EXERCÍCIOS SOBRE LINGUAGEM E GÊNEROS LITERÁRIOS

ESTUDANDO

 (Fuvest-SP)

“Oh! Maldito o primeiro que, no mundo,
Nas ondas vela pôs em seco lenho!
Digno da eterna pena do Profundo,
Se é justa a justa Lei que sigo e tenho!
Nunca juízo algum, alto e profundo,
Nem cítara sonora ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e a glória”

Camões. Os lusíadas.

Nos quatro últimos versos, está implicada uma determinada concepção da função da arte. Identifique essa concepção, explicando-a brevemente.

RESPOSTAS
1. O eu lírico determina que àqueles que se lançam aos mares não seja dada nem fama nem memória através da cítara ou do vivo engenho, ou seja, da poesia mais alta e sublime. A arte teria, portanto, o poder de eternizar os altos feitos dos heróis, segundo as palavras do Velho do Restelo.

 

 (Unicamp-SP) Leia atentamente:

“A poesia, ao contrário da filosofia, não é um conhecimento teórico da natureza humana, mas imita, narrativa ou dramaticamente, ações e sentimentos, feitos e virtudes, situações e vícios dos seres humanos. No entanto, a poesia é diferente da história, embora esta também seja uma narrativa de feitos humanos e de situações, das virtudes e dos vícios dos humanos narrados. A diferença está no fato de que AQUELA visa, por meio de uma pessoa ou de um fato, a falar dos humanos em geral (cada pessoa […] não é ela em sua individualidade, mas é ela como exemplo universal, positivo ou negativo, de um tipo humano) e a falar de situações em geral (por meio, por exemplo, do relato dramático de uma guerra, fala sobre a guerra), enquanto ESTA se refere à individualidade concreta de cada pessoa e de cada situação. A poesia trágica não fala de Édipo ou de Electra, mas de um destino humano; a epopeia não fala de Helena, Ulisses ou Agamenon, mas de tipos humanos. A história, ao contrário, fala de pessoas singulares e situações particulares. Por isso, diz Aristóteles, a poesia está mais próxima da filosofia do que da história, já que esta nunca se dirige ao universal.”

Marilena Chauí. Introdução à história da filosofia.

As palavras que estão em maiúsculas foram introduzidas no trecho acima em substituição a duas palavras-chave para a exposição que faz Marilena Chauí das ideias de Aristóteles referentes a distintas formas de conhecimento. Um leitor atento será capaz de identificar as palavras que estavam no texto original, a partir apenas da leitura do trecho aqui apresentado

a) Substitua as palavras em maiúsculas pelas palavras que estavam no texto original.

b) De acordo com o texto, como podem ser caracterizadas as formas de conhecimento referidas por essas palavras?

c) Com base neste texto, a que se dirige a filosofia, segundo Aristóteles?

Resposta

a) AQUELA: poesia; ESTA: história.
b) A poesia, por meio de uma pessoa ou fato, fala dos humanos em geral e de situações universais; a história fala de pessoas singulares e situações particulares.
c) A filosofia dirige-se ao universal – é um conhecimento teórico da natureza humana. Pelo seu caráter universal é que a poesia se aproxima mais da filosofia do que da história.

 

 (Enem-MEC)

“Do pedacinho de papel ao livro impresso vai uma longa distância. Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de forma. A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa; ela faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho. Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda.

O período de maturação na gaveta é necessário, mas não deve se prolongar muito. ‘Textos guardados acabam cheirando mal’, disse Silvia Plath, […] que, com esta frase, deu testemunho das dúvidas que atormentam o escritor: publicar ou não publicar? Guardar ou jogar fora?”

Moacyr Scliar. O escritor e seus desafios.

Nesse texto, o escritor Moacyr Scliar usa imagens para refletir sobre uma etapa da criação literária. A ideia de que o processo de maturação do texto nem sempre é o que garante bons resultados está sugerida na seguinte frase:

a) “A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa”.

b) “Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda”.

c) “O período de maturação na gaveta é necessário, […]”.

d) “Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de forma”.

e) “ela (a gaveta) faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho”.

Resposta

 

 (Enem-MEC)

“E considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! Minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.”   Rubem Braga. Ai de ti, Copacabana. 20. ed.

O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu assim sobre a obra de Rubem Braga:

“O que ele nos conta é o seu dia, o seu expediente de homem, apanhado no essencial, narrativa direta e econômica. (…) É o poeta do real, do palpável, que se vai diluindo em cisma. Dá o sentimento da realidade e o remédio para ela.”

Em seu texto, Rubem Braga afirma que “este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos”. Afirmação semelhante pode ser encontrada no texto de Carlos Drummond de Andrade, quando, ao analisar a obra de Braga, diz que ela é:

a) Uma narrativa direta e econômica.

b) Real, palpável.

c) Sentimento de realidade.

d) Seu expediente de homem.

e) Seu remédio.

 

 (UEL-PR) No início da década de 1960, a tendência em voga no campo artístico internacional é a Arte Pop. A arte brasileira do período se apropriará dessa linguagem, assumindo, porém, um trabalho mais crítico, considerando o momento político no Brasil. Assinale a alternativa cuja imagem apresenta a tendência dominante na arte brasileira quando da instalação do estado de exceção implantado com o golpe militar de 1964.

RESPOSTA  E

 (UEL-PR) Analise as imagens e leia o texto a seguir.

“Arte é um fruto que cresce no homem, como o fruto da planta ou a criança no ventre da mãe. Mas enquanto o fruto da planta, o fruto dos animais, o fruto da mãe tomam formas naturais, utiliza a arte o fruto espiritual do homem, em geral formas tais que se parecem de maneira visível com outras formas.”

ARP, Jean. In: Revista Discutindo Arte. Ano 1, n. 1, p. 39, 2005.

Assinale a alternativa que apresenta a aproximação correta entre o texto de Jean Arp e as obras de Constantin Brancusi e Lygia Clark.

a) Desenvolvimento dos volumes, aproximando-se do cubismo e ameaçando a segurança do olhar que busca uma narrativa visual.

b) Sublimação da experiência estética, determinada pela perda total do referencial da vida cotidiana.

c) Incorporação do conceito de gênese, ou seja, o entendimento de uma forma simples que gera outras formas.

d) Despreocupação com a graça, anulando a relação dinâmica que as formas têm com o referencial que lhe deu origem.

e) Aparência agitada das obras, permitindo que identifiquemos estes artistas como herdeiros dos expressionistas alemães.

 

LITERATURA É UMA LINGUAGEM

 

Alma Minha Gentil, que te Partiste

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento Etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.   Luís Vaz de Camões, in “Sonetos”

 

A CAROLINA

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, – restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.               Machado de Assis

 

1.Em sua carta, Mário de Alencar (filho do escritor José de Alencar) relembra o que Machado de Assis lhe dissera uma vez: que o poema de Camões “tinha a simplicidade sublime de um recado mandado ao céu”. Isto parece confirmar que, na vida real como em suas obras literárias, Machado foi arguto intérprete e amargo observador da condição humana. Compare “Alma minha gentil, que te partiste” com “A Carolina” e explique as diferenças entre ambos os sonetos, no que concerne ao enfoque que cada poeta dá à sua própria morte.


