Quincas Borba

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1.(UFAC) Sobre Quincas Borba, de Machado de Assis, pode-se dizer que:

a)o romance é narrado no passado, revelando recordações da infância do autor.

b) a filosofia do “Humanitas” preconiza a paz entre os povos.

c) Sofia é uma personagem feminina caracterizadamente machadiana: fria e calculista.

d) Rubião é uma personagem livre de ambição de dois indivíduos interesseiros.

e) o romance tem em Capitu sua principal personagem.

2.O romance Quincas  Borba foi escrito:

a)na fase romântica de Machado de Assis, pois o tema principal é o amor de Rubião e Sofia.

b) no Realismo, período que se preocupava com outras classe seciais que não a burguesia e enfocava a alma humana.

c) no Pré-Modernismo quando os problemas brasileiros eram abordados de maneira crítica.

d) no Realismo-Naturalismo, período em que se explorava o regionalismo.

e) No Realismo, período em que se registravam grandes atos heroicos.

(UEL/PR) As questões de 03 a 05 referem-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).

“Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.

— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça… “

ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.

3.(UEL/PR) Com base no primeiro parágrafo do texto, considere as afirmativas a seguir.

I.O narrador, no presente, dirige suas palavras ao leitor de seu texto, conforme se pode deduzir do emprego de “vos digo”.

II.As palavras do narrador dizem respeito a um momento de meditação de Rubião sobre sua mudança de classe social, momento este do qual o narrador onisciente tem pleno conhecimento.

III. O emprego de “olha” e “entra” no tempo presente reflete o apego que o protagonista tem à sua nova condição econômica, tentando esquecer o passado.

IV.“Visse” e “cuidaria” aí estão para registrar uma possibilidade de interpretação que, na verdade, condiz com o que realmente é relatado pelo narrador.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.                        b) I e IV.                c) III e IV.                  d) I, II e III.             e) II, III e IV.

4.(UEL/PR) Há, na passagem citada, um narrador a situar a personagem, Rubião, no espaço e no tempo. Há, concomitantemente, o discurso direto através do qual a própria personagem se apresenta. Neste jogo entre o que o narrador diz de Rubião e o registro do que o próprio Rubião pensa, é correto afirmar que a personagem é:

a) Um novo rico a oscilar entre os valores determinados pelo capital e os valores determinados pela família.

b) Um novo rico a encarar a si mesmo, ao mundo que o rodeia e à própria família pela ótica do capital.

c) Um ex-professor que, embora rico, continua encarando a si mesmo, aos familiares e ao universo circundante pela ótica da humildade.

d) Um ex-professor deslumbrado com sua nova situação de capitalista a encarar a família pelos valores religiosos.

e) Um capitalista esquecido de sua antiga situação de professor e, desta forma, renegando seu próprio passado.

5.(UEL/PR) Considerando os trechos transcritos nas alternativas a seguir, assinale a que apresenta maior distanciamento temporal do presente no qual o narrador nos relata que Rubião está à janela de sua casa em Botafogo.

a) “Cotejava o passado com o presente.”

b) “Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã.”

c) “(umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha)”.

d) “mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa.”

e) “Olha para si, para as chinelas (…) para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu”.

(UEL/PR) As questões de 06 a 08 referem-se ao texto III, extraído do sexto capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).

“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”

ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 648-649.

6.(UEL/PR) Nessa passagem, quem fala é Quincas Borba, o filósofo. Suas palavras são dirigidas a Rubião, ex-professor, futuro capitalista, mas, no momento, apenas enfermeiro de Quincas Borba. É correto afirmar que a maneira como constrói esse discurso revela preocupação com:

a) A clareza e a objetividade, uma vez que visa à compreensão de Rubião da filosofia por ele criada, o Humanitismo.

b) A emotividade de suas palavras, dado objetivar despertar em Rubião piedade pelos vencidos e ódio pelos vencedores.

c) A informação a ser transmitida, pois Rubião, sendo seu herdeiro universal, deverá aperfeiçoar o Humanitismo.

d) O envolvimento de Rubião com a filosofia por ele criada, o Humanitismo, dada a urgência em arregimentar novos adeptos.

e) O estabelecimento de contato com Rubião, uma vez que o mesmo possui carisma para perpetuar as novas ideias.

7.(UEL/PR) Com base nas palavras de Quincas Borba, considere as afirmativas a seguir.

I.As duas tribos existem separadamente uma da outra.

II.A necessidade de alimentação determina os termos do relacionamento entre as duas tribos.

III. O relacionamento entre as duas tribos pode ser amistoso (“dividem entre si as batatas”) ou competitivo (“uma das tribos extermina a outra”).

IV.O campo de batatas determina a vitória ou a derrota de cada uma das tribos.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e IV.              b) II e III.                   c) III e IV.           d) I, II e III.          e) I, II e IV.

8.(UEL/PR) O Humanitismo, filosofia criada por Quincas Borba, é revelador:

a) Do posicionamento crítico de Machado de Assis aos muitos “ismos” surgidos no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.

b) Da admiração de Machado de Assis pelos muitos “ismos” surgidos no início do século XX: futurismo, impressionismo, dadaísmo.

c) Da capacidade de Machado de Assis em antever os muitos “ismos” que surgiriam no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.

d) Da preocupação didática de Machado de Assis com a transmissão de conhecimentos filosóficos consolidados na época.

e) Da competência de Machado de Assis em antecipar a estética surrealista surgida no século XX.

9.(UFT) “Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena.”

MACHADO DE ASSIS, J. M. “Quincas Borba”. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004. v. I, p. 644.

A partir da leitura desse trecho, é CORRETO afirmar que a obra Quincas Borba.

a) aborda a filosofia de Quincas Borba como algo inventado por Rubião.

b) dissimula o personagem principal quando lhe dá o nome de um cão.

c) se constitui em um romance escrito por um narrador que já tinha morrido.

d) utiliza a intertextualidade, pois remete a outra narrativa do mesmo autor.

10.(UFT) “Rubião conheceu-o também; e respondeu-lhe que não era nada. Capturara o rei da Prússia, não sabendo ainda se o mandaria fuzilar ou não; era certo, porém, que exigiria uma indenização pecuniária enorme, – cinco bilhões de francos. – Ao vencedor, as batatas! concluiu rindo.”

MACHADO DE ASSIS, J. M. “Quincas Borba”. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004. v. I, p. 806.

Com base na leitura de Quincas Borba, é CORRETO afirmar que, nesse trecho, o Autor.

a) Apresenta o personagem em seus últimos momentos, num estágio avançado. de delírio.

b) Indica que Rubião, personagem marcado pela derrota, ao final alcançou seus. objetivos.

c) Mostra como a vitória de Rubião sobre o rei é uma metáfora de seu sucesso como escritor.

d) Revela que o vencedor se auto ironiza, pois aceita a indenização em francos ou batatas.

11.(UFT) Com base na leitura de Quincas Borba, de Machado de Assis, julgue os itens I e II.

I.O romance apresenta uma característica bastante marcada do Realismo, qual seja, a análise do comportamento humano condicionado pela sociedade.

II.As teorias evolucionistas e positivistas constituem-se em correntes do pensamento ironizadas ao longo da obra.

I verdadeiro; II verdadeiro.

12.(PUC/RS) No início de Quincas Borba, a personagem Rubião avalia sua trajetória, enquanto olha para o mar, para os morros, para o céu, da janela de sua casa, em Botafogo. Passara de __________ a capitalista ao __________. Mas, no final do romance, o personagem acaba morrendo na miséria.

As lacunas podem ser correta e respectivamente preenchidas por:

a) jornalista receber um prêmio                                      d) professor receber uma herança

b) enfermeiro se tornar comerciante                             e) filósofo investir em terras

c) enfermeiro se casar com Sofia

13.(CEFET-PR) A filosofia de Quincas Borba é explicada nos primeiros capítulos do romance. Posteriormente, em alguns momentos de delírio, Rubião recorda-se dos ensinamentos do mestre e os sintetiza na frase: “Ao vencedor, as batatas”. A versão completa da máxima, enunciada por Quincas a Rubião no cap. 6, é esta: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.
A filosofia inventada por Quincas Borba pode ser comprovada com os seguintes acontecimentos do romance, EXCETO:
a) a organização da comissão das Alagoas.
b) a morte da avó de Quincas, atropelada por carro puxado a cavalos.
c) o tipo de relação estabelecida entre Camacho e Rubião.
d) o empenho de D. Fernanda em casar Maria Benedita.
e) o gesto de Rubião de salvar de um atropelamento o menino Deolindo

14.(FATEC) Leia o texto para responder à próxima questão.
Capítulo CC
Poucos dias depois, [Rubião] morreu… Não morreu súbdito nem vencido. Antes de principiar a agonia, que foi curta, pôs a coroa na cabeça, — uma coroa que não era, ao menos, um chapéu velho ou uma bacia, onde os espectadores palpassem a ilusão. Não, senhor; ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada; só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas. O esforço que fizera para erguer meio corpo não durou muito; o corpo caiu outra vez; o rosto conservou porventura uma expressão gloriosa.
— Guardem a minha coroa, murmurou. Ao vencedor…
A cara ficou séria porque a morte é séria; dous minutos de agonia, um trejeito horrível, e estava assinada a abdicação.

Capitulo CCI
Queria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois. Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá titulo ao livro, e por que antes um que outro, — questão prenhe de questões, que nos levariam longe… Eia! chora os dous recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma cousa. O Cruzeiro que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens.
(Machado de Assis. Quincas Borba.)
Depreende-se do texto que:
a) ao narrar a agonia de Rubião, o narrador deixa implícito que aquele merecia as honrarias de um rei.
b) a ambiguidade no título do romance, Quincas Borba, justifica-se pelo fato de o autor não conseguir definir-se por homenagear o filósofo ou seu cão.
c) a afirmação que encerra o capítulo CC revela um traço machadiano característico: a ironia.
d) a declaração de que Sofia não quis fitar o Cruzeiro revela a indiferença como matriz do estilo do autor.
(e) a linguagem empregada para descrever a morte de Quincas Borba revela tendência do narrador a dar mais importância ao cão do que a Rubião.

15.(ITA) Em 1891, Machado de Assis publicou o romance Quincas Borba, no qual um dos temas centrais do Realismo, o triângulo amoroso (formado, a princípio, pelos personagens Palha-Sofia-Rubião), cede lugar a uma equação dramática mais complexa e com diversos desdobramentos. Isso se explica porque:

a) o que levava Sofia a trair Palha era apenas o interesse na fortuna de Rubião, pois ela amava muito o marido.
b) Palha sabia que Sofia era amante de Rubião, mas fingia não saber, pois dependia financeiramente dele.
c) Sofia não era amante de Rubião, como pensava seu marido, mas sim de Carlos Maria, de quem Palha não tinha suspeita alguma.
d) Sofia não era amante de Rubião, mas se interessou por Carlos Maria, casado com uma prima de Sofia, e este por Sofia.
(E) Sofia não se envolvia efetivamente com Rubião, pois se sentia atraída por Carlos Maria, que a seduziu e depois a rejeitou.

16.(UEL) A próxima questão refere-se ao texto a seguir, extraído do sexto capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.” (ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. )

 Ao definir a paz como “destruição” e a guerra como “conservação”, o autor do texto:
a) Serve-se de um recurso argumentativo incompatível com a realidade a que se refere.
b) Critica aqueles que sentem repugnância ou pedem misericórdia para os povos derrotados na guerra.
c) Baseia-se em uma forma de raciocínio relacionada a uma situação hipotética específica.
d) Procura comprovar que, embora pareça ser uma solução, a guerra traz grandes prejuízos à humanidade.
e) Refere-se à guerra para destacar as diferenças entre o funcionamento da economia nas sociedades primitiva e moderna.

17.(UFLA) Com relação à leitura da obra Quincas Borba, de Machado de Assis, no trecho em que o filósofo diz que Humanitas é o princípio, entende-se que: (2º – 2010)
a) o homem está fadado a fracassar sempre no fim de sua existência.
b) viver é sobreviver a qualquer custo (Lei do mais forte).
c) deve-se viver sem solidariedade, porque “o homem é o lobo do próprio homem.”
d) os homens podem viver em harmonia, sendo a guerra, portanto, dispensável.
e) o amor do cão pelo seu dono é o único amor desinteressado.

18.(UFLA) Em relação à frase “ao vencedor, as batatas”, do livro Quincas Borba, de Machado de Assis, vencedor e batatas são, respectivamente:
a) Rubião / rei da Prússia                                                           d) Aparência de riqueza / Rubião
b) Exploradores (Cristiano e Sofia) / bens materiais   e) Herança de Quincas Borba / o cão
c) Amigos / os empregados da casa

19.(UFMG) A próxima questão refere-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…

(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)

Com base no primeiro parágrafo do texto, considere as afirmativas a seguir.
I. O narrador, no presente, dirige suas palavras ao leitor de seu texto, conforme se pode deduzir do emprego de “vos digo”.
II. As palavras do narrador dizem respeito a um momento de meditação de Rubião sobre sua mudança de classe social, momento este do qual o narrador onisciente tem pleno conhecimento.
III. O emprego de “olha” e “entra” no tempo presente reflete o apego que o protagonista tem à sua nova condição econômica, tentando esquecer o passado.
IV. “Visse” e “cuidaria” aí estão para registrar uma possibilidade de interpretação que, na verdade, condiz com o que realmente é relatado pelo narrador.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.                       b) I e IV.                        c) III e IV.               d) I, II e III.              e) II, III e IV.

20.(UFMG) A próxima questão refere-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)
Há, na passagem citada, um narrador a situar a personagem, Rubião, no espaço e no tempo. Há, concomitantemente, o discurso direto através do qual a própria personagem se apresenta. Neste jogo entre o que o narrador diz de Rubião e o registro do que o próprio Rubião pensa, é correto afirmar que a personagem é:
a) Um novo rico a oscilar entre os valores determinados pelo capital e os valores determinados pela família.

b) Um novo rico a encarar a si mesmo, ao mundo que o rodeia e à própria família pela ótica do capital.

c) Um ex-professor que, embora rico, continua encarando a si mesmo, aos familiares e ao universo circundante pela ótica da humildade.

d) Um ex-professor deslumbrado com sua nova situação de capitalista a encarar a família pelos valores religiosos.

e) Um capitalista esquecido de sua antiga situação de professor e, desta forma, renegando seu próprio passado.

21.(UFLA) A próxima questão refere-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).

Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)
Considerando os trechos transcritos nas alternativas a seguir, assinale a que apresenta maior distanciamento temporal do presente no qual o narrador nos relata que Rubião está à janela de sua casa em Botafogo.
a) “Cotejava o passado com o presente.”
b) “Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã.”
c) “(umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha)”.
d) “mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa.”
e) “Olha para si, para as chinelas (…) para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu”.

22. (UFLA) A próxima questão refere-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)
Com base na passagem: Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade, considere as afirmativas a seguir.

I. O olhar da personagem registrado pelo narrador vai do mais perto para o mais longe, do mais baixo para o mais alto.
II. O emprego dos artigos definidos mostra segurança no olhar da personagem, pois conhece bem aquilo que é por ele olhado.
III. Ao registrar a origem das chinelas entre parênteses, o narrador procura depreciá-las, apartando-as do restante das realidades enumeradas.
IV. Todos os elementos enumerados são sintetizados por “tudo” que, por sua vez, é colocado sob a denominação de “propriedade”.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.                   b) I e III.                      c) III e IV.                 d) I, II e IV.             e) II, III e IV.

23.(UFMG) Com base na leitura de Quincas Borba, de Machado de Assis, é CORRETO afirmar que o narrador do romance  
a) adere ao ponto de vista do filósofo, pois professa a teoria do Humanitismo.
b) apela à sentimentalidade do leitor no último capítulo, em que narra a morte de Rubião.
c) apresenta os acontecimentos na mesma ordem em que estes se deram no tempo.
d) narra a história em terceira pessoa, não participando das ações como personagem.

24.(UFMG) Assinale a alternativa em que, no trecho transcrito de Quincas Borba, se faz referência a Rubião.
a) Assim, o contato de Sofia era para ele como a prosternação de uma devota. Não se admirava de nada. Se um dia acordasse imperador, só se admiraria da demora do ministério em vir cumprimentá-lo.
b) Desde o paço imperial, vinha gesticulando e falando a alguém que supunha trazer pelo braço, e era a Imperatriz. Eugênia ou Sofia? Ambas em uma só criatura, ou antes a segunda com o nome da primeira.
c) Era o caso do nosso homem. Tinha o aspecto baralhado à primeira vista; mas atentando bem, por mais opostos que fossem os matizes, lá se achava a unidade moral da pessoa.
d) Formado em direito em 1844, pela Faculdade do Recife, voltara para a província natal, onde começou a advogar; mas a advocacia era um pretexto.

25.Considere as seguintes afirmações sobre o personagem Rubião, de “Quincas Borba”, de Machado de Assis.
I. Ao tornar-se herdeiro universal de Quincas Borba, Rubião passa a sonhar com a sua participação nos circuitos da riqueza e do poder da sociedade carioca.
II. Rubião, já integrado à elite carioca, revolta-se contra as artimanhas de Sofia e de Palha para explorá-lo.
III. Em decorrência das transformações em sua vida, Rubião vem a manifestar sintomas de desequilíbrio mental.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.       b) Apenas II.       c) Apenas I e III.      d) Apenas II e III.    e) I, II e III.

26Assinale a alternativa correta em relação a “Quincas Borba”, de Machado de Assis:

a) O título do livro, como esclarece o narrador, refere-se ao filósofo Quincas Borba, criador do “Humanitismo”.
b) Quincas Borba é apenas um interiorano milionário explorado por parasitas sociais como Palha e Camacho.
c) Rubião é objeto de disputa amorosa entre a bela Sofia e Dona Tonica, filha do major Siqueira.
d) Rubião, sócio do marido de Sofia, comete adultério com ela sem levantar suspeitas.
e) Ao fugir do hospital, Rubião retorna com Quincas Borba à sua cidade de origem, Barbacena.

 27.No início de “Quincas Borba”, a personagem Rubião avalia sua trajetória, enquanto olha para o mar, para os morros, para o céu, da janela de sua casa, em Botafogo. Passara de ………. a capitalista ao ………. . Mas, no final do romance, o personagem acaba morrendo na miséria.
As lacunas podem ser correta e respectivamente preenchidas por:
a) jornalista – receber um prêmio                                  d) professor – receber uma herança
b) enfermeiro – se tornar comerciante                         e) filósofo – investir em terras
c) enfermeiro – se casar com Sofia

 

Til

til-iii

Os fragmentos a seguir representam, respectivamente, os primeiros e o último parágrafo da obra Til, de José de Alencar. Leia-os com atenção e responda.

Fragmento I

    Eram dois, ele e ela, ambos na flor da beleza e da mocidade.

    O viço da saúde rebentava-lhes no encarnado das faces, mais aveludadas que a açucena escarlate recém-aberta ali com os orvalhos da noite. No fresco sorriso dos lábios, como nos olhos límpidos e brilhantes, bastava-lhes a seiva da alma.

    Ela pequena, esbelta, ligeira, buliçosa, saltitava sobre a relva, gárrula e cintilante do prazer de pular e correr;

1.(UNICAMP ) – Leia o trecho para responder às questões a seguir: (…) Quando o Bugre sai da furna, é mau sinal: vem ao faro do sangue como a onça. Não foi debalde que lhe deram o nome que tem. E faz garbo disso! – Então você cuida que ele anda atrás de alguém? – Sou capaz de apostar. É uma coisa que toda a gente sabe. Onde se encontra Jão Fera, ou houve morte ou não tarda. Estremeceu Inhá com um ligeiro arrepio, e volvendo em torno a vista inquieta, aproximou-se do companheiro para falar-lhe em voz submissa: – Mas eu tenho-o encontrado tantas vezes, aqui perto, quando vou à casa de Zana, e não apareceu nenhuma desgraça. – É que anda farejando, ou senão deram-lhe no rasto e estão-lhe na cola. – Coitado! Se o prendem! – Ora qual. Dançará um bocadinho na corda! – Você não tem pena? – De um malvado, Inhá! – Pois eu tenho! (José de Alencar, Til, em Obra completa, vol. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958, p. 825.)

O trecho do romance Til transcrito acima evidencia a ambivalência que caracteriza a personagem Jão Fera ao longo de toda a narrativa.

a) Explicite quais são as duas faces dessa ambivalência.

b) Exemplifique cada face dessa ambivalência com um episódio do romance.

a) A ambivalência da personagem é sugerida pela própria designação com que é referida: Jão Fera. Isso porque seu comportamento na trama se caracteriza, de um lado, pela porção humana (ligada ao nome “Jão”) e, de outro, pela dimensão selvagem e animalesca (que se associa ao apelido “Fera”). A proteção que dedica à menina Berta e o amor que sente pela mãe desta, Besita, comprovam o traço generoso e humanitário de seu caráter, enquanto seu poder de agressividade e sua condição de assassino profissional evidenciam sua tendência à ação bárbara e violenta.

b) A face humana de Jão Fera é fartamente demonstrada pelos inúmeros episódios da narrativa em que protege Berta dos perigos que a assolam, como o ataque de queixadas (capítulo “A garrucha”) ou a ameaça dos inimigos que encurralam a ambos em uma gruta (“Luta”). Sua dimensão mais agressiva é evidenciada quando assassina violentamente seus inimigos (“Vampiro”), quando estraçalha com as próprias mãos o maior deles, Ribeiro (“O cipó”) e ainda quando se vê vítima de seu próprio desejo por Berta (“Luta”), instinto que será vencido pelo afeto que nutre pela moça.

2. (FUVEST ) Leia com atenção o trecho de Til, de José de Alencar, para responder ao que se pede. [Berta] — Agora creio em tudo no que me disseram, e no que se pode imaginar de mais horrível. Que assassines por paga a quem não te fez mal, que por vingança pratiques crueldades que espantam, eu concebo; és como a suçuarana, que às vezes mata para estancar a sede, e outras por desfastio entra na mangueira e estraçalha tudo. Mas que te vendas para assassinar o filho de teu benfeitor, daquele em cuja casa foste criado, o homem de quem recebeste o sustento; eis o que não se compreende; porque até as feras lembram-se do benefício que se lhes fez, e têm um faro para conhecerem o amigo que as salvou. [Jão] — Também eu tenho, pois aprendi com elas; respondeu o bugre; e sei me sacrificar por aqueles que me querem. Não me torno, porém, escravo de um homem, que nasceu rico, por causa das sobras que me atirava, como atiraria a qualquer outro, ou a seu negro. Não foi por mim que ele fez isso; mas para se mostrar ou por vergonha de enxotar de sua casa a um pobre diabo. A terra nos dá de comer a todos e ninguém se morre por ela. [Berta] — Para ti, portanto, não há gratidão? [Jão] — Não sei o que é; demais, Galvão já pôs-me quites dessa dívida da farinha que lhe comi. Estamos de contas justas! acrescentou Jão Fera com um suspiro profundo.

a) Nesse trecho, Jão Fera refere-se de modo acerbo a uma determinada relação social (aquela que o vinculara, anteriormente, ao seu “benfeitor”, conforme diz Berta), revelando o mal-estar que tal relação lhe provoca. Que relação social é essa e em que consiste o mal-estar que lhe está associado?

b) A fala de Jão Fera revela que, no contexto sócio histórico em que estava inserido, sua posição social o fazia sentir-se ameaçado de ser identificado com um outro tipo social — identificação, essa, que ele considera intolerável. De que identificação se trata e por que Jão a abomina? Explique sucintamente.

a) No trecho, a relação de Jão Fera com Afonso, o pai de Luís Galvão, é explicitada por Berta, em expressões como: “teu benfeitor”, “em cuja casa foste criado” e “homem de quem recebeste sustento”. Trata-se, portanto, de uma relação de proteção, de dependência e de apadrinhamento. Essa relação lhe provoca mal-estar, por uma atitude da juventude de Luís Galvão, que seduzira e abandonara a jovem Besita, grande paixão de Jão Fera. Além disso, Jão vê na benevolência do grande proprietário apenas o interesse em “se mostrar” superior.

b) Jão rejeita resolutamente a condição de “escravo de um homem que nasceu rico”. No contexto social em que se insere a personagem, a associação com a escravidão era inaceitável porque o trabalho braçal associado a ela e representado, no romance, pelo uso da enxada, era visto como diminuidor da dignidade humana.

3.A que escola literária pertence Til? Cite três características dessa escola presentes na obra.

 Til pertence ao Romantismo e apresenta diversas características dessa escola literária como: idealização dos personagens, linguagem emotiva, valorização da pátria, entre outras.

4.Explique o motivo da tristeza de Luís Galvão no trecho abaixo: “Abraçando a mulher e beijando-a na face, de novo pôs-se o fazendeiro a caminho; e desta vez ia pensativo, quase triste. Murchara a flor da jovialidade, que se expandia momentos antes tão fresca em seu nobre semblante, e a alma franca e generosa sempre a espelhar-se em seu olhar, dir-se-ia que se acanhava.”

 Luís Galvão recorda-se, com pesar, do grande erro do seu passado, erro que culminou na morte de Besita.

5.Caracterize a personagem Berta.

 Moça “pequena, esbelta, ligeira, buliçosa” e órfã, adotada por uma família humilde, que “a todos queria bem, e sabia repartir-se de modo que dava a cada um seu quinhão de agrado.”

6.De acordo com o trecho abaixo, responda: “De seu lado estremecera o rapaz ao dar com os olhos no homem da camisola, e tal foi a comoção produzida pelo encontro, que derramou-lhe no semblante a expressão de um asco misto de horror, arrancando-lhe involuntariamente dos lábios esta exclamação: —Jão Fera!…”

a) O que se dizia a respeito da índole de Jão Fera? Por que ele causava tamanho terror nas pessoas?

b) De acordo com os últimos capítulos da narrativa, essa índole se confirma?

a) Jão Fera era conhecido pela índole de homem perverso e sanguinário. Ele causava terror nas pessoas principalmente em virtude do que se dizia a respeito das muitas mortes que lhe foram encomendadas e executadas fria e cruelmente.

b) Não, Jão Fera mostra-se uma boa pessoa, no entanto, magoado pelo passado.

7.Explique a razão de Barroso ter encomendado a morte de Luís Galvão.

Luís Galvão, fingindo ser Barroso (ou Ribeiro, como era conhecido então), deitou-se com sua esposa, engravidando-a.

 8.Qual o tipo de narrador predominante na obra?

 O romance é narrado na terceira pessoa, por isso narrador onisciente.

 9.Por que Berta visitava com frequência a ex-escrava Zana?

 Por que Berta visitava com frequência a ex-escrava Zana?

10.(FUVEST )Ao comentar o romance Til e, inclusive, a cena do capítulo “O samba”, aqui reproduzida, Araripe Jr., parente do autor e estudioso de sua obra, observou que esses são provavelmente os textos em que Alencar “mais se quis aproximar dos padrões” de uma “nova escola”, deixando, neles, reconhecível que, “no momento” em que os escreveu, “algum livro novo o impressionara, levando-o pelo estímulo até superfetar* a sua verdadeira índole de poeta”. Alguns dos procedimentos estilísticos empregados na cena aqui reproduzida indicam que a “nova escola” e o “livro novo” a que se refere o crítico pertencem ao que historiadores da literatura chamaram de:

(*) “superfetar” = exceder, sobrecarregar, acrescentar-se (uma coisa a outra).

a) Romantismo-Condoreirismo.                                              d) Idealismo-Determinismo.

b) Realismo-Naturalismo.                                                      e) Parnasianismo-Simbolismo.

e) Positivismo-Impressionismo.

