Adjetivo

ADJETIVO

O grande e o pequeno
Todo caso de amor tem sempre um grande e um pequeno.
[…] O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno ouve. O grande discorda, o pequeno concorda. O pequeno teme, o grande ameaça. O grande se atrasa, o pequeno se antecipa. O grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.
Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grandes, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento e as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso. […]
Mas como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ficar pequeno, e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma imprudência.
Quando isso acontece, é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se o seu sofrimento tiver boa memória. […]
FALCÃO, Adriana. O doido da garrafa. São Paulo: Planeta, 2003. p. 11-13. (Fragmento).

1- O sentido do texto acima é construído pelo uso de dois adjetivos que aparecem também substantivados. Quais são eles?

2- Com que intenção a autora do texto utiliza esses dois termos? Justifique.

3- Transcreva a passagem em que os dois termos não estão substantivados.

4- Por que, considerando o contexto, os dois vocábulos não foram substantivados nessa passagem?

5- Releia:

O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos.

a) O trecho acima explica a afirmação da autora de que, embora o temperamento de cada pessoa e as circunstâncias em que se encontram possam influenciar seu comportamento adotado por eles, não o determinam. Que expressões, na passagem transcrita, indicam características de temperamento e quais revelam uma circunstância?

b) O que significa, nesse caso, afirmar que esses elementos influem, mas não determinam o comportamento de cada um dos parceiros?

c) Que recurso linguístico, nessas expressões, foi utilizado para destacar as características e circunstâncias identificadas? Por quê?
RESPOSTAS:

1- Grande e pequeno.

2- A autora utiliza os dois adjetivos para identificar o tipo de comportamento adotado pelas duas pessoas que integram um casal. Aquele definido como grande é caracterizado como a pessoa que tem uma posição de superioridade em relação a seu par amoroso: é aquele que detém o poder na relação entre os dois (é quem é amado, quem fala, quem discorda, quem ameaça, quem pede e quem recebe). O pequeno, portanto, está em uma posição de inferioridade e de submissão (é quem ama, quem ouve, quem concorda, quem teme, quem antecipa os desejos do parceiro) em relação ao grande.

3- ” Existem homens pequenos e homens grandes, mulheres grandes e mulheres pequenas.”; “…geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ficar pequeno, e o pequeno ficar grande de repente.

4- Porque a autora pretende demonstrar que a caracterização de alguém como grande ou pequeno não depende do gênero (masculino ou feminino) associado a esses termos. Na verdade, a autora se refere ao sexo das pessoas que podem ser qualificadas dessa forma. Por isso, usa os substantivos homens e mulheres determinados pelos adjetivos grande e pequeno, afirmando que o comportamento associado a cada um desses vocábulos independe do sexo a que pertence cada um dos integrantes do casal.

5- a) Há uma expressão que indica circunstância: o mais bem-sucedido. Já as expressões o mais sensível, o mais esperto e espertíssimos revelam aspectos do temperamento que podem caracterizar cada um dos parceiros.

b) A autora pretende demonstrar que a posição de inferioridade ou superioridade de cada um dos parceiros (ser grande ou pequeno no relacionamento; não esta diretamente associada a essas características ou circunstâncias. Não há, necessariamente, equivalência entre um dado de temperamento superior (ser mais esperto, por exemplo) e a posição de poder dentro da relação. Pode ser pequeno, no casal, aquele que é o mais bem-sucedido ou mais esperto. A sensibilidade também não é, obrigatoriamente, uma característica daquele que assume uma postura submissa na relação amorosa.

c) Em todas elas, identifica-se o uso do superlativo, já que a autora pretende destacar o fato de que uma qualidade ou uma circunstância aparece intensificada, de forma relativa ou absoluta, em um dos parceiros. As expressões o mais bem-sucedido, o mais sensível, o mais esperto exemplificam o superlativo relativo de superioridade, denotando que, no relacionamento, um dos parceiros se destaca em relação ao outro por apresentar a mesma qualidade em maior grau. Já espertíssimo (formado a partir do acréscimo do sufixo “-íssimo” ao radical do adjetivo esperto) é um superlativo absoluto sintético, que indica que um dos parceiros apresenta essa qualidade em alto grau (é muito esperto).

 6. (FUVEST-SP) – Segundo a ONU, os subsídios dos ricos prejudicam o Terceiro Mundo de várias formas: 1. mantêm baixos os preços internacionais, desvalorizando as exportações dos países pobres; 2. Excluem os pobres de vender para os mercados ricos; 3. expõem os produtores pobres à concorrência de produtos mais baratos em seus próprios países.   (Folha de S. Paulo, 02/11/97, E-12)

Neste texto, as palavras destacadas rico e pobre pertencem a diferentes classes de palavras, conforme o grupo sintático em que estão inseridas.

a) Obedecendo à ordem em que aparecem no texto, identifique a classe a que pertencem, em cada ocorrência destacada, as palavras rico e pobre.

b) Escreva duas frases com a palavra brasileiro, empregando-a cada vez em uma dessas classes.

 RESOLUÇÃO:

a) Ricos é substantivo em “ricos prejudicam”; pobres é adjetivo em “países pobres”; pobres é substantivo em “os pobres”; ricos é adjetivo em “mercados ricos”.

b) Há inúmeras possibilidades de construção de frases. O importante é que a palavra seja usada ora como substantivo, ora como adjetivo.

Exemplos:
O brasileiro admira muito futebol. (substantivo)

O futebol brasileiro revela, constantemente, grandes jogadores. (adjetivo)

7. (UFRJ/UERJ/CEFET) – “… comprimem-se um milhão e meio de brasileiros, provenientes de quase todas as unidades de Federação.”
Se todas as unidades da Federação.”
Transforme o adjetivo provenientes em oração adjetiva, utilizando-se de verbo do mesmo radical.

RESPOSTA:

…brasileiros, que provêm de quase todas as unidades da Federação.

8. Verifique, nas frases abaixo, os graus dos adjetivos:

I.comparativo de superioridade

II. comparativo de inferioridade

III. comparativo de igualdade

IV. superlativo absoluto sintético

V. superlativo absoluto analítico

(   ) “ A filha menor era mais doce do que bela.” (Lygia Fagundes Telles)

(   ) “ Ninguém queria saber de Georgina, tão feia quanto antipática.” ( Josué Montello)

(   ) “ Tenho duas amigas superinteressante, você vai ver.” (  Fernando sabino)

(   ) Pato com tucupi: melhor pato do mundo!

(   ) “ Ficou louquinho da silva, o Teodoro.

RESPOSTA: I, III, IV, IV, V.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Perfeição

Vamos celebrar a estupidez humana

A estupidez de todas as nações (…)

Vamos celebrar a estupidez do povo

Nossa polícia e televisão (…)

Vamos celebrar a fome (…)

Vamos celebrar nossa bandeira

Nosso passado de absurdos gloriosos (…)

Tudo o que é normal

Vamos cantar juntos o Hino Nacional (…)

Venha, o amor tem sempre a porta aberta

E vem chegando a primavera

Nosso futuro recomeça:

Venha, que o que vem é perfeição.     Legião Urbana

9. No verso “Nosso passado de ABSURDOS GLORIOSOS” (v.7), substantivo e adjetivo se associam de forma a criar uma figura que se caracteriza pelo(a):

a) emprego de palavras desnecessárias ao sentido da frase. No verso “Nosso passado de ABSURDOS GLORIOSOS” (v.7), substantivo e adjetivo se associam de forma a criar uma figura que se caracteriza pelo(a):

a) emprego de palavras desnecessárias ao sentido da frase.

b) ênfase no exagero da verdade das coisas.

c) interpenetração de planos sensoriais diferentes.

d) relação de semelhança entre o sentido denotativo e o sentido conotativo do texto.

e) reunião de ideias contraditórias num só pensamento.

10.(ITA-SP) Os adjetivos lígneo, gípseo, níveo, braquial significam, respectivamente:

a)lenhoso, feito de gesso, alvo, relativo ao braço

b) lenhoso, feito de gesso, nivelado, relativo ao crânio

c) lenhoso, rotativo, abalizado, relativo ao crânio

d) associado, rotativo, nivelado, relativo ao braço

e) associado, feito de gesso, abalizado, relativo ao crânio

11. (FEI-SP) Em qual alternativa se apresenta o superlativo absoluto sintético destoando da forma erudita?

a.doce/dulcíssimo

b. célebre/celebérrimo

c) baixo/ínfimo

d) amargo/amaríssimo

e) livre/livríssimo

12. (CESCRANRIO-RJ) Assinale a opção em que todos os adjetivos não se flexionam em gênero:

a)delgado, móbil, forte

b) oval, preto, simples

c) feroz, exterior, enorme

d) brilhante, agradável, esbelto

e) imóvel, curto, superior

13. (FATEC-SP) Indique a alternativa em que não é atribuída a ideia de superlativo ao adjetivo.

a) é uma ideia agradabilíssima.

b) Era um rapaz alto, alto, alto.

c) Saí de lá hipersatisfeito.

d) Almocei tremendamente bem.

e) É uma moça assustadoramente alta.

14. Quanto ao gênero os adjetivos podem ser uniformes e biformes. Assinale a alternativa que apresenta adjetivos uniformes:

a) português, cristão.

b) feliz, espanhol.

c) ateu, judeu.

d) comum, feliz.

e) corajoso, brincalhão.

15. (UFPR) Em qual dos casos o primeiro elemento do adjetivo composto não corresponde ao substantivo entre parênteses?

a)Indo-europeu (Índia)

b) Ítalo-brasileiro (Itália)

c) Luso-brasileiro (Portugal)

d) Sino-árabe (Sião)

e) Anglo-americano (Inglaterra)

16. Assinale a alternativa que o adjetivo está flexionado no grau superlativo absoluto sintético:

a) O garoto é tão inteligente quanto sua irmã.

b) O aluno é o mais inteligente da sala.

c) A cerveja está geladíssima.

d) O político é muito influente.

e) O leite está melhor que o café.

17. Marque a 2ª coluna de acordo com a 1ª coluna.

1) amargo                                   ( ) docílimo

2) semelhante                              ( ) simílimo

3) doce                                        ( ) amaríssimo

4) dócil                                        ( ) dulcíssimo

5) frágil                                       ( ) fragílimo

a) 4,2,1,3,5

b) 2,1,3,5,4

c) 4,2,3,1,5

d) 3,2,4,1,5

e) 1,5,3,4,2

18. Assinale a oração em que o termo cego(s) é um adjetivo:

a)”Os cegos, habitantes de um mundo esquemático, sabem aonde ir…”

b) “O cego de Ipanema representava naquele momento todas as alegorias da noite escura da alma…”

c) “Todos os cálculos do cego se desfaziam na turbulência do álcool.”

d) “Naquele instante era só um pobre cego.”

e)”… da Terra que é um globo cego girando no caos.”

19. (Unirio )

Declaração

Devia começar, como o sabe de cor e salteado a maioria dos leitores, que é sem dúvida nenhuma muito entendida na matéria, por uma declaração em forma.

Mas em amor, assim como em tudo, a primeira saída é o mais difícil. Todas as vezes que esta ideia vinha à cabeça do pobre rapaz, passava-lhe uma nuvem escura por diante dos olhos e banhava-se-lhe o corpo em suor. Muitas semanas levou a compor, a estudar o que havia de dizer a Luizinha quando aparecesse o momento decisivo. Achava com facilidade milhares de idéias brilhantes: porém, mal tinha assentado em que diria isto ou aquilo, já isto ou aquilo lhe não parecia bom. Por várias vezes, tivera ocasião favorável para desempenhar a sua tarefa, pois estivera a sós com Luizinha; porém, nessas ocasiões, nada havia que pudesse vencer um tremor nas pernas que se apoderava dele, e que não lhe permitia levantar-se do lugar onde estava, e um engasgo que lhe sobrevinha, e que o impedia de articular uma só palavra. Enfim, depois de muitas lutas consigo mesmo para vencer o acanhamento, tomou um dia a resolução de acabar com o medo, dizer-lhe a primeira coisa que lhe viesse à boca.

Luizinha estava no vão de uma janela a espiar para a rua  pela rótula: Leonardo aproximou-se tremendo, pé ante pé, parou e ficou imóvel como uma estátua atrás dela que, entretida para fora, de nada tinha dado fé. Esteve assim por longo tempo calculando se devia falar em pé ou se devia ajoelhar-se. Depois fez um movimento como se quisesse tocar no ombro de Luizinha, mas retirou depressa a mão. Pareceu-lhe que por aí não ia bem; quis antes puxar-lhe pelo vestido, e ia já levantando a mão quando também se arrependeu. Durante todos esses movimentos o pobre rapaz suava a não poder mais. Enfim, um incidente veio tirá-lo da dificuldade.

Ouvindo passos no corredor, entendeu que alguém se aproximava, e tomado de terror por se ver apanhado naquela posição, deu repentinamente dois passos para trás, e soltou um – ah! – muito engasgado. Luizinha, voltando-se, deu com ele diante de si, e recuando espremeu-se de costas contra a rótula: veio-lhe também outro – ah! – porém não lhe passou da garganta e conseguiu apenas fazer uma careta.

A bulha dos passos cessou sem que ninguém chegasse à sala; os dois levaram algum tempo naquela mesma posição, até que Leonardo, por um supremo esforço, rompeu o silêncio, e com voz trêmula e em tom o mais sem graça que se possa imaginar perguntou desenxabidamente:

– A senhora… sabe… uma coisa?

E riu-se com uma risada forçada, pálida e tola.

Luizinha não respondeu. Ele repetiu no mesmo tom:

– Então… a senhora… sabe ou… não sabe?

E tornou a rir-se do mesmo modo. Luizinha conservou-se muda.

– A senhora bem sabe… é porque não quer dizer…

Nada de resposta.

– Se a senhora não ficasse zangada… eu dizia…

Silêncio.

– Está bom… Eu digo sempre… mas a senhora fica ou não fica zangada?

Luizinha fez um gesto de quem estava impacientada.

– Pois então eu digo… a senhora não sabe… eu… eu lhe quero… muito bem…

Luizinha fez-se cor de uma cereja; e fazendo meia volta à direita, foi dando as costas ao Leonardo e caminhando pelo corredor. Era tempo, pois alguém se aproximava.

Leonardo viu-a ir-se, um pouco estupefato pela resposta que ela lhe dera, porém, não de todo descontente: seu olhar de amante percebera que o que se acabava de passar não tinha sido totalmente desagradável a Luizinha.

Quando ela desapareceu, soltou o rapaz um suspiro de desabafo e assentou-se, pois se achava tão fatigado como se tivesse acabado de lutar braço a braço com um gigante.

            (Manuel Antônio de Almeida. “Memórias de um Sargento de Milícias”.)

A opção em que o adjetivo determina o substantivo, mas, na verdade, qualifica o referente a que o substantivo está associado é:

a) “Achava com facilidade milhares de ideias brilhantes” (2Ž par.)

b) “… e com voz trêmula…” (5Ž par.)

c) “E riu-se com uma risada pálida e tola” (7Ž par.)

d) “Luizinha fez-se cor de uma cereja” (18Ž par.)

e) “Leonardo viu-a rir-se, um pouco estupefato” (19Ž par.)

20. (FEI-SP) Marque a alternativa que apresenta o adjetivo no grau comparativo de superioridade.

a)Maria das Dores era pior aluna que Anita.

b) Nunca vi criança mais birrenta!

c) Quem era essa mulher belíssima?

d) Nada é menos ruim do que isso.

e) n.d.a.

21. (PUCCAMP – SP) – Se a altíssimo corresponde alto, a celebérrimo, libérrimo, crudelíssimo, humílimo, paupérrimo, respectivamente, há de corresponder:

a) célebre, líbero, cruel, úmido, pobre.

b) célebre, livre, cru, úmido, pobre.

c) célebre, livre, cruel, humilde, pau.

d) célebre, livre, cruel, humilde, pobre.

e) célebre, livre, cru, humilde, pobre.

22. (UM-SP)Aponte a alternativa incorreta quanto à correspondência entre a locução adjetiva e o adjetivo:

a) glacial (de gelo); ósseo (de osso)

b) fraternal (de irmão); argênteo (de prata)

c) farináceo (de farinha); pétreo (de pedra)

d) viperino (de vespa); ocular (de olho)

e) ebúrneo (de marfim); insípida (sem sabor)

23. Nas orações:

“Este livro é melhor do que aquele” e

“ Este livro é mais lindo que aquele” há os graus:

a)de superioridade, respectivamente sintético e analítico.

b) de superioridade, ambos analíticos.

c) de superioridade, ambos sintéticos.

d) relativos.

e) superlativos.

24.Assinale o item que apresenta o adjetivo incorretamente relacionado ao substantivo:

a)leite – lácteo

b) coração – hepático

c) ilha – insular

d) n.d.a

25. Estabeleça a correspondência adequada, levando em consideração os adjetivos destacados na primeira coluna e as locuções adjetivas, expressas na segunda:

(A) “ A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente” (Manuel Bandeira)

(B) “(…) a criancinha é um boneca de olhos cerúleos, mas já careca, que atende pelo nome de Rosinha(…)” (Paulo Mendes Campos)

(C) “No céu plúmbeo
a Lua baça
Paira(…)” (Manuel Bandeira)

(D) “Não havia uma flor nas roseiras desertas,
e esse riso estival dos púrpuros  gerânios(…)” (Manuel Bandeira)

( ) de verão
( ) da cor do céu
( ) de gelo
( ) de chumbo

RESPOSTA -D; B; A; C.

(Ufv )              Violência e drogas

1          É sempre bacana ver milhares juntando as forças, as vontades, as desesperanças, para encher ruas com o alvo vestuário da paz. Não é muito a minha, esse negócio de acender vela e clamar ao firmamento, mas em respeito aos sincretismos biodiversos, topo fingir não crer que do céu só vem relâmpago, chuva e bala perdida.

