Procura da Poesia

PALAVRA

Não faças versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.

Diante dela, a vida é um sol estático,

Não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes

[ pessoais não contam.

Não faças poesia com o corpo,

esse excelente, completo e confortável corpo,

[ tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor

[ no escuro

são indiferentes.

Nem me reveles teus sentimentos,

Que se prevalecem do equívoco e tentam a

[ longa viagem.

O que pensas e sentes isso ainda não é poesia.

 

Não cantes tua cidade, deixe-a em paz.

O canto não é o movimento das máquinas

[ nem o segredo das casas.

Não é música ouvida de passagem; rumor do

[ mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza

nem os homens em sociedade.

Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança

[ nada significam.

A poesia ( não tires poesia das coisas)

elide sujeito e objeto.

 

Não dramatizes, não invoques,

Não indagues. Não percas tempo em mentir.

Não te aborreças.

Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,

vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos

[ de família

Desapareceram na curva do tempo, é algo

[ imprestável.

 

Não recomponhas

tua sepultura e merencória infância.

Não osciles entre o espelho e a

memória em dissipação.

Que se dissipou, não era poesia.

Que se partiu, cristal não era.

 

Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

Estão paralisados, mas não desespero,

Há calma e frescura na superfície intata.

Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

Tem paciência, se obscuras. Calma se te

[ provocam.

Espera que cada um se realize e consume

com seu poder de silêncio.

Não forces o poema a desprender-se do limbo.

Não colhas no chão o poema que se perdeu.

Não adules o poema. Aceita-o

como ele aceitará sua forma definitiva e

[ concentrada

No espaço.

 

Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

tem mil faces secretas sob a face neutra

e te pergunta, sem interesse pela resposta,

pobre ou terrível, que lhe deres:

trouxeste a chave?

 

Repara:

ermas de melodia e conceito,

elas se refugiaram na noite, as palavras.

Ainda úmidas e impregnadas de sono,

rolam num rio difícil e se transformam em

[ desprezo.

A Rosa do Povo (1943-1945)

    “Não faças poesia com o corpo.” Estamos na presença da poesia plural. O poeta não se subordina às leis do pensamento lógico, o poema não se organiza com os princípios do tratado científico. São-lhe estranhas as normas das ciências exatas. A ciência se mantém na superfície clara e neutra das coisas. O poeta persegue as “ mil faces secretas” das palavras. Em oposição à superfície clara surpreende aí a simultaneidade do sim e do não. Não cuida em erigir um sistema coerente, prefere a pegar a realidade na sua incoerência. Não se empenha em negar a contradição, habituou-se a conviver com ela. A poesia é uma eterna procura. Diante do que é há sempre a suspeita de que existe também o seu contrário. As contradições, que nos outros domínios aparecem no confronto de observadores diferentes, manifestam-se na poesia através do mesmo observador. Negadas pelo pensamento reflexivo, o poeta as deixa ser com pleno direito.

       A poesia conquista um território próprio. Afirmada a autonomia, não aceita medida que não seja ela mesma.

       O sentido não transcende as palavras, não está além. Onde estaria então o sentido? O sentido se aloja nas palavras. Procede escutá-las. Perguntam de dentro de si mesmas do que lhes é próprio.

       “Não colhas no chão o poema que se perdeu.”

       Não há poema antes do poema. Cada um é único e intraduzível. Não há poema perdido. E todos os poemas possíveis estão perdidos face ao que se realizou.

      A palavra tem mil faces secretas. A chave é despertar o sentido na elaboração do poema. No escrever o poema, o sentido nasce.

       Desde Saussure, habituamo-nos à divisão da palavra em significante e significado. Os linguistas acentua a cisão. Manuseiam a palavra na sua natureza significante e logram distingui-la também da realização vocal e da representação gráfica. O significante torna-se-lhes puro objeto de observação. Submetem-no a relações, prendem-no em sistemas.  A poesia de Drummond repele a cisão significante-significado. A palavra é totalmente significante e totalmente significado.

      A poesia é feita também de silêncios. O silêncio não é ausência de significado ou de som. O silêncio surge entre as palavras, entre os versos, entre as estrofes, no fim do poema. O silêncio é ainda um modo de falar. Ele fala a ocultação de algum sentido ainda não desperto.

