Canaã

CANAÃ

(VUNESP) INSTRUÇÃO: As questões de números 01 a 03 se baseiam no seguinte trecho do romance Canaã, do escritor maranhense Graça Aranha (José Pereira da Graça Aranha, 1868- 1931).

O agrimensor olhou a árvore. – Faz pena – disse compassivo – botar tudo isso abaixo. – Eu, por mim – acudiu Milkau, levado pelo mesmo sentimento –, preferiria um lote onde não fosse preciso esse sacrifício. – Não há nenhum – respondeu Felicíssimo. – O homem – notou Lentz a sorrir com ar de triunfo – há de sempre destruir a vida para criar a vida. E depois, que alma tem esta árvore? E que tivesse… Nós a eliminaríamos para nos expandirmos. E Milkau disse com a calma da resignação: – Compreendo bem que é ainda a nossa contingência essa necessidade de ferir a Terra, de arrancar do seu seio pela força e pela violência a nossa alimentação; mas virá o dia em que o homem, adaptando-se ao meio cósmico por uma extraordinária longevidade da espécie, receberá a força orgânica da sua própria e pacífica harmonia com o ambiente, como sucede com os vegetais; e então dispensará para subsistir o sacrifício dos animais e das plantas. Por ora nos conformaremos com este momento de transição… Sinto dolorosamente que, atacando a Terra, ofendo a fonte da nossa própria vida, e firo menos o que há de material nela do que o seu prestígio religioso e imortal na alma humana… Enquanto os outros assim discursavam, Felicíssimo, no seu amor ingênuo à Natureza, mirava as velhas árvores, e com a mão meiga festejava-lhes os troncos, como os últimos afagos dados às vítimas do momento do sacrifício. Dentro da mata penetrava o vento da manhã e nas folhas passava brandamente, levantando um murmúrio baixo, humilde, que se escapava de todas as árvores, como as queixas surdas dos moribundos. in: ARANHA, Graça. Obra completa. Rio de Janeiro: MEC-Instituto Nacional do Livro, 1969. p.106-107.

1.Como nos três textos anteriores, centrados nas diferenças de caráter e de comportamento das personagens (Esaú e Jacó, Pedro e Paulo), no romance Canaã, publicado em 1902, defrontamo-nos com duas personagens de temperamentos bastante fortes, Lentz e Milkau, imigrantes alemães cujas concepções do homem e do mundo são opostas. Verifique com atenção a participação dessas duas personagens no trecho de Graça Aranha e, em seguida

a) sintetize, com suas próprias palavras, os dois tipos de “homem”, ou seja, de comportamento do homem no mundo, defendidos, respectivamente, por Lentz e por Milkau;

b) mostre, com base no texto, que os fundamentos da consciência ecológica, hoje em dia bastante disseminados no mundo, já se encontram presentes nesse trecho de Canaã.

RESPOSTAS:

a) Enquanto Milkau é humanista, sensível e defende a ideia do homem integrado à natureza, Lentz, ao contrário, tem espírito agressivo, destruidor, e não mede esforços para atingir seus ideais, sobretudo os de conquista.

b) Todo o parágrafo iniciado por “– Compreendo bem que é ainda a nossa contingência essa necessidade de ferir a Terra…” até “e firo menos o que há de material nela do que o seu prestígio religioso e imortal na alma humana.”

2. A metagoge, recurso expressivo bastante usado pelos escritores de todos os tempos, consiste em atribuir atitudes, qualidades e sentimentos humanos a outros seres. No trecho de Canaã reencontramos tal procedimento, que reforça a dramaticidade dos fatos narrados. De posse destas informações,

a)indique uma passagem do último parágrafo do texto em que ocorre esse recurso expressivo;

b) demonstre que as personagens Milkau e Felicíssimo, que se identificam pelo amor à natureza, expressam esse sentimento de maneiras diferentes.

RESPOSTAS:

a) Fica evidente a metagoge (ou personificação) no último período do último parágrafo: “… levantando um murmúrio baixo e humilde, que se escapava de todas as árvores, como as queixas surdas dos moribundos”. Outra possibilidade, no período anterior: “… mirava as velhas árvores, e com a mão meiga festejavalhes os troncos, como os últimos afagos dados às vítimas do momento do sacrifício”.

b) Embora ambos os personagens se identifiquem pelo amor à natureza, Milkau tem um discurso mais idealista, intelectual, sonhador e utópico. Felicíssimo é mais simples, sentimental, e humaniza a natureza para fazê-la mais próxima dele.

3.Embora Graça Aranha não haja necessariamente tomado por referência o episódio bíblico de Esaú e Jacó, pode-se perceber, nas opiniões expressas por Lentz e Milkau, que suas personalidades apresentam certa correspondência com as dos gêmeos da Bíblia. Partindo desta hipótese,

a)agrupe as quatro personagens (Esaú, Jacó, Lentz, Milkau) em dois pares, de acordo com as afinidades de caráter e atitudes;

b) explique, com base nos dois textos, os critérios de que você se serviu para estabelecer tais pares.

RESPOSTAS:

a)Esaú – Lentz

Jacó – Milkau

b) No primeiro par, Esaú é caçador, Lentz é conquistador (luta). Enquanto, no segundo par, Jacó é um homem pacífico, assim como Milkau, que pensa na harmonia entre o homem e a natureza (paz).

 Instrução: A questão de número 04 toma por base uma passagem do romance Canaã, de Graça Aranha (1868-1931).

Canaã

— Hoje — disse Milkau quando chegaram a um trecho desembaraçado da praia —, devemos escolher o local para a nossa casa.

 — Oh! não haverá dificuldade, neste deserto, de talhar o nosso pequeno lote… — desdenhou Lentz.

 — Quanto a mim, replicou Milkau, uma ligeira inquietação de vago terror se mistura ao prazer extraordinário de recomeçar a vida pela fundação do domicílio, e pelas minhas próprias mãos… O que é lamentável nesta solenidade primitiva é a intervenção inútil do Estado…

 — O Estado, que no nosso caso é o agrimensor Felicíssimo… — Não seria muito mais perfeito que a terra e as suas coisas fossem propriedade de todos, sem venda, sem posse?

 — O que eu vejo é o contrário disto. É antes a venalidade de tudo, a ambição, que chama a ambição e espraia o instinto da posse. O que está hoje fora do domínio amanhã será a presa do homem. Não acreditas que o próprio ar que escapa à nossa posse será vendido, mais tarde, nas cidades suspensas, como é hoje a terra? Não será uma nova forma da expansão da conquista e da propriedade?

— Ou melhor, não vês a propriedade tornar-se cada dia mais coletiva, numa grande ânsia de aquisição popular, que se vai alastrando e que um dia, depois de se apossar dos jardins, dos palácios, dos museus, das estradas, se estenderá a tudo?… O sentimento da posse morrerá com a desnecessidade, com a supressão da ideia da defesa pessoal, que nele tinha o seu repouso…

 — Pois eu — ponderou Lentz —, se me fixar na ideia de converter-me em colono, desejarei ir alargando o meu terreno, chamar a mim outros trabalhadores e fundar um novo núcleo, que signifique fortuna e domínio… Porque só pela riqueza ou pela força nos emanciparemos da servidão.

 — O meu quinhão de terra — explicou Milkau — será o mesmo que hoje receber; não o ampliarei, não me abandonarei à ambição, ficarei sempre alegremente reduzido à situação de um homem humilde entre gente simples. Desde que chegamos, sinto um perfeito encantamento: não é só a natureza que me seduz aqui, que me festeja, é também a suave contemplação do homem. Todos mostram a sua doçura íntima estampada na calma das linhas do rosto; há como um longínquo afastamento da cólera e do ódio. Há em todos uma resignação amorosa… Os naturais da terra são expansivos e alvissareiros da felicidade de que nos parecem os portadores… Os que vieram de longe esqueceram as suas amarguras, estão tranquilos e amáveis; não há grandes separações, o próprio chefe troca no lar o seu prestígio pela espontaneidade niveladora, que é o feliz gênio da sua raça. Vendo-os, eu adivinho o que é todo este País — um recanto de bondade, de olvido e de paz. Há de haver uma grande união entre todos, não haverá conflitos de orgulho e ambição, a justiça será perfeita; não se imolarão vítimas aos rancores abandonados na estrada do exílio. Todos se purificarão e nós também nos devemos esquecer de nós mesmos e dos nossos preconceitos, para só pensarmos nos outros e não perturbarmos a serenidade desta vida… (Graça Aranha. Canaã, 1996.)

4. Em sua última fala no fragmento do romance Canaã, coerentemente com o que manifestou nas falas anteriores, a personagem Milkau, ao informar o que pretende fazer com seu quinhão de terra, acaba expressando sua própria concepção de mundo. Releia essa fala e faça uma síntese dessa concepção da personagem.

RESPOSTA: A personagem Milkau apresenta uma concepção de mundo necessariamente romântica, que segue o modelo primeiro proposto por Jean-Jacques Rousseau, que gira em torno da seguinte ideia: a civilização corrompe o homem, tornando-o ambicioso e individualista. Em oposição a essa ideia, a personagem propõe uma vida humilde, “entre gente simples”, na qual os homens se afastariam dos sentimentos negativos, como a cólera e o ódio, e viveriam irmanados em sentimentos de “resignação amorosa”, “tranquilos e amáveis”, plenos de bondade e de paz para apreciarem a serenidade da vida.

 Canaã

– Mora aqui há muito tempo? – perguntou Milkau.

– Fui nascido e criado nessas bandas, sinhô moço… Ali perto do Mangaraí. – E tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio: – Não vê um casarão lá no fundo? Foi ali que me fiz homem, na fazenda do capitão Matos, defunto meu sinhô, que Deus haja!

      E a conversa foi continuando por uma série de perguntas de Milkau sobre a vida passada daquela região, às quais o velho respondia gostoso, por ter ocasião de relembrar os tempos de outrora, sentindo-se incapaz, como todos os humildes e primitivos, de tomar a iniciativa dos assuntos. Ele contou por frases gaguejadas a sua triste vida, toda ela um pobre drama sem movimento, sem lances, sem variedade, mas de quão intensa e profunda agonia! Contou a velha casa cheia de escravos, as festas simples, os trabalhos e os castigos… E na tosca linguagem balbuciava com a figura em êxtase a sua turva recordação.

     – Ah, tudo isso, meu sinhô moço, acabou… Cadê fazenda? Defunto meu sinhô morreu, filho dele foi vivendo até que governo tirou os escravos. Tudo debandou. Patrão se mudou com a família para Vitória, onde tem seu emprego; meus parceiros furaram esse mato grande e cada um levantou casa aqui e acolá, onde bem quiseram. Eu com minha gente vim para cá, para essas terras de seu coronel. Tempo hoje anda triste. Governo acabou com as fazendas, e nos pôs todos no olho do mundo, a caçar de comer, a comprar de vestir, a trabalhar como boi para viver. Ah! tempo bom de fazenda! A gente trabalhava junto, quem apanhava café apanhava, quem debulhava milho debulhava, tudo de parceria, bandão de gente, mulatas, cafuzas… Que importava feitor?… Nunca ninguém morreu de pancada. Comida sempre havia, e quando era sábado, véspera de domingo, ah! meu sinhô, tambor velho roncava até de madrugada…

      E assim o antigo escravo ia misturando no tempero travoso da saudade a lembrança dos prazeres de ontem, da sua vida congregada, amparada na domesticidade da fazenda, com o desespero do isolamento de agora, com a melancolia de um mundo desmoronado. (Graça Aranha, Canaã. 1ª edição: 1902.)

O preconceito, como grande obstáculo à interação humana, tem sido amplamente questionado nos últimos tempos. No texto desta parte, por exemplo, é possível perceber alguns tipos de preconceito. Tomando por base esse pensamento,

5. (VUNESP)  Demonstre, em Canaã, como o enunciador avalia, preconceituosamente, a capacidade de linguagem do velho.

RESPOSTA: Em Canaã, o velho escravo é desqualificado por utilizar “frases gaguejadas” e “tosca linguagem”.

6. (VUNESP)  Pão e circo simbolizam, nas mais diferentes épocas da civilização, os bens oferecidos pelo governo às classes sociais, principalmente as menos favorecidas, de maneira a satisfazer suas principais necessidades e prevenir eventuais revoltas provocadas por condições desumanas de vida. Considerando o texto de Graça Aranha,

a) encontre uma passagem, extraída da fala do velho escravo, em que aparecem os elementos correspondentes à satisfação dessas necessidades, na antiga fazenda;

b) aponte uma qualidade do trabalho escravo, na antiga fazenda, que parece ter muita importância para o velho.

RESPOSTAS:

a) “Comida sempre havia, e quando era sábado, véspera de domingo, ah! meu sinhô, tambor velho roncava até de madrugada…” Na passagem destacada, o velho refere-se, à sua maneira, ao famoso “pão e circo para o povo”.

b) A parceria. “Ah! tempo bom de fazenda! A gente trabalhava junto, quem apanhava café apanhava, quem debulhava milho debulhava, tudo de parceria…”.

7. A fase pré-modernista passa a ser tomada como marginal ou subsidiária à estética ou ao próprio Modernismo. Consequentemente, as obras que lhe remetiam pertencimento cronológico, dentre elas Canaã, eram tomadas pelo sincretismo das escolas Realismo, Naturalismo, Simbolismo, mas também pela aproximação temática ao Modernismo.(Adaptado de: ARAÚJO, Bárbara Del Rio. O registro de estilo em Canaã: uma reflexão sobre a historiografia e o rótulo Pré-Modernismo).

O contraditório de classificação de Canaã, de Graça Aranha, é reiterado em:

a.grande parte das análises feita da obra prefere caracterizá-la pela relevância temática, pelo debruçar sobre os problemas sociais e morais do país, o qual é apresentado sob uma perspectiva de antecipação ao movimento modernista na medida em que se observa o interesse pela realidade.

b. na historiografia literária brasileira, o nome de Graça Aranha costuma abrir com todo o direito o capítulo do movimento de 1922, pela adesão entusiasta, determinante que essa grande personalidade, antes mesmo de grandes escritores, iria dar aos jovens de São Paulo na revolta contra as instituições.

c. Canaã reflete sobre situações novas como a imigração alemã no Espírito Santo, desembocando em discussões raciais, sociais e morais, prelúdio inequívoco ao Modernismo.

d. aproveitando criaturas e fatos reais, pondo em cena colonos e caboclos, não fez, contudo um livro realista e ainda menos regionalista. Não interessava ao autor o pitoresco nem se sentia inclinado a submeter-se passivamente a observação, um e outro entram na obra, mas no seu lugar como elementos de construção e nunca como fim.

e.embora estejam presentes na obra ideias pessimista quanto ao Brasil e tons idílicos da colônia alemã, não há nenhuma tendência a provar a superioridade do colono branco sobre o mestiço.

 

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Sermão do Quinto Domingo da Quaresma

V DOMINGO DA QUARESMA

O texto abaixo refere-se às questões de 01 a 06. Trata-se de um sermão do quinto domingo

da Quaresma, do Padre Antônio Vieira:

“Como estamos na corte, onde das casas dos pequenos não se faz caso, nem têm nome de

casas, busquemos esta fé em alguma casa grande e dos grandes. Deus me guie.

(…) Entremos e vamos examinando o que virmos, parte por parte. Primeiro que tudo vejo cavalos, liteiras e coches; vejo criados de diversos calibres, uns com libré, outros sem ela; vejo galas, vejo joias, vejo baixelas; as paredes vejo-as cobertas de ricos tapizes; das janelas vejo ao perto jardins, e ao longe quintas; enfim, vejo todo o palácio e também o oratório; mas não vejo a fé. E por que não aparece a fé nesta casa: eu o direi ao dono dela. Se o que vestem os lacaios e os pajens, e os socorros do outro exército doméstico masculino e feminino depende do mercador que vos assiste, e no princípio do ano lhe pagais com esperanças e no fim com desesperações, a risco de quebrar, como se há de ver a fé na vossa família? Se as galas, as joias e as baixelas, ou no Reino, ou fora dele, foram adquiridas com tanta injustiça ou crueldade, que o ouro e a prata derretidos, e as sedas se se espremeram, haviam de verter sangue, como se há de ver a fé nessa falsa riqueza? Se as pedras da mesma casa em que viveis, desde os telhados até os alicerces estão chovendo os suores dos jornaleiros, a quem não fazíeis a féria, e, se queriam ir buscar a vida a outra parte, os prendíeis e obrigáveis por força, como se há de ver a fé, nem sombra dela na vossa casa?”

Vocabulário:

libré: uniforme de criados de casas nobres

os socorros do outro exército doméstico: a vestimenta dos outros serviçais

jornaleiros: trabalhadores que recebiam pagamento ao final do dia

a quem não fazíeis a féria: a quem não concedíeis dias de folga

1.(FEI-SP) O autor do texto, Padre Vieira, pertence à escola literária conhecida como:

a) Baroco.       

b) Realismo.

c) Trovadorismo.

d) Romantismo.

e) Arcadismo.

2. (FEI-SP) Não é característica da escola literária a que Padre Vieira pertence:

a) emprego frequente de palavras que designam cores, perfumes e sensações táteis.

b) uso constante da metáfora e da antítese.

c) união de duas ideias contrárias em um único pensamento.

d) composição de cantigas de amor e cantigas de amigo.

e) utilização de muitas frases interrogativas.

3. (FEI-SP) Padre Vieira é frequentemente estudado como um autor contemporâneo a:

a) Luís de Camões.

b) Carlos Drummond de Andrade.

c) Gregório de Matos.

d) Fernando Sabino.

e) José de Alencar.

4. (FEI-SP) O sermão pode ser definido como:

a) composição em versos recitados nos palácios para divertir os nobres.

b) texto curto, em que predomina o desenvolvimento de um único conflito.

c) narrativa longa em que são apresentados diversos conflitos paralelos.

d) soneto com versos decassílabos.

e) discurso religioso cujo objetivo principal é a edificação moral dos ouvintes.

5. (FEI-SP) Sobre o fragmento do sermão acima transcrito, é possível afirmar que:

a) o autor discorre sobre a inabalável fé da corte e da nobreza.

b) Padre Vieira critica o povo por não ter a fé que os nobres possuem.

c) o autor conclui que não é possível encontrar a fé em uma casa onde se encontram

aqueles que exploram e maltratam os homens do povo.

d) o sermão é um elogio à corte pela maneira como trata os seus serviçais, dignificando-os e humanizando as relações entre os nobres e o povo.

e) segundo o autor, a fé não tem qualquer relação com as ações desenvolvidas pelos

homens.

6. (FEI-SP) Verifica-se nesse fragmento a franca intenção de o autor:

a) divertir a plateia.

b) convencer e ensinar o seu público.

c) afastar os homens da verdadeira fé cristã.

d) provocar fortes emoções em seu público.

e) confundir seus ouvintes.

 

O Seminarista

seminÁrio

1.Já no capítulo I aparecem as duas crianças que, mais tarde, adultas, irão protagonizar a história. Como são descritas?

“Eram um rapazinho de doze a treze anos, e uma menina, que parecia ser mais nova do que ele uns dois ou três anos. A menina era morena, de olhos grandes, negros e cheios de vivacidade, de corpo esbelto e flexível como um pendão da imbaúba. O rapaz era alvo, de cabelos castanhos, de olhar meigo e plácido e em sua fisionomia com em todo o seu ser transluziam indícios de uma índole pacata, doce e branda.”

2. A crítica especializada tem apontado que a maioria das personagens de Bernardo Guimarães não passa de estereótipos românticos. No final do capítulo III, há uma descrição de Eugênio que confirma este parecer. Transcreva o trecho.

“ Eugênio era dotado de índole calma e pacata, e revelava ainda na infância juízo e sisudez superior à sua idade; tinha inteligência fácil e boa memória. Além disso, mostrava grande pendor para as coisas religiosas. Seu principal entretenimento, abaixo de Margarida, cuja companhia preferia a tudo, era um pequeno oratório, que zelava com extremo cuidado e trazia sempre enfeitado de flores, pequenas quinquilharias e ouropéis.

3. Qual o resultado de todas as penitências que o padre diretor impôs a Eugênio?

O resultado foi que no fim de algum tempo, Eugênio se encontrava magro, pálido, o brilho de seus olhos azuis tinha amortecido e rugas precoces apareceram. O adolescente de dezesseis anos se parecia com um ancião.

4. Para os clássicos, desde a Antiguidade, a Beleza era concebida como um composto de virtudes físicas e morais. Bernardo Guimarães parece adotar o mesmo conceito, conforme expõe em sua obra. Transcreva o trecho.

Trata-se do período que arremata a descrição de Margarido: “ Era enfim o tipo o mas esmerado da beleza sensual, mas habitado por uma alma virgem de Margarido: “ Era enfim o tipo o mas esmerado da beleza sensual, mas habitado por uma alma vigem, cândida e sensível. Era uma estátua de Vênus animada por um espírito angélico”.

5. Leia o fragmento extraído do romance O seminarista, de Bernardo Guimarães.

“Ah, celibato!… Terrível celibato!… Ninguém espera afrontar impunemente as leis da natureza! Tarde ou cedo, elas têm seu complemento indeclinável, e vingam-se cruelmente dos que pretendem subtrair-se ao seu império fatal!…”. (O seminarista, Bernardo Guimarães.)

