Quincas Borba

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1.(UFAC) Sobre Quincas Borba, de Machado de Assis, pode-se dizer que:

a)o romance é narrado no passado, revelando recordações da infância do autor.

b) a filosofia do “Humanitas” preconiza a paz entre os povos.

c) Sofia é uma personagem feminina caracterizadamente machadiana: fria e calculista.

d) Rubião é uma personagem livre de ambição de dois indivíduos interesseiros.

e) o romance tem em Capitu sua principal personagem.

2.O romance Quincas  Borba foi escrito:

a)na fase romântica de Machado de Assis, pois o tema principal é o amor de Rubião e Sofia.

b) no Realismo, período que se preocupava com outras classe seciais que não a burguesia e enfocava a alma humana.

c) no Pré-Modernismo quando os problemas brasileiros eram abordados de maneira crítica.

d) no Realismo-Naturalismo, período em que se explorava o regionalismo.

e) No Realismo, período em que se registravam grandes atos heroicos.

(UEL/PR) As questões de 03 a 05 referem-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).

“Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.

— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça… “

ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.

3.(UEL/PR) Com base no primeiro parágrafo do texto, considere as afirmativas a seguir.

I.O narrador, no presente, dirige suas palavras ao leitor de seu texto, conforme se pode deduzir do emprego de “vos digo”.

II.As palavras do narrador dizem respeito a um momento de meditação de Rubião sobre sua mudança de classe social, momento este do qual o narrador onisciente tem pleno conhecimento.

III. O emprego de “olha” e “entra” no tempo presente reflete o apego que o protagonista tem à sua nova condição econômica, tentando esquecer o passado.

IV.“Visse” e “cuidaria” aí estão para registrar uma possibilidade de interpretação que, na verdade, condiz com o que realmente é relatado pelo narrador.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.                        b) I e IV.                c) III e IV.                  d) I, II e III.             e) II, III e IV.

4.(UEL/PR) Há, na passagem citada, um narrador a situar a personagem, Rubião, no espaço e no tempo. Há, concomitantemente, o discurso direto através do qual a própria personagem se apresenta. Neste jogo entre o que o narrador diz de Rubião e o registro do que o próprio Rubião pensa, é correto afirmar que a personagem é:

a) Um novo rico a oscilar entre os valores determinados pelo capital e os valores determinados pela família.

b) Um novo rico a encarar a si mesmo, ao mundo que o rodeia e à própria família pela ótica do capital.

c) Um ex-professor que, embora rico, continua encarando a si mesmo, aos familiares e ao universo circundante pela ótica da humildade.

d) Um ex-professor deslumbrado com sua nova situação de capitalista a encarar a família pelos valores religiosos.

e) Um capitalista esquecido de sua antiga situação de professor e, desta forma, renegando seu próprio passado.

5.(UEL/PR) Considerando os trechos transcritos nas alternativas a seguir, assinale a que apresenta maior distanciamento temporal do presente no qual o narrador nos relata que Rubião está à janela de sua casa em Botafogo.

a) “Cotejava o passado com o presente.”

b) “Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã.”

c) “(umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha)”.

d) “mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa.”

e) “Olha para si, para as chinelas (…) para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu”.

(UEL/PR) As questões de 06 a 08 referem-se ao texto III, extraído do sexto capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).

“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.”

ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 648-649.

6.(UEL/PR) Nessa passagem, quem fala é Quincas Borba, o filósofo. Suas palavras são dirigidas a Rubião, ex-professor, futuro capitalista, mas, no momento, apenas enfermeiro de Quincas Borba. É correto afirmar que a maneira como constrói esse discurso revela preocupação com:

a) A clareza e a objetividade, uma vez que visa à compreensão de Rubião da filosofia por ele criada, o Humanitismo.

b) A emotividade de suas palavras, dado objetivar despertar em Rubião piedade pelos vencidos e ódio pelos vencedores.

c) A informação a ser transmitida, pois Rubião, sendo seu herdeiro universal, deverá aperfeiçoar o Humanitismo.

d) O envolvimento de Rubião com a filosofia por ele criada, o Humanitismo, dada a urgência em arregimentar novos adeptos.

e) O estabelecimento de contato com Rubião, uma vez que o mesmo possui carisma para perpetuar as novas ideias.

7.(UEL/PR) Com base nas palavras de Quincas Borba, considere as afirmativas a seguir.

I.As duas tribos existem separadamente uma da outra.

II.A necessidade de alimentação determina os termos do relacionamento entre as duas tribos.

III. O relacionamento entre as duas tribos pode ser amistoso (“dividem entre si as batatas”) ou competitivo (“uma das tribos extermina a outra”).

IV.O campo de batatas determina a vitória ou a derrota de cada uma das tribos.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e IV.              b) II e III.                   c) III e IV.           d) I, II e III.          e) I, II e IV.