      Os significados não estão no dicionário, como se eles pudessem preexistir ao poema. As palavras no dicionário são possibilidades de significado. Estão no limbo. Levam vida de sombras, que se animam ao contato com o sangue do poema.

       Ao afirmar a autonomia do poema, Drummond lhe nega todo o caráter de mediação. O poema não está colocado entre um e outro corpo e não é contaminado pelos fenômenos vitais: a gota de bile, a careta de gozo, sentimentos, afinidades, aniversários, incidentes pessoais. Isola-se também o poema do que circunda o corpo: a cidade, os movimentos das máquinas, a natureza, a sociedade…

     O poema como conduto de um corpo a outro era concepção romântica. Era tido como um meio para atingir um fim. Estava envolto de reações corpóreas que se projetavam sobre outro corpo. O leitor via os poetas mais do que o poema. O poema como que se escreve a si mesmo. Executor tornou-se a palavra, auxiliar é poeta. Procura da Poesia é vigorosa declaração contra todo confessionalismo.

      A palavra mediatizada transmite o que lhe é alheio: a vida e a morte, a alegria e a dor. Na mediação, ela se consome. A autonomia do poema implica o imediatismo da palavra.

       Afirmada a palavra contra o corpo, ela própria faz-se corpo, torna-se material, organiza-se em reino. Na verdade, a primazia do corpo se mantém. Um corpo substitui o outro. Ao lado do corpo biológico destaca-se o corpo verbal.

       A realidade corpórea volta a fazer-se fundamento. O poema é um objeto material, escrito. Concentra-se no espaço. Não evocado de um sistema abstrato. Dorme em um lugar, o dicionário.

       As palavras colocam-se como executor diante do poeta, um corpo diante do poeta, um corpo diante de outro corpo. O poeta volta a fazer poemas com o corpo, não com o seu, mas com o corpo da palavra.

       A gênese do poema se dá na convivência do poeta com as palavras. À maneira de Canto Esponjoso, está removida a pedra do caminho e o executor tem acesso ao objeto, m objeto que não é objeto, porque se comporta como sujeito. Na relação eu-mundo, surge a relação eu-tu.

       Os poemas que ainda não foram escritos comportam-se como já estando aí. Esperam, estão paralisados sem desespero. Mostram uma superfície calma e intata. Em estado de dicionário, vivem sós e mudos. Reagem ao convívio. Como eu diante de outro eu, provocam. Há um conflito nas origens do poema em que a ação se concentra no poema por nascer. A atitude do poeta é passiva, cabe-lhe paciência, prudência, aceitação. Diante dele esboça-se uma vida que não deve ser aniquilada por falta de habilidade.

       No ato de compor, o poeta não é o gauche do Poema das Sete Faces. A gestação do poema é a afirmação positiva. E esta positividade não é sufocada por uma canhestra relação do poeta com o mundo.

Fonte:

SCHULER, Donaldo – A Dramaticidade na Poesia de Drummond. Ed. URGS.

 

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A prosa gótica

 Contrapondo-se aos valores racionalistas e materialistas da sociedade burguesa, certos escritores do romantismo criaram uma literatura fantasiosa, identificada com um universo de satanismo, mistério, morte, sonho, loucura e degradação. trata-se da literatura de tradição gótica – conhecida também como maldita -, que até hoje encontra adeptos na literatura, na música e no cinema.

PROSA

     Ao lado da rica produção do romance romântico, que se voltou à descoberta do país, floresceu entre nós um tipo de prosa que, apesar de ter tido pouca repercussão no Brasil da época, estava sintonizada com a obra de importantes escritores estrangeiros, como Edgar Allan Poe, Lord Byron e Charles Baudelaire. Trata-se da prosa gótica, cujos principais representantes, no Brasil, foram Álvares de Azevedo e Bernardo Guimarães.

     A pouca repercussão dessa literatura à época do Romantismo deve-se à qualificação de “marginal” ou “maldita que lhe foi atribuída. Isso, primeiramente, porque se colocava à margem dos padrões estabelecidos pelo Romantismo e, em segundo lugar, porque o mundo que retratava também se situava à margem do racionalismo e do materialismo da sociedade capitalista. O sonho, a loucura, o vício, o sexo desenfreado, o macabro e formas de transgressão variadas povoavam o universo gótico, que valorizava as zonas escuras e antilógicas do subconsciente, onde se fundem instintos de vida e morte, libido e terror.

