Romantismo: poesia

Romantismo

A lagartixa

“A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.

Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito…
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.

Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores.

Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha…
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.” AZEVEDO, Álvares de.
 (UFRJ/RJ) A poética da segunda geração romântica é frequentemente associada ao melancólico, ao sombrio, ao fúnebre; a lírica amorosa, por sua vez, costuma ser caracterizada como lamentação de amores perdidos ou frustrados.

1.Relacione essas duas afirmativas ao texto V no que se refere à seleção vocabular relativa aos amantes e a seu tratamento poético.

O texto V não confirma as afirmativas, como bem o comprovam sua seleção vocabular e seu tratamento poético. A caracterização do amante (“lagartixa”) e da amada (“clarão”, “sol”, “vinho”, “sono”, “copo”, “leito”, “néctar de amor”, “travesseiro”, “rosas mais gentis”, “harém”, “minha bela”, “olhos namorados”, “sol de verão”) cria uma atmosfera positiva, solar, amena, bem humorada, expressando a harmonia entre os amantes.

Para responder às questões 02 e 03, leia os textos a seguir:

“Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!”

Casimiro de Abreu.

“Nasci no campo, e ao desprender-me das faixas infantis, ao saltar do berço, vi quase ao mesmo tempo o céu e o mar, os campos e as matas. Não foi na cidade, onde se morre abafado, não; foi ao ar livre, e, infante ainda, senti a brisa da praia brincar com meus cabelos e o vento da montanha trazer-me de longe o perfume das florestas.

Que deliciosa vida aquela! Como eu corria por aqueles prados! Que colheita que fazia de flores!

Que destemido caçador de borboletas!

Ah! meus oito anos! Quem me dera tornar a tê-los!… Mas… nada, não queria, não; aos oito anos ia eu para a escola, e confesso francamente que a palmatória não me deixou grandes saudades.”     ABREU, Casimiro de.

2.UFRJ O texto de Casimiro de Abreu apresenta um tema relevante no Romantismo: a infância.

A abordagem desse tema é integralmente feita de acordo com o padrão romântico na

literatura brasileira? Justifique a resposta, com suas palavras.

Não segue integralmente, pois, no último parágrafo, atribuem-se à infância traços negativos, que desmitificam sua imagem de passado idealizado a que se desejaria retornar.

3.UFRJ Associado ao tema da infância, o texto de Casimiro de Abreu aborda ainda outro

tema significativo na literatura romântica: a relação entre o homem e a natureza.

Ao tratar desse tema, o texto segue o padrão literário romântico? Justifique a resposta,

com suas palavras.

Sim, segue, pois a relação entre o homem e a natureza é apresentada de forma idealizada, já que, no texto, a natureza é lugar paradisíaco, de experiências positivas.

4.(UFPE/PE) O indianismo foi uma corrente literária que envolveu prosa e poesia e fortificou-se após a Independência do Brasil. Sobre esse tema, analise as afirmações a seguir.

0 0 – A literatura indianista cumpriu um claro projeto de fornecer aos leitores um passado histórico, quando possível, verdadeiro, se não, inventado.

1 1 – Os dois autores que mais se empenharam no projeto de criação de um passado heroico foram José de Alencar, na prosa, e Gonçalves Dias, na poesia.

2 2 – Gonçalves Dias, da primeira geração de românticos, escreveu Y-Juca-Pirama, Os Timbiras, Canto do Piaga. Com eles, construiu a imagem heroica e idealizada do índio brasileiro.

3 3 – Indianismo não significava simplesmente tomar como tema o índio; significava a construção de um novo conceito que, embora idealizado, expressava menos que uma realidade racial; expressava uma realidade ética e cultural, distinta da europeia.

4 4 – José de Alencar, em seus romances, sobretudo em Iracema e em O Guarani , se encarregou de construir o mito do herói indianista. De grande importância para isto, foi a preocupação com a vertente brasileira do português, pois Alencar procurava moldar a língua nacional aos personagens indígenas que a falavam.

VVVVV

Minh’alma é triste como a rola aflita

Que o bosque acorda desde o albor da aurora,
E em doce arrulo que o soluço imita
O morto esposo gemedora chora.
5. A estrofe apresentada revela uma situação caracteristicamente romântica. Aponte-a.
a) A natureza agride o poeta: neste mundo, não há amparo para os desenganos morosos.
b) A beleza do mundo não é suficiente para migrar a solidão do poeta.
c) O poeta atribui ao mundo exterior estados de espírito que o envolvem.
d) A morte, impregnando todos os seres e coisas, tira do poeta a alegria de viver.
e) O poeta recusa valer-se da natureza, que só lhe traz a sensação da morte.

6.Assinale a alternativa que traz apenas características do Romantismo:

 a) idealismo – religiosidade – objetividade – escapismo – temas pagãos.
b) predomínio do sentimento – liberdade criadora – temas cristãos – natureza convencional – valores
absolutos.
c) egocentrismo – predomínio da poesia lírica – relativismo – insatisfação – idealismo
d) idealismo – insatisfação – escapismo – natureza convencional – objetividade.
e) n.d.a.

7.(UFAC-AC) A poesia Romântica desenvolveu-se em três gerações: Nacionalista ou Indianista, do Mal do século e Condoreira. O Indianismo de nossos poetas românticos é:

a) Um meio de reconstruir o grave perigo que o índio representava durante a instalação da Capitania de São Vicente.

b) Um meio de eternizar liricamente a aceitação, pelo índio, da nova civilização que se instalava.

c) Uma forma de apresentar o índio como motivo estético; idealização com simpatia e piedade; exaltação de bravura, heroísmo e de todas as qualidades morais superiores.

d) Uma forma de apresentar o índio em toda a usa realidade objetiva; o índio como elemento étnico da futura raça do Brasil.

e) Um modelo francês seguido no Brasil; uma necessidade de exotismo que em nada difere do modelo europeu.

8.De acordo com a posição romântica, é correto afirmar que:

 a) A natureza é expressiva no Romantismo e decorativa no Arcadismo.
b) Com a liberdade criadora implantada no Romantismo, as regras fixas do Classicismo caem e “o poema começa onde começa a inspiração e termina onde esta termina.”
c) A visão de mundo romântica é centrada no sujeito, no “eu” do escritor, daí a predominância da função
emotiva na linguagem do Romantismo.
d) Todas as alternativas anteriores estão corretas.

Texto para as questões 9 e 10

Não me Deixes!

Debruçada nas águas dum regato

A flor dizia em vão

A corrente, onde bela se mirava…

‘Ai, não me deixes, não!

‘Comigo fica ou leva-me contigo

‘Dos mares à amplidão,

Límpido ou turvo, te amarei constante

Mas não me deixes, não!

E a corrente passava; novas águas

Após as outras vão;

E a flor sempre a dizer curva na fonte:

‘Ai, não me deixes, não!’

E das águas que fogem incessantes

À eterna sucessão

Dizia sempre a flor, e sempre embalde:

‘Ai, não me deixes, não!

Por fim desfalecida e a cor murchada,

Quase a lamber o chão,

Buscava inda a corrente por dizer-lhe

Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia,

Leva-a do seu torrão;

A afundar-se dizia a pobrezinha:

‘Não me deixaste, não!’”                  DIAS, Gonçalves.

 9.F. (Católica de Salvador-BA) O lamento da flor representa fielmente o sentimento romântico de:

a) evasão no tempo;                                                 d) amor incondicional ao outro;

b) supervalorização da natureza;                                e) exaltação do sonho, da fantasia;

c) desejo de morte pelo amor não correspondido.

10.(F. Católica de Salvador-BA) Observa-se a inversão, como recurso estilístico, no verso:

a) “A flor dizia em vão”                                               d) “Mas não me deixes, não.”

b) “E a corrente passava”                                            e) “Dizia sempre a flor, e sempre embalde”

c) “Leva-a do seu torrão”

 

Para responder às questões 11 e 12, ler os textos que seguem.

Texto A

Maria

Onde vais à tardezinha,
Mucama tão bonitinha,
Morena flor do sertão?
A grama um beijo te furta
Por baixo da saia curta,
Que a perna te esconde em vão…
Mimosa flor das escravas!
O bando das rolas bravas
Voou com medo de ti!…
Levas hoje algum segredo…
Pois te voltaste com medo
Ao grito do bem-te-vi!
Serão amores deveras?
Ah! Quem dessas primaveras
Pudesse a flor apanhar!
E contigo ao tom d’aragem,
Sonhar na rede selvagem…
À sombra do azul palmar!
Bem feliz quem na viola
Te ouvisse a moda espanhola
Da lua ao frouxo clarão…
Com a luz dos astros — por círios,
Por leito — um leito de lírios…
E por tenda — a solidão!”

Castro Alves

Texto B

“Iracema, sentindo que lhe rompia o seio, buscou a margem do rio, onde crescia o coqueiro.
Estreitou-se com a haste da palmeira. A dor lacerou suas entranhas; porém logo o choro infantil inundou sua alma de júbilo.
A jovem mãe, orgulhosa de tanta ventura, tomou o tenro filho nos braços e com ele arrojou-se às águas límpidas do rio. Depois suspendeu-o à teta mimosa; seus olhos então o envolviam de tristeza e amor.
— Tu és Moacir, o nascido de meu sofrimento.
A ará, pousada no olho do coqueiro, repetiu Moacir, e desde então a ave amiga unia em seu canto ao nome da mãe, o nome do filho.
O inocente dormia; Iracema suspirava:
— A jati fabrica o mel no tronco cheiroso do sassafrás; toda a lua das flores voa de ramo em ramo, colhendo o suco para encher os favos; mas ela não prova sua doçura, porque a irara devora em uma noite toda a colmeia. Tua mãe também, filho de minha angústia, não beberá em teus lábios o mel de teu sorriso.”

Para responder à questão 11, analisar as afirmativas que seguem, sobre os textos A e B.

I.A imagem delicada, graciosa e harmoniosa da escrava, presente no texto A, exemplifica a tendência predominante do poeta no que se refere ao tratamento da temática da escravidão.

II.A visão melancólica da natureza presente em ambos os textos associa-se ao Romantismo exacerbado.

III. O texto B, numa profusão de imagens ligadas a elementos da natureza, relata o nascimento de Moacir, que representa a fusão entre o branco e o índio, dando origem ao povo brasileiro.

IV.Ambos os textos expressam o subjetivismo.

11.(PUC-RS) Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa

a) I e II                b) I e III                   c) I, II, III e IV          d) II e IV          e) III e IV

12.(U.E. Ponta Grossa-PR) A poesia romântica brasileira, em seus diversos momentos, apresenta como características:

01.escapismo e subjetivismo;

02.naturalismo e pitoresco;

04.nacionalismo e religiosidade;

08.socialismo e ilogismo;

16.imaginação criadora e amor à natureza.

SOMA: 21

13.(UEL-PR) Considere as seguintes afirmações sobre a poesia de Álvares de Azevedo:

I.Seu lirismo deixou-se empolgar pelas lutas políticas travadas durante a consolidação da nossa Independência.

II.Influenciado por Gonçalves Dias, seus versos espelham a força primitiva da natureza e a admiração pelo índio.

III. A solidão extrema e a timidez amorosa marcaram os versos ora sentimentais, ora irônicos de sua lírica.

Está correto apenas o que se afirma em

a) I.                     b) II.                      c) III.                    d) I e II.                      e) II e III.

14.(ITA/SP) O texto a seguir é a estrofe inicial do poema Meus oito anos, de Casimiro de Abreu:

“[…]
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
[…]”

Sobre o poema, não se pode afirmar que

a) Se trata de um dos poemas mais populares da Literatura Brasileira.

b) O poeta se vale do texto para manifestar a sua saudade da infância.

c) A linguagem não é erudita, pois se aproxima da simplicidade da fala popular, o que é uma marca da poesia romântica.

d) A memória da infância do poeta está intimamente ligada à natureza brasileira.

e) O poeta é racional e contido ao mostrar a sua emoção no poema.

 

15. (Ufam) Assinale a alternativa que NÃO se refere de modo correto à obra de Álvares de Azevedo:

a) Sua poesia caminhava na esteira de um Romantismo em progresso, enquanto trazia à luz da contemplação os domínios obscuros do inconsciente.

b) Escreveu verdadeiras “bíblias” de satanismo, como a Noite na taverna e Macário, e foi um byroniano autêntico.

c) Em sua poesia, a natureza está praticamente ausente, de vez que o poeta só tem olhos para si mesmo: seu eu íntimo, mas também seus objetos pessoais.

d) Todos os motivos literários e utópicos do americanismo anticolonialista, venerador do modelo comunitário proposto pelo incas, estão presentes em textos de feição indianista.

e) A evasão segue, nesse poeta muito sensível, a rota de Eros (o Amor), mas o horizonte último é sempre a morte.

16.(Ufam) Assinale o item que se refere à poesia de Álvares de Azevedo:

a) O ânimo oratório de seu verso, a poesia de ardentes apóstrofes e audaciosas hipérboles lhe valeram o título de maior poeta da segunda geração.

b) Seus poemas foram submetidos a uma disciplina rígida, totalmente estranha às tonalidades de ritmo e de simbolização abertas pelo Romantismo.

c) A melancolia se expande nos sentimentos mais simples, como a rememoração saudosa da infância campestre, povoada de verdejantes notas paisagísticas.

d) Seu lirismo é o da confidência, das efusões derramadas, numa atmosfera fortemente masoquista, em que o pressentimento da morte é um dos temas prediletos.

e) Sua obra-prima foi o poema Cântico do Calvário, em que já preludia a técnica de construção que seria empregada pelos simbolistas.

17. (Ufam) Assinale a opção cujo enunciado pode ser aplicado aos poetas da segunda geração romântica brasileira:

a) Comprometeram-se com a busca do que julgavam ser as verdadeiras qualidades da poesia: equilíbrio, contenção de sentimentos, linguagem culta, valorização da forma.

b) Assumiram posturas engajadas, de combate às injustiças, à escravidão e à opressão do povo, temas esses que foram ignorados pelos poetas da primeira geração.

c) Influenciados pela poesia de Lord Byron e Alfred de Musset, cultivaram um comportamento boêmio e uma visão negativista da existência.

d) Sintonizados com a riqueza e as possibilidades temáticas proporcionadas pelo avanço da ciência, pela civilização das máquinas, romperam com os temas clássicos e universais.

e) Cultivaram uma linguagem rebuscada, simbólica, de onde derivaram dois traços estilísticos importantes: o cultismo e o conceptismo.

 

18.(U.F. Uberlândia-MG) Existem diferenças básicas entre a paisagem retratada pelos árcades e a paisagem retratada pelos românticos. Escolha a alternativa correta que define essas duas paisagens:

a) A paisagem romântica é amena e monótona e a paisagem árcade é sempre graciosa e fulgurante.

b) A paisagem árcade é bucólica e a paisagem romântica é ainda mais bucólica, devidoaos exageros do eu-lírico.

c) A paisagem romântica reflete os sentimentos do eu-lírico, enquanto a paisagem árcade é harmoniosa, alheia ao eu-lírico.

d) A paisagem árcade é mais visual enquanto a paisagem romântica só é perceptível através da leitura.

19.(UFF-RJ) Assinale o fragmento que não corresponde ao indianismo romântico:

a) “As leis da cavalaria no tempo em que floresceu em Europa não excediam por certo em pundonor e brios à bizarria dos selvagens brasileiros.” (José de Alencar).

b) “Não há hoje a menor razão porque desconheçamos a importância da parte indígena na população do Brasil; e menos ainda para que apaixonados declamemos contra selvagens que por direito natural defendiam a sua liberdade, independência e as terras que ocupavam.” (Gonçalves de Magalhães).

c) “Imaginei um poema… como nunca ouviste falar de outro: guerreiros diabólicos, mulheres feiticeiras, sapos e jacarés sem conta: enfim, um gênesis americano, uma Ilíada Brasileira, uma criação recriada.” (Gonçalves Dias).

d) “É certo que a civilização brasileira não está ligada ao elemento indiano nem dele recebeu influxo algum; e isto basta para não ir buscar entre as tribos vencidas os títulos da nossa personalidade literária.” (Machado de Assis).

e) “O maravilhoso, tão necessário à poesia, encontrar-se-á nos antigos costumes desses povos [indígenas], como na força incompreensível de uma natureza constantemente mutável em seus fenômenos.” (Ferdinand Denis).

20.( UFRS) Leia o texto abaixo.

“Uma das facetas do Romantismo é conceber o poeta como um gênio inspirado, dono de uma  sensibilidade extraordinária. Isso faz com que ele expresse suas ideias e emoções de uma forma original e seja capaz de revelar realidades inacessíveis ao homem comum.”

Dos exemplos citados abaixo, identifique aquele(s) que expressa(m) a concepção acima.