O fragmento acima e o livro como um todo expressam a seguinte conclusão, EXCETO
A) Na tentativa de denunciar o celibato religioso, o autor compõe um drama de amor romântico não correspondido.
B) O romance, considerado de tese, representa a vitória dos impulsos humanos sobre as leis sociais.
C) O autoritarismo paterno e a hipocrisia dos dogmas religiosos são objetos de crítica do romance.
D) A diferença de classes entre os amantes aparece também como argumento das críticas que constam do enredo do livro.

6. (CEFET-AL)— Como é isso?… — exclamou Margarida com surpresa. — Pois você vai-se embora?… — Vou, Margarida; pois você ainda não sabia?… — Eu não; quem me havia de contar? para onde é que você vai, então? — Vou para o estudo, Margarida; papai mais mamãe querem que eu vá estudar para padre. — Deveras, Eugênio!… ah! meu Deus!… que ideia!… e é muito longe esse estudo? — Eu sei lá; eles estão falando que eu vou para Congonhas… — Congonhas?… ah! já ouvi falar nessa terra; não é onde moram os padres santos?… ah! meu Deus! isso é muito longe! — Qual longe!… tanta gente já tem ido lá e vem outra vez. Mamãe já mandou fazer batina, sobrepeliz, barrete e tudo. Quando tudo ficar pronto, eu hei de vir cá vestido de padre para você ver que tal fico. (São Paulo: Ática, 1998, p.12.)

O diálogo em tela foi escrito por:

a) Bernardo Guimarães – “O garimpeiro” – revela a ganância do homem na corrida desenfreada pelo crescimento econômico e financeiro.

b) Machado de Assis – “Dom Casmurro” – revela o nascimento de um amor na infância regrado pelo apoio dos pais do casal do diálogo.

c) Bernardo Guimarães – “Inocência” – obra brasileira do século XIX que aborda a questão do celibato clerical de forma resignada e imparcial.

d) Bernardo Guimarães – “O seminarista” – é um relato pastoral, uma história de amor nascido na infância, no meio de paisagem campestre e amena, com um apelo futuro de presságios e prenúncios de desgraça.

e) Machado de Assis – “Memorial de Aires” – o viés da exploração do homem pelo homem, o parasitismo social, a falta de realização profissional.

7. (UFRS) Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Bernardo Guimarães.
I – Em “O Garimpeiro”, o autor utiliza o episódio da cavalhada para defender os costumes interioranos.
II – Em “O Seminarista”, o autor critica o celibato sacerdotal e o autoritarismo patriarcal, que impedem a realização amorosa de Eugênio.
III – Em “Escrava Isaura”, através do drama de Isaura/Elvira, o autor se alinha à luta abolicionista da época.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

8. (IFSULDEMINAS) Assinale a afirmativa CORRETA sobre o livro O Seminarista, de Bernardo Guimarães.

a) Há, no romance, características predominantes do Realismo, estilo que predominou na segunda metade do século XIX.

b) O espaço do livro é o interior de Minas Gerais, especialmente a cidade de Congonhas, onde Eugênio cursa o seminário.

c) O foco narrativo do romance está em primeira pessoa. Quem conta a história é Eugênio, em forma de flashback, quando, já adulto, relembra sua desventura amorosa.

d) Quase não há diálogos no livro, o autor, assim como seus contemporâneos folhetinescos, privilegia do discurso indireto.

9. (IFSULDEMINAS) Qual é o motivo pelo qual Eugênio é enviado para o seminário no livro de Bernardo Guimarães?

a) A madrinha de Eugênio e mãe de Margarida, Umbelina, teme pelo romance entre os dois meninos e sugere aos compadres o envio de Eugênio para o seminário.

b) A mãe de Eugênio teve complicações durante o parto, o que a fez prometer para Deus que, caso seu filho se salvasse, ele seria um padre. Eugênio então é obrigado a cumprir a promessa da mãe.

c) Como a mãe de Eugênio não consegue engravidar, faz uma promessa religiosa para que, caso isso acontecesse, o filho tornar-se-ia padre.

d) O protagonista Eugênio se mostra, ainda muito jovem, um menino muito inteligente e religioso. Seus pais, visualizando a vocação celibatária do filho e desejando a carreira eclesiástica a ele, enviam-no ao seminário.

10.(IFSULDEMINAS) Assinale, entre as descrições abaixo, aquela que NÃO corresponde corretamente ao personagem do livro O seminarista.

a)“Era uma matrona gorda e corada, de rosto sempre afável e prazenteiro […]” (SENHORA ANTUNES).

b) “[…] fazendeiro de medianas posses. Trabalhador, bom e extremoso pai de família, liso e sincero em seus negócios” (FRANCISCO ANTUNES).

c) “[…] fora casada com um alferes de cavalaria, que havia morrido nas guerras do Rio Grande do Sul […]” (UMBELINA)

d) “[…] uma encantadora menina, de muito bom natural e muito viva e engraçadinha”. (MARGARIDA)

11.(UFRS) Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Bernardo Guimarães.
I – Em “O Garimpeiro”, o autor utiliza o episódio da cavalhada para defender os costumes interioranos.
II – Em “O Seminarista”, o autor critica o celibato sacerdotal e o autoritarismo patriarcal, que impedem a realização amorosa de Eugênio.
III – Em “Escrava Isaura”, através do drama de Isaura/Elvira, o autor se alinha à luta abolicionista da época.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Esaú e Jacó

esaÚ

(VUNESP)INSTRUÇÃO: As questões de números 01 a 03 tomam por base uma passagem da Bíblia Sagrada, um trecho de Nova Floresta, de Manuel Bernardes (1644-1710), e um trecho do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis (1839-1908).

Nascimento de Esaú e Jacó Chegado o tempo em que ela devia dar à luz, eis que trazia dois gêmeos no seu ventre. O que saiu primeiro era vermelho, e todo peludo como um manto de peles, e chamou-selhe Esaú. Saiu em seguida o seu irmão, segurando pela mão o calcanhar de Esaú, e deuse-lhe o nome de Jacó. Isaac tinha sessenta anos quando eles vieram ao mundo. Os meninos cresceram. Esaú tornou-se um hábil caçador, um homem do campo, enquanto Jacó era um homem pacífico, que morava na tenda. Isaac preferia Esaú, porque gostava de caça; Rebeca, porém, se afeiçoou mais a Jacó. Gênesis, 25, 24-28. In: Bíblia Sagrada. São Paulo: Editora Ave Maria, 1966. p.75-76. Nova Floresta Sucede às vezes na mesma família haver três irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, e um deles ser de condição fácil e bem intencionada, outro de condição retrincada e maliciosa, e outro de condição baixa e rasteira: o primeiro parece europeu, que escreve da mão esquerda para a direita; o segundo parece hebreu, que escreve da direita para a esquerda; o terceiro parece chino, que escreve de cima para baixo. Mais é, que, ainda dentro do ventre de Rebeca, já os dois meninos Esaú e Jacob renhiam e tinham tão diferentes gênios como duas nações opostas. Nos rostos, nas vozes, nas letras, apenas há entre milhões de homens um que se pareça inteiramente com o outro. Por que não há-de ser assim também nos gostos, opiniões e ditames? In: BERNARDES, Manuel: Nova Floresta. Seleção e apresentação de João Ubaldo Ribeiro. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993.

Esaú e Jacó

Aos sete anos eram duas obras-primas, ou antes uma só em dois volumes, como quiseres. Em verdade, não havia por toda aquela praia, nem por Flamengos ou Glórias, Cajus e outras redondezas, não havia uma, quanto mais duas crianças tão graciosas. Nota que eram também robustos. Pedro com um murro derrubava Paulo; em compensação, Paulo com um pontapé deitava Pedro ao chão. Corriam muito na chácara por aposta. Alguma vez quiseram trepar às árvores, mas a mãe não consentia; não era bonito. Contentavam-se de espiar cá de baixo a fruta. Paulo era mais agressivo, Pedro mais dissimulado, e, como ambos acabavam por comer a fruta das árvores, era um moleque que a ia buscar acima, fosse a cascudo de um ou com promessa de outro. A promessa não se cumpria nunca; o cascudo, por ser antecipado, cumpria-se sempre, e às vezes com repetição depois do serviço. Não digo com isto que um e outro dos gêmeos não soubessem agredir e dissimular; a diferença é que cada um sabia melhor o seu gosto, coisa tão óbvia que custa escrever. In: ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Editora Mérito, 1962. p. 77-78.

1.O aproveitamento de episódios, quadros, temas e passagens da Bíblia é corriqueiro na literatura. Machado de Assis, por exemplo, tomou como referência o episódio bíblico de Esaú e Jacó no romance de mesmo nome, que conta a história de dois gêmeos, Pedro e Paulo. Com base neste comentário e em seus conhecimentos, releia os textos dados e responda.

a) Na primeira frase do trecho de Machado de Assis, o narrador, por meio de uma metáfora, identifica os gêmeos a duas obras-primas; em seguida, corrige-se, dizendo que eram uma obra-prima em dois volumes. Explique o motivo desse procedimento do narrador, tendo em mente que o dicionário Aurélio define obra-prima como “a melhor e/ou a mais bem feita obra de uma época, gênero, estilo ou autor”.

b) Demonstre que a oposição de temperamentos entre Esaú e Jacó, no trecho da Bíblia, é mais evidente do que a oposição dos temperamentos de Pedro e Paulo, no trecho de Machado de Assis.

RESPOSTAS:

a) A metáfora advém do fato de ambos serem encantadores e complementares: “Em verdade, não havia por toda aquela praia, nem por Flamengos ou Glórias, Cajus e outras redondezas, não havia uma, quanto mais duas crianças tão graciosas.”

b) Na Bíblia: Esaú (o primeiro a nascer) era mais forte, “hábil caçador, um homem do campo” e Jacó, aquele que saiu do ventre materno “segurando pela mão o calcanhar de Esaú”, era pacífico, tanto que o pai preferia o forte e a mãe, o habilidoso. Portanto, o texto bíblico enfatiza mais as diferenças entre os gêmeos. Em Machado de Assis: Os dois eram muito semelhantes, robustos; ambos briguentos, um (Paulo) mais agressivo, outro (Pedro) mais dissimulado, mas ambos sabiam agredir e dissimular quando lhes convinha.

 2. Denomina-se preconceito a opinião formada antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos. Preconceitos costumam conduzir à intolerância, ao ódio irracional ou aversão a pessoas, raças, credos religiosos, etc. De posse desta informação, releia o trecho de Nova Floresta e, a seguir,

a) identifique o preconceito que se evidencia no discurso de Bernardes, quando este compara três irmãos a três diferentes povos;

b) comprove sua resposta com exemplos do texto.

RESPOSTAS:

a) Em Manuel Bernardes, como o ponto de vista é europeu, fica claro que há preconceito racial, cultural e moral em relação a hebreus e outros povos orientais.

b) “o primeiro parece europeu (‘de condição fácil e bem intencionada’), que escreve da mão esquerda para a direita; o segundo, parece hebreu (‘de condição retrincada e maliciosa’), que escreve da direita para a esquerda; o terceiro parece chino (‘de condição baixa e rasteira’), que escreve de cima para baixo. (…)”

 3. Releia o último parágrafo do trecho de Machado de Assis e atenda ao que se segue.

a) Segundo conceituam os gramáticos Celso Cunha e Lindley Cintra, a elipse é um procedimento estilístico que consiste na “omissão de um termo que o contexto ou a situação permitem facilmente suprir”. Tomando por base esta informação, indique a elipse que ocorre na sequência “Paulo era mais agressivo, Pedro mais dissimulado…”

b) No segundo período desse parágrafo, reconheça as classes de palavras a que pertence o a, respectivamente, em “a fruta” e “a ia buscar”.

RESPOSTAS

a) Pedro (era) mais dissimulado. Há a elipse do verbo (ser) também conhecida como zeugma, pois o termo já havia sido anteriormente mencionado.

b) • em “a fruta”, o a é artigo definido feminino. • em “a ia buscar”, a é pronome pessoal do caso oblíquo (retomando a fruta).

4. (UNESP) O aproveitamento de episódios, quadros, temas e passagens da BÍBLIA é corriqueiro na literatura. Machado de Assis, por exemplo, tomou como referência o episódio bíblico de Esaú e Jacó no romance de mesmo nome, que conta a história de dois gêmeos, Pedro e Paulo. Com base neste comentário e em seus conhecimentos, releia os textos dados e responda.

a) Na primeira frase do trecho de Machado de Assis, o narrador, por meio de uma metáfora, identifica os gêmeos a duas obras-primas; em seguida, corrige-se, dizendo que eram uma obra-prima em dois volumes. Explique o motivo desse procedimento do narrador, tendo em mente que o dicionário AURÉLIO define obra-prima como “a melhor e /ou a mais bem feita obra de uma época, gênero, estilo ou autor”.

b) Demonstre que a oposição de temperamentos entre Esaú e Jacó, no trecho da BÍBLIA, é mais evidente do que a oposição dos temperamentos de Pedro e Paulo, no trecho de Machado de Assis.

RESPOSTAS:

a)Machado de Assis busca na correção intensificar a semelhança na diversidade, porque um menino continua o outro, mantendo, porém, cada qual a própria identidade: uma obra-prima em dois volumes.

b) Pode-se dizer que o trecho bíblico predomina a linguagem denotativa na descrição dos gêmeos; enquanto em Machado de Assis, o uso da linguagem conotativa amplia a imagem, cujo entendimento exige um esforço às alusões descritas.

 5.(UFRJ) O Padeiro (fragmento)

Rubem Braga

Tomo meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

– Não é ninguém, é o padeiro!

Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

“Então você não é ninguém? “.

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era: e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “Não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém…

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo.

(In: “Ai de ti, Copacabana.” 4 ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964, pp. 44,45)

Esaú e Jacó (fragmento)

Machado de Assis

– Que estranhos? Não vou viver com ninguém. Viverei com o Catete, o Largo do Machado, a Praia de Botafogo e a do Flamengo, não falo das pessoas que lá moram, mas das ruas, das casas, dos chafarizes e das lojas.

(ln: “Obra Completa.” vol. 1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985, p. 987)

Vimos que, Rubem Braga faz uso expressivo do indefinido NINGUÉM. Diga com que sentido o mesmo termo é usado por Machado de Assis no texto acima, relacionando tal significado com um posicionamento marcante na obra do autor.

RESPOSTA:

No texto de Machado, o pronome é usado com o sentido de ‘pessoa alguma’ / ‘pessoa nenhuma’. Ao preferir a paisagem física da cidade aos seus semelhantes, o autor revela seu ceticismo em relação ao ser humano, um traço marcante na sua obra.

6.(Unesp) A questão toma por base uma passagem da Bíblia Sagrada, um trecho de Nova Floresta, de Manuel Bernardes (1644-1710), e um trecho do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis (1839-1908).

Nascimento de Esaú e Jacó

“Chegado o tempo em que ela devia dar à luz, eis que trazia dois gêmeos no seu ventre. O que saiu primeiro era vermelho, e todo peludo como um manto de peles, e chamou-se-lhe Esaú. Saiu em seguida o seu irmão, segurando pela mão o calcanhar de Esaú, e deu-se-lhe o nome de Jacó. Isaac tinha sessenta anos quando eles vieram ao mundo.

Os meninos cresceram. Esaú tornou-se um hábil caçador, um homem do campo, enquanto Jacó era um homem pacífico, que morava na tenda. Isaac preferia Esaú, porque gostava de caça; Rebeca, porém, se afeiçoou mais a Jacó.”

(Gênesis, 25, 24-28. In: Bíblia Sagrada.

São Paulo: Editora Ave Maria, 1966. p.75-76.)

“Nova floresta

Sucede às vezes na mesma família haver três irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, e um, deles ser de condição fácil e bem intencionada, outro de condição retrincada e maliciosa, e outro de condição baixa e rasteira: o primeiro parece europeu, que escreve da mão esquerda para a direita; o segundo parece hebreu, que escreve da direita para a esquerda; o terceiro parece chino, que escreve de cima para baixo. Mais é, que, ainda dentro do ventre de Rebeca, já os dois meninos Esaú e Jacob renhiam e tinham tão diferentes gênios como duas nações opostas. Nos rostos, nas vozes, nas letras, apenas há entre milhões de homens um que se pareça inteiramente com o outro. Por que não há-de ser assim também nos gostos, opiniões e ditames?”

In: BERNARDES, Manuel: Nova Floresta. Seleção

e apresentação de João Ubaldo Ribeiro.

Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1993. p.83.

Esaú e Jacó

“Aos sete anos eram duas obras-primas, ou antes uma só em dois volumes, como quiseres. Em verdade, não havia por toda aquela praia, nem por Flamengos ou Glórias, Cajus e outras redondezas, não havia uma, quanto mais duas crianças tão graciosas. Nota que eram também robustos. Pedro com um murro derrubava Paulo; em compensação, Paulo com um pontapé deitava Pedro ao chão. Corriam muito na chácara por aposta. Alguma vez quiseram trepar às árvores, mas a mãe não consentia; não era bonito. Contentavam-se de espiar cá de baixo a fruta.

Paulo era mais agressivo, Pedro mais dissimulado, e, como ambos acabavam por comer a fruta das árvores, era um moleque que a ia buscar acima, fosse a cascudo de um ou com promessa de outro. A promessa não se cumpria nunca; o cascudo, por ser antecipado, cumpria-se sempre, e às vezes com repetição depois do serviço. Não digo com isto que um e outro dos gêmeos não soubessem agredir e dissimular; a diferença é que cada um sabia melhor o seu gosto, coisa tão óbvia que custa escrever.”

(In: ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó.

São Paulo: Editora Mérito, 1962. p. 77-76.)

7.(Unesp) O aproveitamento de episódios, quadros, temas e passagens da Bíblia é corriqueiro na literatura. Machado de Assis, por exemplo, tomou como referência o episódio bíblico de Esaú e Jacó no romance de mesmo nome, que conta a história de dois gêmeos, Pedro e Paulo. Com base neste comentário e em seus conhecimentos, releia os textos dados e responda.

a) Na primeira frase do trecho de Machado de Assis, o narrador, por meio de uma metáfora, identifica os gêmeos a duas obras-primas; em seguida, corrige-se, dizendo que eram uma obra-prima em dois volumes. Explique o motivo desse procedimento do narrador, tendo em mente que o dicionário Aurélio define obra-prima como “a melhor e/ou a mais bem feita obra de uma época, gênero, estilo ou autor”.

b) Demonstre que a oposição de temperamentos entre Esaú e Jacó, no trecho da BÍBLIA, é mais evidente do que a oposição dos temperamentos de Pedro e Paulo, no trecho de Machado de Assis.

RESPOSTAS:

a) Com esse procedimento, o autor destaca a metáfora e chama a atenção do leitor para a diferença dos aspectos psicológicos apesar da semelhança física.

b) A Bíblia não utiliza a linguagem literária e a descrição é de caráter didático. De forma muito direta se apresentam os procedimentos e preferências que diferenciam os irmãos. Já Machado de Assis prefere instaurar algumas dúvidas que lhes serão úteis durante o romance.

8. (UFMG) Considerando os provérbios abaixo, assinale aquele que pode ser aplicado à situação de Pedro e Paulo em “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis.

a) A situação faz o ladrão.

b) O futuro a Deus pertence.

c) Filho de peixe peixinho é.

d) O que o berço dá só a cova tira.

9.(UEGO) A respeito de Esaú e Jacó, de Machado de Assis, é correto afirmar que:

( ) O núcleo do livro é a história de dois gêmeos, Pedro e Paulo, que já brigavam desde

o ventre da mãe e que seguirão adversários na infância, na juventude e na maturidade.

( ) O título da obra aparece apenas como artifício para introduzir a história e enfatizar

que a rivalidade entre Pedro e Paulo havia se iniciado no ventre da mãe, em conformidade

com a narrativa bíblica.

( ) A curta vida de Flora se passou a querer conciliar os contrários dois gêmeos inimigos

que seu amor confundia — porque um completava o outro e juntos fariam um homem

perfeito.

( ) O romance, por possuir relatos comprometedores com o idealismo romântico, pertence

à 1ª fase do autor.

( ) A narrativa é lenta, através da observação detalhista das personagens.

V-V-V-F-V

10.(UFMG) Todas as alternativas apresentam aspectos comuns aos romances “Esaú e Jacó” e “Agosto”, EXCETO

a) A existência de personagens ligados ao misticismo popular.

b) A ocorrência de conflito amoroso no enredo.

c) A forma de o narrador relacionar-se com o leitor.

d) A presença de fatos importantes da história do Brasil.

 11.(UFGO) Esaú e Jacó é uma prova da maturidade narrativa de Machado de Assis. O confronto com outras obras de sua autoria permite detectar alguns elementos recorrentes na narrativa machadiana. São eles:

( ) confissão de fatalismo, própria da filosofia positivista, desenvolvida também em

Quincas Borba.

( ) jogo montado sobre a oposição de caracteres dos dois gêmeos, Pedro e Paulo, semelhante ao jogo estabelecido entre Capitu e Bentinho, em Dom Casmurro.

( ) atemporalidade em favor de uma filosofia do autoconhecimento, resgatando a individualidade das personagens, igualmente vista em O alienista.

( ) narrativa típica de “autor morto”, que reconstrói os fatos numa perspectiva privilegiada

em relação ao mundo dos vivos, à maneira de Brás Cubas, em suas Memórias póstumas.

 RESPOSTA – F-F-F-F

12. (UERJ) No romance Esaú e Jacó, o narrador põe em evidência seus pensamentos e suas percepções, conduzindo a reação dos leitores durante toda a narrativa.