     Mais tarde outros escritores viriam a somar a essa tendência, como o dramaturgo Oscar Wilde, o poeta francês Mallarmé e os poetas brasileiros Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos.

      Liga-se a tradição gótica uma longa produção de contos de mistério ou de terror e uma vasta produção cinematográfica, constituída, principalmente, de filmes dedicados ao vampirismo. A partir da década de 1960, com a formação da banda Black Sabbath, os temas macabros adentraram o rock, conquistando multidões de jovens em todo o mundo.

FONTE:

CEREJA, William Roberto – Literatura Brasileira. São Paulo: Atual, 2005.

Inocência

INOCÊNCIA

Leia os fragmentos de Inocência para responder as questões 01 a 05:

Texto I:

              O dia 15 de julho de 1860 era dia claro, sereno e fresco, como costumam ser os chamados de inverno no interior do Brasil.

              Ia o Sol alto em seu percurso, iluminando com seus raios, não muito ardentes para regiões intertropicais, a estrada, cujo aspecto há pouco tentamos descrever e que da Vila de Sant’Ana do Paranaíba vai ter aos campos de Camapuã.

             A essa hora, um viajante, montado numa boa besta tordilho-queimada, gorda e marchadeira, seguia aquela estrada. A sua fisionomia e maneiras de trajar denunciavam de pronto que não era homem de lida fadigosa e comum ou algum fazendeiro daquelas cercanias que voltasse para casa. Trazia na cabeça um chapéu-do-chile de abas amplas e cingido de larga fita preta, sobre os ombros um poncho-pala de variegadas cores e calçava botas de couro da Rússia bem feitas e em bom estado de conservação.

            Tinha quando muito vinte e cinco anos, presença agradável, olhos negros e bem rasgados, barba e cabelos cortados quase à escovinha e ar tão inteligente quanto decidido.

  Texto II:

           —Está aqui o doutor, disse-lhe Pereira, que vem curar-te de vez

              —Boas-noites, dona, saudou Cirino.

              Tímida voz murmurou uma resposta, ao passo que o jovem, no seu papel de médico, se sentava num escabelo junto à cama e tomava o pulso à doente.

              Caía então luz de chapa sobre ela, iluminando-lhe o rosto, parte do colo e da cabeça, coberta por um lenço vermelho atado por trás da nuca.

             Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.

             Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que, a custo, parecia coar por entre os cílios sedosos a franjar-lhe as pálpebras, e compridos a ponto de projetarem sombras nas mimosas faces.

             Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a boca pequena, e o queixo admiravelmente torneado.

            Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, descera um nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nu um colo de fascinadora alvura, em que ressaltava um ou outro sinal de nascença.

           Razões de sobra tinha, pois, o pretenso facultativo para sentir a mão fria e um tanto incerta, e não poder atinar com o pulso de tão gentil cliente.

1.A denominação romance regionalista aplica-se ao livro em que o autor identifica par o leitor a paisagem, os costumes, a linguagem de uma região específica do interior do Brasil. Reconheça do primeiro fragmento elementos que permitem identificar a paisagem rural de Inocência:

R: os chamados de inverno no interior do Brasil, a estrada … que da Vila de Sant’Ana do Paranaíba vai ter aos campos de Camapuã, um viajante, montado numa boa besta tordilho-queimada, gorda e marchadeira, seguia aquela estrada.

2. Identifique no primeiro fragmento os aspectos que apresentam Cirino como elemento estranho à paisagem.

R: A sua fisionomia e maneiras de trajar denunciavam de pronto que não era homem de lida fadigosa e comum ou algum fazendeiro daquelas cercanias que voltasse para casa.

3. O segundo fragmento apresenta ao leitor a moça, Inocência. Ela está doente, com febre brava, de cama. Em sua descrição, porém, o narrador destaca que aspectos da moça?

R: como se trata de narrativa romântica em que predomina a idealização, Inocência, mesmo doente, está linda: Apesar de bastante descorada e um tanto magra, era Inocência de beleza deslumbrante.

4. Destaque as expressões que realçam a meiguice de Inocência:

R: tímida voz, singela expressão de encantadora ingenuidade, meiguice do olhar sereno, mimosas faces, gentil cliente.

5. Os protagonistas do romance pertencem a grupos sociais distintos. Comente em que este aspecto interfere no relacionamento deles.