8.(UEL/PR) O Humanitismo, filosofia criada por Quincas Borba, é revelador:

a) Do posicionamento crítico de Machado de Assis aos muitos “ismos” surgidos no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.

b) Da admiração de Machado de Assis pelos muitos “ismos” surgidos no início do século XX: futurismo, impressionismo, dadaísmo.

c) Da capacidade de Machado de Assis em antever os muitos “ismos” que surgiriam no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.

d) Da preocupação didática de Machado de Assis com a transmissão de conhecimentos filosóficos consolidados na época.

e) Da competência de Machado de Assis em antecipar a estética surrealista surgida no século XX.

9.(UFT) “Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena.”

MACHADO DE ASSIS, J. M. “Quincas Borba”. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004. v. I, p. 644.

A partir da leitura desse trecho, é CORRETO afirmar que a obra Quincas Borba.

a) aborda a filosofia de Quincas Borba como algo inventado por Rubião.

b) dissimula o personagem principal quando lhe dá o nome de um cão.

c) se constitui em um romance escrito por um narrador que já tinha morrido.

d) utiliza a intertextualidade, pois remete a outra narrativa do mesmo autor.

10.(UFT) “Rubião conheceu-o também; e respondeu-lhe que não era nada. Capturara o rei da Prússia, não sabendo ainda se o mandaria fuzilar ou não; era certo, porém, que exigiria uma indenização pecuniária enorme, – cinco bilhões de francos. – Ao vencedor, as batatas! concluiu rindo.”

MACHADO DE ASSIS, J. M. “Quincas Borba”. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004. v. I, p. 806.

Com base na leitura de Quincas Borba, é CORRETO afirmar que, nesse trecho, o Autor.

a) Apresenta o personagem em seus últimos momentos, num estágio avançado. de delírio.

b) Indica que Rubião, personagem marcado pela derrota, ao final alcançou seus. objetivos.

c) Mostra como a vitória de Rubião sobre o rei é uma metáfora de seu sucesso como escritor.

d) Revela que o vencedor se auto ironiza, pois aceita a indenização em francos ou batatas.

11.(UFT) Com base na leitura de Quincas Borba, de Machado de Assis, julgue os itens I e II.

I.O romance apresenta uma característica bastante marcada do Realismo, qual seja, a análise do comportamento humano condicionado pela sociedade.

II.As teorias evolucionistas e positivistas constituem-se em correntes do pensamento ironizadas ao longo da obra.

I verdadeiro; II verdadeiro.

12.(PUC/RS) No início de Quincas Borba, a personagem Rubião avalia sua trajetória, enquanto olha para o mar, para os morros, para o céu, da janela de sua casa, em Botafogo. Passara de __________ a capitalista ao __________. Mas, no final do romance, o personagem acaba morrendo na miséria.

As lacunas podem ser correta e respectivamente preenchidas por:

a) jornalista receber um prêmio                                      d) professor receber uma herança

b) enfermeiro se tornar comerciante                             e) filósofo investir em terras

c) enfermeiro se casar com Sofia

13.(CEFET-PR) A filosofia de Quincas Borba é explicada nos primeiros capítulos do romance. Posteriormente, em alguns momentos de delírio, Rubião recorda-se dos ensinamentos do mestre e os sintetiza na frase: “Ao vencedor, as batatas”. A versão completa da máxima, enunciada por Quincas a Rubião no cap. 6, é esta: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.
A filosofia inventada por Quincas Borba pode ser comprovada com os seguintes acontecimentos do romance, EXCETO:
a) a organização da comissão das Alagoas.
b) a morte da avó de Quincas, atropelada por carro puxado a cavalos.
c) o tipo de relação estabelecida entre Camacho e Rubião.
d) o empenho de D. Fernanda em casar Maria Benedita.
e) o gesto de Rubião de salvar de um atropelamento o menino Deolindo

14.(FATEC) Leia o texto para responder à próxima questão.
Capítulo CC
Poucos dias depois, [Rubião] morreu… Não morreu súbdito nem vencido. Antes de principiar a agonia, que foi curta, pôs a coroa na cabeça, — uma coroa que não era, ao menos, um chapéu velho ou uma bacia, onde os espectadores palpassem a ilusão. Não, senhor; ele pegou em nada, levantou nada e cingiu nada; só ele via a insígnia imperial, pesada de ouro, rútila de brilhantes e outras pedras preciosas. O esforço que fizera para erguer meio corpo não durou muito; o corpo caiu outra vez; o rosto conservou porventura uma expressão gloriosa.
— Guardem a minha coroa, murmurou. Ao vencedor…
A cara ficou séria porque a morte é séria; dous minutos de agonia, um trejeito horrível, e estava assinada a abdicação.