11.(FUVEST) Considerada no contexto histórico a que se refere Til, a desenvoltura com que os escravos, no excerto, se entregam à dança é representativa do fato de que

a) a escravidão, no Brasil, tal como ocorreu na América do Norte e no Caribe, foi branda.

b) se permitia a eles, em ocasiões especiais e sob vigilância, que festejassem a seu modo.

c) teve início nas fazendas de café o sincretismo das culturas negra e branca, que viria a caracterizar a cultura brasileira.

d) o narrador entendia que o samba de terreiro era, em realidade, um ritual umbandista disfarçado.

e) foi a generalização, entre eles, do alcoolismo, que tornou antieconômica a exploração da mão de obra escrava nos cafezais paulistas.

12.(FUVEST ) Leia o texto para as questões a seguir: V — O samba À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um maciço de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos vislumbres das labaredas fustigadas pelo vento. (…) É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham como praça d’armas. Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o samba com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se quisesse desgrudar-se. Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe em seco. (…) (José de Alencar, Til) (*)

“adumbra-se” = delineia-se, esboça-se.

Para adequar a linguagem ao assunto, o autor lança mão também de um léxico popular, como atestam todas as palavras listadas na alternativa:

a) saracoteio, brasido, rabanar, senzalas.              b) esperneiam, senzalas, pincham, delírio. b) saracoteio, rabanar, cangote, pincham.          e) fazenda, rabanar, cinzas, esperneiam

c) delírio, cambalhotas, cangote, fazenda.

13.Considerada no contexto histórico a que se refere Til, a desenvoltura com que os escravos, no excerto, se entregam à dança é representativa do fato de que:

a) a escravidão, no Brasil, tal como ocorreu na América do Norte e no Caribe, foi branda.

b) se permitia a eles, em ocasiões especiais e sob vigilância, que festejassem a seu modo.

c) teve início nas fazendas de café o sincretismo das Til José de Alencar 2 culturas negra e branca, que viria a caracterizar a cultura brasileira.

d) o narrador entendia que o samba de terreiro era, em realidade, um ritual umbandista disfarçado.

e) foi a generalização, entre eles, do alcoolismo, que tornou antieconômica a exploração da mão de obra escrava nos cafezais paulistas.

14.No Romance Til, expoente do Romantismo, muitos personagens são idealizados em coragem, beleza e força. Como exemplo de personagem com força e habilidades físicas excepcionais do romance esta’:

a) Luís Galvão, dono da fazenda, que luta contra os que o tentam assassinar numa emboscada e os vence.

b) Berta que não sofre danos ao fugir de uma manada de porcos selvagens, por correr velozmente.

c) Miguel, excelente caçador e famoso pela força.

d) Bugre ou Jão Fera, homem enorme, contratado como capanga para executar mortes e trabalhos afins.

15. Leia o trecho do capitulo Fascinação em que Til fica presa no quarto de linda com uma Serpente, e assinale o que for correto:

“Encontrando-se o olhar da serpente e o seu, cravaram-se de modo, ou antes se imbuíram e penetraram tanto um no outro, que não pode mais a vontade separa-los e romper o vínculo poderoso. Parecia que entre a brilhante pupila negra da menina e a lívida retina da cascavel se estabelecera uma corrente de luz na qual fazia-se o fluxo e refluxo das centelhas elétricas. (…)

Nesse prisma da lindeza de Inhá reflete-se a sua índole. Aquela alma tem facetas como o diamante; iria-se e acende uma cor ou outra, conforme o raio de luz que a fere. Contradição viva, seu gênio é o ser e o não ser. Busquem nela a graça da moça e encontrarão o estouvamento do menino; porém mal se apercebam da ilusão, que já a imagem da mulher despontará em toda sua esplêndida fascinação.

A antítese banal do anjo-demônio torna-se realidade nela, em quem se cambiam no sorriso ou no olhar a serenidade celeste com os fulvos lampejos da paixão, à semelhança do firmamento onde ao radiante matiz da aurora sucedem os fulgores sinistros da procela.”

a) Berta associa-se a serpente por sua índole, astuta e muitas vezes má’.

b) Til mostrava uma beleza, encanto e feminilidade (mulher atraente), mas ao mesmo tempo revelava-se moleca (jeito brincalhão e aventureiro da criança).

c) Til por ser simples e ingênua, a partir do momento em que se encontra com a serpente passa a agir com mais astucia, sedução e encanto.

d) A serpente fora posta no quarto por Brás que queria se vingar de Berta por der brigado com ele e preferido a companhia de Miguel.

16.O romance Til, de José de Alencar, é considerado regionalista. As ações dessa obra se passam no interior:

a) cearense.        b) baiano.          c) fluminense.       d) paulista.           e) sul-mato-grossense.

16.Uma das características a seguir não pertence ao romance Til, de José de Alencar:

a) Idealização feminina.                            d) Vingança.

b) Traição.                                                       e) Culto à natureza.

c) Crítica à burguesia.

17.Várias personagens do romance Til recebem mais de um nome ou forma de tratamento. Entre elas, não se pode indicar:

a) O assassino de Besita, Ribeiro, que diz chamar-se Barroso ao retornar ao local do crime, anos depois.

b) O temível capanga Jão Fera, também chamado por muitos de Jão Bugre, o que remete à sua origem e ao seu comportamento arredio.

c) A protagonista, Berta, que recebe várias formas de tratamento, entre elas a de Til, dada pelo menino Brás, seu protegido.

d) O bandido Gonçalo, cuja pele manchada serve de mote para dois apelidos, Suçuarana e Pinta

e) O proprietário das fazendas das Palmas, Nhô Luiz, que adota o sobrenome Galvão quando se dispõe a realizar negócios escusos.

18.Na cena a seguir, a personagem Berta e pai Quicé tentam escapar da perseguição de um bando de queixadas (porcos do mato):

“O impulso de Berta foi precipitar-se para aquele refúgio e lutar de velocidade com os queixadas. Tinha confiança em suas forças, e contava alcançar a árvore antes das feras. Mas ao desferir a corrida, acudiu-lhe à mente o preto, que havia esquecido nas angústias daquele momento. Abandonar o velho decrépito à fúria dos animais, não lhe sofria o coração […].” [II, 9, “Transe”]

A cena revela um traço do caráter de Berta. Que traço é esse?

a) Egocentrismo.                                             d) Desejo de vingança.

b) Tendência ao sacrifício.                        e) Poder de reflexão e planejamento.

c) Medo e falta de iniciativa.

19.“A presença da moça produzia-lhe na alma certo refrangimento, embora de grata deferência; era como a palma do jeribá que fecha com os relentos da noite, e somente se engrinalda e brilha aos raios do sol. Para Miguel os momentos de expansão e doce contentamento não eram tanto esses passados aí no Tanquinho, como os outros mais festivos e mais lembrados em que sós, Inhá e ele, atravessavam a várzea na ida e na volta.” [I, 12, “Idílios”]

Assinale a alternativa correta sobre o trecho acima:

a)  A comparação com a natureza, presente no primeiro parágrafo transcrito,  sugere que Miguel se sentia infeliz ao lado de Berta, por não poder tê-la só para si.

b) A linguagem do narrador, no trecho, evidencia sua perfeita inserção no ambiente rural urbano.

c) A existência de dois ambientes distintos, referida no fragmento, serve de moldura aos sentimentos contraditórios de Miguel.

d) O tratamento que Miguel dedica a Berta (“Anhá”), mostra a submissão em que ele se coloca em relação a ela.

e) A presença marcante da paisagem natural, no texto, indica o distanciamento da narrativa em relação aos princípios românticos.

Texto para as questões 20 e 21

“- Então você cuida que ele anda atrás de alguém?

 – Sou capaz de apostar. É uma coisa que toda a gente sabe. Onde se encontra Jão Fera, ou houve morte ou não tarda.

 Estremeceu Inhá com um ligeiro arrepio, e volvendo em torno a vista inquieta, aproximou-se do companheiro para falar-lhe em voz submissa.

 – Mas eu tenho-o encontrado tantas vezes, aqui perto, quando vou à casa de Zana, e não apareceu nenhuma desgraça.

 – É que anda farejando, ou senão deram-lhe no rasto e estão-lhe na cola.

 – Coitado! Se o prendem!

 – Ora qual. Dançará um bocadinho na corda!

 – Você não tem pena?

 – De um malvado, Inhá!

 – Pois eu tenho!

 – Mas por que é que este demônio que não faz caso de ninguém, e até mata as crianças, sofre tudo de Inhá, como ainda há pouco? Por que é?

 – Não sei, Miguel! disse a menina com ingenuidade.

 – Estou vendo que você tem algum patuá, como dizem as pretas da fazenda.

 – E tenho mesmo! Olhe! aqui está! exclamou a menina a rir-se, mostrando um bentinho que tirou do seio, onde o trazia com uma cruz, preso a um cordão de ouro.

 – Então é encanto; não há dúvida, replicou Miguel sorrindo.”

PATUÁ – amuleto; pequeno saquinho contendo oração ou relíquia. (Aulete)

20.Parafraseando o período “É que anda farejando, ou senão deram-lhe no rasto e estão-lhe na cola”, temos:

a) O capanga está fugindo de alguém ou alguém o está fugindo dele e estão próximos.

b) Jão Fera está perseguindo alguém ou alguém está fugindo dele e estão próximos.

c) O assassino está procurando alguém para matar ou alguém está fugindo dele incansavelmente.

d) Jão Bugre está perseguindo alguém ou alguém o está perseguindo insistentemente.

e) O matador de aluguel está no rasto de alguém obstinadamente ou ainda está procurando pistas como um cão.

21. No trecho “Mas por que é que este demônio que não faz caso de ninguém, e até mata as crianças, sofre tudo de Inhá, como ainda há pouco? Por que é?”:

a) Miguel supervaloriza a pena que Berta sente de Jão Fera e manifesta sua indignação: como um homem que não respeita ninguém e até mata crianças pode ter medo de uma moça?

b) O rapaz despreza a pena que Til sente de Jão Fera para anunciar uma descoberta: como um homem que não respeita ninguém e até mata crianças pode ter medo de uma menina?

c) Miguel considera a pena que Berta sente de Jão Fera para justificar o medo que o capanga – um homem que não respeita ninguém e até mata crianças – sentiu de Inhá?

d) O rapaz desconsidera a pena que Inhá sente de Jão Fera para manifestar sua incompreensão: como um homem que não respeita ninguém e até mata crianças pode ter medo de uma moça?

e) Miguel evidencia a pena que Berta diz sentir de Jão Fera para constatar que todo homem tem sua fraqueza, pois até mesmo Jão Bugre, que não respeita ninguém e até mata crianças, sentiu medo de uma menina?

O Ateneu

ateneu

1.(Fuvest-SP)

“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.”

Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam.

Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas. Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações que se transformam, alentadas perpetuamente do mesmo ardor, sobre a mesma base fantástica de esperanças, a atualidade é uma. Sob a coloração cambiante das horas, um pouco de ouro mais pela manhã, um pouco mais de púrpura ao crepúsculo – a paisagem é a mesma de cada lado beirando a estrada da vida.
Eu tinha onze anos.     (Raul Pompeia, O Ateneu)
De acordo com o texto pode-se concluir que a “atualidade” não se modifica nunca, permanecendo a mesma em todas as épocas.

a)Mostre com o texto que a atualidade não se altera.

b) Que é que se altera?

a) “ Bem considerada a atualidade é a mesma em todas as datas”

b) Alteram-se os desejos e as aspirações: “Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações que se transformam…”

 As questões 02 e 03 referem-se ao texto abaixo:

      No capítulo VII de O Atheneu, ao descrever a exposição de quadros dos alunos do colégio, o narrador assim se refere aos sentimentos de Aristarco:

      Não obstante, Aristarco sentia-se lisonjeado pela intenção. Parecia-lhe ter na face a cocegazinha sutil do creiom passando, brincando na ruga mole da pálpebra, dos pés-de-galinha, contornando a concha da orelha, calcando a comissura dos lábios, entrevista na franja pelas dobras obliquas da pela ao nariz, varejando a pituitária, extorquindo um espírito agradável e desopilante.

2.Quais características de Aristarco estão sugeridas nesse comentário do narrador?

Vaidade excessiva, egocentrismo exagerado.

3.Lendo essa descrição, você considera que o narrador compartilhe dos mesmos sentimentos de Aristarco? Justifique.

Não. O narrador, de maneira irônica, utiliza-se  do expressionismo, tornando-o caricatural.

 4.(Fuvest-SP)

“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.”

Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam.

Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas. Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações que se transformam, alentadas perpetuamente do mesmo ardor, sobre a mesma base fantástica de esperanças, a atualidade é uma. Sob a coloração cambiante das horas, um pouco de ouro mais pela manhã, um pouco mais de púrpura ao crepúsculo – a paisagem é a mesma de cada lado beirando a estrada da vida.
Eu tinha onze anos.     (Raul Pompeia, O Ateneu)
Este início de romance traz uma atmosfera carregada de prenúncios de fatos que vão balizar a vida da personagem.

a)Qual ou quais aspectos dominantes desses prenúncios?

O fim das ilusões infantis, a falta de apoio e proteção dos pais, a amargura do narrador-personagem percebendo-se impotente diante dos fatos.

b) O narrador está dentro dos acontecimentos e no mesmo tempo na narração? Explique.

A narração é feita em 1ª pessoa, mas o tempo em que transcorre a ação é passado em relação ao tempo em que o narrador se situa.

 5.(PUC-RS)

       A mais terrível das instituições do Ateneu não era a famosa justiça de arbítrio, não era ainda a cafua, asilo das trevas e do soluço, sanção das culpas enormes. Era o livro das notas.

       Todas as manhãs, infalivelmente, perante o colégio em peso, congregado para o primeiro almoço, às oito horas, o diretor aparecia a uma porta, com solenidade tarda das aparições, e abria o memorial das partes.

Em O Ateneu, Raul Pompeia denuncia, como exemplifica o texto , a:

a) perversidade do sistema educacional                 d) vontade de poder do educador.

b) relação perigosa entre os adolescentes.              e) política interesseira da escola.

c) brutalidade física na educação

6.(UFSC) A(s) citação(ões extraída(s) do livro O Ateneu é (são):

a)”Na repartição, os pequenos empregados, amanuenses e escreventes, tendo notícia desse seu estudo do idioma tupiniquim, deram não se sabe por que em chama-lo – Ubirajara.”

b) “…chegou a senhora do diretor, D. Ema. Bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por graciosa magreza, erigindo, porém, o tronco sobre quadris amplos, fortes como a maternidade…”

c) “ Aristarco todo era anúncio. Os gestos calmos, soberanos, era um rei – o autocrata excelso.”

d) “ Ralf pega a velha maleta do Homig, abre-a devagarinho, como quem abre uma gaiola de pássaro, para pegá-lo mansamente.”

e) “Entrei apressado, atravessei o corredor do lado direito e no meu quarto dei com algumas pessoas soltando exclamações. Arrede-as e estanquei; Madalena estava estirada na cama, branca, de olhos vidrados, espuma nos cantos da boca.”

 7.(ITA-SP)  Sobre o Ateneu, de Raul Pompeia, não se pode afirmar que:

a)o colégio Ateneu reflete o modelo educacional da época, bem como os valores da sociedade da época.

b) o romance é narrado em um tom otimista, em terceira pessoa.

c) a narrativa expressa um tom de ironia e ressentimento.

d) as pessoas são descritas, muitas vezes, de forma caricatural.

e) são comuns comparações entre pessoas e animais.

8.(UFTM-MG)

“ Assim,  pela primeira vez irrompe na ficção brasileira a psicologia infantil, visto que o romance romântico preferia focalizar o adolescente ou adulto enredado nas malhas do amor e da honra, reservando à criança um olhar complacente e via de regra puxado ao folclórico e ao melodramático, o que redundava fatalmente em estereotipia e superficialidade.”

Esse filão, que procura aprofundar a análise da alma infantil, foi aberto por:

a)Aluísio Azevedo, em O Mulato

b) José de Alencar, em O Sertanejo.

c) Raul Pompeia, em O Ateneu.

d) Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

e) Manuel Antônio de Almeida, em Memórias de um Sargento de Milícias.

9.(FGV-SP) Raul Pompeia é consagrado na literatura brasileira pela obra O Ateneu, de largo senso psicológico e preciosidade de estilo. A temática da obra, a par do seu valor literário, é um depoimento que ilustra:

a)as discussões e os conflitos entre os escritores do Ateneu Literário do Rio de  Janeiro, nos fins do Império.

b) a vida social e os hábitos quotidianos da aristocracia imperial, pouco antes da República.

c) a vida escolar no Império Brasileiro, tendo o sistema de internato como modelo educacional de elite na época.

d) a influência da cultura clássica e dos valores greco-romanos na formação da personalidade dos intelectuais brasileiros da época.

e) os hábitos e o comportamento urbano da classe média em ascensão no Rio de Janeiro, após a Proclamação da República.

10.(UFRGS-RS) Leias as afirmações sobre o romance O Ateneu, de Raul Pompeia.

I.Sérgio, em seu relato memorialista, revela a outra face da fachada moralista e virtuosa que circundava O Ateneu, a face em que se incluem a corrupção, o interesse econômico, a bajulação, as intrigas e a homossexualidade entre os adolescentes.

II.A narrativa, ainda que feita na primeira pessoa, evita o comentário subjetivo e as impressões individuais, uma vez que o narrador adota uma postura rigorosa, condizente com o cientificismo da época.

III. Através da figura de Dr. Aristarco, diretor do colégio, com sua retórica pomposa e vazia, Raul Pompeia critica o sistema educacional da época e a hipocrisia da sociedade.

Quais estão corretas:

a)apenas I         b) apenas II        c) apenas I e III         d) apenas II e III     e) I, II e III

11.(Umesp) Assinale a alternativa correta sobre o romance O Ateneu, de Raul Pompeia.

a)O romance se realiza pelo processo memorialista do narrador, permeado por uma profunda visão crítica.

b) Trata-se de uma crônica de saudades, em que o narrador revela, a cada instante, vontade de voltar.

c) O Ateneu representa uma apologia aos colégios internos como forma ideal para a formação do adolescente.

d) Apesar da tentativa de atingir um estilo realista, a obra mantém uma estrutura romântica aos moldes de José de Alencar.

e) Todas as personagens do romance buscam identificar-se.

12.(Mackenzie-SP) Assinale a alternativa incorreta a respeito de O Ateneu.

a)Devido a apresentar uma estrutura bastante eclética, não se trata de um romance que tem uma classificação rigorosa como representante de uma ou outra tendência literária.

b) Tem um narrador em 1ª pessoa, Sérgio, que relata fatos ocorridos com ele no passado.

c) A ação desse romance transcorre no ambiente fechado de um internato, onde conviviam crianças. Adolescentes, professores e empregados.

d) A maioria dos personagens do romance é apresentada de uma forma caricatural, realçando seus aspectos negativos.

e) Em função de uma narrativa mais dinâmica, o autor abre mão da análise psicológica de personagens.

As questões de números 13 a 19 referem-se ao texto seguinte:

EU, O INTERNATO E O DIRETOR

Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar o pulso ao homem, Não só as condecorações gritavam-lhe do peito como uma couraça de grilos: Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um anúncio. Os gestos, calmos, soberanos, eram de um rei – o autocrata excelso dos silabários; a pausa hierática do andar deixava sentir o esforço, a cada passo, que e fazia para levar adiante, de empurrão, o progresso do ensino público; o olhar fulgurante, sob a crispação áspera dos supercílios de monstro japonês, penetrando de luz as almas circunstantes – era a educação da inteligência; o queixo, severamente escanhoado, de orelha a orelha, lembrava a lisura das consciências limpas – era a educação mora. A própria estatura, na imobilidade do gesto, na mudez do vulto, a simples estatura dizia dele: aqui está um grande homem… não veem os côvados de Golias?!… Retorça-se sobre tudo isto um par de bigodes, volutas maciças de fios alvos, torneadas a capricho, cobrindo os lábios, fecho de prata sobre o silencio de ouro, que tão  belamente impunha como o retraimento fecundo do seu espírito teremos esboçado moralmente, materialmente, o perfil do ilustre diretor. Em suma, um personagem que, ao primeiro exame, produzia nos a impressão de um enfermo, desta enfermidade atroz e estranha: a obsessão da própria estátua. Como tardasse a estátua, Aristarco inteiramente satisfazia-se com a afluência dos estudantes ricos para o seu instituto.

13.Assinale a afirmativa que não serve como característica do Impressionismo:
a) Não as coisas, mas a sensações das coisas.
b) O artista procura captar o momento. Estio profundamente sensorial.
c) O que interessa é a relação interna provocada na mente do artista.
d) O momento vivido é expresso tal como é visto num momento dado.
e) Predomínio da denotação.

14. Indique a letra onde não se vê característica de estilo impressionista e, por conseguinte, não se nota no texto:
a) Valorização da cor.
b) Predomínio das sensações.
c) Metáforas e comparações em profusão.
d) Riqueza de imagens.
e) Uso de aliterações, assonâncias.

15. Assinale no texto a passagem onde melhor se elucida o Impressionismo:
a) “Não só as condecorações gritavam-lhe do peito como uma couraça de grilos: Ateneu, Ateneu!”
b) “Aristarco todo era um anúncio”
c) “Os gestos calmos, soberanos, eram de um rei – autocrata excelso dos silabários.”
d) “O olhar fulgurante sob a crispação áspera dos supercílios de monstro japonês.”
e) “Reforça-se sobre tudo isto um par de bigodes, volutas maciças de fios avos.”

16.O escritor impressionista parte da observação visual externa e projeta a sua visão interna da coisa descrita. Mostre onde isso não ocorre:

a) “Aristarco era um anúncio.”
b) “O olhar… era a educação da inteligência.”
c) “O queixo… era a educação mora.”
d) “A própria estátua… aqui está um grande homem.”
e) “Reforça-se… um par de bigodes…o perfil do ilustre diretor.”

17. Uma característica do Impressionismo de Raul Pompéia está em ver as coisas apenas de um ângulo: o da caricatura, com alguma dose de ironia. Nas descrições de Aristarco, onde não vemos esta nota:
a) “Autocrata excelso dos silabários.”                d) “O olhar fulgurante.”
b) “Aqui está um grande homem.                       e) “Não veem os côvados de Golias?!”
c) “Como tardasse a estátua…”

18. Onde o autor melhor descreve Aristarco, levando-se em conta a ideia que o autor quer dar ao leito da personagem?
a) “Aristarco todo era um anúncio.”          d) “Os gestos…eram de um rei.”
b) “A pausa hierática do andar.”                     e) “Não veem os côvados de Golias?!”
c) “A obsessão da própria estátua.”

19. O autor, descrevendo Aristarco, elegeu o plano:
a) metafórico;     b) metanímico;       c) anafórico;     d) paralelístico;  e) hiperbólico.

20.(UFMS)  A respeito do romance O Ateneu, de Raul Pompeia, é correto afirmar que:

(01) o universo do internato caracteriza-se como um espaço de desilusão para os sonhos infantis  de Sérgio, carregado de pessimismo e repleto de adversidades, deixando para trás a “estufa de carinho” na qual o narrador-personagem vivera até seu ingresso no Colégio Ateneu.

(02) o tempo da narrativa não é o mesmo das vivências da personagem, uma vez que

Sérgio procura recuperar fatos e sensações experimentados no passado e guardados

em sua memória.

(04) o tema da saudade é uma constante nos textos realistas, e também em O Ateneu, posto que o passado é uma realidade imutável e invariável, sendo sempre fonte de uma

felicidade plena que escapa ao fingimento e à hipocrisia do presente.

(08) o narrador, Sérgio, não participa dos relatos aos quais faz referência.

SOMA;.  03

 Texto para as questões 21 e 22

(FMTM)
Abriram-se as aulas a 15 de fevereiro.
De manhã, à hora regulamentar, compareci. O diretor, no escritório do estabelecimento, ocupava uma cadeira rotativa junto à mesa de trabalho. Sobre a mesa, um grande livro abria-se em colunas maciças de escrituração e linhas encarnadas.
Aristarco, que consagrava as manhãs ao governo financeiro do colégio, conferia os assentamentos do guarda-livros. De momento a momento entravam alunos. Alguns acompanhados.
A cada entrada, o diretor fechava lentamente o livro, marcando a página com um espadim de marfim; fazia girar a cadeira e soltava interjeições de acolhimento, oferecendo episcopalmente1 a mão peluda ao beijo contrito2 e filial dos meninos. Os maiores, em regra, recusavam-se à cerimônia e partiam com um simples aperto de mão.
O rapaz desaparecia, levando o sorriso pálido na face, saudoso da vadiação ditosa das férias. O pai, o correspondente, o portador, despedia-se, depois de banais cumprimentos, ou palavras a respeito do estudante, amenizadas pela bonomia3 superior de Aristarco, que punha habilmente um sujeito fora de portas com o riso fanhoso e o simples modo de segurar-lhe os dedos.
A cadeira girava de novo à posição primitiva, o livro da escrituração mostrava outra vez as páginas enormes e a figura paternal do educador desmanchava-se, voltando a simplificar-se na esperteza atenta e seca do gerente. A este vaivém de atitudes estava tão habituado o nosso diretor que nenhum esforço lhe custava a manobra. Soldavam-se nele o educador e o empresário com uma perfeição rigorosa, dois lados da mesma medalha: opostos, mas justapostos.
Quando meu pai entrou comigo, havia no semblante de Aristarco uma pontinha de aborrecimento. Decepção talvez de estatística: o número dos estudantes novos não compensando o número dos perdidos, as novas entradas não contrabalançando
as despesas do fim do ano. Mas a sombra do despeito apagou-se logo e foi com uma explosão de contentamento que o diretor nos acolheu.
Sua diplomacia dividia-se por escaninhos numerados, segundo a categoria de recepção que queria dispensar. Ele tinha maneiras de todos os graus, segundo a condição social da pessoa.
As simpatias verdadeiras eram raras. No âmago de cada sorriso, morava-lhe um segredo de frieza que se percebia bem.
E duramente se marcavam distinções políticas, distinções financeiras, distinções baseadas na crônica escolar do discípulo.
Às vezes, uma criança sentia a alfinetada no jeito da mão a beijar. Saía indagando consigo o motivo daquilo, que não achava em suas contas escolares… O pai estava dois trimestres atrasado.    (Raul Pompeia, O Ateneu.)

1 episcopalmente: à maneira de um bispo.
2 contrito: arrependido, pesaroso.
3 bonomia: serenidade, lentidão, simplicidade, bondade.

21.Sobre a obra de Raul Pompéia, Mário de Andrade escreveu: O Ateneu é uma caricatura sarcástica […] da vida psicológica dos internatos. Digo caricatura no sentido de se tratar de uma obra em que os traços estão voluntariamente exagerados numa intenção punitiva.
Pela leitura do trecho do romance, pode-se considerar como caricatural e sarcástico:
I. o modo pelo qual Aristarco é descrito pelo narrador, oferecendo de maneira episcopal a mão peluda ao beijo contrito e filial dos alunos;
II. o modo pelo qual o narrador observa que Aristarco consagrava as manhãs ao governo financeiro do colégio, conferindo as anotações feitas em um grande livro que se abria em colunas maciças de escrituração e linhas encarnadas;
III. o fato de o narrador ter associado os movimentos da cadeira giratória ocupada por Aristarco às mudanças de atitude deste, a cadeira funcionando como metáfora da personalidade do diretor.
Está correto o que se afirma em:
a) II, apenas.     b) I e II, apenas.      c) I e III, apenas.    d) II e III, apenas.   e) I, II e III.

 22.(FMTM) Quanto à maneira de recepcionar pais e alunos, pode-se afirmar que Aristarco os recebia:

a) com uma explosão de contentamento.                       d) com expressão de aborrecimento.
b) de maneira espontaneamente acolhedora.                e) de maneira habilidosa e calculada.
c) com um desprezo que ele não se preocupava em ocultar.