RESPOSTA: Camões mostra a morte que chega e separa os amantes ainda jovens; só resta ao amante aguardar a hora de unir-se à amada em outra vida.
Machado mostra o amor vivido, que chega à velhice. A morte da amada torna-o também morto.

 
 

 

 

(Unifesp) O poema a seguir, de Raimundo Correia, é a base para as questões* 1 e 2.

As pombas

“Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada…

E à tarde, quando a rígida noitada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais…”

 

Lembretes

“É importante acordar
a tempo

é importante penetrar
o tempo

é importante vigiar

estrofe.

Resposta

  1. Na 1ª estrofe, “acordar a tempo” indica a necessidade da reação a algo iminente, em uma postura de reconhecimento da força do tempo. Sendo assim, podemos dizer que a estrofe defende a necessidade de preparar-se para a vida, o que pode ser associado a momentos como a infância ou mesmo o início da fase adulta. Na 2ª estrofe, “penetrar o tempo” já mostra ação que está além da preparação: há, nesse caso, a sugestão de que é preciso compreender o tempo. Trata-se de uma atitude de confronto, de enfrentamento, correspondente à vida adulta ou ao exercício consciente da própria existência. Na 3ª estrofe, a ideia de que é preciso “vigiar o desabrochar do destino” indica o cuidado com que se deve encarar o desenrolar da vida, sem se descuidar das experiências que são oferecidas pela vida, podendo se associar a uma etapa de plenitude ou de multiplicidade de perspectivas.
    b) Conforme dissemos no item anterior, a expressão em destaque pode ser entendida como a necessidade de se ficar atento ao desenrolar dos acontecimentos da vida, em todas as suas etapas.

TEXTO 1

“(…) Durante a primeira metade dos anos 30, a indústria brasileira se expandiu vigorosamente, em virtude da “reserva de mercado” que a crise econômica mundial lhe proporcionava. Neste período, se completava a substituição de importações de produtos do Departamento II, promovida tanto por indústrias como por manufaturas capitalistas. O governo brasileiro agia pragmaticamente, dando apoio direto às atividades atingidas pela crise e assim praticava inconscientemente política keynesiana de sustentação da demanda efetiva. (…)”                                                                                                                                  (SINGER, Paul. ).

TEXTO 2

“(…) O bater do martelo do mestre José Amaro cobria os rumores do dia que cantava nos passarinhos, que bulia nas árvores, açoitadas pelo vento. Uma vaca mugia por longe. O martelo do mestre era forte, mais alto que tudo. O pintor Laurentino foi saindo. E o mestre, de cabeça baixa, ficara no ofício. Ouvia o gemer da filha. Batia com mais força na sola. Aquele Laurentino sairia falando da casa dele. Tinha aquela filha triste, aquela Sinhá de língua solta. Ele queria mandar em tudo como mandava no couro que trabalhava, queria bater em tudo como batia naquela sola. A filha continuava chorando como se fosse uma menina. O que era que tinha aquela moça de trinta anos? (…)”                                                                                                      (REGO, José Lins do. Fogo Morto).

A – Identifique a principal diferença entre o texto 1 e o texto 2.

B – Observando essas diferenças, qual dos dois se caracteriza como texto literário? Justifique sua resposta:

RESPOSTA

a – Um traz dados reais, o outro cria, inventa uma estória.

b – O segundo, pelo fato da estória ser uma invenção, ter uma linguagem que pode provocar impressões diferenciadas a cada leitor, ter elementos como narrador, personagens ambientados num determinado local que ajuda a saber quem são.

 

Assinale a afirmativa INCORRETA.
a) Enquanto a linguagem do historiador, do cientista se define como denotativa, a linguagem do autor literário se define como conotativa.
b) A literatura não existe fora de um contexto social, já que cada autor tem uma vivência social.
c) A obra literária não permite aos leitores gerar várias ideias e interpretações, pois trabalha a linguagem de forma exclusivamente objetiva.
d) A linguagem poética é constituída por uma estrutura complexa, pois acrescenta ao discurso linguístico um significado novo, surpreendente.
e) Para o entendimento de um texto literário, é necessário o conhecimento do código linguístico e de uma pluralidade de códigos: retóricos, míticos, culturais, que se encontram na base da estrutura artístico-ideológica do texto.

 

TEXTO I:
… nunca cessou de espantar-me manifestação de preconceito e hostilidade sociocultural. Em vez de alegrar-se com a diversidade extraordinariamente rica e fecunda de um país que, nessa diversidade, é o mesmo de uma ponta a outra, em vez de aprender com ela e com ela engrandecer-se, há gente que perde tempo e adrenalina num besteirol arrogante e irracional, entre generalizações estúpidas e demonstrações de estreiteza de visão. O sotaque alheio irrita, a maneira de ser exaspera […] nada disso faz ninguém necessariamente melhor ou pior, mas apenas diferente dos outros. 
(RIBEIRO, J. Ubaldo. “O Globo”, 23/05/1995.)

TEXTO II:
O gaúcho do Sul, ao encontrá-lo nesse instante, sobreolhá-lo-ia comiserado.
O vaqueiro do Norte é a sua antítese. Na postura, no gesto, na palavra, na índole e nos hábitos não há equipará-los. O primeiro, filho dos plainos sem fim, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição mais cavalheiresca e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do Norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida e exsicada.
(CUNHA. Euclides da. 1902. “Os sertões”. In: AGUIAR, F. (org.). 1999. “Com palmos medida. Terra, trabalho e conflito na literatura brasileira”. São Paulo, Fundação Perseu Abramo: p. 143.)
3.Os Textos I e II apresentam reflexões sobre diversidade em tipos distintos de texto. Estabeleça, através da seleção vocabular, um contraste entre a linguagem jornalística contemporânea e a literária, do início do século passado, retirando dois exemplos de cada texto.
RESPOSTA: os vocábulos “adrenalina” e “besteirol”, no texto jornalístico, e “sobreolhá-lo-ia”, “plainos”, “afeito”, “exsicada”, no texto literário

GENEROS

 

LITERATURA É GÊNERO: O ÉPICO E O LÍRICO

RECORDAÇÃO

Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.

Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas eram assim, finas e curvas.

As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exalação de água secreta,
de talos molhados, de pólen,
de sepulcro e de ressurreição.

E as borboletas sem voz
dançavam assim veludosamente.

Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
– e incompreensíveis, incompreensíveis.           MEIRELES, Cecília. “Obra poética”.
1.O poema de Cecília Meireles caracteriza-se pela visão intimista do mundo, a presença de associações sensoriais e a aproximação do humano com a natureza. A memória é a fonte de inspiração do eu poético. A partir dessas afirmações, determine o gênero literário predominante no texto , justificando sua resposta com suas próprias palavras.


2.Observa-se no poema a utilização de inúmeras figuras de linguagem como recurso expressivo. Destaque do texto um exemplo de prosopopeia e outro de sinestesia.
RESPOSTA: a) O gênero literário predominante no poema é o lírico, confirmado pela presença do “eu lírico”, pela subjetividade na escolha das imagens, pela valorização das sensações e pela aproximação entre sujeito e objeto.
b) O uso de prosopopeia é visto em: “E as borboletas sem voz/dançavam assim veludosamente.” O emprego da sinestesia pode ser visto no seguinte verso: “Agora, o cheiro áspero das flores”.