Capitulo CCI
Queria dizer aqui o fim do Quincas Borba, que adoeceu também, ganiu infinitamente, fugiu desvairado em busca do dono, e amanheceu morto na rua, três dias depois. Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá titulo ao livro, e por que antes um que outro, — questão prenhe de questões, que nos levariam longe… Eia! chora os dous recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma cousa. O Cruzeiro que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens.
(Machado de Assis. Quincas Borba.)
Depreende-se do texto que:
a) ao narrar a agonia de Rubião, o narrador deixa implícito que aquele merecia as honrarias de um rei.
b) a ambiguidade no título do romance, Quincas Borba, justifica-se pelo fato de o autor não conseguir definir-se por homenagear o filósofo ou seu cão.
c) a afirmação que encerra o capítulo CC revela um traço machadiano característico: a ironia.
d) a declaração de que Sofia não quis fitar o Cruzeiro revela a indiferença como matriz do estilo do autor.
(e) a linguagem empregada para descrever a morte de Quincas Borba revela tendência do narrador a dar mais importância ao cão do que a Rubião.

15.(ITA) Em 1891, Machado de Assis publicou o romance Quincas Borba, no qual um dos temas centrais do Realismo, o triângulo amoroso (formado, a princípio, pelos personagens Palha-Sofia-Rubião), cede lugar a uma equação dramática mais complexa e com diversos desdobramentos. Isso se explica porque:

a) o que levava Sofia a trair Palha era apenas o interesse na fortuna de Rubião, pois ela amava muito o marido.
b) Palha sabia que Sofia era amante de Rubião, mas fingia não saber, pois dependia financeiramente dele.
c) Sofia não era amante de Rubião, como pensava seu marido, mas sim de Carlos Maria, de quem Palha não tinha suspeita alguma.
d) Sofia não era amante de Rubião, mas se interessou por Carlos Maria, casado com uma prima de Sofia, e este por Sofia.
(E) Sofia não se envolvia efetivamente com Rubião, pois se sentia atraída por Carlos Maria, que a seduziu e depois a rejeitou.

16.(UEL) A próxima questão refere-se ao texto a seguir, extraído do sexto capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
“Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.” (ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. )

 Ao definir a paz como “destruição” e a guerra como “conservação”, o autor do texto:
a) Serve-se de um recurso argumentativo incompatível com a realidade a que se refere.
b) Critica aqueles que sentem repugnância ou pedem misericórdia para os povos derrotados na guerra.
c) Baseia-se em uma forma de raciocínio relacionada a uma situação hipotética específica.
d) Procura comprovar que, embora pareça ser uma solução, a guerra traz grandes prejuízos à humanidade.
e) Refere-se à guerra para destacar as diferenças entre o funcionamento da economia nas sociedades primitiva e moderna.

17.(UFLA) Com relação à leitura da obra Quincas Borba, de Machado de Assis, no trecho em que o filósofo diz que Humanitas é o princípio, entende-se que: (2º – 2010)
a) o homem está fadado a fracassar sempre no fim de sua existência.
b) viver é sobreviver a qualquer custo (Lei do mais forte).
c) deve-se viver sem solidariedade, porque “o homem é o lobo do próprio homem.”
d) os homens podem viver em harmonia, sendo a guerra, portanto, dispensável.
e) o amor do cão pelo seu dono é o único amor desinteressado.

18.(UFLA) Em relação à frase “ao vencedor, as batatas”, do livro Quincas Borba, de Machado de Assis, vencedor e batatas são, respectivamente:
a) Rubião / rei da Prússia                                                           d) Aparência de riqueza / Rubião
b) Exploradores (Cristiano e Sofia) / bens materiais   e) Herança de Quincas Borba / o cão
c) Amigos / os empregados da casa

19.(UFMG) A próxima questão refere-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…

(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)

Com base no primeiro parágrafo do texto, considere as afirmativas a seguir.
I. O narrador, no presente, dirige suas palavras ao leitor de seu texto, conforme se pode deduzir do emprego de “vos digo”.
II. As palavras do narrador dizem respeito a um momento de meditação de Rubião sobre sua mudança de classe social, momento este do qual o narrador onisciente tem pleno conhecimento.
III. O emprego de “olha” e “entra” no tempo presente reflete o apego que o protagonista tem à sua nova condição econômica, tentando esquecer o passado.
IV. “Visse” e “cuidaria” aí estão para registrar uma possibilidade de interpretação que, na verdade, condiz com o que realmente é relatado pelo narrador.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.                       b) I e IV.                        c) III e IV.               d) I, II e III.              e) II, III e IV.

20.(UFMG) A próxima questão refere-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)
Há, na passagem citada, um narrador a situar a personagem, Rubião, no espaço e no tempo. Há, concomitantemente, o discurso direto através do qual a própria personagem se apresenta. Neste jogo entre o que o narrador diz de Rubião e o registro do que o próprio Rubião pensa, é correto afirmar que a personagem é:
a) Um novo rico a oscilar entre os valores determinados pelo capital e os valores determinados pela família.

b) Um novo rico a encarar a si mesmo, ao mundo que o rodeia e à própria família pela ótica do capital.

c) Um ex-professor que, embora rico, continua encarando a si mesmo, aos familiares e ao universo circundante pela ótica da humildade.

d) Um ex-professor deslumbrado com sua nova situação de capitalista a encarar a família pelos valores religiosos.

e) Um capitalista esquecido de sua antiga situação de professor e, desta forma, renegando seu próprio passado.