23.(UFGO) O Ateneu, de Raul Pompeia, reúne diversas tendências do romance do final do

século XIX.

A veracidade de tal afirmação pode ser comprovada com os seguintes argumentos:

( ) o romance apresenta traços do Realismo-Naturalismo, considerando-se que há um

estudo do cotidiano do Segundo Império brasileiro e uma atenção ao meio social,

entendido como responsável pelo condicionamento das personagens.

( ) o romance reafirma alguns procedimentos temático-formais da tradição romântica,

como o triângulo amoroso vivido pelo narrador-personagem e o final feliz, que marca

a reconciliação entre o jovem estudante e o diretor do colégio.

( ) o caráter memorialista do romance reforça as teses naturalistas apresentadas ao longo

do relato, pois o tratamento objetivo dado aos fatos privilegia o caráter documental,

em detrimento das recordações de um adulto ressentido com seu passado.

( ) os aspectos autobiográficos presentes na narrativa, uma das características fundamentais do Realismo, dizem respeito, principalmente, à personagem dr. Cláudio,

médico do colégio e pai autoritário do estudante Sérgio, um adolescente que

demonstra desconhecer o ambiente hostil do internato.

V-F-F-F

24.(ESPM-SP) Leia o texto:

“Aristarco, sentado, de pé, cruzando terríveis passadas, imobilizando-se a repentes inesperados, gesticulando como um tribuno de meetings, clamando como para um auditório de dez mil pessoas, majestoso sempre, alçando os padrões admiráveis, como um leiloeiro, e as opulentas faturas, desenrolou, com a memória de uma última conferência, a narrativa dos seus serviços à causa santa da instrução. Trinta anos de tentativas e resultados, esclarecendo como um farol diversas gerações agora influentes no destino do País! E as reformas futuras? Não bastava a abolição dos castigos corporais, o que já dava uma benemerência passável. Era preciso a introdução de métodos novos, supressão absoluta dos vexames de punição, modalidades aperfeiçoadas no sistema das recompensas, ajeitação dos trabalhos, de maneira que seja a escola um paraíso; adoção de normas desconhecidas cuja eficácia ele pressentia, perspicaz como as águias. Ele havia de criar… um horror, a transformação moral da sociedade!”  Raul Pompéia. O Ateneu.

O trecho descreve a personagem Aristarco, diretor do colégio Ateneu. Assinale a afirmação errônea:

a) Expressões como “terríveis passadas”, “repentes inesperados”, “majestoso” caracterizam o autoritarismo da personagem.

b) Expressões como “leiloeiro” e “opulentas faturas” conotam o interesse comercial do diretor, preocupado com os lucros da escola.

c) A expressão “transformação moral da sociedade” confirma a séria preocupação com um projeto pedagógico e social, apesar de seu autoritarismo.

d) Expressões como “abolição dos castigos corporais” e “supressão absoluta dos vexames da punição” conferem ao diretor certo caráter de liberalismo.

e) Depreende-se que expressões como “serviços à causa santa da instrução” e “esclarecendo como um farol diversas gerações” são irônicas, pois incompatibilizam com a característica autoritária e interesseira do diretor.

INSTRUÇÃO: Para responder às questões 25 e 26, ler o texto que segue.

(U.Católica-GO) 

Texto I

“Canção de Exílio

Um dia segui viagem

Sem olhar sobre o meu ombro.

Não vi terras de passagens

Não vi glórias nem escombros.

Guardei no fundo da mala

Um raminho de alecrim.

Apaguei a luz da sala.

Que ainda brilhava por mim.

Fechei a porta da rua

A chave joguei ao mar.

Andei tanto nesta rua

Que já não sei mais voltar.”          PAES, José Paulo

Texto II

“Aristarco, sentado, de pé, cruzando terríveis passadas, imobilizando-se a repentes inesperados, gesticulando como um tribuno de meetings, clamando como um auditório de dez mil pessoas, majestoso sempre, alçando os padrões admiráveis, como um leiloeiro, e as opulentas faturas, desenrolou, com a memória de uma última conferência, a narrativa dos seus serviços à causa santa da instrução. Trinta anos de tentativas e resultados, esclarecendo como um farol diversas gerações agora influentes no destino do País! E as reformas futuras não bastava a abolição dos castigos corporais, o que já dava uma benemerência passável. Era preciso a introdução de métodos novos, supressão absoluta dos vexames de punição, modalidades aperfeiçoadas no sistema das recompensas, ajeitação dos trabalhos, de maneira que seja a escola um paraíso; adoção de normas desconhecidas cuja eficácia ele pressentia, perspicaz como as águias. Ele havia de criar… um horror, a transformação moral da sociedade!

Uma hora trovejou-lhe à boca, em sanguínea eloquência, o gênio do anúncio. Miramo-lo na inteira expansão oral, como, por ocasião das festas, na plenitude da sua vivacidade prática. Contemplávamos (eu com aterrado espanto) distendido em grandeza épica — o homem sanduíche da educação nacional, lardeado entre dois monstruosos cartazes. Às costas, o seu passado incalculável de trabalhos; sobre o ventre, para a frente, o seu futuro: a réclame dos imortais projetos.”           POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Rio de Janeiro: Ediouro, 1970.

25.( ) O poema de José Paulo Paes lembra a Canção do Exílio de Gonçalves Dias apenas no seu título e nos versos de sete sílabas, pois a temática e o enfoque de ambos são

absolutamente divergentes.

( ) É correto afirmar que, enquanto a Canção do Exílio de Gonçalves Dias está centrada

no sentimento saudosista e na declaração de amor à pátria, a Canção de Exílio de José

Paulo Paes apresenta o desejo do eu-lírico de fugir de si mesmo como forma de

vencer a própria angústia.

( ) O autor de O Ateneu faz o jogo da sinceridade e manipula a eloquência escrita como

arma do instinto. Para satisfazê-lo no mesmo nível da representação literária, a sociedade, microscópica em O Ateneu, teria de ser destruída. Américo, o incendiário, é

a personificação do instinto bruto capaz de vencer a força repressora de Aristarco.

( ) No decorrer da narrativa de O Ateneu há todo um processo de desmistificação da

figura do diretor, que, de um lado, continua ostentando a face de um deus olímpico e

intocável, e, de outro, revela suas facetas humanas, muitas vezes mesquinhas.

( ) Ema (as mesmas letras da palavra mãe) é a figura mais materialista do romance O

Ateneu. No entanto, a esposa de Aristarco representa, para Sérgio, a materialidade da

figura materna.

( ) Retomando a ideia de que “Aristarco todo era um anúncio”, referente ao caráter auto propagandista do diretor, o narrador, em O Ateneu, reforça-o com a ideia de “homem-sanduíche”, ou seja, a desses carregadores de cartazes com anúncios à frente e às costas.

V-V-V-V-F-V

26.(U.Católica-GO)

( ) A desilusão de Raul Pompeia em relação à sociedade em que vivia é claramente

delineada pelas personagens, quase todas tipificadas de maneira pouco elogiosa. Algumas, que a princípio parecem sobrenadar ao lugar comum, acabam por cair, verticalmente, no conceito do autor-personagem.

( ) Pode-se afirmar que há no romance de Pompeia uma denúncia do patriarcalismo que

vicejava ao tempo do Segundo Império. A figura de Aristarco é, a um só tempo, o

protótipo do senhor de engenho, fazendeiro, coronel, latifundiário, produtor de café e

pai, chefe de família, cuja vontade devia reinar absoluta.

( ) A narrativa do romance de Raul Pompeia não se compõe de uma tessitura dramática

determinante de um argumento ou de uma história narrada, passível de reconstituição.

Em razão disso, pode-se dizer que contradiz os processos realistas de abordagem

ou observação.

( ) “E duramente se marcavam distinções políticas, distinções financeiras, distinções

baseadas na crônica escolar do discípulo, baseadas na razão discreta das notas do

guarda-livros”. O advérbio duramente, no passo, serve para estabelecer uma ambiguidade que se pode interpretar como:

  1. a) dificilmente,
  2. b) de maneira notável, fortemente.

“Confusamente ocorria-me a lembrança do meu papelzinho de namorada faz-de-conta,

e eu levava a seriedade cênica a ponto de galanteá-lo, ocupando-me com o laço da

gravata dele, com a mecha de cabelo que lhe fazia cócegas aos olhos; soprava-lhe ao

ouvido segredos indistintos para vê-lo rir, desesperado de não perceber.”

( ) Uma das denúncias feitas por Raul Pompeia a respeito do Ateneu é sobre o homossexualismo que marcava o quotidiano do internato. O passo anterior faz referência ao próprio autor que, em outro momento, teria dito: “Estimei-o femininamente porque era grande, forte, bravo…” referindo-se a Bento Alves.

( ) Podemos afirmar que O Ateneu é um trabalho de recriação autobiográfica que revela

uma personalidade bastante forte, embora sensível, perfeitamente adaptada e

ajustada ao meio ambiente e aos valores da educação modelar, propiciada por um

internato a um jovem, o narrador, na época do Segundo Império.

V-V-F-F-V-F

 27.(MACKENZIE)
“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.”

Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam.

Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas. Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações que se transformam, alentadas perpetuamente do mesmo ardor, sobre a mesma base fantástica de esperanças, a atualidade é uma. Sob a coloração cambiante das horas, um pouco de ouro mais pela manhã, um pouco mais de púrpura ao crepúsculo – a paisagem é a mesma de cada lado beirando a estrada da vida.
Eu tinha onze anos.     (Raul Pompeia, O Ateneu)
Depreende-se do fragmento em negrito que
a) não há razão para idealizar o passado, já que todas as épocas propiciam momentos felizes.
b) há pessoas hipócritas que negam a felicidade dos tempos antigos.
c) experimentam-se angústias e decepções em qualquer que seja a época de nossa vida.
d) as lembranças do passado amenizam as dores do presente.
e) devemos esquecer que a vida é marcada por incertezas e decepções.

28.Abriam-­se as aulas a 15 de fevereiro. De manhã, à hora regulamentar, compareci. O diretor, no escritório  do estabelecimento, ocupava uma cadeira rotativa junto à mesa de trabalho. Sobre a mesa, um grande livro abria-se em colunas maciças de escrituração e linhas encarnadas. (Raul Pompeia: O Ateneu. )

Analise as afirmações abaixo, em relação ao O Ateneu.

I­O  diretor que esse fragmento menciona foi sempre um homem magnânimo e justo,  atento às  necessidades dos educandos de seu colégio.

II­O Ateneu é um romance memorialista, com as ações acontecendo em tempo anterior ao da narração dos fatos.

III. ­Apresentando características do Romantismo, em seu lançamento o romance foi saudado pela forma como o autor urdiu uma história repleta de intrigas.

IV­.O Ateneu representa um mundo fechado; ao querer moldar os meninos que ali estudam, acaba por deformar-­lhes a personalidade.

V­. Ema, esposa de Aristarco, transforma­-se em dedicada professora para os alunos.

VI. VIA história aborda dois anos da vida do narrador, em um internato masculino. É narrada em primeira pessoa, por Sérgio já adulto.  Assinale a alternativa cujas afirmações se justificam pelo texto.

a) Somente as afirmativas II e V são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas II, IV e VI são verdadeiras. 

d) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas IV e VI são verdadeiras.

29.(FUVEST) Assinalar a afirmação correta a respeito de O Ateneu, romance de Raul Pompeia.

a) Romance de formação que avalia a experiência colegial, por meio de Sérgio, alter ego do autor.
b) Romance romântico que explora as relações pessoais de adolescentes no colégio, acenando para o homossexualismo latente.
c) Romance naturalista que retrata a tirania do diretor do colégio e o maternalismo de sua mulher para com os alunos.
d) Romance realista que apresenta um padrão de excelência da escola brasileira do final do império.
e) Romance da escola do Brasil no final do império, cuja falência vem assinalada pelo incêndio do prédio, no final da narrativa.

30.No romance O ATENEU, de Raul Pompéia, o personagem Aristarco, que apresenta um “vaivém de atitudes”, é visto como portador de uma “individualidade dupla”. Todas as alternativas contêm trechos do romance em que Aristarco passa de uma atitude a outra, EXCETO

a) “Quando meu pai entrou comigo havia no semblante de Aristarco uma pontinha de aborrecimento. (…) Mas a sombra de despeito apagou-se logo, como o resto de túnica que apenas tarda a sumir-se numa mutação à vista; e foi com uma explosão de contentamento que o diretor nos acolheu.”
b) “Aristarco, que consagrava as manhãs ao governo financeiro do colégio, conferia, analisava os assentamentos do guarda-livros. De momento a momento entravam alunos. Alguns acompanhados. A cada entrada, o diretor lentamente fechava o livro comercial, (…) oferecendo episcopalmente a mão peluda ao beijo contrito e filial dos meninos.”
c) “(…) viam-no [Aristarco] formidável, com o perfil leonino rugir (…) sobre outro [aluno] que tinha limo nos joelhos de haver lutado em lugar úmido, gastando tal veemência no ralho, que chegava a ser carinhoso.”
d) “A cadeira girava de novo à posição primitiva; o livro da escrituração espalmava outra vez as páginas enormes; e a figura paternal do educador desmanchava-se volvendo a simplificar-se na esperteza atenta e seca do gerente.”

31..“A seu turno a gramática abria-se como um cofre de confeitos pela Páscoa. Cetim cor de céu e açúcar. Eu escolhia a bel-prazer os adjetivos, como amêndoas adocicadas pelas circunstâncias adverbiais da mais agradável variedade; os amáveis substantivos! voavam-me à roda, próprios e apelativos, como criaturinhas de alfenim alado; a etimologia, a sintaxe, a prosódia, a ortografia, quatro graus de doçura da mesma gustação. Quando muito, as exceções e os verbos irregulares desgostavam-me a princípio; como esses feios confeitos crespos de chocolate: levados à boca, saborosíssimos.” POMPEIA, Raul. O Ateneu.

Com base no Texto , é CORRETO afirmar que:

  1. o narrador (Sérgio) não gostava de etimologia, de sintaxe, de prosódia nem de ortografia.
  2. as palavras criaturinhas e saborosíssimos são adjetivos, e estão, respectivamente, no grau diminutivo e aumentativo.
  3. a passagem “[…] os adjetivos, como amêndoas adocicadas pelas circunstâncias adverbiais” […]pode ser exemplificada pelos termos sublinhados na oração Este livro é bem interessante.
  4. o narrador compara os substantivos a “criaturinhas de alfenim alado” com base na relação entre ter asas e voar.
  5. da última frase do texto, pode-se inferir o provérbio: “As aparências enganam”.
  6. o sentido negativo do prefixo des faz com que o verbo desgostar seja empregado no texto significando que o personagem passa a não gostar das exceções e dos verbos irregulares a partir do momento em que abre a gramática.

Gabarito: 28 (04+08+16)

 32.(PUC-RS) Sobre o Ateneu, de Raul Pompeia, é correto afirmar que:

a)apresenta todas as características do Realismo, exceto a influência do meio sobre o comportamento do indivíduo.

b) tem como matéria-prima as recordações e impressões da personagem principal.

c) constitui-se num documento fotográfico da realidade objetiva.

d) segue uma ordem cronológica, apoiando-se do real.

e) não se atém a reflexões críticas em relação ao contexto social.

34.Todas as alternativas apresentam afirmações corretas sobre o narrador do romance O ATENEU, EXCETO

a) O narrador entremeia à narrativa dos acontecimentos da vida escolar as suas opiniões.
b) O narrador dá mais ênfase aos fatos sociais do que aos da sua experiência pessoal.
c) O narrador estrutura o enredo, revelando a existência de etapas no processo de formação de sua personalidade.
d) O narrador apresenta as relações entre os personagens de modo a desnudar alguns aspectos ocultos dessas relações.

35.Dos comentários que se fazem de “O ATENEU” assinale o falso:
a) misto de ficção e memória, pendente entre diário e romance, gira em torno das experiências sofridas por um menino ingênuo no internato de Aristarco Argolo de Ramos.
b) sem haver propriamente um enredo, mas justaposição de quadros, vão desfilando diante de nós as personagens e situações de um colégio em que a hipocrisia esconde toda gama de baixeza.
c) Diretor e senhora (d Ema), professores e estudantes, todos vivem numa atmosfera saturada e postiça forjada pela vaidade de Aristarco.
d) a sucessão de flagrantes impressionistas termina com o incêndio do colégio, ateado pelo estudante Américo.
e) O Ateneu distingue-se na história de nossa ficção por uma série de aspectos originais, entre eles, o realismo exterior tal qual o de Aluísio Azevedo em “O CORTIÇO”.

 36.No romance O Ateneu, coexistem características estéticas próprias do Realismo, do Naturalismo, do Impressionismo e do Expressionismo. É marcante a presença do Naturalismo em:
a)”O timbre da vogal, o ritmo da frase dão alma à elocução. O timbre é o colorido, o ritmo é a linha e o contorno. A lei da eloquência domina na música, colorido e linha, seriação de notas e andamentos; domina na escultura, na arquitetura, na pintura: ainda a linha e o colorido.”
b)”Modulava-se a harmonia em suave gorjeio, entoando elevação dos salmos, o êxtase sensual do Cântico dos Cânticos na boca de Sulamita, e a sedução de Booz enredado no estratagema honesto da ternura, e a melancolia trágica de Judite, e a serena glória de Ester, a princesa querida.”
c)”Sua diplomacia [de Aristarco] dividia-se por escaninhos numerados, segundo a categoria de recepção que queria dispensar. Ele tinha maneiras de todos os graus, segundo a condição social da pessoa.”

d)”O Cerqueira, ratazana, sujeito cômico, cara feita de beiços, rachada em boca como as romãs maduras, de mãos enormes como um disfarce de pés, galopava a quatro pelos salões, zurrando em fraldas de camisa, escoucinhando uma alegria sincera de mula.” 

 Texto para as questões 37 e 38

(UFLA-MG)

“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais
sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob
outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam.

Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas. Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações que se transformam, alentadas perpetuamente do mesmo ardor, sobre a mesma base fantástica de esperanças, a atualidade é uma. Sob a coloração cambiante das horas, um pouco de ouro mais pela manhã, um pouco mais de púrpura ao crepúsculo – a paisagem
é a mesma de cada lado beirando a estrada da vida. Eu tinha onze anos.(Pompéia, Raul. O Ateneu (Crônica de Saudades),

37.”(…), a atualidade é uma.” O trecho significa que:

a) a atualidade traz a compensação dos desejos.

b) a atualidade tem sempre a mesma natureza, em qualquer momento.

c) a atualidade é simplesmente uma mesma base fantástica de esperanças.

d) a atualidade é um eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam.

e) a atualidade é uma paisagem única, que só ocorre uma vez na estrada da vida.

38.(UFLA-MG) O primeiro período do texto “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu.” “Coragem para a luta.” Traz uma atmosfera carregada de:

a)saudade da infância                              d) decepção com a vida nova.

b) prenúncio dos fatos.                         e) saudade hipócrita

c) alegria diante do novo.

39.Sobre o texto de Raul Pompeia, NÃO podemos afirmar que:

a) o ambiente familiar da infância aparentemente protege a criança do mundo.

b) a entrada no Ateneu marca o fim de uma etapa.

c) o zelo familiar suaviza a rude impressão do contato com o mundo.

d) o tempo vivido no Ateneu não é, em essência, diferente das demais fases da vida.

e) todas as fases da vida são substancialmente semelhantes.

40.Considere as afirmações abaixo sobre o romance “O Ateneu”, de Raul Pompeia.

I, Fortemente pessoal – mas não a ponto de ser considerado uma autobiografia – o texto parte das experiências do autor em um sistema de internato.

II.Sérgio – o protagonista – procura ligações autênticas com os colegas, mas só encontra brutalidade, jogos de poder, exploração e homossexualismo. Todas as camaradagens são efêmeras e dissimuladas, exceção feita a Rebelo.

III. Dificilmente alguém escapa do homossexualismo sutil que domina as salas de aula, os corredores e os dormitórios do Ateneu. Exceção feita a Rebelo e a Sérgio que se unem e enfrentam com virilidade a perversão do meio.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.                b) Apenas II.            c) Apenas III.           d) Apenas I e II.          e) I, II e III.

 

 

Noite na Taverna

gotico

Texto para as questões de 01 a 06.

Solfieri

    Sabei-o. Roma é a cidade do fanatismo e da perdição: na alcova do sacerdote dorme a gosto a amásia; no leito da vendida se pendura o crucifixo lívido. É um requintar de gozo blasfemo que mescla o sacrilégio à convulsão do amor, o beijo lascivo à embriaguez da crença

    Era em Roma. Uma noite, a lua ia bela como vai ela no verão por aquele céu morno. O fresco das águas se exalava como um suspiro do leito do Tibre. A noite ia bela. Eu passeava a sós pela ponte de … As luzes se apagaram uma por uma nos palácios, as ruas se faziam ermas e a lua de sonolenta, se escondia no leito das nuvens. Uma sombra de mulher apareceu numa janela solitária e escura. Era uma forma branca. – A face daquela mulher era como de uma estátua pálida à lua. Pelas faces dela, como gotas de uma taça caída, rolavam fios de lágrimas.

    Eu me encostei à aresta de um palácio. A visão desapareceu no escuro da janela… e daí um canto se derramava. Não era só uma voz melodiosa: havia naquele cantar um como choro de frenesi, um como gemer de insânia: aquela voz era sombria como a do vento à noite nos cemitérios cantando a nênia das flores murchas da morte.

    Depois, o canto calou-se. A mulher apareceu na porta. Parecia espreitar se havia alguém nas ruas. Não viu ninguém: saiu. Eu segui-a.

    A noite ia cada vez mais alta: a lua sumira-se no céu e a chuva caía às gotas pesadas: apenas eu sentia nas faces caírem grossas lágrimas de água, como sobre um túmulo prantos do órfão.

  Andamos longo tempo pelo labirinto das ruas: enfim, ela parou; estávamos num campo.

    Aqui, ali, além, eram cruzes que se erguiam entre o ervaçal. Ela ajoelhou-se. Parecia soluçar: em torno dela passavam as aves da noite.

     Não sei se adormeci: sei, apenas, que quando amanheceu achei-me a sós no cemitério. Contudo, a criatura pálida não fora uma ilusão: as urzes, as cicutas do campo-santo estavam quebradas junto a uma cruz.

     O frio da noite, aquele sono dormido à chuva, causaram-me uma febre. No meu delírio passava e repassava aquela brancura de mulher, gemiam aqueles soluços e todo aquele devaneio se perdia num canto suavíssimo…

     ano depois voltei a Roma. Nos beijos das mulheres, nada me saciava; no sono da saciedade me vinha aquela visão…

    Uma noite e após uma orgia, eu deixara dormida no leito a bela condessa Barbora. Dei um último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos, gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado vazias na mesa: aos lábios daquela criatura eu bebera até à última gota do vinho do deleite…

   Quando dei acordo de mim, estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o. Era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal apertados… Era uma defunta! E aqueles traços todos me lembraram uma ideia perdida… Era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja que, ignoro porque, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão. Pesava como chumbo…

 Sabeis a história de Maria Stuart degolada e do algoz, “do cadáver sem cabeça e do homem sem coração”, como a conta Brantôme? – Foi uma ideia singular, a que eu tive. Tomei-a no colo. Preguei-lhe mil beijos nos lábios. Ela era bela assim. Rasguei-lhe o sudário, despi-lhe o véu e a capela, como o noivo os despe à noiva. Era mesmo uma estátua: tão branca era ela. A luz dos tocheiros dava-lhe aquela palidez de âmbar que lustra os mármores antigos. O gozo foi fervoroso – cevei-lhe em perdição aquela vigília. A madrugada passava já frouxa nas janelas. Àquele calor de meu peito, à febre de meus lábios, à convulsão de meu amor, a donzela pálida parecia reanimar-se. Súbito, abriu os olhos empanados. Luz sombria alumiou-os como a de uma estrela entre névoa, apertou-me em seus braços, um suspiro ondeou-lhe nos beiços azulados… Não era já a morte: era um desmaio. No aperto daquele abraço havia, contudo, alguma coisa de horrível. O leito de lajes, onde eu passara uma hora de embriaguez, me resfriava. Pude, a custo, soltar-me naquele aperto do peito dela… Nesse instante, ela acordou…

    Nunca ouvistes falar de catalepsia? É um pesadelo horrível aquele que gira ao acordado que emparedam num sepulcro; sonho gelado em que sentem-se os membros tolhidos e as faces banhadas de lágrimas alheias, sem poder revelar a vida!

    A moça revivia a pouco e pouco. Ao acordar, desmaiara. Embucei-me na capa e tomei-a nos braços coberta com seu sudário, como uma criança. Ao aproximar-me da porta, topei num corpo. Abaixei-me e olhei: era algum coveiro do cemitério da igreja, que aí dormira de ébrio, esquecido de fechar a porta…

………………………………………………………………………………………………………………………….

    Caminhei. – Estava cansado. Custava a carregar o meu fardo e eu sentia que a moça ia despertar. Temeroso de que ouvissem-na gritar e acudissem, corri com mais esforço…

    Quando eu passei a porta, ela acordou. O primeiro som que lhe saiu da boca foi um grito de medo…

    Dois dias e duas noites levou ela de febre, assim. Não houve sanar-lhe aquele delírio, nem o rir do frenesi. Morreu depois de duas noites e dois dias de delírio.

    À noite, saí. Fui ter com um estatuário que trabalhava perfeitamente em cera e paguei-lhe uma estátua dessa virgem.

    Quando o escultor saiu, levantei os tijolos de mármore do meu quarto e, com as mãos, cavei aí um túmulo. Tomei-a, então, pela última vez nos braços, apertei-a a meu peito, muda e fria, beijei-a e cobri-a, adormecida no sono eterno, com o lençol de seu leito. Fechei-a no seu túmulo e estendi meu leito sobre ele,

    Um ano, – noite a noite – dormi sobre as lajes que a cobriam… Um dia, o estatuário me trouxe a sua obra. Paguei-lha e paguei o segredo…

– Não te lembras, Bertram, de uma forma branca de mulher que entreviste pelo véu do meu cortinado? Não te lembras que eu te disse que era uma virgem que dormia?

– E quem era essa mulher, Solfieri?

– Quem era? Seu nome?

– Quem se importa com uma palavra quando sente

que o vinho queima assaz os lábios? Quem pergunta o nome da prostituta com quem dormiu e sentiu morrer a seus beijos, quando nem há dele mister por escrever-lho na lousa?

Solfieri encheu uma taça e bebeu-a. Ia erguer-se da mesa, quando um dos convivas tomou-o pelo braço.

– Solfieri, não é um conto, isso tudo?

– Pelo inferno, que não! Por meu pai, que era conde e bandido! Por minha mãe que era a bela Messalina das ruas! Pela perdição que não! Desde que eu próprio calquei aquela mulher com meus pés na sua cova de terra, eu vo-lo juro! – guardei-lhe como amuleto a capela de defunta. Ei-la!

Abriu a camisa e viram-lhe ao pescoço uma grinalda de flores mirradas.

– Vedes-la? Murcha e seca, como o crânio dela.   (Álvares de Azevedo)

 1.A narrativa se desenvolve em uma atmosfera de expectativa e surpresas, criada tanto pelo ambiente em que se desenrolam as ações quanto pelo ambiente em que se desenrolam as ações quanto pelo emprego de algumas técnicas de suspense.

A.Faça um levantamento dos ambiente em que se situam as ações de Solfieri, do início ao fim do conto, e indique as características que, de modo geral, elas apresentam.