2          O que não dá mais, sinceramente, pra encarar com graça, educação e simpatia é o lugar-comum “não se pode dissociar a questão da violência da questão das drogas”. Hoje em dia, 10 entre 10 autoridades públicas, ao se pronunciarem a respeito do tema, repetem em uníssono: “Não se pode dissociar a questão da violência da questão das drogas”. E daí? O que devemos concluir dessa brilhante assertiva? É óbvio que as duas coisas estão intrinsecamente ligadas, qualquer idiota lobotomizado sabe. Mas o que vem depois disso? É “não se pode dissociar a questão da violência da questão das drogas” e ponto final? Quer dizer então que é só ninguém mais se drogar que a violência acaba? Quer dizer então que se os ricos (como acusou o governador do Rio de Janeiro) pararem de consumir substâncias ilegais tudo estará resolvido?

3          Bacana. Muito bom. E que dia vai ser isso? Uma bela manhã todos acordaremos para viver num mundo melhor, onde todos os que consomem drogas terão uma crise de consciência e, junto com seus fornecedores, chegarão à conclusão de que já perturbaram demais a ordem pública, de que a vida de todos já está suficientemente aterrorizada e, portanto, todos vão se dedicar a atividades mais lúdicas.

4          Vamos ou não vamos, de uma vez por todas, encarar a dura realidade de que sempre existirá uma parcela qualquer da população que vai querer se drogar? Isso não é minha opinião, muito menos meu desejo. É assim, simplesmente, porque sempre foi assim e continuará sempre sendo assim. Em qualquer sociedade, em qualquer época. Qualquer um que se dê ao trabalho de pesquisar as origens históricas do ato de se drogar, vai ficar chocado com a antiguidade da prática.

5          Enquanto a sociedade não oferecer uma alternativa legal ao adulto que quer consumir, arcará com o custo (de vida, de grana, de desagregação das estruturas sociais) boçal desse combate. Uma guerra que nunca será ganha e que faz muito mais vítimas fatais do que as drogas que tenta combater. Alguém ainda consegue achar irônico o fato do combate às drogas matar muito mais que o uso das mesmas?

6          Ninguém propõe o “bundalelê” nessa questão. A ideia de dar opção a quem não consegue ou não quer largar seu vício viria com a contrapartida de usar o ato de consumir drogas como agravante em qualquer delito que venha a ser cometido pelo usuário. Oferecer uma opção legal de consumo não é legalizar o crime. É retirar consumidores das mãos da marginalidade, é reduzir a importância econômica do narcotráfico. Certamente alguns morrerão de overdose, o que é triste, o que é lamentável. Mas, e a situação de hoje não é?

7          Reduzir o número de cadáveres deveria ser o único objetivo. Do jeito que as coisas estão organizadas parece que morrer de cocaína é pior do que morrer de tiro. Por quê? Querer discutir violência sem propor uma nova política de drogas é mais que perda de tempo, é perda de vidas.

                                   Claudio Manoel – Humorista, integrante do grupo Casseta & Planeta. “Jornal do Brasil”, 13 jul. 2000 – caderno Opinião.

26. Assinale a alternativa em que a mudança de posição entre o substantivo e o adjetivo NÃO pode acarretar alteração semântica:

a) O grande traficante assusta a polícia. / O traficante grande assusta a polícia.

b) O pobre viciado sofre muito! / O viciado pobre sofre muito!

c) O bom filho à casa torna. / O filho bom à casa torna.

d) O alto traficante assusta a polícia. / O traficante alto assusta a polícia.

e) O velho amigo é que socorreu o viciado. / O amigo velho é que socorreu o viciado.

 (Ufc )                                    MEIO-DIA

O sol tomba,

 vertical,

dos edifícios.

Ardem os muros perfilados.

Os objetos vomitam cores, embriagados.

O vermelho dos sinais ri,

em chamas,

para os carros.

Na calçada,

a luz lambe

as coxas da garota,

penetra no blue-jeans

os manequins,

irriga de calor

a angústia dos homens.

(Tudo se queima,

tudo se consome,

tudo arde infinito.)

Ó súbita revelação:

o sol me aponta

o carvão íntimo

 das coisas,

 negro

 coração

  batendo na claridade.

(ESPÍNOLA, Adriano. “Beira-Sol”. Rio de Janeiro: Topbooks, 1999. p.72-73)

27. A disposição espacial das palavras “negro” e “coração”, em versos distintos:

I. atribui autonomia sintática aos termos “negro” e “coração”.

II. permite dar destaque semântico a cada uma das palavras.

III. confere autonomia prosódica ao adjetivo e ao substantivo.

A análise das assertivas permite afirmar corretamente que:

a) apenas I é verdadeira.

b) apenas II é verdadeira.

c) I e II é verdadeiras.

d) II e III são verdadeiras.

e) I e III são verdadeiras

28. Em:

 1) Na segunda situação, o deputado Lula, vitima de uma apendicite, foi levado de Brasília para o hospital Sírio-Libanês em São Paulo.

 2)Isso porque era o Lula deputado.

 3) Se fosse o Lula operário tinha morrido antes de ser operado.

 4) Tinha morrido como milhares de mães veem seus filhos morrerem no colo à procura de uma maldita assistência médica que nunca vem para o pobre.

 Os termos sublinhados ora designam seres ora qualificam ou caracterizam os seres. Os termos que qualificam os seres são os dos trechos:

a) um e dois.

b) um e quatro.

c) dois e três apenas.

d) dois, três e quatro.

e) três e quatro apenas.

29. O termo grifado é locução adjetiva em:

a) “Os meninos gritavam na rua atrás das tanajuras…”

b) “Aquela cai dentro de vinte minutos.”

c) “Gostava… de tomar banho de chuvanas biqueiras…”

d) “Os passarinhos trocavam de lugar…”

e) “Escureceu o mundo de repente.”

30. (FUMARC) A locução adjetiva destacada não está corretamente substituída pelo adjetivo nos parênteses em:

a) Conseguiu a promoção, na semana passada, dando uma aula de mestre. (magistral)

b) Os cientistas afirmam que uma camada de gelo  provocará inundações. (glacial)

c) A informação era que um vento forte traria danos à população dos Alpes. (alpista)

d) Uma possível infecção do pulmão é que o levou a falecer mais rapidamente. (pulmonar.)

e) As crianças acabaram optando por um espetáculo de circo. (circense)

31. (Fuvest ) Talvez pareça excessivo o escrúpulo do Cotrim, a quem não souber que ele possuía um caráter ferozmente honrado. Eu mesmo fui injusto com ele durante os anos que se seguiram ao inventário de meu pai. Reconheço que era um modelo. Arguiam-no de avareza, e cuido que tinham razão; mas a avareza é apenas a exageração de uma virtude e as virtudes devem ser como os orçamentos: melhor é o saldo que o “déficit”. Como era muito seco de maneiras tinha inimigos, que chegavam a acusá-lo de bárbaro. O único fato alegado neste particular era o de mandar com frequência escravos ao calabouço, donde eles desciam a escorrer sangue; mas, além de que ele só mandava os perversos e os fujões, ocorre que, tendo longamente contrabandeado em escravos, habituara-se de certo modo ao trato um pouco mais duro que esse gênero de negócio requeria, e não se pode honestamente atribuir à índole original de um homem o que é puro efeito de relações sociais. (Machado de Assis, “Memórias póstumas de Brás Cubas”)

O efeito expressivo obtido em “ferozmente honrado” resulta de uma inesperada associação de advérbio com adjetivo, que também se verifica em:

a) sorriso maliciosamente inocente.

b) formas graciosamente curvas.

c) sistema singularmente espantoso.

d) opinião simplesmente abusada.

e) expressão profundamente abatida.

 (Cesgranrio )                         ANTES DO NOME

Não me importa a palavra, esta corriqueira. Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,

os sítios escuros onde nasce o “de”, o “aliás”,o “o”, o “porém” e o “que”, esta incompreensível

muleta que me apoia.

Quem entender a linguagem entende Deus cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.

A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda, foi inventada para ser calada.

Em momentos de graça, infrequentíssimos, se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.

Puro susto e terror.   (Adélia Prado – “Bagagem”)

32. As palavras INCOMPREENSÍVEL e INFREQUENTÍSSIMOS possuem o mesmo prefixo com valor semântico idêntico. Porém, seus sufixos apresentam funções distintas, uma vez que – (í)vel forma adjetivo a partir de:

a) verbo e -íssimo atribui um valor de grau ao adjetivo.

b) verbo e -íssimo atribui um valor de grau ao substantivo.

c) substantivo e -íssimo atribui um valor de grau ao adjetivo.

d) substantivo e -íssimo forma adjetivo a partir de adjetivo.

e) adjetivo e -íssimo forma adjetivo a partir de verbo.

(Faap)

SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.  (Vinícius de Morais)

33.Na segunda estrofe há dois adjetivos:

a) calma e vento

b) olhos e chama

c) última e imóvel

d) paixão e pressentimento

e) momento e drama

34.O item em que temos um adjetivo em grau superlativo absoluto é:

a) Está chovendo bastante.
b) Ele é um bom funcionário.
c) João Brandão é mais dedicado que o vigia.
d) Sou o funcionário mais dedicado da repartição.
e) João Brandão foi tremendamente inocente.

35. Assinale a opção em que a locução grifada tem valor adjetivo:
a) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a utilizar com receio.”
b)”Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos.”
c. “Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.”
d. “Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras…”
e. “Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem escrúpulos não se apoderassem do que era delas.”

36. (FEI-SP) Assinale a alternativa errada quanto ao superlativo erudito:

a) amargo – amaríssimo / cruel – crudelíssimo

b) pobre – paupérrimo / livre – libérrimo

c) negro – negríssimo / doce – dulcíssimo

d) sagrado – sacratíssimo / feroz – ferocíssimo

e) magro – macérrimo / nobre – nobilíssimo

37.(UN-UBERLÂNDIA) Das frase seguintes, uma contém uma locução adjetiva. Marque-a:

a) Esta é a torneira de água quente.

d) Esta boneca é muito feia.

b) Comprei uma lâmpada vermelha.

e) Ela é uma mulher corajosa.

c) O piano dela é alemão.

38. Assinale a oração em que o termo cego(s) é um adjetivo:

a) Os cegos habitantes de um mundo esquemático, sabem onde ir…

b) O cego de Ipanema representava naquele momento todas as alegorias da noite escura da alma …

c) Todos os cálculos do cego se desfaziam na turbulência do álcool.

d) Naquele instante era só um pobre cego.

e) … da Terra que é um globo cego girando no caos.

39. (UNISINOS) O item em que a locução adjetiva não corresponde ao adjetivo dado é:

a) hibernal – de inverno

d) docente – do professor

b) filatélico – de folhas

e) onírico – de sonho

c) discente – de aluno

40. (OBJETIVO) Assinale a opção em que o termo destacado, quando posposto ao substantivo, muda de significado e passa a pertencer a outra classe de palavras:

a) complicada solução

b) certos lugares

c) inapreciável valor

d) engenhosos métodos

e) extraordinária capacidade

41. (BANESPA) Assinale a alternativa em que é incorreta a correspondência entre a locução adjetiva equivalente:

a) investimento de vulto: investimento vultuoso.

b) azul do céu: azul celeste.

c) calor de verão: calor estival.

d) ilha de gelo: ilha glacial.

e) empréstimo com usura: empréstimo usurário.

42. (Fgv) Aponte a alternativa que traga os superlativos absolutos sintéticos de acordo com a norma culta.

a) Celebérrimo, crudelésimo, dulcíssimo, nigérrimo, nobilíssimo.

b) Celebésimo, crudelíssimo, dulcíssimo, nigérrimo, nobérrimo.

c) Celebérrimo, crudelíssimo, dulcíssimo, nigérrimo, nobilíssimo.

d) Celebríssimo, cruelérrimo, dulcésimo, negérrimo, nobérrimo.

e) Celebríssimo, crudelérrimo, dulcíssimo, negérrimo, nobérrimo.

43. (Pucpr ) Assinale a alternativa em que NÃO há correspondência semântica entre as duas palavras.

a) gelo – glacial

b) cabeça – cefálico

c) fogo – ígneo

d) pele – capilar

e) costas – dorsal

(ITA) Durante a Copa do Mundo deste ano, foi veiculada, em programa esportivo de uma emissora de TV, a notícia de que um apostador inglês acertou o resultado de uma partida, porque seguiu os prognósticos de seu burro de estimação. Um dos comentaristas fez, então, a seguinte observação: “Já vi muito comentarista burro, mas burro comentarista é a primeira vez.”

Percebe-se que a classe gramatical das palavras se altera em função da ordem que elas assumem na expressão.

44.Assinale a alternativa em que isso NÃO ocorre:

a) obra grandiosa

b) jovem estudante

c) brasileiro trabalhador

d) velho chinês

e) fanático religioso

45. Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego do adjetivo:

a)força de leão – força leonina

b) perímetro da cidade – perímetro urbano

c) homem sem cabelo – homem imberbe

d) máquina de guerra – máquina bélica

e) agilidade de gato – agilidade felina

 

 

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Fernando Sabino

O último ‘mineiro do apocalipse’

FERNANDO

            Fernando Sabino formou com os conterrâneos Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino a mais intensa e produtiva amizade da literatura brasileira. Sobre eles, escreveu Carlos Drummond de Andrade, outro mineiro, que os conheceu num bar em 1943: “Um grupo inteiro, formado de quatro cavaleiros, não sei se da Távola Redonda ou do Apocalipse — pois de tudo vocês tinham um pouco, em mistura de sonho, desbragamento, fúria, ingenuidade, amor, pureza”. O grupo ficou conhecido como “Os quatro mineiros do apocalipse”, e deles Sabino foi o último sobrevivente, até morrer de câncer em 11 de outubro de 2004, na véspera de completar 81 anos.

          Também como seus outros três companheiros de Minas, Sabino manteve na trajetória literária um largo relacionamento com a imprensa. No GLOBO, ele escreveu a partir de 27 de março de 1977, e pelos 12 anos seguintes, sem interrupção, uma coluna dominical de crônicas chamada Dito e Feito, publicada no suplemento Jornal da Família. Seus primeiros passos num periódico foram dados aos 13 anos, quando escreveu um conto policial para uma revista da PM de Minas. Não parou mais, mesmo quando a doença já dava sinais de que o fim estava próximo.

       Nascido em Belo Horizonte, mudou-se para o Rio aos 21 anos. Ainda adolescente, publicou seu primeiro livro, “Os grilos não cantam mais”. Autor de sucessos como “O grande mentecapto”, Sabino recebeu em julho de 1999, pelo conjunto da obra, o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras — para a qual nunca quis entrar, apesar de seguidamente sondado.

       “Para os pobres, é dura lex sed lex. A lei é dura, mas é a lei. Para os ricos, é dura lex sed latex. A lei é dura, mas estica”– Fernando Sabino

       Assim como Otto, Sabino era um grande frasista. “Para os pobres, é dura lex sed lex. A lei é dura, mas é a lei. Para os ricos, é dura lex sed latex. A lei é dura, mas estica”, escreveu. Outra: “O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove”.

        Para ele, o ser humano tinha como tarefa “recuperar a inocência perdida e tornar a olhar o mundo com os olhos lavados da pureza, de quem vê a vida pela primeira vez” — uma espécie de auto de fé para quem nasceu num 12 de outubro, “Dia da Criança que eu sou até hoje”, gostava de repetir.

memoria.oglobo.

O Auto de São Lourenço

SÃO LOURENÇO

1. (FEI-SP)Dos oito (autos) que lhe são atribuídos, o melhor é o intitulado na festa de São Lourenço, representado, pela primeira vez, em Niterói, em 1583. Seu autor é:

a)Anchieta.

b)Gregório de Matos.

c)Bento Teixeira.

d)Padre Manuel da Nóbrega.

e)Gabriel Soares de Sousa.

(UNIMEP)

“Esta virtude estrangeira

me irrita sobremaneira.

Quem a teria trazido

com seus hábitos polidos

estragando a terra inteira?

Quem é forte como eu?

Como eu, conceituado?

Sou diabo bem assado,

Boa medida é beber

cauim até vomitar.

Que bom costume é bailar!

Adornar-se, andar pintado,

tingir penas, empenado

fumar e curandeirar

andar de negro pintado”.  (Auto de São Lourenço, José de Anchieta)

2. Nestes versos aparecem características da produção poética de José de Anchieta, exceto:

a)versos curtos de tradição popular;

b)preocupação catequética;

c)linguagem direta;

d)tensão e elaboração artística renascentista;

e)conflito entre o bem e o mal.

3. (UFV) Leia a estrofe abaixo e faça o que se pede:

Dos vícios já desligados
nos pajés não crendo mais,
nem suas danças rituais,
nem seus mágicos cuidados.

(ANCHIETA, José de. O auto de São Lourenço [tradução e adaptação de Walmir Ayala] Rio de Janeiro: Ediouro[s.d.]p. 110)

Assinale a afirmativa verdadeira, considerando a estrofe acima, pronunciada pelos meninos índios em procissão:

a) Os meninos índios representam o processo de aculturação em sua concretude mais visível, como produto final de todo um empreendimento do qual participaram com igual empenho a Coroa Portuguesa e a Companhia de Jesus.

b) A presença dos meninos índios representa uma síntese perfeita e acabada daquilo que se convencionou chamar de literatura informativa.

c) Os meninos índios estão afirmando os valores de sua própria cultura, ao mencionar as danças rituais e as magias praticadas pelos pajés.

d) Os meninos índios são figuras alegóricas cuja construção como personagens atende a todos os requintes da dramaturgia renascentista.

e) Os meninos índios representam a revolta dos nativos contra a catequese trazida pelos jesuítas, de quem querem libertar-se tão logo seja possível.

4. Sobre José de Anchieta é INCORRETO afirmar que:
a) cultivou especialmente os autos, buscando, na alegoria, tornar mais acessíveis às mentes indígenas os conceitos e os dogmas do cristianismo.
b) no teatro, o “Auto de São Lourenço” destaca-se como obra catequética de influência medieval.
c) na poesia lírica encontram-se suas mais belas composições, expressivas de uma fé profunda.
d) apesar de pautada na língua e na cultura do índio, sua produção literária não se caracteriza como literatura já tipicamente brasileira.
e) sua obra teatral, marcadamente alegórica e antirreligiosa, moldou-se nos padrões renascentistas.