21.(UFLA) A próxima questão refere-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).

Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)
Considerando os trechos transcritos nas alternativas a seguir, assinale a que apresenta maior distanciamento temporal do presente no qual o narrador nos relata que Rubião está à janela de sua casa em Botafogo.
a) “Cotejava o passado com o presente.”
b) “Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã.”
c) “(umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha)”.
d) “mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa.”
e) “Olha para si, para as chinelas (…) para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu”.

22. (UFLA) A próxima questão refere-se ao primeiro capítulo de Quincas Borba (1892), de Machado de Assis (1839-1908).
Rubião fitava a enseada, – eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça…
(ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Jackson, 1959. p. 7.)
Com base na passagem: Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade, considere as afirmativas a seguir.

I. O olhar da personagem registrado pelo narrador vai do mais perto para o mais longe, do mais baixo para o mais alto.
II. O emprego dos artigos definidos mostra segurança no olhar da personagem, pois conhece bem aquilo que é por ele olhado.
III. Ao registrar a origem das chinelas entre parênteses, o narrador procura depreciá-las, apartando-as do restante das realidades enumeradas.
IV. Todos os elementos enumerados são sintetizados por “tudo” que, por sua vez, é colocado sob a denominação de “propriedade”.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.                   b) I e III.                      c) III e IV.                 d) I, II e IV.             e) II, III e IV.

23.(UFMG) Com base na leitura de Quincas Borba, de Machado de Assis, é CORRETO afirmar que o narrador do romance  
a) adere ao ponto de vista do filósofo, pois professa a teoria do Humanitismo.
b) apela à sentimentalidade do leitor no último capítulo, em que narra a morte de Rubião.
c) apresenta os acontecimentos na mesma ordem em que estes se deram no tempo.
d) narra a história em terceira pessoa, não participando das ações como personagem.

24.(UFMG) Assinale a alternativa em que, no trecho transcrito de Quincas Borba, se faz referência a Rubião.
a) Assim, o contato de Sofia era para ele como a prosternação de uma devota. Não se admirava de nada. Se um dia acordasse imperador, só se admiraria da demora do ministério em vir cumprimentá-lo.
b) Desde o paço imperial, vinha gesticulando e falando a alguém que supunha trazer pelo braço, e era a Imperatriz. Eugênia ou Sofia? Ambas em uma só criatura, ou antes a segunda com o nome da primeira.
c) Era o caso do nosso homem. Tinha o aspecto baralhado à primeira vista; mas atentando bem, por mais opostos que fossem os matizes, lá se achava a unidade moral da pessoa.
d) Formado em direito em 1844, pela Faculdade do Recife, voltara para a província natal, onde começou a advogar; mas a advocacia era um pretexto.

25.Considere as seguintes afirmações sobre o personagem Rubião, de “Quincas Borba”, de Machado de Assis.
I. Ao tornar-se herdeiro universal de Quincas Borba, Rubião passa a sonhar com a sua participação nos circuitos da riqueza e do poder da sociedade carioca.
II. Rubião, já integrado à elite carioca, revolta-se contra as artimanhas de Sofia e de Palha para explorá-lo.
III. Em decorrência das transformações em sua vida, Rubião vem a manifestar sintomas de desequilíbrio mental.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.       b) Apenas II.       c) Apenas I e III.      d) Apenas II e III.    e) I, II e III.

26Assinale a alternativa correta em relação a “Quincas Borba”, de Machado de Assis:

a) O título do livro, como esclarece o narrador, refere-se ao filósofo Quincas Borba, criador do “Humanitismo”.
b) Quincas Borba é apenas um interiorano milionário explorado por parasitas sociais como Palha e Camacho.
c) Rubião é objeto de disputa amorosa entre a bela Sofia e Dona Tonica, filha do major Siqueira.
d) Rubião, sócio do marido de Sofia, comete adultério com ela sem levantar suspeitas.
e) Ao fugir do hospital, Rubião retorna com Quincas Borba à sua cidade de origem, Barbacena.

 27.No início de “Quincas Borba”, a personagem Rubião avalia sua trajetória, enquanto olha para o mar, para os morros, para o céu, da janela de sua casa, em Botafogo. Passara de ………. a capitalista ao ………. . Mas, no final do romance, o personagem acaba morrendo na miséria.
As lacunas podem ser correta e respectivamente preenchidas por:
a) jornalista – receber um prêmio                                  d) professor – receber uma herança
b) enfermeiro – se tornar comerciante                         e) filósofo – investir em terras
c) enfermeiro – se casar com Sofia

 

Til

til-iii

Os fragmentos a seguir representam, respectivamente, os primeiros e o último parágrafo da obra Til, de José de Alencar. Leia-os com atenção e responda.

Fragmento I

    Eram dois, ele e ela, ambos na flor da beleza e da mocidade.