I.“Meia-noite soou na floresta

No relógio de sino de pau;

E a velhinha, rainha da festa,

Se assentou sobre o grande jirau.”   (Bernardo Guimarães)

II.“Se é vate quem acesa a fantasia

Tem de divina luz na chama eterna;

Se é vate quem do mundo o movimento

Co’o movimento das canções governa;

(…)

Se é vate quem dos povos, quando fala,

As paixões vivifica, excita o pasmo.” (Laurindo Rabelo)

III. “Tenho medo de mim, de ti, de tudo,

Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,

Das folhas secas, do chorar das fontes,

Das horas longas a correr velozes.

(…)

O véu da noite me atormenta em dores,

A luz da aurora me intumesce os seios,” (Casemiro de Abreu)

Quais exemplos correspondem à concepção citada?

a) Apenas I.              b) Apenas II.            c) Apenas I e II.    d) Apenas II e III.           e) I, II e III.

 

21.UFF-RJ Na literatura, a visão romântica representativa da mulher é a de uma figura

idealizada, frágil e inatingível.

Assinale a opção em que a visão da mulher não se enquadra nesta característica:

a) “Ah! Vem, pálida virgem, se tens pena

De quem morre por ti, e morre amando.

Dá vida em teu alento à minha vida,

Une nos lábios meus minha alma à tua!” (Álvares de Azevedo)

b) “Anjos longiformes

De faces rosadas

E pernas enormes

Quem vos acompanha?” (Vinícius de Moraes)

c) “Anjo no nome, Angélica na cara!

Isso é ser flor, e Anjo juntamente:

Ser Angélica flor e anjo florente,

Em quem, senão em vós se uniformara.” (Gregório de Matos)

d) “Minha mãe cozinhava exatamente:

arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.

Mas cantava.” (Adélia Prado)

e) “Baixas do céu num voo harmonioso! …

Quem és tu bela e branca desposada?

Da laranjeira em flor a flor nevada

Cerca-te a fronte ó ser misterioso! …” (Castro Alves)

 

22.(UEMS)“Maldição”

baudelaire macalé luiz melodia/ quanta maldição/ o meu coração não quer dinheiro/quer poesia/ baudelaire e macalé luiz melodia/ rimbaud a missão/ poeta e ladrão/ escravo da paixão sem guia/ edgar allan poe tua mão na pia/ lava com sabão/ tua solidão/ tão infinita quanto o dia/ vicentinho van gogh luiza erundina/ voltem pro sertão/ pra plantar feijão/ tulipas para a burguesia/ baudelaire macalé luiz melodia/ waly salomão/ itamar assumpção/ o resto é perfumaria” BALEIRO, Zeca. In: Vô imbolá, 1999.

Em sua música “Maldição”, Zeca Baleiro menciona Edgar Allan Poe (grande influência

para muitos escritores brasileiros, especialmente para uma das gerações do Romantismo). Uma das obras em que podemos observar tal influência é Noite na taverna e seu autor foi um dos mais influenciados por Poe. Referimo-nos a:

a) Álvares de Azevedo.       b) Gonçalves Dias.       c) Casimiro de Abreu.    d) Castro Alves.     e) Olavo Bilac.

 

23.(UFPA)

Maria

Onde vais à tardezinha,
Mucama tão bonitinha,
Morena flor do sertão?
A grama um beijo te furta
Por baixo da saia curta,
Que a perna te esconde em vão…
Mimosa flor das escravas!
O bando das rolas bravas
Voou com medo de ti!…
Levas hoje algum segredo…
Pois te voltaste com medo
Ao grito do bem-te-vi!
Serão amores deveras?
Ah! quem dessas primaveras
Pudesse a flor apanhar!
E contigo, ao tom d’aragem,
Sonhar na rede selvagem…
À sombra do azul palmar!
Bem feliz quem na viola
Te ouvisse a moda espanhola
Da lua ao frouxo clarão…
Com a luz dos astros — por círios,
Por leito ― um leito de lírios…
E por tenda ― a solidão!” ALVES, Castro. Obra Completa.

Sobre o poema e seu autor, é correto afirmar:

a) O tom grandiloquente, quase retórico, do poema ilustra o estilo condoreiro de Castro Alves. O condoreirismo, influência de Victor Hugo, foi tendência da última geração do Romantismo brasileiro, mais voltado para o aspecto social, em superação ao egocentrismo angustiado da geração anterior.

b) O poema registra o tratamento da temática amorosa em Castro Alves, marcado pelo tom do prazer erótico, da presença da morte e da dor, tal como seus antecessores da segunda geração.

c) O poema ilustra que Castro Alves se tornou conhecido como o poeta dos escravos não somente pela denúncia da escravatura, mas, também, por ter acolhido, em sua lírica, os sentimentos do homem negro em equivalência aos do homem branco, retratando o negro como herói, como amante, como ser integralmente humano.

d) No poema, o diminutivo “bonitinha” demonstra o desprezo do eu lírico à mulher negra, revelando o preconceito do homem branco com relação à escrava, um simples objeto para ele, na época.

 

24. (UEM-PR) Assinale a alternativa incorreta.

a) O Romantismo valorizou o gênero romance em detrimento da epopeia tradicional, como podemos constatar na prosa de Gonçalves Dias. Também as regras clássicas para a tragédia
passaram a ser desconsideradas, como verificamos nas peças de Martins Pena, nosso primeiro grande autor de tragédias.

b) No Romantismo brasileiro, constatamos, entre outras características, o culto do individualismo e da natureza como refúgio acolhedor, o nacionalismo indianista e a preocupação com reformas sociais, como o abolicionismo.

c) Pertencem à chamada geração ultrarromântica Álvares de Azevedo, autor de Noite na taverna, e Casimiro de Abreu, autor do poema “Meus oito anos”.

d) Gonçalves de Magalhães abriu o Romantismo brasileiro, em 1836, com Suspiros poéticos e saudades. Machado de Assis inaugurou o Realismo, em 1881, com Memórias póstumas de Brás Cubas.

e) A prosa romântica brasileira tem, entre seus representantes, José de Alencar, Machado de Assis, Bernardo Guimarães. Machado de Assis foi, também, escritor realista.

 

25.(Ufam) Só uma das afirmativas abaixo se refere de modo correto a Sousândrade. Assinale-a:

  1. a) Sua lírica apresenta a tentativa de reconstruir, dez anos depois, a atmosfera de anticonvencionalidade que os byronianos haviam instaurado durante o segundo momento da poesia romântica.
  2. b) Incompreendido por seus contemporâneos, esquecido pela crítica por mais de sessenta anos depois da morte, foi recuperada pelas vanguardas do século XX, principalmente pelos concretistas.
  3. c) A sensualidade direta, embora ligada a uma psicologia infantil, afastou sua obra das visões mórbidas dos byronianos, em que pese o fato de a mulher amada continuar a ser a bela adormecida, a donzela pálida.
  4. d) Mais que um nome literário, permanece nas letras brasileiras como uma personagem paradigmática, carreador para a cultura nacional das ideias que levaram ao realismo naturalismo e, na política, à Primeira República.
  5. e) Tendo entrado aos dezenove anos para um convento beneditino, dali fugiu três anos depois, o que o levou a identificar o cárcere metafórico com o anseio de liberdade que perpassa sua poesia.

26.(PUC/PR/PAES) Assinale o único item incorreto.

São características do Romantismo:

a) Tendência patriótica e nacionalista.                      d) Exagero na emoção e no sentimento.

b) Preocupação formal.                                        e) Reação aos modelos clássicos.

c) Idealização.

27.(UFPA/PSS) Contrariamente aos primeiros românticos, Castro Alves, em seu sentimentalismo amoroso, “percorre a gama completa da carne e do espírito”, segundo o crítico literário Antônio Candido (In: A formação da literatura brasileira. 7 ed., v. 2. Belo Horizonte; Rio de Janeiro: Itatiaia, 1993. p. 251). Os versos de Castro Alves, abaixo, que caracterizam a afirmativa de Candido são:

a) “Queres voltar a este país maldito
Onde a alegria e o riso te deixaram?
Eu não sei tua história… mas que importa?”

b) “Uma noite, eu me lembro… Ela dormia
Numa rede encostada molemente…
Quase aberto o roupão… solto o cabelo
E o pé descalço no tapete rente.”

c) “Deus!ó Deus! onde estás que não
[respondes?
Em que mundo, em qu’estrela tu
[t’escondes
Embuçado nos céus?”

d) “Stamos em pleno mar… Doudo no espaço
Brinca o luar — doirada borboleta —
E as vagas após ele correm… cansam
Como turba de infantes inquieta.”

e) “No céu dos trópicos
P’ra sempre brilha,
Ó noite esplêndida,
Que as ondas trilha.”

28.UFF-RJ A visão de Gonçalves Dias no texto:

a) reforça a posição dos brasileiros que desejam comemorar os 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, como se esta tivesse sido um evento relevante e benéfico para os habitantes de nossa terra;

b) insere-se no contexto do Romantismo, que busca ressaltar os aspectos negativos da colonização portuguesa, como elemento motivador para um distanciamento e uma diferenciação em relação a Portugal;

c) recusa a ideia da violência que teria caracterizado a colonização portuguesa no Brasil, como se a esquadra de Pedro Álvares não houvesse enviado dois índios a Portugal, contra a vontade deles;

d) ressalta a concordância a que os capitães da frota de Pedro Álvares teriam chegado, como se o consenso de todos estes comandantes justificasse a atitude de enviar os dois índios ao rei português;

e) valoriza e confirma a iniciativa de alguns órgãos de imprensa que celebram a conquista portuguesa como fator importante para nosso posterior desenvolvimento como nação.

 

29.UFF-RJ Índice é tudo aquilo que indica ou denota uma qualidade ou característica especial. No texto, Gonçalves Dias afirma que “fizera-se o índice primeiro do que era a história da colônia” porque aquela história:

a) seria produzida por pessoas moralmente condenáveis, que alegavam razões religiosas para seus atos, mas que eram movidas pela ganância;

b) seria conduzida por personagens da mais alta idoneidade moral, que se dedicavam intensamente à causa da conversão do indígena brasileiro;

c) seria arquitetada por colonos degradados, condenados à morte ou espíritos baixos, que buscavam no Brasil a redenção de seus pecados;

d) seria derivada da cobiça disfarçada com pretextos da religião, que evitava o ataque dos colonos degradados aos senhores da terra e à liberdade dos índios;

e) seria causada pelos condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as florestas para se redimirem, convertendo os índios.

 

30.(UFF-RJ) O sofrimento amoroso é frequente nas obras dos poetas românticos, como se

pode observar abaixo:

Se Se Morre de Amor! 

Sentir, sem que se veja, a quem se adora,

Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,

Segui-la, sem poder fitar seus olhos,

Amá-la, sem ousar dizer que amamos,

E, temendo roçar os seus vestidos,

Arder por afogá-la em mil abraços:

Isso é amor, e desse amor se morre!”  DIAS, Gonçalves.

A característica que situa o fragmento dentro da poética romântica é:

a) evasão no espaço, transportando o eu-lírico para um lugar ideal, junto à natureza;

b) forte subjetivismo, revelando uma visão pessimista da vida;

c) idealização do amor, transcendendo os limites da vida física;

d) realização de poemas lírico-amorosos, valorizando o idioma nacional;

e) idealização da mulher, conduzindo o eu-lírico à depressão.

 

31.(PUC-RS) É correto afirmar que a produção poética de Álvares de Azevedo

a) Evidencia a rejeição a temas relacionados à morte e ao medo.

b) Rejeita a idealização do ser amado.

c) Intensifica o tom confessional e subjetivo.

d) Cultua o sentimento de brasilidade.

e) Rompe com a tradição romântica.

32.(Fuvest-SP) Tomadas em conjunto, as obras de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Castro Alves demonstram que, no Brasil, a poesia romântica:

a) Pouco deveu às literaturas estrangeiras, consolidando de forma homogênea a inclinação sentimental e o anseio nacionalista dos escritores da época.

b) Repercutiu, com efeitos locais, diferentes valores e tonalidades da literatura europeia: a dignidade do homem natural, a exacerbação das paixões e a crença em lutas libertárias.

c) Constituiu um painel de estilos diversificados, cada um dos poetas criando livremente sua linguagem, mas preocupados todos com a afirmação dos ideais abolicionistas e republicanos.

d) Refletiu as tendências ao intimismo e à morbidez de alguns poetas europeus, evitando ocupar-se com temas sociais e históricos, tidos como prosaicos.

e) Cultuou sobretudo o satanismo, inspirado no poeta inglês Byron, e a memória nostálgica das civilizações da antiguidade clássica, representadas por suas ruínas.

33.(UFPE) Na(s) questão(ões) a seguir escreva nos parênteses a letra (V) se a afirmativa for verdadeira ou (F) se for falsa.

Observe que os textos a seguir representam a visão do amor em três autores do Romantismo. São momentos da poesia romântica coincidindo com três gerações.

“Boa noite, Maria! Eu vou me embora,
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! É tarde… é tarde…
Não me apertes assim contra teu seio.”

Castro Alves

“Não acordes tão cedo! Enquanto dormes
Eu posso dar-lhe beijos em segredo
Mas, quando nos teus olhos raia a vida
Não ouso te fitar… Eu tenho medo!”

Álvares de Azevedo

“Enfim te vejo – enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te
Que não cessei de querer-te
Apesar de quanto sofri.”           Gonçalves Dias

( ) O amor em Gonçalves Dias é sempre ilusão perdida, e a experiência concreta é o fracasso e o sofrimento.

( ) Em Álvares de Azevedo, já aparece um misto de erotismo e medo, frustrando assim a realização da experiência amorosa.

( ) Na obra de Castro Alves prevalece a temática do amor sensual.

( ) O lirismo amoroso de Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo inclui a falta de sensualidade presente em Castro Alves e também se descobrem, nos autores, os traços de donjuanismo.

( ) Os três autores apresentam, como ponto comum, a visão da mulher como uma musa inacessível.

V, V, V, F, F.

34.(UFRGS-RS) Assinale a alternativa correta:

a) Álvares de Azevedo, classificado na segunda geração do Romantismo brasileiro, deixou uma obra composta de poemas tipicamente indianistas e nacionalistas.

b) Com Castro Alves, a poesia brasileira atingiu o seu apogeu, apesar do tom tímido que encontramos nos seus versos.

c) Os poetas do Romantismo foram responsáveis pela consolidação do sentimento nacional e contribuíram para o abrasileiramento da língua portuguesa.

d) Gonçalves Dias, autor da consagrada Canção do exílio, compôs também Os timbiras, se eu morresse amanhã e Meus oito anos.

e) O saudosismo que caracteriza o lirismo luso-brasileiro não teve representantes no período romântico.

35.(UFRS) Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Castro Alves.

I.A poesia amorosa do autor registra personagens femininas, algumas notáveis pela pureza e intangibilidade angelicais, outras destacadas pela sensualidade e disponibilidade satânicas.

II.O poeta destacou-se pela poesia de protesto contra a injustiça e a violência presentes na sociedade brasileira em geral e evidentes nas condições de vida a que estava submetida a população escrava.

III. A retórica grandiloquente rendia ao poeta autênticos poemas-discurso para serem antes ouvidos do que lidos, quer fossem denúncias contra a sociedade, quer fossem a exaltação da mulher amada.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.            b) Apenas III.               c) Apenas I e III.       d) Apenas II e III.        e) I, II e III.

36. (PUC-RS)

Para responder à questão, ler o texto que segue.

Tirania

  1. “MINHA MARIA é bonita,
    Tão bonita assim não há;
    O beija-flor quando passa
    Julga ver o manacá.”
  2. “Minha Maria é morena,
    Como as tardes de verão;
    Tem as tranças da palmeira
    Quando sopra a viração.”
  3. “Companheiros! O meu peito
    Era um ninho sem senhor;
    Hoje tem passarinho
    P’ra cantar o seu amor.”
  4. “Trovadores da floresta!
    Não digam a ninguém, não!…
    Que Maria é a baunilha
    Que prende meu coração.”
  5. “Quando eu morrer só me enterrem
    Junto às palmeiras do val,
    Para eu pensar que é Maria
    Que geme no taquaral…”

O tom ________ e ________ do poema de Castro Alves sugere uma ideia de amor ________ — elemento que o __________ dos poetas de seu tempo.

a) Otimista/apaixonado/possível/diferencia.

b) Otimista/sensível/possível/aproxima.

c) Alegórico/sensível/impossível/aproxima.

d) Intimista/apaixonado/impossível/distancia.

e) Sentimental/retórico/possível/diferencia.

