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Matheus Carvalho.

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Os inocentes do Leblon

inocentes

Os inocentes do Leblon

não viram o navio entrar.

Trouxe bailarinas?

trouxe imigrantes?

trouxe um grama de rádio?

Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,

mas a areia é quente, e há um óleo suave

que eles passam nas costas, e esquecem.

                                                                                                       ( Carlos Drummond de Andrade)

      Desinteressado do passado – o mundo caduco – ou do futuro, Carlos Drummond de Andrade anuncia nesse poema o compromisso com seus semelhantes.

       A face social da poesia de Drummond também se manifesta sob a forma de denúncia da alienação da elite.

       Dois verbos que aparecem no poema são fundamentais para perceber a crítica à elite: “ignoram” e “esquecem”. O primeiro sugere que as pessoas não veem a realidade – os emigrantes, a exploração. O segundo, no entanto, torna impossível aceitar que não veem, já que não é possível esquecer o que não se viu. Portanto, se os “inocentes do Leblon” esquecem, é porque não são tão inocentes assim, mas preferem não ver, não agir, para se manterem alienados à realidade social. É quando assumem a “vida presente” como matéria de sua poesia, como faz nesse poema, que Drummond marca o papel do escritor como intérprete de seu tempo