O fragmento que melhor exemplifica esse direcionamento da reação dos leitores é:

a) “Já então os dois gêmeos cursavam, um a Faculdade de Direito, em S. Paulo; outro a Escola de Medicina, no Rio.” (l. 1 – 3)

b) “Note-se – e este ponto deve ser tirado à luz, – note-se que os dois gêmeos continuavam a ser parecidos e eram cada vez mais esbeltos.” (l. 25 – 27)

c) “Flora mudava os nomes também, e os três acabavam rindo.” (l. 36 – 38)

d) “Ou então fazia ambas as coisas, e tocava falando, soltava a rédea aos dedos e à língua.” (l. 42 – 43)

13. (UFSC) Os filhos chegaram tarde, cada um por sua vez, e Pedro mais cedo que Paulo. A melancolia de um ia com a alma da casa, a alegria de outro destoava desta, mas tais eram uma e outra que, apesar da expansão da segunda, não houve repressão nem briga. Ao jantar, falaram pouco. Paulo referia os sucessos amorosamente. Conversara com alguns correligionários e soube do que se passara à noite e de manhã, a marcha e a reunião dos batalhões no campo, as palavras de Ouro Preto ao Marechal Floriano, a resposta deste, a aclamação da República. A família ouvia e perguntava, não discutia, e esta moderação contrastava com a glória de Paulo. O silêncio de Pedro principalmente era como um desafio. Não sabia  Paulo que a própria mãe é que o pedira ao irmão com muitos beijos, motivo que em tal momento ia com o aperto do coração do rapaz.

Com base no texto e  na leitura integral do romance de Machado de Assis, Esaú e Jacó, publicado pela primeira vez em 1904, é correto afirmar que:

01. o romance de Machado de Assis está situado dentro da escola literária do Realismo brasileiro e possui como pano de fundo a transição do Império para a República, tendo referências explícitas ao contexto histórico da época em que os fatos são narrados.

02. Esaú e Jacó vale-se de intertexto com a narrativa bíblica, seja em razão dos nomes dos protagonistas, Pedro e Paulo, assim nomeados em referência aos apóstolos homônimos, seja em virtude dos nomes dos personagens que dão título à obra.

04. o romance de Machado de Assis ilustra um aspecto fundamental nas histórias literárias sobre irmãos gêmeos, narrativas nas quais cada gêmeo possui uma personalidade diferente, diametralmente oposta, sendo os irmãos frequentemente rivais na disputa por um objeto amoroso.

08. em Esaú e Jacó, Machado de Assis pratica uma forma de intertexto ao resgatar personagens presentes em outros de seus consagrados romances, como é o caso de Dom Casmurro e os sujeitos ficcionais Bentinho e Capitu.

16. Esaú e Jacó pode ser classificado como um romance histórico, muito embora o formato apresentado seja o de um diário irônico e sagaz de Conselheiro Aires sobre a implantação da República em território brasileiro, projeto considerado pelo narrador como algo impossível dado o passado colonial, retrógrado e agrário do país.

32.no romance de Machado de Assis, a libertação dos escravos é um tema político sobre o qual os dois irmãos, Pedro e Paulo, expressam mesma postura ideológica, momento em que se dá uma trégua na rivalidade entre os dois.

RESPOSTAS: 01+ 02 + 04 = 07

14. (UFRGS) Considere as seguintes afirmações sobre Esaú e Jacó, de Machado de Assis.

I – Pedro e Paulo, os filhos gêmeos do casal Santos, odeiam-se desde o ventre materno, fato insinuado pela cabocla do morro do Castelo e percebido por sua mãe, Natividade, o que caracteriza uma disposição hereditária que alinha o romance com a tendência naturalista e determinista da época.

II – Os longos trechos digressivos da narrativa estão em sintonia com as intervenções do Conselheiro Aires e marcados por comentários repletos de ironia, erudição e humor; comentários que podem incidir inclusive sobre as expectativas do público leitor, como fica claro no capítulo XXVII, de uma reflexão intempestiva.

III – O Conselheiro Aires mantém uma relação polida com o banqueiro Santos, a quem considera intelectualmente limitado e moralmente condenável, embora Aires reconheça sua dedicação à família, que o leva a tentar amenizar a hostilidade entre os filhos e a auxiliar com estímulos financeiros os parentes pobres.

Quais estão corretas?

(A) Apenas I.

(B) Apenas II.

(C) Apenas I e II.

(D) Apenas II e III.

(E) I, II e III.

15.(UFPR)  Depois de ler o trecho a seguir, extraído do capítulo XXIII de ESAÚ E JACÓ, de Machado de Assis, indique o que é verdadeiro afirmar a respeito desse livro.

“Naquele ano, uma noite de agosto, como estivessem algumas pessoas na casa de Botafogo, sucedeu que uma delas, não sei se homem ou mulher, perguntou aos dois irmãos que idade tinham.

Paulo respondeu:

– Nasci no aniversário do dia em que Pedro I caiu do trono.

E Pedro:

– Nasci no aniversário do dia em que Sua Majestade subiu ao trono.

As respostas foram simultâneas, não sucessivas, tanto que a pessoa pediu-lhes que falasse cada um por sua vez.”

(01) Esta passagem confirma a observação que a vidente fez a Natividade e que ela, como mãe, preferiu esquecer em favor da grandeza das “coisas futuras”.

(02) O trecho anterior é bem característico das relações entre Pedro e Paulo, já que as coincidências que há entre eles não os aproximam, mas os afastam: basta ver, nesse sentido, a relação que eles têm com Flora.

(04) Esta cena concretiza o processo de construção visível em todo o livro, uma vez que a relação entre os gêmeos aparece de mistura a fatos históricos específicos.

(08) Como Pedro e Paulo são gêmeos, as respostas dadas revelam que eles estão fazendo uma brincadeira, pois cada um diz que nasceu num dia diferente do outro.

(16) Em ESAÚ E JACÓ, Machado de Assis revela que é um escritor de caráter psicológico, pois o livro não tem relação com a realidade brasileira.

RESPOSTAS:01 + 02 + 04 = 07

16. (UFPR) A respeito de “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, é correto afirmar:

(01) O governante do Brasil à época em que começa a ação do romance tinha o mesmo nome de um dos personagens, caracterizado como o mais conservador entre os gêmeos.

(02) Paulo era republicano e, tendo assumido sua cadeira de deputado, não aceitava críticas ao regime político instaurado em 1889.

(04) As divergências entre os gêmeos não foram amenizadas, mesmo depois da morte das duas mulheres que eles mais amavam: Natividade e Flora.

(08) Flora, desde o início considerada pelo Conselheiro Aires uma moça “inexplicável”, confirmará essa impressão com seu desejo impossível de fundir os dois gêmeos em uma só pessoa.

(16) As referências à história política brasileira ajudam a estabelecer uma cronologia linear, mas não repercutem nos acontecimentos narrados.

RESPOSTA:01 + 04 + 08 = 13

17. (UFRGS ) Considere o seguinte trecho de Esaú e Jacó.

…….. não tinha as mesmas expansões. Era alto, e o ar sossegado dava um bom aspecto de governo. Só lhe faltava ação, mas a mulher podia inspirar-lhe; nunca deixou de consultá-la nas crises da presidência. Agora mesmo, se lhe desse ouvidos já teria ido pedir alguma coisa ao governo, mas neste ponto era firme, de uma firmeza que nascia da fraqueza: “Hão de chamar-me, deixa estar”, dizia ele a …….., quando aparecia alguma vaga de governo provincial. Certo é que ele sentia a necessidade de tornar à vida ativa. Nele a Política era menos uma opinião que uma sarna; precisava coçar-se a miúdo e com força.

Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas do texto acima.

(A) Gouveia – D. Rita

(B) Nóbrega – D. Rita

(C) Batista – D. Rita

(D) Nóbrega – D. Cláudia

(E) Batista – D. Cláudia

 18. (UFRGS )Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do enunciado abaixo, na ordem em que aparecem.

…….. teria escrito …….. , romance no qual aparece como personagem relevante; depois de …….. e na condição de …….. , ele percorre o Rio de Janeiro e presencia a transição do Império à República.

(A) O Conselheiro Aires – Esaú e Jacó – uma longa carreira no exterior – diplomata aposentado

(B) Bentinho – Dom Casmurro – se formar em São Paulo – promotor público

(C) O Conselheiro Aires – Dom Casmurro – se formar em São Paulo – diplomata aposentado

(D) Bentinho – Dom Casmurro – uma longa carreira no exterior – promotor público

(E) O Conselheiro Aires – Esaú e Jacó – se formar em São Paulo – promotor público

 19. (UFRGS )Considere as seguintes afirmações sobre Esaú e Jacó, de Machado de Assis.

I – Os comentários e as digressões do narrador são marcados pela ironia e pelo humor, típicos da obra machadiana madura, o que faz contraste e oposição ao tratamento sério dispensado às ambições políticas do casal Batista.

II – Os gêmeos, Pedro e Paulo, estabelecem os polos do romance, entre os quais oscilará a jovem Flora, que é cortejada pelos dois irmãos: o primeiro, a favor do Império e conservador; o segundo, republicano e inovador.

III – Pedro e Paulo tornam-se deputados e atuam em partidos opostos. Antes da morte de Flora, a filha do casal Batista, eles trocam promessas de conciliação e acordo, as quais, para desespero do Conselheiro Aires, são logo rompidas.

Quais estão corretas?

(A) Apenas I.

(B) Apenas II.

(C) Apenas I e III.

(D) Apenas II e III.

(E) I, II e III.

 20. (UNESP )‘Confeitaria do Custódio’. Muita gente certamente lhe não conhecia a casa por outra designação. Um nome, o próprio nome do dono, não tinha significação política ou figuração histórica, ódio nem amor, nada que chamasse a atenção dos dois regimes, e conseguintemente que pusesse em perigo os seus pastéis de Santa Clara, menos ainda a vida do proprietário e dos empregados. Por que é que não adotava esse alvitre? Gastava alguma coisa com a troca de uma palavra por outra, Custódio em vez de Império, mas as revoluções trazem sempre despesas.”

O fragmento, extraído de Esaú e Jacó, narra a desventura de Custódio, dono de uma confeitaria no Rio de Janeiro, que, às vésperas da proclamação da República, mandou fazer uma placa com o nome “Confeitaria do Império” e agora temia desagradar ao novo regime. A ironia com que as dúvidas de Custódio são narradas representa o:

a) desconsolo popular com o fim da monarquia e a queda do imperador, uma personagem política idolatrada.

b) respaldo da sociedade com que a proclamação da República contou e que a transformou numa revolução social.

c) alheamento de parte da sociedade brasileira diante do conteúdo ideológico da mudança política.

d) reconhecimento, pelos cidadãos brasileiros, da ampliação dos direitos de cidadania trazidos pela República.

e) impacto profundo da transformação política no cotidiano da população, que imediatamente apoiou o novo regime.

 21. (UFSC)

Os filhos chegaram tarde, cada um por sua vez, e Pedro mais cedo que Paulo. A melancolia de um ia com a alma da casa, a alegria de outro destoava desta, mas tais eram uma e outra que, apesar da expansão da segunda, não houve repressão nem briga. Ao jantar, falaram pouco. Paulo referia os sucessos amorosamente. Conversara com alguns correligionários e soube do que se passara à noite e de manhã, a marcha e a reunião dos batalhões no campo, as palavras de Ouro Preto ao Marechal Floriano, a resposta deste, a aclamação da República. A família ouvia e perguntava, não discutia, e esta moderação contrastava com a glória de Paulo. O silêncio de Pedro principalmente era como um desafio. Não sabia Paulo que a própria mãe é que o pedira ao irmão com muitos beijos, motivo que em tal momento ia com o aperto do coração do rapaz.ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Ática, 1999, p. 119.

Com base no texto e na leitura integral do romance de Machado de Assis, Esaú e Jacó, publicado pela primeira vez em 1904, é correto afirmar que:

a) Esaú e Jacó vale-se de intertexto com a narrativa bíblica, seja em razão dos nomes dos protagonistas, Pedro e Paulo, assim nomeados em referência aos apóstolos homônimos, seja em virtude dos nomes dos personagens que dão título à obra.

b) o romance de Machado de Assis está situado dentro da escola literária do Realismo brasileiro e possui como pano de fundo a transição do Império para a República, tendo referências explícitas ao contexto histórico da época em que os fatos são narrados.

c) o romance de Machado de Assis ilustra um aspecto fundamental nas histórias literárias sobre irmãos gêmeos, narrativas nas quais cada gêmeo possui uma personalidade diferente, diametralmente oposta, sendo os irmãos frequentemente rivais na disputa por um objeto amoroso.

d) Esaú e Jacó pode ser classificado como um romance histórico, muito embora o formato apresentado seja o de um diário irônico e sagaz de Conselheiro Aires sobre a implantação da República em território brasileiro, projeto considerado pelo narrador como algo impossível dado o passado colonial, retrógrado e agrário do país.

e) em Esaú e Jacó, Machado de Assis pratica uma forma de intertexto ao resgatar personagens presentes em outros de seus consagrados romances, como é o caso de Dom Casmurro e os sujeitos ficcionais Bentinho e Capitu.

f) no romance de Machado de Assis, a libertação dos escravos é um tema político sobre o qual os dois irmãos, Pedro e Paulo, expressam mesma postura ideológica, momento em que se dá uma trégua na rivalidade entre os dois.    Alternativas corretas: A, B e C. 

22. (UFSC) Texto 1

1 “Tendo surpreendido na casa da Rosalina, em plena orgia, o terrível diretor, vexei-o.

(…)

2 Percebi que o espantava muito o dizer-lhe que tivera mãe, que nascera num ambiente familiar e que me educara. Isso, para ele, era extraordinário. O que me parecia extraordinário nas minhas aventuras, ele achava natural; mas ter eu mãe que me ensinasse a comer com o garfo, isso era excepcional. Só atinei com esse seu íntimo pensamento mais tarde. Para ele, como para toda a gente mais ou menos letrada do Brasil, os homens e as mulheres do meu nascimento são todos iguais, mais iguais ainda que os cães de suas chácaras. Os homens são uns malandros, planistas, parlapatões quando aprendem alguma coisa, fósforos dos politicões; as mulheres (a noção aí é mais simples) são naturalmente fêmeas.”

(LIMA BARRETO. “Recordações do escrivão Isaías Caminha”. 10 ed. São Paulo: Ática, 2001. p.157-158.)

Texto 2

“O que a senhora deseja, minha amiga, é chegar já ao capítulo do amor, ou dos amores, que é o seu interesse particular nos livros. Daí a habilidade da pergunta, como se dissesse: ‘Olhe que o senhor ainda nos não mostrou a dama ou damas que têm de ser amadas ou pleiteadas por estes dois jovens inimigos. Já estou cansada de saber que os rapazes não se dão ou se dão mal; é a segunda ou a terceira vez que assisto às blandícias da mãe ou aos seus ralhos amigos. Vamos depressa ao amor, às duas, se não é uma só a pessoa…’

Francamente, eu não gosto de gente que venha adivinhando e compondo um livro que está sendo escrito com método. A insistência da leitora em falar de uma só mulher chega a ser impertinente. Suponha que eles deveras gostem de uma só pessoa; não parecerá que eu conto o que a leitora me lembrou, quando a verdade é que eu apenas escrevo o que sucedeu e pode ser confirmado por dezenas de testemunhas? Não, senhora minha, não pus a pena na mão, à espreita do que me viessem sugerindo. Se quer compor o livro, aqui tem a pena, aqui tem papel, aqui tem um admirador; mas, se quer ler somente, deixe-se estar quieta, vá de linha em linha; dou-lhe que boceje entre dois capítulos, mas espere o resto, tenha confiança no relator destas aventuras.”

(MACHADO DE ASSIS, J.M. “Esaú e Jacó”. 12 ed. São Paulo: Ática, 2001. p. 58-59.)

Considerando os textos, as obras das quais foram extraídos, e seus autores, é CORRETO afirmar que:

(01) “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, obra da qual foi extraído o texto 1, critica a imprensa brasileira dos primeiros anos da República e denuncia a hipocrisia da sociedade de então. O romance “Esaú e Jacó”, ao qual pertence o texto 2, aborda, irônica e criticamente, os acontecimentos históricos da transição do Império para a República.

(02) São comuns a Lima Barreto e Machado de Assis: a citação de episódios das histórias geral e nacional, de personagens conhecidos da Literatura Universal e a menção de autores brasileiros e estrangeiros.

(04) No texto 1, percebe-se que Lima Barreto ironiza a discriminação social e racial que sofriam os que, como ele, eram mulatos. Já no texto 2, Machado de Assis ironiza a leitora formada dentro da concepção romântica.

(08) O texto 2 marca o estilo realista de Machado de Assis, com sua provocação constante ao leitor, para que este participe do que está sendo escrito.

(16) O romance “Esaú e Jacó” possui uma série de referências bíblicas, seja através dos nomes dos personagens, seja por citações diretas de passagens da Bíblia.

(32) “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto, caracteriza-se como uma obra de ambiência urbana do Romantismo, movimento literário de transição, em que se iniciaram as tendências e os temas que se firmariam no Modernismo.

RESPOSTA:01 + 02 + 04 + 08 + 16 = 31

23. (ENEM )

Esaú e Jacó

Ora, aí está justamente a epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr alguma, e não me ocorresse outra. Não é somente um meio de completar as pessoas da narração com as ideias que deixarem, mas ainda um par de Lunetas para que o leitor do livro penetre o que for menos claro ou totalmente escuro.

Por outro lado, há proveito em irem as pessoas da minha história colaborando nela, ajudando o autor, por uma lei de solidariedade, espécie de troca de serviços, entre o enxadrista e os seus trabalhos.

Se aceitas a comparação, distinguirás o rei e a dama, o bispo e o cavalo, sem que o cavalo possa fazer de torre, nem a torre de peão. Há ainda a diferença da cor, branca e preta, mas esta não tira o poder da marcha de cada peça, e afinal umas e outras podem ganhar a partida, e assim vai o mundo.

ASSIS, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1964 (fragmento).

O fragmento do romance Esaú e Jacó mostra como o narrador concebe a leitura de um texto literário. Com base nesse trecho, tal leitura deve levar em conta

a) o leitor como peça fundamental na construção dos sentidos.

b) a luneta como objeto que permite ler melhor.

c) o autor como único criador de significados.

d) o caráter de entretenimento da literatura.

e) a solidariedade de outros autores.

24. (UERJ)O olhar agudo de Machado de Assis capta de forma natural as alterações da dinâmica social – alterações que culminariam na abolição da escravidão, em 1888, e na proclamação da República, no ano seguinte. Um dos melhores retratos que Machado faz daquele momento está nesta página de Esaú e Jacó:

“A capital oferecia ainda aos recém-chegados um espetáculo magnífico. (…) Cascatas de ideias de invenções, de concessões rolavam todos os dias, sonoras e vistosas, para se fazerem contos de réis, centenas de contos, milhares, milhares de milhares, milhares de milhares de milhares de contos de réis.

Todos os papéis, aliás ações, saíam frescos e eternos do prelo. (…) Nasciam as ações a preço alto, mais numerosas que as antigas crias da escravidão, e com dividendos infinitos.”

LUCIANO TRIGO

Adaptado de O viajante imóvel – Machado de Assis e o Rio de Janeiro de seu tempo. Rio de Janeiro: Record, 2001

A denominação da ação econômica empreendida no momento histórico retratado por Machado de Assis e duas de suas principais consequências estão corretamente apresentadas na seguinte alternativa:

(A) Encilhamento – inflação e falência de empresas

(B) Funding-loan – industrialização e desvalorização da moeda

(C) Tarifas Alves Branco – urbanização e concentração de renda

(D) Convênio de Taubaté – endividamento e especulação financeira

25.(ACAFE)  Em relação à obra Esaú e Jacó, de Machado de Assis, marque com V as citações verdadeiras e com F as falsas.

( ) Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”.

( ) ‘Confeitaria do Custódio’. Muita gente certamente lhe não conhecia a casa por outra designação. Um nome, o próprio nome do dono, não tinha significação política ou figuração histórica, ódio nem amor, nada que chamasse a atenção dos dois regimes, e conseguintemente que pusesse em perigo os seus pastéis de

Santa Clara, menos ainda a vida do proprietário e dos empregados. Por que é que não adotava esse alvitre? Gastava alguma coisa com a troca de uma palavra por outra, Custódio em vez de Império, mas as revoluções trazem sempre despesas.

( ) Aires quis aquietar lhe o coração. Nada se mudaria; o regime, sim, era possível, mas também se muda de roupa sem trocar de pele. Comércio é preciso. Os bancos são indispensáveis. No sábado, ou quando muito na segunda-feira, tudo voltaria ao que era na véspera, menos a constituição.

( ) Entre a morte de Quincas Borba e a minha, mediaram os sucessos narrados na primeira parte do livro. O principal deles foi a invenção do emplasto Brás Cubas, que morreu comigo, por causa da moléstia que apanhei.

A sequência correta é:

a)F – V – F – V

b) V – F – V – F

c) F – V – V – F

d )V – F – F – V

(UEL) Leia o texto a seguir e responda às questões de 26 a 28.

Tabuleta nova Referido o que lá fica atrás, Custódio confessou tudo o que perdia no título e na despesa, o mal que lhe trazia a conservação do nome da casa, a impossibilidade de achar outro, um abismo, em suma. Não sabia que buscasse; faltava-lhe invenção e paz de espírito. Se pudesse, liquidava a confeitaria. E afinal que tinha ele com política? Era um simples fabricante e vendedor de doces, estimado, afreguesado, respeitado, e principalmente respeitador da ordem pública … – Mas o que é que há? perguntou Aires. – A república está proclamada. – Já há governo?