Ambientes noturnos, decadentes e mórbidos; as ruas de Roma à noite, o cemitério, as orgias, a igreja com o corpo da virgem, o quarto com o túmulo e a taverna.

B.Como o narrador cria suspense ao relatar sua capela?

Por meio da presença de cruzes e de aves da noite no campo a que chegaram; e do tropeço no corpo do coveiro, bêbado.

 2.O conto lido apresenta a técnica da narração dupla, isto é, Solfieri narra aos amigos, na taverna, sua história. Terminada a narração da personagem, um narrador desconhecido relata em 3ª pessoa o que está acontecendo na taverna entre Solfieri e seus amigos. Identifique o parágrafo a partir do qual surge a segunda narrativa.

A partir do parágrafo que assim se inicia: “ – Não te lembras, Bertram”. O nexo entre as narrativas se faz por meio da pergunta do narrador a Bertram pedindo o seu testemunho.

 3.O ideal de beleza feminina presente nos textos de inspiração byroniana em geral difere bastante dos padrões atuais e nacionais de beleza. Releia o segundo parágrafo do texto e destaque as palavras e expressões utilizadas para caracterizar a mulher amada de Solfieri.

“Forma branca”, “estátua pálida à lua”.

 4.Uma das características desse tipo de narrativa – chocante e surpreendente – pode ser verificada no episódio em que Solfieri adentra a capela do cemitério e encontra a mulher amada.

A.Que fato inusitado ocorre entre os dois?

É a necrofilia. Solfieri consuma fisicamente o amor com a virgem, antes de saber que ela estava viva.

B.De que modo apropria narrativa desfaz o impacto produzido por esse fato?

Pela revelação de que a moça tivera um ataque de catalepsia.

 5.Em vez de uma visão lógica da realidade, a narrativa gótica prefere sondar as zonas obscuras do subconsciente, beirando os limites do sonho e da loucura. Identifique no comportamento de Solfieri e de sua amada atitudes que sejam exemplo dessa inclinação para o inconsciente.

Comportamentos da mulher: o canto do início do texto; sua visita ao cemitério à noite; comportamento de Solfieri: as orgias, a embriaguez, a necrofilia, a devassidão, a morbidez.

 6.Os seguintes fragmentos do conto dizem respeito a Solfieri, o narrador-personagem da história:

  • “Nos beijos das mulheres nada me saciava”
  • “Uma noite, e após uma orgia”
  • “sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez”.
  • “Por meu pai que era conde e bandido, por minha mãe que era bela Messalina das ruas”.

Que visão de mundo eles expressam? Que perspectiva de vida Solfieri tem?

Expressam uma visão pessimista e decadente do mundo. Solfieri revela-se um ser sem perspectiva de vida, alguém cuja vida consiste em uma busca frenética de prazeres e no desafio à própria morte.

 7.(UESC-BA)

Nessa torrente negra que se chama a vida, e que corre para o passado enquanto nós caminhamos para o futuro, também desfolhei muitas crenças, e lancei despidas as minhas roupas mais perfumadas, para trajar a túnica da Saturnal! O passado é o que foi, é a flor que murchou, o sol que se apagou, o cadáver que apodreceu. Lágrimas a ele? fora loucura! Que durma, e que durma com suas lembranças negras! revivam: acordem apenas os miosótis abertos, naquele pântano! Sobre águe naquele não-ser o eflúvio de alguma lembrança pura!

— Bravo! Bravíssimo! Claudius, estás completamente bêbedo! bofé que estás romântico!

— Silêncio, Bertram! certo que esta não é uma lenda para inscrever-se após das vossas: uma dessas coisas que se contem com os cotovelos na toalha vermelha, e os lábios borrifados de vinho e saciados de beijos… Mas que importa?

Vós todos, que amais o jogo, que vistes um dia correr naquele abismo uma onda de ouro — redemoinhar-lhe no fundo, como um mar de esperanças que se embate na ressaca do acaso, sabeis melhor que vertigem nos tonteia então: ideais melhor a loucura que nos delira naqueles jogos de milhares de homens, onde fortuna, aspirações, a vida mesma vão-se na rapidez, de uma corrida, onde todo esse complexo de misérias e desejos, de crimes e virtudes que se chama a existência se joga numa parelha de cavalos!  AZEVEDO, Álvares de. Noite na taverna. Porto Alegre: L&PM, 2006. p. 57.
Coleção L&PM Pocket

(UESC-BA-2007) No Romantismo, o artista traz à tona o seu mundo interior, com plena liberdade. Isso se faz presente na obra Noite na Taverna, em que cada narrador-personagem revela a sua trajetória de vida marcada por amores frustrados ou proibidos, pelo sofrimento e pela presença frequente da morte.
Considere o fragmento no todo do capítulo Claudius Hermann e teça um comentário sobre o enfoque romântico dado pelo narrador-personagem ao amor e à vida. Exemplifique suas afirmações com fatos da narrativa.

Claudius Hermann tem uma visão idealizada sobre o amor a ponto de dopar a personagem Leonora, uma bela mulher que o fascinava, para tê-la ao seu lado. Na visão de Hermann, a vida e o amor são indissociáveis e devem ser vividos intensamente, mesmo que de forma passageira como uma corrida de cavalos.

8.(CEFET-PR) O excerto a seguir foi extraído da obra “Noite na Taverna”, livro de contos escritos pelo poeta ultrarromântico Álvares de Azevedo (1831-1852).

“Uma noite, e após uma orgia, eu deixara dormida no leito dela a condessa Bárbara. Dei um último olhar àquela forma nua e adormecida com a febre nas faces e a lascívia nos lábios úmidos, gemendo ainda nos sonhos como na agonia voluptuosa do amor. Saí. Não sei se a noite era límpida ou negra; sei apenas que a cabeça me escaldava de embriaguez. As taças tinham ficado vazias na mesa: aos lábios daquela criatura eu bebera até a última gota o vinho do deleite…

Quando dei acordo de mim estava num lugar escuro: as estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo. As luzes de quatro círios batiam num caixão entreaberto. Abri-o: era o de uma moça. Aquele branco da mortalha, as grinaldas da morte na fronte dela, naquela tez lívida e embaçada, o vidrento dos olhos mal apertados… Era uma defunta!… e aqueles traços todos me lembravam uma ideia perdida… — era o anjo do cemitério! Cerrei as portas da igreja, que, eu ignoro por quê, eu achara abertas. Tomei o cadáver nos meus braços para fora do caixão. Pesava como chumbo…”          (São Paulo: Moderna, 1997, p. 23)

Com relação ao fragmento acima, afirma-se:

I) Acentua traços característicos da literatura romântica, como o subjetivismo, o egocentrismo e o sentimentalismo; ao contrário, despreza o nacionalismo e o indianismo, temas característicos da primeira geração romântica.

II) Idealiza figuras imaginárias, mulheres incorpóreas ou virgens, personagens que confirmam o amor inatingível, idealizado na literatura ultrarromântica. Desta forma, no 1o parágrafo, o amor platônico não é superado pelo amor físico.

III)      Tematiza a morte, presente em grande parte da obra do autor.

Assinale a alternativa correta.

  1. a) Apenas I está correta.      d)         Apenas I e II estão corretas.
  2. b) Apenas II e III estão corretas. e)         Apenas I e III estão corretas.
  3. c) I, II e III estão corretas.

9.(UNESP-2007) As questões de números 01 e 02 tomam por base um trecho da obra Noite na taverna, do escritor romântico Álvares de Azevedo (1831-1852).

Um velho

– Por que empalideces, Solfieri? – A vida é assim. Tu o sabes como eu o sei. O que é o homem? É a escuma que ferve hoje na torrente e amanhã desmaia, alguma coisa de louco e movediço como a vaga, de fatal como o sepulcro! O que é a existência? Na mocidade é o caleidoscópio das ilusões, vive-se então da seiva do futuro. Depois envelhecemos: quando chegamos aos trinta anos e o suor das agonias nos grisalhou os cabelos antes do tempo e murcharam, como nossas faces, as nossas esperanças, oscilamos
entre o passado visionário e este amanhã do velho, gelado e ermo – despido como um cadáver que se banha antes de dar à sepultura! Miséria! Loucura!

– Muito bem! Miséria e loucura! – interrompeu uma voz.

O homem que falara era um velho. A fronte se lhe descalvara, e longas e fundas rugas a sulcavam: eram as ondas que o vento da velhice lhe cavara no mar da vida… Sob espessas sobrancelhas grisalhas lampejavam-lhe olhos pardos e um espesso bigode lhe cobria parte dos lábios. Trazia um gibão negro e roto e um manto desbotado, da mesma cor, lhe caía dos ombros.

– Quem és, velho? – perguntou o narrador.

– Passava lá fora, a chuva caía a cântaros, a tempestade era medonha, entrei. Boa noite, senhores! Se houver mais uma taça na vossa mesa, enchei-a até às bordas e beberei convosco.

– Quem és?

– Quem sou? Na verdade fora difícil dizê-lo: corri muito mundo, a cada instante mudando de nome e de vida. (…) – Quem eu sou? Fui um poeta aos vinte anos, um libertino aos trinta – sou um vagabundo sem pátria e sem crenças aos quarenta.

(UNESP-2007) 01. No fragmento de Álvares de Azevedo, cruzam-se as imagens das fases da existência humana e da natureza do oceano. Tendo em vista essa ideia, explicite por que razão o ser humano se assemelha, do ponto de vista do enunciador, à escuma que ferve hoje na torrente e amanhã desmaia.

Sob o ponto de vista da subjetividade romântica, o enunciado retoma o tema da fugacidade do tempo e da incerteza da vida. A identificação da natureza com os estados emocionais da personagem, a

10.(UESPI/PI) Álvares de Azevedo, poeta paulista, falecido precocemente, escreveu, em prosa, o livro de Contos Noites na Taberna. Esta obra:

(1) Traz a marca da adolescência, mas o poeta finge um formidável conhecimento de vida.

(2) É constituída por contos satânicos, devassos, melodramáticos, que descrevem crimes, num tom amoral.

(3) Tem como ponto de partida a história de sete jovens que bebem numa taverna, cada um deles contando sua aventura criminosa.

(4) Apresenta um clima de pesadelo, mas soa falso e ingênuo.

Estão corretas:

a) 1, 2 e 3 apenas.  b) 1, 3 e 4 apenas.     c) 1, 2, 3 e 4.       d) 2, 3 e 4 apenas.    e) 2 e 4 apenas.

11.(PUC-RS)

“Quando voltei, Ângela estava casada e tinha um filho…
Contudo meu amor não morreu! Nem o dela!
(…)
Essa noite — foi uma loucura! Foram poucas horas e sonhos de fogo! E quão breve passaram! Depois dessa noite seguiu-se outra, outra… e muitas noites (…).
Mas um dia o marido soube de tudo: quis representar de Otelo com ela. Doido!…
Era alta noite: eu esperava ver passar nas cortinas brancas a sombra do anjo. Quando passei, uma voz chamou-me. Entrei. — Ângela com os pés nus, o vestido solto, o cabelo desgrenhado e os olhos ardentes tomou-me pela mão… Senti-lhe a mão úmida… Era escura a escada que subimos: passei minha mão, molhada pela dela, por meus lábios. Tinha sabor de sangue.
— Sangue, Ângela! De quem é esse sangue?
(…)
Quando Ângela veio com a luz, eu vi… era horrível!… O marido estava degolado.”

O texto em questão, de Álvares de Azevedo, compõe o livro de contos intitulado ________, em que o autor conjuga erotismo ao interesse em ________ o inconsciente do homem. Essa última característica mostra que estava ________ seu tempo.

a) A Lira dos Vinte Anos valorizar engajado no

b) Inspirações do Claustro retomar adiante do

c) Lira dos Vinte Anos neutralizar em consonância com

d) Noite na Taverna adentrar adiante do

e) Noite na Taverna anular engajado no

12.(UFMS) Os relatos emoldurados em Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, são, todos, construídos a partir de uma oposição entre amor e morte. Assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

(001) No relato de Bertram, o protagonista se apaixona por Claudius Hermann, o amor homossexual terminando com os amantes condenados, pela Inquisição, à morte na fogueira.

(002) No relato de Johann, o herói que narra a sua história informa aos ouvintes de como, em um acesso de ciúmes, matou a sua amante, Ângela.

(004) Giorgia, que surge como amante virgem, em relato narrado por um dos convivas que desfiam aventuras na taverna, ressurge ao final para vingar-se da desonra, suicidando-se em seguida.

(008) O relato de Solfiere mescla aventuras amorosas com fuga de piratas e expedição ao extremo Oriente.

(016) A expressão “estou de esperanças” indica uma amante grávida e surge como um sinal positivo para o futuro – que, no entanto, não se realiza, pois a gestante mata o feto, morrendo em seguida.

SOMA: 016 (016)

 13.(UFMS) Dentre as descrições, a seguir, a partir da trama romântica de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, assinale a(s) correta(s).

(001) A primeira parte da narrativa apresenta a cena que emoldura todas as demais partes: embriagados, vários amigos, em uma taverna, discutem filosofia e poesia, até que passam a contar histórias – “uma lembrança do passado” de cada um – que, na definição que apresentam, semelham aos “contos fantásticos” de Hoffmann.

(002) “A saciedade é um tédio terrível”, afirma Bertram, que entre diversas aventuras amorosas rocambolescas, narra ter sido recebido no palácio de “um nobre velho viúvo e uma beleza peregrina de dezoito anos”; depois de “desonrá-la”, foge com a moça, vende-a para o pirata Siegfried, a quem a moça envenena antes de se afogar.

(004) Nauza é a jovem mulher de Godofredo, mestre de Gennaro; ela e o aluno se apaixonam, mas Gennaro se envolve com Laura, “virginal” filha de Godofredo; Laura, grávida, morre, e enquanto Godofredo chora, Gennaro e Nauza se amam; Godofredo atrai Gennaro para uma cilada, atira-o em um despenhadeiro, mas ele, por milagre, se salva; retornando à casa do mestre, encontra Godofredo e Nauza envenenados.

(008) Claudius Hermann – narrador de sua própria história – rouba ao Duque Maffio a mulher, Eleonora; certo dia, ao voltar para casa, Hermann depara-se com “o leito ensopado de sangue e numrecanto escuro da alcova um doido abraçado com um cadáver”: o Duque os encontrara e matara Eleonora. Claudius e Maffio duelam, e Hermann crava a espada no peito do Duque.

(016) Johann, em duelo, mata Arthur com um tiro à queima-roupa, e vai a um encontro amoroso no lugar do oponente. Descoberto no idílio, mata “um vulto” que veio proteger a moça. Descobre que matou o próprio irmão e que “a virgem” que lhe propiciara “uma noite deliciosa” era sua irmã. Termina sua história e todos dormem. Chega à taverna sua irmã, Giorgia, que se vinga, matando-o com uma punhalada. Descobrimos então que o jovem Arthur continua vivo e é Arnold, que participava da orgia na taverna. Giorgia se mata e Arnold, beijando-a, crava um punhal no próprio peito.

SOMA: 001+002+004+016 = 23

 

 

O Guarani

O GUARANI

O fragmento abaixo foi retirado do romance O Guarani. Leia-o com atenção e responda às

questões 01 a 05.

        “Enquanto o sol alumiou a terra, caminhamos; quando a lua subiu ao céu, chegamos. Combatemos como Goitacás. Toda a noite foi uma guerra. Houve sangue, houve fogo.

         “Quando Peri abaixou o arco de Ararê, não havia na taba dos brancos uma cabana em pé, um homem vivo; tudo era cinza.

         “Veio o dia e alumiou o campo; veio o vento e levou a cinza.

         “Peri tinha vencido; era o primeiro de sua tribo, e o mais forte de todos os guerreiros.

        “Sua mãe chegou e disse: ‘Peri, chefe dos Goitacás, filho de Ararê, tu és grande, tu és forte como teu pai; tua mãe te ama’.

        “Os guerreiros chegaram e disseram: ‘Peri, chefe dos Goitacás, filho de Ararê, tu és o mais valente da tribo e o mais temido do inimigo; os guerreiros te obedecem’.

        “As mulheres chegaram e disseram: ‘Peri, primeiro de todos, tu és belo como o sol, e flexível como a cana selvagem que te deu o nome; as mulheres são tuas escravas’. (…)

        “Sua mãe veio e disse: ‘Peri, filho de Ararê, guerreiro branco salvou tua mãe; virgem branca também’.

         “Peri tomou suas armas e partiu; ia ver o guerreiro branco para ser amigo; e a filha da senhora para ser escravo. (…)

        “Guerreiro branco, Peri, primeiro de sua tribo, filho de Ararê, da nação Goitacá, forte na guerra, te oferece o seu arco; tu és amigo.”

         O índio terminou aqui a sua narração.

         Enquanto falava, um assomo de orgulho selvagem da força e da coragem lhe brilhava nos olhos negros, e dava certa nobreza ao seu gesto. Embora ignorante, filho das florestas, era um rei; tinha a realeza da força.   O Guarani – José de Alencar

01- No fragmento de O Guarani, a voz enunciadora é de Peri, o protagonista do romance. Os primeiros parágrafos remetem ao contato inicial com os colonizadores. A reação de Peri e sua tribo condiz com a realidade histórica? Justifique:

Sim, a reação violenta de Peri e sua tribo condiz com a realidade histórica, pois os índios reagiram com violência à colonização, por isso ou foram escravizados ou destruídos.

02- O momento que Peri narra no fragmento é o de sua afirmação na tribo como chefe guerreiro. Confirme com o texto a sua aclamação:

A mãe: tu és grande, tu és forte como teu pai; tua mãe te ama’; os guerreiros: tu és o mais valente da tribo e o mais temido do inimigo; os guerreiros te obedecem; as mulheres: tu és belo como o sol, e flexível como a cana selvagem que te deu o nome; as mulheres são tuas escravas.

03- Há, no fragmento, o motivo para Peri estar na presença dos brancos e tornar-se amigo deles. Destaque do texto o que motivou Peri a ser amigo dos portugueses:

O guerreiro branco salvou a mãe de Peri.

04- José de Alencar construiu o herói nacional, colocando-o à altura dos heróis europeus. Reconheça as características de Peri que o tornam grandioso:

A nobreza de seu gesto, o orgulho selvagem e a força da coragem, era um rei, tinha a realeza da força.

05- Comente os motivos de José de Alencar escolher o índio como herói nacional:

O índio era o representante natural do Brasil, o autor procurou dar-lhe roupagem cristã, europeia, associadas à força e beleza natural. Além do mais valoriza a sua língua, como a genuinamente brasileira.

Com base no trecho final de O Guarani, , responda à questão 06.

“Tudo era água e céu.

A inundação tinha coberto as margens do rio até onde a vista podia al­cançar; as grandes massas de água que o temporal durante a noite inteira vertera sobre as cabeceiras dos confluentes do Paraíba desceram das serranias, e, de torrente em torrente, haviam formado essa tromba gigantesca que se abatera sobre a várzea.

A tempestade continuava ainda ao longo de toda a cordilheira, que aparecia coberta por um nevoeiro escuro; mas o céu, azul e límpido, sorria mirando-se no espelho das águas.

A inundação crescia sempre; o leito do rio elevava-se gradualmente; as árvores pequenas desapareciam; e a folhagem dos soberbos jacarandás sobrenadava já como grandes moitas de arbustos.

A cúpula da palmeira em que se achavam Peri e Cecilia, parecia uma ilha de verdura banhando-se nas águas da corrente; as palmas que se abriam formava no centro um berço mimoso, onde os dois amigos, estreitando-se, pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida.   José de Alencar

A. Dar a diferença entre: confluente e afluente.

Ambos são rios, cursos d’ água, o confluente desemboca na mesma foz com outro rio e o afluente desemboca em outro, que é considerado principal em relação a ele.

 B.Em meio ao drama da inundação, como explicar a expressão “berço mimoso”?

A expressão refere-se ao espaço formado pela cúpula da palmeira que carregava o casal.

O texto abaixo é um fragmento do romance O Guarani, de José de Alencar:

Cenário

De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio de água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.

É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito.

Dir-se-ia que, vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde então a beleza selvática; suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltam contra os barcos e as canoas que resvalam sobre elas: escravo submisso sofre o látego do senhor.

Não é neste lugar que ele deve ser visto; sim três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indômito desta pátria da liberdade.

Ai, o Paquequer lança-se rápido sobre seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando, deixando o pelo esparso pelas pontas do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recua um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa.

Depois, fatigado do esforço supremo, se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como em um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes.

A vegetação nestas paragens ostentava outrora todo o seu luxo e vigor; florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verduras e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras.

Aí, ainda a indústria do homem tinha aproveitado habilmente da natureza para criar meios de segurança e defesa.

De um e outro lado da escada seguiam dois renques de árvores, que, alargando gradualmente, iam fechar como dois braços o seio do rio; entre o tronco dessas árvores, uma alta cerca de espinheiros tornava aquele vale impenetrável.  (José de Alencar. O Guarani.)

7.Justifique as afirmações abaixo sobre o romance O Guarani, de José de Alencar:

a) A utilização de recursos estilísticos permite-nos dizer que o cenário criado pelo narrador manifesta o  tema  da integração da natureza e da cultura.

b) O romance tem um componente das novelas medievais da cavalaria, já que, no Romantismo, havia um culto à Idade Média.

a) A natureza é antropomorfizada, animizada e culturalizada. antropomorfismo: elementos da natureza vistos como seres humanos ¾ livre, soberbo, altivo, sobranceiro, filho indômito desta pátria de liberdade, escravo submisso etc.
dinamicidade: atribui-se vida à natureza através de verbos que indicam movimento ¾  enroscando-se como uma serpente, se espreguiçar etc. culturalização: comparações da natureza com artefatos feitos pelo homem ¾ a bacia onde o Paquequer adormece é visto como um leito de noiva, as trepadeiras e flores agrestes, como cortinas, os galhos das árvores, como arcos etc.

b) No romance alencariano, as personagens pautam sua conduta por normas cavalheirescas.  D. Antônio é um senhor feudal: habita num castelo, que abriga vassalos em torno do suserano. O código de honra desses homens fundamenta-se na lealdade ao senhor. Além disso, o espaço em que a relação dos dois rios é apresentada sugere  vassalagem.

(FGV-SP) “Então, no fundo da floresta, troou um estampido horrível, que veio reboando pelo espaço; dir-se-ia o trovão, correndo pelas quebradas da serrania.

Era tarde.

Não havia tempo para fugir; a água tinha soltado o seu primeiro bramido, e, erguendo o colo, precipitava-se, furiosa, invencível, devorando o espaço como um monstro do deserto.

Peri tomou a resolução pronta que exigia a iminência do perigo: em vez de ganhar a mata suspendeu-se a um dos cipós, e, galgando o cimo da palmeira, aí abrigou-se com Cecília.

A menina, despertada violentamente e procurando conhecer o que se passava, interrogou seu amigo.

–– A água!… respondeu ele apontando para o horizonte.”       José de Alencar. O guarani.

8.Sobre o fragmento acima, afirma-se que:

1.Enaltece a força da natureza brasileira.

2.Exalta a coragem do silvícola.

3.Refere um símbolo da fusão dos valores nativos e europeus.

4.“Pronta” (4º parágrafo), no texto, significa “preparada”.

5.“Monstro do deserto” (3º parágrafo) e “A água!” (6º parágrafo) são duas metáforas.

Assinale a alternativa que contém duas afirmações incorretas.

a) 1 e 2.                       b) 2 e 3.                   c) 3 e 4.                     d) 1 e 5.                  e) 4 e 5.

Loredano desejava; Álvaro amava; Peri adorava. O aventureiro daria a vida para gozar; o cavaleiro arrastaria a more para merecer um olhar; o selvagem se mataria, se preciso fosse, só para fazer Cecília sorrir. ( Trecho de O Guarani, de José de Alencar)

9.Sobre as características da obra de onde se extraiu o trecho acima, é correto afirmar:

a)exalta o índio como se fosse um cavaleiro medieval.

b) as personagens são vulgares e mesquinhas.

c) procura mostrar as relações entre o homem e a natureza de maneira objetiva.

d) reserva ao índio um papel subserviente, e ao branco o papel de herói.

e) não exalta a natureza para que esta não se sobreponha às personagens

10.(FUVEST) Assim, o amor se transformava tão completamente nessas organizações*, que apresentava três  sentimentos bem distintos: um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião.
………… desejava; …………. amava; ………….. adorava

(*organizações = personalidades)

Neste excerto de O Guarani, o narrador caracteriza os diferentes tipos de amor que três personagens
masculinas sentem por Ceci. Mantida a sequência, os trechos pontilhados serão preenchidos corretamente com os nomes de:
a) Álvaro / Peri / D. Diogo                      d) Loredano / Álvaro / Peri
b) Loredano / Peri / D. Diogo                  e) Álvaro / D. Diogo / Peri
c) Loredano / D. Diogo / Peri

O fragmento abaixo foi retirado do romance O Guarani. Leia-o com atenção e responda às

questões 11 a 14.

“O índio, antes de partir, circulou a alguma distância o lugar onde se achava Cecília, de uma corda de pequenas fogueiras feitas de louro, de canela, urataí e outras árvores aromáticas. Desta maneira tornava aquele retiro impenetrável; o rio de um lado, e do outro as chamas que afugentariam os animais daninhos, e, sobretudo os répteis; o fumo odorífero que se escapava das fogueiras afastaria até mesmo os insetos. Peri não sofreria que uma vespa e uma mosca sequer ofendesse a cútis de sua senhora, e sugasse uma gota desse sangue precioso; por isso tomaratodas essas precauções.”

 11.FEI-SP O Guarani foi publicado em 1857 e na época gerou uma grande repercussão. O

autor desse romance é:

a) Machado de Assis.                                            d) Álvares de Azevedo.

b) José Lins do Rego.                                             e) José de Alencar.

c) Gonçalves Dias.

 12.FEI-SP Sobre o romance, é possível afirmar que:

a) projeta um futuro trágico para o Brasil.

b) aponta para um tempo em que os indígenas recuperarão o território brasileiro e expulsarão os brancos e negros.

c) defende a união entre negros e índios contra os colonizadores portugueses.

d) reconstitui acontecimentos históricos verídicos do período inicial da colonização do Brasil.

e) pretende narrar a fundação de uma nova nação a partir da miscigenação entre brancos e indígenas.

13.FEI-SP A propósito do trecho transcrito, é correto afirmar que:

I.A descrição do amor que Peri nutre por Ceci visa a criar uma imagem idealizada do

índio brasileiro.

II.O trecho descreve os conflitos entre o homem branco e o negro.

III. O autor pretende demonstrar a inferioridade do indígena brasileiro frente ao colonizador europeu.

a) somente I está correta.                                     d) I e III estão corretas.

b) somente III está correta.                                     e) II e III estão corretas.

c) I e II estão corretas.

 14.FEI-SP Em O Guarani, o autor procura valorizar as origens do povo brasileiro e transformar certos personagens em heróis, com traços do caráter do “bom selvagem”: pureza, valentia e brio. Essa tendência é típica do:

a) romance urbano.                                                         d) romance regionalista.

b) romance indianista.                                               e) poemas épicos.

c) poemas históricos.