 

 (Ufes)

“Quem sabe se nesta terra
não plantarei minha sina?
Não tenho medo da terra
cavei pedra toda a vida
e para quem lutou a braço
contra a piçarra da caatinga
fácil será amansar
esta aqui, tão feminina”  João Cabral de Melo Neto. Morte e vida severina.

Quanto ao gênero literário, é correto afirmar sobre o fragmento do texto lido:

a) Não há lirismo, pois é feito para ser representado:

b) É narrativo, pelo cunho regionalista e social;

c) É dramático, com uma linguagem fortemente poética;

d) É uma peça teatral, sem qualquer lirismo, pela rudeza da linguagem;

e) É mais épico que lírico ou dramático.

Resposta

(Uerj) Com base no texto abaixo, responda às questões de números 2 e 3.

“[…] Não resguardei os apontamentos obtidos em largos dias e meses de observação: num momento de aperto fui obrigado a atirá-los na água. Certamente me irão fazer falta, mas terá sido uma perda irreparável? Quase me inclino a supor que foi bom privar-me desse material. Se ele existisse, ver-me-ia propenso a consultá-lo a cada instante, mortificar-me-ia por dizer com rigor a hora exata de uma partida, quantas demoradas tristezas se aqueciam ao sol pálido, em manhã de bruma, a cor das folhas que tombavam das árvores, num pátio branco, a forma dos montes verdes, tintos de luz, frases autênticas, gestos, gritos, gemidos. Mas que significa isso? Essas coisas verdadeiras podem não ser verossímeis. E se esmoreceram, deixá-las no esquecimento: valiam pouco, pelo menos imagino que valiam pouco. Outras, porém, conservaram-se, cresceram, associaram-se, e é inevitável mencioná-las. Afirmarei que sejam absolutamente exatas? Leviandade. […] Nesta reconstituição de fatos velhos, neste esmiuçamento, exponho o que notei, o que julgo ter notado. Outros devem possuir lembranças diversas. Não as contesto, mas espero que não recusem as minhas: conjugam-se, completam-se e me dão hoje impressão de realidade. […]”

Graciliano Ramos. Memórias do cárcere. Rio, São Paulo: Record, 1984.

(Uerj) O fragmento transcrito expressa uma reflexão do autor-narrador quanto à escrita de seu livro contando a experiência que viveu como preso político, durante o Estado Novo.

No que diz respeito às relações entre escrita literária e realidade, é possível depreender, da leitura do texto, a seguinte característica da literatura:

a) Revela ao leitor vivências humanas concretas e reais;

b) Representa uma conscientização do artista sobre a realidade;

c) Dispensa elementos da realidade social exterior à arte literária;

d) Constitui uma interpretação de dados da realidade conhecida.

(Uerj) A relação entre autor e narrador pode assumir feições diversas na literatura. Pode-se dizer que tal relação tem papel fundamental na caracterização de textos que, a exemplo do livro de Graciliano Ramos, constituem uma autobiografia — gênero literário definido como relato da vida de um indivíduo feito por ele mesmo.

A partir dessa definição, é possível afirmar que o caráter autobiográfico de uma obra é reconhecido pelo leitor em virtude de:

a) Conteúdo verídico das experiências pessoais e coletivas relatadas;

b) Identidade de nome entre autor, narrador e personagem principal;

c) Possibilidade de comprovação histórica de contextos e fatos narrados;

d) Notoriedade do autor e de sua história junto ao público e à sociedade.

Resposta

(Uerj) Com base no texto abaixo, responda às questões de números 4 a 6.

O Corpo
“Acrobata enredado
Em clausura de pele
Sem nenhuma ruptura
Para onde me leva
Sua estrutura?

 

 

Doce máquina
Com engrenagem de músculos
Suspiro e rangido
O espaço devora
Seu movimento
(Braços e pernas
sem explosão)

Engenho de febre
Sono e lembrança
Que arma
E desarma minha morte
Em armadura de treva.”

Armando Freitas Filho

(Uerj) No poema, o eu lírico desenvolve, empregando diferentes imagens, a ideia de corpo como clausura. Isso não ocorre no seguinte verso:a)

a)“Acrobata enredado” (v. 1).

b) “Sem nenhuma ruptura” (v. 3).

c) “Com engrenagem de músculos” (v. 7).

d) “Em armadura de treva.” (v. 17).

(Uerj) A concisão é uma das características que mais se destacam na estrutura do poema. Essa concisão pode ser atribuída a

a) Clara ausência de conectivos, explorando a sonoridade do poema.

b) Pouco uso de metáforas, enfatizando a fragmentação dos versos.

c) Abrupta mudança de versos, reforçando a lógica das ideias.

d) Baixa frequência de verbos, exprimindo a inércia do eu lírico.

(Uerj)

“Engenho de febre
Sono e lembrança
Que arma
E desarma minha morte
Em armadura de treva.”

A ausência de pontuação nessa última estrofe do poema pode nos levar a diferentes leituras do texto. A única interpretação incoerente desse trecho é apresentada em:

a) Engenho de febre e de sono, e lembrança que arma e desarma minha morte em armadura de treva.

b) Engenho de febre, de sono e de lembrança, a qual arma e desarma minha morte em armadura de treva.

c) Engenho de febre, de sono e de lembrança, o qual arma e desarma minha morte em armadura de treva.

d) Engenho de febre, engenho que é sono e lembrança, e que arma e desarma minha morte em armadura de treva.

Resposta

 

 

(Unifesp) Leia o poema de Manuel Bandeira para responder às questões de números 7 a 10.

Versos de Natal

“Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.”

(Unifesp) Para o poeta, o espelho é um amigo verdadeiro porque:

a) Não permite que ele sofra, atrelando-o à realidade em que vive.

b) Aguça seus sentidos, incentivando-o aos devaneios, como uma criança.

c) Perpetua a crença de que a imaginação nunca se acaba.

d) Mostra a realidade, desnudando-lhe as faces da velhice.

e) Denuncia o estado decrépito em que está, mas cria-lhe a fantasia da felicidade.

 

(Unifesp) No poema, a metáfora do espelho é um caminho para a reflexão sobre:

a) A velhice do poeta, revelada por seu mundo interior, triste e apático.

b) A magia do Natal e as expectativas do presente, maiores ainda na velhice.

c) O encanto do Natal, vivido pelo homem-menino que a tudo assiste sem emoção.

d) A alegria que ronda o poeta, fruto dos sonhos e da esperança contidos no homem e ausentes no menino.

e) As limitações impostas pelo mundo externo ao homem e os anseios e sonhos vivos no menino.

 

(Unifesp) O fato de o poeta reconhecer em si a existência do menino indica que:

a) Há toda uma fragilidade envolvendo-o, já que se sente um homem triste, ao qual não cabe mais nada senão esperar a morte.

b) Tem consciência de uma força para viver, pois o menino se define como sua base e lhe permite romper com a realidade que o circunda.

c) Se ajusta placidamente à velhice presente, a qual o amigo espelho insiste em mostrar-lhe de forma degradante e revestida de tristeza.

d) Vive como uma criança, sempre alegre e sonhador, totalmente alheio ao mundo real de que faz parte.

e) Contesta o mundo em que vive, idealizado e opressor, que reflete os seus cabelos brancos e a tristeza que sente.