    O viço da saúde rebentava-lhes no encarnado das faces, mais aveludadas que a açucena escarlate recém-aberta ali com os orvalhos da noite. No fresco sorriso dos lábios, como nos olhos límpidos e brilhantes, bastava-lhes a seiva da alma.

    Ela pequena, esbelta, ligeira, buliçosa, saltitava sobre a relva, gárrula e cintilante do prazer de pular e correr;

1.(UNICAMP ) – Leia o trecho para responder às questões a seguir: (…) Quando o Bugre sai da furna, é mau sinal: vem ao faro do sangue como a onça. Não foi debalde que lhe deram o nome que tem. E faz garbo disso! – Então você cuida que ele anda atrás de alguém? – Sou capaz de apostar. É uma coisa que toda a gente sabe. Onde se encontra Jão Fera, ou houve morte ou não tarda. Estremeceu Inhá com um ligeiro arrepio, e volvendo em torno a vista inquieta, aproximou-se do companheiro para falar-lhe em voz submissa: – Mas eu tenho-o encontrado tantas vezes, aqui perto, quando vou à casa de Zana, e não apareceu nenhuma desgraça. – É que anda farejando, ou senão deram-lhe no rasto e estão-lhe na cola. – Coitado! Se o prendem! – Ora qual. Dançará um bocadinho na corda! – Você não tem pena? – De um malvado, Inhá! – Pois eu tenho! (José de Alencar, Til, em Obra completa, vol. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958, p. 825.)

O trecho do romance Til transcrito acima evidencia a ambivalência que caracteriza a personagem Jão Fera ao longo de toda a narrativa.

a) Explicite quais são as duas faces dessa ambivalência.

b) Exemplifique cada face dessa ambivalência com um episódio do romance.

a) A ambivalência da personagem é sugerida pela própria designação com que é referida: Jão Fera. Isso porque seu comportamento na trama se caracteriza, de um lado, pela porção humana (ligada ao nome “Jão”) e, de outro, pela dimensão selvagem e animalesca (que se associa ao apelido “Fera”). A proteção que dedica à menina Berta e o amor que sente pela mãe desta, Besita, comprovam o traço generoso e humanitário de seu caráter, enquanto seu poder de agressividade e sua condição de assassino profissional evidenciam sua tendência à ação bárbara e violenta.

b) A face humana de Jão Fera é fartamente demonstrada pelos inúmeros episódios da narrativa em que protege Berta dos perigos que a assolam, como o ataque de queixadas (capítulo “A garrucha”) ou a ameaça dos inimigos que encurralam a ambos em uma gruta (“Luta”). Sua dimensão mais agressiva é evidenciada quando assassina violentamente seus inimigos (“Vampiro”), quando estraçalha com as próprias mãos o maior deles, Ribeiro (“O cipó”) e ainda quando se vê vítima de seu próprio desejo por Berta (“Luta”), instinto que será vencido pelo afeto que nutre pela moça.

2. (FUVEST ) Leia com atenção o trecho de Til, de José de Alencar, para responder ao que se pede. [Berta] — Agora creio em tudo no que me disseram, e no que se pode imaginar de mais horrível. Que assassines por paga a quem não te fez mal, que por vingança pratiques crueldades que espantam, eu concebo; és como a suçuarana, que às vezes mata para estancar a sede, e outras por desfastio entra na mangueira e estraçalha tudo. Mas que te vendas para assassinar o filho de teu benfeitor, daquele em cuja casa foste criado, o homem de quem recebeste o sustento; eis o que não se compreende; porque até as feras lembram-se do benefício que se lhes fez, e têm um faro para conhecerem o amigo que as salvou. [Jão] — Também eu tenho, pois aprendi com elas; respondeu o bugre; e sei me sacrificar por aqueles que me querem. Não me torno, porém, escravo de um homem, que nasceu rico, por causa das sobras que me atirava, como atiraria a qualquer outro, ou a seu negro. Não foi por mim que ele fez isso; mas para se mostrar ou por vergonha de enxotar de sua casa a um pobre diabo. A terra nos dá de comer a todos e ninguém se morre por ela. [Berta] — Para ti, portanto, não há gratidão? [Jão] — Não sei o que é; demais, Galvão já pôs-me quites dessa dívida da farinha que lhe comi. Estamos de contas justas! acrescentou Jão Fera com um suspiro profundo.

a) Nesse trecho, Jão Fera refere-se de modo acerbo a uma determinada relação social (aquela que o vinculara, anteriormente, ao seu “benfeitor”, conforme diz Berta), revelando o mal-estar que tal relação lhe provoca. Que relação social é essa e em que consiste o mal-estar que lhe está associado?

b) A fala de Jão Fera revela que, no contexto sócio histórico em que estava inserido, sua posição social o fazia sentir-se ameaçado de ser identificado com um outro tipo social — identificação, essa, que ele considera intolerável. De que identificação se trata e por que Jão a abomina? Explique sucintamente.

a) No trecho, a relação de Jão Fera com Afonso, o pai de Luís Galvão, é explicitada por Berta, em expressões como: “teu benfeitor”, “em cuja casa foste criado” e “homem de quem recebeste sustento”. Trata-se, portanto, de uma relação de proteção, de dependência e de apadrinhamento. Essa relação lhe provoca mal-estar, por uma atitude da juventude de Luís Galvão, que seduzira e abandonara a jovem Besita, grande paixão de Jão Fera. Além disso, Jão vê na benevolência do grande proprietário apenas o interesse em “se mostrar” superior.

b) Jão rejeita resolutamente a condição de “escravo de um homem que nasceu rico”. No contexto social em que se insere a personagem, a associação com a escravidão era inaceitável porque o trabalho braçal associado a ela e representado, no romance, pelo uso da enxada, era visto como diminuidor da dignidade humana.