5. O Auto de São Lourenço foi uma peça teatral escrita pelo padre jesuíta José de Anchieta em 1586. Ela faz parte do conjunto de obras que compõem a origem do teatro brasileiro, mostrando, em sua temática, a visão que o colonizador europeu possuía do nativo indígena à época da chegada dos portugueses ao Brasil. Levando-se em consideração o contexto sociocultural em que este texto está inserido e a imagem que o autor constrói acerca do índio, podemos afirmar que uma das características desse auto é:

a)a apresentação da figura do índio como um indivíduo religioso e integrado às mesmas tradições religiosas do povo português.

b) a caracterização dos costumes do povo nativo como demoníacos e afastados das crenças do colonizador europeu.

c) a valorização dos costumes e crenças indígenas como forma de enriquecimento da cultura do colonizador.

d) a divulgação da fé e dos mandamentos religiosos por meio da descrição das belezas naturais da terra.

e) a preocupação do colonizador português em respeitar as crenças e costumes do povo indígena.

Guaixará

Esta virtude estrangeira

me irrita sobremaneira.

Quem a teria trazido,

com os seus hábitos polidos

estragando a terra inteira?

Quem é forte como eu?

Como eu, conceituado?

Sou diabo bem assado,

a fama me precedeu:

Guaixará sou chamado

Que bom costume é bailar!

Adornar-se, andar pintado,

tingir pernas, empenado

fumar e curandeirar,

andar de negro pintado.

Para isso

com os índios convivi.

Vêm os tais padres agora

com regras fora de hora

para que duvidem de mim.

 Lei de Deus que não vigora.

Anchieta, José de. Auto de São Lourenço in Teatro de Anchieta. São Paulo, Loyola, pp.61-62

6. A leitura de Anchieta nos permite afirmar que a ação da Companhia de Jesus no processo da colonização do Brasil foi marcada por:

a)Completa aceitação das práticas culturais indígenas e pela sua incondicional defesa diante da Coroa portuguesa.

b) Intolerância radical com relação às comunidades indígenas e pela defesa da escravização indiscriminada destas comunidades.

c)Aceitação da cultura indígena e afirmação dos seus valores em detrimento das bases culturais do catolicismo ocidental.

d)Mecanismo de apropriação da cultura indígena, utilizando seus elementos como forma de empreender a catequese dos nativos sob os moldes católicos.

e)Indiferentismo em relação à cultura indígena, por ser considerada demoníaca e irrecuperável, mesmo diante dos ensinamentos cristãos.

A Escrava Isaura

ESCRAVA

1.Diga qual o ponto de vista adotado pelo narrador, a partir da abertura do capítulo I de A Escrava Isaura.

RESPOSTA: “Era nos primeiros anos do reinado do Sr. D. Pedro II.” Esta frase introduz o que se chama de uma narrativa enquadrada (narrador – matéria – narrada – público: ouvinte ou leitor), do tipo “Era uma vez”, em que a história é contada em terceira pessoa.

 2. A obra “ A Escrava Isaura” tem preocupação edificante, técnica do improviso, final feliz, estilo enfático.

RESPOSTA: No romance de Bernardo Guimarães o estilo é enfático, e a preocupação moralizante – que exalta as virtudes e denuncia os vícios – soluciona-se com o final feliz, em que, numa imprevista virada da história, o Bem vence o Mal.

3.A estrutura do enredo do romance baseia-se no efeito de surpresa, dado pela reviravolta sensacional dos acontecimentos.

RESPOSTA: NO romance de Bernardo Guimarães em que o efeito da surpresa é constante, o exemplo mais eficaz é o do final feliz, quando a chegada inesperada de Álvaro, no momento do casamento de Belchior e Isaura, reverte a salva toda a situação.

 4. No romance nada permanece nas entrelinhas, tudo é esclarecido ao espectador para que ele seja bem informado dos percalços do enredo e não erre nas interpretações.

RESPOSTA: O narrador do romance não dá margem a interpretações ou suposições do leitor: explica todos os detalhes do enredo intricado, até mesmo o que vai pelos pensamentos de suas personagens.

5.Quanto ao conteúdo, é sentimental, moralizante, otimista.

RESPOSTA: O autor apela constantemente aos sentimentos do leitor, beirando perigosamente o sentimentalismo e a pieguice. O romance discute valores morais e enfatiza, otimisticamente, a vitória do Bem sobre o Mal.

6.A obra romântica enternece-se com a sorte dos desprotegidos, conforme as injunções artísticas ou políticas do momento.

RESPOSTA: O romance de Bernardo Guimarães respira os ares de seu tempo, e abraça ou tenta abraçar a causa abolicionista, construindo uma heroína frágil e desprotegida, capaz de suscitar a adesão emocional do leitor.

7. Na obra A Escrava Isaura, o Mal tem sempre forma concreta, personificando-se em um indivíduo propositadamente mau, que é o tirano ou vilão.

RESPOSTA: No romance de Bernardo Guimarães, o Mal está personificado na figura de Leôncio, o vilão maior da história, ao lado de outros vilões menores, como seu pai ou Martinho.

8. Na obra, os maus vencem todas as batalhas, exceto a última, quando o exorcismo da morte exemplar do vilão faz o espectador acreditar na justiça perfeita.

RESPOSTA: No final do romance, depois de todas as desgraças de que participou, o leitor faz catarse com a morte de Leôncio, que, vitorioso em todos os lances da história, encontra a sua derrota.

 9. A Escrava Isaura foi adaptada a um gênero visual de grande impacto e sucesso popular. Que gênero é esse e que afinidades tem com o romance?

RESPOSTA: A telenovela tornou-se um veículo ideal para certas intrigas romanescas de apelo fácil e de impacto popular, à maneira dos folhetins e dramalhões românticos. Não sendo uma obra-prima do Romantismo brasileiro, a Escrava Isaura, no entanto, contém todos os ingredientes para se transformar, como de fato se transformou, em uma telenovela de grande sucesso, nacional e internacional.

TEXTOS PARA AS QUESTÕES 10 E 11.

“- Tu o disseste, Geraldo, amo-a muito, e hei de amá-la sempre, nem disso faço mistério algum. E será coisa estranha ou vergonhosa amar-se uma escrava? O patriarca Abraão amou sua escrava Agar, e por ela abandonou Sara, sua mulher. A humildade de sua condição não pode despojar Isaura da cândida e brilhante auréola de que a via e até hoje a vejo circundada. A beleza e a inocência são astros que mais refulgem quando engolfados na profunda escuridão do infortúnio.

– É bela a tua filosofia e digna de teu nobre coração, mas que queres? As leis civis, as convenções sociais, são obras do homem, imperfeitas, injustas e, muitas vezes, cruéis. O anjo padece e geme sob o jogo da escravidão, e o demônio exalça-se ao fastígio da fortuna e do poder”.          GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura.

10.Geraldo reflete sobre a condição de escrava de Isaura. Qual o ponto de vista do amigo de Álvaro

RESPOSTA: Geraldo acredita que as leis e as convenções sociais são obras do homem e, por esse motivo, são imperfeitas, injustas e cruéis. De acordo com ele, Isaura sofre com a sua condição de cativa e seu senhor, Leôncio, aproveita-se da situação para utilizar-se de seu poder e dinheiro para fortalecer seu domínio.

11.Ao utilizar-se em seu argumento o exemplo bíblico da patriarca Abraão, que abandonou sua esposa Sara pelo amor da escrava Agar, Álvaro pretende:

A)   Convencer seu amigo Geraldo de que não é loucura todo o amor devotado a Isaura.

B)  Defender a tese de que a beleza de Isaura é enaltecida graças a sua condição de escrava.

C) Explicar ao amigo que o infortúnio da escravidão sempre serviu de obstáculo aos amantes.

D)   Mostrar que a condição de escrava de sua amada aguça a ambição de seu senhor.

E)   Ressaltar que seu amor é proibido e praticamente impossível aos olhos de Deus e dos homens.

(PUCCAMP) Da questão 12 a 16, você vai usar o texto abaixo.

Texto crítico

“Embora seja importante indagar das razões por que público brasileiro dos anos de 1870 avidamente leu e com entusiasmo aplaudiu “A Escrava Isaura”, razões que encontram o principal motivo em onda então crescente de sentimento abolicionista – convenhamos em que muito mais importante o comportamento desse público é, para a crítica, a natureza desse romance.

Mesmo lido com simpatia, “A Escrava Isaura” não resiste à crítica. Seu enredo resulta em ser inverossímel, tais e tantos são os expedientes primários do Autor, usados para conduzir por determinados caminhos e para desenlace preestabelecido: em frequentes ex-abruptos, mudam os sentimentos dos protagonistas com relação à bela e desditosa Isaura, e assim de protetores se transformam de pronto em pérfidos algozes, servindo à linha dramática premeditada pelo ficcionistas; não menos precipitada e artificialmente se engendram e desenrolam as situações ou episódios concebidos sempre com a intenção de marcar “passus” da vida “crucis” da desgraçada heroína, que, por fim, mais arrastada pelo autor que pelas forças do drama que vive, encontra no alto do seu calvário, ao invés do sacrifício final (o que teria dado ao romance verossimilhança e força), a salvação e a felicidade de extrema.

Tão primário e artificial quanto enredo que domina a obra, dando-lhe típica estrutura novelesca ou romanesca, é, não digo a concepção, mas o modo de conduzir personagens: Isaura, Malvina, Rosa, Leôncio, Álvaro, Belchior, André, o Dr. Geraldo, Martim e Miguel, se têm peculiaridades físicas e morais que os caracterizam suficientemente e os individualizam na galeria das personagens da ficção romântica, se ocupam posições bem “marcadas” no palco dos acontecimentos, decomposto em dois cenários (uma fazenda de café da Baixada Fluminense e o Recife), não chegam contudo, a receber suficiente estofo psicológico: daí a impressão que deixam, não apenas de símbolos dramáticos quase vazios, senão que também títeres (vá lá a cansada imagem) conduzidos pelo autor, para esta ou aquela ação indispensável, a seu ver, às suas principais intenções”.

(Antônio Soares Amora, “O Romantismo”, vol. II da A Literatura Brasileira).

 12. (PUCCAMP)Segundo o texto:

“A Escrava Isaura” consagrou-se como um bom romance por causa da aceitação que teve entre o público leitor de 1870.

a) “A Escrava Isaura” não é um bom romance porque o público leitor de 1870 o leu avidamente e o aplaudiu com entusiasmo.

b) leitor deve ter muito cuidado ao ler ou aplaudir um romance, pois poderá consagrar uma obra medíocre.

c) “A Escrava Isaura” não é um bom romance para a crítica, embora o público o haja lido com entusiasmo, movido pelo sentimento abolicionista.

d) “A Escrava Isaura” não pode ser considerado um bom romance por causa do sentimento abolicionista.

 13. (PUCCAMP)Antônio Soares Amora diz-nos, no texto, que:

a) a crítica, ao avaliar um romance, baseia-se na natureza da obra e não simplesmente nas reações do público leitor;

b) a crítica ataca os romances que cativam a simpatia e o entusiasmo dos leitores;

c) Bernardo Guimarães, ao escrever seu romance “A Escrava Isaura”, não se preocupou com a crítica e, sim, com a Abolição;

d) é muito difícil a crítica avaliar romances de grande popularidade e aceitação;

romance da natureza é para a crítica muito mais importante do que o comportamento do público leitor.

 14. (PUCCAMP)Ainda, de acordo com o texto:

a) enredo inverossímel de “A Escrava Isaura” resulta de um autor primário que se perde nos caminhos escolhidos para um fim determinado;

b) os protetores de Isaura transformam-se em seus algozes, crucificando-a no final do romance;

c) os recursos empregados pelo Autor forçam um defeso preestabelecido;

d) a parte mais inverossímel do romance é a que assinala os “passus” da “via crucis” de Isaura;

e) embora reconhecesse a inverossimilhança do drama, o autor via nela a salvação e felicidade extrema da heroína.

 15. (PUCCAMP) De texto concluímos que:

de tal modo os episódios de “A Escrava Isaura” são dominados pela precipitação e artificialidade, que a ação resulta muito mais da inserção do Autor do que das forças do conflito;

a) a típica estrutura novelesca de “A Escrava Isaura” caracteriza-se pelo desenvolvimento do enredo, pela concepção das personagens e pelo desfecho;

b) em “A Escrava Isaura” o Autor vive um drama cujas forças o arrastam a um calvário onde encontra, em vez do sacrifício final, a sua felicidade;

c) a bela e desditosa Isaura muda os sentimentos dos protagonistas, levando-os ao sacrifício final, no alto do calvário;

d) para a heroína é muito mais importante encontrar a salvação e a felicidade extrema do que o sacrifício final, no alto do Calvário.

 16. (PUCCAMP)O texto afirma que:

as personagens Isaura, Malvina, Rosa, Leôncio, Álvaro, Belchior, Dr. Geraldo, Martim e Miguel são suficientemente caracterizados física, moral e psicologicamente;

a) uma falha comparável no primarismo e artificialidade do enredo é a concepção das personagens de “A Escrava Isaura’;

b) as personagens títeres cansam o leitor, à medida que o Autor as conduz a esta ou àquela ação indispensável ao enredo;

c) as personagens, conduzidas de modo primário e artificial, sem profundidade psicológica, são como fantoches nas mãos do Autor;

d) sem o artificialismo das personagens, “A Escrava Isaura” teria resistido à crítica.

17. Com base na leitura e análise do livro A EscravaIsaura, classifique as afirmações seguintes de verdadeiras ou falsas:

(   )  A mãe de Isaura foi perseguida pelo pai de Leôncio, comendador Almeida.

(   )  Poucos sabiam na fazenda que Isaura era filha do comendador Almeida, portanto irmã de Leôncio por parte do pai.

(   )  Antes de morrer, a mãe de Leôncio deu alforria a Isaura, mas ela preferiu continuar escrava, numa atitude de submissão exagerada.

(   )  O comendador Almeida perseguia as escravas e mantinha com elas relações extra – matrimoniais.

(   )  O comendador Almeida, à custa de ameaças e maus-tratos, chegou a possuir a mãe de Isaura.

(V)    (F)     (F)   (V)   (V)

 TEXTO 01

“Leôncio achara desde a infância nas larguezas e facilidades de seus pais amplos meios de corromper o coração e extraviar a inteligência. Mau aluno e criança incorrigível, turbulento e insubordinado, andou de colégio em colégio e passou como   gato por brasas por cima de todos os preparatórios, cujos exames, todavia, sempre salvara à sombra do patronato. Os mestres não se atreviam a dar ao nobre e munífico comendador o desgosto de ver seu filho reprovado. Matriculado na escola de medicina logo no primeiro ano enjoou-se daquela disciplina, e como seus pais não sabiam contrariá-lo, foi para Olinda a fim de frequentar o curso jurídico. Ali, depois de ter dissipado não pequena porção da fortuna paterna na satisfação de todos os seus vícios e loucas fantasias, tomou tédio também aos estudos jurídicos e ficou entendendo que só na Europa poderia desenvolver dignamente a sua inteligência e saciar a sua sede de saber, em puros e abundantes mananciais. Assim escreveu ao pai, que deu-lhe crédito e o enviou a Paris, donde esperava vê-lo voltar feito um novo Humboldt. Instalado naquele vasto pandemônio do luxo e dos prazeres, Leôncio, raras vezes, e só por desfastio, ia ouvir as eloquentes preleções dos exímios professores da época e nem tampouco era visto nos museus, institutos e bibliotecas. Em compensação era assíduo frequentador do Jardim Mabile, assim como de todos os cafés e teatros mais em voga, e tornara-se um dos mais afamados e elegantes leões dos bulevares”. GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura.

 18. O tema do texto é:

a)   A descrição do caráter de Leôncio, tomando como exemplo sua conduta quando criança e adolescente.

b)   A maneira eficaz dos pais educarem seu filho único, não esquecendo de repassar a ele valores como ética, nacionalismo, amor aos pais.

c)   A situação precária do ensino no país que forçou os pais de Leôncio a patrocinarem seus estudos em Paris.

d)   A preocupação dos pais de Leôncio em relação a sua educação, primando sempre por boas universidades e professores de excelência.

e)   A triste situação de Leôncio que, desde cedo, teve que se separar dos pais para estudar fora do país.

19. Em “(…) andou de colégio em colégio e passou como gato por brasas por cima de todos os preparatórios (…)”, a expressão destacada tem o sentido de:

a)   Passou, com muito esmero, por cima de todos os preparatórios.

b)   Passou, conforme a maioria dos alunos, por cima de todos os preparatórios.

c)   Passou, de maneira abrupta, por cima de todos os preparatórios.

d)   Passou, de maneira superficial, por cima de todos os preparatórios.

e)   Passou, de modo discreto, por cima de todos os preparatórios.

20. O trecho “(…)Leôncio, raras vezes, e só por desfastio, ia ouvir as eloquentes preleções dos exímios professores da época e nem tampouco era visto nos museus, institutos e bibliotecas.” refere-se:

a)   À falta de interesse de Leôncio no que diz respeito aos estudos e ao conhecimento.

b)   Á necessidade que Leôncio tinha em ouvir as palestras de seus professores.

c)  Ao excesso de confiança de Leôncio em seus conhecimentos, acreditando não seu necessária tanta dedicação.

d)   Ao fato de Leôncio não entender as aulas ministradas e preferir afastar-se do ambiente acadêmico.

e)  Ao número excessivo de vezes que Leôncio era visto nos ambientes culturais da cidade.