 

(Unifesp) No poema, o poeta contesta o senso comum, isto é, a ideia de que:

a) As pessoas, na velhice, esperam pelos presentes de Natal. Para ele, os presentes são direitos apenas das crianças.

b) Os idosos sabem reconhecer a força exercida neles pelo tempo. Para ele, essas pessoas deixam a realidade e vivem num mundo distante e cheio de fantasias.

c) O menino morre com a chegada da vida adulta. Para ele, o menino está atrelado ao homem até o fim, portanto, vivo por toda a vida.

d) A chegada da velhice faz com que as pessoas voltem a ser crianças. Para ele, os idosos são perspicazes e enxergam a realidade de forma crítica e consciente.

e) O Natal é uma época de alegria e de união entre as pessoas. Para ele, a ocasião vale pelos presentes e não pelos sonhos e sentimentos.

 

 (UFPA) Os gêneros literários constituem modelos aos quais se deve submeter a criação artística. Deles NÃO se deve considerar como verdadeiro:

(A) Segundo concepção clássica, são três os gêneros literários.

(B) Embora a obra literária possa encerrar emoções diversas, podendo haver intersecção de elementos líricos, narrativos e dramáticos, há sempre a prevalência de uma destas modalidades.

(C) A criação poética, de caráter lírico, privilegiará os diálogos dos personagens.

(D) Novelas, crônicas, romances e contos são espécies literárias de caráter narrativo.

(E) O discurso literário é considerado dramático quando permite, em princípio, ser representado.

 

Com relação aos gêneros literários, é INCORRETO afirmar que, no gênero
a) lírico, o artista retrata criticamente a realidade.
b) épico, o autor se apega à objetividade e à impessoalidade.
c) lírico, a tendência do escritor é revelar as emoções que o mundo causou nele.
d) dramático, há ausência de narrador, apresentando-se um conflito através do discurso direto.

 

Sobre o gênero literário desse texto, é correto afirmar que há
a) traços do épico, como personagens e narrador.
b) elementos do lírico, como rimas e figuras de linguagem.
c) mistura entre o épico e o lírico, com a valorização de ambos.
d) características do drama, com apontamentos para a representação.

 (UEG-2006)

ARANHA DE ÁGUA

Prendeu o corpo
ao silêncio. Saltou.
A aranha erra,
às vezes,
o alvo que sonhou.
Todo se desfia.
Mais que planta de prédio, era fria.
Com mais patas que alma.
E dedos de vento, seus fios.
Com calma se arma de morte.
Aranha escapa de si
Por um fio.
De cada desafio alimenta-se.
Mas sua alma calculada
É toda aérea.
Ela, chuva no vidro
E líquidas suas ligas.
Águas lhe dão garras à vida. GUIMARAES, Edmar. <i>Caderno</i>. Poesia. Goiânia: Kelps, 2005. p. 37.

Entre os recursos expressivos, aquele que se destaca como determinante para o desenvolvimento temático do poema é o jogo semântico entre os termos:

a) morte e vida.

b) desfia, fio e desafio.

c) patas e alma.

d) chuva , líquidas e águas.

 (UEG-2006)

Pode-se verificar no poema (questão 12 – UEG-2006) a interferência da forma narrativa no gênero lírico. Dos efeitos poéticos construídos no texto, o que indica mais eficazmente essa interferência é

a) a mudança de tempo e ação na 1ª estrofe.

b) o verso livre e a pontuação regular.

c) a visão das coisas sob um ponto de vista afastado.

d) a unidade de espaço fragmentado na visão do poeta.

 

Leia as estrofes seguintes e assinale a alternativa INCORRETA:
“Mas um velho, de aspecto venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Com saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do esperto peito:
“Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Com a aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!”
(Camões)

“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!”
(Fernando Pessoa)
a) Através do tema tratado nas estrofes citadas, podemos dizer que as mesmas pertencem a dois grandes poemas épicos da Literatura Portuguesa: OS LUSÍADAS e MENSAGEM.
b) Nessas estrofes, os dois poemas relacionam-se ao mencionarem aspectos negativos das expedições portuguesas.
c) No poema de Camões todas as estrofes apresentam oito versos em decassílabos heroicos; no poema de Pessoa não há a mesma regularidade.
d) Uma das estrofes d’OS LUSÍADAS revela a fala do Velho do Restelo criticando os sentimentos de glória e cobiça na empresa portuguesa.
e) Os dois poemas não podem ser relacionados porque, além de um ser épico e o outro lírico, um pertence ao Renascimento e o outro ao Modernismo.

LITERATURA É GÊNERO: O DRAMÁTICO

 

 

(Vunesp)

Instrução: As questões 1 e 2 tomam por base uma passagem da peça teatral O judeu, de Bernardo Santareno (pseudônimo de António Martinho do Rosário, 1924-1980) e o poema O início do interrogatório, do poeta brasileiro Jamil Almansur Haddad (1914-1988).

O judeu

António José (Que perde o autodomínio, desesperado.) Nem judeu, nem judaizante eu sou!! Inocente me encontro das culpas de que me acusais! Inocente estou e inocente me afirmarei, até que me matem!!…

2º Inquisidor (Violento, tigrino.) Judeu e judaizante, isso és!! A tua pestilenta boca vomitou, enfim, essas palavras malditas! Judeu e judaizante. E, com o dizê-las, o bafo do Demónio já enche de fedor esta Mesa, esta Casa, Lisboa inteira! Judeu e judaizante!!

Inquisidor-Mor (Como uma lâmina; febre negra e fria nos olhos.) Obrigado se acha o preso a declarar, diante deste Santo Tribunal, o nome, ou nomes, da pessoa, ou pessoas, de que aprendeu os erros que ora lhe apodrecem a consciência. Quando e aonde foi? Quais as pessoas que lá estavam presentes? Quais as pessoas com quem comunicou professar os mesmos erros…?

António José Nem judeu, nem judaizante, eu fui, ou sou. (O Inquisidor-Mor faz sinal ao Carrasco. Este vem ao preso, leva-o ao centro de cena e aí o ata, com uma corda, pelos braços.)

Notário (Que se levanta.) Em nome dos Reverendos Inquisidores que servem à Mesa deste Santo Tribunal, protesto que se o réu no tormento morrer, quebrar algum membro ou perder algum sentido, a culpa será sua, pois voluntariamente se expõe àquele perigo, que pode evitar confessando suas culpas, e não será dos ministros do Santo-Ofício que, fazendo justiça segundo os merecimentos de sua causa, o julgam a tormento. (Senta-se. O Carrasco logo puxa a corda que, prendendo António José pelos braços, passa numa roldana colocada em cima, na teia: O preso é assim içado, ficando suspenso no ar.)

Inquisidor-Mor Da parte de Nosso Senhor, com muita caridade, admoestamos o réu a confessar suas culpas. (António José, suspenso pelos braços, volta a cabeça, cerrando os dentes. Sinal do Inquisidor-Mor: O Carrasco larga a corda e, deste modo, António José despenha-se no ar em direção ao pavimento; num golpe súbito, o Carrasco de novo sustém a corda: com o corpo contorcendo-se-lhe todo pela violência do choque e as cordas enterrando-se-lhe nas carnes, o Judeu solta um urro de dor. Pausa nos tratos: António José suspenso no ar.) Uma vez mais, da parte de Nosso Senhor, pelas Suas benditas entranhas inquirim os do réu: Disposto está a confessar as suas culpas, para descargo da sua consciência, salvação da sua alma e para que se ponha em estado de com ele, neste e em maiores transes, o Santo-Ofício poder usar de misericórdia? (António José morde os lábios para não falar. O Geral faz sinal ao Carrasco: Recomeçam os tratos de polé.)