15.O romance O Guarani, de José de Alencar, tendo como protagonista Peri e Cecília, encerra-se comum belo e enigmático epílogo que evidencia a ação do homem face às forças da natureza. Tal ação é caracterizada pelo autor como “um espetáculo grandioso, uma sublime loucura” indique a alternativa que comprova essa afirmação.

a)Era um vasto deserto de água e céu e Peri, alucinado, lançou-se nas águas para salvar Cecília que era arrastada pela correnteza.

b) A inundação crescia sempre e Peri, apesar do esforço, sucumbiu ao ímpeto da tormenta.

c) O rio, estorcendo-se em convulsões, saltou um gemido profundo e cavernoso; Peri e Cecília apenas contemplava a fúria da natureza.

d) A inundação abria a fauce enorme para traga-los. Peri com esforço desesperado arranca a palmeira, cuja cúpula, resvalando sobre as águas, levou os amigos para a linha do horizonte.

e) Tudo era água e céu e os dois amigos pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida

 16.UFRS Leia as afirmações abaixo sobre os romances O Guarani e Iracema, de José de Alencar.

I.Em O Guarani, tanto a casa de Mariz, representante dos valores lusitanos, quanto os Aimorés, que retratam o lado negativo da terra americana, são destruídos.

II.Em Iracema, a guardiã do “segredo da jurema” abandona sua tribo para seguir Martim,o homem branco por quem se apaixonara.

III. Em O Guarani e Iracema, as personagens indígenas – Peri e Iracema – morrem em circunstâncias trágicas, na certeza de que serão vingadas.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.               b) Apenas II.            c) Apenas I e II.        d) Apenas II e III.   17.  e) I, II e III.

17.(FUVEST) Ao final da narrativa, Ceci decide permanecer na selva com Peri: “— Peri não pode viver junto de sua irmã na cidade dos brancos, sua irmã fica com ele no deserto, no meio da floresta.” A decisão de Ceci traduz:

a) a supremacia da cultura indígena sobre a branca europeia.
b) a capacidade de renúncia da mulher que, por amor, submete-se a intensos sacrifícios.
e) a impossibilidade de Peri habitar a cidade, entre os civilizados.
d) o entrelaçamento da civilização branca europeia e da cultura natural indígena.
e) o reconhecimento de que o ambiente natural é o espaço perfeito para a realização amorosa.

18.Os trechos selecionados abaixo, de “O Guarani”, de José de Alencar, relacionam-se a algumas das personagens do romance, listadas na sequência. Identifique a relação, colocando nos parênteses o número correspondente à personagem cujas características aparecem no respectivo trecho.

( ) “Homem de valor, experimentado na guerra, ativo, afeito a combater os índios, prestou grandes serviços nas descobertas e explorações do interior de Minas e Espírito Santo. Em recompensa do seu merecimento, o governador Mem de Sá lhe havia dado uma sesmaria de uma légua com fundo sobre o sertão, […]”

( ) “No pequeno jardim da casa do Paquequer, uma linda moça se embalançava indolentemente numa rede de palha presa aos ramos de uma acácia silvestre, […] Os grandes olhos azuis, meio cerrados, às vezes se abriam languidamente como para se embeberem de luz, e abaixavam de novo as pálpebras rosadas. […] Os longos cabelos louros, enrolados negligentemente em ricas tranças, descobriam a fronte alva, […]”

( ) “[…] a portinha interior do jardim abriu-se, e outra moça, roçando apenas a grama com o seu passo ligeiro, aproximou-se […] era o tipo brasileiro em toda a sua graça e formosura, com o encantador contraste de languidez e malícia, de indolência e vivacidade. Os olhos grandes e negros, o rosto moreno e rosado, cabelos pretos, lábios desdenhosos, sorriso provocador, […]”

( ) “Nessa noite, […] ia dar um passo que, na sua habitual timidez, ele comparava quase com um pedido formal de casamento; tinha resolvido fazer a moça aceitar, malgrado seu, o mimo que recusara, deitando-o na sua janela; esperava que, encontrando-o no dia seguinte, Cecília lhe perdoaria o seu ardimento, e conservaria a sua prenda.”

( ) “Nessa muda contemplação, […] esqueceu tudo. Que lhe importava o precipício que se abria a seus pés para tragá-lo ao menor movimento, e sobre o qual planava num ramo fraco que vergava e se podia partir a todo o instante! Era feliz: tinha visto sua senhora; ela estava alegre, contente e satisfeita; podia ir dormir e repousar.”

1 – Aires Gomes    2 – Álvaro      3 – Antônio de Mariz    4 – Cecília   5 – Diogo de Mariz

6 – Isabel           7 – Lauriana        8 – Loredano         9 – Peri

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: Resposta a

a) 3 – 4 – 6 – 2 – 9.                                                       d) 1 – 6 – 7 – 5 – 8.

b) 3 – 6 – 7 – 5 – 9.                                                           e) 1 – 4 – 7 – 8 – 2.                    

  c) 5 – 7 – 6 – 2 – 8.

19.Unioeste-PR Com respeito à leitura de O Guarani, assinale a(s) alternativa(s) procedente(s).

  1. O tom confidencial da narrativa, focalizado em primeira pessoa, reforça a grandeza

do índio Peri.

  1. A natureza age como mediadora: o óleo da cabuíba, como um bálsamo poderoso,

salva Peri da morte.

  1. A descrição que o narrador faz de Álvaro (cap. III – “A Bandeira”) é representativa

da tese de Rousseau sobre a bondade natural do selvagem.

  1. O brasão escondido de Loredano e sua devoção a Dom Antônio de Mariz são exemplos

da presença do medievalismo na literatura romântica.

  1. A apresentação que o narrador faz do rio Paquequer registra um típico processo de

animização, incorporado a uma atmosfera metaforicamente medieval.

  1. A ação do romance, em termos históricos, transcorre no século XVII, apesar do

autor ter escrito a obra na segunda metade do século XIX.

  1. A elevação de sentimentos e nobreza de caracteres, em oposição à vilania e à maldade, é ilustrada através da oposição entre Cecília e Isabel, no cap. V, intitulado “Loura e Morena”.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas. 50

 Instrução: Para responder às questões 20 e 21, ler o texto que segue.

“(…) florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias

de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras.

Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa. No ano da graça de 1604, o lugar que acabamos de descrever estava deserto e inculto; a cidade do Rio de Janeiro tinha-se fundado havia menos de meio século, e a civilização não tivera tempo de penetrar o interior.

Entretanto, via-se à margem direta do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique. (…) A habitação

(…) pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português cota d’armas e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro.”

 20.PUC-RS O Brasil português revela-se no trecho da obra ……………, de José de Alencar,

através da fundação daquela que se tornaria a sua capital. A personagem referida, ……………

de Cecília, que é a protagonista da obra, …………… o poder e a audácia dos novos habitantes.

a) O Guarani – irmão – mitifica                            d) Iracema – tutor – critica

b) O Guarani – pai – representa                        e) Iracema – tio – retrata

c) Ubirajara – progenitor – rejeita

21.PUC-RS A obra em questão …………… o passado histórico por meio de uma visão

…………… da ideologia dominante, como se pode observar, por exemplo, em relação ao

processo de …………… à cultura europeizada por que passa Peri.

a) rejeita – pessimista – adaptação                    d) redimensiona – inovadora – rejeição

b) enaltece – ufanista – conformação                    e) idealiza – conservadora – rejeição

c) recupera – comprometida – adaptação

Para responder às questões 22 e 23, leia, atentamente, o texto abaixo.

Texto I

Amor

AS CORTINAS DA JANELA cerraram-se; Cecília tinha-se deitado. Junto da inocente menina, adormecida na isenção de sua alma pura e virgem, velavam três sentimentos profundos, palpitavam três corações bem diferentes.

Em Loredano, o aventureiro de baixa extração, esse sentimento era um desejo ardente, uma sede de gozo, uma febre que lhe requeimava o sangue; o instinto brutal dessa natureza vigorosa era ainda aumentado pela impossibilidade moral que a sua condição criava, pela barreira que se elevava entre ele, pobre colono, e a filha de D. Antônio de Mariz, rico fidalgo de solar e brasão.

Para destruir esta barreira e igualar as posições, seria necessário um acontecimento extraordinário, um fato que alterasse completamente as leis da sociedade naquele tempo mais rigorosas do que hoje; era precisa uma dessas situações à face das quais os indivíduos, qualquer que seja a sua hierarquia, nobres e párias, nivelam-se; e descem ou sobem à condição de homens.

O aventureiro compreendia isto; talvez que o seu espírito italiano já tivesse sondado o alcance dessa ideia; em todo o caso o que afirmamos é que ele esperava, e esperando vigiava o seu tesouro com um zelo e uma constância a toda a prova; os vinte dias que passara no Rio de Janeiro tinham sido verdadeiro suplício.

Em Álvaro, cavalheiro delicado e cortês, o sentimento era uma afeição nobre e pura, cheia da graciosa timidez que perfuma as primeiras flores do coração, e do entusiasmo cavalheiresco que tanta poesia dava aos amores daquele tempo de crença e lealdade.

Sentir-se perto de Cecília, vê-la e trocar alguma palavra a custo balbuciada, corarem ambos sem saberem por quê, e fugirem desejando encontrar-se, era toda a história desse afeto inocente, que se entregava descuidosamente ao futuro, librando-se nas asas da esperança.

Nessa noite Álvaro ia dar um passo que na sua habitual timidez, ele comparava quase com um pedido formal de casamento; tinha resolvido fazer a moça aceitar malgrado seu o mimo que recusara, deitando-o na sua janela; esperava que encontrando-o no dia seguinte, Cecília lhe perdoaria o seu ardimento, e conservaria a sua prenda.

Em Peri o sentimento era um culto, espécie de idolatria fanática, na qual não entrava um só pensamento de egoísmo; amava Cecília não para sentir um prazer ou ter uma satisfação, mas para dedicar-se inteiramente a ela, para cumprir o menor dos seus desejos, para evitar que a moça tivesse um pensamento que não fosse imediatamente uma realidade.

Ao contrário dos outros ele não estava ali, nem por um ciúme inquieto, nem por uma esperança risonha; arrostava a morte unicamente para ver se Cecília estava contente, feliz e alegre; se não desejava alguma coisa que ele adivinharia no seu rosto, e iria buscar nessa mesma noite, nesse mesmo instante.

Assim o amor se transformava tão completamente nessas organizações, que apresentava três sentimentos bem distintos: um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião.” ALENCAR, José de. O Guarani. São Paulo: FTD, 1999, p. 78-79.

22.(UFPB) No texto “Amor”, extraído do romance O Guarani, o narrador, ao descrever o personagem Loredano, chama a atenção para a necessidade de um “acontecimento extraordinário” que pudesse alterar as “leis da sociedade” e permitir ao colono transpor determinadas barreiras sociais e morais. A partir da leitura integral desse romance, é correto afirmar que esse acontecimento extraordinário se relaciona à (ao)

a) Morte de Álvaro, único que obedecia ao código de honra imposto por D. Antônio de Mariz.

b) Revelação sobre o passado religioso de Loredano.

c) Enriquecimento de Loredano que poderia passar da condição de pobre colono à de proprietário de terras.

d) Volta de Peri para a sua tribo, deixando desprotegida a família de D. Antônio de Mariz.

e) Cerco dos Aimorés à casa de D. Antônio de Mariz e à revolta dos colonos.

23.(UFPB) Em relação à caracterização de Álvaro, o narrador

a) Imita-se aos aspectos físicos, descrevendo-o como um nobre.

b) Realça traços patológicos e instintivos próprios do homem daquela época.

c) Traça um perfil do personagem evidenciando, de forma idealizada, seus sentimentos e atitudes.

d) Evidencia determinadas atitudes do persona­gem, associando-as a condicionamentos biológicos.

e) Penetra no inconsciente do personagem, revelando o caráter ambíguo de sua personalidade.

24.I.”… o recebia cordialmente e o tratava como amigo; seu caráter nobre simpatizava com aquela natureza inculta.”

lI. “Em…, o índio fizera a mesma impressão que lhe causava sempre a presença de um homem daquela cor; lembrara-se de sua mãe infeliz, da raça de que provinha.”

III. “Quanto a …, via em Peri um cão fiel que tinha um momento prestado um serviço à família, e a quem se pagava com um naco de pão.” Nestes excertos, registram-se as reações de três personagens de “O Guarani” à presença de Peri, quando este começa a frequentar a casa de D. Antônio de Mariz. Apenas seus nomes foram omitidos. Mantida a ordem da sequência, essas três personagens são:

a) D. Antônio; Cecília; Isabel.                      d) Álvaro; Isabel; Cecília.

b) D. Antônio; Isabel; D. Lauriana.          e) D. Diogo; Cecília; D. Lauriana.

c) D. Diogo; Isabel; Cecília.

25.O romance O Guarani, de José de Alencar, publicado em 1857, é um marco da ficção romântica brasileira. Dentre as características mais evidentes do projeto romântico que sustentam a construção dessa obra, destacam-se:

I.a figura do protagonista, o índio Peri, que é um típico herói romântico, tanto pela sua força física como pelo seu caráter;

II.o amor do índio Peri por Cecília, uma moça branca, sendo que esse amor segue o modelo medieval do amor cortês;

III.o fato de o livro ser ambientado na época da colonização do Brasil pelos portugueses, dada a predileção dos românticos por narrativas históricas;

IV.o final do livro marca o retorno a um passado mítico, pois Peri e Cecília simbolicamente regressam à época do dilúvio.

Então corretas:

a) I e II.                b) I, II e III                   c) I, II e IV.            d) I, III e IV.             e) todas.

16.(FUVEST) A oposição Natureza / Cultura é o eixo mais importante de sustentação da narrativa e de caracterização de personagens de O guarani, de José de Alencar. A partir dessa oposição, podem-se determinar várias relações antitéticas, de acordo com o ponto de observação adotado.

Assinale a alternativa em que essa oposição não se expressa:

a) Peri e os demais índios aimorés representam o homem em seu estado natural, enquanto D. Antônio de Mariz e os aventureiros representam a cultura própria da civilização europeia.

b) Peri em si mesmo simboliza a oposição Natureza / Cultura, pois é o indígena livre que transita com adequação e elegância entre os brancos europeus.

c) Índios aimorés contrapõem-se pela violência antropofágica ao mundo organizado pelas leis cavalheirescas que definem as relações entre D. Antônio de Mariz e os aventureiros.

d) A fortificação de muralhas de pedras que caracteriza a casa da família Mariz é símbolo de contraste entre a exuberante paisagem natural e a arquitetura do homem branco colonizador.

e) Álvaro, espécie de cavaleiro medieval, lembra a honra e lealdade determinada pelas relações culturais do branco europeu e Loredano, vilão da narrativa, simboliza a insubordinação, deslealdade e ambição que se alastram num espaço primitivo, selvagem, do tempo da colonização brasileira.

TEXTO I

“O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza, sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita; não há ali nada grandioso nem sublime, mas há uma como simetria de cores, de sons, de disposição em tudo quanto se vê e se sente, que não parece senão que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali, reinar ali um reinado de amor e benevolência. (…) Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem habitou com a sua inocência e com a virgindade do seu coração. À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. (…) Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meio aberta de uma habitação antiga, mas não dilapidada – (…) A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício, que todavia mal se vê…” (Almeida Garrett, “Viagens na minha terra”.)

TEXTO II:

“Depois, fatigado do esforço supremo, [o rio] se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes. A vegetação nessas paragens ostentava outrora todo o seu luxo e vigor; florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras. Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa.(…) Entretanto, via-se à margem direita do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique.” (José de Alencar, “O guarani”.)

26. Lendo-se atentamente os textos I (de Almeida Garrett) e II (de José de Alencar), percebe-se que ambos os narradores se identificam quanto à atitude de admiração e louvor à natureza contemplada. Entretanto, verifica-se também, entre os dois, uma diferença profunda e marcante no seu ato contemplativo, quanto aos valores atribuídos a essa natureza. Essa diferença é marcada: 

a) pela existência da vegetação.

b) pela avaliação da magnitude e da beleza do cenário.

c) pela inclusão, na paisagem natural, da habitação humana.

d) pelo predomínio das referências ao mundo vegetal

e) pela explicitação da perda do paraíso terrestre.

27.(FUVEST) Leia o trecho de O guarani, de José de Alencar para responder ao teste:

“Álvaro fitou no índio um olhar admirado. Onde é que este selvagem sem cultura aprendera a poesia simples, mas graciosa; onde bebera a delicadeza de sensibilidade que dificilmente se encontra num coração gasto pelo atrito da sociedade?
A cena que se desenrolava a seus olhos respondeu-lhe; a natureza brasileira, tão rica e brilhante, era a imagem que produzia aquele espírito virgem, como o espelho das águas reflete o azul do céu.”
Em relação ao trecho, pode-se afirmar que:

a) nele se adota uma das principais teses naturalistas, pelo fato de se atribuir à terra a determinação do caráter de seus habitantes primitivos.
b) representa o reconhecimento de características inatas dos indígenas, as quais não se verificavam em habitantes das cidades civilizadas da Europa.
c) a inautenticidade com que se apresenta o índio brasileiro revela um ângulo de observação que combina com o desejo de enaltecimento das raízes da pátria.
d) faz parte da primeira obra da literatura brasileira que manifesta interesse em traduzir e explicar a realidade da vida indígena.
e) a idealização do selvagem está diretamente associada às fantasias egocêntricas românticas e, portanto, não pode ser entendida como expressão de um caráter genérico, nacional.

28.Os epílogos dos romances “Iracema” e “O Guarani” de José de Alencar e o fragmento de “Maíra” de Darcy Ribeiro (autores identificados com a temática de fundação do nacional – séculos XIX e XX) podem ser considerados metáforas para a compreensão de nossa origem.

‘Era sempre com emoção que o esposo de Iracema revia as plagas, onde fora tão feliz e as verdes folhas a cuja sombra dormia a formosa tabajara.

Muitas vezes ia sentar-se naquelas doces areias, para cismar e acalentar no peito a agra saudade.  A jandaia cantava ainda no olho do coqueiro; mas não repetia já o mavioso nome de Iracema. Tudo passa sobre a terra. José de Alencar. “Iracema”.

O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face. Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos rubores e lânguidos sorrisos: os lábios abriram como as asas purpúreas de um beijo soltando o voo. A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia… E sumiu-se no horizonte…José de Alencar. “O Guarani”.

Afinal, tudo está claro. Na verdade apenas representei e ainda represento aqui um papel, segundo aprendi. Não sou, nunca fui nem serei jamais Isaías. A única palavra de Deus que sairá de mim, queimando a minha boca, é que eu sou Avá, o tuxauarã, e que só me devo a minha gente Jaguar da minha nação Mairum. Darcy Ribeiro. 

Pela leitura desses fragmentos constata-se que os textos de José de Alencar e Darcy Ribeiro traduzem, sob pontos de vista diferentes:

a) a afirmação de uma etnia brasileira advinda da existência cordial entre as duas culturas;

b) a efetiva resistência da cultura indígena em se submeter à cultura europeia;

c) o surgimento do mito fundador da miscigenação das duas culturas, pela morte dos protagonistas;

d) a impossibilidade de enunciar a plena harmonização entre as culturas europeia e indígena;

e) a inauguração do mito fundador da nacionalidade brasileira através da miscigenação.

29.”Dom Antônio de Mariz, homem de valor, experimentado na guerra, ativo, afeito a combater os índios, prestou grandes serviços nas descobertas e explorações do interior de Minas e Espírito Santo. Em recompensa do seu merecimento, o governador Mem de Sá lhe havia dado uma sesmaria de uma légua com fundo sobre o sertão.” Na passagem de “O guarani”, destacam-se aspectos encontrados na ficção de José de Alencar. A respeito disso, leia as proposições.

I. Nos romances nativistas, o selo da nobreza é dado pela força do sangue, o que tanto vale para os índios como para a estirpe do colonizador branco.

II. Para dar força ao herói, Alencar costuma aproximá-lo da vida da natureza, prática que dialoga com as próprias raízes dos valores românticos.

III. Ao pintar portugueses como heróis e índios como vilões, Alencar tem em conta agradar o Marquês de Pombal e sua política antiindianista.

Está(ão) correta(s)

a) apenas II.            b) apenas I e II.                c) apenas III.         d) apenas I e III.    e) I, II e III.

30.(FUVEST) Leia o fragmento da obra O Guarani, de José de Alencar para responder ao teste.  

“De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio de água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciais que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.
É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em vasto leito. Dir-se-ia que vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde, então, a beleza selvática; suas ondas resvalam sobre elas: escravo submisso, sofre o látego do senhor.”

Considere as afirmações abaixo e assinale alternativa correta:
I. O texto é predominantemente descritivo e carregado de recursos de linguagem poética. Um exemplo é a prosopopeia “curva-se humildemente aos pés do suserano”.
II. O narrador mostra a relação entre os rios Paraíba e Paquequer a partir de uma analogia com o mundo feudal, na qual o primeiro surge como “rei das águas” e o segundo, como “vassalo”.
III. No modo de qualificar a paisagem, há uma forte conotação de hierarquia.
a) Estão corretas todas as afirmações.
b) Estão corretas as afirmações I e II.
c) Estão corretas somente as afirmações I e III.
 d) Estão corretas somente as afirmações I, II e III.
e) Está correta somente a afirmação II

31.O guarani apresenta-nos o herói Peri. Comparando-o a Iracema, heroína do romance homônimo, podemos afirmar que:

a)ambas as obras foram escritas por José de Alencar e podem ser classificadas como regionalistas.

b)narram de maneira épica, numa prosa recheada de sonoridade, o heroico esforço dos indígenas em resistir ao invasor português.

c)Peri e Iracema são heróis típicos da segunda geração romântica.

d)Constroem, de maneira alegórica, o mito de surgimento do povo brasileiro, pelo miscigenação entre o invasor branco e o indígena nativo.

e)ambas as obras foram produzidas em um português puro, livre de expressões ou palavras tomadas emprestadas de outros idiomas, mostrando o esforço de José de Alencar em manter a pureza do idioma camoniano.

 

 

Primeiros Cantos

PRIMEIROS CANTOS

DEPRECAÇÃO

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
Os homens que o raio manejam cruentos,
Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.

E a terra em que pisam, e os campos e os rios
Que assaltam, são nossos; tu és nosso Deus:
Por que lhes concedes tão alta pujança,
Se os raios de morte, que vibram, são teus?

Tupã, ó Deus grande! cobriste o teu rosto
Com denso velame de penas gentis;
E jazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz.
(Gonçalves Dias)

A QUESTÃO DO ÍNDIO

“Calcula-se que na época do seu descobrimento o Brasil abrigava mais de 3 milhões de índios. Hoje, passamos quase 5 séculos desse fato, os descendentes dos primeiros habitantes do Brasil não totalizam nem 30 mil pessoas. (…)
Contudo, mais espantosa do que a situação revelada por esses dados é a forma arbitrária como, ao longo da nossa História, os índios vêm sendo tratados.”
(Viagem pela Geografia – Editora Ática)

1 – Leia com atenção os textos, em seguida, retire duas passagens (uma de cada texto) que apresentem uma equivalência semântica.

2 – Explique, sucintamente, essa equivalência.

1 – Passagem: “E a terra em que pisam, e os campos e os rios/ Que assaltam, são nossos … “ou “Dos bens que lhes deste da perda infeliz.”
Passagem: “… é a forma arbitrária como, ao longo da nossa História, os índios vêm sendo tratados.”


2 – Na sua sede de conquista, o homem branco não respeita os direitos dos índios.

3.(UFMA-MA) Leia o poema Canção do d(e) exílio de Nauro Machado e os fragmentos do poema Canção do exílio de Gonçalves Dias e explique até que ponto o poema de Nauro Machado confirma ou nega a imagem da terra natal construída por Gonçalves Dias.

Texto I

Canção do d(e) exílio

“Não permita Deus que eu morra
nesta terra em que nasci:
que a distância me socorra
e com turbinas me corra
de quem minha nunca cri.

De quem, minha, foi madrasta
desde o início ao anoitecer,
e que como gosma emplastra
o infinito que desastra
meu desespero de ser!

Nosso céu tem mais estrelas,
nossos bosques têm mais vida.
Mas, somente a merecê-las,
se abram os olhos que, ao vê-las,
têm a córnea pervertida.

Nosso céu tem mais primores
quando o crepúsculo baixa:
são os mendigos e as suas dores
carregadas nos andores
como defuntos em caixa.

Onde cantou o sabiá,
cantou outrora a cotovia.
E hoje canta, em outro ar,
nenhuma ave, que as não há
nesta terra, morto o dia.”

Texto II

Canção do exílio

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”

Enquanto o poema de Gonçalves Dias revela saudade de sua pátria e desejo de revê-la, o poema de Nauro Machado mostra um profundo descontentamento diante de seu país, acompanhado de um grande desejo de deixá-lo (“que a distância me socorra/e com turbinas me corra/de quem minha nunca cri”). Quanto à descrição da terra natal também há diferenças: Gonçalves Dias exalta as belezas naturais brasileiras, já Nauro Machado lança um olhar crítico sobre seu país, ocupando-se em mostrar a pobreza e a miséria que o assolam (“Nosso céu tem mais primores/quando o crepúsculo baixa:/são os mendigos e as suas dores/carregadas nos andores/como defuntos em caixa”).

 4.(UFRJ) Leia os Fragmentos dos poemas O canto do Piaga e Deprecação, de Gonçalves Dias, e responda ao que se pede:

O canto do Piaga (fragmentos)

“Oh! quem foi das entranhas das águas,
O marinho arcabouço arrancar?
Nossas terras demanda, fareja…
Esse momento… — o que vem cá buscar?

Não sabeis o que o monstro procura?
Não sabeis a que vem, o que quer?
Vem matar vossos bravos guerreiros,
Vem roubar-vos a filha, a mulher!

Vem trazer-vos crueza, impiedade —
Dons cruéis do cruel Anhangá;
Vem quebrar-vos a maçã valente,
Profanar Manitôs, Maracás.

Vem trazer-vos algemas pesadas,
Com que a tribu Tupi vai gemer;
Hão-de os velhos servirem de escravos
Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!

Fugireis procurando um asilo,
Triste asilo por ínvio sertão;
Anhangá de prazer há de rir-se,
Vendo os vossos quão poucos serão.

Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,
Susta as iras do fero Anhangá.
Manitôs já fugiram da Taba,
Ó desgraça! ó ruína! ó Tupá!”

 Deprecação (fragmentos)

“Tupã, ó Deus grande! teu rosto descobre:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já restam bem poucos dos teus, qu’ inda possam
Teus filhos que choram tão grande mudança.

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
Os homens que o raio manejam cruentos,
Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, voraces, sedentos.

Tupã, ó Deus grande! descobre o teu rosto:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande tardança.

Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,
Que eu vi combatendo no albor da manhã;
Conheçam-te os feros, confessem vencidos
Que és grande e te vingas, qu’ és Deus, ó Tupã!”

Nesses poemas, Gonçalves Dias constrói um retrato anticonvencional do índio brasileiro, se considerados os parâmetros românticos típicos de idealização indígena, principalmente a configuração cavalheiresca medieval do índio. Ao assumir o ponto de vista do nativo, que visão do projeto colonizador europeu a voz poética apresenta?

A voz poética vê o projeto do colonizador com tristeza, rancor e desesperança. Anuncia a escravização e a exploração dos guerreiros e mulheres e apela ao perdão e à força de Tupã para que não padeçam

5.UFRS Leia as estrofes seguintes, extraídas do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias.

“Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

(…)

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.”

Em relação à Canção do Exílio é correto afirmar que:

a) exalta a natureza brasileira em sua fauna e sua flora, destacando-se pela temática regionalista;

b) se trata de um soneto clássico que celebrizou o poeta como um dos mais importantes do Romantismo brasileiro;

c) é um canto de amor à pátria e teve alguns dos seus versos incorporados à letra do Hino Nacional;

d) as estrelas e as flores, referidas na segunda estrofe, simbolizam a falta de preocupação com os problemas do período colonial;

e) os versos da última estrofe acentuam o sentimento do exílio e expressam o desejo do poeta de morrer em Portugal.