37.(Mackenzie-SP) Assinale o comentário que está corretamente associado a Gonçalves Dias.

a) Com assunto quase contemporâneo à publicação — luta da tropa aliada, espanhola e portuguesa, contra os índios aldeados nas Missões jesuíticas do atual Rio Grande do Sul — o poema Uraguai o distingue do academicismo de contemporâneos como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga.

b) Cultivando, como os da sua geração, o pessimismo — e por isso atraído pela morte, o “humor negro”, a perversidade —, ao tratar do “homem selvagem”, o glorifica para, por oposição, recusar valores medievais.

c) Envolvido intensamente com as injustiças sociais, é o símbolo da literatura participante; o poeta-orador faz sua poesia aproximar-se da oratória, meio enfático de lutar por igualdade social, como se vê no tratamento do tema do índio escravizado.

d) Herdeiro de preocupações neoclássicas, repudiou exageros na expressão; no tratamento da temática, inventou recursos, como, em famoso poema indianista, romper a expectativa de valentia inquebrantável do herói e usar sua fragilidade para mais enaltecer sua bravura.

e) Sua defesa do nativo contra os colonos que o escravizavam era realizada por retórica complexa e sutil, mais conceptista do que cultista, em busca de desenvolver e provar qualquer das assertivas feitas em sua tribuna.

38.(UFRGS-RS) Leia as afirmações abaixo, sobre Sousândrade.

I.Trata-se de um autor maranhense do século XIX, cujo nome verdadeiro é Joaquim de Sousa Andrade, quase desconhecido dos contemporâneos românticos.

II.O Guesa é um longo poema narrativo, composto sobre uma lenda quíchua que narra o sacrifício de um jovem imolado por sacerdotes.

III. O poema O Guesa traz para a Literatura Brasileira temas do capitalismo mundial, entre os quais o da Bolsa de New York.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.              b) Apenas II.           c) Apenas III.          d) Apenas I e II.              e) I, II e III.

39.(UFRS) Sobre a poesia de Gonçalves Dias é correto afirmar que

a) Cantou a natureza brasileira como cenário das correrias e aventuras do indígena bravo e leal.

b) Denunciou a iniquidade da escravidão em poemas altissonantes e repletos de metáforas aladas.

c) Elogiou os esforços do colonizador português em suas campanhas militares.

d) Cantou a bondade da mãe e da irmã, esteios femininos do núcleo familiar patriarcal.

e) Elogiou a dissipação e os excessos do vinho em orgias noturnas marcadas pela devassidão e crueldade.

40. As afirmações abaixo referem-se ao Romantismo, exceto uma. Assinale-a:

a) Tem como característica básica a expressão do “eu”, do mundo interior do artista.

b) Teve início na Alemanha e na Inglaterra, no século XVIII.

c) Representou um período decisivo no desenvolvimento da literatura brasileira.

d) Sua fase mais importante no Brasil coincidiu com a permanência de D. João VI no Rio de Janeiro

41.(PUC/PR) Assinale a alternativa correta.

A poesia brasileira do Romantismo do século XIX pode ser dividida em:

a) três fases: a poesia da natureza e indianista, a poesia individualista e subjetiva, e a poesia liberal e social.

b) duas fases: a histórica e indianista, e a fase subjetiva e individualista.

c) três fases: a subjetiva, a nacionalista e a experimental.

d) quatro fases: a histórica, a de crítica nacionalista, a experimental e a subjetiva.

e) duas fases: a amorosa e sentimental e a fase nacionalista.

42.(UNIOESTE/PR) Assinale a alternativa que se relaciona, de forma correta, com o enunciado e com a autoria dos versos abaixo.

Dentre os movimentos significativos da Literatura Brasileira, houve um que se destacou pela defesa dos ideais libertários, conforme atestam os seguintes versos:

Não! Não eram dous povos que abalavam
Naquele instante o solo ensanguentado…
Era o porvir – em frente do passado, –
A Liberdade – em frente à Escravidão,
Era a luta das águias – e do abutre,
A revolta do pulso – contra os ferros
O pugilato da razão – contra os erros
O duelo da treva – e do clarão!…

a) Indianismo – Gonçalves Dias.                            d) Conceptismo barroco – Gregório de Matos Guerra.

b) Concretismo – Paulo Leminski.                           e) Parnasianismo – Olavo Bilac.

e) Condoreirismo – Castro Alves

43. UFGO A poesia de Gonçalves Dias pode ser dividida em três grandes vertentes temáticas:

a indianista, a saudosista e a lírico-amorosa. A produção poética desse autor pode ser caracterizada da seguinte forma:

( ) na poesia indianista, predomina uma sensibilidade plástica singular, moldada por um cenário natural tipicamente brasileiro, no qual está inserido o primeiro habitante do País, o índio, numa representação quase sempre épica.

( ) na poesia saudosista, o poeta demonstra acentuadas marcas do nacionalismo vigente no Romantismo, como a exaltação do pitoresco nacional, em que se sobressai o tratamento exótico da natureza tropical.

( ) na poesia lírico-amorosa, pode-se encontrar um ultraromantismo já convencional, detectado no sentimentalismo exagerado, que deforma os encantos da mulher amada, e em lamentos melodramáticos, provocados pelo sofrimento do amor irrealizado.

( ) em todas as vertentes da poesia de Gonçalves Dias, a natureza tem um caráter expressivo e dinâmico. Ela é o refúgio acolhedor e o ideal de evasão do eu-poético, estabelecendo, assim, uma interdependência entre paisagem e estado de alma.

VVFV

 44.(UFV-MG) Leia com atenção o texto crítico de Antônio Candido:

“À maneira do Arcadismo, o Romantismo surge como movimento de negação; negação neste caso, e na literatura luso-brasileira, mais profunda e revolucionária, porque visava redefinir não só a atitude poética, mas o próprio lugar do homem no mundo e na sociedade. O Arcadismo se irmanava aos dois séculos anteriores pelo culto da tradição greco-romana; aceitava o significado literário da mitologia e da história clássica; aceitava a hierarquia dos gêneros […]. Os românticos foram buscar nos países estranhos, nas regiões esquecidas e na Idade Média pretextos para desferir o voo da imaginação.” CÂNDIDO, Antônio. Formação da literatura brasileira.

Com base nas informações contidas no fragmento acima. NÃO se pode dizer que o Romantismo:

a) Concebeu de maneira nova o papel do artista através de uma visão mais antropocêntrica.

b) Assimilou alguns valores árcades como o culto à tradição greco-romana e o retorno à história clássica.

c) Procurou fixar novos valores que dariam à literatura uma dimensão mais atuante e revolucionária.

d) Reestruturou a teoria clássica dos gêneros literários, quebrando a hierarquia existente e miscigenando as antigas formas.

e) Redimensionou o sentido da obra de arte a partir da liberdade e da imaginação, princípios estes que nortearam os passos do escritor romântico.

 

45.(UNIFESP/SP) Tema bastante recorrente nas literaturas românticas portuguesa e brasileira, o amor impossível aparece em personagens que encarnam o modelo romântico, cujas características são

a) O sentimentalismo e a idealização do amor.        d) Os jogos de interesses e a racionalidade.

b) O subjetivismo e o nacionalismo.                             e) O egocentrismo e o amor subordinado a interesses sociais.

c) A introspecção psicológica e a idealização da mulher

46.(Mackenzie/SP)

“Eu amo a noite Taciturna e queda!
Então parece que da vida as fontes
Mais fáceis correm, mais sonoras soam,
Mais fundas se abrem;
Então parece que mais pura a brisa
Corre, — que então mais funda e leve a fonte
Mana, — e que os sons então mais doce e triste
Da música se espargem.”    Gonçalves Dias

Assinale a alternativa incorreta.

a) O ritmo regular dos versos decassílabos ajuda a construir a ideia da serena grandiosidade da noite.

b) O quarto e o oitavo versos encerram cada sequência gloriosa que a noite abarca: aquele, os dons das fontes; este, a ação da brisa, da fonte e da música.

c) A descrição das ações das fontes de vida, na primeira estrofe, faz-se com o auxílio sintático de um polissíndeto.

d) doce e triste, no sétimo verso, podem ser lidos como docemente e tristemente, devido ao fato de permanecerem no singular.

e) A repetição de então é fator de coesão textual, recuperando sempre o termo

47.(Unama)

XV

“[…]
És doutro agora, e pr’a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!”

XVIII

“[…]
Lerás porém algum dia
Meus versos, d’alma arrancados,
D’amargo pranto banhados,
Com sangue escritos — e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiede,
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, — de compaixão.”        Gonçalves Dias

Nessas estrofes do poema Ainda uma vez, adeus, de Gonçalves Dias, o eu—lírico:

a) Insatisfeito, evade-se da realidade por meio da morte.

b) Transfere à poesia, o que ele próprio não conseguira, a missão de comover a amada.

c) Rompe com o platonismo contemplativo e seduz a amada.

d) Racionaliza a impossibilidade de viver com a amada.

48.(UTFPR/PR) Marque a alternativa que NÃO corresponde à obra de Gonçalves Dias.

a) Canção do Exílio representa bem o seu ideal literário; beleza na simplicidade; fuga ao adjetivo, procura da expressão de tal maneira justa que outra seria difícil” (CÂNDIDO, 1981, p.81). (2011)

b) “A partir dos Primeiros Cantos, o que antes era tema – saudade, melancolia, natureza, índio – se tornou experiência, nova e fascinante, graças à superioridade da inspiração e dos recursos formais.” (CÂNDIDO, 1981, p.83)

c) “No poemeto I- Juca Pirama, a crítica, unânime, tem admirado a ductilidade dos ritmos que vão recortando os vários momentos da narração.” (BOSI, 3.ed.,p.118, s/d).

d) “Tanto nos romances nativistas (…) como naqueles em que o bom selvagem se desdobra em heróis regionais, o selo da nobreza é dado pelas forças do sangue que o autor reconhece e respeita.” (BOSI, p.152)

e) “Assim se explica a edição de Os Timbiras, em Leipzig, no ano de 1857, em língua portuguesa, pois dificilmente se poderia esperar que uma edição inteira em português fosse vendida na Europa.”(KOTHE, 2000, p.188).

 

49.(Ufam) O Romantismo foi introduzido no Brasil em 1836, com a publicação do livro:

a) Os Timbiras, de Gonçalves Dias.

b) Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães.

c) A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo.

d) A Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães.

e) Primeiros cantos, de Gonçalves Dias.

50. (UEPG/PR-2006) Leia os textos 1, 2 e 3, retirados do livro Gonçalves Dias – Poesia Lírica e Indianista, organizado por Márcia Lígia Guidin. Estabeleça as relações com as afirmações apresentadas e assinale o que for correto.

Texto 1

Se muito sofri já, se ainda sofro
Por teu amor?!
Não mo perguntes! que do inferno a vida
Não é pior!…

“Se muito sofri já, não mo perguntes”. p. 192.

Texto 2

Em vão meu coração por ti se fina,
Em vão minha alma te compr’ende e busca,
Em vão meus lábios sôfregos cobiçam
Libar a taça que aos mortais of’reces!
Dizem-na funda, inesgotável, meiga;
Enquanto a vejo rasa, amarga e dura!
Dizem-na bálsamo, eu veneno a sorvo:
Prazer, doçura – eu dor e fel encontro!

“O amor”. p. 181.

Texto 3

Quanto és bela, ó Caxias! – no deserto,
Entre montanhas, derramada em vale
De flores perenais,
És qual tênue vapor que a brisa espalha
No frescor da manhã meiga soprando
À flor de manso lago.

“Caxias”. p. 48.

01) O subjetivismo é um dos traços fundamentais do Romantismo. A realidade é revelada através da atitude pessoal do escritor, o artista traz à tona o seu mundo interior. Isso pode ser observado nos textos 1 e 2 numa demonstração do sofrimento por amar.

02) No texto 2, o motivo do sofrimento é um amor que parece não ser correspondido. Isso pode ser comprovado pelos quatro primeiros versos.

04) Quanto ao aspecto formal, o verso livre, sem métrica e sem estrofação, e o verso branco, sem rima, caracterizam a poesia romântica. Essa característica pode ser observada nos três textos.

08) A derrota é um dos motivos que conduz a um tipo de evasão ou escapismo em que o eu-lírico procura, na morte, a solução para o impasse em que se encontra. Dos fragmentos apresentados acima, somente o texto 1 apresenta tal característica.

16) No texto 3, a descrição da natureza tem por objetivo celebrar Caxias, terra natal de Gonçalves Dias.

SOMA: 19.

 

51.Em relação ao Romantismo brasileiro, todas as afirmações são verdadeiras. Exceto:

a) expressão do nacionalismo através da descrição de costumes e regiões do Brasil.

b) análise crítica e científica dos fenômenos da sociedade brasileira.

c) desenvolvimento do teatro nacional.

d) expressão poética de temas confessionais, indianistas e humanistas.

e) caracterização do romance como forma de entretenimento e moralização.

52.(UA-AM) Leia o enunciado abaixo:

A grande voz da poesia romântica foi, sem dúvida, a de um estudante paulista que morreu tuberculoso aos vinte anos. Pela sua inspiração e sentimento elevou a poesia brasileira, que vinha do verso medido e frio de Gonçalves de Magalhães e Porto Alegre, a alturas até então desconhecidas.

Demonstrou talento precoce e grande capacidade de estudo, apesar das tentações de byronismo e de satanismo a que teria cedido integrando-se nos grupos boêmios do tempo ou tomando parte nos desmandos da Sociedade Epicureia.

Ele só teve seus poemas reunidos em livro após a morte, quando então encontrou uma divulgação tão ampla quanto era possível no Brasil da metade do século XIX.

O enunciado se refere a:

a) Gonçalves Dias.     b)    Álvares de Azevedo.     c) Castro Alves.     d)    Fagundes Varela.    e) Cruz e Souza.

53.(ITA-SP) Observe as afirmações abaixo:

I.O “Eu” romântico, objetivamente incapaz de resolver os conflitos com a sociedade, lança-se à evasão. No tempo, recriando a Idade Média Gótica e embruxada. No espaço, fugindo para ermas paragens ou para o oriente exótico.

II.A natureza romântica expressiva. ao contrário da natureza árcade, decorativa. Ela significa e revela. Prefere-se a noite ao dia, pois sob a luz do sol o real impõe-se ao indivíduo, mas é na treva que latejam as forças inconscientes da alma: o sonho, a imaginação.

III. No Romantismo a epopeia, expressão heroica já em crise no século XVIII, é substituída pelo poema político e pelo romance histórico, livres das peias de organização interna que marcavam a narrativa em verso. Renascem, por outro lado, formas medievais de estrofação e dá-se o máximo relevo aos metros livres, de cadência popular, as redondilhas maiores e menores, que passam a competir com o nobre decassílabo.

Estão corretas;

a)todas    b) apenas a I     c) apenas a I e a II       d) apenas a II e a III.    E) apenas a I e a III.

53.(FESP) As poesias de Álvares de Azevedo desenvolvem atmosferas variadas que vão do lirismo mais ingênuo ao erotismo, com toques de ironia, tristeza, zombaria, sensualidade, tédio e humos. Essas características demonstram:

a)a carga de brasilidade do seu autor.

b) a preocupação do autor com os destinos do país.

c) os aspectos neoclássicos que ainda persistem nos versos desse autor.

d) o ultrarromantismo, marcante nesse autor.

e) o aspecto social de seus versos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O Guarani

O GUARANI

O fragmento abaixo foi retirado do romance O Guarani. Leia-o com atenção e responda às

questões 01 a 05.

        “Enquanto o sol alumiou a terra, caminhamos; quando a lua subiu ao céu, chegamos. Combatemos como Goitacás. Toda a noite foi uma guerra. Houve sangue, houve fogo.

         “Quando Peri abaixou o arco de Ararê, não havia na taba dos brancos uma cabana em pé, um homem vivo; tudo era cinza.

         “Veio o dia e alumiou o campo; veio o vento e levou a cinza.

         “Peri tinha vencido; era o primeiro de sua tribo, e o mais forte de todos os guerreiros.

        “Sua mãe chegou e disse: ‘Peri, chefe dos Goitacás, filho de Ararê, tu és grande, tu és forte como teu pai; tua mãe te ama’.

        “Os guerreiros chegaram e disseram: ‘Peri, chefe dos Goitacás, filho de Ararê, tu és o mais valente da tribo e o mais temido do inimigo; os guerreiros te obedecem’.

        “As mulheres chegaram e disseram: ‘Peri, primeiro de todos, tu és belo como o sol, e flexível como a cana selvagem que te deu o nome; as mulheres são tuas escravas’. (…)

        “Sua mãe veio e disse: ‘Peri, filho de Ararê, guerreiro branco salvou tua mãe; virgem branca também’.

         “Peri tomou suas armas e partiu; ia ver o guerreiro branco para ser amigo; e a filha da senhora para ser escravo. (…)

        “Guerreiro branco, Peri, primeiro de sua tribo, filho de Ararê, da nação Goitacá, forte na guerra, te oferece o seu arco; tu és amigo.”