António José (Ao sofrer, pela 2ª vez, as dores do tremendo esticão, não se domina: cede.) Confesso!… Por amor de Deus, tirai-me daqui!… Confesso!… Quanto quiserdes, eu confessarei!… Confesso!… Confesso!…”

Bernardo Santareno. O judeu, narrativa dramática em três atos.

O início do interrogatório

“— Onde é a terra,
Fortificada?
Onde é a Serra?
— Não digo nada.
— Sierra Maestra
Ela é chamada.
Ao Norte? À Destra?
— Não digo nada.
Glória sem mágoa,
Paixão que exalta.
Só sei que é alta
Como o Aconcágua.
— Vou inquiri-lo,
Alma danada,
Ao teu mamilo,
Junto o cautério,
Morra o mistério!
— Não digo nada.
Só sei que inunda
A altura acesa.
Ela é profunda
Como a pobreza.
— Irei prendê-lo,
De madrugada
Ao tornozelo.

— Não digo nada.
Áspera e mansa,
Ela é azulada
Como a esperança.
— Morres à míngua.
Na hora aprazada
Queimo-te a língua…

— Não digo nada.
Ah, não a cita
O poeta Herédia!
Ela é infinita
Como a tragédia.”

Jamil Almansur Haddad. Romanceiro cubano.

1. (Vunesp) Os dois fragmentos transcritos tomam como tema a tortura, prática que consideramos abominável, mas que marca toda a História e ainda hoje se faz presente em mais de um ponto do globo. Releia-os atentamente e, considerando que o primeiro fragmento foi extraído de uma peça teatral e o segundo é um poema:

a) Determine a função que exercem os travessões no poema de Haddad;

b) Aponte a razão pela qual muitas frases do texto de Bernardo Santareno são escritas em itálico e entre parênteses.

 

2. (Vunesp) Embora possa ser considerada, ingenuamente, apenas sob o aspecto físico, a tortura é uma prática que não agride somente o corpo de uma pessoa, mas também o seu espírito, sendo, neste sentido, o exemplo mais escabroso da degradação de um homem por outro ou por outros, por motivos que vão desde os puramente individuais e mesquinhos aos políticos, religiosos, policiais, etc. Tendo em mente esta observação:

a) Identifique o motivo mais evidente da tortura em cada um dos dois textos;

b) Considerando que a tortura pode efetuar-se do aspecto moral (tortura moral) ao aspecto físico (tortura física), muitas vezes simultaneamente, aponte a diferença que há, com relação a tais aspectos, entre os fragmentos de Haddad e o de Santareno.

Resposta

1. a) No poema de Haddad, os travessões exercem, na verdade, duas funções complementares. A primeira é caracterizar o discurso direto no diálogo que ocorre entre o inquiridor e o inquirido: o travessão indica a fala de cada personagem tal qual ela a proferiu. A segunda é suprir a ausência de um narrador, indicando mudança de locutor na alternância dos turnos, ou seja, marcando o início da fala de outra personagem.
b) A razão de muitas frases do texto de Bernardo Santareno, criado para ser encenado, serem escritas em itálico e entre parênteses é que elas constituem rubricas ou marcações teatrais, características do gênero dramático. É próprio do gênero que ele seja constituído de sequências de falas das personagens, sem a intermediação de um narrador. No entanto, as personagens, além de falar, executam movimentos e expressam sentimentos sob variadas formas. Daí ser necessário que o texto dramático seja entremeado de rubricas, ou seja, de instruções que indiquem o modo como as falas devem ser proferidas e os movimentos que devem ser executados pelas personagens. Normalmente essas rubricas são colocadas entre parênteses e em caracteres diferentes daqueles usados nas falas das personagens.

2. a) Na peça O judeu, o motivo da tortura é religioso. Os inquisidores acusam a personagem Antônio José de judaísmo. No poema O início do interrogatório, o motivo da tortura é político. O inquiridor busca saber onde fica a Sierra Maestra, esconderijo de revolucionários cubanos.
b) No texto do dramaturgo português Bernardo Santareno, apresentam-se, simultaneamente, tanto a tortura moral (nas falas do 2º Inquisidor e do Notário) quanto a física, descrita com detalhes nas rubricas. No texto de Almansur Haddad, mostra-se uma tortura moral, indicada nas ameaças de suplício físico feitas pelo inquiridor.

 

(Uerj) Com base no texto abaixo, responda às questões de números 3 e 4.

Coplas

I

“O GERENTE — Este hotel está na berra!
Jamais houve nesta terra
Um hotel assim mais tal!
Toda a gente, meus senhores,
Toda a gente ao vê-lo diz:
Que os não há superiores
Na cidade de Paris!
Que belo hotel excepcional
O Grande Hotel da Capital
Federal!
CORO — Que belo hotel excepcional, etc….”

II

“O GERENTE — Nesta casa não é raro
Protestar algum freguês:
Coisa é muito natural!
Acha bom, mas acha caro
Quando chega o fim do mês.
Por ser bom precisamente,
Se o freguês é do bom-tom
Vai dizendo a toda a gente
Que isto é caro mas é bom.
Que belo hotel excepcional!
O Grande Hotel da Capital
Federal!
CORO — Que belo hotel excepcional, etc….”

“O GERENTE (Aos criados) — Vamos! Vamos! Aviem-se! Tomem as malas e encaminhem estes senhores! Mexam-se! Mexam-se!… (Vozerio. Os hóspedes pedem quarto, banhos, etc…. Os criados respondem. Tomam as malas, saem todos, uns pela escadaria, outros pela direita.)

Cena II

“O GERENTE, depois, FIGUEIREDO

O GERENTE (Só.) — Não há mãos a medir! Pudera! Se nunca houve no Rio de Janeiro um Hotel assim! Serviço elétrico de primeira ordem! Cozinha esplêndida, música de câmara durante as refeições da mesa redonda! Um relógio pneumático em cada aposento! Banhos frios e quentes, duchas, sala de natação, ginástica e massagem! Grande salão com um plafond pintado pelos nossos primeiros artistas! Enfim, uma verdadeira novidade! — Antes de nos estabelecermos aqui, era uma vergonha! Havia hotéis em São Paulo superiores aos melhores do Rio de Janeiro! Mas em boa hora foi organizada a Companhia do Grande Hotel da Capital Federal, que dotou esta cidade com um melhoramento tão reclamado! E o caso é que a empresa está dando ótimos dividendos e as ações andam por empenhos! (Figueiredo aparece no topo da escada e começa a descer.) Ali vem o Figueiredo. Aquele é o verdadeiro tipo do carioca: nunca está satisfeito. Aposto que vem fazer alguma reclamação.”

AZEVEDO, Arthur. A Capital Federal . Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1972.
3. (Uerj) A Capital Federal, peça escrita por Arthur Azevedo e encenada com sucesso até hoje, retrata o Rio de Janeiro no fim do século XIX.

a) O texto demonstra como já circulavam amplamente no Rio de Janeiro comparações com modelos estrangeiros de modernidade. Transcreva dois versos que confirmem esta afirmativa.

b) Transcreva do texto duas frases completas em que o progresso técnico e o conforto são apresentados como qualidades simultâneas do Grande Hotel.