– Penso que já; mas diga-me V. Excelência.: ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto … Uma fatalidade! Venha em meu socorro, Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado “Confeitaria do Império”, a tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V. Excia. crê que, se ficar “Império”, venham quebrar-me as vidraças?

– Isso não sei.

– Realmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo …

– Mas pode pôr “Confeitaria da República” …

– Lembrou-me isso, em caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dois meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje, e perco outra vez o dinheiro.

– Tem razão … Sente-se.

– Estou bem. – Sente-se e fume um charuto.

Custódio recusou o charuto, não fumava. Aceitou a cadeira. Estava no gabinete de trabalho, em que algumas curiosidades lhe chamariam a atenção, se não fosse o atordoamento do espírito. Continuou a implorar o socorro do vizinho. S. Excelência., com a grande inteligência que Deus lhe dera, podia salvá-lo. Aires propôs-lhe um meio-termo, um título que iria com ambas as hipóteses, – “Confeitaria do Governo”.

– Tanto serve para um regímen como para outro.

– Não digo que não, e, a não ser a despesa perdida … Há, porém, uma razão contra. V. Excelência. sabe que nenhum governo deixa de ter oposição. As oposições, quando descerem à rua, podem implicar comigo, imaginar que as desafio, e quebrarem-me a tabuleta; entretanto, o que eu procuro é o respeito de todos. (ASSIS, J. M. M. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 251-253.)

26. É correto afirmar que o texto é narrado

a) por Machado de Assis, simpatizante do absolutismo, revelando através do narrador seu descontentamento com a Proclamação da República, dado o fato de ter destituído o imperador.

b) por Custódio, proprietário de uma confeitaria na rua do Catete, que reclama dos gastos que lhe foram impostos pela Proclamação da República, uma vez que deverá pagar duas vezes a pintura da tabuleta.

c) por Conselheiro Aires, diplomata aposentado, que se condói da situação do humilde confeiteiro que, por não saber da situação política do país, acabou sofrendo prejuízos com a pintura da tabuleta de sua confeitaria.

d) em terceira pessoa, atuando o narrador como sintetizador do estado de espírito de Custódio e da intervenção do Conselheiro Aires frente às solicitações do vizinho.

e) em primeira pessoa por um narrador que, irritado com a não participação do povo brasileiro nos acontecimentos políticos do país, cria uma situação ficcional capaz de revelar as consequências da alienação.

27. No diálogo estabelecido entre Custódio e Conselheiro Aires, as palavras proferidas pelo confeiteiro deixam transparecer toda sua ansiedade no que diz respeito

a) à possibilidade de ser preso e perseguido pelo governo.

b) às possíveis manifestações populares a acarretarem insegurança pública.

c) às acusações que lhe foram impostas pelos republicanos.

d) à ausência de participação popular no novo sistema de governo.

e) aos seus prejuízos financeiros resultantes da Proclamação da República.

28..Sobre o texto, considere as afirmativas a seguir:

I.A representação que se faz das mudanças políticas contrapõe uma preocupação individual (Custódio) a uma indiferença coletiva (povo).

II.Conselheiro Aires não se compromete com qualquer sistema de governo, preocupando-se apenas em auxiliar Custódio.

III. O narrador reafirma a tradição de que o novo, sempre desestabilizador, não necessita ser questionado, cabendo ao indivíduo aceitá-lo.

IV. O uso do discurso direto, além de tornar a narrativa dramática, dispensa intervenções do narrador.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e III são corretas.

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas

29. (FUVEST) Ora, aí está justamente e epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr alguma, e não me ocorresse outra. Não é somente um meio de completar as pessoas da narração com as ideias que deixarem, mas ainda um par de lunetas para que o leitor do livro penetre o que for menos claro ou totalmente escuro. Por outro lado, há proveito em irem as pessoas da minha história colaborando nela, ajudando o autor, por uma lei de solidariedade, espécie de troca de serviços, entre o enxadrista e os seus trebelhos(*). Se aceitas a comparação, distinguirás o rei e a dama, o bispo e o cavalo, sem que o cavalo possa fazer de torre, nem a torre de peão. Há ainda a diferença da cor, branca e preta, mas esta não tira o poder da marcha de cada peça, e afinal umas e outras podem ganhar a partida, e assim vai o mundo. (Machado de Assis, Esaú e Jacó)

(*) Trebelhos: peças do jogo de xadrez.

A intervenção direta do narrador no texto cumpre a função de

a) distanciar o leitor da articulação da história, evitando identificação emocional com as personagens.

b) despertar a atenção do leitor para a estrutura da obra, convidando-o a participar da organização da narrativa.

c) levar o leitor a refletir sobre as narrativas tradicionais, cuja sequência lógico-temporal é complexa.

d) sintetizar a sequência dos episódios, para explicar a trama da narração.

e) confundir o leitor, provocando incompreensão da sequência narrativa.

O Auto da Compadecida

AUTO DA COMPADECIDA

Auto da Compadecida.

CHICÓ: – Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho.

JOÃO GRILO: – No dia em que chegou o motor novo do major Antônio Morais o senhor não benzeu?

PADRE: – Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar.

CHICÓ: – Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor.

PADRE: – É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro?

JOÃO GRILO: – É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer motor do major Antônio Morais e outra benzer o cachorro do major Antônio Morais.

PADRE: – (mão em concha no ouvido) Como?

JOÃO GRILO: – Eu disse que uma coisa era o motor e outra o cachorro do major Antônio Morais.

PADRE: – E o dono do cachorro de quem vocês estão falando é Antônio Morais?

JOÃO GRILO: – É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse o Chicó: o padre vai se zangar.

PADRE: – (desfazendo-se em sorrisos) Zangar nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter direitos de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro!

JOÃO GRILO: – (cortante) Quer dizer que benze, não é?

PADRE: – (a Chicó) Você o que é que acha?

CHICÓ: – Eu não acho nada de mais.

PADRE: – Nem eu. Não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de Deus.

(in Suassuna, Ariano – TEATRO MODERNO – AUTO DA COMPADECIDA. 8 ed., Rio: Agir-Instituto Nacional do Livro, 1971, pp. 32-34.)

A espontaneidade dos diálogos, a força poética de seu texto e a capacidade de exprimir o espírito popular de nossa gente fazem com que o escritor Ariano Suassuna (1927) seja reconhecido como um dos principais autores brasileiros contemporâneos. Diz o crítico Sábato Magaldi que a religiosidade de Ariano “pode espantar aos cultores de um catolicismo acomodatício, mas responde às exigências daqueles que se conduzem por uma fé verdadeira”.

1. (UNESP) Com base nesta observação, responda:

a) por que, segundo aquele padre, é fácil benzer um motor?

b) em que sentido o fragmento apresentado encerra uma crítica ácida ao modo como o padre comanda a sua paróquia?

RESPOSTA:

a) Porque, segundo o padre, todo mundo faz isso (e o motor é do major)


b) Os assuntos eclesiásticos ficam subordinados ao poder político e social do major.

2. (UFOP) PALHAÇO “Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre, é um povo salvo e tem direito a certas intimidades.” (SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 19ªed. Rio de Janeiro: Agir, 1983. p.23-24).

A partir da leitura do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, justifique essa fala da personagem Palhaço, enfatizando o vínculo entre sofrimento e salvação. Não se esqueça de mencionar pelo menos um exemplo extraído do texto para embasar seus argumentos

RESPOSTA:  O sofrimento na Terra será recompensado pela felicidade no Céu. Povo que sofre é povo salvo, conforme a crença popular.

3. (UEPB) O Auto, jogo linguístico de origem medieval, peça em que certas atitudes consideradas “pecaminosas” eram “questionadas” através de uma carga de humor, foi incorporado à produção literária brasileira (ou literatura feita no Brasil, como bem fez o padre José de Anchieta com a sua escrita evangelizadora e moralística), de forma que, mesmo distante no tempo e no espaço, este tipo de texto alcança um vasto público, como é o caso de O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Considerando os fragmentos abaixo, marque a alternativa correta:

[…] PADRE

É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor á fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro?

JOÃO GRILO

É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer o motor do major Antônio de Morais e outra é benzer o cachorro do major Antônio de Morais.

[…]

BISPO

Então houve isso? Um cachorro enterrado em latim?

JOÃO GRILO

E então? É proibido?

BISPO

Se é proibido? Deve ser, porque é engraçado demais para não ser. É proibido! É mais do que proibido! Código Canônico, Artigo 1627, parágrafo único, letra k. Padre, o senhor vai ser suspenso

[…]

JOÃO GRILO

É mesmo, é uma vergonha. Um cachorro safado daquele se atreve a deixar três contos para o sacristão, quatro para o padre e seis para o bispo, é demais.

[…]

BISPO É por isso que eu vivo dizendo que os animais também são criaturas de Deus. Que animal interessante! Que sentimento nobre

a)O Auto da Compadecida mantém relação direta com os autos medievais a partir somente do tipo formal de texto – auto – porque o conteúdo a ser desenvolvido neste tipo de literatura varia no tempo e no espaço de forma que um escritor contemporâneo não poderia recuperar nem atualizar esta forma textual.

b) “Os vícios dos homens e da sociedade” são apenas uma forma bem humorada de perceber o mundo, de entreter a razão, de valer o texto por si mesmo, independente de alusão ou denúncia a que faça referência porque o riso, e somente o riso, é o que está em primeiro plano neste tipo de texto.

c) O Auto da Compadecida não faz nenhuma alusão ao teatro de Gil Vicente porque dista deste no tempo e no espaço, logo os “vícios dos homens e da sociedade” não poderiam ser os mesmos. O texto de Ariano Suassuna é apenas uma paródia dos autos medievais.

d) O Auto da Compadecida não tem caráter moralístico porque a literatura de ficção nunca se propôs a discutir aspectos relacionados a contextos socioculturais, uma vez que se volta para o plano estético, desconsiderando qualquer alusão a práticas culturais, a papéis sociais e outros.

e) “Os vícios dos homens e da sociedade estão em todas as peças de Gil Vicente, representados por frades libertinos, magistrados corruptos, mulheres adúlteras […] tipos que proliferam quando as sociedades esquecem os valores éticos e morais” (João Domingues Maia), característica observada na peça de Ariano Suassuna O Auto da Compadecida.

4. (UFRS) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo é a personagem principal que, por ser mais instruída e por não acreditar em religião, sobressai entre as demais.


b) A obra baseia-se em romances e histórias populares do Nordeste, dando expressão tanto à tradição cristã quanto às crenças mais ingênuas do povo.

c) Após a morte das personagens, a figura de Nossa Senhora intervém junto ao seu Filho e pede compaixão pelos pecados cometidos.

d) É um texto teatral de 1955, cuja temática central é a religiosidade brasileira, que serve de inspiração a uma história plena de peripécias.

e) Além da Compadecida e de outras entidades sobrenaturais, o texto põe em cena personagens da terra, como o padre, o bispo e Chicó.

5. (UFES) Cada opção abaixo traz um trecho do texto “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, seguido de um comentário. Assinale a opção em que o comentário esteja em DESACORDO com o trecho.

a) A COMPADECIDA – “É verdade que eles praticaram atos vergonhosos, mas é preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. A carne implica todas essas coisas turvas e mesquinhas.” o personagem demonstra a dimensão da complacência que tem para com os homens.

b) CHICÓ – “Não sei, só sei que foi assim.”: fala recorrente do personagem que conta com frequência histórias inverossímeis.

c) JOÃO GRILO – “Porque… não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado.”: João Grilo, esperto, busca desestabilizar os argumentos do Encourado, por meio de chistes e piadas.

d) MANUEL – “Eu, Jesus, nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter nascido preto. Para mim, tanto faz um branco como um preto. Você pensa que eu sou americano para ter preconceito de raça?”, o personagem revela-se bastante crítico quanto à questão étnica.

e) PALHAÇO, entrando – “Peço desculpas ao distinto público que teve de assistir a essa pequena carnificina, mas ela era necessária ao desenrolar da história. Agora a cena vai mudar um pouco. João, levante-se e ajude a mudar o cenário. Chicó! Chame os outros.”: o Palhaço intervém na trama, podendo dirigir-se tanto à plateia quanto aos personagens.

6. (UFRN) No “Auto da Compadecida” (1956), de Ariano Suassuna, a personagem Chicó reproduz sentenças baseadas na sabedoria popular, como se pode verificar nos exemplos seguintes:

Não sei, só sei que foi assim.

[…] na hora do aperto, dá-se um jeito a tudo.

SUASSUNA, A. “Auto da compadecida”. 34 ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 2001.

Tais sentenças indicam que a personagem

a) apresenta comportamento calculista ao fingir que aceita as leis da religião católica.

b) demonstra seu caráter ingênuo ao resolver situações complicadas de um modo absolutamente inacreditável.

c) apresenta comportamento resignado ao aceitar as dificuldades próprias de uma sociedade desigual.

d) demonstra seu caráter astucioso ao resolver situações complicadas de um modo que chega a parecer inverossímil.

7. (UFRN) Mesmo sob perspectivas diversas, muitas produções literárias brasileiras dialogam com a tradição que particulariza os valores de culturas originadas fora dos grandes centros urbanos. Encontram-se registros dessa tradição nas seguintes obras:

a) “Várias Histórias” (Machado de Assis), “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna) e “Iracema” (José de Alencar).

b) “Auto da Compadecida” (Ariano Suassuna), “Morte e Vida Severina” (João Cabral de Melo Neto) e “Lendas Brasileiras” (Câmara Cascudo).

c) “Morte e Vida Severina” (João Cabral de Melo Neto), “Iracema” (José de Alencar) e “Memórias de um Sargento de Milícias” (Manuel Antônio de Almeida).

d) “Memórias de um Sargento de Milícias” (Manuel Antônio de Almeida), “Lendas Brasileiras” (Câmara Cascudo) e “Várias Histórias” (Machado de Assis).

8.(UFRS) Assinale a alternativa INCORRETA sobre o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo é a personagem principal que, por ser mais instruída e por não acreditar em religião, sobressai entre as demais.

b) A obra baseia-se em romances e histórias populares do Nordeste, dando expressão tanto à tradição cristã quanto às crenças mais ingênuas do povo.

c) Após a morte das personagens, a figura de Nossa Senhora intervém junto ao seu Filho e pede compaixão pelos pecados cometidos.

d) É um texto teatral de 1955, cuja temática central é a religiosidade brasileira, que serve de inspiração a uma história plena de peripécias.

e) Além da Compadecida e de outras entidades sobrenaturais, o texto põe em cena personagens da terra, como o padre, o bispo e Chicó.

9. (UFRS) Assinale a afirmação correta em relação a personagens de “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

a) João Grilo envolve-se na malandragem por solidariedade ao amigo.

b) O padre João é o elo entre os seres terrestres e a Virgem.

c) A mulher do padeiro encarna o adultério.

d) O Filho de Deus é representado pela personagem Encourado, um Cristo negro.

e) Severino Aracaju personifica a passividade e a bondade do sertanejo.

10.(UEPG) Em relação à problemática e à estrutura da peça “O Auto da Compadecida”, assinale o que for correto.

(01) A preocupação maior do autor reside em distanciar-se da estrutura de um auto de moralidade, ao estilo quinhentista português (modelo Gil Vicente).

(02) Os componentes estruturais do texto revelam personagens que simbolizam pecados (maiores ou menores), que recebem o direito ao julgamento, que gozam do livre-arbítrio e que são ou não condenados.

(04) A peça se embasa em determinadas tradições localistas e regionalistas do folclore.

(08) A realidade nordestina está presente, através de seus instrumentos culturais mais significativos, as crenças e a literatura de cordel.

(16) A intenção clara e expressa do texto dramatúrgico em questão é de natureza moral, desvinculada de credo religioso.

RESPOSTA:2 + 4 + 8 = 14

11.(UPE) A respeito da estrutura e do estilo da obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, analise cada uma das afirmações abaixo.

I      II

0      0      Ariano Suassuna escreveu essa comédia, dentre outras fontes, a partir do romance popular anônimo, escrito no Nordeste, sob o título: “História do Cavalo que defecava dinheiro”.

1      1      A personagem Palhaço não participa propriamente do enredo: sua função na peça seria equivalente, numa comparação, à do narrador no romance.

2      2      O forte teor psicológico da personagem João Grilo não nos permite classificá-la como um simples tipo humano. Por isso, a peça de Suassuna se insere no filão das obras psicológicas.

3      3      O que diferencia o texto de Ariano Suassuna da estrutura do romance popular é o fato de tratar-se, no caso do Auto da Compadecida, de uma peça, caracterizada pela apresentação direta das personagens, que realizam, elas mesmas, a ação.

4      4      Com o Auto da Compadecida, Ariano Suassuna faz uma crítica ao catolicismo, usando, para isso, a figura do Bispo, do Frade, do Padre João e da própria Compadecida.

Resposta

  1. I: 0., 1., 3., 4. / II: 2.

Leia o texto abaixo e responda às questões 12 a 14:

João Grilo: Ah isso é comigo. Vou fazer um chamado especial, em verso. Garanto que ela vem, querem ver? (Recitando.)

Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher.

Encourado: Vá vendo a falta de respeito, viu?

João Grilo: Falta de respeito nada, rapaz! Isso é o versinho de Canário Pardo que minha mãe cantava para eu dormir. Isso tem nada de falta de respeito!

Já fui barco, fui navio, mas hoje sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher. Valha-me. Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré.

Cena igual à da aparição de Nosso Senhor, e Nossa Senhora, A compadecida, entra.

Encourado, com raiva surda: Lá vem a compadecida! Mulher em tudo se mete!

João Grilo: Falta de respeito foi isso agora, viu? A senhora se zangou com o verso que eu recitei?

A Compadecida: Não, João, porque eu iria me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de tristeza é o diabo.

João Grilo: É porque esse camarada aí, tudo o que se diz ele enrasca a gente, dizendo que é falta de respeito.

A Compadecida: É máscara dele, João. Como todo fariseu, o diabo é muito apegado às formas exteriores. É um fariseu consumado.

Encourado: Protesto.

Manuel: Eu já sei que você protesta, mas não tenho o que fazer, meu velho. Discordar de minha mãe é que eu não vou.

(…)

(Fonte: Auto da Compadecida. 15 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979.)

12. (UEL) A obra O Auto da Compadecida foi escrita para o teatro:

a) Por João Cabral de Melo Neto e aborda temas recorrentes do Nordeste brasileiro.

b) E seu autor, Ariano Suassuna, aborda o tema da seca que sempre marcou o Nordeste.

c) Pelos autores do Movimento Armorial, abordando temas religiosos e costumes populares.

d) Por Ariano Suassuna, tendo como base romances e histórias populares do Nordeste brasileiro.

e) Por João Cabral de Melo Neto e aborda temas religiosos divulgados pela literatura de cordel.

13. Ao humanizar personagens como Manuel e a Compadecida, o autor pretende:

a) Denunciar o lado negativo do clero, na religião católica.

b) Exaltar o sentimento da justiça divina ao contemplar os simples de coração.

c) Mostrar um sentimento religioso simples e humanizado, mais próximo do povo.

d) Retratar o sentimento religioso do povo nordestino, numa visão iconoclasta.

e) Fazer caricatura com as figuras de Cristo e de Nossa Senhora.

14. Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre a obra, as personagens João Grilo e Chicó identificam-se com:

a) Os bobos da corte da Idade Média.

b) Os palhaços dos circos populares.

c) As figuras de arlequim e pierrô da tradição romântica universal.

d) Tipos humanos autenticamente brasileiros.

e) Figuras lendárias da literatura popular nordestina, semelhantes a Lampião e Padre Cícero.

15.(CEDERJ)“A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto… Nunca vi um gênio com gosto médio. (Ariano Suassuna)

Considerado um dos maiores dramaturgos do Brasil, Ariano Suassuna tem seu nome identificado por sua obra mais conhecida, O Auto da Compadecida, de 1955, e reputada, já em 1962, como um dos textos mais representativos da história do teatro brasileiro. Sobre o papel desse autor e de sua obra, assinale a alternativa correta.

a) A atualização do teatro nacional reuniu valores europeus, num movimento conhecido como “Os discípulos da Compadecida”.

b) A obra de Ariano Suassuna se confunde com a modernização do teatro brasileiro, incorpora e dá especial destaque à chamada cultura popular nordestina.

c) Ariano Suassuna tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras, mas jamais conseguiu projeção nacional, a despeito da divulgação de suas obras.

d) O Auto da Compadecida é, em síntese, uma exaltação dos poderosos e uma crítica aos pobres, identificados como ignorantes e preguiçosos.

16. (UFOP) A respeito do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é incorreto dizer que:

a) incorporando romances e histórias populares do Nordeste brasileiro, é um texto cuja vinculação com os mistérios e moralidades medievais é bastante nítida.

b) tem fortes particularidades de um metateatro, principalmente na construção da personagem Palhaço.

c) apresenta uma longa rubrica inicial, com precisas indicações para o diretor, para o cenógrafo e para o sonoplasta.

d) desprezando a cultura religiosa das personagens que habitam seu cenário, tem um desfecho inverossímil e incompatível com o contexto que representa.

e) é um texto estruturado com excepcional dinamismo, dado que os diálogos são curtos e as ações muito rápidas.