         O índio terminou aqui a sua narração.

         Enquanto falava, um assomo de orgulho selvagem da força e da coragem lhe brilhava nos olhos negros, e dava certa nobreza ao seu gesto. Embora ignorante, filho das florestas, era um rei; tinha a realeza da força.   O Guarani – José de Alencar

01- No fragmento de O Guarani, a voz enunciadora é de Peri, o protagonista do romance. Os primeiros parágrafos remetem ao contato inicial com os colonizadores. A reação de Peri e sua tribo condiz com a realidade histórica? Justifique:

Sim, a reação violenta de Peri e sua tribo condiz com a realidade histórica, pois os índios reagiram com violência à colonização, por isso ou foram escravizados ou destruídos.

02- O momento que Peri narra no fragmento é o de sua afirmação na tribo como chefe guerreiro. Confirme com o texto a sua aclamação:

A mãe: tu és grande, tu és forte como teu pai; tua mãe te ama’; os guerreiros: tu és o mais valente da tribo e o mais temido do inimigo; os guerreiros te obedecem; as mulheres: tu és belo como o sol, e flexível como a cana selvagem que te deu o nome; as mulheres são tuas escravas.

03- Há, no fragmento, o motivo para Peri estar na presença dos brancos e tornar-se amigo deles. Destaque do texto o que motivou Peri a ser amigo dos portugueses:

O guerreiro branco salvou a mãe de Peri.

04- José de Alencar construiu o herói nacional, colocando-o à altura dos heróis europeus. Reconheça as características de Peri que o tornam grandioso:

A nobreza de seu gesto, o orgulho selvagem e a força da coragem, era um rei, tinha a realeza da força.

05- Comente os motivos de José de Alencar escolher o índio como herói nacional:

O índio era o representante natural do Brasil, o autor procurou dar-lhe roupagem cristã, europeia, associadas à força e beleza natural. Além do mais valoriza a sua língua, como a genuinamente brasileira.

Com base no trecho final de O Guarani, , responda à questão 06.

“Tudo era água e céu.

A inundação tinha coberto as margens do rio até onde a vista podia al­cançar; as grandes massas de água que o temporal durante a noite inteira vertera sobre as cabeceiras dos confluentes do Paraíba desceram das serranias, e, de torrente em torrente, haviam formado essa tromba gigantesca que se abatera sobre a várzea.

A tempestade continuava ainda ao longo de toda a cordilheira, que aparecia coberta por um nevoeiro escuro; mas o céu, azul e límpido, sorria mirando-se no espelho das águas.

A inundação crescia sempre; o leito do rio elevava-se gradualmente; as árvores pequenas desapareciam; e a folhagem dos soberbos jacarandás sobrenadava já como grandes moitas de arbustos.

A cúpula da palmeira em que se achavam Peri e Cecilia, parecia uma ilha de verdura banhando-se nas águas da corrente; as palmas que se abriam formava no centro um berço mimoso, onde os dois amigos, estreitando-se, pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida.   José de Alencar

A. Dar a diferença entre: confluente e afluente.

Ambos são rios, cursos d’ água, o confluente desemboca na mesma foz com outro rio e o afluente desemboca em outro, que é considerado principal em relação a ele.

 B.Em meio ao drama da inundação, como explicar a expressão “berço mimoso”?

A expressão refere-se ao espaço formado pela cúpula da palmeira que carregava o casal.

O texto abaixo é um fragmento do romance O Guarani, de José de Alencar:

Cenário

De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio de água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciais, que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.

É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito.

Dir-se-ia que, vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde então a beleza selvática; suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltam contra os barcos e as canoas que resvalam sobre elas: escravo submisso sofre o látego do senhor.

Não é neste lugar que ele deve ser visto; sim três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indômito desta pátria da liberdade.

Ai, o Paquequer lança-se rápido sobre seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando, deixando o pelo esparso pelas pontas do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recua um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa.

Depois, fatigado do esforço supremo, se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como em um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes.

A vegetação nestas paragens ostentava outrora todo o seu luxo e vigor; florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verduras e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras.

Aí, ainda a indústria do homem tinha aproveitado habilmente da natureza para criar meios de segurança e defesa.

De um e outro lado da escada seguiam dois renques de árvores, que, alargando gradualmente, iam fechar como dois braços o seio do rio; entre o tronco dessas árvores, uma alta cerca de espinheiros tornava aquele vale impenetrável.  (José de Alencar. O Guarani.)

7.Justifique as afirmações abaixo sobre o romance O Guarani, de José de Alencar:

a) A utilização de recursos estilísticos permite-nos dizer que o cenário criado pelo narrador manifesta o  tema  da integração da natureza e da cultura.

b) O romance tem um componente das novelas medievais da cavalaria, já que, no Romantismo, havia um culto à Idade Média.

a) A natureza é antropomorfizada, animizada e culturalizada. antropomorfismo: elementos da natureza vistos como seres humanos ¾ livre, soberbo, altivo, sobranceiro, filho indômito desta pátria de liberdade, escravo submisso etc.
dinamicidade: atribui-se vida à natureza através de verbos que indicam movimento ¾  enroscando-se como uma serpente, se espreguiçar etc. culturalização: comparações da natureza com artefatos feitos pelo homem ¾ a bacia onde o Paquequer adormece é visto como um leito de noiva, as trepadeiras e flores agrestes, como cortinas, os galhos das árvores, como arcos etc.

b) No romance alencariano, as personagens pautam sua conduta por normas cavalheirescas.  D. Antônio é um senhor feudal: habita num castelo, que abriga vassalos em torno do suserano. O código de honra desses homens fundamenta-se na lealdade ao senhor. Além disso, o espaço em que a relação dos dois rios é apresentada sugere  vassalagem.

(FGV-SP) “Então, no fundo da floresta, troou um estampido horrível, que veio reboando pelo espaço; dir-se-ia o trovão, correndo pelas quebradas da serrania.

Era tarde.

Não havia tempo para fugir; a água tinha soltado o seu primeiro bramido, e, erguendo o colo, precipitava-se, furiosa, invencível, devorando o espaço como um monstro do deserto.

Peri tomou a resolução pronta que exigia a iminência do perigo: em vez de ganhar a mata suspendeu-se a um dos cipós, e, galgando o cimo da palmeira, aí abrigou-se com Cecília.

A menina, despertada violentamente e procurando conhecer o que se passava, interrogou seu amigo.

–– A água!… respondeu ele apontando para o horizonte.”       José de Alencar. O guarani.

8.Sobre o fragmento acima, afirma-se que:

1.Enaltece a força da natureza brasileira.

2.Exalta a coragem do silvícola.

3.Refere um símbolo da fusão dos valores nativos e europeus.

4.“Pronta” (4º parágrafo), no texto, significa “preparada”.

5.“Monstro do deserto” (3º parágrafo) e “A água!” (6º parágrafo) são duas metáforas.

Assinale a alternativa que contém duas afirmações incorretas.

a) 1 e 2.                       b) 2 e 3.                   c) 3 e 4.                     d) 1 e 5.                  e) 4 e 5.

Loredano desejava; Álvaro amava; Peri adorava. O aventureiro daria a vida para gozar; o cavaleiro arrastaria a more para merecer um olhar; o selvagem se mataria, se preciso fosse, só para fazer Cecília sorrir. ( Trecho de O Guarani, de José de Alencar)

9.Sobre as características da obra de onde se extraiu o trecho acima, é correto afirmar:

a)exalta o índio como se fosse um cavaleiro medieval.

b) as personagens são vulgares e mesquinhas.

c) procura mostrar as relações entre o homem e a natureza de maneira objetiva.

d) reserva ao índio um papel subserviente, e ao branco o papel de herói.

e) não exalta a natureza para que esta não se sobreponha às personagens

10.(FUVEST) Assim, o amor se transformava tão completamente nessas organizações*, que apresentava três  sentimentos bem distintos: um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião.
………… desejava; …………. amava; ………….. adorava

(*organizações = personalidades)

Neste excerto de O Guarani, o narrador caracteriza os diferentes tipos de amor que três personagens
masculinas sentem por Ceci. Mantida a sequência, os trechos pontilhados serão preenchidos corretamente com os nomes de:
a) Álvaro / Peri / D. Diogo                      d) Loredano / Álvaro / Peri
b) Loredano / Peri / D. Diogo                  e) Álvaro / D. Diogo / Peri
c) Loredano / D. Diogo / Peri

O fragmento abaixo foi retirado do romance O Guarani. Leia-o com atenção e responda às

questões 11 a 14.

“O índio, antes de partir, circulou a alguma distância o lugar onde se achava Cecília, de uma corda de pequenas fogueiras feitas de louro, de canela, urataí e outras árvores aromáticas. Desta maneira tornava aquele retiro impenetrável; o rio de um lado, e do outro as chamas que afugentariam os animais daninhos, e, sobretudo os répteis; o fumo odorífero que se escapava das fogueiras afastaria até mesmo os insetos. Peri não sofreria que uma vespa e uma mosca sequer ofendesse a cútis de sua senhora, e sugasse uma gota desse sangue precioso; por isso tomaratodas essas precauções.”

 11.FEI-SP O Guarani foi publicado em 1857 e na época gerou uma grande repercussão. O

autor desse romance é:

a) Machado de Assis.                                            d) Álvares de Azevedo.

b) José Lins do Rego.                                             e) José de Alencar.

c) Gonçalves Dias.

 12.FEI-SP Sobre o romance, é possível afirmar que:

a) projeta um futuro trágico para o Brasil.

b) aponta para um tempo em que os indígenas recuperarão o território brasileiro e expulsarão os brancos e negros.

c) defende a união entre negros e índios contra os colonizadores portugueses.

d) reconstitui acontecimentos históricos verídicos do período inicial da colonização do Brasil.

e) pretende narrar a fundação de uma nova nação a partir da miscigenação entre brancos e indígenas.

13.FEI-SP A propósito do trecho transcrito, é correto afirmar que:

I.A descrição do amor que Peri nutre por Ceci visa a criar uma imagem idealizada do

índio brasileiro.

II.O trecho descreve os conflitos entre o homem branco e o negro.

III. O autor pretende demonstrar a inferioridade do indígena brasileiro frente ao colonizador europeu.

a) somente I está correta.                                     d) I e III estão corretas.

b) somente III está correta.                                     e) II e III estão corretas.

c) I e II estão corretas.

 14.FEI-SP Em O Guarani, o autor procura valorizar as origens do povo brasileiro e transformar certos personagens em heróis, com traços do caráter do “bom selvagem”: pureza, valentia e brio. Essa tendência é típica do:

a) romance urbano.                                                         d) romance regionalista.

b) romance indianista.                                               e) poemas épicos.

c) poemas históricos.

15.O romance O Guarani, de José de Alencar, tendo como protagonista Peri e Cecília, encerra-se comum belo e enigmático epílogo que evidencia a ação do homem face às forças da natureza. Tal ação é caracterizada pelo autor como “um espetáculo grandioso, uma sublime loucura” indique a alternativa que comprova essa afirmação.

a)Era um vasto deserto de água e céu e Peri, alucinado, lançou-se nas águas para salvar Cecília que era arrastada pela correnteza.

b) A inundação crescia sempre e Peri, apesar do esforço, sucumbiu ao ímpeto da tormenta.

c) O rio, estorcendo-se em convulsões, saltou um gemido profundo e cavernoso; Peri e Cecília apenas contemplava a fúria da natureza.

d) A inundação abria a fauce enorme para traga-los. Peri com esforço desesperado arranca a palmeira, cuja cúpula, resvalando sobre as águas, levou os amigos para a linha do horizonte.

e) Tudo era água e céu e os dois amigos pediam ao céu para ambos uma só morte, pois uma só era a sua vida

 16.UFRS Leia as afirmações abaixo sobre os romances O Guarani e Iracema, de José de Alencar.

I.Em O Guarani, tanto a casa de Mariz, representante dos valores lusitanos, quanto os Aimorés, que retratam o lado negativo da terra americana, são destruídos.

II.Em Iracema, a guardiã do “segredo da jurema” abandona sua tribo para seguir Martim,o homem branco por quem se apaixonara.

III. Em O Guarani e Iracema, as personagens indígenas – Peri e Iracema – morrem em circunstâncias trágicas, na certeza de que serão vingadas.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.               b) Apenas II.            c) Apenas I e II.        d) Apenas II e III.   17.  e) I, II e III.

17.(FUVEST) Ao final da narrativa, Ceci decide permanecer na selva com Peri: “— Peri não pode viver junto de sua irmã na cidade dos brancos, sua irmã fica com ele no deserto, no meio da floresta.” A decisão de Ceci traduz:

a) a supremacia da cultura indígena sobre a branca europeia.
b) a capacidade de renúncia da mulher que, por amor, submete-se a intensos sacrifícios.
e) a impossibilidade de Peri habitar a cidade, entre os civilizados.
d) o entrelaçamento da civilização branca europeia e da cultura natural indígena.
e) o reconhecimento de que o ambiente natural é o espaço perfeito para a realização amorosa.

18.Os trechos selecionados abaixo, de “O Guarani”, de José de Alencar, relacionam-se a algumas das personagens do romance, listadas na sequência. Identifique a relação, colocando nos parênteses o número correspondente à personagem cujas características aparecem no respectivo trecho.

( ) “Homem de valor, experimentado na guerra, ativo, afeito a combater os índios, prestou grandes serviços nas descobertas e explorações do interior de Minas e Espírito Santo. Em recompensa do seu merecimento, o governador Mem de Sá lhe havia dado uma sesmaria de uma légua com fundo sobre o sertão, […]”

( ) “No pequeno jardim da casa do Paquequer, uma linda moça se embalançava indolentemente numa rede de palha presa aos ramos de uma acácia silvestre, […] Os grandes olhos azuis, meio cerrados, às vezes se abriam languidamente como para se embeberem de luz, e abaixavam de novo as pálpebras rosadas. […] Os longos cabelos louros, enrolados negligentemente em ricas tranças, descobriam a fronte alva, […]”

( ) “[…] a portinha interior do jardim abriu-se, e outra moça, roçando apenas a grama com o seu passo ligeiro, aproximou-se […] era o tipo brasileiro em toda a sua graça e formosura, com o encantador contraste de languidez e malícia, de indolência e vivacidade. Os olhos grandes e negros, o rosto moreno e rosado, cabelos pretos, lábios desdenhosos, sorriso provocador, […]”

( ) “Nessa noite, […] ia dar um passo que, na sua habitual timidez, ele comparava quase com um pedido formal de casamento; tinha resolvido fazer a moça aceitar, malgrado seu, o mimo que recusara, deitando-o na sua janela; esperava que, encontrando-o no dia seguinte, Cecília lhe perdoaria o seu ardimento, e conservaria a sua prenda.”

( ) “Nessa muda contemplação, […] esqueceu tudo. Que lhe importava o precipício que se abria a seus pés para tragá-lo ao menor movimento, e sobre o qual planava num ramo fraco que vergava e se podia partir a todo o instante! Era feliz: tinha visto sua senhora; ela estava alegre, contente e satisfeita; podia ir dormir e repousar.”

1 – Aires Gomes    2 – Álvaro      3 – Antônio de Mariz    4 – Cecília   5 – Diogo de Mariz

6 – Isabel           7 – Lauriana        8 – Loredano         9 – Peri

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: Resposta a

a) 3 – 4 – 6 – 2 – 9.                                                       d) 1 – 6 – 7 – 5 – 8.

b) 3 – 6 – 7 – 5 – 9.                                                           e) 1 – 4 – 7 – 8 – 2.                    

  c) 5 – 7 – 6 – 2 – 8.

19.Unioeste-PR Com respeito à leitura de O Guarani, assinale a(s) alternativa(s) procedente(s).

  1. O tom confidencial da narrativa, focalizado em primeira pessoa, reforça a grandeza

do índio Peri.

  1. A natureza age como mediadora: o óleo da cabuíba, como um bálsamo poderoso,

salva Peri da morte.

  1. A descrição que o narrador faz de Álvaro (cap. III – “A Bandeira”) é representativa

da tese de Rousseau sobre a bondade natural do selvagem.

  1. O brasão escondido de Loredano e sua devoção a Dom Antônio de Mariz são exemplos

da presença do medievalismo na literatura romântica.

  1. A apresentação que o narrador faz do rio Paquequer registra um típico processo de

animização, incorporado a uma atmosfera metaforicamente medieval.

  1. A ação do romance, em termos históricos, transcorre no século XVII, apesar do

autor ter escrito a obra na segunda metade do século XIX.

  1. A elevação de sentimentos e nobreza de caracteres, em oposição à vilania e à maldade, é ilustrada através da oposição entre Cecília e Isabel, no cap. V, intitulado “Loura e Morena”.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas. 50

 Instrução: Para responder às questões 20 e 21, ler o texto que segue.