O BOM-CRIOULO

BOM-CRIOULO

(Unicamp) Nos romances naturalistas, a descrição dos espaços onde transcorre a ação é sempre decisiva. Em O Bom Crioulo, de Adolfo Caminha, o escravo fugido Amaro tem sua existência dividida entre dois domínios espaciais, um do mar, outro da terra. Leia os trechos abaixo: O convés, tanto na coberta como na tolda, apresentava o aspecto de um acampamento nômade. A marinhagem, entorpecida pelo trabalho, caíra numa sonolência profunda, espalhada por ali ao relento, numa desordem geral de ciganos que não escolhem terreno para repousar. Pouco lhe importavam o chão úmido, as correntes de ar, as constipações, o beribéri. Embaixo era maior o atravancamento. Macas de lona suspensas em varais de ferro, umas sobre outras, encardidas como panos de cozinha, oscilavam à luz moribunda e macilenta das lanternas. Imagine-se o porão de um navio mercante carregado de miséria. No intervalo das peças, na meia escuridão dos recôncavos moviam-se os corpos seminus, indistintos. Respiravam um odor nauseabundo de cárcere, um cheiro acre de suor humano diluído em urina e alcatrão. Negros, de boca aberta, roncavam profundamente, contorcendo-se na inconsciência do sono. Viam-se torsos nus abraçando o convés, aspectos indecorosos que a luz evidenciava cruelmente. O quarto era independente, com janela para os fundos da casa, espécie de sótão roído pelo cupim e tresandando a ácido fênico. Nele morrera de febre amarela um portuguesinho recém-chegado. Mas o Bom-Crioulo, conquanto receasse as febres de mau caráter, não se importou com isso, tratando de esquecer o caso e instalando-se definitivamente. Todo dinheiro que apanhava era para compra de móveis e objetos de fantasia rococó, “figuras”, enfeites, coisas sem valor, muitas vezes trazidas de bordo […]. Pouco a pouco, o pequeno “cômodo” foi adquirindo uma feição nova de bazar hebreu, enchendo-se de bugigangas, amontoando-se de caixas vazias, búzios grosseiros e outros acessórios ornamentais. O leito era uma “cama de vento” já muito usada, sobre a qual Bom-Crioulo tinha o zelo de estender, pela manhã, quando se levantava, um grosso cobertor encarnado “para ocultar as nódoas”.

1.  Identifique, nos textos acima, características dos ambientes descritos, determinantes do caráter de Amaro.

2. Como os dois espaços se relacionam especificamente com a tragédia pessoal de Amaro, o Bom Crioulo?

RESPOSTA:

1. O aspecto promíscuo e indecoroso do convés do navio sugere a prevalência do instinto sobre a vontade moral, das pulsões sobre a razão. O mesmo contexto de insalubridade e promiscuidade aparece no quarto de pensão em que Amaro se instala.

2. No navio, Amaro conhece o grumete de quem será amante e que acabará por assassinar, ao descobrir-se traído; no navio, experimenta a disciplina férrea e injusta que lhe forma o caráter violento e rebelde. É a dona da pensão em que Amaro se instala com Aleixo que precipitará a traição do amante, seduzido pelos agrados de Carolina.

O excerto a seguir foi extraído da obra Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha. As cenas descritas acontecem depois de uma tempestade em alto mar. Leia o texto atentamente.

O convés, tanto na coberta como na tolda, apresentava o aspecto de um acampamento nômade. A marinhagem, entorpecida pelo trabalho, caíra numa sonolência profunda, espalhada por ali ao relento, numa desordem geral de ciganos que não escolhem terreno para repousar. Pouco lhe importavam o chão úmido, as correntes de ar, as constipações, o beribéri. Embaixo era maior o atravancamento. Mas de lona suspensas em varais de ferro, umas sobre outras, encardidas como panos de cozinha, oscilavam à luz moribunda e macilenta das lanternas. Imagine-se o porão de um navio mercante carregado de miséria. No intervalo das peças, na meia escuridão dos recôncavos moviam-se corpos seminus, indistintos. Respirava-se um odor nauseabundo de cárcere, um cheiro acre de suor humano diluído em urina e alcatrão. Negros, de boca, roncavam profundamente, contorcendo-se na inconsciência do sono. Viam-se torsos nus abraçando o convés, aspectos indecorosos que a luz evidenciava cruelmente. (…) Bom-Crioulo estava de folga. Seu espírito não sossegara toda a tarde, ruminando estratagemas com que desse batalha definitiva ao grumete, realizando, por fim, o seu forte desejo de macho torturado pela carnalidade grega. Por vezes tinha querido sondar o ânimo do grumete, procurando convencê-lo, estimulando-lhe o organismo; mas o pequeno faziase esquerdo, repelindo brandamente, com jeitos de namorada, certos carinhos do negro. – Deixe disso, Bom-Crioulo, porte-se sério!(…) Às nove horas, quando Bom-Crioulo viu Aleixo descer, agarrou a maca e precipitou-se no encalço do pequeno. Foi justamente quando o viram passar com a trouxa debaixo do braço, esgueirando-se felinamente.

3. Nas páginas 2 e 3 do capítulo “A revolução romântica”, há um quadro comparativo entre as correntes literárias classificadas como Realismo e Naturalismo. A partir das caracterizações de cada tendência, EXPLIQUE por que o romance de Adolfo Caminha é exemplo de obra naturalista.

RESPOSTA: O excerto contém a preocupação documental e pretensamente cientificista do Naturalismo, que cria romances à luz das teorias filosóficas que atribuem ao Determinismo, por exemplo, o comportamento instintivo e involuntário das pessoas. Em uma época de proletarização das camadas mais pobres da sociedade, os artistas dão preferência a um painel caricaturado da vida dos marginalizados, com suas mazelas e desejos. Menção insistente a aberrações sexuais são comuns nessa tendência literária, pois o ser humano é retratado como um animal que, como qualquer outro, age instintivamente.

4. EXEMPLIFIQUE, com transcrições do excerto lido

a) Preferência por ambientes miseráveis

b) Ênfase no instinto

c) Zoomorfização do homem

RESPOSTA:

a) Preferência por ambientes miseráveis: “Imagine-se o porão de um navio mercante carregado de miséria”. “Respirava-se um odor nauseabundo de cárcere, um cheiro acre de suor humano diluído em urina e alcatrão.” “O convés, tanto na coberta como na tolda, apresentava o aspecto de um acampamento nômade. A marinhagem, entorpecida pelo trabalho, caíra numa sonolência profunda, espalhada por ali ao relento, numa desordem geral de ciganos que não escolhem terreno para repousar. Pouco lhe importavam o chão úmido, as correntes de ar, as constipações, o beribéri.”

b) Ênfase no instinto: “Bom-Crioulo estava de folga. com que desse batalha definitiva ao grumete, realizando, por fim, o seu forte desejo de macho torturado pela carnalidade grega. Por vezes tinha querido sondar o ânimo do grumete, procurando convencê-lo, estimulando-lhe o organismo; mas o pequeno fazia-se esquerdo, repelindo brandamente, com jeitos de namorada, certos carinhos do negro…”

c) Zoomorfização do homem: “Negros, de boca, roncavam profundamente, contorcendo-se…” “Foi justamente quando o viram passar com a trouxa debaixo do braço, esgueirando-se felinamente.” “Seu espírito não sossegara toda a tarde, ruminando estratagemas”.

Da leitura de “Bom-Crioulo”, de Adolfo Caminha, responda as questões de 05 a 09.

5.A personagem, que dá título à obra, é:

a)Aleixo.

b) Herculano.

c)Amaro.

d)Albuquerque.

6. A principal temática discutida na obra é:

a)a pedofilia.

b) a pederastia.

c) o lesbianismo.

d) o incesto.

7.A profissão da personagem principal é:

a)marinheiro.

b) cozinheiro.

c) estudante.

d) alfaiate.

8. Na obra, temos um triângulo amoroso formado por:

a)três homens.

b) três mulheres.

c) duas mulheres e um homem.

d) dois homens e uma mulher.

9. Em ” ..puxou pelo remo: – vuco, te vuco… vuco, te vuco…” ( Caminha ), temos:

a)uma figura de palavras.

b) uma figura de sintaxe.

c) um processo de formação de palavras.

d) uma figura de pensamento.

10. (UFPR) A respeito do narrador do romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, assinale a alternativa correta.

a)O narrador naturalista descreve com objetividade e riqueza de detalhes o cenário em que se ambienta o romance, como se observa neste trecho: “A lua, surgindo lenta e lenta, cor de fogo, a princípio, depois fria e opalescente, misto de névoa e luz, alma e solidão, melancolizava o largo cenário das ondas, derramando sobre o mar essa luz meiga, essa luz ideal que penetra o coração do marinheiro, comunicando-lhe uma saudade infinita dos que navegam”.

b) O narrador descreve com minúcia o pensamento das personagens, desvendando seu refinado sistema de valores culturais, como se observa neste trecho: “Estimava Bom-Crioulo desde o dia em que ele, desinteressadamente, por um acaso providencial, livrou-a de morrer na ponta de uma faca, história de ladrões… […]”.

c) O narrador evidencia a percepção sofisticada de Amaro, que fica nítida nas referências do marinheiro à cultura grega: “Aleixo surgia-lhe agora em plena e exuberante nudez, muito alvo, as formas roliças de calipígio ressaltando na meia sombra voluptuosa do aposento, na penumbra acariciadora daquele ignorado e impudico santuário de paixões inconfessáveis… Belo modelo de efebo que a Grécia de Vênus talvez imortalizasse em estrofes de ouro límpido e estátuas duma escultura sensual e pujante”.

d) O narrador deixa pistas da vingança planejada por Amaro contra Aleixo, como se pode perceber nas referências intertextuais a Otelo, o clássico do ciúme, lido pelo marinheiro nos seus momentos de ócio: “Aleixo era seu, pertencia-lhe de direito, como uma coisa inviolável. Daí também o ódio ao grumete, um ódio surdo, mastigado, brutal como as cóleras de Otelo”.

e) O narrador interpreta o conflito vivido pelo ex-escravo, justapondo uma percepção animalizante ao lado de outra, construída por meio de comparações artísticas: “Dentro do negro rugiam desejos de touro ao pressentir a fêmea… Todo ele vibrava, demorando-se na idolatria pagã daquela nudez sensual como um fetiche diante de um símbolo de ouro ou como um artista diante duma obra-prima”.

 (UEL) Leia o texto e responda às questões de 11 a 14.

Texto

Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como estava, de ódio e desespero. Ecoavam-lhe ainda no ouvido, como um dobre fúnebre, aquelas palavras de uma veracidade brutal, e de uma rudez pungente: “Dizem até que está amigado!” par Amigado, o Aleixo! Amigado, ele que era todo seu, que lhe pertencia como o seu próprio coração: ele, que nunca lhe falara em mulheres, que dantes era tão ingênuo, tão dedicado, tão bom!… Amigar-se, viver com uma mulher, sentir o contato de outro corpo que não o seu, deixar-se beijar, morder, nas ânsias do gozo, por outra pessoa que não ele, Bom-Crioulo!… par Agora é que tinha um desejo enorme, uma sofreguidão louca de vê-lo, rendido, a seus pés, como um animalzinho; agora é que lhe renasciam ímpetos vorazes de novilho solto, incongruências de macho em cio, nostalgias de libertino fogoso… As palavras de Herculano (aquela história do grumete com uma rapariga) tinham-lhe despertado o sangue, fora como uma espécie de urtiga brava arranhando-lhe a pele, excitando-o, enfurecendo-o de desejo. Agora sim, fazia questão! E não era somente questão de possuir o grumete, de gozá-lo como outrora, lá cima, no quartinho da Rua da Misericórdia: – era questão de gozá-lo, maltratando-o, vendo-o sofrer, ouvindo-o gemer… Não, não era somente o gozo comum, a sensação ordinária, o que ele queria depois das palavras de Herculano: era o prazer brutal, doloroso, fora de todas as leis, de todas as normas… E havia de tê-lo, custasse o que custasse! par Decididamente ia realizar o seu plano de fuga essa noite, ia desertar pelo mundo à procura de Aleixo. par Inquieto, sobre excitado, nervoso, pôs-se a meditar. O grumete aparecia-lhe com uma feição nova, transfigurado pelos excessos do amor, degenerado, sem aquele arzinho bisonho que todos lhe admiravam, o rosto áspero, crivado de espinhas, magro, sem cor, sem sangue nos lábios… Pudera! Um homem não resiste, quanto mais uma criança! Aleixo devia de estar muito acabado; via-o nos braços da amante, da tal rapariga – ele novo, ela mocinha, na flor dos vinte anos -, via-o rolar em espasmos luxuriosos, grudado à mulher, sobre uma cama fresca e alva – rolar e cair extenuado, crucificado, morto de fraqueza… Depois a rapariga debruçava-se sobre ele, juntava boca à boca num grande beijo de reconhecimento. E no dia seguinte, na noite seguinte, a mesma cousa. (CAMINHA, Adolfo. Bom-Crioulo. São Paulo: Ediouro, s/d. p. 73-74.)

11. Quanto à frase: “Um homem não resiste, quanto mais uma criança!”, assinale a alternativa correta.

a) Corresponde à dificuldade que o próprio Amaro sentia de resistir às constantes investidas femininas sobre ele.

b) Antecipa a inclinação de Amaro para perdoar o amante, conflito que se estende até o desfecho do romance.

c) Sugere que uma criança tem maior capacidade de resistir às tentações mundanas do que um adulto.

d) Indica que um homem é desprovido de forças para resistir aos apelos sexuais de uma menina insinuante.

e) Revela que Amaro considerava o amante como alguém suscetível a tentações sexuais irresistíveis.

12.Considere as afirmativas a seguir a respeito dos trechos “ímpetos vorazes de novilho solto” e “incongruências de macho em cio”. As expressões

I. revelam um distanciamento das características românticas no que se refere à disposição amorosa das personagens.

II. confirmam a permanência de traços românticos em obras naturalistas, como o sentimentalismo exacerbado, a retidão moral dos heróis e a vocação para a aventura.

III. denotam a identificação do romance com o determinismo naturalista, entendido aqui como a influência da natureza idealizada sobre o ânimo das personagens.

IV. indicam afinidades com procedimentos naturalistas que correlacionam atitudes e reações de personagens com o comportamento de animais.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e III são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

c) Somente as afirmativas II e III são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

13. Sobre o trecho do capítulo XI de Bom-Crioulo  e sua relação com o todo do romance, assinale a alternativa correta.

a) O encontro com Herculano ocorreu na rua, de forma casual, quando Amaro caminhava transtornado à procura de Aleixo.

b) O encontro com Herculano aconteceu no navio onde Amaro estava trabalhando e para o qual Herculano foi enviado a pedido de Aleixo.

c) As palavras de Herculano despertam em Amaro uma raiva incontida porque o amante traído se recusava a compreender que, além do caso com D. Carolina, Aleixo estivesse envolvido também com uma rapariga.

d) As palavras de Herculano acenderam o furor de Amaro porque até aquele momento o marinheiro refreara seus instintos e desejos, respeitando Aleixo e abdicando do ato sexual com ele.

e) As palavras de Herculano provocaram a indignação de Amaro, embora o bilhete sem resposta já lhe tivesse incutido na imaginação a possibilidade de que o grumete estivesse amigado com outro homem.

14.Observe as formas “excitando-o” e “maltratando-o”, presentes no 3º parágrafo.

Assinale a alternativa correta.

a) Ambos os pronomes referem-se a Aleixo.

b) Ambos os pronomes referem-se a Amaro.

c) O primeiro pronome refere-se a Amaro; o segundo, a Aleixo.

d) O primeiro pronome refere-se a Herculano; o segundo, a Aleixo.

e) O primeiro pronome refere-se a Herculano; o segundo, a Amaro.

15. (UEL) Assinale a alternativa que apresenta o mesmo sentido do trecho “Enquanto iam-lhe cicatrizando as feridas roxas do corpo tatuado pela chibata, abria-se-lhe na alma rude de marinheiro um grande vácuo […]” (p. 61), retirado do romance Bom-Crioulo de Adolfo Caminha.

a) Quando na alma rude de marinheiro um grande vácuo abria-se-lhe, o corpo tatuado pela chibata cicatrizava as feridas roxas.

b) Um grande vácuo era aberto na sua alma rude de marinheiro, ao mesmo tempo que cicatrizavam as feridas roxas do corpo tatuado pela chibata.

c) Na alma rude de marinheiro, abria-se-lhe um grande vácuo, a fim de que as feridas roxas cicatrizassem no corpo tatuado pela chibata.

d) A chibata abria um grande vácuo pelo corpo tatuado do marinheiro de alma rude, embora as feridas roxas cicatrizassem.

e) As feridas roxas do corpo tatuado pela chibata cicatrizavam, à medida que a alma rude do marinheiro deixava de existir no vácuo.

16. (UFPR) Sobre os romances Lucíola, de José de Alencar, e Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, considere as seguintes afirmativas:

I. Nos dois romances, os nomes dos protagonistas são significativos: Lúcia, pseudônimo adotado pela brilhante cortesã, ofusca a pureza perdida de Maria da Glória; já no caso de Amaro, o apelido Bom-Crioulo é irônico, salientando o viés negativo adotado na caraterização dessa personagem.

II. Em Lucíola, busca-se legitimar o comportamento sexual da protagonista por meio de uma motivação ajustada à moralidade burguesa do século XIX: Lúcia inicia-se na prostituição por conta de sua ingenuidade e desamparo, tentando salvar a própria família da miséria extrema.

III. Bom-Crioulo estabelece paralelos entre o cativeiro da escravidão e aquele representado pela atração de Amaro por Aleixo: seja na cena do castigo físico a que Amaro é submetido no primeiro capítulo, seja nas agruras da personagem título quando, transferido de embarcação, se vê afastado de Aleixo.

IV. A despeito das diferenças entre Romantismo e Naturalismo, no que se refere ao tratamento das cenas de intimidade sexual, ambos os romances adotam um tom sóbrio, com vocabulário discreto que evita expressões grosseiras de modo a ajustar-se às expectativas do público de seu tempo.

Assinale a alternativa CORRETA.

A) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.

B) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.

C) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.

D) As afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras.

E) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.

17. (UFPR)
“Marcas de lona suspensas em varais de ferro, umas sobre as outras, encardidas com panos de cozinha, oscilavam à luz moribunda e macilenta das lanternas. Imagine-se o porão do navio mercante carregado de miséria. No intervalo das peças, na meia escuridão dos recôncavos moviam-se corpos seminus, indistintos. Respirava-se um odor nauseabundo de cárcere, um cheiro acre de suor humano diluído em urina e alcatrão. Negros, de boca aberta, roncavam profundamente, contorcendo-se na inconsciência do sono.”
Com relação a esse fragmento da obra Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, é correto afirmar que apresenta a(s) seguinte(s) característica(s) naturalista(s):
I. Tentativa de impessoalidade em relação à voz narrativa.
II. Despreocupação com pormenores descritivos, o que torna o ritmo narrativo extremamente rápido.
III. Subjetividade na descrição do espaço.
IV. Valorização de ambientes exóticos, objetivando a recuperação estética das figuras marginalizadas socialmente.
V. Preferência por espaços miseráveis e socialmente inferiores.
Está correta a sequência:
a)  II, III e V.

b) II, III e IV.

c) I, IV e V.

d) I, II, III, IV. e V.

e. I, II e V.

18. (CEFET) Os trechos abaixo são do romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha. Assinale a alternativa em que o comportamento humano não é explicado por leis biológicas.

a)“E agora, como é que não tinha forças para resistir aos impulsos do sangue? Como é que se compreendia o amor, o desejo da posse animal entre duas pessoas do mesmo sexo, entre dois homens?”

b) “Nunca se apercebera de semelhante anomalia (…) As mulheres o desarmavam para os combates do amor (…) E o mais interessante é que ‘aquilo’ ameaçava ir longe, para mal de seus pecados… Não havia jeito, senão ter paciência, uma vez que a ‘natureza’ impunha-lhe esse castigo.”

c) “Afinal de contas era homem, tinha suas necessidades, como qualquer outro: fizera muito em conservar-se virgem até aos trinta anos (…) sendo muitas vezes obrigado a cometer excessos que os médicos proíbem (…) É que nem todos têm força para resistir: a natureza pode mais que a vontade humana…”

d) “Isso de se dizer que o comandante preferia um sexo a outro nas relações amorosas podia ser uma calúnia como tantas que se inventam por aí… Ele, Bom-Crioulo, não tinha nada que ver com isso. Era uma questão à parte, que diabo! ninguém está livre de um vício.”

e) “Esse movimento indefinível que acomete ao mesmo tempo duas naturezas de sexos contrários, determinando o desejo fisiológico da posse mútua, essa atração animal que faz o homem escravo da mulher e que em todas as espécies impulsiona o macho para a fêmea, sentiu-a Bom-Crioulo irresistivelmente ao cruzar a vista pela primeira vez com Aleixo.”

19. A respeito da obra “Bom-Crioulo”, de Adolfo Caminha, leia as afirmações a seguir, sobre o livro, o autor e o período literário ao qual pertencem, e assinale a alternativa correta:

I.O personagem principal, Amaro, escravo fugido, tem sua existência dividida entre dois cenários, um no mar, outro na terra, dois espaços distintos que têm na promiscuidade e miséria seus elementos comuns, sendo esta característica, de descrição dos aspectos degradantes dos espaços, uma constante nas obras naturalistas.

II. Apesar de ser uma obra naturalista, ela ainda conserva alguns traços românticos, como a linguagem velada e a análise da sociedade da época, evidenciando o seu caráter interdisciplinar. I

III. Fortemente determinista, o romance, mesmo considerando o afeto que a seu modo dedica ao amante, aponta para a submissão de Amaro aos desígnios do meio, algo que não se pode observar no personagem Aleixo, que não se deixa contaminar com a promiscuidade do ambiente.

IV. Boa parte da força e da eficácia de Bom-Crioulo está no manejo lúcido que o autor faz desses conflitos, escolhendo o quê, quando e como contar deste verdadeiro enredo de notícia de jornal sensacionalista. A narrativa é simples e direta, mas tem as suas manhas: não entrega o jogo facilmente, cria suspenses, vai e volta no tempo, de modo a dar a cada momento, a cada situação, a sua atualidade e a sua história, o seu desenvolvimento próprio.

V. O tema do romance é a dificuldade do amor homossexual, manifesto na construção do triângulo amoroso. Tratado com crueza e preconceito pelo escritor naturalista, tal tema é encarado no romance como vício ou perversão, sendo esta, também, uma característica naturalista: ver no vício um objeto de estudo que deve ser esclarecido e compreendido.

VI. O trecho “Esse movimento indefinível que acomete ao mesmo tempo duas naturezas de sexos contrários, determinando o desejo fisiológico da posse mútua, essa atração animal que faz o homem escravo da mulher e que em todas as espécies impulsiona o macho para a fêmea, sentiu-a Bom-Crioulo irresistivelmente ao cruzar a vista pela primeira vez com Aleixo” evidencia o quanto o comportamento humano, segundo o naturalismo, pode ser explicado também por leis biológicas.

VII. Apesar de querer “superar” a promiscuidade do quarto onde vive, Amaro continua condicionado por ela. O final do romance testemunha a sua incapacidade de encontrar uma saída digna, uma vez que ele não supera a miserabilidade, não apenas material , mas sobretudo moral do ambiente.

 

 

Análise do poema Profundamente

BANDEIRA III

Profundamente

Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.

*
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.    (Manuel Bandeira)

      O poema possui 38 versos livres divididos em cinco estrofes e pode ser desmembrado em dois momentos: o passado e o presente. As três primeiras estrofes referem-se ao passado como atestam os verbos utilizados pelo autor no pretérito  ( “ adormeci”, “despertei”, “ouvi” etc.) enquanto as duas últimas ao momento presente, observado no uso de advérbio (“hoje”) e nos verbos no presente ( “ouço”, “estão”).

       Inicialmente, o eu lírico confessa uma frustração: a de não ver o fim da festa de São João porque adormecera. Quando despertou no meio da noite, a festa já havia terminado e todos estavam dormindo. O verso de abertura do poema “ Quando ontem adormeci” apresenta um advérbio de tempo (“ontem”) que representa a infância do autor. E essa ideia é confirmada no primeiro verso da terceira estrofe, pois nele há a indicação da idade “ Quando eu tinha seis anos”.

      Nas três primeiras estrofes, o sentimento de perda ocorre por uma imposição da disposição física, porque o menino adormeceu  antes do fim da festa. Já, nas duas últimas estrofes, o sentimento de perda é reiterado e ampliado. No momento presente “hoje não ouço mais as vozes daquele tempo”, percebe-se que a frustração não é causada pelo sono, mas pela morte. Os amigos e familiares da infância do eu lírico “Estão todos dormindo /  Estão todos deitados/ dormindo/ Profundamente”.

      A quarta estrofe do poema não vem separada das anteriores por um ponto final, o que adquire um significado expressivo. O advérbio de tempo “hoje” que abre a estrofe não institui a mudança temporal esperada, pois a ausência de um ponto final na estrofe anterior integra o passado ao presente, enlaçando o “ontem”, “quando eu tinha seis anos”, ao “hoje”.

      A ausência do ponto final não demarca e nem divide o poema em dois blocos semânticos. O sentimento de perda une o passado ao presente, indiferente às sucessivas etapas da vida, e o sentimento de frustração é a marca indelével do autor. Perder o fim da festa na infância talvez fosse para ele uma aprendizagem para suportar as perdas impostas pela morte. “Profundamente”, advérbio de modo que dá título ao poema, tanto se refere à morte dos familiares quanto à sensação de perda que obriga o sujeito a mergulhar nos cantos mais profundos da alma para encontrar a serenidade necessária para suportar a vida.

        No transcorrer do poema, as lembranças do poeta não resvalam nunca no desespero ou em uma  visão pessimista da vida. Ao construir o seu discurso sobre as perdas do passado e do presente em um estilo simples, sem exageros sentimentais, o poeta revela a serenidade com que aceita o peso negativo das etapas vencidas, mas não esquecidas.

Sermão do Mandato

MANDATO-300

TEXTO PARA AS QUESTÕES 01 E 02

Sermão do Mandato

Começando pelo amor. O amor essencialmente é união, e naturalmente a busca: para ali pesa, para ali caminha, e só ali para. Tudo são palavras de Platão, e de Santo Agostinho. Pois se a natureza do amor é unir, como pode ser efeito do amor o apartar? Assim é, quando o amor não é extremado e excessivo. As causas excessivamente intensas produzem efeitos contrários. A dor faz gritar; mas se é excessiva, faz emudecer: a luz faz ver; mas se é excessiva, cega: a alegria alenta e vivifica; mas se é excessiva, mata. Assim o amor: naturalmente une; mas se é excessivo, divide: Fortis est ut mors dilectio: o amor, diz Salomão, é como a morte. Como a morte, rei sábio? Como a vida, dissera eu. O amor é união de almas; a morte é separação da alma: pois se o efeito do amor é unir, e o efeito da morte é separar, como pode ser o amor semelhante à morte? O mesmo Salomão se explicou. Não fala Salomão de qualquer amor, senão do amor forte? Fortis est ut mors dilectio: e o amor forte, o amor intenso, o amor excessivo, produz efeitos contrários. É união, e produz apartamentos. Sabe-se o amor atar, e sabe-se desatar como Sansão: afetuoso, deixa-se atar; forte, rompe as ataduras. O amor sempre é amoroso; mas umas vezes é amoroso e unitivo, outras vezes amoroso e forte. Enquanto amoroso e unitivo, ajunta os extremos mais distantes: enquanto amoroso e forte, divide os extremos mais unidos. (ANTONIO VIEIRA. Sermão do Mandato. )

1.Mencione e explique uma característica do estilo barroco que Vieira explora com insistência no seguinte trecho “O amor é união de almas; a morte é separação da alma: pois se o efeito do amor é unir, e o efeito da morte é separar, como pode ser o amor semelhante à morte?”

RESPOSTA:

O dualismo barroco está presente na utilização de antíteses e paradoxos, técnica típica da tendência conceptista da qual Vieira é o maior representante.

 2.Vieira, em seu sermão, afirma que uma mesma causa pode produzir efeitos contrários, conforme a presença ou não de determinado fator. Com base nesta constatação:

a.determine o fator que segundo afirma Vieira, é responsável por fazer com que uma mesma causa produza efeitos contrários.

b.indique o fenômeno físico que Vieira apresenta como uma das provas do que afirma.

RESPOSTAS:

a.”As causas (…) cega”

b) “a luz faz (…) cega”

As questões de números 03 a 06 se baseiam em um fragmento do Sermão do Mandato, do orador barroco Antônio Vieira (1608-1697), e num trecho do poema Feliza, do poeta neoclássico Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805).
Sermão do Mandato

Começando pelo amor. O amor essencialmente é união, e naturalmente a busca: para ali pesa, para ali caminha, e só ali para. Tudo são palavras de Platão, e de Santo Agostinho. Pois se a natureza do amor é unir, como pode ser efeito do amor o apartar? Assim é, quando o amor não é extremado e excessivo. As causas excessivamente intensas produzem efeitos contrários. A dor faz gritar; mas se é excessiva, faz emudecer: a luz faz ver; mas se é excessiva, cega: a alegria alenta e vivifica; mas se é excessiva, mata. Assim o amor: naturalmente une; mas se é excessivo, divide: Fortis est ut mors dilectio: o amor, diz Salomão, é como a morte. Como a morte, rei sábio? Como a vida, dissera eu. O amor é união de almas; a morte é separação da alma: pois se o efeito do amor é unir, e o efeito da morte é separar, como pode ser o amor semelhante à morte? O mesmo Salomão se explicou. Não fala Salomão de qualquer amor, senão do amor forte? Fortis est ut mors dilectio: e o amor forte, o amor intenso, o amor excessivo, produz efeitos contrários. É união, e produz apartamentos. Sabe-se o amor atar, e sabe-se desatar como Sansão: afetuoso, deixa-se atar; forte, rompe as ataduras. O amor sempre é amoroso; mas umas vezes é amoroso e unitivo, outras vezes amoroso e forte. Enquanto amoroso e unitivo, ajunta os extremos mais distantes: enquanto amoroso e forte, divide os extremos mais unidos. (ANTONIO VIEIRA. Sermão do Mandato. )

Feliza

Chamam-te gosto, Amor, chamam-te amigo

Da Natureza, que por ti se inflama;

Dizem que és dos mortais suave abrigo;

Que enjoa, e pesa a vida a quem não ama:

Mas com dura exp’riência eu contradigo

A falsa opinião, que um bem te chama:

Tu não és gosto, Amor, tu és tormento.

Une teus sons, ó lira, ao meu lamento.

Feliza de Sileu! Quem tal pensara

Daquela, entre as pastoras mais formosa

Que a vermelha papoila entre a seara,

Que entre as boninas a corada rosa!

Feliza por Sileu me desampara!

Oh céus! Um monstro seus carinhos goza;

Ansia cruel me esfalfa o sofrimento.

Une teus sons, ó lira, ao meu lamento.

Ingrata, que prestígio te alucina?

Que mágica ilusão te está cegando?

Que fado inevitável te domina,

Teu luminoso espírito apagando?

O vil Sileu não põe na sanfonina

Jeitosa mão, nem pinta em verso brando

Ondadas tranças, que bafeja o vento.

Une teus sons, ó lira, ao meu lamento. (BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du.)

3. Os trechos transcritos do sermão de Vieira e do poema de Bocage apresentam traços peculiares de seus respectivos estilos de época, o barroco e o neoclássico. Verifique, numa leitura atenta, esses traços e, a seguir,

a) mencione e explique uma característica do estilo barroco que Vieira explora com insistência no seguinte trecho: “O amor é união de almas; a morte é separação da alma: pois se o efeito do amor é unir, e o efeito da morte é separar, como pode ser o amor semelhante à morte?”;

b) aponte um aspecto da segunda estrofe do poema de Bocage típico da poética neoclássica.

RESPOSTAS:

a) Trata-se da antítese, que consiste na aproximação de ideias contrárias, como união e separação.

b) O ambiente pastoril e bucólico (“entre as pastoras mais formosa”).

4. Vieira, em seu sermão, afirma que uma mesma causa pode produzir efeitos contrários, conforme a presença ou não de determinado fator. Com base nessa constatação,

a) determine o fator que, segundo afirma Vieira, é responsável por fazer com que uma mesma causa produza efeitos contrários;

b) indique o fenômeno físico que Vieira apresenta como uma das provas do que afirma.

RESPOSTAS:

a) O fator é o excesso: “as causas excessivamente intensas produzem efeitos contrários”.

b) O fenômeno físico é apontado no trecho “a luz faz ver; mas se é excessiva, cega”.

5.No seu poema, diferentemente de Vieira, Bocage focaliza o amor de um modo prático, pondo o eu-poemático a queixar-se da atitude de Feliza. Essa queixa, porém, parece confirmar o que disse Vieira sobre o amor. Releia a primeira estrofe do poema de Bocage e, em seguida,

a) explique em que medida as palavras dessa estrofe parecem confirmar o argumento de Vieira;

b) cite o verso que contém a justificativa dada pelo eupoemático para fazer tal colocação sobre os efeitos do amor.

RESPOSTAS:

a) Na primeira estrofe do poema de Bocage, o eu-lírico opõe-se ao conceito de que o amor seja um “bem”, um “suave abrigo”, contrapondo a isso o sofrimento decorrente de uma penosa experiência amorosa. No sermão de Vieira, é discutido o caráter contraditório do amor, que, quando desmedido, excessivo, produz efeito contrário ao que habitualmente se lhe atribui.

b) O eu-lírico, no poema de Bocage, justifica sua opinião ao apresentá-la como fruto da experiência: “Mas com dura experiência eu contradigo”.

6.O caráter polissêmico que comumente apresentam as palavras da língua permite que, com o emprego de uma mesma palavra em contextos distintos, possamos acionar diferentes significados. Muitas vezes, a produção de significados novos ocorre em função do emprego metafórico ou também metonímico das palavras. Nos trechos de Vieira e de Bocage, encontramos alguns exemplos disso. Releia-os atentamente e, a seguir,

a) explique o significado que, pelo emprego metafórico, assume a forma verbal “pinta” no poema de Bocage;

b) reescreva a frase “É união, e produz apartamentos”, substituindo a última palavra por outra de sentido equivalente e apropriado ao contexto do sermão de Vieira.

RESPOSTAS:

a) No texto de Bocage, pinta significa “descreve”.

b) É união e produz separações (=afastamentos, distanciamentos)

7. Assinale a alternativa INCORRETA sobre o texto anterior.
a) Com sutilezas do raciocínio, argumenta-se sobre deméritos possíveis do amor.
b) Na oposição básica ignorância vs. conhecimento, valorizasse positivamente o primeiro elemento.
c) A argumentação preenche uma forma circular, em que todas as hipóteses apresentam conclusão.
d) O tom pedagógico é subjacente ao sermão, em que verdades são demonstradas com rigor lógico.
e) Desdobram-se as premissas nas conclusões, para provar as circunstâncias possíveis da imperfeição de um sentimento.

Tão inteiramente conhecia Cristo a Judas como a Pedro e aos demais: mas notou o evangelista com especialidade a ciência do Senhor em respeito de Judas, porque em Judas, mais que em nenhum dos outros campeou a firmeza de seu amor. Ora vede: Definindo São Bernardo o amor fino, diz assim: “O amor fino não busca causa nem fruto”. Se amo porque me amam, tem o amor causa; se amo para que me amem, tem fruto: e amor fino não há de ter porquê, nem para quê. Se amo porque me amam, é obrigação, faço o que devo; se amo para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo, amo, ut amem: amo porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido; quem ama para que o amem, é interesseiro; quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino. E tal foi a fineza de Cristo, em respeito de Judas, fundada na ciência que tinha dele e dos demais discípulos. (Antônio Vieira)

8. Assinale a alternativa incorreta sobre o texto.

a) É baseado um jogo de agudezas de pensamento, de raciocínios sutis.

b) Seu tema é o conceito de amor fino – o amor sem causa nem finalidade.

c) Amor fino foi o de Jesus, porque baseado no conhecimento, e sem dependência de causa ou efeito.

d) Articula-se em construções simétricas, com o desenvolvimento balanceado de um conceito.

e) É construído com um variado jogo de imagens, de metáforas cultistas, de tipo sensorial, especialmente visual.