17.Sobre a obra o Auto da Compadecida, é correto afirmar:

I. O texto propõe-se como um auto. Dentro da tradição da cultura de língua portuguesa, o auto é uma modalidade do teatro medieval cujo assunto é basicamente religioso. Assim o entendeu Paula Vicente, filha de Gil Vicente, quando publicou os textos de seu pai, no século XVI, ordenando-os principalmente em termos de autos e farsas.

II. O texto propõe-se como resultado de uma pesquisa sobre a tradição oral dos romanceiros e narrativas nordestinas, fixados ou não em termos de literatura de cordel. Propõe, portanto, um enfoque regionalista ou, pelo menos, organiza um acervo regional com vistas a uma comunicação estética mais trabalhada.

III. A primeira intenção do texto está em moldá-lo dentro de um enquadramento do teatro medieval português ou, mais precisamente, dentro das perspectivas do teatro de Gil de Vicente, que realizou o ideal do teatro medieval um século mais tarde, isso no século XVI, portanto, em pleno Quinhentismo (estilo de época).

a) Apenas I

b) Apenas II

c) Apenas III

d) Apenas I e II

e) Todas estão corretas.

18. (UFOP) Sobre a construção das personagens do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é incorreto afirmar que:

(A) João Grilo, como protagonista, é um herói no sentido mais clássico do termo, uma vez que combina peculiaridades do herói trágico (a grandeza, p. ex.) e do herói épico (a coragem, p. ex.).

(B) o Diabo é uma alegoria que detém uma grande funcionalidade, contrastando vivamente com Manuel e com a Compadecida.

(C) o Padeiro e sua mulher demonstram claramente que o sistema moral da sociedade está totalmente comprometido com o sistema econômico.

(D) a Compadecida, justificando a metonímia com a qual é designada, apresenta-se como a maior e a melhor advogada de João Grilo.

(E) o Padre e o Bispo são verdadeiras caricaturas dos maus sacerdotes, o que justifica os traços fortes com que são compostos.

Texto para as questões 19 e 20

JOÃO GRILO: Como vai a senhora? Já está mais consolada?

MULHER: Como, se além de perder meu cachorro, ainda tive de gastar treze contos para ele se enterrar?

JOÃO GRILO: Está aí, o dinheiro?

MULHER: Está. Entregue ao padre e ao sacristão.

JOÃO GRILO: Um momento. O que é que tem escrito aqui?

MULHER: Sacristão.

JOÃO GRILO: E aqui?

MULHER: Padre.

JOÃO GRILO: Pois por favor, escreva aqui “bispo e padre”.

MULHER: Bispo e padre? Por quê?

JOÃO GRILO: Porque houve aqui um pequeno arranjo e o bispo também teve que entrar no testamento.

MULHER: Que complicação! E se ao menos eu lucrasse alguma coisa… Mas perdi foi meu cachorro.

JOÃO GRILO: Quem não tem cão caça com gato.

MULHER: Hem?

JOÃO GRILO: Quem não tem cão caça com gato e eu arranjei um gato que é uma beleza para a senhora.

MULHER: Um gato?

JOÃO GRILO: Um gato.

MULHER: E é bonito?

JOÃO GRILO: Uma beleza.

MULHER: Ai, João, traga para eu ver! Chega a me dar uma agonia. Traga, João, já estou gostando do bichinho. Gente, não, é povo que não tolero, mas bicho dá gosto.

JOÃO GRILO: Pois então vou buscá-lo.

MULHER: Espere. Sabe do que mais, João? Não vá buscar o gato que isso só me traz aborrecimento e despesa. Não viu o que aconteceu com o cachorro? Terminei tendo que fazer o testamento.

JOÃO GRILO: Ah, mas aquilo é porque foi o cachorro. Com meu gato é diferente…

MULHER: Diferente por quê?

JOÃO GRILO: Porque, em vez de dar despesa, esse gato dá lucro.

MULHER: Fora vaca, cavalo e criação, bicho que dá lucro não existe.

JOÃO GRILO: Não existe, sei não… Eu fico meio encabulado de dizer!

MULHER: Que é isso, João, você está em casa! Diga!

JOÃO GRILO: É que o gato que eu lhe trouxe, descome dinheiro.

MULHER: Descome dinheiro?

JOÃO GRILO: Descome, sim.

MULHER: Essa eu só acredito vendo.

JOÃO GRILO: Pois vai ver. Chicó!

MULHER: Ah, e é história de Chicó? Logo vi.

JOÃO GRILO: Nada de história de Chicó, mas foi ele quem guardou o bicho. Chicó!

CHICÓ, entrando com o gato. Tome seu gato. Eu não tenho nada com isso. João dá-lhe uma cotovelada e apresenta o gato à mulher.

JOÃO GRILO: Está aí o gato.

MULHER: E daí?

JOÃO GRILO: É só tirar o dinheiro.

MULHER: Pois tire.

JOÃO GRILO virando o gato para Chicó, com o rabo levantado. Tire aí, Chicó.

CHICÓ: Eu não, tire você.

JOÃO GRILO: Deixe de luxo, Chicó, em ciência tudo é natural.

CHICÓ: Pois se é natural, tire.

JOÃO GRILO: Então tiro. (Passa a mão no traseiro do gato e tira uma prata de cinco tostões.) Está aí, cinco tostões que o gato lhe dá de presente.

MULHER: Muito obrigada, mas se você não se zanga quero ver de novo.

JOÃO GRILO: De novo?

MULHER: Vi você passar a mão e sair com o dinheiro mas agora quero ver é o parto.

JOÃO GRILO: O parto?

MULHER: Sim, quero ver o dinheiro sair do gato.

JOÃO GRILO: Pois então veja

MULHER, depois da nova retirada.

Nossa Senhora, é mesmo. João, me arranje esse gato pelo amor de Deus.

JOÃO GRILO: Arranjar é fácil, agora, pelo amor de Deus é que não pode ser, porque sai muito barato. Amor de Deus é coisa que eu tenho, dê ou não lhe dê o gato.

MULHER: Quer dizer que não tem jeito de eu arranjar esse gato?

JOÃO GRILO: De modo nenhum, há um jeito e é até fácil.

MULHER: Pois diga qual é, João.

JOÃO GRILO: Deixe eu entrar no testamento do cachorro.

MULHER: Pois você entra. Por quanto vende o gato?

JOÃO GRILO: Um conto, está bom?

MULHER: Esta não, está caro.

JOÃO GRILO: Mas por um gato que descome dinheiro!

MULHER: Já fiz a conta, vou levar dois mil dias só para tirar o preço.

JOÃO GRILO: Mas ele descome mais de uma vez por dia, a senhora não viu?

MULHER: Mas ele pode morrer. Só dou quinhentos e se você não aceitar será demitido da padaria.

JOÃO GRILO: Está certo, fica pelos quinhentos.

MULHER: Tome lá. Passe o gato, Chicó. Meu Deus, que gatinho lindo! Agora a coisa é outra, tenho um filho de novo e vou tirar o prejuízo.

Sai contentíssima.

CHICÓ: João, adeus. Eu vou-me embora.

JOÃO GRILO: Nada disso, tome lá a metade do dinheiro e deixe de ser mole.

CHICÓ: Homem, eu não tenho coragem de continuar sempre, é melhor fugir logo, enquanto tudo está em paz.

JOÃO GRILO: Não adianta, Chicó, você já entrou na história e agora é tarde porque a mulher descobre já.

Quantas pratas você conseguiu meter?

CHICÓ: Três!

JOÃO GRILO: Então o negócio estoura já. (Ariano Suassuna – Auto da Compadecida)

19. Coloque V para verdadeiro e F para falso nos parênteses abaixo:

(   ) O livro Auto da Compadecida apresenta uma história muito engraçada que se passa no nordeste brasileiro.

(  ) O filme O auto da Compadecida apresenta cenas diferentes das que estão no livro “Auto da Compadecida”.

(    ) O autor Ariano Suassuna era formado em Engenharia civil.

(    ) No livro, a história é apresentada por um palhaço.

(    ) No julgamento final, João Grilo é o único que não vai para o inferno. Todos os outros personagens são levados pelo diabo.

V V F V F

20.Releia o trecho  abaixo e assinale a única alternativa CORRETA:

JOÃO GRILO: Então tiro. (Passa a mão no traseiro do gato e tira uma prata de cinco tostões.) Está aí, cinco tostões que o gato lhe dá de presente.

a) O trecho destacado indica voz do narrador do texto. 

b) O sinal de travessão foi usado para indicar um comentário feito por Chicó.

c) O texto destacado expressa o quanto João Grilo gostava do gato.

d) O trecho destacado indica a voz de Ariano Suassuna. 

e) O texto entre parênteses indica um esclarecimento para o leitor, feito por João Grilo. 

21. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Chicó – 3 Por que essa raiva dela? João Grilo – Ó homem sem vergonha! Você inda pergunta? 5 Está esquecido de que ela o deixou? Está esquecido da exploração que eles fazem conosco naquela padaria do inferno? Pensam que são o cão só porque enriqueceram, mas 4 um dia hão de pagar. E a raiva que eu tenho é 3 porque quando estava doente, me acabando em cima de uma cama, via passar o prato de comida 6 que ela mandava para o cachorro. Até carne passada na manteiga tinha. Para mim nada, João Grilo 6 que se danasse. Um dia eu me vingo. Chicó – João, 1 deixe de ser vingativo que 2 você se desgraça. Qualquer dia você inda se mete numa embrulhada séria. Ariano Suassuna, Auto da Compadecida 3. (Mackenzie) Considere as seguintes afirmações.

I. O texto de Ariano Suassuna recupera aspectos da tradição dramática medieval, afastando-se, portanto, da estética clássica de origem greco-romana.

II. palavra Auto, no título do texto, por si só sugere que se trata de peça teatral de tradição popular, aspecto confirmado pela caracterização das personagens.

III. O teor crítico da fala da personagem, entre outros aspectos, remete ao teatro humanista de Gil Vicente, autor de vários autos, como, por exemplo, o Auto da barca do inferno.

Assinale:

a) se todas estiverem corretas.

b) se apenas I e II estiverem corretas.

c) se apenas II estiver correta.

d) se apenas II e III estiverem corretas.

e) se todas estiverem incorretas.

22. (UFPB) Sobre a obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, identifique a(s) proposição(ões) verdadeira(s):

01. O autor, embora faça críticas à Igreja Católica, apresenta alguns valores cristãos como a misericórdia, o perdão e a salvação.

02. A peça é dividida em três atos, marcados pela mudança total de cenário e de personagens.

04. Os personagens divinos Manoel (Jesus) e a Compadecida (Nossa Senhora) expressam, em suas falas, sentimentos do ser humano: alegria, medo, dúvida.

08. Todos os representantes da Igreja Católica (Padre, Sacristão, Bispo e Frade) são mortos pelo cangaceiro Severino e condenados ao purgatório.

16.A Compadecida, no momento do julgamento, justifica os atos vergonhosos praticados pelos personagens, em função da triste condição do homem, “feito de carne e de sangue”.

A soma dos valores atribuídos à(s) proposição(ões) verdadeira(s) é igual a: 21

 23. (UEPG) Sobre o final das obras Auto da Compadecida e O mestre e o herói é correto afirmar:

01) O palhaço, aquele que inicia a peça, é quem encerra o último ato, pedindo aplausos à plateia.

02) O pai do herói viaja ao encontro do filho e do antigo amigo, apresentando na ocasião sua atual mulher.

04) Chicó promete dar todo o dinheiro que tem, se João Grilo não morresse, mas eles encontram um jeito de quebrar a promessa.

08) O herói volta da viagem de autoconhecimento e amadurecimento que faz com o mestre e ganha de seu novo amigo o canivete, objeto já confessado como peça de estimação.

SOMA: 01+08= 09

24.(UEPG) A classificação dos gêneros literários foi proposta, na antiguidade clássica, pelo filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.). É correto afirmar que as obras O mestre e o herói, Auto da Compadecida, Bagagem, Dom Casmurro e As meninas são classificadas como: 01) O livro O mestre e o herói é classificado como pertencente ao gênero épico por ser um romance, que, neste caso, apresenta 22 capítulos curtos e nomeados.

02) A obra Auto da Compadecida é classificada como pertencente ao gênero dramático por ser um teatro e está composta em 3 atos.

04) O livro Bagagem é classificado como pertencente ao gênero lírico, e está dividido em 5 partes com um total de 113 poesias.

08) A obra Dom Casmurro é classificada como pertencente ao gênero épico por ser um romance, que, neste caso, apresenta 148 capítulos nomeados e curtos. Mesma classificação cabe ao romance As meninas que apresenta 12 capítulos longos e sem nomes.

SOMA: 01+02+04+08= 15

25. (UEPG)  Assinale o que é correto afirmar sobre as obras As meninas, Auto da Compadecida, Dom Casmurro e O mestre e o herói:

01)Em As meninas, irmã Bula é vista como suspeita de escrever cartas anônimas para Madre Alix, fazendo denúncias acerca de eventos ocorridos no quarto de Lorena e com as suas amigas.

02) Em Auto da Compadecida, o frade não é assassinado e o motivo dado para isso é que Severino diz não gostar de matar frade porque dá azar.

04) Em Dom Casmurro, Bento Santiago, abandona a vida de padre, após descobrir que Capitu, seu amor desde a infância, casara-se com um de seus amigos de seminário, Escobar.

08) Em O mestre e o herói, o mestre é na verdade um empresário que abandonou o budismo para viver, longe dos mosteiros, uma vida simples em sua fazenda, local reservado para fazer um trabalho terapêutico com os que por ali passam ou são recomendados a conhecer.

SOMA: 01+02= 03

PALHAÇO: “Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre e tem direito a certas intimidades.”. Fonte: Auto da Compadecida. 15 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979. 16.

26. Em o Auto da Compadecida, há a presença da personagem Palhaço, que, de certa forma, narra a história que será dramatizada, indicando a ação das demais personagens, bem como o cenário. Segundo Ariano Suassuna, ele quis ser representado na peça pelo palhaço. A partir disso, e do fragmento apresentado acima, assinale a alternativa que contenha a justificativa mais coerente acerca da presença desta personagem no interior da história.

a) Por se tratar de uma personagem cômica, que não é levada, em geral, a sério, o autor, assim, ganharia mais possibilidades de falar de temas polêmicos.

b) Ao escolher a personagem Palhaço, Ariano Suassuna desejava dizer a todos o quanto ele é engraçado.

c) O palhaço é símbolo da alegria, embora seja uma tragédia, o Auto da Compadecida faz com que todos riam.

d) A personagem Palhaço foi escolhida para rememorar os grandes palhaços dos circos que Ariano Suassuna frequentava quando criança.

e) Ariano Suassuna, ao escolher o palhaço como narrador de sua peça, traz um elemento da cultura popular para evidenciar seu amor à cultura brasileira.

27. (UEPG)  Sobre o enredo de Auto da Compadecida e de O mestre e o herói, é correto afirmar: 01) Ideias como um animal que defecava dinheiro e um julgamento celeste, cujo desfecho era alterado pela intervenção da mãe de Jesus, chamada de Compadecida, foram aproveitadas de folhetos de cordel e histórias populares e orais que Ariano Suassuna já conhecia. 02) Após uma passeio e mergulho, cujo ar fora cortado propositalmente pelo mestre, ao girar o pino do cilindro, o herói, antes assustado e emburrado, encontra-se na praia com a menina que escreve “boba” na areia e a ele declara o que sente. 04) “João Grilo: […]… lembrem-se de dizer, em vez ‘agora e na hora de nossa morte’, ‘agora na hora de nossa morte’, porque do jeito que nós estamos, está tudo misturado. Todos: Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora na hora de nossa morte. Amém.”. No trecho em questão, o personagem João Grilo sugere a modificação na oração, pois todos com quem falava já estavam mortos. 08) Após, lavarem suas roupas, o herói tem a oportunidade de descobrir qual o tesouro que o mestre guarda em sua sacola, no entanto, para sua surpresa, só havia livros.

SOMA:  01+02+04+08= 15

28.(UFPE) Sobre o teatro brasileiro contemporâneo, examinemos três autores, em relação a algumas de suas obras e características. 

( ) João Cabral de Melo Neto tem como obra mais conhecida o auto de Natal, “Morte e Vida Severina”, narrando a trajetória de um sertanejo que abandona o agreste, rumo ao litoral. Ele encontra, nesta migração, somente morte.

( ) O auto de João Cabral, cujo título denuncia a influência do teatro medieval, foi levado à cena com música de Chico Buarque. Está dividido em duas partes: a viagem para o litoral e a chegada ao Recife, onde o protagonista, Severino, encontra o mestre carpina José.

( ) João Cabral também escreveu “Auto do Frade”, uma peça sobre frei Caneca, considerado herói de revoluções libertárias.

( ) Ariano Suassuna foi buscar nas fontes populares o motivo de sua dramaturgia. A sua peça mais famosa é também um auto, “Auto da Compadecida”, que tem a dimensão de uma farsa, apresenta personagens burlescos e ambiente circense.

( ) Dias Gomes, autor de “O Pagador de Promessas”, “O Bem Amado” e “O Santo Inquérito”, utiliza em suas obras um tom dramático e nacionalista; não concede espaço a tipos caricaturais nem a temas de denúncia social.

RESPOSTA:V V V V F

29.Sobre o filme “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso:

a – (    ) o filme aborda aspectos culturais e religiosos do nordeste Brasileiro

b – (    ) O enredo se desenvolve com ambientação no sertão nordestino:

c – (    ) O nome dos dois personagens principais é João Grilo e Chicó

d – (    ) Os personagens principais são muito pobres e sobrevivem de pequenos negócios e saques enquanto vagam pelo sertão.

e – (    ) Em um desses golpes, eles se envolvem com Severino de Aracaju, um temido cangaceiro, que os persegue pela região. 

Agora marque a alternativa correta

a) V,V,F,F,V

b) F,F,V,F,F

c) V,V,V,V,V

d) F,F,F,F,V

e) F,F,F,F,F

30.As questões a seguir são referentes ao livro Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna: Ariano Suassuna, autor de O auto da Compadecida, em diversas conferências que realizou, falou acerca da existência de dois “Brasis”. Segundo ele, Machado de Assis dizia que no Brasil existem dois países, o oficial e o real. Para Machado, “o país real é bom, revela os melhores instintos. Mas o país oficial é caricato e burlesco”. Em outras palavras, o país oficial é o país dos privilegiados, que têm acesso à cultura e ao dinheiro, já o país real é daqueles que mais sofrem e trabalham. A partir da definição de Brasil oficial e Brasil real, de Ariano Suassuna, assinale a alternativa que contenha, respectivamente, a personagem que no Auto da Compadecida é representante do primeiro Brasil e qual é representante do segundo:

a) Coronel Antônio de Moraes e o Bispo.

b) João Grilo e Chicó.

c) Coronel Antônio de Moraes e João Grilo.

d) Mulher do Padeiro e Encourado.

e) Severino e Palhaço.

31. É o fragmento do Auto da Compadecida que melhor descreve a personagem João Grilo:

a) “Enganava o marido com todo o mundo”.

b) “Ele está de um jeito que não respeita mais ninguém e com mania de benzer tudo”.

c) “Antes de morrer, olhava para a torre da igreja toda vez que o sino batia”.

d) “Negociou com o cargo, aprovando o enterro de um cachorro em latim, porque o dono lhe deu seis contos”.

e) “Um canalhinha amarelo que mora aqui e trabalha na padaria”.

“BISPO. Quanto ao senhor, senhor João Grilo, vai ver agora o que é administrar. O senhor vai se arrepender de suas brincadeiras, jogando a Igreja contra Antônio Morais.

JOÃO GRILO. É mesmo, é uma vergonha. Um cachorro. Quatro para o padre e seis para o bispo, é demais.

BISPO, mão em concha no ouvido. Como?

JOÃO GRILO. Ah! E o senhor não sabe da história do testamento ainda não?

BISPO. Do testamento? Que testamento?

CHICÓ. O testamento do cachorro.

BISPO. Testamento do cachorro?

PADRE, animando-se. Sim. O cachorro tinha um testamento. Maluquice de sua dona. Deixou três contos de réis para o sacristão, quatro para a paróquia e seis para a diocese.

BISPO. É por isso que eu vivo dizendo que os animais também são criaturas de Deus. Que animal interessante! Que sentimento nobre!

PADRE, arriscando. Para atender à vontade da dona, deixei que o sacristão  acompanhasse o … “

32.O excerto  acima pertence a O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Considere as afirmações abaixo a respeito dessa obra:

I-Estão presentes nessa obra diversos artifícios propiciadores do riso. Entre esses avulta a quebra de hierarquia social e religiosa; a subversão de valores e a presença do absurdo e do ridículo. .

II – O Diabo, uma das personagens do texto, por nunca ter sido homem, entende bem o que é o medo da fome, do sofrimento, da solidão e da morte.

III – Há dois julgamentos: o primeiro é feito pelo Encourado (Diabo) e o segundo, por Manuel ( Jesus Cristo).

IV-Um dos pontos importantes é o fato de, ao lado dos dois bons padres, ser colocado um mau, e a peça inicia e termina com a fala da mesma personagem, ou seja, com a fala de A Compadecida ( Nossa Senhora).

V- O Palhaço, encerrando a história da Compadecida, diz estas palavras: “E se não há quem queira pagar, peço pelo menos uma recompensa que custa nada e é sempre eficiente: seu aplauso.”