“(…) florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias

de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras.

Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa. No ano da graça de 1604, o lugar que acabamos de descrever estava deserto e inculto; a cidade do Rio de Janeiro tinha-se fundado havia menos de meio século, e a civilização não tivera tempo de penetrar o interior.

Entretanto, via-se à margem direta do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique. (…) A habitação

(…) pertencia a D. Antônio de Mariz, fidalgo português cota d’armas e um dos fundadores da cidade do Rio de Janeiro.”

 20.PUC-RS O Brasil português revela-se no trecho da obra ……………, de José de Alencar,

através da fundação daquela que se tornaria a sua capital. A personagem referida, ……………

de Cecília, que é a protagonista da obra, …………… o poder e a audácia dos novos habitantes.

a) O Guarani – irmão – mitifica                            d) Iracema – tutor – critica

b) O Guarani – pai – representa                        e) Iracema – tio – retrata

c) Ubirajara – progenitor – rejeita

21.PUC-RS A obra em questão …………… o passado histórico por meio de uma visão

…………… da ideologia dominante, como se pode observar, por exemplo, em relação ao

processo de …………… à cultura europeizada por que passa Peri.

a) rejeita – pessimista – adaptação                    d) redimensiona – inovadora – rejeição

b) enaltece – ufanista – conformação                    e) idealiza – conservadora – rejeição

c) recupera – comprometida – adaptação

Para responder às questões 22 e 23, leia, atentamente, o texto abaixo.

Texto I

Amor

AS CORTINAS DA JANELA cerraram-se; Cecília tinha-se deitado. Junto da inocente menina, adormecida na isenção de sua alma pura e virgem, velavam três sentimentos profundos, palpitavam três corações bem diferentes.

Em Loredano, o aventureiro de baixa extração, esse sentimento era um desejo ardente, uma sede de gozo, uma febre que lhe requeimava o sangue; o instinto brutal dessa natureza vigorosa era ainda aumentado pela impossibilidade moral que a sua condição criava, pela barreira que se elevava entre ele, pobre colono, e a filha de D. Antônio de Mariz, rico fidalgo de solar e brasão.

Para destruir esta barreira e igualar as posições, seria necessário um acontecimento extraordinário, um fato que alterasse completamente as leis da sociedade naquele tempo mais rigorosas do que hoje; era precisa uma dessas situações à face das quais os indivíduos, qualquer que seja a sua hierarquia, nobres e párias, nivelam-se; e descem ou sobem à condição de homens.

O aventureiro compreendia isto; talvez que o seu espírito italiano já tivesse sondado o alcance dessa ideia; em todo o caso o que afirmamos é que ele esperava, e esperando vigiava o seu tesouro com um zelo e uma constância a toda a prova; os vinte dias que passara no Rio de Janeiro tinham sido verdadeiro suplício.

Em Álvaro, cavalheiro delicado e cortês, o sentimento era uma afeição nobre e pura, cheia da graciosa timidez que perfuma as primeiras flores do coração, e do entusiasmo cavalheiresco que tanta poesia dava aos amores daquele tempo de crença e lealdade.

Sentir-se perto de Cecília, vê-la e trocar alguma palavra a custo balbuciada, corarem ambos sem saberem por quê, e fugirem desejando encontrar-se, era toda a história desse afeto inocente, que se entregava descuidosamente ao futuro, librando-se nas asas da esperança.

Nessa noite Álvaro ia dar um passo que na sua habitual timidez, ele comparava quase com um pedido formal de casamento; tinha resolvido fazer a moça aceitar malgrado seu o mimo que recusara, deitando-o na sua janela; esperava que encontrando-o no dia seguinte, Cecília lhe perdoaria o seu ardimento, e conservaria a sua prenda.

Em Peri o sentimento era um culto, espécie de idolatria fanática, na qual não entrava um só pensamento de egoísmo; amava Cecília não para sentir um prazer ou ter uma satisfação, mas para dedicar-se inteiramente a ela, para cumprir o menor dos seus desejos, para evitar que a moça tivesse um pensamento que não fosse imediatamente uma realidade.

Ao contrário dos outros ele não estava ali, nem por um ciúme inquieto, nem por uma esperança risonha; arrostava a morte unicamente para ver se Cecília estava contente, feliz e alegre; se não desejava alguma coisa que ele adivinharia no seu rosto, e iria buscar nessa mesma noite, nesse mesmo instante.

Assim o amor se transformava tão completamente nessas organizações, que apresentava três sentimentos bem distintos: um era uma loucura, o outro uma paixão, o último uma religião.” ALENCAR, José de. O Guarani. São Paulo: FTD, 1999, p. 78-79.

22.(UFPB) No texto “Amor”, extraído do romance O Guarani, o narrador, ao descrever o personagem Loredano, chama a atenção para a necessidade de um “acontecimento extraordinário” que pudesse alterar as “leis da sociedade” e permitir ao colono transpor determinadas barreiras sociais e morais. A partir da leitura integral desse romance, é correto afirmar que esse acontecimento extraordinário se relaciona à (ao)

a) Morte de Álvaro, único que obedecia ao código de honra imposto por D. Antônio de Mariz.

b) Revelação sobre o passado religioso de Loredano.

c) Enriquecimento de Loredano que poderia passar da condição de pobre colono à de proprietário de terras.

d) Volta de Peri para a sua tribo, deixando desprotegida a família de D. Antônio de Mariz.

e) Cerco dos Aimorés à casa de D. Antônio de Mariz e à revolta dos colonos.

23.(UFPB) Em relação à caracterização de Álvaro, o narrador

a) Imita-se aos aspectos físicos, descrevendo-o como um nobre.

b) Realça traços patológicos e instintivos próprios do homem daquela época.

c) Traça um perfil do personagem evidenciando, de forma idealizada, seus sentimentos e atitudes.

d) Evidencia determinadas atitudes do persona­gem, associando-as a condicionamentos biológicos.

e) Penetra no inconsciente do personagem, revelando o caráter ambíguo de sua personalidade.

24.I.”… o recebia cordialmente e o tratava como amigo; seu caráter nobre simpatizava com aquela natureza inculta.”

lI. “Em…, o índio fizera a mesma impressão que lhe causava sempre a presença de um homem daquela cor; lembrara-se de sua mãe infeliz, da raça de que provinha.”

III. “Quanto a …, via em Peri um cão fiel que tinha um momento prestado um serviço à família, e a quem se pagava com um naco de pão.” Nestes excertos, registram-se as reações de três personagens de “O Guarani” à presença de Peri, quando este começa a frequentar a casa de D. Antônio de Mariz. Apenas seus nomes foram omitidos. Mantida a ordem da sequência, essas três personagens são:

a) D. Antônio; Cecília; Isabel.                      d) Álvaro; Isabel; Cecília.

b) D. Antônio; Isabel; D. Lauriana.          e) D. Diogo; Cecília; D. Lauriana.

c) D. Diogo; Isabel; Cecília.

25.O romance O Guarani, de José de Alencar, publicado em 1857, é um marco da ficção romântica brasileira. Dentre as características mais evidentes do projeto romântico que sustentam a construção dessa obra, destacam-se:

I.a figura do protagonista, o índio Peri, que é um típico herói romântico, tanto pela sua força física como pelo seu caráter;

II.o amor do índio Peri por Cecília, uma moça branca, sendo que esse amor segue o modelo medieval do amor cortês;

III.o fato de o livro ser ambientado na época da colonização do Brasil pelos portugueses, dada a predileção dos românticos por narrativas históricas;

IV.o final do livro marca o retorno a um passado mítico, pois Peri e Cecília simbolicamente regressam à época do dilúvio.

Então corretas:

a) I e II.                b) I, II e III                   c) I, II e IV.            d) I, III e IV.             e) todas.

16.(FUVEST) A oposição Natureza / Cultura é o eixo mais importante de sustentação da narrativa e de caracterização de personagens de O guarani, de José de Alencar. A partir dessa oposição, podem-se determinar várias relações antitéticas, de acordo com o ponto de observação adotado.

Assinale a alternativa em que essa oposição não se expressa:

a) Peri e os demais índios aimorés representam o homem em seu estado natural, enquanto D. Antônio de Mariz e os aventureiros representam a cultura própria da civilização europeia.

b) Peri em si mesmo simboliza a oposição Natureza / Cultura, pois é o indígena livre que transita com adequação e elegância entre os brancos europeus.

c) Índios aimorés contrapõem-se pela violência antropofágica ao mundo organizado pelas leis cavalheirescas que definem as relações entre D. Antônio de Mariz e os aventureiros.

d) A fortificação de muralhas de pedras que caracteriza a casa da família Mariz é símbolo de contraste entre a exuberante paisagem natural e a arquitetura do homem branco colonizador.

e) Álvaro, espécie de cavaleiro medieval, lembra a honra e lealdade determinada pelas relações culturais do branco europeu e Loredano, vilão da narrativa, simboliza a insubordinação, deslealdade e ambição que se alastram num espaço primitivo, selvagem, do tempo da colonização brasileira.

TEXTO I

“O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza, sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita; não há ali nada grandioso nem sublime, mas há uma como simetria de cores, de sons, de disposição em tudo quanto se vê e se sente, que não parece senão que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali, reinar ali um reinado de amor e benevolência. (…) Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem habitou com a sua inocência e com a virgindade do seu coração. À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. (…) Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meio aberta de uma habitação antiga, mas não dilapidada – (…) A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício, que todavia mal se vê…” (Almeida Garrett, “Viagens na minha terra”.)

TEXTO II:

“Depois, fatigado do esforço supremo, [o rio] se estende sobre a terra, e adormece numa linda bacia que a natureza formou, e onde o recebe como um leito de noiva, sob as cortinas de trepadeiras e flores agrestes. A vegetação nessas paragens ostentava outrora todo o seu luxo e vigor; florestas virgens se estendiam ao longo das margens do rio, que corria no meio das arcarias de verdura e dos capitéis formados pelos leques das palmeiras. Tudo era grande e pomposo no cenário que a natureza, sublime artista, tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos, em que o homem é apenas um simples comparsa.(…) Entretanto, via-se à margem direita do rio uma casa larga e espaçosa, construída sobre uma eminência e protegida de todos os lados por uma muralha de rocha cortada a pique.” (José de Alencar, “O guarani”.)

26. Lendo-se atentamente os textos I (de Almeida Garrett) e II (de José de Alencar), percebe-se que ambos os narradores se identificam quanto à atitude de admiração e louvor à natureza contemplada. Entretanto, verifica-se também, entre os dois, uma diferença profunda e marcante no seu ato contemplativo, quanto aos valores atribuídos a essa natureza. Essa diferença é marcada: 

a) pela existência da vegetação.

b) pela avaliação da magnitude e da beleza do cenário.

c) pela inclusão, na paisagem natural, da habitação humana.

d) pelo predomínio das referências ao mundo vegetal

e) pela explicitação da perda do paraíso terrestre.

27.(FUVEST) Leia o trecho de O guarani, de José de Alencar para responder ao teste:

“Álvaro fitou no índio um olhar admirado. Onde é que este selvagem sem cultura aprendera a poesia simples, mas graciosa; onde bebera a delicadeza de sensibilidade que dificilmente se encontra num coração gasto pelo atrito da sociedade?
A cena que se desenrolava a seus olhos respondeu-lhe; a natureza brasileira, tão rica e brilhante, era a imagem que produzia aquele espírito virgem, como o espelho das águas reflete o azul do céu.”
Em relação ao trecho, pode-se afirmar que:

a) nele se adota uma das principais teses naturalistas, pelo fato de se atribuir à terra a determinação do caráter de seus habitantes primitivos.
b) representa o reconhecimento de características inatas dos indígenas, as quais não se verificavam em habitantes das cidades civilizadas da Europa.
c) a inautenticidade com que se apresenta o índio brasileiro revela um ângulo de observação que combina com o desejo de enaltecimento das raízes da pátria.
d) faz parte da primeira obra da literatura brasileira que manifesta interesse em traduzir e explicar a realidade da vida indígena.
e) a idealização do selvagem está diretamente associada às fantasias egocêntricas românticas e, portanto, não pode ser entendida como expressão de um caráter genérico, nacional.

28.Os epílogos dos romances “Iracema” e “O Guarani” de José de Alencar e o fragmento de “Maíra” de Darcy Ribeiro (autores identificados com a temática de fundação do nacional – séculos XIX e XX) podem ser considerados metáforas para a compreensão de nossa origem.

‘Era sempre com emoção que o esposo de Iracema revia as plagas, onde fora tão feliz e as verdes folhas a cuja sombra dormia a formosa tabajara.

Muitas vezes ia sentar-se naquelas doces areias, para cismar e acalentar no peito a agra saudade.  A jandaia cantava ainda no olho do coqueiro; mas não repetia já o mavioso nome de Iracema. Tudo passa sobre a terra. José de Alencar. “Iracema”.

O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face. Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos rubores e lânguidos sorrisos: os lábios abriram como as asas purpúreas de um beijo soltando o voo. A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia… E sumiu-se no horizonte…José de Alencar. “O Guarani”.

Afinal, tudo está claro. Na verdade apenas representei e ainda represento aqui um papel, segundo aprendi. Não sou, nunca fui nem serei jamais Isaías. A única palavra de Deus que sairá de mim, queimando a minha boca, é que eu sou Avá, o tuxauarã, e que só me devo a minha gente Jaguar da minha nação Mairum. Darcy Ribeiro. 

Pela leitura desses fragmentos constata-se que os textos de José de Alencar e Darcy Ribeiro traduzem, sob pontos de vista diferentes:

a) a afirmação de uma etnia brasileira advinda da existência cordial entre as duas culturas;

b) a efetiva resistência da cultura indígena em se submeter à cultura europeia;

c) o surgimento do mito fundador da miscigenação das duas culturas, pela morte dos protagonistas;

d) a impossibilidade de enunciar a plena harmonização entre as culturas europeia e indígena;

e) a inauguração do mito fundador da nacionalidade brasileira através da miscigenação.

29.”Dom Antônio de Mariz, homem de valor, experimentado na guerra, ativo, afeito a combater os índios, prestou grandes serviços nas descobertas e explorações do interior de Minas e Espírito Santo. Em recompensa do seu merecimento, o governador Mem de Sá lhe havia dado uma sesmaria de uma légua com fundo sobre o sertão.” Na passagem de “O guarani”, destacam-se aspectos encontrados na ficção de José de Alencar. A respeito disso, leia as proposições.

I. Nos romances nativistas, o selo da nobreza é dado pela força do sangue, o que tanto vale para os índios como para a estirpe do colonizador branco.

II. Para dar força ao herói, Alencar costuma aproximá-lo da vida da natureza, prática que dialoga com as próprias raízes dos valores românticos.

III. Ao pintar portugueses como heróis e índios como vilões, Alencar tem em conta agradar o Marquês de Pombal e sua política antiindianista.

Está(ão) correta(s)

a) apenas II.            b) apenas I e II.                c) apenas III.         d) apenas I e III.    e) I, II e III.

30.(FUVEST) Leia o fragmento da obra O Guarani, de José de Alencar para responder ao teste.  

“De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio de água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciais que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.
É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em vasto leito. Dir-se-ia que vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde, então, a beleza selvática; suas ondas resvalam sobre elas: escravo submisso, sofre o látego do senhor.”

Considere as afirmações abaixo e assinale alternativa correta:
I. O texto é predominantemente descritivo e carregado de recursos de linguagem poética. Um exemplo é a prosopopeia “curva-se humildemente aos pés do suserano”.
II. O narrador mostra a relação entre os rios Paraíba e Paquequer a partir de uma analogia com o mundo feudal, na qual o primeiro surge como “rei das águas” e o segundo, como “vassalo”.
III. No modo de qualificar a paisagem, há uma forte conotação de hierarquia.
a) Estão corretas todas as afirmações.
b) Estão corretas as afirmações I e II.
c) Estão corretas somente as afirmações I e III.
 d) Estão corretas somente as afirmações I, II e III.
e) Está correta somente a afirmação II

31.O guarani apresenta-nos o herói Peri. Comparando-o a Iracema, heroína do romance homônimo, podemos afirmar que:

a)ambas as obras foram escritas por José de Alencar e podem ser classificadas como regionalistas.

b)narram de maneira épica, numa prosa recheada de sonoridade, o heroico esforço dos indígenas em resistir ao invasor português.

c)Peri e Iracema são heróis típicos da segunda geração romântica.

d)Constroem, de maneira alegórica, o mito de surgimento do povo brasileiro, pelo miscigenação entre o invasor branco e o indígena nativo.

e)ambas as obras foram produzidas em um português puro, livre de expressões ou palavras tomadas emprestadas de outros idiomas, mostrando o esforço de José de Alencar em manter a pureza do idioma camoniano.