 

 

Sermão de Santo Antônio

ANTONIO

1. Leia um trecho do Sermão de Santo Antônio, de Padre Antônio Vieira, e responda à questão.

Enfim, que havemos de pregar hoje aos peixes? Nunca pior auditório. Ao menos têm os peixes duas boas qualidades de ouvintes: ouvem e não falam. Uma só cousa pudera desconsolar ao pregador, que é serem gente os peixes que se não há-de converter. Mas esta dor é tão ordinária, que já pelo costume quase se não sente. Por esta causa mão falarei hoje em Céu nem Inferno; e assim será menos triste este sermão, do que os meus parecem aos homens, pelos encaminhar sempre à lembrança destes dois fins.

A quem se referem, como alegoria, os peixes?

RESPOSTA:

Os peixes representam os homens, com vantagem , segundo Vieira, de que os peixes ouvem, mas não falam.

2. Leia o seguinte fragmento, extraído do “Sermão de Santo Antônio”, de Pe. Vieira.
“(…) o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuamente se come: isto é o que padecem os pequenos. São o pão cotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem (…)”
No trecho, observa-se que Vieira
I. constrói a argumentação por meio da analogia, o que constitui um traço característico da prosa vieiriana.
II. finaliza com uma gradação crescente a fim de dar ênfase à voracidade da exploração sofrida pelos pequenos.
III. afirma, ao estabelecer uma comparação entre os humildes e o pão, alimento de consumo diário, que a exploração dos pequenos é aceitável porque cotidiana.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.
b) apenas I e II.
c) apenas III.
d) apenas II e III.
e) I, II e III.

3.(Ufrgs)  Leia as seguintes afirmações sobre o Sermão de Santo Antônio aos peixes, de Padre Antônio Vieira.

I.O Sermão apresenta a estratégia de se dirigir aos peixes, e não aos homens, estendendo o alcance crítico à conduta dos colonos maranhenses.

II.O Sermão apresenta elogios aos grandes pregadores, através de passagens do Novo Testamento.

III. A sardinha é eleita o símbolo do verdadeiro cristão, por ter sido o peixe multiplicado por Jesus.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.   

b) Apenas II.

c) Apenas I e III.

d) Apenas II e III.

e) I, II e III.

4.(Ufsm )  Padre Antônio Vieira, em seu Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes, vale-se da fauna aquática, especialmente a da costa brasileira, para dar força e vida às suas palavras, como se vê no fragmento a seguir.

Outra coisa muito geral, que não tanto me desedifica, quanto me lastima, em muitos de vós, é aquela tão notável ignorância e cegueira que em todas as viagens experimentam os que navegam para estas partes. Tome um homem do mar um anzol, ata-lhe um pedaço de pano cortado e aberto em duas ou três pontas, lança-o por um cabo delgado até tocar na água, e em o vendo o peixe, arremete cego a ele e fica preso e boqueando até que, assim suspenso no ar, ou lançado no convés, acaba de morrer. Pode haver maior ignorância e mais rematada cegueira que esta? Enganados por um retalho de pano, perder a vida?

Dir-me-eis que o mesmo fazem os homens. Não vô-lo nego. Dá um exército batalha contra outro exército, metem-se os homens pelas pontas dos piques, dos chuços e das espadas, e por quê? Porque houve quem os engodou e lhes fez isca com dois retalhos de pano. A vaidade entre os vícios é o pescador mais astuto e que mais facilmente engana os homens. E que faz a vaidade? Põe por isca nas pontas desses piques, desses chuços e dessas espadas dois retalhos de pano, ou branco, que se chama hábito de Malta; ou verde, que se chama de Avis; ou vermelho, que se chama de Crista e de Santiago; e os homens por chegarem a passar esse retalho de pano ao peito, não reparam em tragar e engolir o ferro.

A partir da leitura do fragmento, assinale verdadeira (V) ou falsa (F) em cada afirmativa a seguir.

( ) A referência aos peixes, no fragmento e no sermão como um todo, deve-se ao “milagre da multiplicação dos peixes’, realizado por Jesus Cristo, o que serve de ponto de partida para o texto de Vieira.

(  ) Por meio da analogia, Vieira compara como os peixes são pescados e como os homens perdem-se, ambos vítimas de um engano.

(  ) Os fatos narrados no fragmento apresentam semelhanças com o enredo de uma fábula, no sentido de que seu conteúdo é utilizado para ilustrar um princípio moral.

A sequência correta é

a) V – F – F.

b) F – V – F.

c) F – V – V.    

d) F – F – V.

e) V – V – V.

5.O sermão de Santo Antônio ou dos Peixes é um dois mais significativos da arte oratória doPadre Antônio Vieira. O pregador em São Luís do Maranhão, no ano de 1654. Com relação a esse sermão, analise as afirmativas abaixo:

I.O pregador o fez com o objetivo de encontrar solução para o problema dos índios,

barbaramente escravizados pelos colonos;

II.O jesuíta finge dirigir-se aos peixes e não aos homens para recriminar a má vida dos

espectadores, que se recusavam ao seguir os ensinamentos cristãos;

III. O orador critica os pregadores que distorcem a palavra de Deus, utilizando-a com o simples propósito de agradar aos ouvintes do sermão.

É correto o que se afirma em:

a) II e III

b) I e III

c) Todas

d) I e II

e) I

6.(Enem) Sermão de Santo Antônio aos peixes
Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda  mal! […] Padre Antônio Vieira (1608-1697).
Assinale a alternativa que melhor resume a estratégia argumentativa utilizada pelo autor do sermão para convencer os ouvintes.
a) Vieira utiliza uma metáfora, segundo a qual os pregadores são o sal da terra, cuja função é coibir a corrupção. No entanto, há muitos pregadores e muita corrupção, logo alguém está falhando: os pregadores ou os ouvintes.
b) Os ouvintes não seguem o exemplo dos pregadores, mas a verdadeira doutrina, cujo ensinamento é impedir a corrupção na terra.
c) Os pregadores pregam a verdadeira doutrina, ou seja, impedir a corrupção na terra, e os ouvintes imitam o que os pregadores dizem e fazem.
d) O autor compara os pregadores à terra e os ouvintes ao sal. Entretanto, há muita corrupção, por conseguinte pregadores e ouvintes não estão seguindo a verdadeira doutrina.
e) Segundo Vieira, há diferença entre palavras e ações, no que se refere aos pregadores, que são corruptos apesar de pregarem a Cristo a verdadeira doutrina. Assim, a causa da corrupção são os ouvintes, que não querem servir a Cristo, mas a si mesmos.

7.(UFRS) Assinale a alternativa incorreta sobre o Sermão de Santo Antônio aos peixes.

a. Sermão alegórico pregado na cidade de São Luís do Maranhão, no ano de 1654. Seu ponto de partida está na citação do Evangelho de Mateus, na passagem que diz “Vos estis sal terra‘ (Vós sois o sal da terra), a propósito dos pregadores.

b. Dizendo que a função do sermão é análoga à do sal, isto é, evitar a corrupção, Vieira assim identifica as duas possíveis causas de existência de tanta corrupção na terra: “ou porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar“.

c. Explicitando as metáforas contidas na citação da alternativa anterior, Vieira levanta as seguintes hipóteses sobre a corrupção que se verifica na terra: “ou o sal salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber“.

d. Vieira recrimina que os peixes devorem-se mutuamente, mas assinala que entre os homens dá-se o mesmo, piorado: “…vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair, sem quietação, nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão de comer, e como se hão de comer“.

e.Dirigindo-se aos peixes do mar, Vieira, na verdade, fala aos homens, mostrando-lhes os próprios vícios. Vieira louva nos peixes sua afeição natural pelos humanos, dizendo que o preço desse convívio é a perda da liberdade.

 

 

Sermão do Bom Ladrão

LADRÃO

Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor,
que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? —

Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

[Fragmento do Sermão do bom ladrão, de Pe. António Vieira]

1. (PUC-RIO)Uma das mais importantes características da obra do Padre António Vieira refere-se à presença constante em seus sermões das dimensões social e política, somadas à religiosa. Comente esta afirmativa em função do texto acima

RESPOSTA:

O fragmento acima é um bom exemplo da preocupação do Padre António Vieira com temas de caráter social e de dimensão política. A aproximação e a comparação da figura de Alexandre Magno, grande conquistador do mundo antigo, com a do pirata saqueador evidenciam a crítica aos valores morais e a visão ideológica do autor.

O Sermão do Bom Ladrão […]

Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre por andar em tão mau ofício: porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações, a uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco ponem latronem, et piratam quo regem animum latronis et piratae habentem. Se o rei de Macedônia, ou de qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata: o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

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Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697) e respon da às questões de 02 a 08.

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com o mesmo nome: […] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.[…] O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem São Basílio Magno. Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam. Diógenes que tudo via com mais aguda vista que os outros homens viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: “lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos…” Ditosa Grécia que tinha tal pregador! E mais ditosas as outras nações, se nelas não padecerá a justiça as mesmas afrontas. Quantas vezes se viu em Roma ir enforcar um ladrão por ter furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo um cônsul ou ditador por ter roubado uma província! E quantos ladrões teriam enforcado estes mesmos ladrões triunfantes? Percebe-se que o autor preocupava-se com temas de caráter social e de dimensão política. Neste sermão, ele aproxima e compara a figura de Alexandre Magno, grande conquistador do mundo antigo, com a do pirata saqueador, evidenciando assim sua crítica aos valores morais e sua visão ideológica.

2.Qual passagem sintetiza o tema a ser tratado?

RESPOSTA:

Paradoxo: “ Roubar pouco é culpa; roubar muito é grandeza”

3. Padre Antônio Vieira cita algumas personalidades históricas. Explique por quê?

RESPOSTA:

Para dar maior credibilidade a suas palavras, o orador vale-se do exemplo de personagens históricas.

4. Segundo o texto há dois tipos de ladrão:

a) Quais são eles?

RESPOSTA:

Os ladrões que furtam para sobreviver e os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera, ou seja, os que detêm o poder

b) Dos dois tipos, quais são os verdadeiros ladrões? Justifique a resposta com argumentos do texto.

RESPOSTA:

Os verdadeiros ladrões são aqueles que detêm o poder, pois, eles roubam cidades e reinos[…] sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam.

5. Procure no texto figuras de linguagem próprias do estilo barroco (como as antíteses) R RESPOSTA:

Todo o texto apoia-se na oposição “ pequeno ladrão” versus “grande ladrão” o que já configura uma estrutura barroca. O autor vale-se de figuras de oposição e de ideias como paradoxos.

6. Nesse sermão predomina o estilo cultista ou conceptista? Justifique sua resposta.

RESPOSTA:

Conceptista: pois, a partir do raciocínio lógico dos fatos concretos, apresentam-se argumentos que confirmam a ideia central do texto. Há portanto, uma preocupação em defender uma ideia e comprová-la.

7. Por meio desse sermão, podemos deduzir que Padre Antônio Vieira estava mais preocupado em reverenciar as instituições ou em reafirmar uma verdade essencial? Justifique sua resposta com base no texto lido.

RESPOSTA:

Pe Vieira estava mais preocupado em reafirmar uma verdade essencial e com esse objetivo, chega a atacar implacavelmente o poder a “ quem os reis encomendam exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades

8. Explique o sentido que esta passagem tem no texto: “roubar com pouco poder pode fazer os piratas, a roubar com muito, os alexandres”.

RESPOSTA:

O autor procura destacar o fato de que muitas vezes grandes conquistas não passam de grandes furtos. No fundo, Alexandre e o pirata fazem a mesma coisa roubar. Mas um rouba em seu próprio nome e sob risco de vida — o autor, em nome de um império e apoiado por gente poderosa. O fundamental, nessa passagem, é que o autor analisa as ações humanas de um único ângulo o da virtude e da justiça. Nesse sentido, Alexandre e o pirata não são diferentes.

Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697).

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com o mesmo nome: […] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. […]

Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado […]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera […]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.

9. (UNESP)No primeiro parágrafo, Antônio Vieira caracteriza a resposta do pirata a Alexandre Magno como:

a)dissimulada

b) ousada

c) enigmática

d) servil

e) hesitante

Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697).

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com o mesmo nome: […] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. […]

Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado […]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera […]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.

Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.” (1º parágrafo)

10.(UNESP)Em relação ao trecho que o sucede, o trecho destacado tem sentido de:

a)Condição

b) proporção

c) finalidade

d) causa

e) consequência

 Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697).

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com o mesmo nome: […] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. […]

Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado […]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera […]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.

11. (UNESP)No segundo parágrafo, Antônio Vieira torna explícito seu descontentamento com:

a)o filósofo Sêneca.

b) os príncipes católicos.

c) o imperador Nero.

d) a doutrina estoica.

e) os oradores evangélicos.

 Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697).

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com o mesmo nome: […] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. […]

Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado […]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera […]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.

12.(UNESP)Verifica-se o emprego de vírgula para indicar a elipse (supressão) do verbo em:

a)“Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?” (1º parágrafo)

b) “O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera […].” (3º parágrafo)

c) “O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres.” (1º parágrafo)

d)“Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.” (1º parágrafo)

e)“Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.” (3º parágrafo)

Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697).

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com o mesmo nome: […] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. […]

Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado […]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera […]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.

Em um trecho do “Sermão da Sexagésima”, Antônio Vieira critica o chamado estilo cultista de alguns oradores sacros de sua época nos seguintes termos: “Basta que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário?”

13. (UNESP)Palavras “em fronteira com o seu contrário”, contudo, também foram empregadas por Vieira, conforme se verifica na expressão destacada em:

a)“Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia” (1º parágrafo)

b)“O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera” (3º parágrafo)

c)“Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem” (2º parágrafo)

d)“Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero” (2º parágrafo)

e)“Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos” (3º parágrafo)

Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697).

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com o mesmo nome: […] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. […]

Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado […]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera […]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.

14. (UNESP)Assinale a alternativa cuja citação se aproxima tematicamente do “Sermão do bom ladrão” de Antônio Vieira.

a)“Rouba um prego, e serás enforcado como um malfeitor; rouba um reino, e tornar-te-ás duque.” (Chuang-Tzu, filósofo chinês, 369-286 a.C.)

b) “Para quem vive segundo os verdadeiros princípios, a grande riqueza seria viver serenamente com pouco: o que é pouco nunca é escasso.” (Lucrécio, poeta latino, 98-55 a.C.)

c) “O dinheiro que se possui é o instrumento da liberdade; aquele que se persegue é o instrumento da escravidão.” (Rousseau, filósofo francês, 1712-1778)

d) “Que o ladrão e a ladra tenham a mão cortada; esta será a recompensa pelo que fizeram e a punição da parte de Deus; pois Deus é poderoso e sábio.” (Alcorão, livro sagrado islâmico, século VII)

e) “Dizem que tudo o que é roubado tem mais valor.” (Tirso de Molina, dramaturgo espanhol, 1584-1648)

Leia o excerto do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio Vieira (1608-1697).

Navegava Alexandre [Magno] em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia; e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: “Basta, Senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?”. Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades, e interpretar as significações, a uns e outros, definiu com o mesmo nome: […] Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata; o ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o mesmo nome.

Quando li isto em Sêneca, não me admirei tanto de que um filósofo estoico se atrevesse a escrever uma tal sentença em Roma, reinando nela Nero; o que mais me admirou, e quase envergonhou, foi que os nossos oradores evangélicos em tempo de príncipes católicos, ou para a emenda, ou para a cautela, não preguem a mesma doutrina. Saibam estes eloquentes mudos que mais ofendem os reis com o que calam que com o que disserem; porque a confiança com que isto se diz é sinal que lhes não toca, e que se não podem ofender; e a cautela com que se cala é argumento de que se ofenderão, porque lhes pode tocar. […]

Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado […]. O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera […]. Não são só ladrões, diz o santo [São Basílio Magno], os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.

15. (UNESP) “[…] os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida […].” (3º parágrafo)

Os termos destacados constituem, respectivamente:

a)um artigo, uma preposição e uma preposição.

b) uma preposição, um artigo e uma preposição.

c) um artigo, um pronome e um pronome.

d) um pronome, uma preposição e um artigo.

e) uma preposição, um artigo e um pronome.

16. ( UEM)Leia atentamente o fragmento do Sermão do Bom Ladrão, do Padre Antônio Vieira, e assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

“Assim é, o roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. (…) O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem S. Basílio Magno. (…) Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos.” (VIEIRA, Antônio. Sermões do Padre Antônio Vieira. Porto Alegre: L&P, 2009, p. 109-110)

Vocabulário

calibre: dimensão; volume; tamanho

predicamento: categoria; classe

manha: habilidade; desenvoltura

despojam: roubam; saqueiam

01) Padre Antônio Vieira, autor de sermões em estilo barroco conceptista, foi o que reproduziu com grande talento a retórica jesuítica para expressar ideias e conceitos. Sua obra pertence ao Barroco e recria com um estilo expressivo a realidade política e religiosa de seu tempo.

02) No fragmento selecionado, Vieira critica o pensamento de São Basílio Magno sobre as penalidades sofridas pelos ladrões de sua época.

04) Nesse Sermão, Vieira condena apenas os ladrões da máquina administrativa do governo de Portugal, para enriquecer e absolver os ladrões de pequenos furtos.

08) No trecho em questão, Vieira desaprova todas as formas de roubo praticadas pelos homens, ao afirmar que “O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os ladrões de maior calibre e de mais alta esfera”.

16) No Sermão do Bom Ladrão, Vieira posiciona-se contra a roubalheira dos funcionários, governadores, ministros e autoridades que se valiam de sua posição no império português. Para criticá-los, o autor mostra uma postura ética contrária à corrupção que já existia no sistema colonial.