6.(UFPE)

“Minha terra tem palmeiras
onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam
não gorjeiam como lá”

Do poema Canção do Exílio, do romântico Gonçalves Dias, resultou uma série de paráfrases e paródias de poemas que cantam as saudades da terra. Uma delas foi a de Chico Buarque, da qual se apresenta um fragmento a seguir:

Sabiá

“Vou voltar ainda vou voltar para meu lugar
E é ainda que eu hei de ouvir cantar uma sabiá…
Vou deitar á sombra de uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá…”

Considerando as semelhanças e diferenças entre os dois poemas, assinale a alternativa incorreta.

a) O primeiro poema, representando o Romantismo, apresenta uma visão otimista da pujança da natureza brasileira, enquanto o segundo, representando o Modernismo, atualiza criticamente o dito e expressa a consciência pessimista das carências e da destruição da natureza na terra natal.

b) Gonçalves Dias descreve a sua terra com formas verbais no tempo presente; Chico Buarque o faz numa tensão entre o futuro e o presente, que se mostra negativo.

c) Em ambos os poemas, o advérbio refere-se a um lugar de que estão distantes as vozes eu poético.

d) A musicalidade dos versos, a rima, a métrica o sentimento de perda que compõem a poesia saudosista do Romantismo são retomados nos versos de Chico Buarque.

e) Assim como o texto atual, os versos do poeta maranhense fazem apologia da infância, dos amores vividos e das belezas naturais de seu país, preservadas pela ação dos nativos.

Texto para as questões 07 e 08

(PUC-RS)

Para responder à questão, ler o texto que segue.

Canção do Exílio

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que eu desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”

7.Para responder à questão, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.

I.Através do texto, o poeta realiza uma viagem introspectiva a sua terra natal ideia reforçada pelo emprego do verbo “cismar”.

II.A exaltação à pátria perdida se dá pela referência a elementos culturais.

III. “Cá” e “lá” expressam o local do exílio e o Brasil, respectivamente.

IV.O pessimismo do poeta, característica determinante do Romantismo, expressa-se pela saudade da sua terra.

Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas

a) a I e a II, apenas.                                       d) a I e a III, apenas.

b) a II e a IV, apenas.                                     e) a III e a IV, apenas.

c) a I, a II, a III e a IV.

8.O poema em questão foi revisto pelo ___________________, por meio de releituras que _______________________  sua forma e sua concepção ________________ de nação.

a)parnasianos – refutam – romântica.                  d ) simbolistas – reforçam – crítica

b) simbolistas – enaltecem – idealista                    e) modernistas – exaltam – impressionista

c) modernistas – satirizam – idealista

9.(Mackenzie-SP) Assinale a alternativa incorreta a respeito de Fagundes Varela.

a)é um poeta de transição entre a segunda e terceira geração.

b) Cantos Meridionais são poesias de cunho lírico, associados aos panoramas tropicais.

c) Cântico do Calvário é uma elegia escrita em memória do filho.

d) A religiosidade é um tema presente em parte de sua obra.

e) É uma poesia indianista que atinge o ponto mais elevado de sua produção poética.

10.(Unifap)

Leia os textos a seguir:

Seus olhos

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrela incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta
De noite cantando, — mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.”                                 Gonçalves Dias

Índia

Índia seus cabelos nos ombros caídos
negros como a noite que não tem luar
seus lábios de rosa para mim sorrindo
e a doce meiguice desse seu olhar
Índia da pele morena, sua boca pequena eu
quero beijar
Índia, sangue tupi, tem o cheiro da flor
Vem, que eu quero te dar
Todo meu grande amor
Quando eu for embora para bem distante
e chegar a hora de dizer adeus
Fica nos meus braços só mais um instante
deixa os meus lábios se unirem aos seus
Índia levarei saudade da felicidade que você me deu
Índia, a sua imagem
sempre comigo vai
Dentro do meu coração, flor do meu Paraguai.        A.Flores, M. O. Guerreiros e José Fortuna.

Ao confrontarmos os dois textos, é possível afirmar que

a) Somente no primeiro texto percebe-se o apego às coisas da natureza, traço que marcou a produção literária da segunda metade do século XIX.

b) Nos dois textos verifica-se a idealização da mulher, uma das características que marcou a produção romântica nacional.

c) Os dois excertos narram o lamento de uma mestiça desprezada tanto pelos índios como pelos brancos.

d) Nos dois textos percebe-se a presença do amor platônico que faz o eu-lírico sofrer.

e) Nos dois textos destaca-se a idealização do índio, aspecto importante para a estética romântica.

11.(FURG/SC) Leia o fragmento seguinte e assinale a alternativa correta:

Minha musa

“Minha musa não é como ninfa
Que se eleva das águas – gentil –
Co’um sorriso nos lábios mimosos,
Com requebros, com ar senhoril.

…………………………………………..

Não é como a de Horácio a minha Musa;
Nos soberbos alpendres dos Senhores
Não é que ela reside;
Ao banquete do grande em lauta mesa,
Onde gira o falerno em taças d’oiro,
Não é que ela reside.

Ela ama a solidão, ama o silêncio,
Ama o prado florido, a selva umbrosa,
E da rola o carpir.
Ela ama a viração da tarde amena,
O sussurro das águas, os acentos
De profundo sentir.

……………………………………….”             Gonçalves Dias

a) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros Cantos, de Gonçalves Dias, registra uma adesão à poética de inspiração clássica.

b) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros cantos, de Gonçalves Dias, revela a influência do indianismo romântico.

c) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros cantos, de Gonçalves Dias, constitui verdadeira profissão de fé romântica, pela negação dos modelos clássicos.

d) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros cantos, de Gonçalves Dias, é marcado por um sentimento místico profundo, bem ao gosto do Romantismo.

e) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros cantos, de Gonçalves Dias, inclui-se no âmbito do saudosismo brasílico, tão presente na obra do Autor.

Canção do exílio

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”     Gonçalves Dias. Poesia. 9. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979. p. 11.

12.Sobre o poema, escrito em Coimbra, Portugal, é correto afirmar:

a) O poema retrata o sofrimento do eu lírico em função da distância da mulher amada. O termo “Sabiá”, recorrente nos versos, refere-se figurativamente ao amor feminino.

b) A utilização dos termos “cá” e “lá” atém-se principalmente à necessidade de criar rimas, mais do que ao desejo do poeta de estabelecer o contraste entre espaços distintos.

c) Para o eu lírico, estar exilado não significa necessariamente estar longe da terra, mas das suas referências de infância, fator que acentua a expressão saudosista do poema.

d) Nesse poema, é possível reconhecer uma dialética amorosa trabalhada entre o desejo sexual pela mulher e sua idealização. O desejo se configura pelo verso “Mais prazer encontro eu lá” e a idealização, pelos versos “Não permita Deus que eu morra/Sem que eu volte para lá”.

e) A ênfase na exuberância da paisagem é estruturada a partir do jogo de contrastes entre a natureza tropical e a natureza europeia. Os versos da segunda estrofe reiteram a grandiosidade paisagística brasileira, além de enfatizarem a identidade do eu lírico.

TEXTOS PARA AS QUESTÕES 13 A 18

DEPRECAÇÃO
Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto

Com denso velame de penas gentis;

E jazem teus filhos clamando vingança

Dos bens que lhes deste da perda infeliz!

Tupã, ó Deus grande! Teu rosto descobre:

Bastante sofremos com tua vingança!

Já lágrimas tristes choraram teus filhos,

Teus filhos que choram tão grande mudança.

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe

Os homens que o raio manejam cruentos,

Que vivem sem pátria, que vagam sem tino

Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.

E a terra em que pisam, e os campos e os rios

Que assaltam, são nossos; tu és nosso Deus:

Por que lhes concedes tão alta pujança,

Se os raios de morte, que vibram, são teus?

Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto

Com denso velame de penas gentis;

E jazem teus filhos clamando vingança

Dos bens que lhes deste da perda infeliz!

Teus filhos valentes, temidos na guerra,

No albor da manhã  quão fortes que os vi!

A morte pousava nas plumas da frecha,

No gume da maça, no arco Tupi!

E hoje em que apenas a enchente do rio

Cem vezes hei visto crescer e baixar…

Já restam bem poucos dos teus, qu’inda possam

Dos seus, que já dormem, os ossos levar.

Teus filhos valentes causavam terror,

Teus filhos enchiam as bordas do mar,

As ondas coalhavam de estreitas igaras,

De frechas cobrindo os espaços do ar.

Já hoje não caçam nas matas frondosas

A corça ligeira, o trombudo quati…

A morte pousava nas plumas da frecha,

No gume da maça, no arco Tupi!

O Piaga nos disse que em breve seria,

A que nos infliges cruel punição;

E os teus inda vagam por serras, por vales,

Buscando um asilo por ínvio sertão!

Tupã, ó Deus grande! descobre teu rosto:

Bastante sofremos com tua vingança!

Já lágrimas tristes choraram teus filhos,

Teus filhos que choram tão grande tardança.

Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,

Que  eu vi combatendo no albor da manhã;

Conheçam-te os feros, confessem vencidos

Que és grande e te vingas, qu’és Deus, ó Tupã!

13.Chamamos de apóstrofe uma figura que consiste ao dirigir-se o orador ou escritor a uma pessoa  ou coisa real ou fictícia, interpelando-a, ou seja, dirigindo-lhe a palavra  para perguntar alguma coisa, demandando explicações. No texto a quem é feita a apóstrofe?

a) A Tupã         b) A Anhangá               c) Ao povo Tupi                     d) Ao Piaga

14.Deprecação é uma súplica, uma rogativa. No texto, ao mesmo tempo em que é feita a apóstrofe, fica registrado o motivo da súplica que é:

a) agradecimento a Tupã pelas vitórias conquistadas

b) pedido de apoio para vingar os inimigos

c) trazer boa sorte para suas plantações.

d) conseguir fartura para o povo Tupi

15.Anhangá é, segundo o léxico tupi, o gênio mau da floresta; o representante da força do mal, de acordo com a concepção indígena. Para o índio que suplica, qual mal fez Anhangá?

a) Trouxe enchentes que inundaram suas tribos

b) Eliminou as caças com as quais eles se alimentavam.

c) Permitiu a chegada de inimigos que dizimaram as tribos.

d) Tirou a valentia e coragem dos seus guerreiros.

16.Na narrativa, há situações anteriores e posteriores ao mal provocado por Anhangá. Assinale o dado que revela uma situação do presente que incomoda o índio suplicante.

a) “Teus filhos valentes… quão fortes que os vi”

b) “ …enchiam as bordas do mar”

c) “ A morte pousava nas plumas da frecha”

d) “Já restam bem poucos”

17.Piaga ou pajé era o nome dado ao responsável pela ligação da tribo com as forças divinas, exercendo as funções de sacerdote, médico, adivinho e cantor. O que o Piaga assegurou aos tupis sobre o mal que os abatia?

a) que a crise seria passageira

b) que todos sobreviveriam

c) que demoraria, mas sairiam vitoriosos

d) que nada havia para ser feito

18.Qual dos versos traz a expressão da cobiça do colonizador?

a) “Bastante sofremos com tua vingança”

b) “Teus filhos valentes, temidos na guerra”

c) “Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos”

d) “E jazem teus filhos clamando vingança”

TEXTO PARA AS QUESTÕES 19 a 26

Leito de folhas Verdes

Por que tardas, Jatir, que tanto a custo

À voz do meu amor moves teus passos?

Da noite a viração, movendo as folhas,

Já nos cimos do bosque rumoreja.

Eu sob a copa da mangueira altiva

Nosso leito gentil cobri zelosa

Com mimoso tapiz de folhas brandas,

Onde o frouxo luar brinca entre flores.

Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,

Já solta o bogari mais doce aroma!

Como prece de amor, como estas preces,

No silêncio da noite o bosque exala.

Brilha a lua no céu, brilham estrelas,

Correm perfumes no correr da brisa,

A cujo influxo mágico respira-se

Um quebranto de amor, melhor que a vida!

A flor que desabrocha ao romper d’alva

Um só giro do sol, não mais, vegeta:

Eu sou aquela flor que espero ainda

Doce raio do sol que me dê vida.

Sejam vales ou montes, lago ou terra,

Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,

Vai seguindo após ti meu pensamento;

Outro amor nunca tive; és meu, sou tua!

Meus olhos outros olhos nunca viram,

Não sentiram meus lábios outros lábios,

Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas

A arazóia na cinta me apertaram.

Do tamarindo a flor jaz entreaberta,

Já solta o bogari mais doce aroma

Também meu coração, como estas flores,

 Melhor perfume ao pé da noite exala!

Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes

À voz do meu amor, que em vão te chama!

Tupã! lá rompe o sol! Do leito inútil

A brisa da manhã sacuda as folhas!

19.A informação principal do texto é:

a) A certeza do eu-lírico a cerca do amor de Jatir e da brevidade de seu retorno.

b) A confirmação de que o amor do eu-lírico por Jatir vence distância e obstáculos.

c) O eu-lírico está a espera de seu amado sem qualquer esperança de sua chegada.

d) O retorno do amado é aguardado não só pela amada como também pela natureza.

20.Sugere que a natureza se prepara para a chegada de Jatir o verso

a) “Eu sob a copa da mangueira altiva”

b) “A arazóia na cinta me apertaram”

c) “Já solta o bogari mais doce aroma!”

d) “Um quebranto de amor, melhor que a vida!”

21.O eu-lírico do texto tem por interlocutor

a) o leitor               b) Jatir                                     c) Tupã             d) a natureza

22.Revela o elemento tempo no poema o verso

a) “Onde o frouxo luar brinca entre flores”

b) “Sejam vales ou montes, lago ou terra.”

c) “A cujo influxo mágico respira-se”

d) “Correm perfumes no correr da brisa”

23.Nos versos “Eu sou aquela flor que espero ainda/ doce raio do sol que me dê vida”, temos

a) um eufemismo     b) uma hipérbole        c) uma metáfora              d) um pleonasmo

24.Uma das passagens do poema na qual fica claro que o eu-lírico trata-se de uma mulher é:

a) “Nosso leito gentil cobri zelosa”

b) “À voz do meu amor moves teus passos?”

c) “Onde quer que tu vás, ou dia ou noite.”

d) “À voz do meu amor, que em vão te chama!”

25.Que referências no poema nos fazem concluir que o eu-lírico trata-se de uma moça indígena?

a) viração, bosque          b) leito, tamarindo           c) quebranto, brisa         d) arazóia, Tupã

26.No decorrer do poema, o eu-lírico  expressa um sentimento de

a) impaciência                 b) decepção                         c) expectativa                 d) irritação

26.“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo? À voz do meu amor moves teus passos?”, a expressão destacada da ideia de

a) causa                              b) consequência                 c) modo                                d) tempo

27.(UFMG) Em relação ao poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, é incorreto afirmar que ele pertence:

a) ao projeto nacionalista romântico;

b) à tendência romântica para a utopia;

c) à temática romântica da nostalgia;

d) à vertente romântica indianista.

28.(UNIFOR-CE)

Ó Guerreiros da taba sagrada,

Ó guerreiros da tribo Tupi,

Falam deuses nos cantos do Piaga,

Ó Guerreiros, meus cantos ouvi,

Os versos acima constituem um exemplo da poesia em que:

a)Castro Alves  exorta os cidadãos à luta abolicionista.

b) Antônio Vieira exorta os escravos à prática das virtudes cristãs.

c) Álvares de Azevedo se entrega à confissão lírica mais intimista.

d) Casimiro de Abreu explora os sentimentos nostálgicos.

e) Gonçalves Dias dá expressão a um tema caro aos nacionalistas.

 

 

 

 

 

 

Espumas Flutuantes

ESPUMAS

Adormecida

 “Uma noite, eu me lembro… Ela dormia
Numa rede encostada molemente…
Quase aberto o roupão… solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina…
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!… A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia…
Quando ela serenava… a flor beijava-a…
Quando ela ia beijar-lhe… a flor fugia…
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças…
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se…
Mas quando a via despertada a meio,
P’ra não zangá-la… sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio…
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
‘Ó flor! — tu és a virgem das campinas!’
‘Virgem! — tu és a flor da minha vida!… (Castro Alves – Espumas Flutuantes)

1.Em relação ao texto apresentado, responda às questões.

a)O que está sendo descrito metaforicamente?

Uma relação sexual.

b)Contraste tal postura do poeta com a das outras gerações românticas no que se refere à mulher.

Há um teor erótico e sensível na obra lírica de Castro Alves, aspectos praticamente ausentes nas obras de Gonçalves Dias (mulher idealizada) ou de Álvares de Azevedo ( mulher etérea).

(Unifap)

Leia os textos:

Teresa

“(…)
Não acordes tão cedo! Enquanto dormes
Eu posso dar-te beijos em segredo…
Mas, quando nos teus olhos raia a vida,
Não ouso te fitar… eu tenho medo!
Enquanto dormes, eu te sonho amante,
Irmã de seraphins, doce donzela;
Sou teu noivo… respirem em teus cabelos
E teu seio venturas me revela…
Deliro… junto a mim eu creio ouvir-te
O seio a suspirar, teu ai mais brando,
Pouso os lábios nos teus; no teu alento
Volta minha pureza suspirando!
Teu amor como o sol apura e nutre;
Exala fresquidão e doce brisa:
É uma gota do céu que aroma os lábios
E o peito regenera e suaviza.
Quanta inocência dorme ali com ela!
Anjo desta criança, me perdoa!
Estende em minha amante as asas brancas
A infância no meu beijo abandonou-a!”

Álvares da Azevedo

O ‘Adeus’ de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… e depois na sala
‘Adeus’ eu disse-lhe a tremer com a fala…
E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”
Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… era a pálida Teresa!
‘Adeus’ lhe disse conservando-a presa…
E ela entre beijos murmurou-me: ‘adeus!’
Passaram tempos… séculos de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — ‘Voltarei!’… descansa!…
Ela em soluços murmurou-me: ‘adeus!’
Quando voltei… era o palácio em festa!…
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!… ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!…
E ela arquejando murmurou-me: ‘adeus!’”Castro Alves

2.Tendo em vista o aspecto lírico-amoroso, percebe-se que tanto Álvares de Azevedo quanto Castro Alves referem-se à mulher, embora o façam de modo diferente. Em que consiste essa diferença?

No poema de Álvares de Azevedo, fruto de uma paixão platônica (não-correspondida), a figura feminina é completamente estática (“esta dormindo”), passiva e idealizada. Esta Teresa é ingênua e intocável, podendo ser possuída apenas em sonhos, ou melhor, nos delírios expressos nos versos do poeta.

No poema de Castro Alves, a mulher tem um papel mais ativo. Sua “Teresa” vivencia um amor corporalmente consumado. Não há idealização (exagerada) da figura feminina. No final, Teresa escolhe outro homem para amar, decidindo romper definitivamente sua antiga relação (o “adeus verbal” de Teresa transforma-se em adeus de fato). Essa mulher, no plano amoroso, está em igualdade de condições com o eu-lírico.

3.(Fuvest-SP) 

“Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma…
Nos seus beijos de fogo há tanta vida…
– Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.”

Nessa estrofe de Mocidade e morte, de Castro Alves, reúnem-se, como numa espécie de súmula, vários dos temas e aspectos mais característicos de sua poesia. São eles:

a) Identificação com a natureza, condoreirismo, erotismo franco, exotismo.

b) Aspiração de amor e morte, titanismo, sensualismo, exotismo.

c) Sensualismo, aspiração de absoluto, nacionalismo, orientalismo.

d) Personificação da natureza, hipérboles, sensualismo velado, exotismo.

e) Aspiração de amor e morte, condoreirismo, hipérboles, orientalismo.

4.(PUC-Campinas-SP)

“E fui… e fui… ergui-me no infinito,
Lá onde o voo d’águia não se eleva…
Abaixo – via a terra – abismo em treva!
Acima – o firmamento – abismo em luz!”

Os versos anteriores pertencem aos poemas “O voo do gênio”, do livro Espumas flutuantes. Esses versos ilustram a seguinte característica da poética de Castro Alves:

a) Ênfase emocional, apoiada nos recursos retóricos das antíteses, das hipérboles e do paralelismo rítmico-sintático.

b) Intimismo lírico, marcado pela hesitação das reticências e pelo temor do enfrentamento das adversidades.

c) Sacrifício do tom pessoal em nome de ideais históricos, representados por símbolos épicos herdados do Classicismo.

d) Emprego de paradoxos, com a intenção de satirizar a ambição de genialidade cultivada pelos ultrarromânticos.

e) Contraste entre as fortes marcas retóricas do discurso e o sentimento da melancolia, que atenua o tom declamatório.

Instrução: Para responder às questões 5 e 6, ler o texto que segue.

As Três Irmãs do Poeta

É noite! As sombras correm nebulosas.

Vão três pálidas virgens silenciosas

Através da procela irrequieta.

Vão três pálidas virgens… vão sombrias

Rindo colar um beijo as bocas frias…

Na fronte cismadora do – Poeta –

‘Saúde, irmão! Eu sou a Indiferença.

Sou eu quem te sepulta a ideia imensa,

Quem no teu nome a escuridão projeta…

Fui eu que te vesti do meu sudário…,

Que vais fazer tão triste e solitário?…’

– ‘Eu lutarei’ – responde-lhe o Poeta.

‘Saúde, meu irmão! Eu sou a Fome.

Sou eu quem o teu negro pão consome…

O teu mísero pão, mísero atleta!

Hoje, amanhã, depois… depois (qu’importa?)

Virei sempre sentar-me à tua porta…

– ‘Eu sofrerei’ – responde-lhe o Poeta.

‘Saúde, meu irmão! Eu sou a Morte.

Suspende em meio o hino augusto e forte.

Volve ao nada! Não sentes neste enleio

Teu cântico gelar-se no meu seio?!’

– ‘Eu cantarei no céu’ – diz-lhe o Poeta!” Castro Alves do livro Espumas flutuantes

Instrução: Para responder à questão 5, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.

I.Mostra a estreita convivência do poeta com a indiferença, com a fome e com a

morte.

II.Expressa a força do poeta através de sua capacidade de superar mesmo a morte.

III. Idealiza a função do poeta, uma vez que esta ultrapassa a condição humana.

IV.Pertence ao movimento literário denominado Romantismo.

 5.( PUC-RS) Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:

a) I e II.                  b) II e III.                c) II e IV.           d) III e IV.          e) I, II, III e IV.

 6.(PUC-RS )O texto pode ser vinculado a uma tendência de expressão poética denominada:

a) subjetivismo.              b) ufanismo.                      c) nacionalismo.         d) futurismo.

7.(Cesgranrio)   Os Três Amores

“I
MINH’ALMA é como a fronte sonhadora
Do louco bardo, que Ferrara chora…
Sou Tasso!…a primavera de teus risos
De minha vida as solidões enflora…
Longe de ti eu bebo os teus perfumes,
Sigo na terra de teu passo os lumes…
— Tu és Eleonora…
II
Meu coração desmaia pensativo,
Cismando em tua rosa predileta.
Sou teu pálido amante vaporoso,
Sou teu Romeu…teu lânguido poeta!
Sonho-te às vezes virgem…seminua
Roubo-te um casto beijo à luz da lua
— E tu és Julieta…
III
Na volúpia das noites andaluzas
O sangue ardente em minhas veias rola…
Sou D. Juan!…Donzelas amorosas,
Vós conheceis-me os trenos na viola!
Sobre o leito do amor teu seio brilha…
Eu morro, se desfaço-te a mantilha…
Tu és — Júlia, a Espanhola!…”          Castro Alves

Uma das opções a seguir não caracteriza a poética de Castro Alves. Indique-a.

a) Linguagem grandiloquente, rica em hipérboles e apóstrofes.

b) Oratória adequada para temas sociais, visando ao convencimento do ouvinte/leitor.

c) Defesa de problemas sócio-políticos, como a escravidão dos negros e os ideais republicanos.

d) Manutenção do gosto ultrarromântico, quanto ao tratamento de temas, especialmente, na vertente lírico-amorosa.

e) Poesia de cunho social associada ao condoreirismo, cujo símbolo é o condor, ave que alcança grandes altitudes.

Para responder às questões 08 e 09, leia, atentamente, o poema abaixo.

O ‘Adeus’ de Teresa  

1 A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…
6 E ela, corando, murmurou-me: ‘a deus’.
Uma noite… entreabriu-se um resposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… Era a pálida Teresa!
‘Adeus’ lhe disse conservando-a presa…
12 E ela entre beijos murmurou-me: ‘adeus!’
Passaram tempos… séc’los de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — ‘Voltarei!… descansa!…’
Ela, chorando mais que uma criança,
18 Ela em soluços murmurou-me: ‘adeus!’
Quando voltei… era o palácio em festa!…
E a voz d’ Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!… Ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!…
24 E ela arquejando murmurou-me: ‘adeus!’”   ALVES, Castro. Espumas Flutuantes.

 8.(UFPB)

Em O ‘Adeus’ de Teresa, os versos 6, 12, 18 e 24

a) isolam a palavra “adeus”, modificando a seqüência lógica do poema.

b) assinalam a seqüência de atitudes de Teresa, no poema, indo da descoberta do amor à traição.

c) indicam que os sentimentos de Teresa não sofreram qualquer mudança do primeiro ao último encontro.

d) evidenciam uma mudança nos sentimentos de Teresa que, ao final, descobre o amor verdadeiro.

e) ressaltam o verdadeiro amor de Teresa, que se intensifica a cada encontro.

9.(UFPB)

Leia os seguintes fragmentos poéticos:

I.“Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!”  Castro Alves

II.“Eu vi-a e minha alma antes de vê-la
Sonhara-a linda como agora vi;
Nos puros olhos e na face bela,
Dos meus sonhos a virgem conheci.”     Casimiro de Abreu

III. “Eras a estrela transformada em virgem!
Eras um anjo, que se fez menina!
Tinhas das aves a celeste origem.
Tinhas da lua a palidez divina,
Eras a estrela transformada em virgem!”        Castro Alves

A imagem da mulher presente no poema O “Adeus” de Teresa diferencia-se da imagem expressa apenas no(s) fragmento(s)

a) I                              b) II                   c) III                d) I e II              e) II e III

10.(UFV-MG) Leia com atenção os versos do poema Boa noite, de Castro Alves:

Boa Noite

Boa noite, Maria! Eu vou-me embora,
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! É tarde… É tarde…
Não me apertes assim contra teu seio.
Boa noite!… E tu dizes: — Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos…
Mas não mo digas descobrindo o peito,
— Mar de amor onde vagam meus desejos.”

Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma leitura correta do poema.

a) A abordagem do amor em Castro Alves notabiliza-se por um sensualismo ousado que o distancia da experiência imaginária dos poetas românticos anteriores.

b) Em Boa Noite, Castro Alves destitui a mulher romântica de sua aura espiritualizante, traço que a definia sobretudo na poesia da segunda geração do Romantismo brasileiro.

c) Os versos acima inserem-se na poética lírico-amorosa do período romântico e são marcados por um forte apelo sensual.

d) O poema castroalvino reflete uma visão mais direta do corpo feminino e uma maior objetividade no relacionamento com a mulher amada.

e) O lirismo que se evidencia no texto supracitado funde-se com momentos de profunda introspecção e com as incertezas do eu-lírico diante da vida.

O poema abaixo servirá de referência às questões 11 e 12.

O coração   

O coração é o colibri dourado
Das veigas puras do jardim do céu.
Um — tem o mel da granadilha agreste,
Bebe os perfumes, que a bonina deu.
O outro — voa em mais virentes balças,
Pousa de um riso na nubente flor.
Vive do mel — a que se chama — crenças —,
Vive do aroma — que se diz — amor.” Recife, 1865. ALVES, Castro. Espumas flutuantes.

