,

eterna a sua glória, bem que os povos,

ingratos, não consagrem ricos bustos

nem montadas estátuas ao seu nome.

Desiste, louco chefe, dessa empresa:

um soberbo edifício levantado

sobre ossos de inocentes, construído

com lágrimas dos pobres, nunca serve

de glória ao seu autor, mas sim de opróbrio.

(GONZAGA, Tomás Antônio. “Cartas chilenas”. In: COSTA, Cláudio M. da; GONZAGA, Tomás A.; PEIXOTO, Alvarenga. “A poesia dos inconfidentes”. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 814.)

Todas as alternativas abaixo apresentam características desse estilo literário, presente nos versos acima citados, EXCETO:

a) Valorização do ideal da vida simples e tranquila.

b) Tendência ao discurso em forma de diálogo do eu poético com um interlocutor.

c) Utilização de linguagem elegante, rebuscada e artificial.

d) Intenções didáticas, expressas no tom de denúncia e sátira.

e) Caracterização do poeta como um pintor de situações e não de emoções.

13.(UNB – PAS  – Adaptada) (Descritor: Interpretar o texto á luz do conhecimento tanto da obra quanto da escola literária abordadas.)

Cartas Chilenas

295 Perguntarás agora que torpezas
Comete a nossa Chile, que mereça
Tão estranho flagelo? Não há homem
298 Que viva isento de delitos graves,
E, aonde se amontoam os viventes
Em cidades ou vilas, aí crescem
301 Os crimes e as desordens, aos milhares.
Talvez, prezado amigo, que nós, hoje,
Sintamos os castigos dos insultos
304 Que nossos pais fizeram; estes campos
Estão cobertos de insepultos ossos
De inumeráveis homens que mataram.
307 Aqui os europeus se divertiam
Em andarem à caça dos gentios
Como à caça das feras, pelos matos.
310 Havia tal que dava, aos seus cachorros,
Por diário sustento, humana carne,
Querendo desculpar tão grave culpa
313 Com dizer que os gentios, bem que tinham
A nossa semelhança, enquanto aos corpos,
Não eram como nós, enquanto às almas.
316 Que muito, pois, que Deus levante o braço
E puna os descendentes de uns tiranos
Que, sem razão alguma e por capricho,
319 Espalharam na terra tanto sangue.
(Tomás Antonio Gonzaga. Cartas chilenas. Carta 10.a, versos de 295 a 319, “Em que se contam as desordens maiores que Fanfarrão fez no seu governo”.)
Em Cartas Chilenas, um dos mais importantes textos literários brasileiros do século XVIII, Tomás Antonio Gonzaga desenvolve, por meio de discurso ácido, irônico e contestatório, a crítica aos desmandos do personagem Fanfarrão Minésio. Assim, entre história e ficção, apresenta um retrato da sociedade brasileira que começava a se organizar naquela época. Com base na leitura da obra Cartas Chilenas e, especialmente, do trecho acima destacado da Carta 10.a, julgue os itens de IV.
( ) I. Os recursos literários utilizados pelo poeta nessa obra evidenciam bucolismo, equilíbrio e harmonia, atributos que confirmam a ligação do autor com o estilo de época árcade.
( ) II. Em Cartas Chilenas, o autor busca discutir questões éticas, expressando posicionamento claramente contrário à política que visa satisfazer apenas os interesses pessoais e não, os da coletividade.
( ) III. A Carta 10.a expõe a conduta colonizadora como nociva à nova terra e a seus habitantes, ressaltando que o projeto de colonização era tirânico e espalhava violência na sociedade brasileira nascente.
( ) IV. No trecho acima destacado da Carta 10.a, está pressuposta a ideia de que os desmandos impetrados contra “Chile” representam um castigo, considerando-se, especialmente, a forma como os colonizadores tratavam os índios.
Considerando o julgamento que você fez das alternativas, assinale aquela cuja sequência está CORRETA.
a) F – V – V – V.
b) F – F – V – V.
c) V – V – F – F.
d) F – V – F – V.
e) V – F – V – F.