RESPOSTA:  01+16 = 17

Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: — Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? — Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres.(Padre Antônio Vieira. Sermão do Bom Ladrão)

17. O excerto permite inferir que o objetivo do autor é

a) enaltecer o trabalho dos pescadores que foram capazes de capturar um pirata que lhes roubara.

b) propor uma reflexão filosófica para defender a manutenção do poder dos imperadores.

c) mobilizar os pescadores a combaterem a pirataria e a lutarem pela justiça.

d) demonstrar que a concepção de ladrão decorre de fatores como as relações de poder na sociedade. 

e) ensinar que a cumplicidade dos envolvidos tem o poder de atenuar o crime de roubo.

 (Mackenzie SP) Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu a conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, por que roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. Padre Antônio Vieira Assinale a afirmativa correta:

a) O autor utiliza-se de episódio narrativo como estratégia argumentativa.

b) A partir de uma ideia geral, o autor chega a uma conclusão de caráter particular.

c) A pergunta do pirata é argumento para o autor inocentá-lo.

d) A história de Alexandre evidencia a submissão dos pescadores do mar eritreu.

e) Ao descrever a cena em que Alexandre repreende o pirata, o autor revela o lado agressivo dos imperadores.

“Basta senhor, porque roubo em uma barca sou ladrão, e vós que roubais em uma armada sois imperador? Assim é. Roubar pouco é culpa, roubar muito é grandeza. O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas que levam de que eu trato, são os outros… ladrões de maior calibre e mais alta esfera…Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos, os outros furtam debaixo de seu risco, estes sem temor nem perigo; os outros se furtam são enforcados, e o bucolismo estes furtam e enforcam.” (Pe. Antonio Vieira. “Sermão do bom ladrão”.)

“Que havemos de esperar, Marília bela ?
Que vão passando os florescentes dias?
As glórias que vêm tarde já vêm frias;
E pode enfim mudar-se a nossa estrela.

Ah! Não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças
E ao semblante a graça.   (Tomás Antônio Gonzaga. “Lira XIV”)

18. Sobre a obra desses autores, analise as afirmativas a seguir.
1) A obra de Gonzaga é exemplar do Arcadismo. O tema dos versos acima é o “carpe diem” (gozar a vida presente), escrito numa linguagem amena, sem arroubos, própria do Arcadismo.
2) Despojada de ousadias sintáticas e vocabulares, a linguagem arcádica, no poema de Gonzaga, diferencia-se da linguagem rebuscada, usada pelo Barroco.
3) O texto de Vieira, sendo Barroco, está pleno de metáforas, de linguagem figurada, de termos inusitados e eruditos, sendo de difícil compreensão.
4) Vieira adota a tendência barroca conceptista que leva para o texto o predomínio das idéias, do raciocínio, da lógica, procurando adequar os textos religiosos à realidade circundante.
Está(ão) correta(s) apenas:
a) 1, 2 e 3
b) 1
c) 2
d) 1, 2 e 4
e) 2, 3 e 4

19. (FEBASP-SP)

“Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres… O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas que levam, de que eu trato, são os outros – ladrões de maior calibre e de mais alta esfera… Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo de seu risco, estes, sem temor nem perigo; os outros se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam.” (Sermão do bom ladrão, Vieira)

Em relação ao estilo empregado por Vieira neste trecho pode-se afirmar:

a.o autor recorre ao Cultismo da linguagem com o intuito de convencer o ouvinte e por isto cria um jogo de imagens.
b. Vieira recorre ao preciosismo da linguagem, isto é, através de fatos corriqueiros, cotidianos, procura converter o ouvinte.
c. Padre Vieira emprega, principalmente, o Conceptismo, ou seja, o predomínio das idéias, da lógica, do raciocínio.
d. pregador procura ensinar preceitos religiosos ao ouvinte, o que era prática comum entre os escritores gongóricos.

 

 

 

 

 

 

A Carta, de Pero Vaz de Caminha

A CARTA

1.(Unesp) A Carta de Pero Vaz de Caminha, redigida com exuberância descritiva e até com uma enternecida afetividade, afigura-se como uma espécie de “Certidão de Batismo” de nosso país, na perspectiva da cultura ibérica, branca, cristã, mercantilista. E é como um reflexo dessa visão de mundo que está escrita, como de resto foi escrita a literatura ultramarina portuguesa da época. O Capitão-Mor Cabral, o escrivão Caminha e outros trouxeram de Portugal um vocabulário que, sem dúvida, se revelou insuficiente para descrever as coisas novas do Novo Mundo que viam e interpretavam. Por isto, é frequente na Carta o emprego de expressões e orações comparativas, na tentativa de exprimir o desconhecido, o inusitado, o extraordinário. Baseado neste comentário:
a) Cite uma dessas frases comparativas.
b) Interprete-a, de acordo com o contexto.
RESPOSTAS:
a) “… tomavam logo uma esquiveza COMO MONTESES…”
b) Os índios são esquivos e rudes porque não têm civilização.

2.(Unesp) Darcy Ribeiro (1922-) e Pero Vaz de Caminha enfocam os primeiros contatos entre os portugueses e os indígenas brasileiros. No entanto, um dos principais aspectos que ressalta à comparação entre os fragmentos da CARTA e do livro O POVO BRASILEIRO é a diferença entre as visões de mundo dos dois escritores, distanciados no tempo por 495 anos. Tomando por base este comentário:
a) Localize uma passagem do texto de Caminha na qual, em meio a expressões de admiração e louvor, se subentende a ideia de conquista do indígena pelo branco civilizado.
b) Explique o significado que adquire no texto de Darcy Ribeiro a expressão “guerra biológica”.
RESPOSTAS:
a) “E portanto, se os degredados que aqui… de bela simplicidade.”
b) A exposição dos índios a doenças para as quais não têm imunidade.

3.Qual das afirmações não corresponde à Carta de Caminha?
a) Observação do índio como um ser disposto à catequização.
b) Deslumbramento diante da exuberância da natureza tropical.
c) Mistura de ingenuidade e malícia na descrição dos índios e seus costumes.
d) Composição sob forma de diário de bordo.
e) Aproximações barrocas no tratamento literário e no lirismo das descrições.

 De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares […]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.

4.A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte objetivo:

a) Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos.

b) Descrever a cultura local para enaltecer a prosperidade portuguesa.

c) Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o potencial econômico existente.

d) Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demarcar a superioridade europeia.

e) Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evidenciar a ausência de trabalho.

    “ De ponta aponta é tudo praia… muito chã e muito  fremosa. […] Nela até agora não podemos saber que haja ouro nem prata… porém a terra em si é de muitos bons ares assim frios e temperados como os de Entre-Doiro-e Minho. E em tal maneira é graciosa que querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem (…)”

5. Este fragmento da Carta, de Pero Vaz de Caminha permite observar que os textos do século XVI:

a)eram predominantemente catequéticos.

b) primavam pela estrutura narrativa.

c) louvavam os donatários das capitanias hereditárias.

d) consideravam os indígenas como seres inferiores.

e) revelavam os interesses mercantis dos colonizadores.

 6. (Ufsm )  A Carta de Pero Vaz de Caminha é o primeiro relato sobre a terra que viria a ser chamada de Brasil. Ali, percebe-se não apenas a curiosidade do europeu pelo nativo, mas também seu pasmo diante da exuberância da natureza da nova terra, que, hoje em dia, já se encontra degradada em muitos dos locais avistados por Caminha.

Tendo isso em vista, leia o fragmento a seguir.

          Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste ponto temos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, em algumas partes, grandes barreiras, algumas vermelhas, outras brancas; e a terra por cima é toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é tudo praia redonda, muito chã e muito formosa.

            Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque a estender d’olhos não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.

            Nela até agora não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem o vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.

            As águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la, tudo dará nela, por causa das águas que tem. CASTRO, Sílvio (org.). A Carta de Pero Vaz de Caminha.

Esse fragmento apresenta-se como um texto 

a) descritivo, uma vez que Caminha ocupa-se em dar um retrato objetivo da terra descoberta, abordando suas características físicas e potencialidades de exploração.    

b) narrativo, pois a “Carta” é, basicamente, uma narração da viagem de Pedro Álvares Cabral e sua frota até o Brasil, relatando, numa sucessão de eventos, tudo o que ocorreu desde a chegada dos portugueses até sua partida.

c) argumentativo, pois Caminha está preocupado em apresentar elementos que justifiquem a exploração da terra descoberta, os quais se pautam pela confiabilidade e abrangência de suas observações.

d) lírico, uma vez que a apresentação hiperbólica da terra por Caminha mostra a subjetividade de seu relato, carregado de emotividade, o que confere à “Carta” seu caráter especificamente literário.

e) narrativo-argumentativo, pois a apresentação sequencial dos elementos físicos da terra descoberta serve para dar suporte à ideia defendida por Caminha de exploração do novo território.

7. (IFSP )  A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador.

(Carta de Pero Vaz de Caminha. http://www.dominiopublico.com.br. Acesso em: 04.12. 2012.)

O trecho acima pertence a um dos primeiros escritos considerados como pertencentes à literatura brasileira. Do ponto de vista da evolução histórica, trata-se de literatura

a) de informação.   

b) de cordel.

c) naturalista.

d) ambientalista.

e) árcade.

Esse texto do século XVI reflete um momento de expansão portuguesa por vias marítimas, o que demandava a apropriação de alguns gêneros discursivos, dentre os quais a carta. Um exemplo dessa produção é a Carta de Caminha a D. Manuel. Considere a seguinte parte dessa carta:

Nela [na terra] até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata… porém a terra em si é de muito bons ares assim frios e temperados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente e esta deve ser a principal semente que vossa alteza em ela deve lançar.

8. (IFSP )  O verbo sob destaque no trecho – …até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata… – sinaliza a seguinte intenção do escrevente:

a) por meio do modo subjuntivo, evidenciar uma constatação.

b) por meio do modo subjuntivo, evidenciar uma insatisfação.

c) por meio do modo subjuntivo, evidenciar uma incerteza.   

d) por meio do modo indicativo, evidenciar uma convicção.

e) por meio do modo indicativo, evidenciar uma hipótese.

Texto para as questão 9 :

      “Senhor:

       Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba fazer pior que todos.

          Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.

     De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.

         Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Doiro-e-Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.

       Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.

        Porém o melhor fruito que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.

A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto.

     Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo

cristãos, porque eles, segundo parece, não têm nem entendem em nenhuma crença.

    Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e fruitos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.

    E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.

     Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste Porto Seguro, da vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.

Pero Vaz de Caminha.”

                                                           A carta de Pero Vaz de Caminha.

 9.( UnB-DF)Evidenciando a leitura compreensiva do texto, julgue os itens abaixo.

( ) Diferentemente de outros documentos do século XVI acerca da descoberta do Brasil,

hoje esquecidos, a carta de Pero Vaz de Caminha continua a ser lida devido à sua importância histórica e, também, por conter elementos da função poética da linguagem.

( ) A carta de Pero Vaz de Caminha é considerada pela história brasileira o primeiro

documento publicitário oficial do país.

( ) A carta de Caminha é um texto essencialmente descritivo.

( ) Pero Vaz de Caminha foi o único português a enviar notícias da descoberta do

Brasil ao rei de Portugal.

( ) Segundo Caminha, os habitantes da Ilha de Vera Cruz eram desavergonhados.

RESPOSTA: V – F – V – F – F

“CARTA

(Pero Vaz de Caminha)

           Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanho, que haver nela, bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes longas barreiras, umas vermelhas e outras brancas; e a terra de cima, toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.

           De ponta a ponta, é toda a praia muito chã e muito formosa. Pelo sertão, nos pareceu vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver, senão terra e arvoredos – terra que nos parecia muito extensa. Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal ou ferro, nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como o de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo de agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas, infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar, parece-me que será salvar esta gente, e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa alteza aqui esta pousada para esta navegação de Calicute bastava; quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentando da nossa fé! E desta maneira, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe, porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo. É pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que me elevo como em outra qualquer coisa que de Vossos serviços for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir a ilha de São Tomé a Jorge Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza.

      Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de   1500.”

(ENEM) TEXTO I

Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia, à praia, quatrocentos ou quatrocentos e cinquenta. Alguns deles traziam arcos e flechas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam. […] Andavam todos tão bem-dispostos, tão bem feitos e galantes com suas tinturas que muito agradavam.

CASTRO, S. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento).

TEXTO II

CARTA

PORTINARI, C. O descobrimento do Brasil. 1956. Óleo sobre tela, 199 x 169 cm Disponível em: http://www.portinari.org.br. Acesso em: 12 jun. 2013. (Foto: Reprodução)

10.Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de Portinari retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da leitura dos textos, constata-se que

a) a carta de Pero Vaz de Caminha representa uma das primeiras manifestações artísticas dos portugueses em terras brasileiras e preocupa-se apenas com a estética literária.

b) a tela de Portinari retrata indígenas nus com corpos pintados, cuja grande significação é a afirmação da arte acadêmica brasileira e a contestação de uma linguagem moderna.

c) a carta, como testemunho histórico-político, mostra o olhar do colonizador sobre a gente da terra, e a pintura destaca, em primeiro plano, a inquietação dos nativos.

d) as duas produções, embora usem linguagens diferentes – verbal e não verbal –, cumprem a mesma função social e artística.

e) a pintura e a carta de Caminha são manifestações de grupos étnicos diferentes, produzidas em um mesmo momentos histórico, retratando a colonização.

MACKENZIE  DESCOBRIMENTO

Texto I
A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março. […] E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau […]. E assim seguimos nosso caminho por este mar de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias de abril, estando da dita ilha obra de 660 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho
[…]. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos. Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo […]; ao monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal, e à terra, A Terra de Vera Cruz.
Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal
Texto II
A descoberta Seguimos nosso caminho por este mar de longo Até a oitava Páscoa Topamos aves E houvemos vista de terra
Oswald de Andrade, “Pero Vaz Caminha”

11.Assinale a alternativa correta acerca do texto I.
a) Trata-se de documento histórico que inaugura, em Portugal, um novo gênero literário: a literatura epistolar.
b) Exemplifica a literatura produzida pelos jesuítas brasileiros na colônia e que teve como objetivo principal a catequese do silvícola.
c) Apesar de não ter natureza especificamente artística, interessa à história da literatura brasileira na medida em que espelha a linguagem e a respectiva visão de mundo que nos legaram os primeiros colonizadores.
d) Pertence à chamada crônica histórica, produzida no Brasil durante a época colonial com objetivos políticos: criar a imagem de um país soberano, emancipado, em condições de rivalizar com a metrópole.
e) É um dos exemplos de registros oficiais escritos por historiadores brasileiros durante o século XVII, nos quais se observam, como característica literária, traços do estilo barroco.

Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os indígenas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de dar-lhe!” (Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.)

12.Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que o contato entre as culturas indígena e europeia foi

a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores.

b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população.

c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura.

d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à busca por colônias e à integração cultural das populações nativas.

13.Consiste o hipérbato na inversão da ordem direta dos termos da oração. assinale a alternativa em que Pero Vaz de Caminha faz uso dessa figura de linguagem:

a)Todavia um deles fitou o colar do Capitão.

b) E então estiraram-se de costas na alcatifa.

c) E depois tornou as contas a quem lhas dera.

d) O Capitão mandou pôr por baixo de cada um seu coxim.

e) Viu um deles umas contas de rosário, brancas.

texto a seguir servirá de base para a próxima questão.

Pero Vaz de Caminha, referindo-se aos indígenas escreveu:

“E naquilo sempre mais me convenço que são como aves ou animais montesinhos, aos quais faz o ar melhor pena e melhor cabelo que aos mansos, porque os seus corpos são tão limpos, tão gordos e formosos, a não mais poder.” […]
“Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. E, portanto, se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e eles a nossa, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles todo e qualquer cunho que lhes quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons. E o fato de Ele nos haver até aqui trazido, creio que não o foi sem causa. E portanto, Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar à santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E aprazerá Deus que com pouco trabalho seja assim.” […]
“Eles não lavram nem criam. Não há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao convívio com o homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.”
CASTRO, Silvio. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996.

14.De acordo com o texto e seus conhecimentos, marque a alternativa correta:

(A) Caminha, numa visão eurocentrista, exalta a cultura do “descobridor”, menosprezando todos os aspectos referentes ao modo de vida dos nativos, por exemplo, a não exploração daqueles mamíferos placentários exóticos, citados na carta, introduzidos no Brasil quando da colonização.
(B) Caminha realiza, através de farta adjetivação, descrições botânicas minuciosas acerca da flora da nova terra, destacando o tipo de alimentação do europeu — rica em vitaminas e sais minerais — em contraposição à indígena, que é rica em lipídios.
(C) A religiosidade está presente ao longo do texto, quando se constata que o emissor, tendo em mente a conversão dos índios à “santa fé católica” — pretensão dos europeus conquistadores —, ressalta positivamente a existência de crenças animistas entre os nativos.
(D) Na carta de Pero Vaz de Caminha, que apresenta linguagem formal, por ser o rei português o destinatário, há forte preocupação com aspectos da necessária conversão dos índios ao catolicismo, no contexto de crise religiosa na Europa.
(E) Ao realizar concomitantemente a narração e a descrição dos hábitos dos nativos, o remetente destaca informações não só do habitat como dos usos e costumes indígenas, exaltando o cultivo das plantas de lavouras e dos pomares.

15.(UFMG) Com base na leitura da Carta, de Pero Vaz de Caminha, é INCORRETO afirmar que esse texto:
(A) se filia ao gênero da literatura de viagem.
(B) aborda seu próprio contexto de produção.
(C) usa registro coloquial em estilo cerimonioso.
(D) se compõe de narração, descrição e dissertação.

16.(POLI) “Duas relíquias históricas produzidas no Brasil, foram trazidas para exibição na Mostra do Redescobrimento, em São Paulo: o manto tupinambá e a carta de Pero Vaz de Caminha.” (Folha de São Paulo, 11 de maio de 2000.)