 

 

Mandamentos da Crase

crase

1.Locução adverbial feminina = manda crase, meu irmão!

2. Sendo à moda de, claro, a crase irá vencer.

3. Palavra determinada a crase está liberada.

4. Quando se tratar de hora, crase sem demora.

5. Diante de numeral cardinal, crase passa mal.

6. Diante de pronome, crase passa forme,

7. Diante de masculino, crase é pepino.

8. Palavras repetidas, crase é proibida.

9.Relacionado à cidade, à país ou ao estado: VOU A, VOLTO DE, crase pra quê?

10. Relacionado à cidade, à país ou ao estado: VOU A, VOLTO DA, crase há.

11. A + aquela, aquilo aquele, crase nele.

12. Diante de cidade determinada a crase não deve ser adiada.

13. Diante de cidade sem determinação a crase é ilusão.

Primeiros Cantos

PRIMEIROS CANTOS

DEPRECAÇÃO

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
Os homens que o raio manejam cruentos,
Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.

E a terra em que pisam, e os campos e os rios
Que assaltam, são nossos; tu és nosso Deus:
Por que lhes concedes tão alta pujança,
Se os raios de morte, que vibram, são teus?

Tupã, ó Deus grande! cobriste o teu rosto
Com denso velame de penas gentis;
E jazem teus filhos clamando vingança
Dos bens que lhes deste da perda infeliz.
(Gonçalves Dias)

A QUESTÃO DO ÍNDIO

“Calcula-se que na época do seu descobrimento o Brasil abrigava mais de 3 milhões de índios. Hoje, passamos quase 5 séculos desse fato, os descendentes dos primeiros habitantes do Brasil não totalizam nem 30 mil pessoas. (…)
Contudo, mais espantosa do que a situação revelada por esses dados é a forma arbitrária como, ao longo da nossa História, os índios vêm sendo tratados.”
(Viagem pela Geografia – Editora Ática)

1 – Leia com atenção os textos, em seguida, retire duas passagens (uma de cada texto) que apresentem uma equivalência semântica.

2 – Explique, sucintamente, essa equivalência.

1 – Passagem: “E a terra em que pisam, e os campos e os rios/ Que assaltam, são nossos … “ou “Dos bens que lhes deste da perda infeliz.”
Passagem: “… é a forma arbitrária como, ao longo da nossa História, os índios vêm sendo tratados.”


2 – Na sua sede de conquista, o homem branco não respeita os direitos dos índios.

3.(UFMA-MA) Leia o poema Canção do d(e) exílio de Nauro Machado e os fragmentos do poema Canção do exílio de Gonçalves Dias e explique até que ponto o poema de Nauro Machado confirma ou nega a imagem da terra natal construída por Gonçalves Dias.

Texto I

Canção do d(e) exílio

“Não permita Deus que eu morra
nesta terra em que nasci:
que a distância me socorra
e com turbinas me corra
de quem minha nunca cri.

De quem, minha, foi madrasta
desde o início ao anoitecer,
e que como gosma emplastra
o infinito que desastra
meu desespero de ser!

Nosso céu tem mais estrelas,
nossos bosques têm mais vida.
Mas, somente a merecê-las,
se abram os olhos que, ao vê-las,
têm a córnea pervertida.

Nosso céu tem mais primores
quando o crepúsculo baixa:
são os mendigos e as suas dores
carregadas nos andores
como defuntos em caixa.

Onde cantou o sabiá,
cantou outrora a cotovia.
E hoje canta, em outro ar,
nenhuma ave, que as não há
nesta terra, morto o dia.”

Texto II

Canção do exílio

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”

Enquanto o poema de Gonçalves Dias revela saudade de sua pátria e desejo de revê-la, o poema de Nauro Machado mostra um profundo descontentamento diante de seu país, acompanhado de um grande desejo de deixá-lo (“que a distância me socorra/e com turbinas me corra/de quem minha nunca cri”). Quanto à descrição da terra natal também há diferenças: Gonçalves Dias exalta as belezas naturais brasileiras, já Nauro Machado lança um olhar crítico sobre seu país, ocupando-se em mostrar a pobreza e a miséria que o assolam (“Nosso céu tem mais primores/quando o crepúsculo baixa:/são os mendigos e as suas dores/carregadas nos andores/como defuntos em caixa”).

 4.(UFRJ) Leia os Fragmentos dos poemas O canto do Piaga e Deprecação, de Gonçalves Dias, e responda ao que se pede:

O canto do Piaga (fragmentos)

“Oh! quem foi das entranhas das águas,
O marinho arcabouço arrancar?
Nossas terras demanda, fareja…
Esse momento… — o que vem cá buscar?

Não sabeis o que o monstro procura?
Não sabeis a que vem, o que quer?
Vem matar vossos bravos guerreiros,
Vem roubar-vos a filha, a mulher!

Vem trazer-vos crueza, impiedade —
Dons cruéis do cruel Anhangá;
Vem quebrar-vos a maçã valente,
Profanar Manitôs, Maracás.

Vem trazer-vos algemas pesadas,
Com que a tribu Tupi vai gemer;
Hão-de os velhos servirem de escravos
Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!

Fugireis procurando um asilo,
Triste asilo por ínvio sertão;
Anhangá de prazer há de rir-se,
Vendo os vossos quão poucos serão.

Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,
Susta as iras do fero Anhangá.
Manitôs já fugiram da Taba,
Ó desgraça! ó ruína! ó Tupá!”

 Deprecação (fragmentos)

“Tupã, ó Deus grande! teu rosto descobre:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já restam bem poucos dos teus, qu’ inda possam
Teus filhos que choram tão grande mudança.

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe
Os homens que o raio manejam cruentos,
Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, voraces, sedentos.

Tupã, ó Deus grande! descobre o teu rosto:
Bastante sofremos com tua vingança!
Já lágrimas tristes choraram teus filhos,
Teus filhos que choram tão grande tardança.

Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,
Que eu vi combatendo no albor da manhã;
Conheçam-te os feros, confessem vencidos
Que és grande e te vingas, qu’ és Deus, ó Tupã!”

Nesses poemas, Gonçalves Dias constrói um retrato anticonvencional do índio brasileiro, se considerados os parâmetros românticos típicos de idealização indígena, principalmente a configuração cavalheiresca medieval do índio. Ao assumir o ponto de vista do nativo, que visão do projeto colonizador europeu a voz poética apresenta?

A voz poética vê o projeto do colonizador com tristeza, rancor e desesperança. Anuncia a escravização e a exploração dos guerreiros e mulheres e apela ao perdão e à força de Tupã para que não padeçam

5.UFRS Leia as estrofes seguintes, extraídas do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias.

“Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

(…)

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.”

Em relação à Canção do Exílio é correto afirmar que:

a) exalta a natureza brasileira em sua fauna e sua flora, destacando-se pela temática regionalista;

b) se trata de um soneto clássico que celebrizou o poeta como um dos mais importantes do Romantismo brasileiro;

c) é um canto de amor à pátria e teve alguns dos seus versos incorporados à letra do Hino Nacional;

d) as estrelas e as flores, referidas na segunda estrofe, simbolizam a falta de preocupação com os problemas do período colonial;

e) os versos da última estrofe acentuam o sentimento do exílio e expressam o desejo do poeta de morrer em Portugal.

6.(UFPE)

“Minha terra tem palmeiras
onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam
não gorjeiam como lá”

Do poema Canção do Exílio, do romântico Gonçalves Dias, resultou uma série de paráfrases e paródias de poemas que cantam as saudades da terra. Uma delas foi a de Chico Buarque, da qual se apresenta um fragmento a seguir:

Sabiá

“Vou voltar ainda vou voltar para meu lugar
E é ainda que eu hei de ouvir cantar uma sabiá…
Vou deitar á sombra de uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá…”

Considerando as semelhanças e diferenças entre os dois poemas, assinale a alternativa incorreta.

a) O primeiro poema, representando o Romantismo, apresenta uma visão otimista da pujança da natureza brasileira, enquanto o segundo, representando o Modernismo, atualiza criticamente o dito e expressa a consciência pessimista das carências e da destruição da natureza na terra natal.

b) Gonçalves Dias descreve a sua terra com formas verbais no tempo presente; Chico Buarque o faz numa tensão entre o futuro e o presente, que se mostra negativo.

c) Em ambos os poemas, o advérbio refere-se a um lugar de que estão distantes as vozes eu poético.

d) A musicalidade dos versos, a rima, a métrica o sentimento de perda que compõem a poesia saudosista do Romantismo são retomados nos versos de Chico Buarque.

e) Assim como o texto atual, os versos do poeta maranhense fazem apologia da infância, dos amores vividos e das belezas naturais de seu país, preservadas pela ação dos nativos.

Texto para as questões 07 e 08

(PUC-RS)

Para responder à questão, ler o texto que segue.

Canção do Exílio

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que eu desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”

7.Para responder à questão, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.

I.Através do texto, o poeta realiza uma viagem introspectiva a sua terra natal ideia reforçada pelo emprego do verbo “cismar”.

II.A exaltação à pátria perdida se dá pela referência a elementos culturais.

III. “Cá” e “lá” expressam o local do exílio e o Brasil, respectivamente.

IV.O pessimismo do poeta, característica determinante do Romantismo, expressa-se pela saudade da sua terra.

Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas

a) a I e a II, apenas.                                       d) a I e a III, apenas.

b) a II e a IV, apenas.                                     e) a III e a IV, apenas.

c) a I, a II, a III e a IV.

8.O poema em questão foi revisto pelo ___________________, por meio de releituras que _______________________  sua forma e sua concepção ________________ de nação.

a)parnasianos – refutam – romântica.                  d ) simbolistas – reforçam – crítica

b) simbolistas – enaltecem – idealista                    e) modernistas – exaltam – impressionista

c) modernistas – satirizam – idealista

9.(Mackenzie-SP) Assinale a alternativa incorreta a respeito de Fagundes Varela.

a)é um poeta de transição entre a segunda e terceira geração.

b) Cantos Meridionais são poesias de cunho lírico, associados aos panoramas tropicais.

c) Cântico do Calvário é uma elegia escrita em memória do filho.

d) A religiosidade é um tema presente em parte de sua obra.

e) É uma poesia indianista que atinge o ponto mais elevado de sua produção poética.

10.(Unifap)

Leia os textos a seguir:

Seus olhos

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrela incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta
De noite cantando, — mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.”                                 Gonçalves Dias

Índia

Índia seus cabelos nos ombros caídos
negros como a noite que não tem luar
seus lábios de rosa para mim sorrindo
e a doce meiguice desse seu olhar
Índia da pele morena, sua boca pequena eu
quero beijar
Índia, sangue tupi, tem o cheiro da flor
Vem, que eu quero te dar
Todo meu grande amor
Quando eu for embora para bem distante
e chegar a hora de dizer adeus
Fica nos meus braços só mais um instante
deixa os meus lábios se unirem aos seus
Índia levarei saudade da felicidade que você me deu
Índia, a sua imagem
sempre comigo vai
Dentro do meu coração, flor do meu Paraguai.        A.Flores, M. O. Guerreiros e José Fortuna.

Ao confrontarmos os dois textos, é possível afirmar que

a) Somente no primeiro texto percebe-se o apego às coisas da natureza, traço que marcou a produção literária da segunda metade do século XIX.

b) Nos dois textos verifica-se a idealização da mulher, uma das características que marcou a produção romântica nacional.

c) Os dois excertos narram o lamento de uma mestiça desprezada tanto pelos índios como pelos brancos.

d) Nos dois textos percebe-se a presença do amor platônico que faz o eu-lírico sofrer.

e) Nos dois textos destaca-se a idealização do índio, aspecto importante para a estética romântica.

11.(FURG/SC) Leia o fragmento seguinte e assinale a alternativa correta:

Minha musa

“Minha musa não é como ninfa
Que se eleva das águas – gentil –
Co’um sorriso nos lábios mimosos,
Com requebros, com ar senhoril.

…………………………………………..

Não é como a de Horácio a minha Musa;
Nos soberbos alpendres dos Senhores
Não é que ela reside;
Ao banquete do grande em lauta mesa,
Onde gira o falerno em taças d’oiro,
Não é que ela reside.

Ela ama a solidão, ama o silêncio,
Ama o prado florido, a selva umbrosa,
E da rola o carpir.
Ela ama a viração da tarde amena,
O sussurro das águas, os acentos
De profundo sentir.

……………………………………….”             Gonçalves Dias

a) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros Cantos, de Gonçalves Dias, registra uma adesão à poética de inspiração clássica.

b) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros cantos, de Gonçalves Dias, revela a influência do indianismo romântico.

c) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros cantos, de Gonçalves Dias, constitui verdadeira profissão de fé romântica, pela negação dos modelos clássicos.

d) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros cantos, de Gonçalves Dias, é marcado por um sentimento místico profundo, bem ao gosto do Romantismo.

e) O fragmento transcrito, constante dos Primeiros cantos, de Gonçalves Dias, inclui-se no âmbito do saudosismo brasílico, tão presente na obra do Autor.

Canção do exílio

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”     Gonçalves Dias. Poesia. 9. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979. p. 11.

12.Sobre o poema, escrito em Coimbra, Portugal, é correto afirmar:

a) O poema retrata o sofrimento do eu lírico em função da distância da mulher amada. O termo “Sabiá”, recorrente nos versos, refere-se figurativamente ao amor feminino.

b) A utilização dos termos “cá” e “lá” atém-se principalmente à necessidade de criar rimas, mais do que ao desejo do poeta de estabelecer o contraste entre espaços distintos.

c) Para o eu lírico, estar exilado não significa necessariamente estar longe da terra, mas das suas referências de infância, fator que acentua a expressão saudosista do poema.

d) Nesse poema, é possível reconhecer uma dialética amorosa trabalhada entre o desejo sexual pela mulher e sua idealização. O desejo se configura pelo verso “Mais prazer encontro eu lá” e a idealização, pelos versos “Não permita Deus que eu morra/Sem que eu volte para lá”.

e) A ênfase na exuberância da paisagem é estruturada a partir do jogo de contrastes entre a natureza tropical e a natureza europeia. Os versos da segunda estrofe reiteram a grandiosidade paisagística brasileira, além de enfatizarem a identidade do eu lírico.

TEXTOS PARA AS QUESTÕES 13 A 18

DEPRECAÇÃO
Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto

Com denso velame de penas gentis;

E jazem teus filhos clamando vingança

Dos bens que lhes deste da perda infeliz!

Tupã, ó Deus grande! Teu rosto descobre:

Bastante sofremos com tua vingança!

Já lágrimas tristes choraram teus filhos,

Teus filhos que choram tão grande mudança.

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe

Os homens que o raio manejam cruentos,

Que vivem sem pátria, que vagam sem tino

Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.

E a terra em que pisam, e os campos e os rios

Que assaltam, são nossos; tu és nosso Deus:

Por que lhes concedes tão alta pujança,

Se os raios de morte, que vibram, são teus?

Tupã, ó Deus grande! Cobriste o teu rosto

Com denso velame de penas gentis;

E jazem teus filhos clamando vingança

Dos bens que lhes deste da perda infeliz!

Teus filhos valentes, temidos na guerra,

No albor da manhã  quão fortes que os vi!

A morte pousava nas plumas da frecha,

No gume da maça, no arco Tupi!

E hoje em que apenas a enchente do rio

Cem vezes hei visto crescer e baixar…

Já restam bem poucos dos teus, qu’inda possam

Dos seus, que já dormem, os ossos levar.

Teus filhos valentes causavam terror,

Teus filhos enchiam as bordas do mar,

As ondas coalhavam de estreitas igaras,

De frechas cobrindo os espaços do ar.

Já hoje não caçam nas matas frondosas

A corça ligeira, o trombudo quati…

A morte pousava nas plumas da frecha,

No gume da maça, no arco Tupi!

O Piaga nos disse que em breve seria,

A que nos infliges cruel punição;

E os teus inda vagam por serras, por vales,

Buscando um asilo por ínvio sertão!

Tupã, ó Deus grande! descobre teu rosto:

Bastante sofremos com tua vingança!

Já lágrimas tristes choraram teus filhos,

Teus filhos que choram tão grande tardança.

Descobre o teu rosto, ressurjam os bravos,

Que  eu vi combatendo no albor da manhã;

Conheçam-te os feros, confessem vencidos

Que és grande e te vingas, qu’és Deus, ó Tupã!