 11.(UFRN) O poema estrutura-se a partir da construção de uma metáfora nos seus dois versos iniciais. Posteriormente, desenvolve-se pela descrição romântica do colibri e do coração. O paralelo estabelecido entre um e o outro sugere

a) Harmonia — identificada na representação do espaço.

b) Desarmonia — identificada pelo descompasso do tempo.

c) Convergência — identificada no uso de redondilhas maiores.

d) Divergência — identificada pela ausência de rimas regulares.

12.(UFRN) Nesse poema, pode-se reconhecer o caráter lírico do Romantismo, especialmente por meio

a) Do sentimento amoroso e do tema condoreiro.

b) Da nostalgia determinada pelo ambiente naturista.

c) Do tema amoroso e da ambientação naturista.

d) Da vertente condoreira evidenciada pela nostalgia

13.(UFRN) O poema de Castro Alves, transcrito a seguir, servirá de base para a próxima questão.

Adormecida

Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière
La croix de son collier repose dans sa main,
Comme pour témoigner qu’elle a fait sa prière.
Et qu’elle va la faire en s’éveillant demain.”

  1. de Musset

“UMA NOITE, eu me lembro… Ela dormia
Numa rede encostada molemente…
Quase aberto o roupão… solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina…
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!… A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia…
Quando ela serenava… a flor beijava-a…
Quando ela ia beijar-lhe… a flor fugia…
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças…
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se…
Mas quando a via despertada a meio,
P’ra não zangá-la… sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio…
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
‘Ó flor! — tu és a virgem das campinas!’
‘Virgem! — tu és a flor da minha vida!…’”

Considerando as fases da poesia romântica brasileira, é correto afirmar que o poema apresenta uma

a) Atmosfera de erotismo, manifestada pelos encantos da mulher.

b) Atitude de culpa, devido à violação do ambiente celestial.

c) Negação do ato amoroso, devido ao clima de sonho predominante.

d) Tematização da natureza, manifestada na imagem da flor.

14.(UFPE/PE) O Romantismo foi um movimento marcado pelo individualismo e pelo egocentrismo. Com frequência, o destino da grandeza individual dos escritores românticos era o distanciamento pessoal da vida em sociedade, através da solidão voluntária. Considerando esse aspecto, leia o poema de Castro Alves e analise as questões a seguir.

O livro e a América

“Oh! Bendito o que semeia
Livros, livros à mão cheia…
E manda o povo pensar…
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.”  Castro Alves

0 0 – Castro Alves supera o extremo individualismo dos poetas anteriores de sua geração, dando ao Romantismo um sentido social e revolucionário.

1 1 – Através do isolamento e da fuga à realidade, Castro Alves traduz o desinteresse dos poetas românticos pelo público leitor.

2 2 – Castro Alves não apenas realizou uma poesia humanitária, participando de toda a propaganda abolicionista e republicana, como celebrou a instrução.

3 3 – O poeta vê a leitura como um instrumento de libertação.

4 4 – A poesia de Castro Alves pertence ao Realismo, e não ao Romantismo.

VFVVF

15.(Enem-MEC) O trecho a seguir é parte do poema Mocidade e morte, do poeta romântico Castro Alves:

“Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma…
Nos seus beijos de fogo há tanta vida…
–– Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.”                Castro Alves..

Esse poema, como o próprio título sugere, aborda o inconformismo do poeta com a antevisão da morte prematura, ainda na juventude.

A imagem da morte aparece na palavra

a)Embalsamada       b) Infinito.              c) Amplidão.              d) Dormir.          e) Sono.

16.(UFT) Com base na leitura de Espumas flutuantes, de Castro Alves, é CORRETO afirmar que as “espumas” a que se refere o título da obra representam, metaforicamente,

a) as forças líricas que movem o poeta.

b) as poesias que compõem o livro.

c) os amores do poeta por artistas de teatro.

d) os interesses sociais do poeta.

17.(UFT) Com base na leitura da obra, é INCORRETO afirmar que, na poesia de Espumas flutuantes, o condoreirismo se caracteriza por

a) afetação de humildade.                           c) exaltação da civilização.

b) retórica altaneira.                                        d) uso de hipérboles.

18. U.E. Ponta Grossa-PR Espumas flutuantes, de Castro Alves, é um conjunto de poemas

que apresentam:

  1. exaltação da natureza;
  2. linguagem coloquial;
  3. expressão de ideais românticos;
  4. imaginação criadora;
  5. satanismo.

SOMA: 13

19.Leia o seguinte fragmento do poema “Murmúrios da Tarde”, de “Espumas Flutuantes”, de Castro Alves.
Ontem à tarde, quando o sol morria,
A natureza era um poema santo,
De cada moita a escuridão saía,
De cada gruta rebentava um canto,
Ontem à tarde, quando o sol morria.

Do céu azul na profundeza escura
Brilhava a estrela, como um fruto louro,
E qual a foice, que no chão fulgura,
Mostrava a lua o semicirc’lo d’ouro,
Do céu azul na profundeza escura.

Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir sobre este fragmento.
( ) O primeiro e o último verso de ambas as estrofes apresentam estrutura paralela.
( ) As duas estrofes seguem a orientação romântica de libertar-se dos preceitos formais clássicos.
( ) Os versos exaltam a nostalgia do cair da tarde através de imagens sombrias e soturnas.
( ) A lua, ao contrário das demais imagens do poema, adquire um brilho vivo e luminoso, que contrasta com as sombras e a melancolia dos demais versos.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – F – V – F.                                 d) V – V – F – V.
b) F – F – V – V.                                  e) V – V – V – F.
c) F – F – F – V.

 

Inocência

INOCÊNCIA

Leia os fragmentos de Inocência para responder as questões 01 a 05:

Texto I:

              O dia 15 de julho de 1860 era dia claro, sereno e fresco, como costumam ser os chamados de inverno no interior do Brasil.

              Ia o Sol alto em seu percurso, iluminando com seus raios, não muito ardentes para regiões intertropicais, a estrada, cujo aspecto há pouco tentamos descrever e que da Vila de Sant’Ana do Paranaíba vai ter aos campos de Camapuã.

             A essa hora, um viajante, montado numa boa besta tordilho-queimada, gorda e marchadeira, seguia aquela estrada. A sua fisionomia e maneiras de trajar denunciavam de pronto que não era homem de lida fadigosa e comum ou algum fazendeiro daquelas cercanias que voltasse para casa. Trazia na cabeça um chapéu-do-chile de abas amplas e cingido de larga fita preta, sobre os ombros um poncho-pala de variegadas cores e calçava botas de couro da Rússia bem feitas e em bom estado de conservação.

            Tinha quando muito vinte e cinco anos, presença agradável, olhos negros e bem rasgados, barba e cabelos cortados quase à escovinha e ar tão inteligente quanto decidido.

  Texto II:

           —Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que vem curar-te de vez

              —Boas-noites, dona, saudou Cirino.

              Tímida voz murmurou uma resposta, ao passo que o jovem, no seu papel de médico, se sentava num escabelo junto à cama e tomava o pulso à doente.

              Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o rosto, parte do colo e da cabeça, coberta por um lenço vermelho atado por trás da nuca.

             Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.

             Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces.

             Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca pequena, e o queixo admiravelmente torneado.

            Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, descera um nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nu um colo de fascinadora alvura, em que ressaltava um ou outro sinal de nascença.

           Razões de sobra tinha, pois, o pretenso facultativo para sentir a mão fria e um tanto incerta, e não poder atinar com o pulso de tão gentil cliente.

1.A denominação romance regionalista aplica-se ao livro em que o autor identifica par o leitor a paisagem, os costumes, a linguagem de uma região específica do interior do Brasil. Reconheça do primeiro fragmento elementos que permitem identificar a paisagem rural de Inocência:

R: os chamados de inverno no interior do Brasil, a estrada … que da Vila de Sant’Ana do Paranaíba vai ter aos campos de Camapuã, um viajante, montado numa boa besta tordilho-queimada, gorda e marchadeira, seguia aquela estrada.

2. Identifique no primeiro fragmento os aspectos que apresentam Cirino como elemento estranho à paisagem.

R: A sua fisionomia e maneiras de trajar denunciavam de pronto que não era homem de lida fadigosa e comum ou algum fazendeiro daquelas cercanias que voltasse para casa.

3. O segundo fragmento apresenta ao leitor a moça, Inocência. Ela está doente, com febre brava, de cama. Em sua descrição, porém, o narrador destaca que aspectos da moça?

R: como se trata de narrativa romântica em que predomina a idealização, Inocência, mesmo doente, está linda: Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.

4. Destaque as expressões que realçam a meiguice de Inocência:

R: tímida voz, singela expressão de encantadora ingenuidade, meiguice do olhar sereno, mimosas faces, gentil cliente.

5. Os protagonistas do romance pertencem a grupos sociais distintos. Comente em que este aspecto interfere no relacionamento deles.

R: o mundo burguês trabalha a ideia de grupo, é algo inerente ao ser humano; o elemento externo interfere, abala a tranquilidade do grupo, logo ele deve ser eliminado.

6.(UFMS) Considerando a leitura do romance Inocência, do Visconde de Taunay, assinale

a(s) alternativa(s) correta(s).

1.Às descrições da natureza típica do cerrado brasileiro, palco da história do amor

de Inocência e Meyer, misturam-se cenas da Guerra do Paraguai, conflito que traz para

a cena do romance o soldado Cirino, que se apaixona pela bela sertaneja, tentando

tirá-la dos braços de seu amado.

2.Apesar do afeto que Pereira sente pela filha, ela é motivo de constante preocupação

para o pai, uma vez que, por obra de qualquer descuido, pode pôr a perder a honra

familiar, aliás uma opinião estendível a outras mulheres em idade casadoura. Segundo

Pereira: “Ih, meu Deus, mulheres numa casa, é coisa de meter medo…São redomas

de vidro que tudo pode quebrar…

4.Durante um almoço, Pereira enaltece a fartura do Brasil, ao ouvir de Meyer notícias

sobre a morte de pessoas, à míngua, durante o inverno europeu. Essa exaltação dos

recursos alimentares do país, sinônimo dos recursos naturais do Brasil, é um reflexo

da busca e aclamação dos elementos constitutivos de uma nação brasileira, independente

do julgo da metrópole portuguesa.

8.De acordo com a narrativa, são ressaltados aspectos pitorescos do sertão brasileiro,

em contraste com a vida na corte, mais precisamente no Rio de Janeiro, sob a influência

das culturas europeias, em especial a francesa. Essa comparação visa a demonstrar

a superioridade do modo de vida na corte e a pobreza e a ignorância do

sertanejo.

SOMA: ______________________ 06

7.(UFMS) Sobre o romance Inocência, de Visconde de Taunay, é correto afirmar que:

1.o pitoresco da paisagem sertaneja recebe especial atenção do narrador: os elementos

da natureza são descritos minuciosamente, inclusive através de nomes científicos

em notas de rodapé, como também as relações do homem com essa mesma natureza.

2.é um romance regionalista, de tendência sertanista, cuja linguagem possui os elementos

necessários para a descrição da paisagem do interior brasileiro, além de explorar o conflito amoroso próprio da vertente romântica.

4.a austeridade do pai de Inocência é quebrada pela intensidade do amor que a filha

devota a Cirino, levando-o a acobertar a fuga dos amantes da ira de Manecão.

8.Tico, o anão que vigia Inocência o tempo todo, é um dos tipos humanos descritos por

Taunay que dá à narrativa um colorido especial.

16.Inocência é noiva de Manecão, por promessa de seu pai, Pereira. A jovem, no entanto,

apaixona-se por Cirino, uma espécie de curandeiro ambulante que tenta salvá-la da febre.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

SOMA: ______________________ 27

8.Comparando as heroínas românticas dos romances urbanos de José de Alencar à personagem Inocência , do livro homônimo de Taunay, pode-se afirmar, entre outras coisas, que:

a)Inocência é um romance interiorano. Desta forma, o rígido código moral e religioso que rege a vida na corte não chega até lá e Inocência, como o próprio nome indica, é facilmente seduzida pelos homens e torna-se um joguete na mão dos mal intencionados pretendentes.

b)Inocência é ingênua e pura, enquanto as heroínas alencarianas são devassas ou corrompidas pelo dinheiro. Reflete-se aí o mito do bom selvagem, segundo o qual o afastamento do ser humano da natureza o corrompe.

c)Inocência encarna a mulher pura e aparentemente frágil, que, não obstante, opõe uma resistência passiva à vontade familiar. Ela prefere morrer a casar com quem não ama. Os tipos femininos de José de Alencar, normalmente, não aceitam pacificamente as convenções sociais retrógradas da sociedade e opõe uma luta ativa que pode levá-las ao triunfo ou à destruição.

d)Inocência encarna a mulher desprovida de individualidade, totalmente submissa ao jogo de interesses de sua família. Para satisfazê-los, renuncia aos próprios sentimentos e expectativas. Já os tipos femininos de José de Alencar não aceitam pacificamente as convenções sociais retrógradas da sociedade e opõe uma luta ativa que pode levá-las ao triunfo ou à destruição.

e)não há diferenças marcantes entre os anseios e posturas das heroínas dos dois escritores. São moças, bonitas, que esperam ansiosamente o príncipe encantado, como se vivessem em um conto de fadas.

9. (UFRN) O romance Inocência (1872), de Visconde de Taunay, é reconhecido pela crítica como uma das mais populares narrativas da Literatura Brasileira. Nessa obra, o leitor pode identificar valores do Romantismo regionalista por meio da

a) Caracterização do modo de vida urbano como sendo perverso.

b) Assimilação dos costumes do homem branco pelo caboclo.

c) Reprodução do linguajar típico do interior brasileiro.

d) Intervenção reflexiva do narrador protagonista.

10.(Ufam) Leia o trecho abaixo, extraído de um famoso romance brasileiro:

“Com a tarde, voltaram Meyer, José Pinho e Pereira e, pouco depois deles, três avelhantados escravos; estes dos trabalhos agrícolas, aqueles de grandes excursões entomológicas.

Vinha o mineiro meio risonho e em altos gritos acordou Cirino, que, deitando-se a dormir, sonhara todo o tempo com a graciosa doente.

— Olá, amigo! olá, doutor! chamou Pereira com voz retumbante, isso é que é vida, hem? Enquanto nós trabalhamos, eu e o Mocho do José, você está nessa cama de veludo!…

— É verdade, concordou o moço, apenas os Srs. se foram, estendi as pernas e até agora enfiei um sono só…

— E o remédio da menina? perguntou Pereira abaixando a voz.”

Pelo ambiente de fazenda, pelo nome de alguns personagens e pelo tom romântico da narrativa, estamos diante de um trecho do romance:

a) A Moreninha, de Bernardo Guimarães                               d) Lucíola, de José de Alencar

b) O Sertanejo, de José de Alencar                                            e) Inocência, do Visconde Taunay

c) O Garimpeiro, de Bernardo Guimarães

11.Inocência pode ser considerada a obra-prima do romance regionalista do nosso Romantismo. Seu autor, Visconde de Taunay, soube unir ao seu conhecimento prático do país, adquirindo em inúmeras viagens na condição de militar, o seu agudo senso de observação da natureza e da vida social do Sertão de:

a)Goiás                 b)Minas Gerais             c) Mato Grosso            d)São Paulo                        e) Pará

 12.Observe a sequência abaixo, do penúltimo capítulo de Inocência, de Visconde de Taunay:  

“Vinha a morte desdobrando as suas sombras no rosto de Cirino. Ia-se-lhe empanando o brilho dos olhos; ficara a língua trôpega, afilara-se-lhe o nariz e sinistro palor mais realçava a negra cor dos seus cabelos e barbas. Sentara-se Cesário no chão para segurar com mais jeito o corpo do moribundo. Duas lágrimas vinham-lhe sulcando as másculas faces. Ligeiro estremecimento agitava o corpo de Cirino.

—Agora, acrescentou com voz muito sumida, chegou… o meu dia… Mas… eu lhe peço… nada diga… à sua afilhada… Não consinta… que case com… Manecão.

—Então, interrompeu Cesário, foi ele quem?…

—Não, não, contestou Cirino, mas… ela havia de ser… infeliz… Ouviu? Promete-me?

—Prometo, respondeu Cesário com firmeza. Juro até…

—Pois bem, suspirou o agonizante, agora… agradeço a morte. Quero apegar-me… às Santas do Paraíso… e chamo por…

E com esforço, no último alento, murmurou mais e mais baixo:

—Inocência!

Na tarde deste dia, o viajante que passasse por aquele sitio poderia ver uma cova coberta de fresco, sobre a qual se erguia uma cruz tosca feita de dois grossos paus amarrados com cipós.

Eram mostras da caridade do mineiro Antônio Cesário.

A cena da morte de Cirino revela:

a) Que o livro é adepto de uma visão barroca da realidade, baseando-se no paradoxo que consiste na paixão vivida por Cirino e, ao mesmo tempo, a negação disso em nome dos valores religiosos (e da noção de honra) que ele cultiva. Manecão o mata sem que ele tenha tido (em virtude desse seu impasse) qualquer envolvimento com Inocência.

b) Que Taunay, autor realista, explora criticamente a temática dos conflitos de classe. O pano de fundo da batalha de Manecão com Cirino (que resulta na morte deste último) é o envolvimento de Inocência – comprometida com Manecão, homem pobre e honrado – com Cirino, um galanteador rico e esnobe. A vingança de Manecão é um modo de ele resistir à força de atração do dinheiro em seu meio social.

c) Que o romance carrega marcas típicas do Romantismo por mostrar o sofrimento (e o sacrifício) do protagonista Cirino como decorrência de sua oposição aos valores estabelecidos, uma vez que ele morre por reivindicar o direito de viver seu amor por Inocência, a qual, contra sua vontade, mesmo não amando Manecão, tem um compromisso de casamento com ele para atender a uma determinação de seu pai.

d) Que Inocência é um texto modernista, mas com traços neoclássicos, já que, mesmo situando sua intriga no sertão nordestino, narrando a rivalidade de duas famílias cujos membros se matam por questões de terra, o texto é uma releitura da obra Romeu e Julieta, de Shakespeare.

e) Que Inocência é um texto exemplar da vertente urbana do romantismo brasileiro. O conflito que culmina na morte de Cirino é relacionado à sua aproximação, por interesse, à família rica de Inocência, visando beneficiar-se do dote desta, o que lhe permitiria frequentar os salões da corte. Igualmente interessado nisso, Manecão vê no assassinato do rival uma forma de realizar seu intento.

13.Leia os trechos abaixo, extraídos do romance Inocência (1872), de Visconde de Taunay:

 “Ali começa o sertão chamado bruto.

Pousos sucedem a pousos, e nenhum teto habitado ou em ruínas, nenhuma palhoça ou tapera dá abrigo ao caminhante contra a frialdade das noites, contra o temporal que ameaça, ou a chuva que está caindo.

Por toda a parte, a calma da campina não arroteada; por toda a parte, a vegetação virgem, como quando aí surgiu pela vez primeira.

A estrada que atravessa essas regiões incultas desenrola-se à maneira de alvejante faixa, aberta que é na areia, elemento dominante na composição de todo aquele solo, fertilizado aliás por um sem-número de límpidos e borbulhantes regatos, ribeirões e rios, cujos contingentes são outros tantos tributários do claro e fundo Paraná ou,

na contra vertente, do correntoso Paraguai. (…)”

“Com a tarde, voltaram Meyer, José Pinho e Pereira e, pouco depois deles, três avelhantados escravos; estes dos trabalhos agrícolas, aqueles de grandes excursões entomológicas.

Vinha o mineiro meio risonho e em altos gritos acordou Cirino, que, deitando-se a dormir, sonhara todo o tempo com a graciosa doente.

— Olá, amigo! olá, doutor! chamou Pereira com voz retumbante, isso é que é vida, hem? Enquanto nós trabalhamos, eu e o Mocho do José, você está nessa

cama de veludo!…

— É verdade, concordou o moço, apenas os Srs. se foram, estendi as pernas e até agora enfiei um sono só…

— E o remédio da menina? perguntou Pereira  abaixando a voz.”

Observe as seguintes informações sobre o romance:

I.Inocência exemplifica a tendência regionalista da ficção do Romantismo, caracterizada pela descrição sempre positiva e idealizada da geografia e do modo de vida do sertão brasileiro. O interiorano típico, descrito como símbolo da pureza e dos bons princípios, que evoca a figura do “homem natural” da filosofia rousseauniana é, no enredo do romance, encarnado por Pereira, pai da protagonista, indivíduo simples e cordial, detentor de pacífica sabedoria agreste, e que é o principal incentivador do amor de Cirino por Inocência.

II.Ao deslocar a ação dos romances do meio social urbano (marcado pela perversa luta por poder e ascensão econômica, com o sacrifício dos sentimentos verdadeiros) para o ambiente camponês, o regionalismo romântico se aproxima da estética realista, a qual, em suas criações, privilegiou os espaços do interior como cenário e tema de reflexão da ficção.

III. Um dos focos da ação de Inocência é o contraste entre os costumes do homem urbano (e civilizado) e os do caboclo de localidades remotas do sertão. Cirino é um falso médico que, endividado, se embrenha pelo interior disposto a“tratar” mazelas de saúde em comunidades atrasadas nas quais, por seus modos e palavras, costuma ser recebido com respeito. Algo parecido acontece com o entomólogo alemão Meyer em suas pesquisas sobre as borboletas brasileiras. Os dois são hóspedes de Pereira. Porém, o anfitrião demonstra ser mais reticente em relação ao estrangeiro, de quem desconfia, suspeitando que tenha interesse em sua filha Inocência.

IV.Cirino se favorece da credulidade e da boa acolhida de Pereira, fazendeiro rústico do interior do Mato Grosso, para se aproximar de Inocência, moça excessivamente protegida pelo pai e que tem (por vontade deste) compromisso de casamento com um homem a quem Pereira deve dinheiro e favores. Conquistando-a, Cirino a faz ver que o sentimento deve se sobrepor às convenções sociais, o que a leva, romanticamente, a transgredir a ordem moral de seu grupo, impulsionada pela paixão e pelos valores defendidos pelo forasteiro. Ela recusa o casamento com Manecão, para espanto de seu pai e de seu noivo.

Estão CORRETAS:

a) Apenas as afirmações II e IV.                                                 d) Apenas as afirmações III e IV.

b) Apenas as afirmações I e III.                                                   e) Apenas as afirmações II e III.

c) Apenas as afirmações I e II.

14.A vertente regionalista (ou sertanista) do romance romântico tem em Inocência, de Taunay, uma de suas obras mais representativas. O título do romance guarda algumas sutilezas de significado que nos chamam a atenção. No plano denotativo, Inocência é o nome da protagonista, cujo perfil psicológico justifica o nome. Porém, no plano conotativo, o título faz pensar em outras dimensões da inocência representada pelo romance. Das alternativas abaixo, destaque a que NÃO corresponde à ideia de inocência trabalhada no texto:

a) A natureza brasileira, cuja representação tem grande importância no enredo do livro, é descrita a partir da ênfase dada à sua inocência, no sentido de ser intocada, pura, selvagem e, aos olhos do romântico Taunay, perfeita.

B) As comunidades do Brasil interior são apresentadas como inocentes vivendo em contato com a natureza (também inocente). Os brasileiros do sertão seriam cultua dores de valores morais rígidos e de uma noção de honra que, de tão inocente, chega a ser obtusa, como a defendida por Pereira, pai de Inocência.

b) O amor sentido pelos protagonistas, Inocência e Cirino, é inocente. Embora seja vivido clandestinamente e contrarie a moral vigente, esse sentimento é descrito como puro e sincero, opondo-se ao que motiva o casamento marcado de Inocência com Manecão, que é um arranjo de interesses que não leva em conta o que sentem os futuros cônjuges.

c) O processo de colonização do Brasil pelos portugueses, foco do enredo de Inocência, é captado a partir de seus traços inocentes, com a celebração do encontro fraterno de raças e culturas no contexto da exploração do Brasil pelos europeus.

d) Inocente é o ideal que justifica o sacrifício de Cirino, que morre quase como mártir de uma luta pelo direito de viver o seu amor por Inocência de modo livre. Em oposição à inocência (no sentido de ética) desse ideal, há a descrição da maldade dos valores sociais contra os quais ele se põe e que o martirizam.

15.A respeito da personagem Martinho dos Santos  Pereira, no romance Inocência, de Visconde de Taunay, é correto afirmar:

a) Ele ilustra um modelo de sertanejo cômico, de caráter duvidoso e sujeito a recorrer à mentira, porém de uma simpatia cativante.

b) Ele representa o sertanejo em alguns de seus aspectos mais severos e conservadores, sobretudo no que diz respeito à criação da filha.

c) Taunay caracteriza-o como um misto de sertanejo e cientista, propondo-o como um homem à frente de seu tempo.

d) Suas falas, sempre demonstrando erudição, representam o esforço de Taunay evitar o estereótipo do sertanejo inculto.

e) Ao buscar aproximar Inocência de Cirino, ele externa o desejo de um país que supere as diferenças e as fronteiras regionais.

16.Quanto ao estilo da narrativa em Inocência, de Visconde de Taunay, podemos afirmar, exceto, que:

a) há destacada exploração do cômico dos tipos, como o naturalista alemão e o orgulhoso sertanista que é Pereira.

b) há intensa emotividade na narrativa da fuga do leproso para a mata.

c) há muito exagero nos diálogos, que se apresentam artificiais, hiperbólicos ou desagradáveis ao leitor, que aguarda entediado o desenrolar da trama.

d) há excelente espontaneidade nos diálogos, com a inclusão de expressões idiomáticas do Sertão mineiro e o falar do sertanejo.

e) há curiosa descrição do grotesco sombrio do sertão, tanto na descrição do agreste das matas e costumes, quanto do tipo físico do anão Tico.

17.A partir do Romantismo, uma tendência nacionalista haveria de se consolidar no romance brasileiro. Gra­dativamente o público leitor interessa-se por romances de aventuras românticas que tivessem como ambiente o cenário brasileiro. Assim, o regionalismo romântico, já presente nas obras de José de Alencar, ganha fôlego com o surgimento de obras como Inocência, de Visconde de Taunay, publicada em 1872. A respeito desta obra, analise as seguintes proposições:

I.“Bem formado era o coração daquele moço, sua alma elevada e incapaz de pensamentos menos dignos; entretanto no íntimo do seu caráter se haviam insensivelmente enraizado certos hábitos de orgulho, repassado de tal ou qual charlatanismo, oriundo não só da flagrante insuficiência científica, como da roda em que sempre vivera.”Esta descrição da personagem Cirino mostra certa inadequação à idealização romântica de caracteres, tão frequente nesta escola literária. Entretanto, tal inadequação se dissipa ao longo do romance, já que, no transcorrer da narrativa, seja na afeição que Cirino devota à Inocência, seja nas atitudes castas de seu amor, seja na sua morte repleta de nobreza, o perfil de Cirino se mostra em conformidade com a idealização romântica.

II.“Esta obrigação de casar as mulheres é o diacho!… Se não tomam estado, ficam jururus e fanadinhas…; se casam, podem cair nas mãos de algum marido malvado… E depois, as histórias! Hi, meu Deus, mulheres numa casa é coisa de meter medo… São redomas de vidro que tudo pode quebrar (…) O Manecão que se aguente, quando a tiver por sua… Com gente de saia não há que fiar… Cruz! botam famílias inteiras a perder, enquanto o demo esfrega um olho.” Na fala da personagem Pereira deixa-se transparecer claramente uma visão machista e patriarcal, corroborada, no romance, pela visão da personagem de Antônio Cesário, padrinho de Inocência. No entanto, contrapõem-se a esta postura o próprio narrador e também a personagem do naturalista alemão Meyer.