São verdadeiras:

a.(  ) I, II e III         

b.( ) I, III e IV        

c) I, III e V        

d.( ) III  e  IV.  

e.(  ) II, IV e V

33. A respeito d obra Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, são feitas três afirmativas:

I – Alaíde, Madame Clessi, Pedro e Lúcia são as principais personagens da obra em questão.  

II -O autor utiliza, no texto, expressões por vezes rudes e outras pitorescas, caracterizando

urna linguagem de certa forma, grosseira, representativa das personagens e do ambiente

retratados.

III – Pode-se dizer que a obra apresenta um sentido moralizante expresso através de uma

visão cristã da vida, denotadora da simplicidade do espírito popular.

Está(ão) correta(s):

a) Apenas a I.                                

d) Apenas a I e a II.

c) Apenas a II e a III.                     

d) Todas as alternativas.

e) Apenas a I e a III.

João Grilo

Mas Chicó, e o rio São Francisco?

Chicó

Só podia estar seco nesse tempo, porque não me lembro quando passei… E nesse tempo todo o cavalo ali comigo, sem reclamar nada!

 […]

Palhaço

[…] nas cenas seguintes, dois demônios vestidos de vaqueiro, pois isso decorre de uma crença comum no sertão do Nordeste SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014, p. 23 e 117

34. (UFSC) Sobre o Nordeste brasileiro, é correto afirmar que:

01. no sertão, principal cenário da obra de Suassuna, o tipo climático predominante é o tropical alternadamente seco e úmido.

02. considerando as informações contidas no texto acima, há trechos em que o rio São Francisco é considerado intermitente.

04. no final de 2015, o rompimento de barragens contendo resíduos de mineração resultou na contaminação do rio São Francisco em vários trechos, comprometendo inclusive a pesca artesanal e o abastecimento de água potável.

08. a Caatinga, principal bioma do sertão nordestino, ainda carece de marcos regulatórios e de ações e investimentos em sua conservação e uso sustentável.

16. afloramentos rochosos são uma característica comum das áreas mais altas da Caatinga; esses afloramentos e os solos pouco profundos formam as condições ideais para as cactáceas. 32. as formações de planícies que dominam o sertão nordestino são compostas de argilito metamorfoseado de rochas quartzíticas consolidadas na era Cenozoica.

SOM A:  02+ 08+16 = 26

35.(UFMA) Auto da Compadecida, de autoria de Ariano Suassuna, apresenta, em sua estrutura, uma divisão da peça em dois cenários, haja vista o desenrolar da história. Pode-se afirmar que essa forma de composição se deve à:

a) presença de romances e histórias populares do Nordeste, nas quais o autor se baseou para a construção da peça.

b) intervenção do palhaço, que funciona como porta-voz dos personagens João Grilo e Chicó.

c) característica do teatro moderno, construído sob o alicerce da composição das cenas em cenários diferentes.

d) intromissão do narrador que prepara o leitor para as cenas seguintes, sobretudo para o julgamento final.

e) necessidade, inicialmente, de compor o perfil imoral dos personagens e, num segundo momento, o seu julgamento perante o juízo final.

36.(UNEMAT) Sobre o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, assinale o único elemento que se encontra na famosa cena do julgamento.

  1. Sentido moralizante, a partir da perspectiva cristã de cunho popular.
  2. Densa discussão teológica.
  3. Dessacralização de dogmas da religião católica.
  4. Ausência do elemento caricatural nas ações das personagens.
  5. Preconceito racial.

37.(UNEMAT) Sabato Magaldi (2004) afirma que Ariano Suassuna aproxima-se de uma visão do mundo contemporâneo, que introduz o  Auto da Compadecida como o texto mais popular do Modernismo brasileiro.

Neste sentido, assinale a alternativa incorreta.

a) A matéria textual é o folclore. 

b) A figura do malandro apresenta esperteza, certo amoralismo e desejo de vingança.

c) O primitivismo e a ingenuidade são deliberados, juntamente com um tom primário.

d) A função de João Grilo limita-se a intriga teatral, pois não domina o seu destino.

e) A história constrói-se com vários interlocutores.

 

O Santo e a Porca

santo-e-a-porca

1.(Ueg)  A peça teatral “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, tem como referência histórica a Primeira República – período caracterizado por fenômenos socioculturais como cangaço e fervor religioso. Analise a relação do governo republicano com esses fenômenos.

RESPOSTA: O governo republicano brasileiro tratou esses dois fenômenos de maneira diversa. No caso do cangaço, apesar de muitas vezes ser combatido no âmbito local, foi também utilizado pelo governo, como no caso do grupo liderado por Lampião, para fazer frente à Coluna Prestes. No caso dos movimentos religiosos populares, principalmente de caráter messiânico, ocorridos na Primeira República, o governo brasileiro tratou de forma repressiva, como pode ser notado no caso do movimento de Canudos, no interior da Bahia e Contestado, em Santa Catarina.  

 2. Sobre a peça O santo e a Porca, de Ariano Suassuna, é incorreto afirmar:

a) O Santo e a Porca é uma peça que, aparentemente, trata de um tema simples, que é a avareza, em tom de humor por ser uma comédia.

b) A peça não contribui para a reflexão e divulgação da cultura nordestina.

c) As personagens estão intimamente ligadas ao enredo e vice-versa. Essas são as duas forças principais que regem um texto dramático.

d) Na apresentação de sua peça O Santo e a Porca (1957), Ariano Suassuna subintitula-a de “Imitação Nordestina de Plauto”, referindo-se à Aulularia, do autor latino Plauto.

e) O texto promove uma reflexão sobre a relação do ser humano com o mundo físico (representado pela porca) e o espiritual (representado por Santo Antônio).

3. (UFPR) Leia o texto a seguir.

EURICÃO: Você não está entendendo nada! E como ficaria eu? Você casa com Dodô, Benona com Eudoro, Caroba com Pinhão. Não vê que eu fico só? No meio disso tudo, com quem casaria eu?

CAROBA: Com a porca. E, se ela não serve mais, com Santo Antônio!

EURICÃO: Estão me ouvindo? É a voz da sabedoria, da justiça popular. Tomem seus destinos, eu quero ficar só. Aqui hei de ficar até tomar uma decisão. Mas agora sei novamente que posso morrer, estou novamente colocado diante da morte e de todos os absurdos, nesta terra a que cheguei como estrangeiro e como estrangeiro vou deixar. Mas minha condição não é pior nem melhor do que a de vocês. Se isso aconteceu comigo pode acontecer com todos, e se aconteceu uma vez pode acontecer a qualquer instante. Um golpe do acaso abriu meus olhos, vocês continuam cegos! Agora vão, quero ficar só!

(SUASSUNA, Ariano. “O santo e a porca”. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003.)

Esse trecho é de “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, e mostra Euricão quando, já ao final da peça, descobre que todo o dinheiro que guardou em sua porca de madeira não valia mais nada por causa das mudanças de moeda. Sobre o texto, é correto afirmar.

(01) Ao falar em “voz da sabedoria” e em “justiça popular”, a personagem reflete uma das referências principais da peça, que une um enredo recorrente na história da literatura ocidental a situações de uma comédia de costumes centrada em valores e figuras da cultura regional.

(02) Os tratos e destratos feitos com Santo Antônio são um bom exemplo da praticidade da religiosidade popular, e as negociações com o santo de devoção criam espaço na peça para muito do seu resultado cômico e crítico.

(04) Coerentemente com o regionalismo brasileiro, a peça valoriza a transformação e modernização dos costumes; daí o papel de Caroba e seu esforço para modificar a vida das outras personagens.

(08) Apesar do tema humorístico, das cenas rápidas, da celeridade dos quiproquós, há, no fundo temático, um conflito entre os bens materiais e os espirituais, encarnado na figura de Euricão.

(16) Euricão é uma personagem-tipo da literatura: ele tem uma característica principal, a avareza, e é sobre essa característica que toda sua ação na peça se sustenta.

SOMA: 01 + 02 + 08 + 16 = 27

4. (UFPR) No início de “O santo e a porca”, de Ariano Suassuna, o protagonista Euricão recebe uma correspondência de Eudoro Vicente. Considere as seguintes palavras da carta: “Mando na frente meu criado Pinhão, homem de toda confiança, para avisá-lo de minha chegada aí, mas quero logo avisá-lo: pretendo privá-lo de seu mais precioso tesouro!”.

Assinale a alternativa que interpreta corretamente os desdobramentos desse episódio.

a) Apresentado como homem de toda confiança, Pinhão decepcionou seu patrão ao envolver-se com Margarida, a filha de Euricão.

b) A presença das personagens Pinhão e Caroba é estratégica para multiplicar as situações cômicas, mas não é decisiva para a solução dos eventos representados.

c) A perda do tesouro guardado na porca denuncia as carências do sertão nordestino, pois o velho avarento não teria como recorrer aos serviços de algum banco ou instituição financeira.

d) Os vários disfarces que movimentam a ação da peça são arranjos de Euricão para proteger seu tesouro da cobiça das demais personagens.

e) Euricão atribuiu sentido literal à expressão “seu mais precioso tesouro”, empregada por Eudoro Vicente em sentido metafórico.

5. (UFSC) Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S) com relação às obras “Bagagem”, de Adélia Prado e “O Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna.

(01) Em “Bagagem”, a autora explora temas do cotidiano e, em muitos de seus poemas, homenageia autores como Carlos Drummond de Andrade, utilizando, principalmente, a intertextualidade.

(02) Apesar de tratar de temas que envolvem o cotidiano, Adélia Prado, em “Bagagem”, preferiu não abordar a religião, pois, segundo ela, “cada um tem o direito de acreditar no que quiser”.

(04) Em “O Santo e a Porca”, o autor retrata de modo cômico e satírico as atitudes do velho Euricão, para quem a filha Margarida era o único tesouro.

(08) A trama de Suassuna tem início a partir do momento em que Euricão recebe uma carta de Eudoro pedindo permissão para que Margarida se case com Dodó.

(16) Em “O Santo e a Porca”, a personagem Margarida vive, às escondidas, um romance com Dodó que, utilizando um disfarce, se passa por guardião da moça.

(32) Adélia Prado, como maior representante da poética dos anos 40, na Segunda Fase Modernista, apresenta em sua obra, quanto à forma, preocupação com a métrica e a rima; e quanto à temática, referência à realidade de modo vago e impreciso.

SOMA: 1 + 16 = 17

PINHÃO Sai ao mesmo tempo que BENONA entra.

BENONA: Eurico, Eudoro Vicente está lá fora e quer falar com você.

EURICÃO: Benona, minha irmã, eu sei que ele está lá fora, mas não quero falar com ele.

BENONA: Mas Eurico, nós lhe devemos certas atenções.

EURICÃO: Você, que foi noiva dele. Eu, não!

BENONA: Isso são coisas passadas.

EURICÃO: Passadas para você, mas o prejuízo foi meu. Esperava que Eudoro, com todo aquele dinheiro, se tornasse meu cunhado. Era uma boca a menos e um patrimônio a mais. E o peste me traiu. Agora, parece que ouviu dizer que eu tenho um tesouro. E vem louco atrás dele, sedento, atacado de verdadeira hidrofobia. Vive farejando ouro, como um cachorro da molest’a, como um urubu, atrás do sangue dos outros. Mas ele está enganado. Santo Antônio há de proteger minha pobreza e minha devoção.

SUASSUNA, A. O santo e a porca, Rio de Janeiro: José Olympio, 2013 (fragmento)

6. Nesse texto teatral, o emprego das expressões “o peste” e “cachorro da molest’a” contribui para

a)marcar a classe social das personagens.

b) caracterizar usos linguísticos de uma região.

c) enfatizar a relação familiar entre as personagens.

d) sinalizar a influência do gênero nas escolhas vocabulares.

e) demonstrar o tom autoritário da fala de uma das personagens.

7.(UFSC) Acerca da peça O santo e a porca, de Ariano Suassuna, é CORRETO afirmar que:

01. o personagem Pinhão, representado como um tipo comum do interior do Nordeste brasileiro, mostra-se moldado pela sabedoria popular ao resumir situações por meio de ditados.

02. a personagem Caroba é caracterizada como uma figura feminina tipicamente submissa ao jugo masculino, o que bem representa os efeitos de uma cultura machista.

04. o bordão pronunciado por Euricão Engole-Cobra – “Ai a crise, ai a carestia!” – reforça a característica cômica desse personagem avarento.

08. a comédia de Ariano Suassuna pretende denunciar o caráter dos sovinas como algo ridículo e, por meio do riso, educar moralmente o público.

16. Santo Antônio é evocado como protetor dos pobres, como aquele que ajuda a encontrar os objetos perdidos, mas, sobretudo, como interventor direto das uniões matrimoniais, ao final da peça.

32. o personagem Euricão Engole-Cobra acaba solitário e pobre ao final da peça porque essa seria a justiça poética do destino contra a presença dos imigrantes árabes na Região Nordeste.

SOMA:  01 – 04 – 08 = 13

TEXTO PARA A QUESTÃO 08 E 09.

EURICÃO – Caroba! Olhe a caranguejeira!

CAROBA – Ai! Esta casa está cheia de bichos, Seu Euricão!

PINHÃO – Sabe por que é isso, Seu Euricão? São essas velharias que o senhor guarda aqui. Só essa porca já tem mais de duzentos anos.

CAROBA – Por que o senhor não joga isso fora? Outro dia eu e Dona Margarida quisemos fazer uma surpresa ao senhor. A gente ia jogar fora essa porca velha e comprar uma nova para lhe dar.

EURICÃO – (Arriando numa cadeira.) Ai, ai! Miseráveis, miseráveis, assassinas, bandidas! Logo minha porquinha que herdei de meu avô! Toque nela e quem vai embora é você, está ouvindo, assassina? Sou louco por essa porca! Ai Santo Antônio, querem me roubar, me assassinar, e ainda por cima comprar uma porca nova que deve custar uma fortuna! Ladrões, ladrões! Ai a crise, ai a carestia! Santo Antônio, Santo Antônio!

CAROBA – Está certo, Seu Euricão, está certo! Diabo duma agonia danada! Deixe a porca de lado, ninguém toca mais nela! Que é que vale uma porca? O negócio agora é evitar a facada que o tal do Eudoro vem lhe dar.

EURICÃO – A facada?

CAROBA – E então? O senhor vai ver se não é! Pinhão me contou como ele faz. Chega cheio de delicadezas. A essa hora, já se informou de sua devoção por Santo Antônio. Ele chega e faz que é devoto do mesmo santo. Elogia o senhor, elogia sua filha, pergunta como vão os negócios, todo amável, e vai amolando a faca. (À medida que fala, vai evocando a cena imaginária com gestos significativos e cortantes.) SUASSUNA, Ariano. O santo e a porca. 30ª. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015. pp. 50 e 51.

8. (UDESC)  Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto .

I.Em “Caroba! Olhe a caranguejeira” o termo destacado é, na morfossintaxe, substantivo e vocativo.

II. Nos períodos “Olhe a caranguejeira” e “Deixe a porca de lado, ninguém toca mais nela” tem-se a função apelativa da linguagem.

III. A locução verbal “vai amolando”, constituída por um verbo auxiliar e uma forma nominal, no texto, expressa ação progressiva.

IV. Infere-se da leitura da obra, na fala das personagens, alguns temas implícitos, tais como: desejar melhorar de vida, a solidão e o vazio existencial.

V. Na oração “Que é que vale uma porca”, a expressão destacada pode ser retirada, por ser uma partícula expletiva e, ainda assim, mantém-se o sentido e a coerência textual. Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas II, III, IV e V são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras.

e)Todas as afirmativas são verdadeiras.

9.(UDESC) Assinale a alternativa correta em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto 

a)Da leitura de “Sou louco por essa porca” infere-se que Euricão gostava da porca unicamente porque ele prezava as relíquias da família, as quais cultivava com esmero.

b) Em “Pinhão me contou como ele faz” a palavra destacada indica circunstância de tempo.

c) Em relação à oração “Por que o senhor não joga isso fora?” , passando-se a expressão destacada para o final da oração tem-se O senhor não joga isso fora por quê?

d) Da leitura da obra, infere-se que Margarida, filha de Euricão, também amava Eudoro.

e)No período “Toque nela e quem vai embora é você” , flexionando-se o verbo destacado na segunda pessoa do singular tem-se Tocai nela e quem vai embora sois vós

 TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 10 A 11. 

EURICÃO – Ai, gritaram “Pega o ladrão!”. Quem foi? Onde está? Pega, pega! Santo Antônio, Santo Antônio, que diabo de proteção é essa? Ouvi gritar “Pega o ladrão!”. Ai, a porca, ai meu sangue, ai minha vida, ai minha porquinha do coração! Levaram, roubaram!

Ai, não, está lá, graças a Deus! Que terá havido, minha Nossa Senhora? Terão desconfiado porque tirei a porca do lugar? Deve ter sido isso, desconfiaram e começaram a rondar para furtá-la! É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos, assim ninguém lhe dará importância! Ou não? Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a para aqui, sob sua proteção? Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças! É melhor trazê-la. Com a capa, porque alguém pode aparecer. Santo Antônio, faça com que não apareça ninguém! Não deixe ninguém entrar aqui. Vou buscar minha porquinha, mas não quero ninguém aqui.

SUASSUNA Ariano. O santo e a porca. 30a ed. José Olympio. RJ 2015, pp.97 e 98.

10. Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto.

I.Na peça, Ariano Suassuna procura passar uma visão satirizada entre o sagrado e o profano na cultura do sertanejo nordestino.

II. Da leitura da peça, percebe-se que no momento em que Caroba esconde o dinheiro dentro de um santo de pau-oco – Santo Antônio, Ariano Suassuna traz uma visão acerca da história do Brasil, de como procediam os traficantes de ouro, durante o auge da mineração.

III. A peça encerra com um final feliz de todas as personagens com seus pares, exceto o protagonista, Euricão, que acaba sozinho, fazendo uma reflexão sobre o significado da existência.

IV. A leitura da peça leva o leitor a inferir que, embora seja uma obra do período Modernista, o fato de a personagem Euricão viver a dualidade entre o divino e o material, há uma referência à estética barroca, pois alude ao homem sempre dividido entre o mundo espiritual e o material.

V. A obra reflete a carência do sertão nordestino quando a personagem Euricão depara-se pobre, pois o dinheiro, agora sem valor algum, fora guardado na porca devido à inexistência de alguma agência bancária ou instituição financeira, na região.

(UDESC) Assinale a alternativa correta.

a)Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

11. (UDESC) Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto.

I.Da leitura da oração “Que terá havido, minha Nossa Senhora?” , deduz-se que Euricão duvida da proteção da Santa à porca, pois seu santo de devoção era apenas Santo Antônio.

II. A leitura do texto leva o leitor a inferir que a repetição das expressões “Ai” e “ai” denota a excessiva frequência que Euricão apelava a tudo para manter segura a porca – seu tesouro

III. Quanto à colocação pronominal na oração “assim ninguém lhe dará importância” a próclise é justificada pela presença do pronome indefinido; assim a próclise também deveria ocorrer em “ou trago-a para aqui” , pois a palavra que antecede o verbo também é atrativa.

IV. A expressão “Pega o ladrão” está entre aspas para justificar a fala das personagens que queriam parodiar Euricão.

V. Na oração “Não deixe ninguém entrar aqui” as palavras destacadas são, quanto à morfossintaxe, advérbio/adjunto adverbial; pronome/sujeito e advérbio/adjunto adverbial, sequencialmente. Assinale a alternativa correta.

a)Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas II e V são verdadeiras.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

12.Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto , e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.

( ) No sintagma “Vou buscar minha porquinha, mas não quero ninguém aqui” tem-se período composto por coordenação – uma oração assindética e outra sindética adversativa, e ambas têm sujeito simples desinencial.

( ) No período “É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos” (linha 6) o acento indicador da crase é justificado por ser a expressão destacada uma locução prepositiva, formada por palavra feminina.

( ) No sintagma verbal “Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças” (linha 8) a palavra destacada pode ser excluída sem que ocorra alteração de sentido no período, pois é uma partícula expletiva.

( ) Da leitura do período “Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a para aqui, sob sua proteção” (linhas 7 e 8), infere-se uma pseudo imagem de Euricão, pois o seu sentimento religioso é tragado pela idolatria ao dinheiro.

( ) A leitura do período “Terão desconfiado porque tirei a porca do lugar” (linhas 4 e 5) leva o leitor a inferir que a personagem principal, Euricão, vivia constantemente trocando a porca de lugar por insegurança, por não conseguir confiar nas pessoas que conviviam com ele. Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo.

a)V – V – V – F – V

b) V – F – V – V – V

c) V – V – V – V – V

d) V – F – V – V – F

e) F – V – F – V – F

13. (UNP) Leia as afirmações abaixo sobre a peça O santo e a porca, de Ariano Suassuna, e escolha a alternativa correta.

I – A peça é um retrato sem retoques do político nordestino durante o período do coronelismo, cuja representação é a personagem de Eudoro.

II – A peça tem como tema central a avareza, que é representada pela personagem de Euricão e a forma como cuida dos seus bens.

III – Por meio de personagens típicos do sertão nordestino, a peça discute temas universais, como o amor e o dinheiro.