3.A que escola literária pertence Til? Cite três características dessa escola presentes na obra.

 Til pertence ao Romantismo e apresenta diversas características dessa escola literária como: idealização dos personagens, linguagem emotiva, valorização da pátria, entre outras.

4.Explique o motivo da tristeza de Luís Galvão no trecho abaixo: “Abraçando a mulher e beijando-a na face, de novo pôs-se o fazendeiro a caminho; e desta vez ia pensativo, quase triste. Murchara a flor da jovialidade, que se expandia momentos antes tão fresca em seu nobre semblante, e a alma franca e generosa sempre a espelhar-se em seu olhar, dir-se-ia que se acanhava.”

 Luís Galvão recorda-se, com pesar, do grande erro do seu passado, erro que culminou na morte de Besita.

5.Caracterize a personagem Berta.

 Moça “pequena, esbelta, ligeira, buliçosa” e órfã, adotada por uma família humilde, que “a todos queria bem, e sabia repartir-se de modo que dava a cada um seu quinhão de agrado.”

6.De acordo com o trecho abaixo, responda: “De seu lado estremecera o rapaz ao dar com os olhos no homem da camisola, e tal foi a comoção produzida pelo encontro, que derramou-lhe no semblante a expressão de um asco misto de horror, arrancando-lhe involuntariamente dos lábios esta exclamação: —Jão Fera!…”

a) O que se dizia a respeito da índole de Jão Fera? Por que ele causava tamanho terror nas pessoas?

b) De acordo com os últimos capítulos da narrativa, essa índole se confirma?

a) Jão Fera era conhecido pela índole de homem perverso e sanguinário. Ele causava terror nas pessoas principalmente em virtude do que se dizia a respeito das muitas mortes que lhe foram encomendadas e executadas fria e cruelmente.

b) Não, Jão Fera mostra-se uma boa pessoa, no entanto, magoado pelo passado.

7.Explique a razão de Barroso ter encomendado a morte de Luís Galvão.

Luís Galvão, fingindo ser Barroso (ou Ribeiro, como era conhecido então), deitou-se com sua esposa, engravidando-a.

 8.Qual o tipo de narrador predominante na obra?

 O romance é narrado na terceira pessoa, por isso narrador onisciente.

 9.Por que Berta visitava com frequência a ex-escrava Zana?

 Por que Berta visitava com frequência a ex-escrava Zana?

10.(FUVEST )Ao comentar o romance Til e, inclusive, a cena do capítulo “O samba”, aqui reproduzida, Araripe Jr., parente do autor e estudioso de sua obra, observou que esses são provavelmente os textos em que Alencar “mais se quis aproximar dos padrões” de uma “nova escola”, deixando, neles, reconhecível que, “no momento” em que os escreveu, “algum livro novo o impressionara, levando-o pelo estímulo até superfetar* a sua verdadeira índole de poeta”. Alguns dos procedimentos estilísticos empregados na cena aqui reproduzida indicam que a “nova escola” e o “livro novo” a que se refere o crítico pertencem ao que historiadores da literatura chamaram de:

(*) “superfetar” = exceder, sobrecarregar, acrescentar-se (uma coisa a outra).

a) Romantismo-Condoreirismo.                                              d) Idealismo-Determinismo.

b) Realismo-Naturalismo.                                                      e) Parnasianismo-Simbolismo.

e) Positivismo-Impressionismo.

11.(FUVEST) Considerada no contexto histórico a que se refere Til, a desenvoltura com que os escravos, no excerto, se entregam à dança é representativa do fato de que

a) a escravidão, no Brasil, tal como ocorreu na América do Norte e no Caribe, foi branda.

b) se permitia a eles, em ocasiões especiais e sob vigilância, que festejassem a seu modo.

c) teve início nas fazendas de café o sincretismo das culturas negra e branca, que viria a caracterizar a cultura brasileira.

d) o narrador entendia que o samba de terreiro era, em realidade, um ritual umbandista disfarçado.

e) foi a generalização, entre eles, do alcoolismo, que tornou antieconômica a exploração da mão de obra escrava nos cafezais paulistas.

12.(FUVEST ) Leia o texto para as questões a seguir: V — O samba À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um maciço de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos vislumbres das labaredas fustigadas pelo vento. (…) É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham como praça d’armas. Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o samba com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se quisesse desgrudar-se. Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe em seco. (…) (José de Alencar, Til) (*)

“adumbra-se” = delineia-se, esboça-se.