III. “Ah! desculpe-me, replicou o outro rindo-se, nem sequer o saudei… Sou mesmo um estabanado… Deus esteja convosco. Isto sempre me acontece… A minha língua fica às vezes tão doida que se põe logo a bater-me nos dentes… que é um Deus nos acuda e… não há que avisar: água vai! Olhe, por vezes já me tem vindo dano, mas que quer? É sestro antigo… Não que eu sela malcriado, Deus de tal me defenda, abrenuncio; mas pega-me tal comichão de falar que vou logo, sem ter-te, nem guarda-te, dando à taramela… A volubilidade com que foram ditas estas palavras causou certo espanto ao mancebo e o levou a novamente encarar o inopinado com­panheiro, desta feita com mais demora e ar menos altivo.”

Com relação à linguagem, o romance Inocência apresenta um elemento inovador que seria muitas vezes retomado em nossa literatura, inclusive por modernistas como Graciliano Ramos e Jorge Amado. Tal elemento é a incorporação da linguagem regional, do coloquialismo e da oralidade na feitura do discurso literário. Percebe-se esta linguagem abrasileirada no trecho acima e ao longo de todo o romance, principalmente nas falas das personagens.

Exemplo disto está no trecho transcrito acima, em que a personagem Cirino se apresenta ao fazendeiro Pereira, pai de Inocência.

Estão corretas as proposições:

a)Apenas I e II.        b) Apenas II e III.            c) Apenas I e II.       d) Apenas I.      e) Apenas II.

18.Leia atentamente os textos a seguir, para responder à questão sobre Inocência, de Visconde de Taunay.

Capítulo 1: O sertão e o sertanejo

Todos vos bem sentis a ação secreta

Da natureza em governo eterno;

É de ínfimas camadas subterrâneas

Da vida o indício à sugestão emerge.          (Goethe)

Então com passo tranquilo metia-me eu por algum recanto da floresta, algum lugar deserto, onde nada me indicasse a mão do homem, me denunciasse a servidão e o domínio; asilo em que pudesse crer ter primeiro entrado, onde nenhum importuno viesse

interpor-se entre mim e a natureza.           (J.J. Rousseau)

I.Os textos são epígrafes do romance de Taunay, fato que reforça a comunhão entre o Romantismo europeu e as ideias do autor brasileiro.

II.Em Inocência, a descrição da natureza não aparece nesse capítulo, que se limita a apresentar o personagem Albino.

III. A ligação entre a epígrafe retirada de Rousseau e  o texto de Taunay remete o leitor à separação da  natureza e do homem, cuja presença no sertão é  nociva.

IV.“Ora é a perspectiva dos cerrados, não desses cerrados de arbustos raquíticos, enfezados e retorcidos de São Paulo e Minas Gerais, mas as garbosas e elevadas árvores “(p.13). Esse trecho reafirma a ideia contida na segunda epígrafe do capítulo.

V.A epígrafe de Goethe se relaciona com o primeiro capítulo e com a obra como um todo, pois traduz a relação entre homem e natureza, que nela se encontra.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) As assertivas I, III, IV e V são verdadeiras.       d) As assertivas I, II e II são verdadeiras.

b) Somente as assertivas I e V são verdadeiras.        e) As assertivas I, II e V são falsas.

c) Todas as assertivas são verdadeiras.

19.Sobre o livro de Visconde de Taunay, Inocência, afirma-se:

I.É considerada a obra-prima do movimento regionalista do século XX conhecido como Romance de 30.

II.O romance centra-se no cenário urbano e nos costumes das grandes populações industrializadas do Brasil.

III. Há no texto um tema tipicamente ligado ao Romantismo: a supervalorização do amor.

IV.Inocência revela o perfil de uma mulher forte que supera as desilusões amorosas e prossegue vivendo de maneira livre e independente.

V.O romance focaliza os usos e costumes do interior do país.

São CORRETAS as afirmações:

a) I, apenas;    b) I e IV, apenas;   c) I, III e V, apenas;    d) III e V, apenas;    e) IV e V, apenas.

20. (UNICENTRO) Relativamente ao romance as afirmativas abaixo são procedentes, EXCETO

a) O autor desenvolve toda a história em cenário e meio tipicamente sertanejo.

b) Numa atmosfera agreste e idílica, a gente rústica do sertão de Mato Grosso vive seus conflitos.

c) Pereira decide casar a filha com Manecão, homem honrado e rude tal como o pai de

Inocência.

d) Órfã de mãe desde o nascimento, Inocência é criada pelo pai, Pereira afetuoso mas

turrão.

e) Inocência, que vivia, desde menina, apaixonada pelo prático Cirino, deixa de aceitar o noivado imposto pelo pai.

Leia o texto a seguir e responda às questões 21 e 22.

    “Ali começa o sertão chamado bruto. habitado ou ruínas, nenhuma palhoça ou tapera dá abrigo ao caminhante contra a  frialdade das noites, contra o temporal que ameaça, ou a chuva que está caindo. Por  toda a parte, a calma da campina não arroteada; por toda a parte, a vegetação virgem como quando aí surgiu pela vez primeira.

     A estrada que atravessava essas regiões incultas desenrola alvejante faixa, aberta que é na areia, elemento dominante na composição de todo  aquele solo, fertilizado aliás por um sem ribeirões e rios, cujos contingentes são outros tantos tributários do claro e fundo

Paraná ou, na contra vertente, do correntoso Paraguai.

    Essa areia solta e um tanto grossa tem cor uniforme que reverbera com intensidade

os raios do sol, quando nela batem de chapa. Em alguns pontos é tão fofa e movediça

que os animais das tropas viageiras arquejam de cansaço, ao vencerem aquele terreno incerto, que lhes foge de sob os cascos e onde se enterram até meia canela.”

21.Com relação à descrição do ambiente, assinale a alternativa correta:

a) Percebe-se a intenção de crítica social presente no regionalismo modernista.

b) A paisagem é utilizada para criar um

c) O tom simbolista e experimental é fruto das pretensões de cientificidade dessa obra.

d) Trata-se de um exemplo, ainda que sóbrio, do regionalismo romântico.

e) Vê-se uma valorização do elemento nacional que ilustra o indianismo romântico.

22. As informações abaixo devem ser consideradas para responder as duas questões a seguir.

Leia o trecho do capítulo XIII da obra Inocência, de Visconde Taunay.

“Se, de um lado, criava involuntária admiração por Meyer e, rodeando imaginação, do prestígio de uma beleza irresistível, via aumentar o seu receio em abrigar tão perigoso sedutor; do outro, sentia as mãos presas pelas obrigações imperiosas da hospitalidade, a qual, com a recomendação expressa de seu irmão mais velho, assumia caráter quase sagrado. Juntem-se a isto o preconceito sobre o  recato doméstico, a responsabilidade de vedar o santuário da família aos olhos de  todos, o amor extremoso à filha, em quem não depositava, contudo, como mulher que era, confiança alguma, as suposições logo ideadas acerca da impressão que naturalmente aquele estrangeiro produzira no coração da sua Inocência, já quase  pertencendo ela a outrem, e as colisões que previu para manter inabalável a sua palavra de honra, palavra dada em dois sentidos agora antagônicos de cogitações e de terrores. E tudo isto revolvendo-se na cabeça de Pereira refletia-se com sombrios traços de inquietação em seu rosto habitualmente tão jovial”.

A respeito do romance sertanista, classificação em que se enquadra o livro Inocência

de 1872, afirma-se que:

I.Juntamente com Bernardo Guimarães e Franklin Távora, Visconde de Taunay forma

a tríade de nossos mais importantes romancistas regionalistas.

II.As maneiras variadas que assume o sertanismo brasileiro tiveram origem no

encontro de certa cultura citadina e letrada do século XIX com a matéria bruta do

ruralismo do país, naquele tempo mais provinciano e arcaico.

III. O painel da paisagem pintada no romance é totalmente artificial e sem

funcionalidade narrativa, e não se integra no que é típico da escrita do romance

regionalista.

Está correto o que se afirma em

a) I, somente.   b) II, somente.    c) I e II somente   d) II e III somente       e) I, II e III.

 

 

 

 

Últimos Cantos, de Gonçalves Dias

GONÇALVES

1.(Unesp-SP adaptada) Leia os dois textos a seguir para responder às questões 01 e 02.

Canção do Tamoio

“I
Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.

A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.

II
Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

III
O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

IV
Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!”      Gonçalves Dias.

Oração aos Moços

“Magistrados ou advogados sereis. Suas duas carreiras quase sagradas, inseparáveis uma da outra, e, tanto uma como a outra, imensas nas dificuldades, responsabilidades e utilidades.

Se cada um de vós meter bem a mão na consciência, certo que tremerá da perspectiva. O tremer próprio é dos que se defrontam com as grandes vocações, e são talhados para as desempenhar. O tremer, mas não o descorçoar. O tremer, mas não o renunciar. O tremer, com o ousar. O tremer, com o empreender. O tremer, com o confiar. Confiai, senhores. Ousai. Reagi. E haveis de ser bem sucedidos. Deus, pátria e trabalho. Metei no regaço essas três fés, esses três amores, esses três signos santos. E segui, com o coração puro. Não hajais medo a que a sorte vos ludibrie. […]

Idealismo? Não: experiência da vida. Não há forças, que mais a senhoreiem, do que essas. Experimentai-o, como eu o tenho experimentado. Poderá ser que resigneis certas situações, como eu as tenho resignado. Mas meramente para variar de posto, e, em vos sentindo incapazes de uns, buscar outros, onde vos venha ao encontro o dever, que a Providência vos haja reservado.”     Rui Barbosa. Oração aos moços.

1.Qual a temática das obras I Juca Pirama, Os Timbiras e Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias?

Todas as obras citadas – Juca-Pirama, Os Timbiras e a Canção do Tamoio – tratam do tema do indianismo, típico do Romantismo brasileiro. Essa temática consistia na idealização do indígena, do homem nativo, do mesmo modo que na Europa cultivou-se a figura do cavaleiro medieval.
2.As virtudes básicas do guerreiro são: a força, a bravura, a coragem, a disposição para a luta que o guerreiro deve manifestar (exemplificadas nos versos: “A vida é combate,/Que os fracos abate,/Que os fortes, os bravos,/Só pode exaltar”). Além disso, o guerreiro deve ser também habilidoso, ter precisão no momento do ataque (“No arco que entesa/Tem certa uma presa,/Quer seja tapuia,/Condor ou tapir.”) e possuir grande sabedoria para que todos o ouçam (“Curvadas as frontes, /Escutam-lhe a voz!”).

 Aponte as três instituições que Rui Barbosa apresenta como parâmetros para o bom desempenho profissional dos jovens formandos.

As virtudes básicas do guerreiro são: a força, a bravura, a coragem, a disposição para a luta que o guerreiro deve manifestar (exemplificadas nos versos: “A vida é combate,/Que os fracos abate,/Que os fortes, os bravos,/Só pode exaltar”). Além disso, o guerreiro deve ser também habilidoso, ter precisão no momento do ataque (“No arco que entesa/Tem certa uma presa,/Quer seja tapuia,/Condor ou tapir.”) e possuir grande sabedoria para que todos o ouçam (“Curvadas as frontes, /Escutam-lhe a voz!”).

“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
[…]
Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento:
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
[…]
Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
[…]

3. (ITA-SP) O texto reproduz alguns trechos do poema Leito de folhas verdes, do escritor romântico Gonçalves Dias, que consta do livro Últimos cantos (1851). Nesse longo poema, o poeta dá voz a uma índia que dirige um apelo emocionado e sensual ao seu amado, o índio Jatir, e que permanece na expectativa da chegada do homem amado para um encontro sexual. Ao final, o encontro erótico-amoroso acaba não se concretizando, pois Jatir não chega ao local em que a índia o aguarda.

Sobre esse poema é INCORRETO afirmar que:

a) Há no poema a presença explícita da natureza como cenário perfeito para a realização do ato amoroso, o que costuma ser uma marca da poesia romântica.

b) A emoção do sujeito lírico feminino é notória pelo tom com que a índia apela ao amado para que ele venha ao seu encontro; daí a presença dos pontos de exclamação no poema.

c) A emoção do sujeito lírico feminino deriva do amor da índia por Jatir, amor que é sentimental e erótico (amor da alma e amor do corpo).

d) O texto é uma versão romântica das cantigas de amigo medievais, nas quais o trovador reproduzia a fala feminina que manifestava o desejo de encontro com o seu “amigo” (amado).

e) Não se trata de um poema romântico típico, pois o amor romântico é sempre pautado pelo sentimento platônico e pelo ideal do amor irrealizável no plano corpóreo.

4.(UFF-RJ )As estrofes abaixo, partes do poema Canção do Tamoio, representam um momento da literatura brasileira em que se buscou, através do sentimento nativista, inspiração em elementos nacionais, especialmente nos índios e em sua civilização.

“Não chores, meu filho;

Não chores, que a vida

É luta renhida;

Viver é lutar.

A vida é combate

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos,

Só pode exaltar.

Um dia vivemos!

O homem que é forte

Não teme da morte;

Só teme fugir;

No arco que entesa

Tem certa uma presa,

Quer seja tapuia,

Condor ou tapir.

E pois que és meu filho,

Meus brios reveste;

Tamoio nasceste,

Valente serás.

Sê duro guerreiro

Robusto, fragueiro,

Brasão dos tamoios

Na guerra e na paz.

As armas ensaia,

Penetra na vida:

Pesada ou querida,

Viver é lutar.

Se o duro combate

Os fracos abate,

Aos fortes, aos bravos,

Só pode exaltar.”               DIAS, Gonçalves.

Identifique o momento literário a que pertence o poema Canção do Tamoio.

a) Barroco.    b) Naturalismo.    c) Realismo.     d) Romantismo.     e) Modernismo.

5.(Mackenzie-SP)

“Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi,

Sou filho das selvas,

Nas selvas cresci;

Guerreiros, descendo

Da tribo Tupi    (Gonçalves Dias)

Aponte a alternativa incorreta sobre o texto citado.

a)Todos os versos em redondilha menor recriam, por meio do ritmo, o canto de guerra.

b) Ao interlocutor é dado um tratamento respeitoso, não só pelo vocativo guerreiros, mas também por vós, sujeito implícito na forma verbal ouvi.

c) O primeiro verso, constituindo o objeto direto de ouvi, tem a sua definição detalhada nos versos 3, 4, 5 e 6.

d) Trata-se de um grito heroico do eu, sem relação com o outro, o que está expresso nos verbos, todos em primeira pessoa do singular.

e) A reiteração das rimas em i, mais a repetição da figura das selvas ajudam a criar, nesse contexto, o efeito de uma fala marcada pelo ritmo solene.

6.(Unifor-CE) Nossos primeiros escritores nacionalistas – Gonçalves Dias e José de Alencar entre eles – voltaram seus olhos sobre nossas raízes históricas-culturais, buscando

nelas aspectos heroicos, dignos de alta expressão literária. É o que se pode verificar

quando se leem, dos dois autores citados, respectivamente, as obras:

a) Senhora e Lira dos Vinte Anos;                          d) Quincas Borba e Os Escravos;

b) Ressurreição e O Navio Negreiro;                       e) O Mulato e Canção do Exílio;

c) I – Juca Pirama e O Guarani.

7.(Mackenzie-SP)

No poema I-Juca-Pirama, um velho timbira conta a história de um índio tupi, prisioneiro de sua tribo, que, na iminência de ser sacrificado, pede clemência pelo fato de seu pai, cego, o estar aguardando na floresta. Assim, consegue a liberdade. Ao saber que seu filho chorara diante da morte, o pai o amaldiçoa e volta com ele à tribo inimiga, onde, repentinamente, é ouvido o grito de guerra do jovem que se põe a lutar contra todos. Demonstrada sua bravura, é reconhecido como guerreiro ilustre e acolhido novamente pelo pai, que chora lágrimas “que não desonram”.

Leia alguns versos desse poema de Gonçalves Dias.

01 “Tu, cobarde, meu filho não és.”
02 Isto dizendo, o miserando velho
03 A quem Tupã tamanha dor, tal fado
04 Já nos confins da vida reservara,
05 Vai com trêmulo pé, com as mãos já frias
06 Da sua noite escura as densas trevas
07 Palpando. — Alarma! Alarma! — O velho para.
08 O grito que escutou é voz do filho,
09 Voz de guerra que ouviu já tantas vezes
10 Noutra quadra melhor.

Nos versos transcritos,

a) A fala do pai renegando o filho antecede a descrição da figura do ancião, cuja fraqueza moral (caracterizada nos versos 03 e 04) é atribuída à súplica indigna do filho.

b) A caracterização dos indígenas é feita não só pela voz que está narrando os fatos, como também pelo discurso direto das próprias personagens.

c) O segmento Vai com trêmulo pé, com as mãos já frias/Da sua noite escura as densas trevas/Palpando constitui uma metáfora da morte do ancião.

d) Ocorrem duas distintas formas de se citarem palavras, mas as aspas denotam também que a fala é autoritária e agressiva.

e) Tem-se um exemplo de poema lírico, no qual o eu que se expressa, falando sempre de si mesmo, comunica a intensa dor.

 

8.(UEL/PR) A questão refere-se ao poema a seguir.

Leito de folhas verdes

“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso Tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espera ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lagos ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A Arazóia na cinta me apertaram.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! Nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!”                  DIAS, Antônio G.

Sobre o poema anterior, considere as afirmativas a seguir.

I.As marcas românticas do poema ficam evidentes na exaltação da atitude heróica do índio, sempre disposto a partir para as batalhas grandiosas, ainda que tenha que ficar longe da amada.

II.Apresenta traços em comum com as cantigas de amigo trovadorescas, a saber: o sujeito lírico é feminino e canta a ausência do amado, que está distante.

III. Em todo o poema a transformação da natureza revela a passagem das horas, marcando com isso a angústia do sujeito lírico pela espera de seu amado, a exemplo do que ocorre com os versos “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco” e “Do tamarindo a flor jaz entreaberta”.

IV.É possível observar, no poema, a ocorrência de momentos marcados pela ilusão da chegada do amado, como em “Eu sob a copa da mangueira altiva/Nosso leito gentil cobri zelosa”; e, por fim, um momento de clara desilusão: “Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inútil/A brisa da manhã sacuda as folhas!”

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.                     b) I e III.                     c) II e IV.              d) I, III e IV.            e) II, III e IV.

9.(CEETPS-SP)

Leito de folhas verdes

“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso Tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espera ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lagos ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A Arazóia na cinta me apertaram.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! Nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!”  DIAS, Antônio G.

(CEETPS-SP) Assinale a alternativa correta com relação ao texto.

a) Principalmente pela manifestação de elementos simbólicos, tais como “luar”, “vales”,

“bosque” e “perfumes”, pode-se dizer que o poema muito se aproxima da estética

simbolista.

b) O poema romântico indianista recupera as antigas cantigas de amigo medievais, para expressar o amor por meio da espera.

c) O poema de Gonçalves Dias demonstra profunda influência renascentista, recebida

principalmente de Camões.

d) Apesar da intensa presença da natureza, o poema em questão já se aproxima do parnasianismo,

pela presença dos elementos mitológicos.

e) Mesmo sendo romântico, notam-se ainda no poema, os aspectos marcantes do Arcadismo, principalmente no que diz respeito ao bucolismo.
Marabá

“Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá?
Se algum dentre os homens de mim não se esconde
— “Tu és”, me responde,
“Tu és Marabá!”

Meus olhos são garços, são cor das safiras,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado,
As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
— ‘Teus olhos são garços’,
Responde anojado, ‘mas és Marabá:
‘Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
‘Uns olhos fulgentes,
‘Bem pretos, retintos, não cor d’ anajá!’

É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
Da cor das areias batidas do mar;
As aves mais brancas, as conchas mais puras
Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.

Se ainda me escuta meus agros delírios:
— ‘ És alva de lírios’,
Sorrindo responde, ‘mas és Marabá:
‘Quero antes um rosto de jambo corado,
‘Um rosto crestado
‘Do sol do deserto, não flor de cajá.’

Meu colo de leve se encurva engraçado,
Como hástea pendente do cáctus em flor;
Mimosa, indolente, resvalo no prado,
Como um soluçado suspiro de amor!
— ‘Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira’,
Então me respondem; ‘tu és Marabá:
Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
Que as flóreas campinas governa, onde está.’

Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
O oiro mais puro não tem seu fulgor;
As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
De os ver tão formosos como um beija-flor!

Mas eles respondem : — Teus longos cabelos,
‘São loiros, são belos,
Mas são anelados; tu és Marabá;
Quero antes cabelos bem lisos, corridos,
Cabelos compridos,
Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá.’

E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:

Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!”                     Gonçalves Dias

10.(UNIRIO/RJ) Após leitura, análise e interpretação do poema Marabá, algumas afirmações como as seguintes podem ser feitas, com exceção de uma. Indique-a.

a) O poema se inicia com uma pergunta de ordem religiosa e termina com uma consideração de aspecto sensual.

b) O poema é um profundo lamento construído com base na estrutura dialética, apresentando-se argumentação e contra argumentação.

c) Ocorre interlocução registrada em discurso direto, estrutura que enfatiza assim o desprezo preconceituoso dado à Marabá.

d) A ocorrência de figuras de linguagem e o emprego da primeira pessoa marcam, respectivamente, as funções da linguagem poética e emotiva.

e) Marabá é poema representante da primeira fase que cultua o aspecto físico da mulher.

11.(UNIRIO/RJ) A unidade dramática vivenciada pelo eu-lírico no poema Marabá concentra-se em

a) Tristeza e compreensão.                                        d) Aflição e frustração.

b) Amargura e comedimento.                                  e) Indignação e passividade.

c) Decepção e aceitação.

12.U.F. Santa Maria-RS Considere os versos de “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias. 

“Um dia vivemos!

O homem que é forte

Não teme da morte;

Só teme fugir;

No arco que entesa

Tem certa uma presa,

Quer seja tapuia,

Condor ou tapir.”

Vocabulário:

Tapuia – identificação dada a tribos inimigas.

Condor – ave semelhante à águia.

Tapir – anta.

Conforme os versos transcritos,

a) quem erra o alvo precisa fugir da caça;

b) os índios estão em guerra contra os tapuias;

c) a covardia é o único sentimento a ser temido pelos fortes;

d) quem não tem boa pontaria é excluído do grupo de guerreiros;

e) o bom índio se conhece pela qualidade do seu arco.

 

 

Teatro – Martins Pena

Daniel Pereira

1.UFPA)

“Rosa ― Quando lhe dei a minha mão, poderia prever que ele seria um traidor? E a senhora, quando lhe deu a sua, que se unia a um infame?

Florência ― Oh, não!

Rosa ― E nós, suas desgraçadas vítimas, nos odiaremos mutuamente, em vez de nos ligarmos, para de comum acordo perseguirmos ao traidor?

Florência ― Nem eu, nem a senhora temos culpa do que se tem passado; quisera viver longe da senhora… a sua presença aviva os meus desgostos, porém farei um esforço; aceito o seu oferecimento; unamo-nos e mostraremos ao monstro o que podem duas fracas mulheres quando se querem vingar…”    PENA, Martins. O noviço.

Sobre o fragmento e o texto a que pertence, é correto afirmar que

a) Reforça a visão da mulher, incapaz de cuidar de si, vítima dos abusos masculinos. O texto é uma espécie de denúncia de Martins Pena, que criou, em nosso Romantismo, um teatro voltado para as causas sociais.

b) O acordo feito entre Rosa e Florência terá como sequência uma das cenas engraçadas da peça O noviço, a surra que ambas dão em Ambrósio, por quem foram enganadas, no momento em que ele põe a cabeça fora do armário onde se encontra preso.

c) O acordo feito entre Rosa e Florência aponta para o final da peça: Ambrósio é mandado para o convento no lugar de Carlos, o noviço. Dessa forma todos se sentem vingados.

d) As duas mulheres tramam a vingança contra Ambrósio, por quem foram enganadas, revelando que são elas as personagens centrais da peça, que, embora se intitule O noviço, não dá relevância a Carlos, o noviço da trama.

e) Revela a linguagem de Martins Pena, desartificiosa, simples, natural, o que não foi aceito pelo público burguês da época, acostumado a rebuscamentos, a tiradas filosóficas e a arrebatamentos estilísticos.

2. (UFRGS-RS) Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Martins Pena.

I.A peça Judas em Sábado de Aleluia distingue-se pela apologia dos rituais religiosos.

II.Em Juiz de Paz na Roça, é apresentada uma visão da sociedade fluminense da primeira metade do século XIX.

III. Os aspectos burlescos, as situações equivocadas e os disfarces são recorrentes na produção teatral desse autor.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.            b) Apenas II.          c) Apenas III.        d) Apenas II e III.     e) I, II e III.

3.(UFG-GO) Martins Pena foi o fundador da comédia de costumes do teatro brasileiro, da qual faz parte a peça O noviço.

Nessa obra, pode-se encontrar:

( ) O predomínio da caricatura na concepção das personagens, baseada na exploração de tipos sociais facilmente identificados, o que leva ao efeito cômico desejado.

( ) O Brasil Colonial como pano de fundo histórico-social, época em que a influência jesuítica foi decisiva na política, na economia e principalmente na educação dos jovens, direcionando-os para a vida religiosa.

( ) A utilização de recursos dramáticos considerados primários, como o esconderijo, o disfarce e o erro de identificação, demonstrando a ingenuidade e a simplicidade que permeiam a edificação da trama.

( ) Uma vinculação nítida com o contexto romântico, uma vez que a resolução dos conflitos se encaminha para o final feliz e a consequente realização amorosa dos dois jovens e, ainda, a punição do vilão, recursos ostensivamente colhidos nos romances de folhetim da época.

V, F, V, V.

4.(Cesgranrio-RJ) O teatro brasileiro tem Martins Pena como um dos seus mais significativos representantes. Suas obras caracterizam-se por:

a) Reproduzir os autos religiosos do século XVI.

b) Usar, como modelo, as tragédias clássicas.

c) Realizar uma comédia de costumes.

d) Demonstrar forte influência do teatro romântico francês.

e) Construir suas peças em versos livres.

5.Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Martins Pena.

I. A peça “Judas em Sábado de Aleluia” distingue-se pela apologia dos rituais religiosos.
II. Em “Juiz de Paz na Roça”, é apresentada uma visão da sociedade fluminense da primeira metade do século XIX.
III. Os aspectos burlescos, as situações equivocadas e os disfarces são recorrentes na produção teatral desse autor.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.          b) Apenas II.       c) Apenas III.       d) Apenas II e III.           e) I, II e III.

6.Assinale a alternativa que completa corretamente o enunciado a seguir.

A obra de Martins Pena, um dos mais autênticos e originais escritores românticos,
a) apresenta, sobretudo no drama, recursos cênicos sofisticados e inovadores, adequados às exigências do público do século XIX.
b) traduz-se, em alguns casos, como sátira aos costumes rurais, utilizando-se de tipos rústicos, oriundos do interior paulista.
c) traduz, nas comédias urbanas, toda a complexidade social e humana das elites republicanas.
d) tem como tema dominante, tanto na comédia urbana quanto na rural, o amor contrariado.
e) imprime, à comédia nacional, assuntos, tipos, expressão e caráter herdados da comédia francesa.

7.(ESAN-RN) Martins pena é considerado um dos criadores do teatro romântico brasileiro. Escreveu:

a)comédias em verso, filiada à mais pura tradição vicentina, versando situações cômicas universais

b) comédias em prosa, de ação rápida, em linguagem coloquial, ricas de significado humano.

c) tragédias em verso, inspiradas em problemas universais e ricas de significado humano.

d) dramas inspirados em episódios do Brasil, enriquecidos de incidentes fictícios.

e) dramas de crítica social, inspirados na observação dos costumes regionais brasileiros.