4. (Uerj) O texto I faz parte de uma peça de teatro, forma de expressão que se destacou na captação das imagens de um Rio de Janeiro que se modernizava no início do século XX.

a) Aponte o gênero de composição em que se enquadra esse texto e um aspecto característico desse gênero.

b) A fala do gerente revela atitudes distintas, quando se dirige aos criados e quando está só. Identifique o modo verbal e a função da linguagem predominantes na fala dirigida aos criados.

Resposta

3. a) “Que os não há superiores/Na cidade de Paris!”
b) Duas dentre as frases: “Serviço elétrico de primeira ordem!”; “Um relógio pneumático em cada aposento!”; “Banhos frios e quentes, duchas, sala de natação, ginástica e massagem!”

4. a) O texto pertence ao gênero dramático. Os seguintes aspectos característicos desse gênero estão presentes no texto transcrito: ausência de narrador; presença de rubricas; predomínio de diálogos; personagens encarnados por atores; encenação dos episódios em um palco.
b) O modo verbal predominante é o imperativo; a função da linguagem é a apelativa ou conativa.

 

 (UFG-2006) Leia a canção abaixo:

Aos quatro cantos o seu corpo

Partido, banido.

Aos quatro ventos os seus quartos,

Seus cacos de vidro.

O seu veneno incomodando

A tua honra, o teu verão.

Presta atenção!

Presta atenção!

Aos quatro cantos suas tripas,

De graça, de sobra,

Aos quatro ventos os seus quartos,

Seus cacos de cobra,

O seu veneno arruinando

A tua filha, a plantação.

Presta atenção!

Presta atenção!

Aos quatro cantos seus gemidos,

Seu grito medonho,

Aos quatro cantos os seus quartos,

Seus cacos de sonho,

O seu veneno temperando

A tua veia, o teu feijão.

Presta atenção!

Presta atenção!

Presta atenção!

Presta

BUARQUE, Chico; GUERRA Ruy. Calabar. O elogio da traição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 68-69.

Na peça teatral Calabar, a personagem Bárbara entoa a canção “Cobra-de-Vidro”, acima transcrita.

Considerando-se os gêneros literários, o que a presença desse texto na obra evidencia?

Resposta

5. Gabarito oficial: Demonstra a hibridização dos gêneros dramático e lírico.

6. (PRISE/UEPA-2006) Assinale a alternativa que indica corretamente os gêneros literários dos textos abaixo relacionados, na sequência em que estão dispostos

I- “O Dr. Mamede, o mais ilustre e o mais eminente dos alienistas, havia pedido a três de seus colegas e a quatro sábios que se ocupavam de ciências naturais, que viessem passar uma hora na casa de saúde por ele dirigida para que lhes pudesse mostrar um de seus pacientes.”

(Guy de Maupassant)

II- Todas as noites o sono nos atira da beira de um cais
E ficamos repousando no fundo do mar.
O mar onde tudo recomeça…
Onde tudo se refaz…
Até que, um dia, nós criaremos asas.
E andaremos no ar como se anda na terra.

(Mário Quintana)

III- Oh! Que famintos beijos na floresta!
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vênus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.

(Luiz de Camões)

IV- Velha: E o lavrar, Isabel?
Isabel: Faz a moça mui mal feita,
corcovada, contrafeita,
de feição de meio anel;
e faz muito mau carão,
e mau costume d’olhar.
Velha: Hui! Pois jeita-te ao fiar
Estopa ou linho ou algodão;
Ou tecer, se vem à mão.
Isabel: Isso é pior que lavrar.

(Mário Quintana)

a) Narrativo – Épico – Lírico – Dramático.

b) Dramático – Lírico – Épico – Narrativo

c) Narrativo – Lírico – Épico – Dramático

d) Dramático – Épico – Narrativo – Lírico

e) Épico – Dramático – Narrativo – Lírico

Resposta

 

LITERATURA É EXPRESSÃO DE UMA ÉPOCA

 

 

(Vunesp)

Instrução: As questões de números 1, 2 e 3 tomam por base um trecho de uma carta do Padre Antônio Vieira (1608-1697) e um soneto do poeta simbolista brasileiro Péthion de Villar (Egas Moniz Barreto de Aragão, 1870-1924).

Carta XIII — Ao Rei D. João IV — 4 de abril de 1654

“(…)

Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V.M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem.

Primeiramente nenhum destes índios vai senão violentado e por força, e o trabalho é excessivo, e em que todos os anos morrem muitos, por ser venenosíssimo o vapor do tabaco: o rigor com que são tratados é mais que de escravos; os nomes que lhes chamam e que eles muito sentem, feiíssimos; o comer é quase nenhum; a paga tão limitada que não satisfaz a menor parte do tempo nem do trabalho; e como os tabacos se lavram sempre em terras fortes e novas, e muito distante das aldeias, estão os índios ausentes de suas mulheres, e ordinariamente eles e elas em mau estado, e os filhos sem quem os sustente, porque não têm os pais tempo para fazer suas roças, com que as aldeias estão sempre em grandíssima fome e miséria.

Também assim ausentes e divididos não podem os índios ser doutrinados, e vivem sem conhecimento da fé, nem ouvem missa nem a têm para a ouvir, nem se confessam pela Quaresma, nem recebem nenhum outro sacramento, ainda na morte; e assim morrem e se vão ao Inferno, sem haver quem tenha cuidado de seus corpos nem de suas almas, sendo juntamente causa estas crueldades de que muitos índios já cristãos se ausentam de suas povoações, e se vão para a gentilidade, e de que os gentios do sertão não queiram vir para nós, temendo-se do trabalho a que os obrigam, a que eles de nenhum modo são costumados, e assim se vêm a perder as conversões e os já convertidos; e os que governam são os primeiros que se perdem, e os segundos serão os que os consentem; e isto é o que cá se faz hoje e o que se fez até agora.”

Padre Antônio Vieira. Carta XIII. 1949.

O último pajé

“Cheio de angústia e de rancor, calado,
Solene e só, a fronte carrancuda,
Morre o velho Pajé, crucificado
Na sua dor, tragicamente muda.
Vê-se-lhe aos pés, disperso e profanado,
O troféu dos avós: a flecha aguda,
O terrível tacape ensanguentado,
Que outrora erguia aquela mão sanhuda.
Vencida a sua raça tão valente,
Errante, perseguida cruelmente,
Ao estertor das matas derrubadas!
‘Tupã mentiu!’ e erguendo as mãos sagradas,
Dobra o joelho e a calva sobranceira
Para beijar a terra brasileira.”

Péthion de Villar. A morte do pajé. 1978.

 

1. (Vunesp) Embora separados por mais de dois séculos, os textos apresentados focalizam uma mesma questão social surgida no Brasil-Colônia, que tem repercussões até os dias atuais. Releia os dois textos com atenção e, a seguir:

a) Identifique a questão social abordada por ambos os textos;

b) Explique em que medida o poema de Péthion de Villar, escrito em 1900, simboliza, com certa dramaticidade, um dos desfechos possíveis dos problemas apontados em 1654 por Vieira ao rei de Portugal.