Para adequar a linguagem ao assunto, o autor lança mão também de um léxico popular, como atestam todas as palavras listadas na alternativa:

a) saracoteio, brasido, rabanar, senzalas.              b) esperneiam, senzalas, pincham, delírio. b) saracoteio, rabanar, cangote, pincham.          e) fazenda, rabanar, cinzas, esperneiam

c) delírio, cambalhotas, cangote, fazenda.

13.Considerada no contexto histórico a que se refere Til, a desenvoltura com que os escravos, no excerto, se entregam à dança é representativa do fato de que:

a) a escravidão, no Brasil, tal como ocorreu na América do Norte e no Caribe, foi branda.

b) se permitia a eles, em ocasiões especiais e sob vigilância, que festejassem a seu modo.

c) teve início nas fazendas de café o sincretismo das Til José de Alencar 2 culturas negra e branca, que viria a caracterizar a cultura brasileira.

d) o narrador entendia que o samba de terreiro era, em realidade, um ritual umbandista disfarçado.

e) foi a generalização, entre eles, do alcoolismo, que tornou antieconômica a exploração da mão de obra escrava nos cafezais paulistas.

14.No Romance Til, expoente do Romantismo, muitos personagens são idealizados em coragem, beleza e força. Como exemplo de personagem com força e habilidades físicas excepcionais do romance esta’:

a) Luís Galvão, dono da fazenda, que luta contra os que o tentam assassinar numa emboscada e os vence.

b) Berta que não sofre danos ao fugir de uma manada de porcos selvagens, por correr velozmente.

c) Miguel, excelente caçador e famoso pela força.

d) Bugre ou Jão Fera, homem enorme, contratado como capanga para executar mortes e trabalhos afins.

15. Leia o trecho do capitulo Fascinação em que Til fica presa no quarto de linda com uma Serpente, e assinale o que for correto:

“Encontrando-se o olhar da serpente e o seu, cravaram-se de modo, ou antes se imbuíram e penetraram tanto um no outro, que não pode mais a vontade separa-los e romper o vínculo poderoso. Parecia que entre a brilhante pupila negra da menina e a lívida retina da cascavel se estabelecera uma corrente de luz na qual fazia-se o fluxo e refluxo das centelhas elétricas. (…)

Nesse prisma da lindeza de Inhá reflete-se a sua índole. Aquela alma tem facetas como o diamante; iria-se e acende uma cor ou outra, conforme o raio de luz que a fere. Contradição viva, seu gênio é o ser e o não ser. Busquem nela a graça da moça e encontrarão o estouvamento do menino; porém mal se apercebam da ilusão, que já a imagem da mulher despontará em toda sua esplêndida fascinação.

A antítese banal do anjo-demônio torna-se realidade nela, em quem se cambiam no sorriso ou no olhar a serenidade celeste com os fulvos lampejos da paixão, à semelhança do firmamento onde ao radiante matiz da aurora sucedem os fulgores sinistros da procela.”

a) Berta associa-se a serpente por sua índole, astuta e muitas vezes má’.

b) Til mostrava uma beleza, encanto e feminilidade (mulher atraente), mas ao mesmo tempo revelava-se moleca (jeito brincalhão e aventureiro da criança).

c) Til por ser simples e ingênua, a partir do momento em que se encontra com a serpente passa a agir com mais astucia, sedução e encanto.

d) A serpente fora posta no quarto por Brás que queria se vingar de Berta por der brigado com ele e preferido a companhia de Miguel.

16.O romance Til, de José de Alencar, é considerado regionalista. As ações dessa obra se passam no interior:

a) cearense.        b) baiano.          c) fluminense.       d) paulista.           e) sul-mato-grossense.

16.Uma das características a seguir não pertence ao romance Til, de José de Alencar:

a) Idealização feminina.                            d) Vingança.

b) Traição.                                                       e) Culto à natureza.

c) Crítica à burguesia.

17.Várias personagens do romance Til recebem mais de um nome ou forma de tratamento. Entre elas, não se pode indicar:

a) O assassino de Besita, Ribeiro, que diz chamar-se Barroso ao retornar ao local do crime, anos depois.

b) O temível capanga Jão Fera, também chamado por muitos de Jão Bugre, o que remete à sua origem e ao seu comportamento arredio.

c) A protagonista, Berta, que recebe várias formas de tratamento, entre elas a de Til, dada pelo menino Brás, seu protegido.

d) O bandido Gonçalo, cuja pele manchada serve de mote para dois apelidos, Suçuarana e Pinta

e) O proprietário das fazendas das Palmas, Nhô Luiz, que adota o sobrenome Galvão quando se dispõe a realizar negócios escusos.