IV – Por meio de personagens típicos do sertão nordestino, a peça é uma adaptação das tragédias gregas de Aristófanes.

a) Estão corretas as afirmações I, II e III.

b) Estão corretas as afirmações I e III.

c) Estão corretas as afirmações I e II.

d) Estão corretas as afirmações II e III

14. (UNEMAT) “Ladrões, ladrões! Será que me roubaram? É preciso ver, é preciso vigiar! Vivem de olho no meu dinheiro, Santo Antônio! Dinheiro conseguido duramente, dinheiro que juntei com os maiores sacrifícios…!” Esta é uma passagem de O Santo e a Porca, uma obra de Ariano Suassuna, publicada em 1957. Com base na leitura de O Santo e a Porca, assinale os itens a seguir como verdadeiros (V) ou falsos (F).

1. Trata-se de um romance que relata o dia-a-dia de uma família simples do Nordeste brasileiro.

2. O referido texto é de caráter cômico e está centrado na questão da avareza apresentada por um de seus personagens, o Euricão.

3. Através dessa peça de teatro, Ariano Suassuna apresenta questões pertinentes à sociedade e à dramaturgia brasileira ao colocar em cena um personagem que, apesar de avaro, valoriza sua família colocando-a acima de qualquer valor material.

4.Todo sentido da vida de Euricão está centrado na porca de madeira e ele é ameaçado de perdê-la através de um acontecimento inesperado: o casamento da filha.

RESPOOSTA: FVFV

15.(UFCG) Sobre as personagens Caroba, de O Santo e a Porca, e Maria Moura, de O Memorial de Maria Moura, coloque V ou F, conforme sejam Verdadeiras ou Falsas as proposições abaixo.

I.Caroba e Maria Moura, embora vivam em condições sociais semelhantes, agem de maneira diferente. A primeira é submissa, fiel e apaixonada, de modo que realiza todas as vontades do namorado sem questioná-lo. A segunda representa a figura da mulher guerreira, forte e descrente em relação ao amor.

II) Caroba é uma mulher apegada ao dinheiro que inventa histórias fabulosas recheadas de mentiras no intuito de conseguir vantagens financeiras. Ela representa uma personagem-tipo da literatura, que tem como traço principal a avareza, característica sobre a qual se sustenta toda a ação da peça.

III) Maria Moura é uma mulher forte, que exerceu influência no seu meio social, adquirindo poder e fortuna. Sua palavra era lei, numa terra sem lei, onde imperava o poder do mais forte. Para se defender e ser respeitada, travestiu-se de homem.

IV) Caroba aproxima-se da figura do anti-herói popular, conseguindo, por meio da esperteza, sobressair-se de situações adversas, ao modo de personagens como João Grilo e Pedro Malasartes. São verdadeiras as afirmações:

a) I e II.

b) II e III.

c) I e IV.

d) II e IV.

e) III e IV.

16. (UFCG)Com base no enredo de O santo e a porca, assinale a alternativa CORRETA.

a) Margarida – filha de Euricão – embora inicialmente se deixe ludibriar pelo jogo de interesse de Caroba, Pinhão e de Dodó, percebe, por fim, que o objetivo de todos é roubar o seu pai, atitude com a qual não concorda.

b) A complicação tem início, na trama com o envio da carta escrita por Eudoro Vicente a Eurico Árabe, na qual o primeiro informa que fará uma visita para pedir o bem mais precioso de Euricão, que fica apreensivo, pois imagina que lhe pedirá dinheiro emprestado.

c) Caroba e Pinhão são amantes e trabalham para o avarento Euricão Árabe, que explora os empregados a fim de acumular cada vez mais riquezas e deixa para a filha, que se sujeita a todos os caprichos do pai.

d) A história encerra-se com o casamento de Margarida com o rico fazendeiro Eudoro Vicente, após ela e o pai descobrirem que o dinheiro depositado na porca de madeira, por ter sido guardado por muito tempo, havia perdido o valor.

e) O personagem Dodô, filho de Eudoro Vicente, embora demonstre afeição pelos empregados Caroba e Pinhão, revoltado com a trama de Caroba para aproximar Margarida de Eudoro, delata a Euricão o plano dos criados de roubar a porca recheada de dinheiro.

O Pagador de Promessas

PAGADOR

(UNEB B(A)

MINHA TIA Caruru de Santa Bárbara. Antigamente a gente fazia isso e era de graça. Hoje, com a vida do jeito que está, a gente tem mesmo é que cobrar.

GALEGO (Atravessa a praça com um prato de sanduíches na mão e vai a Zé-do-Burro) Pero vo no cobro nada. (Oferece) Oferta da casa.

Pra mim?

GALEGO

Si, para usted. Cachorro-quente. Después trarê um cafezito.

Não, obrigado.

GALEGO

Pode aceitar sin constrangimento. E podemos até hacer um negócio. Se usted promete no arredar pé de cá, yo me comprometo a fornecer comida e bebida gratuitamente para los dos.

Não, não tenho fome.

 GALEGO

(Muito preocupado) Pero, asi usted no poderá resistir!

Não importa.

GALEGO

(Oferece a Rosa) A senhora não quer?…

ROSA

Não estou com vontade.

GALEGO

(Encolhe os ombros, conformado) Bien… (Volta à venda)

SECRETA

(Para o Galego) Uma meladinha.

Galego

serve a cachaça com mel. (Notando a apreensão de Rosa) Que há?

ROSA

 Ele não é nosso amigo.

E que tem isso?

ROSA

Ouvi dizer que é da polícia.

Não sou nenhum criminoso, não fiz mal a ninguém.

GOMES, Alfredo Dias. O pagador de promessas. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p. 83-85.

1.O fragmento, no contexto da obra, permite considerar correta a alternativa:

a) Zé-do-Burro, envolvido totalmente com o objetivo de cumprir a promessa, mantém-se alheio ao comportamento transgressor de Rosa.

b) Rosa resiste ao assédio de Bonitão motivada pelo desejo de persuadir Zé-do-Burro da urgência de voltar para a roça.

c) Minha Tia, ao cobrar pelo caruru de Santa Bárbara, evidencia a sua descrença nos valores religiosos do candomblé.

d) Rosa revela consciência do risco que representa a persistência de Zé de contrapor-se à autoridade constituída.

d) Galego, num gesto desinteressado, mostra o quanto está solidário com Zé-do-Burro.

2.(CEFET-PR) Leia atentamente as afirmações abaixo sobre O Pagador de Promessas e assinale a verdadeira:
a) Zé-do-Burro e sua esposa, Rosa, mantêm um relacionamento amoroso conflituoso devido a ele ser um revolucionário do campo e ela, uma beata devota.
b) O Secreta, o Delegado e o Guarda demonstram a nova face da polícia, após a ditadura de Vargas, preocupada com os direitos humanos.
c) Minha Tia e Mestre Coca são representantes do povo, católicos ardorosos, que se revoltam com as heresias cometidas por Marli e Zé-do-Burro.
d) Bonitão e Marli são o exemplo de um relacionamento moderno, em que homem e mulher usufruem dos mesmos direitos.
e) O Monsenhor e Padre Olavo representam a rigidez de princípios teóricos da doutrina católica diante de situações práticas inusitadas.

3.Em O pagador de promessas, Dias Gomes

a) propõe um ataque à Igreja católica, o que evidencia o caráter subversivo da obra.

b) instiga a polícia, causadora de tragédias populares no Brasil.

c) investe contra a ignorância do povo, fato que conduz Zé à morte.

d) ilustra a voluptuosidade das mulheres do interior ao demonstrar os interesses de Rosa em Bonitão.

e) demonstra, de modo hiperbólico, a relação brasileira com a fé

4.(UTFPR) Em O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, “ABC da Mulata Esmeralda” de Dedé Cospe-Rima que conta a história dessa mulher, “desde o nascimento, no Beco das Inocências, até a morte, por trinta facadas, na Rua da Perdição”, é de certa forma um prenúncio da própria história narrada na peça, pois:
I) a mulher de Zé-do-Burro é morta com trinta facadas quando se aproxima da roda de capoeiristas.
II) a trajetória dos personagens Zé-do-Burro e Rosa segue o mesmo caminho, da inocência à perdição.
III) Zé-do-Burro, trinta anos presumíveis, acaba morto na “rua da perdição” de sua mulher, que o traiu.
Está(ão) correta(s) somente:
a) I.
b) II.
c) III.
d) II e III.
e) I e II.

5.A linguagem de O pagador de promessas, Dias Gomes, é …, à medida em que …, numa abordagem legitimamente …

a) coloquial – apresenta variedades linguísticas – oral

b) estilizada – linguagem inventiva – formal

c) padrão – respeita a norma culta – formal

d) despojada – respeita as diferenças regionais – estilizada

e) beletrista – investe em tratamento artístico – moderna

6.(PUC-SP)Leia o seguinte fragmento de uma rubrica retirada de O pagador de promessas, peça de Dias Gomes. Ela tem, na realidade, vinte e oito anos, mas aparenta mais dez. Pinta-se com exagero, mas mesmo assim não consegue esconder a tez amarelo-esverdeada. Possui alguns traços de uma beleza doentia, uma beleza triste e suicida. Usa um vestido muito curto e decotado, já um tanto gasto e fora de moda, mas ainda de bom efeito visual. Seus gestos e atitudes refletem o conflito da mulher que quer libertar-se de uma tirania que, no entanto, é necessária ao seu equilíbrio psíquico (…). (GOMES, Dias. O pagador de promessas. 56 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011, p.27.)

Esse excerto diz respeito à seguinte personagem:

a)Marli.

b) Rosa.

c) Minha Tia.

d) Uma prostituta não nominada.

e) Uma figurante não identificada.

7.O pagador de promessas, Dias Gomes, pode ser entendido como

a) uma tragédia rural brasileira à medida que as questões agrárias ficam em segundo plano.

b) uma tragédia popular brasileira, salientada pelas más-intenções das autoridades policiais.

c) uma trama de caráter burlesco, cujo final, absurdo, ilustra a ignorância popular.

d) um retrato da fratura social brasileira, num conflito que demonstra a incompreensão de diferentes partes.

e) um rito de passagem de Zé para a verdadeira religião, simbolizado por sua imagem na cruz.

8. (UTFPR) Em O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, o personagem central, Zé-do-Burro, é casado com uma mulher que, segundo a rubrica da peça, “parece pouco ter de comum com ele. (…) Ao contrário do marido, tem “sangue quente”. “Demonstração do “sangue quente” da esposa se dá quando ela:
a) enfrenta a vendedora de Beiju devido aos ciúmes que sente do relacionamento desta com o marido.
b) bate na prostituta, até matá-la, pela traição em roubar-lhe o amante, Bonitão.
c) cansada do descaso de Zé-do-Burro, quebra a cruz, impossibilitando-o de cumprir sua promessa.
d) sem resistir, seduzida por Bonitão, entrega-se ao sensual cafetão traindo o marido.
e) delata o marido para o Secreta a fim de vingar-se da traição de Zé-do- Burro com Iansan.

9.A ironia é fator importante na peça O pagador de promessas, de Dias Gomes. Considere as seguintes afirmações sobre o uso desse recurso no texto:

I. A ironia pode ser vista no fato de Zé carregar uma cruz, trabalho braçal duro, por um burro.

II. Elemento de ironia curioso é o fato de a fé se Zé do Burro “vencer” até mesmo a divindade, sobretudo quando ele mesmo diz que Santa Bárbara o abandonou.

III. Irônico também é o diálogo entre Zé e Bonitão, uma vez que Zé entrega com confiança a mulher ao gigolô. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

10. (PAES) Leia o fragmento da obra O pagador de promessas, de Dias Gomes:

PADRE
Que ninguém agora nos acuse de intolerantes. E que todos se lembrem das palavras de Jesus: “Porque surgirão falsos Cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam a muitos” (GOMES, 2008, p. 128).

Sobre a obra O pagador de promessas, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO
A) A inserção da capoeira, no terceiro ato, intensifica o ritmo e a tensão narrativos.
B) O desfecho da narrativa possibilita a aproximação de Zé-do-burro ao Cristo crucificado.
C) O caráter polifônico da obra é evidenciado, entre outras coisas, nas expressões do personagem Galego.
D) Zé-do-burro é a personificação de um falso profeta que tenta enganar os fiéis católicos.

11. (UTFPR) Leia atentamente os excertos de rubricas retirados da peça O Pagador de Promessas, de Dias Gomes.
I) “É uma bela mulher, embora seus traços sejam um tanto grosseiros, tal como suas maneiras. (…) É agressiva em seu “sexy”, revelando, logo à primeira vista, uma insatisfação sexual e uma ânsia recalcada de romper com o ambiente em que se sente sufocar. Veste-se como uma provinciana que vem à cidade, mas também como uma mulher que não deseja ocultar os encantos que possui”.
II) “Ela tem, na realidade, vinte e oito anos, mas aparenta mais dez. Pinta-se com exagero, mas mesmo assim não consegue esconder a tez amarelo-esverdeada. Possui alguns traços de uma beleza doentia, uma beleza triste e suicida. Usa um vestido muito curto e decotado, já um tanto gasto e fora de moda, mas ainda de bom efeito visual. Seus gestos e atitudes refletem o conflito da mulher que quer libertar-se de uma tirania que, no entanto, é necessária ao seu equilíbrio psíquico…”.
Em relação às assertivas I e II é correto afirmar que:
a) em I e II tem-se a descrição da mesma mulher, Rosa, amante de Bonitão, o malandro cafetão.
b) em I tem-se a descrição de Rosa, mulher do personagem principal de O pagador de promessas.
c) em II tem-se a descrição de Rosa, amante de Bonitão, o malandro cafetão.
d) em II tem-se a descrição de Marli, mulher do personagem principal de O pagador de promessas.
e) em I e II tem-se a descrição da mesma mulher, Marli, mulher do personagem principal, Zé-do-Burro.

12.Na peça O pagador de promessas, Dias Gomes

I. expõe um drama em que um homem de vida rural, depois de ter repartido as terras, carrega uma cruz até Salvador.

II. aborda a burocracia da Igreja, que só admite da entrada da cruz depois que Zé renegar sua fé em Insã.

III. demonstra a rivalidade religiosa dos populares que, devotos do candomblé, desejam invadir a igreja. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

13. (UTFPR) Na obra O Pagador de Promessas, circulam pela praça, onde se passa a história, diversos personagens que retratam diferentes questões. Estabelecendo uma correlação entre personagens e temas, teremos:
I) Zé-do-Burro e a fé; Padre Olavo e a intransigência
II) Bonitão e o amor; Rosa e a traição
III) Galego e a ambição; Mestre Coca e o sentimento de coletividade
IV) Repórter e a vaidade; Marli e a pureza
Estão corretas somente as assertivas:
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) II e III.
e) II e IV.

14. (UFPR) Considere as seguintes afirmações sobre a obra “O pagador de promessas”, de Dias Gomes:
1. A Igreja, representada no plano mais imediato por Padre Olavo, revela-se incapaz de dialogar compreensivelmente com a tosca realidade do camponês nordestino.
2. “O pagador de promessas” traz à luz os muitos interesses escusos com os quais se corrompe e desvirtua a ação da imprensa na cidade onde transcorre a ação da peça.
3. Manipulado, enganado e despojado de seus direitos, Zé-do-Burro compõe-se, aos olhos do espectador, como vítima da opressão que pesa sobre o povo brasileiro mais desamparado.
4. A peça foi escrita e representada pela primeira vez em momento histórico no qual vicejavam ações políticas que refletiam um profundo ideal de transformação social na América Latina.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.

15. (UFPR) Qual das alternativas contém informações determinantes para o desfecho trágico de O pagador de promessas, de Dias Gomes?

a) A traição de Rosa, seduzida por Bonitão, enfraqueceu a convicção do protagonista quanto ao pagamento de sua promessa.

b) O Padre recusou-se a abrir a porta da igreja porque a promessa de Zé-do-Burro beneficiou um animal, e não um ser humano.

c) A divulgação dos feitos de Zé-do-Burro pela imprensa impediu que seu ato fervoroso assumisse conotação política.

d) Apesar de sentir que Santa Bárbara o abandonara, Zé-do-Burro não teve suas convicções abaladas pela intolerância religiosa nem pela ameaça a sua integridade física.

e) Por não aceitar a correspondência entre uma santa católica (Santa Bárbara) e uma divindade de religião afro-brasileira (Iansan), Zé-do-Burro recusou a sugestão de Minha Tia, de levar sua cruz até um terreiro de candomblé.

16. Quanto ao personagem Zé do Burro, de O pagador de promessas, de Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I.O motivo de sua promessa é a vida e a saúde de um burro, Nicolau, ferido numa tempestade.

II. O sincretismo religioso de Zé fica evidente pelo fato de ele ter feito promessa a Santa Bárbara diante de uma imagem de Insã.

III. A fé de Zé é elevada ao primeiro plano, tanto que o caso de sua mulher com Bonitão seria resolvido depois que pagasse sua promessa.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

17. (UFPR) Com base na leitura de O pagador de promessas, identifique a única alternativa que não corresponde ao texto.

a) O texto é dividido em atos e quadros.

b) Os diálogos entre as personagens são fundamentais para se compreender a evolução da ação.

c) Características físicas das personagens são especificadas em rubricas.

d) A temática do texto está voltada a dificuldades de um homem do interior em confronto com códigos culturais urbanos.

e) O narrador domina a cena final, apresentando a ação das personagens em discurso indireto.

 18. (UEL) Sobre o motivo da jornada da personagem Zé-do-Burro até Salvador, no livro O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, assinale a alternativa correta.

a) Pagamento de promessa pela conquista de suas terras.

b) Pagamento de promessa pela recuperação de Rosa.

c) Pagamento de promessa pelo restabelecimento do burro.

d) Pretexto para fazer campanha a favor da reforma agrária.

e) Pretexto para protestar contra a ditadura.

19. (UEL) Sobre as personagens de O Pagador de Promessas, assinale a alternativa correta.

a) Galego e Bonitão são artistas populares nordestinos.

b) Minha Tia e os capoeiristas são católicos praticantes do candomblé.

c) O repórter e o fotógrafo são policiais disfarçados que manipulam Zé-do-Burro.

d) O padre e a beata ilustram a intolerância religiosa.

e) Rosa e Marli representam o movimento de liberação feminina dos anos 1990.

20. Considere a tabela abaixo, relacionando os papéis de determinados segmentos da sociedade, com o mecanismo de O pagador de promessas, Dias Gomes.

1. imprensa – estabelece o papel de deturpação dos reais motivos de Zé, transformando fé até mesmo em motivos políticos.

2. religiosos – preocupados com a ordem social, os religiosos apenas protegem a imagem dogmática da Igreja.

3. Galego – dono de bar, o estrangeiro tem com única preocupação auxiliar Zé do Burro a cumprir sua promessa.

4. polícia – sem compreender a situação, a polícia, chamada por Bonitão, não só não controla a situação como é responsável pelo erro trágico do desfecho da peça. Quais relações estão corretas?

a) Apenas 1.

b) 1 e 2.

c) 2 e 3.

d) 1 e 4

e) 1, 3 e 4.

21. (UEL) Com base em O Pagador de Promessas, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o parecer crítico que analisa a obra.

a) “A mola propulsora da peça – o autor deixou bem claro – é a espinafração.”

b) “Nunca um escritor nacional se preocupou tanto em investigar sem lentes embelezadoras a realidade, mostrando-a ao público na crueza de matéria bruta.”

c) “Sério exercício de introspecção, o texto se passa em uma viagem de volta ao interior, ao encontro do pai distante.”

d) “O espectador que desejar a diversão desabrida da farsa encontrará na peça um motivo inesgotável de comicidade.”

e) “Essa intolerância erige-se, na peça, em símbolo da tirania de qualquer sistema organizado contra o indivíduo desprotegido e só.”

 22.Quanto à personagem Rosa, O pagador de promessas, Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I.Rosa compartilha da mesma fé do marido – prova disso é a espontaneidade como o acompanha na promessa.

II. A cidade aparece como algo estranho na vida de Rosa, a começar pela discussão que observa entre Bonitão e Marli.

III. O envolvimento de Rosa e Bonitão ilustra bem o caráter de corrupção da cidade em relação ao modo de vida simples de Rosa e a ingenuidade de Zé. Quais estão corretas? a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas II e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

23. (UEL) Sobre o intertexto bíblico presente em O Pagador de Promessas, considere as frases a seguir.

I.“Mas eu conheço seus adeptos! Mesmo quando se disfarçam sob a pele do cordeiro!”

II. “Por que então repete a Divina Paixão? Para salvar a humanidade?”

III. “Uma epopeia. Uma nova Ilíada, onde Troia é a Lua e o cavalo de Troia é o cavalo de São Jorge!”

IV.“É até bom demais. Nunca fez mal a ninguém, nem mesmo a um passarinho.” Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, frases com intertexto bíblico.

a) Somente as frases I e II.

b) Somente as frases I e IV.

c) Somente as frases III e IV.

d) Somente as frases I, II e III.

e) Somente as frases II, III e IV.

24. Quanto a O pagador de promessas, Dias Gomes, considere as seguintes afirmações:

I. A Igreja é vista como burocrática e incapaz de compreender o modo de vida dos fiéis. II. A imprensa é ilustrada como instituição oportunista, embora se revele o desejo claro de fidelidade documental.

III. A violência final que se instaura demonstra a incapacidade das autoridades de entender o fenômeno que ali ocorria. Quais estão corretas?

a) Apenas I.

b) Apenas II.

c) Apenas I e III

d) Apenas III.

e) I, II e III.

25. (UFPR ) Leia o trecho abaixo de “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, que narra o que acontece imediatamente depois da morte de Zé do Burro:

DELEGADO (para o Secreta): Vamos buscar reforço.

(Sai, seguido do Secreta e do Guarda)

O Padre desce os degraus da igreja, em direção ao corpo de Zé do Burro.