A carta de Pero Vaz de Caminha, sobre o achamento do Brasil, enviada a El-Rei Dom Manuel é a principal manifestação literária do Quinhentismo, movimento literário brasileiro do século XVI. Tendo em vista o seu teor, podemos afirmar que os visitantes da Mostra do Redescobrimento, ao se depararem com tal texto, conseguiriam através dele:
(A) resgatar valores e conceitos sociais brasileiros.
(B) descobrir a história brasileira pela arte.
(C) ter mais informações sobre a arte brasileira.
(D) ver a cultura indígena brasileira.
(E) perceber o interesse português em explorar a nova terra.

17. (UFLA) Leia o texto a seguir para responder à questão.

CARTA DE PERO VAZ

A terra é mui graciosa,
Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.
Tem goiabas, melancias.
Banana que nem chuchu.
Quanto aos bichos, tem-nos muitos.
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais.
Diamantes tem à vontade,
Esmeralda é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca.
Cruzados não faltarão,
Vossa perna encanareis,
Salvo o devido respeito.
Ficarei muito saudoso
Se for embora d’aqui.
(Murilo Mendes)

castão – remate superior de uma bengala;
cruzado – antiga moeda portuguesa;
vossa perna encanareis – a expressão quer dizer que o rei “estava mal das pernas”, isto é, sem dinheiro, “quebrado”. As riquezas do Brasil poderão tirá-lo dessa situação.

Há nesse texto uma sátira à expressão “dar-se-á nela tudo”, contida na Carta de Caminha. Marque a alternativa que confirma essa tendência.

(A) “Tem goiabas, melancias
Banana que nem chuchu.”

(B) ( … )
“No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.”

(C) “A terra é mui graciosa
Tão fértil eu nunca vi.”

(D) “Quanto aos bichos, tem-nos muitos
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais.”

(E) “Diamantes tem à vontade,
Esmeralda é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca.

18.(UFF) Assinale o fragmento que representa uma retomada modernista da carta de Pero Vaz de Caminha;
(A) “O Novo Mundo nos músculos / Sente a seiva do porvir.” (Castro Alves)
(B) “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o sabiá”(Gonçalves Dias)
(C) “A terra é mui graciosa / Tão fértil eu nunca vi.”(Murilo Mendes)
(D) “Irás a divertir-te na floresta, / sustentada,Marília, no meu braço”(Tomás Antônio Gonzaga)
(E) “Todos cantam sua terra / Também vou cantar aminha” (Casimiro de Abreu)

 (UFLA) Leia o texto para responder à questão.

ESTA TERRA É MUITO FORMOSA

Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista1, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas2 brancas; e a terra por cima toda chã3 e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma4, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho5, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
E que não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute6, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento7, da nossa santa fé.
(In Jaime Cortesão, org. A Carta de Pero Vaz de Caminha, p.239)

1 houvemos vista: pudemos ver
2 delas… delas: umas… outras
3 chã: plana
4 praia-palma: segundo J. Cortesão, pode significar “toda praia, como a palma, muito chã e muito formosa”
5 Minho: nome de uma região de Portugal
6 Calecute: cidade da Índia para onde se dirigiam os portugueses
7 acrescentamento: difusão, expansão

19.Embora tenha caráter informativo e descritivo, a Carta possui características quase sempre fantasiosas. Indique a causa de o Novo Mundo ter sido posto à altura da lenda do paraíso perdido:
(A) O escrivão criou uma discussão histórica em torno da intencionalidade ou não da conquista de Cabral.
(B) No esforço de catalogar a vegetação, o clima, o autor passeia pela geografia, botânica, zoologia, de maneira vaga.
(C) Caminha se revela um mestre na fixação de pormenores; é inegável sua fluência literária.
(D) A produção informativa constitui a primeira visão da terra virgem, intocada pela civilização estranha. A terra, para ele, era fértil e abençoada por Deus.
(E) O autor limitou-se a escrever um registro impessoal, marcado pela intenção de informar, apesar do tom ufanista do texto.

(UFLA) Leia o texto para responder à questão.

ESTA TERRA É MUITO FORMOSA

Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista1, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas2 brancas; e a terra por cima toda chã3 e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma4, muito chã e muito formosa.
Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho5, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.
Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.
E que não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute6, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento7, da nossa santa fé.
(In Jaime Cortesão, org. A Carta de Pero Vaz de Caminha, p.239)

1 houvemos vista: pudemos ver
2 delas… delas: umas… outras
3 chã: plana
4 praia-palma: segundo J. Cortesão, pode significar “toda praia, como a palma, muito chã e muito formosa”
5 Minho: nome de uma região de Portugal
6 Calecute: cidade da Índia para onde se dirigiam os portugueses
7 acrescentamento: difusão, expansão

20. A Carta é considerada a “certidão de nascimento” do Brasil porque
(A) contém as primeiras informações oficiais sobre o Brasil.
(B) marca o início da literatura brasileira.
(C) foi escrita nos primórdios do descobrimento.
(D) denota inegável fluência literária de seu autor.
(E) as descrições constituem informações precisas do lugar.

21.(UFLA) O sentimento ufanista relacionado à fertilidade do solo brasileiro, presente na Carta de Caminha, difere do entusiasmo em relação aos resultados atuais da agricultura, porque um e outro baseiam-se em

Século XVI Século XXI
(A) engrandecimento otimismo
(B) imaginação audácia
(C) exaltação convicção
(D) idealização precisão
(E) romantismo expectativa

A Carta de Pero Vaz de Caminha

De ponta a ponta é toda praia rasa, muito plana e bem formosa. Pelo sertão, pareceu nos do mar muito grande, porque a estender a vista não podíamos ver senão terra e arvoredos, parecendo-nos terra muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro nem prata, nem nenhuma coisa de metal, nem de ferro; nem as vimos. Mas, a terra em si é muito boa de ares, tão frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho, porque, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas. De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem.

(In: Cronistas e viajantes. São Paulo: Abril Educação, 1982. p. 12-23. Literatura Comentada. Com adaptações)

22.(FGV) A respeito do trecho da Carta de Caminha e de suas características textuais, é correto afirmar que:

a) No texto, predominam características argumentativas e descritivas.

b) O principal objetivo do texto é ilustrar experiências vividas através de uma narrativa fictícia.

c) O relato das experiências vividas é feito com aspectos descritivos.

d) A intenção principal do autor é fazer oposição aos fatos mencionados.

e) O texto procura despertar a atenção do leitor para a mensagem através do uso predominante de uma linguagem figurada.

23. (AEU-DF) Julgue os itens abaixo em relação à compreensão e à interpretação do texto.

( ) O texto lido é uma descrição bem objetiva da terra descoberta.

( ) Nele, Caminha menciona as duas principais finalidades das expedições marítimas

portuguesas: a expansão da fé católica e a descoberta de ouro e prata.

( ) Por não terem os portugueses se aventurado, até então, terra a dentro, as únicas

informações que nos dá do interior são as transmitidas pelos indígenas.

( ) No entender do autor, mesmo que Portugal não explorasse e colonizasse a nova

terra, tê-la unicamente como suporte das viagens às Índias, já seria uma grande

dádiva.

( ) Para Caminha, o maior bem a que se deviam dedicar os portugueses é aquele que

deriva das águas, tamanha a sua abundância na nova terra.

( ) O “será salvar a gente” é o que os soldados portugueses deveriam fazer para evitar

que tribos indígenas mais fortes dizimassem outras menores e mais frágeis.

 24. (AUE-DF)  Julgue os itens que seguem, em relação à teoria literária e aos estilos de época

na Literatura Brasileira.

( ) Este texto, por se tratar de uma missiva, tem característica oratórias.

( ) A Carta, de Pero Vaz de Caminha, é o primeiro de uma série de textos no nosso

primeiro século, que constituem a “Literatura de Informação” do Brasil.

( ) As constantes inversões e a sintaxe rebuscada da Carta é uma característica da literatura

clássica do período, quase já uma transição do Renascimento para o Barroco.

( ) Ainda dentro do Humanismo renascentista, que tinha o homem no centro de tudo,

vemos a preocupação de Caminha com o silvícola brasileiro e a preservação de sua

cultura.

Cefet-RJ

“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estima nenhuma coisa cobrir nem mostrar suas vergonhas; e estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto. (…) Porém a terra em si é de muito bons ares, (…). E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.”

25. O texto acima apresenta fragmentos:

a) do “Diálogo sobre a conversão dos gentios”, do Pe. Manuel da Nóbrega.

b) das “Cartas” dos missionários jesuítas, escritas nos dois primeiros séculos.

c) da “Carta” de Pero Vaz de Caminha a El-Rey D. Manuel, referindo-se ao descobrimento de uma nova terra e às primeiras impressões do aborígene.

d) da “Narrativa Epistolar e os Tratados da Terra e da Gente do Brasil”, do jesuíta Fernão Cardim.

e) do “Diário de Navegações”, de Pero Lopes de Souza, escrivão do primeiro colonizador, o de Martim Afonso de Souza.

U.F. Santa Maria-RS

“As águas são muitas, infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve alcançar.”

Visões otimistas sobre as potencialidades da natureza e dos indivíduos, a exemplo do que

se verifica no trecho transcrito, são comuns durante o período colonial.

26.Assinale a alternativa que identifica os textos que transmitiam esse tipo de mensagem.

a) Biografias de santos.

b) Sermões eucarísticos.

c) Ficção regionalista.

d) Literatura informativa.

e) Gênero lírico.

27.(UFRS)  Leia o texto abaixo, extraído da Carta de Pero Vaz de Caminha.

“O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de ouro mui grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa* por estrado. (…) Entraram. Mas não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles pôs olho no colar do Capitão, e começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos dizendo que ali havia ouro. (…) Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo.”

Vocabulário: *alcatifa – tapete.

Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

I. As palavras de Caminha evidenciam o confronto entre civilização e barbárie vivenciado pelos portugueses na chegada ao Brasil.

II. A interpretação que o escrivão dá aos gestos do índio em relação ao colar do Capitão

corrobora a intenção dos portugueses em explorar as possíveis jazidas de ouro da terra recém descoberta.

III. No trecho selecionado, Caminha sugere uma prática que viria a se tornar corrente nas relações entre portugueses e selvícolas: o escambo (a permuta) de produtos da terra por artigos manufaturados europeus.

Quais estão corretas:

a) Apenas I.

b) Apenas II e III.

c) Apenas II.

d) I, II e III.

e) Apenas I e II.

28. (Ufrs) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir sobre a Literatura de Informação no Brasil.
( ) A carta de Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei D. Manuel I, circulou amplamente entre a nobreza e o povo português da época.
( ) Os textos informativos apresentavam, em geral, uma estrutura narrativa, pois esta se adaptava melhor aos objetivos dos autores de falar das coisas que viam.
( ) Os textos que informavam sobre o Novo Mundo despertavam grande curiosidade entre o público europeu, estando os de Américo Vespúcio entre os mais divulgados no início do século XVI.
( ) Pero de Magalhães Gandavo é o autor dos textos “Tratado da Terra do Brasil” e “História da Província Santa Cruz a que Vulgarmente chamamos de Brasil”.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – F – V – V.
b) V – F – F – F.
c) F – V – V – V.
d) F – F – V – V.
e) V – V – F – F.

29. (Enem ) De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares […]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente.

Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através de textos. São Paulo: Contexto, 2001.

A Carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o relato enfatiza o seguinte objetivo:

a.Valorizar a catequese a ser realizada sobre os povos nativos

b. Descrever a cultura local para enaltecer a prosperidade portuguesa.

c.Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre o potencial econômico existente.

d.Realçar a pobreza dos habitantes nativos para demarcar a superioridade europeia.

e.Criticar o modo de vida dos povos autóctones para evidenciar a ausência de trabalho.

(UFSC )

E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de encobrir suas vergonhas as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas. […]
Deduzo que é gente bestial e de pouco saber, e por isso tão esquiva. Mas apesar de tudo isso andam bem curados, e muito limpos. E naquilo ainda mais me convenço que são como aves, ou alimárias montesinas. […]
Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a vossa fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. […]
Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. […] E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção. […]
Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos, como a de ontem, com seus arcos e setas, e andava folgando. E olhando-nos, sentaram. E depois de acabada a missa, quando nós sentados atendíamos a pregação, levantaram-se muitos deles e tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e dançar um pedaço. […]
O melhor fruto que se pode tirar desta terra me parece ser salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente de que Vossa Alteza deve lançar nesta terra.

PERO Vaz de Caminha. Carta à D. Manuel (excertos). In: Enciclopédia Itaú Cultural de arte e cultura brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7833/pero-vaz-de-caminha&gt;. Acesso em: 30 jun. 2017.

30.Sobre a carta de Pero Vaz de Caminha e o contexto da expansão ultramarina portuguesa, é correto afirmar que:

(01)na carta, é possível identificar choque e estranhamento entre as diferentes culturas, assim como perceber a iniciativa portuguesa de tomar posse da terra.

(02)apesar dos rituais católicos descritos na carta, a Igreja Católica não apoiava a iniciativa das navegações portuguesas porque contrariava princípios da instituição sobre as explorações do mundo.

(04)no relato do autor, há referências aos habitantes como seres que, na sua visão, seriam selvagens.

(08)a mais conhecida das cartas relacionadas à expedição de Pedro Álvares Cabral é a de Pero Vaz de Caminha, que relata a estada da tripulação durante o tempo em que esteve aportada nas terras encontradas.

(16)movida pelo grande interesse sobre as terras descobertas, parte da tripulação daquela expedição não seguiu viagem, garantindo assim a posse do lugar ao reino português.

(32)a carta de Pero Vaz de Caminha reproduz fielmente o que aconteceu durante a estada da armada de Pedro Álvares Cabral, já que esta era a função de Caminha como escrivão.

(64)fica evidente, pela descrição do autor, o respeito da Coroa portuguesa em relação às crenças e aos costumes dos habitantes da terra.

SOMA: 01+ 04 + 08 = 13

31. (Mackenzie) Enquanto os portugueses escutavam a missa com muito “prazer e devoção”, a praia encheu-se de nativos. Eles sentavam-se lá surpresos com a complexidade do ritual que observavam ao longe. Quando D. Henrique acabou a pregação, os indígenas se ergueram e começaram a soprar conchas e buzinas, saltando e dançando (…) Náufragos Degredados e Traficantes (Eduardo Bueno)

Este contato amistoso entre brancos e índios era preservado:

a) pela Igreja, que sempre respeitou a cultura indígena no decurso da catequese.

b) até o início da colonização quando o índio, vitimado por doenças, escravidão e extermínio, passou a ser descrito como sendo selvagem, indolente e canibal.

c) pelos colonos que escravizaram somente o africano na atividade produtiva de exportação.

d) em todos os períodos da História Colonial Brasileira, passando a figura do índio para o imaginário social como “o bom selvagem e forte colaborador da colonização”.

e) sobretudo pelo governo colonial, que tomou várias medidas para impedir o genocídio e a escravidão.

32. (Uff) A “Carta de Pero Vaz de Caminha”, escrita em 1500, é considerada como um dos documentos fundadores da Terra Brasilis e reflete, em seu texto, valores gerais da cultura renascentista, dentre os quais se destaca:

a) a visão do índio como pertencente ao universo não religioso, tendo em conta sua antropofagia;

b) a informação sobre os preconceitos desenvolvidos pelo renascimento no que tange à impossibilidade de se formar nos trópicos uma civilização católica e moderna;

c) a identificação do Novo Mundo como uma área de insucesso devido à elevada temperatura que nada deixaria produzir;

d) a observação da natureza e do homem do Novo Mundo como resultado da experiência da nova visão de homem, característica do século XV;

e) a consideração da natureza e do homem como inferiores ao que foi projetado por Deus na Gênese.

33. O culto à natureza, característica da literatura brasileira, tem sua origem nos textos da literatura de informação. Assinale o fragmento da carta de Caminha que já revela a mencionada característica.

a) Viu um deles umas contas rosário, brancas; acenou que lhes dessem, folgou muito com elas, e lanço-as ao pescoço.

b) Assim, quando o batel chegou a foz do rio, estavam ali dezoito ou vinte homens pardos todos nus sem nenhuma roupa que lhes cobrisse suas vergonhas.

c) Mas a terra em si é muito boa de ares, tão frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho, porque, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e indefinidas. De tal maneira é graciosa e querendo aproveita-las, dar-se-à nela tudo por bem das águas que tem.

d) Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.

e) Mostrara-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo, tornaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como quem diz que os estavam ali.

34.  (PUC-CAMPINAS ) Texto para a questão. Do Brasil descoberto esperavam os portugueses a fortuna fácil de uma nova Índia. Mas o pau-brasil, única riqueza brasileira de simples extração antes da “corrida do ouro” do início do século XVIII, nunca se pôde comparar aos preciosos produtos do Oriente. […] O Brasil dos primeiros tempos foi o objeto dessa avidez colonial. A literatura que lhe corresponde é, por isso, de natureza parcialmente superlativa. Seu protótipo é a carta célebre de Pero Vaz de Caminha, o primeiro a enaltecer a maravilhosa fertilidade do solo. MERQUIOR, José Guilherme. De Anchieta a Euclides: breve história da literatura brasileira. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1977. p. 3-4.

Uma vez que se considere que o conceito de literatura, compreendida como um autêntico sistema, supõe a presença ativa de escritores, a publicação de obras e a resposta de um público, entende-se que:

I. ainda não ocorreu no Brasil a vigência plena de um sistema literário, capaz de expressar aspectos mais complexos de nossa vida cultural.

II. os primeiros documentos informativos sobre a terra a ser colonizada devem ser vistos como manifestações literárias esparsas, ainda não sistemáticas.

III. a carta de Caminha e os textos dos missionários jesuíticos fazem ver desde cedo a formação de um maduro sistema literário nacional.

Atende ao enunciado o que está apenas em:

a) I.

b) II

c) III.

d) I e II.

e) II e III.