 

2. (Vunesp) Podemos estranhar, por vezes, o emprego de certas palavras nos textos, seja por não serem muito comumente usadas, seja por manobras estilístico-expressivas do escritor. O contexto em que tais palavras se encontram, todavia, permite percebermos o sentido sem que precisemos socorrer-nos do dicionário. Com base neste comentário:

a) Aponte o que pretende significar Vieira, no terceiro parágrafo, sob o ponto de vista religioso, com a expressão “gentios do sertão”;

b) Estabeleça, com base na leitura de todo o poema, o sentido que a palavra “crucificado” apresenta no terceiro verso do soneto de Péthion.

 

3. (Vunesp) Ao focalizar como tema a mesma questão histórico-social, Vieira e Péthion o fazem sob pontos de vista distintos. Lembrando que Vieira escreve uma carta ao rei e que Péthion escreve um poema, responda:

a) O que quer enfatizar Vieira com a frase final “… e isto é o que cá se faz hoje e o que se fez até agora”?

b) Por que, mesmo situando seu conteúdo num plano imaginário, idealizado, simbólico, o poema de Péthion não desfigura a realidade em que se baseia?

 

RESPOSTAS

  1. a) A questão social abordada pelos textos é a do extermínio indiscriminado dos índios pelos brancos — ou, em outros termos, a falta de uma política de inclusão social do indígena no processo de civilização das terras virgens da América Portuguesa.
    b) O poema de Péthion de Villar descreve a morte individual de um índio, particularizando o processo social de que fala a carta de Vieira. O texto poético encena o drama do ponto de vista psicológico, ao imaginar o extermínio de uma etnia por meio de um indivíduo. O de Vieira trata a questão como tema cultural, discorrendo sobre as condições gerais do povo oprimido.

    2. a) A expressão “gentios do sertão” remete àqueles que “vivem sem conhecimento da fé”, isto é, aos que ainda não foram catequizados e conduzidos ao cristianismo. O substantivo “gentio” é, muitas vezes, empregado como sinônimo de pagão, enquanto a locução adjetiva “do sertão” designa quem vive distante das “povoações” a que refere Vieira. Assim, a expressão “gentios do sertão” indica todos aqueles que não são adeptos do cristianismo e que se mantêm distantes dos povoados que estavam sob a influência da Igreja.
    b) A palavra “crucificado” está sendo empregada para indicar o momento em que o pajé morre. Esse adjetivo, impregnado de traços semânticos cristãos (na medida em que a cruz é o principal símbolo religioso da Igreja), reforça a hipótese de que o pajé passou por um processo forçado de cristianização, que fez com que sua cultura fosse “profanada”. Tal situação justifica a conclusão final do pajé (“Tupã mentiu”), pois nem mesmo o deus dos índios impediu que o pajé fosse “crucificado na sua dor”.

    3. a) Vieira descreve, na carta, o resultado da ação dos colonizadores em relação aos índios: submetidos ao trabalho desumano nas plantações de tabaco, na condição de escravos, sem poder cuidar de suas mulheres e filhos, que se viam reduzidos à miséria — o que tornava inviável o esforço missionário de conversão dos gentios à fé católica. Com a frase final, ele enfatiza o caráter danoso da ação dos colonizadores — tanto dos governantes, responsáveis pelos maus tratos, quanto daqueles que permitiam tal procedimento, uma vez que ambos não prejudicavam somente os índios e o trabalho missionário, mas a eles próprios, pois a ação dos primeiros (governantes) e a omissão dos segundos (colonizadores governados), igualmente, os levariam à perdição eterna.
    b) A realidade em que se baseia o soneto de Péthion de Villar é a do quase extermínio físico e cultural dos índios no Brasil, em decorrência da ação colonizadora. Tal realidade não é deturpada pelo poema na medida em que se trata de um fato histórico. No entanto, exatamente por ser uma obra literária, o soneto opera uma transfiguração ficcional da realidade.

 

Na frase “… consumo das significações no SEIO da comunicação social…”, a palavra em destaque é, no plano semântico e estilístico,
a) denotação e paradoxo.                     b) conotação e sinédoque.
c) denotação e pleonasmo.                   d) conotação e catacrese.
e) conotação e antítese.

Leia o texto a seguir e assinale o que for correto.

Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinícius de Moraes)

01) A teoria literária moderna reconhece três gêneros literários fundamentais – o épico, o lírico e o dramático – e, apesar de não fazer diferença de prestígio entre eles, não aceita a mistura deles em uma mesma obra literária. Podem-se subdividir esses três gêneros em espécies ou formas: o soneto é uma das formas dramáticas; a tragédia é uma das formas épicas; a balada é uma das formas líricas.
02) No texto acima, predomina o gênero dramático, que tem a sua manifestação mais viva nos aspectos trágicos, procurando representar os conflitos e os dramas vivenciados pelos homens e a precariedade do mundo em que estão inseridos. Nesse caso específico, trata-se de representar o drama da separação de dois amantes.
04) No texto acima, predomina o gênero lírico, caracterizado, essencialmente, por manifestar a subjetividade do eu-lírico, expressando-lhe os sentimentos, as emoções, o mundo interior. De modo geral, a musicalidade é um elemento fundamental no texto lírico. Nesse texto de Vinícius de Moraes, além das rimas, a ocorrência considerável de fonemas sibilantes /sê/ e a semelhança de som de palavras como fez, “espuma”, “espalmadas”, “espanto” etc. consistem nos principais recursos empregados pelo artista para alcançar a referida sonoridade.
08) No texto acima, pertencente ao gênero lírico, predomina: a) a antítese como figura de linguagem; b) a referência a fatos presentes como deflagradores do conflito do eu-lírico; c) a função conativa da linguagem; d) os versos decassílabos; e) as rimas consoantes, pobres e interpoladas; f) o emprego da linguagem figurada; g) a expressão do conflito do eu-lírico decorrente da separação amorosa.
16) Pode-se afirmar que: a) a antítese, figura de linguagem predominante no texto acima, exprime ideias cuja força significativa reside na oposição dos contrários. É o que acontece no verso “E do momento imóvel fez-se o drama”, em que o conflito vivido pelo eu-lírico atinge seu ponto culminante; b) no texto literário, dependendo do contexto, uma mesma palavra pode ter uma significação objetiva (denotação) ou sugerir outras significações, marcadas pela subjetividade do emissor (conotação). No verso “De repente da calma fez-se o vento”, as palavras estão empregadas em sentido figurado ou conotativo.
32) Pode-se afirmar que: a) o soneto, composto de dois quartetos e de dois tercetos, é uma das formas poemáticas mais tradicionais e difundidas nas literaturas ocidentais e expressa, quase sempre, conteúdo lírico; b) o soneto costuma conter uma reflexão sobre um tema ligado à vida humana. No texto acima, Vinícius de Moraes, ao retomar esse modo tradicional de compor versos, presta homenagem aos grandes clássicos da literatura, reconhecendo, no presente, a herança cultural do passado.
SOMA ( ___________ )                    resposta:52

1.TEXTO I:
… nunca cessou de espantar-me manifestação de preconceito e hostilidade sociocultural. Em vez de alegrar-se com a diversidade extraordinariamente rica e fecunda de um país que, nessa diversidade, é o mesmo de uma ponta a outra, em vez de aprender com ela e com ela engrandecer-se, há gente que perde tempo e adrenalina num besteirol arrogante e irracional, entre generalizações estúpidas e demonstrações de estreiteza de visão. O sotaque alheio irrita, a maneira de ser exaspera […] nada disso faz ninguém necessariamente melhor ou pior, mas apenas diferente dos outros.
(RIBEIRO, J. Ubaldo. “.)