ROSA (com rancor): Não chegue perto!

PADRE: Queria encomendar a alma dele…

ROSA: Encomendar a quem? Ao Demônio?

Considerando tanto o trecho acima quanto a totalidade da obra, considere as seguintes afirmativas:

I. O Delegado, o Secreta e o Guarda saem com a desculpa de buscar reforço, mas na verdade fogem, porque percebem que a morte de Zé do Burro foi um erro e que a justiça irá cobrar explicações deles.

II. Rosa, apesar da raiva que sente de Zé do Burro no início da peça, do constrangimento público que a situação deles representa e de se ter entregado a Bonitão, termina sentindo que são mais fortes do que antes os laços que a ligavam ao marido.

III. A reação do Padre não tem traços de caridade cristã e se dá por puro medo, já que se sente ameaçado pelo fato de todo o povo que se juntou na praça estar contra a proibição da entrada de Zé do Burro na igreja.

IV. O responsável por toda a tragédia é, no fundo, o próprio Zé do Burro, vítima da ignorância e da pobreza que geram o fanatismo religioso católico característico do Nordeste brasileiro. Assinale a alternativa CORRETA.

A) Somente a afirmativa II é verdadeira.

B) Somente a afirmativa III é verdadeira.

C) Somente a afirmativa IV é verdadeira.

D) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.

E) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras.

Zé do Burro, de faca em punho, recua em direção à igreja. Sobe um ou dois degraus, de costas. O Padre vem por trás e dá uma pancada em seu braço, fazendo com que a faca vá cair no meio da praça. Zé do Burro corre e abaixa-se para apanhá-la. Os policiais aproveitam e caem sobre ele, para subjugá-lo. E os capoeiras caem sobre os policiais para defendê-lo. Zé do Burro desapareceu na onda humana. Ouve-se um tiro. A multidão se dispersa como num estouro de boiada. Fica apenas Zé do Burro no meio da praça, com as mãos sobre o ventre. Ele dá ainda um passo em direção à igreja e cai morto.

ROSA (Num grito)

Zé! (Corre para ele)

PADRE (Num começo de reconhecimento de culpa) Virgem Santíssima!

DELEGADO (Para o Secreta) Vamos buscar reforço. (Sai, seguido do Secreta e do Guarda). O Padre desce os degraus da igreja, em direção do corpo de Zé do Burro.

ROSA (Com rancor) Não chegue perto!

 PADRE Queria encomendar a alma dele…

ROSA Encomendar a quem? Ao Demônio?

         O Padre baixa a cabeça e volta ao alto da escada. Bonitão surge na ladeira. Mestre Coca consulta os companheiros com o olhar. Todos compreendem a sua intenção e respondem afirmativamente com a cabeça. Mestre Coca inclina-se diante de Zé do Burro, segura-o pelos braços, os outros capoeiras se aproximam também e ajudam a carregar o corpo. Colocam-no sobre a cruz, de costas, com os braços estendidos, como um crucificado. Carregam-no assim, como numa padiola e avançam para a igreja. Bonitão segura Rosa por um braço, tentando levá-la dali. Mas Rosa o repele com um safanão e segue os capoeiras. Bonitão dá de ombros e sobe a ladeira. Intimidados, o Padre e o Sacristão recuam, a Beata foge e os capoeiras entram na igreja com a cruz, sobre ela o corpo de Zé do Burro. O Galego, Dedé e Rosa fecham o cortejo. Só Minha Tia permanece em cena. Quando uma trovoada tremenda desaba sobre a praça. MINHA TIA (Encolhe-se toda, amedrontada, toca com as pontas dos dedos o chão e a testa) Êparrei minha mãe! E O PANO CAI LENTAMENTE. DIAS GOMES, Alfredo de Freitas. O pagador de promessas. Disponível em: . Acesso em: 26 jul. 2016

Zé do Burro, protagonista de O pagador de promessas, havia feito uma promessa a Santa Bárbara, que lhe concedera a graça de salvar seu burro muito querido da morte. Assim, começa sua “via crucis” no primeiro ato da peça, que culmina, no terceiro e último, com um desfecho trágico.

26. O fragmento, inserido na obra, permite considerar correto afirmar que essa peça teatral evidencia que a

I. intolerância de um padre ao impedir Zé do Burro de entrar com sua cruz na igreja, a fim de cumprir sua promessa, não foi a verdadeira causa de todos os conflitos postos em tela.

II. explosão de raiva da personagem central é inaceitável diante da demonstração de fé que a movera até aquele local, longe de sua moradia, carregando um enorme e pesado madeiro sobre os ombros.

III. obstinação de um homem simples em cumprir o que havia prometido resultou não só no enfrentamento da burocracia que é imposta pela organização interior do sistema religioso católico, mas também no de outros impasses.

IV. lei, representada pela polícia, revela a incompetência das autoridades em resolver situações comuns, deixando claro, ainda, o perigo de se defender as próprias ideias num mundo onde o respeito aos semelhantes parece inexistir.

V. personagem que protagoniza a cena, para quem cumprir a promessa feita era uma questão de vida ou de morte, após o seu fim trágico, teve sua missão levada a cabo, embora de modo imprevisto, pelos que deram valor à sua crença. A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

a) I e V.

b) I, III e IV.

c) II e III.

d) III, IV e V.

e) I, II e V.

27. (FMP) Considere as seguintes afirmações sobre O Pagador de Promessas, de Dias Gomes.

IEnvolvido em uma rede de intrigas, Zé do Burro acaba não cumprindo sua palavra, deixa de pagar sua promessa à Santa Bárbara e retorna ao interior da Bahia.

II. O Pagador de Promessas é uma tragédia de cunho popular, cujo principal confronto se dá quando do cruzamento de diferentes interesses, sobretudo do mundo popular interiorano com o da grande cidade.

III. Rosa, mulher de Zé do Burro, é a única pessoa fiel ao pagador de promessas, pois não o abandona até o fim de seu martírio. Qual(is) está(ao) correta(s)?

a) Apenas a I.

b) Apenas a II.

c) Apenas a III.

d) Apenas a I e a II.

e) A I, a II e a II

Agosto

AGOSTO

1.(UFLA) Considerando a construção do texto de Rubem Fonseca, na obra Agosto, verifica-se que a linguagem é:
a) distinta, assim como a técnica narrativa, conferindo maior verossimilhança aos relatos.
b) satírica e paródica, uma vez que a obra foi elaborada em contraposição à tradição literária.
c) sobretudo agressiva, já que a relação entre os personagens é apresentada como uma relação de forças.
d) muitas vezes figurada, e suas imagens resultam freqüentemente de analogias com o mundo idealizado, fantasioso.
e) marcada por expressões grosseiras, rudes, provenientes do vocabulário relacionado à esfera política e ao sensacionalismo jornalístico.

2. (Ufop-MG) Agosto, de Rubem Fonseca, pode ser caracterizado claramente como:

a)um romance histórico.

b) um romance policial.

c) uma narrativa de aventuras e suspense.

d) uma narrativa satírica.

e) essa caracterização não é possível, uma vez que o romance mistura elementos dos gêneros policial e histórico.

3. O detetive Matos, em seu trabalho de investigação policial, toma conhecimento de episódios políticos que tiveram desfecho com a morte de um Presidente da República.
Essa afirmativa se refere a
a) O VAMPIRO DE CURITIBA, de Dalton Trevisan.
b) CICLO DAS ÁGUAS, de Moacyr Scliar.
c) AS VIRTUDES DA CASA, de Luís Antonio de Assis Brasil.
d) BANDOLEIROS, de João Gilberto Noll.
e) AGOSTO, de Rubem Fonseca.

Os jornais da manhã noticiavam em grandes manchetes o atentado. Os estudantes haviam entrado em uma greve de “protesto contra o banditismo. Nossa alma está coberta de opróbrio. Uma cova se abriu e o povo não esquecerá”. A repercussão do atentado no Congresso fora enorme. As galerias da Câmara dos Deputados e do Senado estavam lotadas quando foram abertos os trabalhos nas duas casas do Legislativo. Conforme os congressistas da oposição, “corria sangue nas ruas da capital e não havia mais tranquilidade nos lares”. Representantes de todos os partidos políticos haviam feito discursos condenando o atentado. O deputado Armando Falcão apresentara um projeto de amparo à viúva do major Vaz. Respondendo às afirmativas de Lacerda, publicadas nos jornais, de que as “fontes do crime estão no Palácio do Catete, Lutero Vargas é um dos mandantes do crime”, o líder do governo na Câmara, deputado Gustavo Capanema, ocupara a tribuna para classificar de infundadas as acusações ao filho do presidente da República. A multidão que ocupava as galerias vaiara Capanema estrepitosamente. FONSECA, Rubem. Agosto. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 74
Com base na variedade padrão escrita da língua portuguesa, na leitura do texto do livro Agosto, de Rubem Fonseca, publicado pela primeira vez em 1990, e no contexto histórico ao qual a obra remete, é CORRETO afirmar que:

01.Rubem Fonseca faz um trabalho de recriação ficcional de personagens históricas. São de sua autoria os pseudônimos “Anjo Negro” e “Corvo”, empregados para designar, respectivamente, Gregório Fortunato e Lacerda.

02. na obra, a polêmica influência de Lacerda sobre a população fica evidente em termos e expressões tais quais “lacerdismo” ou “lacerdistas doentes”, que se referem, respectivamente, às atitudes de quem apoiava Lacerda e aos adeptos de Lacerda que contraíram problemas de saúde após os protestos contra o governo.

04. o narrador que mais ganha voz em Agosto é Getúlio Vargas, tendo em vista que o ex-presidente é a personagem central da trama de Rubem Fonseca.

08. Agosto é uma obra composta por uma sucessão de narrativas curtas que se desenrolam em núcleos distintos. Tais narrações tanto se desenvolvem paralelamente no tempo e no espaço quanto dão lugar a digressões e avanços

16. Mattos, o comissário responsável pelo suposto atentado a Lacerda, incorpora o investigador de romance policial por excelência. Rubem Fonseca destaca-se nesse gênero com textos nos quais são recorrentes as investigações policiais, os crimes e a brutalidade das personagens.

32. os verbos “apresentara” (linha 07), “ocupara” (linha 10) e “vaiara” (linha 11) têm como variantes as formas compostas pelos verbos auxiliares ter e haver. Assim, sem que houvesse mudança de sentido, poderíamos substituí-los por tinha/havia apresentado, tinha/havia ocupado e tinha/havia vaiado.

64. considerando o sentido da palavra “opróbrio” (linha 02), ela está empregada adequadamente na frase: “Nas ruas, as multidões comemoravam mais uma vitória repletas de opróbrio.”

RESPOSTA: 08 + 32 = 40

 

 

A Moratória

MORATORIA

1. (UNICENTRO) Estão presentes em A Moratória, de Jorge Andrade, EXCETO
A) o patriarcalismo.
B) a nostalgia de um mundo extinto.
C) a preocupação com as aparências.
D) a valorização da sociedade industrial.
E) a condição de inferioridade da mulher.

2. (UFPR) Sábato Magaldi, importante crítico teatral brasileiro, afirma a respeito de “A moratória”:
Situando a peça em dois planos e a ação nos anos de 1929 e 1932, Jorge Andrade quis deixar bem marcada a queda irremediável da aristocracia rural. Há ironia e quase sadismo na repetição do jogo de esperança e desespero, até que o pano baixe sobre um silêncio mortal. Apenas 1929 seria o retrato da crise, da perda da fazenda com o aviltamento do preço do café. Mas um grupo não morre de uma vez, a não ser pela revolução, e “A moratória” compraz-se em consignar os estertores, a última tentativa de sobrevivência. Procura-se alegar, judicialmente, a nulidade do processo de praceamento, mas uma sutileza jurídica, arbitrária quase na indiferença com que atua, torna vão o esforço. 1932 encerra em definitivo uma fase da vida nacional e “A moratória” sela, na literatura, o processo de decomposição.
(“Panorama do teatro brasileiro”. SNT; DAC/FUNARTE; MEC, [s. d.]. p. 213.)
Pensando nas palavras do crítico, assinale a(s) alternativa(s) correta(s) a respeito de “A moratória”.
(01) O fundo histórico da peça são o crack da Bolsa de Nova Iorque e os problemas políticos que o Brasil vive na transição da República Velha para a República Nova.
(02) A fala de Joaquim, repetida diversas vezes durante a peça, “somos o que fomos”, representa seu orgulho e a certeza de que a realidade não alterará a trajetória da vida mantida até ali.
(04) Olímpio, namorado de Helena, só será aceito por Joaquim por ser advogado e, assim, ter meios para tentar reverter o processo de perda da fazenda.
(08) Joaquim e Lucília, durante o transcurso da peça, vivem processo psicológico idêntico: de personagens absolutamente duros, quase cruéis, tornam-se aos poucos mais dóceis, a ponto de acreditar que perder a fazenda foi uma lição de humildade que receberam.
(16) Alternando as falas do plano do presente e do plano do passado, a peça ganha intenso dinamismo dramatúrgico, ao mesmo tempo que marca as diferenças entre a riqueza do passado e a pobreza do presente a que está relegada uma família rural e aristocrática.
(32) Após a decadência, Helena, a esposa de Joaquim, Lucília e Marcelo, os filhos, trabalham duramente em profissões diversas para garantir o mínimo de dignidade à família falida.
RESPOSTA:01 + 02 + 16 = 19

3. (UFRN) A ação de A moratória situa-se em um momento histórico importante. Na peça, as profundas transformações por que passa a sociedade brasileira são representadas

a) pelo isolamento de Joaquim e pelo alcoolismo de Marcelo.

b) pela demissão de Marcelo do frigorífico e pela alienação de Helena.

c) pela proposta de casamento de Olímpio e pelo apego de Lucília à família.

d) pelo trabalho de Lucília e pela ida da família de Joaquim para a cidade.

4. (UFRN) Tendo em vista a composição das personagens, o autor de A moratória fornece a seguinte orientação:

 “(Olímpio e Lucília saem, abraçados, pela porta em arco. Ao mesmo tempo, Marcelo aparece à porta de seu quarto no Primeiro Plano e Helena, com uma bandeja de xícaras, à porta da cozinha no Segundo Plano. Helena volta-se e sai novamente. Marcelo encosta-se ao batente da porta, completamente atordoado.)” ANDRADE, Jorge. A moratória. Rio de Janeiro: Agir, 2003. p. 116.

Nessa orientação, o autor indica um traço psicológico que, ao longo da peça, caracteriza uma das personagens. O trecho em que isso se verifica é:

a) “Marcelo encosta-se ao batente da porta, completamente atordoado.”

b) “Ao mesmo tempo, Marcelo aparece à porta de seu quarto no Primeiro Plano e Helena, com uma bandeja de xícaras, à porta da cozinha no Segundo Plano.”

c) “Helena volta-se e sai novamente.

d) “Olímpio e Lucília saem, abraçados, pela porta em arco.”

5. (UNICENTRO) Sobre as personagens de A moratória, peça de Jorge Andrade que narra as transformações ocorridas na vida de uma família depois da perda de sua fazenda, é correto afirmar:

a) Joaquim é o chefe da família, que, depois de perder a fazenda, procura adaptar-se a um novo emprego na cidade e tenta convencer seus filhos de que não vale a pena lutar para recuperar a fazenda.

b) Lucília, filha de Joaquim, é a moça forte que, depois da perda da fazenda, sustenta a casa com pequenos trabalhos de costura; ao passo que Marcelo, seu irmão, não consegue se adaptar à nova situação e encontra refúgio na bebida.

c) Olímpio, noivo de Lucília, rompe o noivado depois da perda da fazenda, demonstrando que o que o motivava não era o amor, mas o interesse financeiro.

d) Sempre unidos e em perfeita harmonia, Joaquim e Marcelo, depois da perda da fazenda, montam um pequeno negócio na cidade, por meio do qual pretendem sustentar a família.

e) Marcelo, filho de Joaquim, é o rapaz que, depois da perda da fazenda, consegue um emprego na cidade e garante o sustento da família, enquanto Lucília, sua irmã, não consegue se adaptar à nova situação e vive deprimida, presa a um passado que não existe mais.

6. Jorge Andrade escreveu “A Moratória”, encenada em 1955 no Rio de Janeiro, cuja arquitetura dramática utiliza dois planos concomitantes – passado e presente –, além de
“diálogos construídos a partir de frases secas, cortantes, incisivas”. Segundo Sábato Magaldi, essas características evidenciam influências, entre outros, do dramaturgo:
a) Nelson Rodrigues
b) Ariano Suassuna
c) Oswald de Andrade
d) Gianfrancesco Guarnieri

7. De autoria de Jorge de Andrade, A moratória é considerada uma das grandes peças da dramaturgia brasileira. Qual o seu tema?
a) A falta de moral das classes dominantes
b) A crise cafeeira do final dos anos 20
c) A perseguição aos judeus do interior do Paraná
d) A queda da bolsa em 1929
e) Nenhuma das respostas anteriores

Carnavais, Malandros e Heróis

CARNAVAL

(UESB) Texto para as questões de 01 a 03

Numa esquina perigosa, conhecida por sua má sinalização e pelas batidas que lá ocorrem, há um acidente de automóvel. Como o motorista de um dos carros está visivelmente errado, o guarda a ele se dirige propondo abertamente esquecer o caso por uma boa propina. O homem fica indignado e, usando o “Você sabe com quem está falando?”, identifica-se como promotor público, prendendo o guarda.
Uma moça visita seu tio, um pescador. Enquanto falava com ele, passa um desconhecido e lhe dirige um gracejo muito pesado. Ouvindo o galanteador, o tio dá-lhe um soco, dizendo: “Você sabe com quem está falando? A moça é minha sobrinha!”
Num posto de atendimento público, alguém espera na fila. Antes do horário regulamentar para o término do expediente, verifica-se que o guichê está sendo fechado e o atendimento do público, suspenso.
Correndo para o responsável, essa pessoa ouve uma resposta insatisfatória, e fica sabendo que o expediente terminaria mais cedo por ordem do chefe. Manda chamar o chefe e, identificando-se como presidente do órgão em pauta, despede todo o grupo.
DAM ATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1990. p. 170-171.
1. Identifique as afirmativas verdadeiras.
Sobre os fatos narrados no texto, é correto afirmar:
I. O ocorrido apresentado no primeiro parágrafo evidencia comportamentos contraditórios dos personagens envolvidos.
II. A primeira e última ocorrência destacam que diferentes grupos humanos praticam relações interpessoais fundamentadas em posição de poder, fruto da condição social de cada um.
III. Os dois últimos acontecimentos são exemplos ilustrativos de negação das propaladas compreensão e cordialidade do brasileiro.
IV. As três situações configuram exemplos de relações sociais pautadas em leis que devem valer para todos.
V. Os três casos são representativos de relações interpessoais isentas de hierarquização de posições sociais.
As alternativas em que todas as afirmativas indicadas são verdadeiras é a
a) I e IV.
b) II e V.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) I, III, IV e V.

2. No segundo parágrafo, o agressor, ao revelar-se tio da “moça” para justificar a sua reação ao galanteio do desconhecido, mostra
a) um recurso legítimo e ponderado para resolver questões.
b) a pessoa que castiga do lado da lei, mantendo o sistema justo.
c) a visão cultural de “cada qual no seu lugar” como sendo uma mera fantasia.
d) a ideia de “consideração” como valor fundamental nas relações interpessoais.
e) um comportamento que nega a ideia de uma sociedade voltada para a integração humana.

3. O enunciador, ao usar o “Você sabe com quem está falando?”, pretende
a) criar um novo conceito de interlocutor.
b) tornar pública uma falsa ideia de sua identidade.
c) colocar o interlocutor em uma posição semelhante à sua.
d) dividir com o seu interlocutor a responsabilidade de uma ação.
e) passar uma imagem de si mesmo como alguém possuidor de autoridade.

Texto 1

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de juiz do Rio de Janeiro que reivindica que a Justiça obrigue os funcionários do prédio onde esse juiz mora a chamá-lo de “senhor” ou de “doutor”, sob pena de multa diária. Na ação judicial, o juiz argumenta que foi chamado pelo porteiro do condomínio de “você” e de “cara” e que ouviu a expressão “fala sério!” após ter feito uma reclamação.
(Mariana Oliveira. “Ministro do STF nega pedido de juiz que quer ser chamado de ‘doutor’”. http://g1.globo.com, 22.04.2014. Adaptado.)

Texto 2

O “Você sabe com quem está falando?” não parece ser uma expressão nova, mas velha, tradicional, entre nós. Na medida em que as marcas de posição e hierarquização tradicional, como a bengala, as roupas de linho branco, o anel de grau e a caneta-tinteiro no bolso de fora do paletó se dissolvem, incrementa-se imediatamente o uso da expressão separadora de posições sociais para que o igualitarismo formal e legal, mas cambaleante na prática social, possa ficar submetido a outras formas de hierarquização social.
(Roberto da Matta. Carnavais, malandros e heróis, 1983. Adaptado.)

4. (UNESP) Considerando a análise do antropólogo Roberto da Matta, o fato descrito no texto 1 pode ser corretamente interpretado como resultante:

a)da contradição entre igualitarismo liberal e autoritarismo cultural.

b) da plena assimilação cultural dos ideais iluministas de cidadania.

c) das tendências estatais de controle totalitário da existência cotidiana.

d) da superação das hierarquias sociais pela universalização ética.

e) da hegemonia ideológica da classe operária sobre a classe burguesa