14. “Amigo Doroteu, prezado amigo,
abre os olhos, boceja, estende os braços
e limpa das pestanas carregadas
o pegajoso humor, que o sono ajunta.
Critilo, o teu Critilo é quem te chama;
ergue a cabeça da engomada fronha,
acorda, se ouvir queres cousas raras.
“Que cousas (tu dirás), que cousas podes
contar que valham tanto, quanto vale
dormir a noite fria em mole cama,
quando salta a saraiva nos telhados
e quando o sudoeste e os outros ventos
movem dos troncos os frondosos ramos?”http://lusitanocoelhomg2004.blogspot.com/2008/02/as-cartas-chilenas.html (Acesso em 22 de maio de 2010.)
A partir de seus estudos sobre as Cartas Chilenas, assinale a alternativa que responde a pergunta de Doroteu: que coisas são tão raras que valem tanto quanto dormir em noite fria?
a) Conhecer os problemas vivenciados pela população de Santiago, capital do Chile.
b) Ler as críticas a Fanfarrão Minésio, apelido de Luís da Cunha Meneses, governador de MG.
c) Cavalgar livremente sobre Rocinante, cavalo do governador do país chileno.
d) Conhecer os problemas da atual Ouro Preto, considerando-se que a história é cíclica.
e) Há momento em que o texto, para ser justo, elogia alguns atos do governador.

15. (UFPB) No Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles recria poeticamente os acontecimentos históricos de Minas Gerais, ocorridos no final do século XVIII. Nesta mesma época, circulavam, em Vila Rica, as Cartas Chilenas, atribuídas a Tomás Antônio Gonzaga.
O fragmento a seguir foi extraído da Carta 2 em que Critilo (Gonzaga), dirigindo-se ao seu amigo Doroteu (Cláudio Manuel da Costa), narra o comportamento do Fanfarrão Minésio (Luís da Cunha Meneses, governador de Minas).

Aquele, Doroteu, que não é Santo
Mas quer fingir-se Santo aos outros homens,
Pratica muito mais, do que pratica,
Quem segue os sãos caminhos da verdade.
Mal se põe nas Igrejas, de joelhos,
Abre os braços em cruz, a terra beija,
Entorta o seu pescoço, fecha os olhos,
Faz que chora, suspira, fere o peito;
E executa outras muitas macaquices,
Estando em parte, onde o mundo as veja.

GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas Chilenas. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 68-69.

Considerando as informações apresentadas e esse fragmento poético, é correto afirmar:

a) O autor descreve as atitudes do governador de Minas sem fazer uso de um tom irônico.

b) O autor critica algumas atitudes do governador de Minas, julgando-as dissimuladas.

c) O autor descreve, com humor, o comportamento do governador de Minas, sem apresentar um posicionamento crítico.

d) O tom satírico, presente nas Cartas Chilenas, não é observado nesse fragmento, pois, aqui, há apenas a descrição das práticas religiosas do Fanfarrão Minésio.

e) O autor chama a atenção para o fato de que o governador de Minas age com fervor, longe dos olhos dos fiéis.

16. Sobre as Cartas Chilenas, pode-se afirmar que:

a)narra a história de um peregrino no interior do Brasil na época da mineração.

b) representa uma coletânea de poemas líricos que giram em torno de Marília, nome fictício de uma donzela mineira.

c) se trata de um conjunto de poemas religiosos sobre o Barroco mineiro.

d) é uma obra que reflete, como num espelho polido, imagens do governo de Luiz da Cunha Menezes, em Minas Gerais.

e) envolve cartas que Tomás Antônio Gonzaga colecionou ao longo de sua vida de magistrado.

Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda

SERMÃO I

(UFRJ) -”Pois é possível, Senhor, que hão de ser vossas permissões argumentos contra vossa fé? (…) Que diga o herege (…) que Deus está holandês? (…). Já que o pérfido calvinista dos sucessos que só lhe merecem nossos pecados faz argumento da religião, e se jacta insciente de ser sua a verdadeira, veja ele (…) de que
parte está a verdade.”
(Padre Antônio Vieira. Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as da Holanda – 1640.)
O discurso de Vieira revela desespero diante do sucesso da empreitada da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil até aquele momento, tanto mais que os holandeses traziam consigo a pregação religiosa da Reforma anticatólica. Partindo dessa constatação:
a) cite um aspecto da pregação calvinista divergente do pensamento católico.
b) aponte o principal objetivo dos holandeses na invasão ao Nordeste brasileiro em 1630.