13.Chamamos de apóstrofe uma figura que consiste ao dirigir-se o orador ou escritor a uma pessoa  ou coisa real ou fictícia, interpelando-a, ou seja, dirigindo-lhe a palavra  para perguntar alguma coisa, demandando explicações. No texto a quem é feita a apóstrofe?

a) A Tupã         b) A Anhangá               c) Ao povo Tupi                     d) Ao Piaga

14.Deprecação é uma súplica, uma rogativa. No texto, ao mesmo tempo em que é feita a apóstrofe, fica registrado o motivo da súplica que é:

a) agradecimento a Tupã pelas vitórias conquistadas

b) pedido de apoio para vingar os inimigos

c) trazer boa sorte para suas plantações.

d) conseguir fartura para o povo Tupi

15.Anhangá é, segundo o léxico tupi, o gênio mau da floresta; o representante da força do mal, de acordo com a concepção indígena. Para o índio que suplica, qual mal fez Anhangá?

a) Trouxe enchentes que inundaram suas tribos

b) Eliminou as caças com as quais eles se alimentavam.

c) Permitiu a chegada de inimigos que dizimaram as tribos.

d) Tirou a valentia e coragem dos seus guerreiros.

16.Na narrativa, há situações anteriores e posteriores ao mal provocado por Anhangá. Assinale o dado que revela uma situação do presente que incomoda o índio suplicante.

a) “Teus filhos valentes… quão fortes que os vi”

b) “ …enchiam as bordas do mar”

c) “ A morte pousava nas plumas da frecha”

d) “Já restam bem poucos”

17.Piaga ou pajé era o nome dado ao responsável pela ligação da tribo com as forças divinas, exercendo as funções de sacerdote, médico, adivinho e cantor. O que o Piaga assegurou aos tupis sobre o mal que os abatia?

a) que a crise seria passageira

b) que todos sobreviveriam

c) que demoraria, mas sairiam vitoriosos

d) que nada havia para ser feito

18.Qual dos versos traz a expressão da cobiça do colonizador?

a) “Bastante sofremos com tua vingança”

b) “Teus filhos valentes, temidos na guerra”

c) “Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos”

d) “E jazem teus filhos clamando vingança”

TEXTO PARA AS QUESTÕES 19 a 26

Leito de folhas Verdes

Por que tardas, Jatir, que tanto a custo

À voz do meu amor moves teus passos?

Da noite a viração, movendo as folhas,

Já nos cimos do bosque rumoreja.

Eu sob a copa da mangueira altiva

Nosso leito gentil cobri zelosa

Com mimoso tapiz de folhas brandas,

Onde o frouxo luar brinca entre flores.

Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,

Já solta o bogari mais doce aroma!

Como prece de amor, como estas preces,

No silêncio da noite o bosque exala.

Brilha a lua no céu, brilham estrelas,

Correm perfumes no correr da brisa,

A cujo influxo mágico respira-se

Um quebranto de amor, melhor que a vida!

A flor que desabrocha ao romper d’alva

Um só giro do sol, não mais, vegeta:

Eu sou aquela flor que espero ainda

Doce raio do sol que me dê vida.

Sejam vales ou montes, lago ou terra,

Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,

Vai seguindo após ti meu pensamento;

Outro amor nunca tive; és meu, sou tua!

Meus olhos outros olhos nunca viram,

Não sentiram meus lábios outros lábios,

Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas

A arazóia na cinta me apertaram.

Do tamarindo a flor jaz entreaberta,

Já solta o bogari mais doce aroma

Também meu coração, como estas flores,

 Melhor perfume ao pé da noite exala!

Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes

À voz do meu amor, que em vão te chama!

Tupã! lá rompe o sol! Do leito inútil

A brisa da manhã sacuda as folhas!

19.A informação principal do texto é:

a) A certeza do eu-lírico a cerca do amor de Jatir e da brevidade de seu retorno.

b) A confirmação de que o amor do eu-lírico por Jatir vence distância e obstáculos.

c) O eu-lírico está a espera de seu amado sem qualquer esperança de sua chegada.

d) O retorno do amado é aguardado não só pela amada como também pela natureza.

20.Sugere que a natureza se prepara para a chegada de Jatir o verso

a) “Eu sob a copa da mangueira altiva”

b) “A arazóia na cinta me apertaram”

c) “Já solta o bogari mais doce aroma!”

d) “Um quebranto de amor, melhor que a vida!”

21.O eu-lírico do texto tem por interlocutor

a) o leitor               b) Jatir                                     c) Tupã             d) a natureza

22.Revela o elemento tempo no poema o verso

a) “Onde o frouxo luar brinca entre flores”

b) “Sejam vales ou montes, lago ou terra.”

c) “A cujo influxo mágico respira-se”

d) “Correm perfumes no correr da brisa”

23.Nos versos “Eu sou aquela flor que espero ainda/ doce raio do sol que me dê vida”, temos

a) um eufemismo     b) uma hipérbole        c) uma metáfora              d) um pleonasmo

24.Uma das passagens do poema na qual fica claro que o eu-lírico trata-se de uma mulher é:

a) “Nosso leito gentil cobri zelosa”

b) “À voz do meu amor moves teus passos?”

c) “Onde quer que tu vás, ou dia ou noite.”

d) “À voz do meu amor, que em vão te chama!”

25.Que referências no poema nos fazem concluir que o eu-lírico trata-se de uma moça indígena?

a) viração, bosque          b) leito, tamarindo           c) quebranto, brisa         d) arazóia, Tupã

26.No decorrer do poema, o eu-lírico  expressa um sentimento de

a) impaciência                 b) decepção                         c) expectativa                 d) irritação

26.“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo? À voz do meu amor moves teus passos?”, a expressão destacada da ideia de

a) causa                              b) consequência                 c) modo                                d) tempo

27.(UFMG) Em relação ao poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, é incorreto afirmar que ele pertence:

a) ao projeto nacionalista romântico;

b) à tendência romântica para a utopia;

c) à temática romântica da nostalgia;

d) à vertente romântica indianista.

28.(UNIFOR-CE)

Ó Guerreiros da taba sagrada,

Ó guerreiros da tribo Tupi,

Falam deuses nos cantos do Piaga,

Ó Guerreiros, meus cantos ouvi,

Os versos acima constituem um exemplo da poesia em que:

a)Castro Alves  exorta os cidadãos à luta abolicionista.

b) Antônio Vieira exorta os escravos à prática das virtudes cristãs.

c) Álvares de Azevedo se entrega à confissão lírica mais intimista.

d) Casimiro de Abreu explora os sentimentos nostálgicos.

e) Gonçalves Dias dá expressão a um tema caro aos nacionalistas.

 

 

 

 

 

 

Monumental 
afresco do homem

EÇA

    Para conhecedores da  biografia de Eça de Queirós(1845-1900), não será novidade ressaltar que o autor d’Os Maias, para além de uma carreira de sucesso como escritor e jornalista, foi cônsul endividado que, morto aos 55 anos na Paris de 1900, deixou uma família formada por mulher e quatro filhos em desconfortável situação financeira.

     Eça sempre gastou mais do que recebia e, nem mesmo a sua imensa contribuição feita aos jornais da época – em Portugal, na França ou no Brasil –, conseguiu aplacar sua eterna condição de devedor. Digo isso, porque considero uma ironia histórica Eça ser hoje considerado uma celebridade “comerciável”, se pensarmos na quantidade de posts que circulam nas redes sociais com frases de sua suposta autoria, nas camisetas que atendem às exigências da moda, nas rotas turísticas vendidas a partir de seu nome, na imensa  quantidade de biografias, ou de fotobiografias, enfim, na enorme máquina econômica em torno do seu nome. Se o endividado cônsul soubesse do lucro que um dia poderia ter, talvez, não tivesse maldito tanto a sua frágil condição financeira!

    Mas nem sempre um autor “citado” é autor lido, que o digam Clarice Lispector, Guimarães Rosa ou Machado de Assis, para só citar os brasileiros. No caso de Eça de Queirós a história é um pouco diferente, pois se em sua época ele foi de fato um escritor com leitores fiéis e numerosos, na atualidade, a obra do autor de Os Maias vem sendo frequentemente relida pela ficção dos séculos XX e XXI; bem como a linguagem cinematográfica e a televisiva, da Europa e da América, dirigem uma atenção especial sobre muitos dos contos e dos romances queirosianos, adaptando-os como filmes e minisséries. Estamos, de saída, diante de um autor a que se pode chamar de popular! Cabe perguntar, afinal, a que se deve tamanho feito?

      Talvez a resposta esteja guardada na aposta que fazem muitos dos atuais estudiosos do século XIX que defendem a durabilidade da época vitoriana, chegando mesmo a afirmar que a sociedade burguesa surgida durante os 800 muito pouco se diferencia daquela que a seguiu nos dois séculos vindouros. Para muitos historiadores, a fisionomia aburguesada erguida pela sociedade que floresce após a Revolução Francesa e a Primeira Revolução Industrial (século XVIII) mantém-se próxima da realidade vivida pelas sociedades capitalistas que se firmaram ao longo do século XX, e pelas neoliberais já estabelecidas na primeira década do século XXI.

     Cedo, Eça de Queirós assumiu-se como um escritor burguês, que escrevia “para” a burguesia e “sobre” a burguesia. Isso significa dizer que o ponto de vista crítico que o autor lançava sobre a sociedade de seu tempo era marcado por uma perspectiva interna, digo, “de dentro”, que lhe permitiu usar de uma lucidez rara diante de seu próprio tempo histórico.

      No auge de uma fase histórica em que muitos apostavam no futuro, acreditavam no desenvolvimento e adoravam o progresso, o autor d’Os Maias foi capaz de perceber que alguma coisa escapava da euforia técnico-científica; que alguma coisa faltava ao homem; que se, enfim, o progresso parecia ser realidade, a humanidade pouco havia conseguido melhorar. O mundo, mesmo diferente, ainda era lugar de desilusão, desesperança, injustiça e, portanto, de imensa dor.

    Assim, ao falar de seu tempo, Eça de Queirós acaba por problematizar a nossa contemporaneidade, tão burguesa como foi aquela que fez nascer suas inesquecíveis personagens. De O Crime do Padre Amaro (1875) A Cidade e as Serras (1901), uma imensa galeria de criaturas de papel foi criada e a sociedade portuguesa foi posta em discussão através de suas linhas ficcionais, o que transforma a sua obra num grande “documento” da fisionomia burguesa da qual somos herdeiros diretos. O fanatismo religioso, a instabilidade do casamento burguês, a necessidade viril de sucesso, o tédio e a desesperança do nosso modelo civilizacional são apenas alguns dos aspectos abordados por uma obra ficcional que, como poucas, desvelou a fragilidade da condição humana, ao construir personagens que pouco, ou nada, se aproximam da condição de heróis.

     Entre todas as suas narrativas, Os Maias é apontado como a obra-prima de Eça. Publicado em 1888, o livro levou quase dez anos para ser concluído, sendo objeto de revisão constante do autor a ponto de ser considerado um projeto de “proporções monumentais”, ou ainda, uma imensa “pintura a fresco”, que ele temeu não conseguir concretizar. Longe de ser o título de sua preferência, ganhou notoriedade a partir da morte de Eça e, hoje, é considerada o marco da maturidade de sua escrita. Pondo em dúvida o pretenso caráter “obediente” dos seus primeiros livros, Os Maias são antes um marco na literatura de língua portuguesa. A boa escola realista deve hoje ser compreendida pelo muito que revolucionou na forma e no conteúdo do romance da tradição oriundo, em grande parte, de um Romantismo que chegava à segunda metade do século XIX engessado por velhas fórmulas.

      Se a temática do incesto já povoava o imaginário de Eça de Queirós desde a época de O Crime do Padre Amaro, é preciso entender por que um tema tão controverso acabou por ser abordado através de um imenso volume que ultrapassa 600 páginas. Por detrás da circunstância incestuosa, o que sempre há é a família, organização social consagrada pelos valores burgueses. Assim, Os Maias, antes de ser um livro sobre o incesto, é uma obra sobre a lenta e desolada decadência de um núcleo familiar que, nascido para ser um modelo de sucesso e de prosperidade, sucumbe em 
ruína e inação. Com isso, Eça denuncia que a passagem do tempo e as promessas de modernização nem sempre são garantias de melhoramento ou de transformação efetiva.

        A história da família Maia percorre a trajetória de quatro gerações. Chama atenção que sejam personagens masculinos os eleitos pela narrativa. Da sucessão de um bisavô até a maturidade de seu bisneto, o leitor acompanha a ação a partir de uma perspectiva masculina, aliás, escolha que pode ser justificada por conta do caráter viril que marcou a estrutura social ao longo de todo século XIX. Só mesmo nos romances, as mulheres poderiam figurar como heroínas.

       Obedecendo então a uma exigência histórica e não ficcional, Eça constrói uma história de homens assinalados de perto pela marca do não trabalho. Os Maias, uma das famílias mais antigas da velha Portugal, são aqueles que estão desobrigados de ofício e das preocupações econômicas de sobrevivência. Como antigos proprietários rurais, eles vivem da exploração do trabalho alheio; nem a chegada dos novos tempos e a vitória dos valores burgueses são capazes de transformar Caetano, Afonso, Pedro ou Carlos Eduardo da Maia em homens conscientes da necessidade de trabalho.

    Se as personagens masculinas estão em maioria, há duas das grandes personagens femininas: Maria Monforte e sua filha, Maria Eduarda, encarnam – cada uma a seu modo – duas facetas que, opostas, exemplificam a inteligência, a habilidade, a força e a determinação impossíveis de serem encarnadas por algum dos personagens masculinos. Se Monforte representa a mulher mal falada, aquela sobre a qual recai toda a interdição da sexualidade e do desejo, Eduarda é construída com a memória da delicadeza e da beleza românticas que, mesmo a transformando numa heroína trágica, ainda assim é dona da inteligência, perspicácia e lucidez que foram vetadas aos demais personagens masculinos.

     Como um desenho em dobradura, a narrativa abre-se num vasto painel a fresco que recria a sociedade burguesa do 
período da Regeneração portuguesa. Estão presentes, portanto, os principais responsáveis pelos descaminhos experimentados pelo Portugal da segunda metade do século XIX. Os banqueiros aproveitadores, os políticos demagogos e corruptos, os burgueses agiotas, os novos-ricos deslumbrados e aduladores, os jornalistas sem escrúpulos, os artistas sem talentos, os estrangeiros esnobes, o clero parasitário, as beatas e viúvas fofoqueiras, as burguesas desocupadas e adúlteras, as prostitutas quase sempre espanholas, os comerciantes inescrupulosos, os estudantes de profissão, os educadores ultrapassados.

      Enfim, um conjunto social desinteressado em qualquer ação coletiva para melhoraria da pátria. Num desabafo de atualidade indubitável, Afonso da Maia defende o neto Carlos Eduardo quando este é criticado por escolher a Medicina ao Direito: “Num país em que a ocupação geral é estar doente, o maior serviço patriótico é, incontestavelmente, saber curar”.

     Por último, Os Maias discute os próprios caminhos da literatura. Com um sugestivo subtítulo de Episódios da vida romântica, o livro encena o debate entre o ideal romântico e a escola realista. Se os românticos estão representados na figura do poeta Tomás de Alencar, os realistas encontram em João da Ega – amigo de Carlos Eduardo desde o tempo de Coimbra – seu maior defensor. Inúmeros são os debates onde se enfrentam os dois nada ilustres representantes “culturais”, chegando mesmo às vias de fato, quando num jantar a discussão entre a “sensibilidade romântica” e a “verdade realista” acaba em pancadaria.

      Disso tudo sobrevive um autor capaz de transformar um livro num belíssimo quadro, ou, como queria, numa monumental pintura a fresco. Seria um livro triste não fosse o narrador conhecedor do discurso cortante da ironia e da salvadora ação do humor na transformação de tragédias em experiências  suportáveis. Aos futuros leitores de Eça de Queirós recomendo Os Maias, não só pela certeza de uma prazerosa leitura, mas pela assustadora experiência do reconhecimento. Afinal, como já disse Richard Sennett, “o século XIX ainda não terminou”.

Fonte:   Carta na Escola

Espumas Flutuantes

ESPUMAS

Adormecida

 “Uma noite, eu me lembro… Ela dormia
Numa rede encostada molemente…
Quase aberto o roupão… solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina…
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!… A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia…
Quando ela serenava… a flor beijava-a…
Quando ela ia beijar-lhe… a flor fugia…
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças…
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se…
Mas quando a via despertada a meio,
P’ra não zangá-la… sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio…
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
‘Ó flor! — tu és a virgem das campinas!’
‘Virgem! — tu és a flor da minha vida!… (Castro Alves – Espumas Flutuantes)

1.Em relação ao texto apresentado, responda às questões.

a)O que está sendo descrito metaforicamente?

Uma relação sexual.

b)Contraste tal postura do poeta com a das outras gerações românticas no que se refere à mulher.

Há um teor erótico e sensível na obra lírica de Castro Alves, aspectos praticamente ausentes nas obras de Gonçalves Dias (mulher idealizada) ou de Álvares de Azevedo ( mulher etérea).