18.Na cena a seguir, a personagem Berta e pai Quicé tentam escapar da perseguição de um bando de queixadas (porcos do mato):

“O impulso de Berta foi precipitar-se para aquele refúgio e lutar de velocidade com os queixadas. Tinha confiança em suas forças, e contava alcançar a árvore antes das feras. Mas ao desferir a corrida, acudiu-lhe à mente o preto, que havia esquecido nas angústias daquele momento. Abandonar o velho decrépito à fúria dos animais, não lhe sofria o coração […].” [II, 9, “Transe”]

A cena revela um traço do caráter de Berta. Que traço é esse?

a) Egocentrismo.                                             d) Desejo de vingança.

b) Tendência ao sacrifício.                        e) Poder de reflexão e planejamento.

c) Medo e falta de iniciativa.

19.“A presença da moça produzia-lhe na alma certo refrangimento, embora de grata deferência; era como a palma do jeribá que fecha com os relentos da noite, e somente se engrinalda e brilha aos raios do sol. Para Miguel os momentos de expansão e doce contentamento não eram tanto esses passados aí no Tanquinho, como os outros mais festivos e mais lembrados em que sós, Inhá e ele, atravessavam a várzea na ida e na volta.” [I, 12, “Idílios”]

Assinale a alternativa correta sobre o trecho acima:

a)  A comparação com a natureza, presente no primeiro parágrafo transcrito,  sugere que Miguel se sentia infeliz ao lado de Berta, por não poder tê-la só para si.

b) A linguagem do narrador, no trecho, evidencia sua perfeita inserção no ambiente rural urbano.

c) A existência de dois ambientes distintos, referida no fragmento, serve de moldura aos sentimentos contraditórios de Miguel.

d) O tratamento que Miguel dedica a Berta (“Anhá”), mostra a submissão em que ele se coloca em relação a ela.

e) A presença marcante da paisagem natural, no texto, indica o distanciamento da narrativa em relação aos princípios românticos.

Texto para as questões 20 e 21

“- Então você cuida que ele anda atrás de alguém?

 – Sou capaz de apostar. É uma coisa que toda a gente sabe. Onde se encontra Jão Fera, ou houve morte ou não tarda.

 Estremeceu Inhá com um ligeiro arrepio, e volvendo em torno a vista inquieta, aproximou-se do companheiro para falar-lhe em voz submissa.

 – Mas eu tenho-o encontrado tantas vezes, aqui perto, quando vou à casa de Zana, e não apareceu nenhuma desgraça.

 – É que anda farejando, ou senão deram-lhe no rasto e estão-lhe na cola.

 – Coitado! Se o prendem!

 – Ora qual. Dançará um bocadinho na corda!

 – Você não tem pena?

 – De um malvado, Inhá!

 – Pois eu tenho!

 – Mas por que é que este demônio que não faz caso de ninguém, e até mata as crianças, sofre tudo de Inhá, como ainda há pouco? Por que é?

 – Não sei, Miguel! disse a menina com ingenuidade.

 – Estou vendo que você tem algum patuá, como dizem as pretas da fazenda.

 – E tenho mesmo! Olhe! aqui está! exclamou a menina a rir-se, mostrando um bentinho que tirou do seio, onde o trazia com uma cruz, preso a um cordão de ouro.

 – Então é encanto; não há dúvida, replicou Miguel sorrindo.”

PATUÁ – amuleto; pequeno saquinho contendo oração ou relíquia. (Aulete)

20.Parafraseando o período “É que anda farejando, ou senão deram-lhe no rasto e estão-lhe na cola”, temos:

a) O capanga está fugindo de alguém ou alguém o está fugindo dele e estão próximos.

b) Jão Fera está perseguindo alguém ou alguém está fugindo dele e estão próximos.

c) O assassino está procurando alguém para matar ou alguém está fugindo dele incansavelmente.

d) Jão Bugre está perseguindo alguém ou alguém o está perseguindo insistentemente.

e) O matador de aluguel está no rasto de alguém obstinadamente ou ainda está procurando pistas como um cão.

21. No trecho “Mas por que é que este demônio que não faz caso de ninguém, e até mata as crianças, sofre tudo de Inhá, como ainda há pouco? Por que é?”:

a) Miguel supervaloriza a pena que Berta sente de Jão Fera e manifesta sua indignação: como um homem que não respeita ninguém e até mata crianças pode ter medo de uma moça?

b) O rapaz despreza a pena que Til sente de Jão Fera para anunciar uma descoberta: como um homem que não respeita ninguém e até mata crianças pode ter medo de uma menina?

c) Miguel considera a pena que Berta sente de Jão Fera para justificar o medo que o capanga – um homem que não respeita ninguém e até mata crianças – sentiu de Inhá?

d) O rapaz desconsidera a pena que Inhá sente de Jão Fera para manifestar sua incompreensão: como um homem que não respeita ninguém e até mata crianças pode ter medo de uma moça?

e) Miguel evidencia a pena que Berta diz sentir de Jão Fera para constatar que todo homem tem sua fraqueza, pois até mesmo Jão Bugre, que não respeita ninguém e até mata crianças, sentiu medo de uma menina?