RESPOSTAS:

a) O calvinismo se baseia na predestinação que defende a acumulação material, o trabalho e a disciplina, como indícios da salvação divina, divergindo do conceito de usura, cuja prática era considerado pecado.
b) Controlar a produção e o comércio do açúcar no Brasil, quando, durante a União Ibérica, a Espanha retirou os holandeses dos arrendamentos concedidos pela Coroa portuguesa.

2.Vieira escreveu também um famoso sermão, em 1640, exortando os portugueses a lutar contra os holandeses, diante da iminente chegada à Bahia de uma esquadra invasora. Aqui vai um pequeno trecho desse sermão: Não hei de pedir pedindo, senão protestando e argumentando; pois esta é a licença e liberdade que tem quem não pede favor, senão justiça. Se a causa fora só nossa, e eu viera a rogar só por nosso remédio, pedira favor e misericórdia. Mas como a causa, Senhor, é mais vossa que nossa, e como venho a requerer por parte de vossa honra e glória, e pelo crédito de vosso nome — Propter nomem tuum — razão é que peça só razão, justo é que peça só justiça. (Fundação Biblioteca Nacional.)

a) Como ficou conhecido esse sermão?

b) A quem se dirige Vieira nesse trecho do sermão? Justifique com algum exemplo do texto apresentado.

RESPOSTAS:

a) Trata-se do “Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda”, um dos mais famosos do Padre Antônio Vieira. Pregado em 1640, o Sermão foi produzido no contexto da chamada União Ibérica (domínio espanhol sobre Portugal, que durou de 1580 a 1640). Em função desse domínio, Portugal se viu envolvido nas disputas comerciais que opunham Holanda e Espanha.

b) No trecho transcrito, o autor se dirige a Deus. Colocando-se como porta-voz da religião católica, a única que, no seu entender, tinha legitimidade para representar a vontade de Deus, o sermonista pede ajuda na luta contra os holandeses, associados ao protestantismo. A referência mais direta ao interlocutor aparece no vocativo “Senhor” da seguinte passagem: “Mas como a causa, Senhor, é mais vossa que nossa (…)”.

3. Leia o trecho do Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda, do Padre Antônio Vieira, e o soneto de Gregório de Matos Guerra a seguir.

Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda

Pede razão Jó a Deus, e tem muita razão de a pedir — responde por ele o mesmo santo que o arguiu — porque se é condição de Deus usar de misericórdia, e é grande e não vulgar a glória que adquire em perdoar pecados, que razão tem, ou pode dar bastante, de os não perdoar? O mesmo Jó tinha já declarado a força deste seu argumento nas palavras antecedentes, com energia para Deus muito forte: Peccavi, quid faciam tibi? Como se dissera: Se eu fiz, Senhor, como homem em pecar, que razão tendes vós para não fazer como Deus em me perdoar? Ainda disse e quis dizer mais: Peccavi, quid faciam tibi? Pequei, que mais vos posso fazer? E que fizestes vós, Jó, a Deus em pecar? Não lhe fiz pouco, porque lhe dei ocasião a me perdoar, e, perdoando-me, ganhar muita glória. Eu dever-lhe-ei a ele, como a causa, a graça que me fizer, e ele dever-me-á a mim, como a ocasião, a glória que alcançar.

 A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido;
Porque, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada:
Cobrai-a, e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Considere as seguintes afirmações sobre os dois textos.

I — Tanto Padre Vieira quanto Gregório de Matos dirigem-se a Deus mediante a segunda pessoa do plural (vós, vos): Gregório argumenta que o Senhor está empenhado em perdoá-lo, enquanto Vieira dirige-se a Deus (E que fizestes vós…) para impedir que Jó seja perdoado.

II — Padre Vieira vale-se das palavras e do exemplo de Jó, figura do Velho Testamento, para argumentar que o homem abusa da misericórdia divina ao pecar, e que Deus, de acordo com a ocasião e os argumentos fornecidos por Jó, inclina-se para o castigo no lugar do perdão.

III — Tanto Padre Vieira como Gregório de Matos argumentam sobre a misericórdia e a glória divinas: assim como Jó, citado por Vieira, declara que Deus lhe deverá a glória por tê-lo perdoado; Gregório compara-se à ovelha desgarrada que, se não for recuperada, pode pôr a perder a glória de Deus.

Quais estão corretas?

(A) Apenas I.

(B) Apenas III.