(Unifap)

Leia os textos:

Teresa

“(…)
Não acordes tão cedo! Enquanto dormes
Eu posso dar-te beijos em segredo…
Mas, quando nos teus olhos raia a vida,
Não ouso te fitar… eu tenho medo!
Enquanto dormes, eu te sonho amante,
Irmã de seraphins, doce donzela;
Sou teu noivo… respirem em teus cabelos
E teu seio venturas me revela…
Deliro… junto a mim eu creio ouvir-te
O seio a suspirar, teu ai mais brando,
Pouso os lábios nos teus; no teu alento
Volta minha pureza suspirando!
Teu amor como o sol apura e nutre;
Exala fresquidão e doce brisa:
É uma gota do céu que aroma os lábios
E o peito regenera e suaviza.
Quanta inocência dorme ali com ela!
Anjo desta criança, me perdoa!
Estende em minha amante as asas brancas
A infância no meu beijo abandonou-a!”

Álvares da Azevedo

O ‘Adeus’ de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… e depois na sala
‘Adeus’ eu disse-lhe a tremer com a fala…
E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”
Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… era a pálida Teresa!
‘Adeus’ lhe disse conservando-a presa…
E ela entre beijos murmurou-me: ‘adeus!’
Passaram tempos… séculos de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — ‘Voltarei!’… descansa!…
Ela em soluços murmurou-me: ‘adeus!’
Quando voltei… era o palácio em festa!…
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!… ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!…
E ela arquejando murmurou-me: ‘adeus!’”Castro Alves

2.Tendo em vista o aspecto lírico-amoroso, percebe-se que tanto Álvares de Azevedo quanto Castro Alves referem-se à mulher, embora o façam de modo diferente. Em que consiste essa diferença?

No poema de Álvares de Azevedo, fruto de uma paixão platônica (não-correspondida), a figura feminina é completamente estática (“esta dormindo”), passiva e idealizada. Esta Teresa é ingênua e intocável, podendo ser possuída apenas em sonhos, ou melhor, nos delírios expressos nos versos do poeta.

No poema de Castro Alves, a mulher tem um papel mais ativo. Sua “Teresa” vivencia um amor corporalmente consumado. Não há idealização (exagerada) da figura feminina. No final, Teresa escolhe outro homem para amar, decidindo romper definitivamente sua antiga relação (o “adeus verbal” de Teresa transforma-se em adeus de fato). Essa mulher, no plano amoroso, está em igualdade de condições com o eu-lírico.

3.(Fuvest-SP) 

“Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma…
Nos seus beijos de fogo há tanta vida…
– Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.”

Nessa estrofe de Mocidade e morte, de Castro Alves, reúnem-se, como numa espécie de súmula, vários dos temas e aspectos mais característicos de sua poesia. São eles:

a) Identificação com a natureza, condoreirismo, erotismo franco, exotismo.

b) Aspiração de amor e morte, titanismo, sensualismo, exotismo.

c) Sensualismo, aspiração de absoluto, nacionalismo, orientalismo.

d) Personificação da natureza, hipérboles, sensualismo velado, exotismo.

e) Aspiração de amor e morte, condoreirismo, hipérboles, orientalismo.

4.(PUC-Campinas-SP)

“E fui… e fui… ergui-me no infinito,
Lá onde o voo d’águia não se eleva…
Abaixo – via a terra – abismo em treva!
Acima – o firmamento – abismo em luz!”

Os versos anteriores pertencem aos poemas “O voo do gênio”, do livro Espumas flutuantes. Esses versos ilustram a seguinte característica da poética de Castro Alves:

a) Ênfase emocional, apoiada nos recursos retóricos das antíteses, das hipérboles e do paralelismo rítmico-sintático.

b) Intimismo lírico, marcado pela hesitação das reticências e pelo temor do enfrentamento das adversidades.

c) Sacrifício do tom pessoal em nome de ideais históricos, representados por símbolos épicos herdados do Classicismo.

d) Emprego de paradoxos, com a intenção de satirizar a ambição de genialidade cultivada pelos ultrarromânticos.

e) Contraste entre as fortes marcas retóricas do discurso e o sentimento da melancolia, que atenua o tom declamatório.

Instrução: Para responder às questões 5 e 6, ler o texto que segue.

As Três Irmãs do Poeta

É noite! As sombras correm nebulosas.

Vão três pálidas virgens silenciosas

Através da procela irrequieta.

Vão três pálidas virgens… vão sombrias

Rindo colar um beijo as bocas frias…

Na fronte cismadora do – Poeta –

‘Saúde, irmão! Eu sou a Indiferença.

Sou eu quem te sepulta a ideia imensa,

Quem no teu nome a escuridão projeta…

Fui eu que te vesti do meu sudário…,

Que vais fazer tão triste e solitário?…’

– ‘Eu lutarei’ – responde-lhe o Poeta.

‘Saúde, meu irmão! Eu sou a Fome.

Sou eu quem o teu negro pão consome…

O teu mísero pão, mísero atleta!

Hoje, amanhã, depois… depois (qu’importa?)

Virei sempre sentar-me à tua porta…

– ‘Eu sofrerei’ – responde-lhe o Poeta.

‘Saúde, meu irmão! Eu sou a Morte.

Suspende em meio o hino augusto e forte.

Volve ao nada! Não sentes neste enleio

Teu cântico gelar-se no meu seio?!’

– ‘Eu cantarei no céu’ – diz-lhe o Poeta!” Castro Alves do livro Espumas flutuantes

Instrução: Para responder à questão 5, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.

I.Mostra a estreita convivência do poeta com a indiferença, com a fome e com a

morte.

II.Expressa a força do poeta através de sua capacidade de superar mesmo a morte.

III. Idealiza a função do poeta, uma vez que esta ultrapassa a condição humana.

IV.Pertence ao movimento literário denominado Romantismo.

 5.( PUC-RS) Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa:

a) I e II.                  b) II e III.                c) II e IV.           d) III e IV.          e) I, II, III e IV.

 6.(PUC-RS )O texto pode ser vinculado a uma tendência de expressão poética denominada:

a) subjetivismo.              b) ufanismo.                      c) nacionalismo.         d) futurismo.

7.(Cesgranrio)   Os Três Amores

“I
MINH’ALMA é como a fronte sonhadora
Do louco bardo, que Ferrara chora…
Sou Tasso!…a primavera de teus risos
De minha vida as solidões enflora…
Longe de ti eu bebo os teus perfumes,
Sigo na terra de teu passo os lumes…
— Tu és Eleonora…
II
Meu coração desmaia pensativo,
Cismando em tua rosa predileta.
Sou teu pálido amante vaporoso,
Sou teu Romeu…teu lânguido poeta!
Sonho-te às vezes virgem…seminua
Roubo-te um casto beijo à luz da lua
— E tu és Julieta…
III
Na volúpia das noites andaluzas
O sangue ardente em minhas veias rola…
Sou D. Juan!…Donzelas amorosas,
Vós conheceis-me os trenos na viola!
Sobre o leito do amor teu seio brilha…
Eu morro, se desfaço-te a mantilha…
Tu és — Júlia, a Espanhola!…”          Castro Alves

Uma das opções a seguir não caracteriza a poética de Castro Alves. Indique-a.

a) Linguagem grandiloquente, rica em hipérboles e apóstrofes.

b) Oratória adequada para temas sociais, visando ao convencimento do ouvinte/leitor.

c) Defesa de problemas sócio-políticos, como a escravidão dos negros e os ideais republicanos.

d) Manutenção do gosto ultrarromântico, quanto ao tratamento de temas, especialmente, na vertente lírico-amorosa.

e) Poesia de cunho social associada ao condoreirismo, cujo símbolo é o condor, ave que alcança grandes altitudes.

Para responder às questões 08 e 09, leia, atentamente, o poema abaixo.

O ‘Adeus’ de Teresa  

1 A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…
6 E ela, corando, murmurou-me: ‘a deus’.
Uma noite… entreabriu-se um resposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… Era a pálida Teresa!
‘Adeus’ lhe disse conservando-a presa…
12 E ela entre beijos murmurou-me: ‘adeus!’
Passaram tempos… séc’los de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
… Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — ‘Voltarei!… descansa!…’
Ela, chorando mais que uma criança,
18 Ela em soluços murmurou-me: ‘adeus!’
Quando voltei… era o palácio em festa!…
E a voz d’ Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!… Ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!…
24 E ela arquejando murmurou-me: ‘adeus!’”   ALVES, Castro. Espumas Flutuantes.

 8.(UFPB)

Em O ‘Adeus’ de Teresa, os versos 6, 12, 18 e 24

a) isolam a palavra “adeus”, modificando a seqüência lógica do poema.

b) assinalam a seqüência de atitudes de Teresa, no poema, indo da descoberta do amor à traição.

c) indicam que os sentimentos de Teresa não sofreram qualquer mudança do primeiro ao último encontro.

d) evidenciam uma mudança nos sentimentos de Teresa que, ao final, descobre o amor verdadeiro.

e) ressaltam o verdadeiro amor de Teresa, que se intensifica a cada encontro.

9.(UFPB)

Leia os seguintes fragmentos poéticos:

I.“Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!”  Castro Alves

II.“Eu vi-a e minha alma antes de vê-la
Sonhara-a linda como agora vi;
Nos puros olhos e na face bela,
Dos meus sonhos a virgem conheci.”     Casimiro de Abreu

III. “Eras a estrela transformada em virgem!
Eras um anjo, que se fez menina!
Tinhas das aves a celeste origem.
Tinhas da lua a palidez divina,
Eras a estrela transformada em virgem!”        Castro Alves

A imagem da mulher presente no poema O “Adeus” de Teresa diferencia-se da imagem expressa apenas no(s) fragmento(s)

a) I                              b) II                   c) III                d) I e II              e) II e III

10.(UFV-MG) Leia com atenção os versos do poema Boa noite, de Castro Alves:

Boa Noite

Boa noite, Maria! Eu vou-me embora,
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! É tarde… É tarde…
Não me apertes assim contra teu seio.
Boa noite!… E tu dizes: — Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos…
Mas não mo digas descobrindo o peito,
— Mar de amor onde vagam meus desejos.”

Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma leitura correta do poema.

a) A abordagem do amor em Castro Alves notabiliza-se por um sensualismo ousado que o distancia da experiência imaginária dos poetas românticos anteriores.

b) Em Boa Noite, Castro Alves destitui a mulher romântica de sua aura espiritualizante, traço que a definia sobretudo na poesia da segunda geração do Romantismo brasileiro.

c) Os versos acima inserem-se na poética lírico-amorosa do período romântico e são marcados por um forte apelo sensual.

d) O poema castroalvino reflete uma visão mais direta do corpo feminino e uma maior objetividade no relacionamento com a mulher amada.

e) O lirismo que se evidencia no texto supracitado funde-se com momentos de profunda introspecção e com as incertezas do eu-lírico diante da vida.

O poema abaixo servirá de referência às questões 11 e 12.

O coração   

O coração é o colibri dourado
Das veigas puras do jardim do céu.
Um — tem o mel da granadilha agreste,
Bebe os perfumes, que a bonina deu.
O outro — voa em mais virentes balças,
Pousa de um riso na nubente flor.
Vive do mel — a que se chama — crenças —,
Vive do aroma — que se diz — amor.” Recife, 1865. ALVES, Castro. Espumas flutuantes.

 11.(UFRN) O poema estrutura-se a partir da construção de uma metáfora nos seus dois versos iniciais. Posteriormente, desenvolve-se pela descrição romântica do colibri e do coração. O paralelo estabelecido entre um e o outro sugere

a) Harmonia — identificada na representação do espaço.

b) Desarmonia — identificada pelo descompasso do tempo.

c) Convergência — identificada no uso de redondilhas maiores.

d) Divergência — identificada pela ausência de rimas regulares.

12.(UFRN) Nesse poema, pode-se reconhecer o caráter lírico do Romantismo, especialmente por meio

a) Do sentimento amoroso e do tema condoreiro.

b) Da nostalgia determinada pelo ambiente naturista.

c) Do tema amoroso e da ambientação naturista.

d) Da vertente condoreira evidenciada pela nostalgia

13.(UFRN) O poema de Castro Alves, transcrito a seguir, servirá de base para a próxima questão.

Adormecida

Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière
La croix de son collier repose dans sa main,
Comme pour témoigner qu’elle a fait sa prière.
Et qu’elle va la faire en s’éveillant demain.”

  1. de Musset

“UMA NOITE, eu me lembro… Ela dormia
Numa rede encostada molemente…
Quase aberto o roupão… solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina…
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!… A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia…
Quando ela serenava… a flor beijava-a…
Quando ela ia beijar-lhe… a flor fugia…
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças…
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se…
Mas quando a via despertada a meio,
P’ra não zangá-la… sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio…
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
‘Ó flor! — tu és a virgem das campinas!’
‘Virgem! — tu és a flor da minha vida!…’”

Considerando as fases da poesia romântica brasileira, é correto afirmar que o poema apresenta uma

a) Atmosfera de erotismo, manifestada pelos encantos da mulher.

b) Atitude de culpa, devido à violação do ambiente celestial.

c) Negação do ato amoroso, devido ao clima de sonho predominante.

d) Tematização da natureza, manifestada na imagem da flor.

14.(UFPE/PE) O Romantismo foi um movimento marcado pelo individualismo e pelo egocentrismo. Com frequência, o destino da grandeza individual dos escritores românticos era o distanciamento pessoal da vida em sociedade, através da solidão voluntária. Considerando esse aspecto, leia o poema de Castro Alves e analise as questões a seguir.

O livro e a América

“Oh! Bendito o que semeia
Livros, livros à mão cheia…
E manda o povo pensar…
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.”  Castro Alves

0 0 – Castro Alves supera o extremo individualismo dos poetas anteriores de sua geração, dando ao Romantismo um sentido social e revolucionário.

1 1 – Através do isolamento e da fuga à realidade, Castro Alves traduz o desinteresse dos poetas românticos pelo público leitor.

2 2 – Castro Alves não apenas realizou uma poesia humanitária, participando de toda a propaganda abolicionista e republicana, como celebrou a instrução.

3 3 – O poeta vê a leitura como um instrumento de libertação.

4 4 – A poesia de Castro Alves pertence ao Realismo, e não ao Romantismo.

VFVVF

15.(Enem-MEC) O trecho a seguir é parte do poema Mocidade e morte, do poeta romântico Castro Alves:

“Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma…
Nos seus beijos de fogo há tanta vida…
–– Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.

Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.”                Castro Alves..

Esse poema, como o próprio título sugere, aborda o inconformismo do poeta com a antevisão da morte prematura, ainda na juventude.

A imagem da morte aparece na palavra

a)Embalsamada       b) Infinito.              c) Amplidão.              d) Dormir.          e) Sono.

16.(UFT) Com base na leitura de Espumas flutuantes, de Castro Alves, é CORRETO afirmar que as “espumas” a que se refere o título da obra representam, metaforicamente,

a) as forças líricas que movem o poeta.

b) as poesias que compõem o livro.

c) os amores do poeta por artistas de teatro.

d) os interesses sociais do poeta.

17.(UFT) Com base na leitura da obra, é INCORRETO afirmar que, na poesia de Espumas flutuantes, o condoreirismo se caracteriza por

a) afetação de humildade.                           c) exaltação da civilização.

b) retórica altaneira.                                        d) uso de hipérboles.

18. U.E. Ponta Grossa-PR Espumas flutuantes, de Castro Alves, é um conjunto de poemas

que apresentam:

  1. exaltação da natureza;
  2. linguagem coloquial;
  3. expressão de ideais românticos;
  4. imaginação criadora;
  5. satanismo.

SOMA: 13

19.Leia o seguinte fragmento do poema “Murmúrios da Tarde”, de “Espumas Flutuantes”, de Castro Alves.
Ontem à tarde, quando o sol morria,
A natureza era um poema santo,
De cada moita a escuridão saía,
De cada gruta rebentava um canto,
Ontem à tarde, quando o sol morria.

Do céu azul na profundeza escura
Brilhava a estrela, como um fruto louro,
E qual a foice, que no chão fulgura,
Mostrava a lua o semicirc’lo d’ouro,
Do céu azul na profundeza escura.

Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir sobre este fragmento.
( ) O primeiro e o último verso de ambas as estrofes apresentam estrutura paralela.
( ) As duas estrofes seguem a orientação romântica de libertar-se dos preceitos formais clássicos.
( ) Os versos exaltam a nostalgia do cair da tarde através de imagens sombrias e soturnas.
( ) A lua, ao contrário das demais imagens do poema, adquire um brilho vivo e luminoso, que contrasta com as sombras e a melancolia dos demais versos.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – F – V – F.                                 d) V – V – F – V.
b) F – F – V – V.                                  e) V – V – V – F.
c) F – F – F – V.