TEXTO II:
O gaúcho do Sul, ao encontrá-lo nesse instante, sobreolhá-lo-ia comiserado.
O vaqueiro do Norte é a sua antítese. Na postura, no gesto, na palavra, na índole e nos hábitos não há equipará-los. O primeiro, filho dos plainos sem fim, afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição mais cavalheiresca e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do Norte. Não conhece os horrores da seca e os combates cruentos com a terra árida e exsicada.                
(CUNHA. Euclides da. 1902. “Os sertões”.)

Os Textos I e II apresentam reflexões sobre diversidade em tipos distintos de texto. Estabeleça, através da seleção vocabular, um contraste entre a linguagem jornalística contemporânea e a literária, do início do século passado, retirando dois exemplos de cada texto.

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
resposta: Os vocábulos “adrenalina” e “besteirol”, no texto jornalístico, e “sobreolhá-lo-ia”, “plainos”, “afeito”, “exsicada”, no texto literário.

2.”Comenta-se, um pouco rápido demais, que a predileção que os leitores sentimos por um ou outro personagem vem da facilidade com que nos identificamos com eles. Esta formulação exige algumas pontuações: não é que nos identifiquemos com o personagem, mas sim que este nos identifica, nos aclara e define frente a nós mesmos; algo em nós se identifica com essa individualidade imaginária, algo contraditório com outras ‘identificações semelhantes’, algo que de outro modo apenas em sonhos haveria logrado estatuto de natureza. A paixão pela literatura é também uma maneira de reconhecer que cada um somos muitos, e que dessa raiz, oposta ao senso comum em que vivemos, brota o prazer literário.”
(Traduzido de SAVATER, Fernando. “Criaturas del aire”. Barcelona: Ediciones Destino,1989.)
Este texto trata de um conceito importante na teoria da literatura: o conceito de catarse.
De acordo com o autor, pode-se definir catarse como o processo que afeta o leitor no sentido de:
a) valorizar o imaginário                               c) superar o senso comum
b) construir a personalidade                       d) liberar emoções reprimidas

Considere este trecho de um diálogo entre pai e filho (do romance “Lavoura arcaica”, de Raduan Nassar):
– Quero te entender, meu filho, mas já não entendo nada.
– Misturo coisas quando falo, não desconheço, são as palavras que me empurram, mas estou lúcido, pai, sei onde me contradigo, piso quem sabe em falso, pode até parecer que exorbito, e se há farelo nisso tudo, posso assegurar, pai, que tem muito grão inteiro. Mesmo confundindo, nunca me perco, distingo para o meu uso os fios do que estou dizendo.
No trecho, ao qualificar o seu próprio discurso, o filho se vale tanto de linguagem denotativa quanto de linguagem conotativa.

  1. a) A frase “estou lúcido, pai, sei onde me contradigo” é um exemplo de linguagem de sentido denotativo ou conotativo? Justifique sua resposta.

    b) Traduza em linguagem de sentido denotativo o que está dito de forma figurada na frase: “se há farelo nisso tudo, posso assegurar, pai, que tem muito grão inteiro.”

    resposta:a) A frase “estou lúcido, pai, sei onde me contradigo” é de sentido denotativo, pois expressa de forma inequívoca um significado de base: a consciência do filho da lucidez diante de seu discurso desconexo.

    b) Uma tradução possível é: se no que eu digo pode haver alguma obscuridade ou desconexão, tenha certeza, meu pai, de que muita coisa aí contida também é coerente e muito bem pensada.

 

À DERIVA

O coração é a casa de ninguém.
Tapera de artérias.

Vibram
ventos vermelhos nas folhas
de fibra.

Ora erra
o ritmo… Outra
nota…
Murros na matéria.

Coração, ilusão,
vida,
paupérrimas rimas.  
GUIMARÃES, Edmar. “Caderno”. 2 ed. Goiânia: Kelps. p. 46.

Sobre a leitura, é CORRETO afirmar que o poema
a) destoa sensivelmente do título da obra “Caderno”, bem como da parte “Rasuras”, pois apresenta precisão no acabamento formal e temático.
b) expõe alternadamente linguagem denotativa e conotativa, pois as imagens são exploradas sob a perspectiva abstrata e concreta.
c) vale predominantemente como exercício estético, pois o efeito de sentido é sobreposto pelos efeitos formais, como assonância e aliteração.
d) impõe impreterivelmente uma leitura intertextual, pois o desvendamento do sentido necessita da referência literária do Romantismo brasileiro.

Marque as alternativas em que há emprego de linguagem figurada.
01. “(…) tinhorões e samambaias que a mão filial, fiel a um gesto de infância, desfolha ao longo da haste…” (1¡. parágrafo)
02. “Rostos irmãos se olham dos porta-retratos…” (2¡. parágrafo)
04. “Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no armário da copa…” (4¡. parágrafo)
08. “Seu violão dorme encostado junto à vitrola.” (5¡. parágrafo)
16. “Ausente para sempre da casa materna, a figura paterna parece mergulhá-la docemente na eternidade,…” (5¡. parágrafo)
Soma ( )    resposta:01 + 02 + 08 + 16 = 27

 

(UFRS) O gênero dramático, entre outros aspectos apresenta como característica essencial:

  1. a) a presença de um narrador.
  2. b) a estrutura dialógica.
  3. c) o extravasamento lírico.
  4. d) a musicalidade.
  5. e) o descritivismo.

 

(UFU-MG) Relacione as espécies

literárias ao lado  com suas respectivas características dispostas abaixo e assinale a alternativa  correta:

  1. Modalidade de texto literário que oferece uma mostra da vida através de um episódio, um flagrante ou instantâneo, um momento singular e  representativo; possui economia de meios

narrativos e densidade na construção das personagens.

  1. À intensidade expressiva desse tipo de texto literário, à sua concentração e ao seu caráter

imediato, associa-se, como traço estético importante, o uso do ritmo e da musicalidade.

III. Essa modalidade de texto literário prende-se a uma vasta área

de vivência, faz-se geralmente de uma história longa e apresenta uma estrutura complexa.

  1. Nos textos do gênero o narrador parece estar ausente da obra, ainda que, muitas vezes, se revele nas rubricas ou nos diálogos; neles impõe-se rigoroso encadeamento causal.
  2. Espécie narrativa entre literatura e jornalismo, subjetiva, breve e leve, na qual muitas vezes autor, narrador e protagonista se identificam.

( ) Poema lírico

( ) Conto

( ) Crônica

( ) Romance

( ) Texto teatral

a) II – I – V – III e IV.

b) II – I – V – IV e III.

c) II – I – III – V e IV.

d) I – II – V – III e IV.

e) I – IV – II – V e III.

 

(UFMT) Sobre literatura, gênero e estilos  literários,  pode-se dizer que:

a) tanto no verso quanto na prosa pode haver poesia.

b) todo momento histórico apresenta um conjunto de normas que caracteriza suas manifestações culturais, constituindo o estilo da época.

c) o texto literário é aquele em que predominam a repetição da realidade, a linguagem linear,  a unidade de sentido.

d) no gênero lírico os elementos do mundo exterior predominam sobre os do mundo interior do eu poético.