(C) Apenas I e II.

(D) Apenas II e III.

(E) I, II e III.

4. A carta que João Fernandes Vieira, um dos heróis da Restauração Pernambucana, escreveu em 1654 ao rei de Portugal dom João IV relatando o fim do domínio holandês no Brasil foi entregue na segunda-feira 18 à Universidade Federal de Pernambuco. O documento pertencia ao professor inglês Charles Ralph, um dos principais estudiosos do período da expansão portuguesa, falecido no ano passado. Pela primeira vez, o documento ficará guardado no Brasil.
(“Isto É”, n¡. 1656, 27 de junho de 2001.)

(UFSM)Quando, em 1640, os holandeses apertaram o cerco à cidade da Bahia, ameaçando invadi-la pela segunda vez, Padre Antônio Vieira, em seu “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”, bradava aos céus, suplicando a proteção de Deus para a cidade de Salvador.
Assinale a alternativa que apresenta um fragmento desse Sermão.
a) Há de tomar o pregador uma só matéria, há de defini-la para que se conheça, há de dividi-la para que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar […]
b) Este foi, Cristãos, o amor de Cristo, esta a ciência e as ciências com que nos amou, e esta a ignorância e ignorâncias sobre que somos amados […]. Sirva-nos a sua ciência de espertador, para nunca deixar de amar; sirva-nos a nossa ignorância de estímulo, para sempre amar mais e mais a quem tanto nos amou […]
c) Enquanto Páris, ignorante de si e da fortuna do seu nascimento, guardava as ovelhas do seu rebanho nos campos do monte Ida, dizem as histórias humanas que era objeto dos seus cuidados Enone, uma formosura rústica daqueles vales. Mas quando o encoberto príncipe se conheceu e soube que era filho de Príamo, rei de Tróia, como deixou o cajado e o surrão, trocou também de pensamento […]
d) Semeou uma semente só, e não muitas, porque o sermão há de ter uma só matéria, e não muitas matérias. Se o lavrador semeara primeiro trigo, e sobre trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? – Uma mata brava, uma confusão verde […]
e) Que a larga mão com que nos destes tantos domínios e reinos não foram mercês de vossa liberalidade, senão cautela e dissimulação de vossa ira, para aqui fora e longe de nossa Pátria nos matardes, nos destruirdes, nos acabardes de todo. Se esta havia de ser a paga e o fruto de nossos trabalhos, para que foi o trabalhar, para que foi o servir, para que foi o derramar tanto e tão ilustre sangue nestas conquistas? […]

No “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda”, o Padre Vieira argumenta com Deus, para convencê-lo a ajudar os portugueses na guerra contra os holandeses. Um dos argumentos utilizados é o de que
a) Ele deveria empenhar-se em perdoar aos portugueses os seus pecados, pois isso lhe aumentaria a glória.
b) Ele deveria ajudar os portugueses, porque, se as armas da Holanda invadissem a cidade, os holandeses profanariam a Arca do Testamento.
c) Ele, que tirou dos portugueses o seu rei, D. Sebastião, deveria agora compensá-los, ajudando-os na luta contra os holandeses.
d) Ele deveria ajudar os portugueses, pois, com o milagre da vitória destes sobre os holandeses, todos os gentios se converteriam ao Cristianismo.

TEXTO PARA AS QUESTÕES 5  e 6

Leia o seguinte fragmento do “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as

de Holanda”, do Padre Antônio Vieira, para responder às questões:

“Enfim, Senhor, despojados os templos e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade católica; acabar-se-á o culto divino, nascerá erva nas igrejas, como nos campos; não haverá quem entre nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará a Quaresma e a Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Chorarão as pedras das ruas como diz Jeremias que chorava as de Jerusalém destruída: chorarão as ruas de Sião, porque não há quem venha à solenidade. Ver-se-ão ermas e solitárias, e que as não pisa a devoção dos fiéis, como costumava em semelhantes dias.”

5.(.U.F. Santa Maria-RS) O texto relaciona-se à invasão holandesa no Brasil, em 1640;

nele, o orador:

a) considera os holandeses hereges e violentos com aqueles que não fossem seus compatriotas;

b) dirige-se a Deus e prevê o esvaziamento da religião católica, caso o Brasil fosse entregue aos holandeses;

c) pede a Deus que evite a invasão de ervas nos templos, a fim de preservar o patrimônio da Igreja;

d) é um profeta e previu o que realmente aconteceria com a religião católica no Brasil,

quase três séculos depois;

e) dirige-se ao rei de Portugal, a fim de salvar o país da invasão holandesa, que já começava a destruir as igrejas da cidade.

 6.(U.F. Santa Maria-RS) Padre Antônio Vieira, ao afirmar que “Chorarão as pedras das

ruas”, utiliza uma:

a) ironia.

b) onomatopeia.

c) antítese.

d) prosopopeia.          

e) gradação.

7.(Ufrgs)  Leia o trecho do Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, do Padre Antônio Vieira, e o soneto de Gregório de Matos Guerra a seguir.

 

Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda

Pede razão Jó a Deus, e tem muita razão de a pedir – responde por ele o mesmo santo que o arguiu – porque se é condição de Deus usar de misericórdia, e é grande e não vulgar a glória que adquire em perdoar pecados, que razão tem, ou pode dar bastante, de os não perdoar? O mesmo Jó tinha já declarado a força deste seu argumento nas palavras antecedentes, com energia para Deus muito forte: Peccavi, quid faciam tibi? Como se dissera: Se eu fiz, Senhor, como homem em pecar, que razão tendes vós para não fazer como Deus em me perdoar? Ainda disse e quis dizer mais: Peccavi, quid faciam tibi? Pequei, que mais vos posso fazer? E que fizestes vós, Jó, a Deus em pecar? Não lhe fiz pouco, porque lhe dei ocasião a me perdoar, e, perdoando-me, ganhar muita glória. Eu dever-lhe-ei a ele, como a causa, a graça que me fizer, e ele dever-me-á a mim, como a ocasião, a glória que alcançar.

A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido;
Porque, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada:
Cobrai-a, e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

 Assinale a alternativa correta a respeito dos textos.

a) Os autores, ao remeterem aos exemplos bíblicos de Jó e da ovelha perdida, elogiam a autoridade divina capaz de perdoar os pecados, mesmo que à custa de sua glória e de seu discernimento.

b) Jó, de acordo com Vieira, argumenta que há tanta glória em perdoar como em não perdoar, enquanto, para Gregório, o perdão concedido ao pecador renitente é a prova da glória de Deus.

c) Os autores, ao remeterem aos exemplos bíblicos de Jó e da ovelha perdida, inibem a autoridade divina que se vê constrangida a aceitar os argumentos de dois pecadores.

d) Jó, de acordo com Vieira, considera que a ocasião e a sorte impediram que a graça divina se manifestasse, enquanto para Gregório a graça divina não sofre restrições.

e) Os autores, ao remeterem aos exemplos bíblicos de Jó e da ovelha perdida, reforçam seus argumentos a favor do perdão como garantia da glória divina.   

 8.(UFRGS) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto abaixo, na ordem em que aparecem.

Diz-se que é no sermonário político que se revela o aspecto mais interessante da obra de …….. , pelo pragmatismo de suas ideias e pela capacidade de convertê-las em argumento teológico, por meio do estabelecimento de analogias entre um ou mais episódios do Velho ou do Novo Testamento e determinado acontecimento histórico. Exemplo disso é o Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, em que …….. é advertido por causa do mal que ameaça a cidade de Salvador.

(A) Antônio Vieira – Nassau

(B) José de Anchieta – Nassau

(C) Manoel da Nóbrega – o povo

(D) José de Anchieta – Deus

(E) Antônio Vieira – Deus

9.(UFMG) No “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as da Holanda”, o Padre Vieira argumenta com Deus, para convencê-Lo a ajudar os portugueses na guerra contra os holandeses. Um dos argumentos utilizados é o de que

a) Ele deveria empenhar-Se em perdoar aos portugueses os seus pecados, pois isso Lhe aumentaria a glória.

b) Ele deveria ajudar os portugueses, porque, se as armas da Holanda invadissem a cidade, os holandeses profanariam a Arca do Testamento.

c) Ele, que tirou dos portugueses o seu rei, D. Sebastião, deveria agora compensá-los, ajudando-os na luta contra os holandeses.

d) Ele deveria ajudar os portugueses, pois, com o milagre da vitória destes sobre os holandeses, todos os gentios se converteriam ao Cristianismo.