R: o mundo burguês trabalha a ideia de grupo, é algo inerente ao ser humano; o elemento externo interfere, abala a tranquilidade do grupo, logo ele deve ser eliminado.

6.(UFMS) Considerando a leitura do romance Inocência, do Visconde de Taunay, assinale

a(s) alternativa(s) correta(s).

1.Às descrições da natureza típica do cerrado brasileiro, palco da história do amor

de Inocência e Meyer, misturam-se cenas da Guerra do Paraguai, conflito que traz para

a cena do romance o soldado Cirino, que se apaixona pela bela sertaneja, tentando

tirá-la dos braços de seu amado.

2.Apesar do afeto que Pereira sente pela filha, ela é motivo de constante preocupação

para o pai, uma vez que, por obra de qualquer descuido, pode pôr a perder a honra

familiar, aliás uma opinião estendível a outras mulheres em idade casadoura. Segundo

Pereira: “Ih, meu Deus, mulheres numa casa, é coisa de meter medo…São redomas

de vidro que tudo pode quebrar…

4.Durante um almoço, Pereira enaltece a fartura do Brasil, ao ouvir de Meyer notícias

sobre a morte de pessoas, à míngua, durante o inverno europeu. Essa exaltação dos

recursos alimentares do país, sinônimo dos recursos naturais do Brasil, é um reflexo

da busca e aclamação dos elementos constitutivos de uma nação brasileira, independente

do julgo da metrópole portuguesa.

8.De acordo com a narrativa, são ressaltados aspectos pitorescos do sertão brasileiro,

em contraste com a vida na corte, mais precisamente no Rio de Janeiro, sob a influência

das culturas europeias, em especial a francesa. Essa comparação visa a demonstrar

a superioridade do modo de vida na corte e a pobreza e a ignorância do

sertanejo.

SOMA: ______________________ 06

7.(UFMS) Sobre o romance Inocência, de Visconde de Taunay, é correto afirmar que:

1.o pitoresco da paisagem sertaneja recebe especial atenção do narrador: os elementos

da natureza são descritos minuciosamente, inclusive através de nomes científicos

em notas de rodapé, como também as relações do homem com essa mesma natureza.

2.é um romance regionalista, de tendência sertanista, cuja linguagem possui os elementos

necessários para a descrição da paisagem do interior brasileiro, além de explorar o conflito amoroso próprio da vertente romântica.

4.a austeridade do pai de Inocência é quebrada pela intensidade do amor que a filha

devota a Cirino, levando-o a acobertar a fuga dos amantes da ira de Manecão.

8.Tico, o anão que vigia Inocência o tempo todo, é um dos tipos humanos descritos por

Taunay que dá à narrativa um colorido especial.

16.Inocência é noiva de Manecão, por promessa de seu pai, Pereira. A jovem, no entanto,

apaixona-se por Cirino, uma espécie de curandeiro ambulante que tenta salvá-la da febre.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

SOMA: ______________________ 27

8.Comparando as heroínas românticas dos romances urbanos de José de Alencar à personagem Inocência , do livro homônimo de Taunay, pode-se afirmar, entre outras coisas, que:

a)Inocência é um romance interiorano. Desta forma, o rígido código moral e religioso que rege a vida na corte não chega até lá e Inocência, como o próprio nome indica, é facilmente seduzida pelos homens e torna-se um joguete na mão dos mal intencionados pretendentes.

b)Inocência é ingênua e pura, enquanto as heroínas alencarianas são devassas ou corrompidas pelo dinheiro. Reflete-se aí o mito do bom selvagem, segundo o qual o afastamento do ser humano da natureza o corrompe.

c)Inocência encarna a mulher pura e aparentemente frágil, que, não obstante, opõe uma resistência passiva à vontade familiar. Ela prefere morrer a casar com quem não ama. Os tipos femininos de José de Alencar, normalmente, não aceitam pacificamente as convenções sociais retrógradas da sociedade e opõe uma luta ativa que pode levá-las ao triunfo ou à destruição.

d)Inocência encarna a mulher desprovida de individualidade, totalmente submissa ao jogo de interesses de sua família. Para satisfazê-los, renuncia aos próprios sentimentos e expectativas. Já os tipos femininos de José de Alencar não aceitam pacificamente as convenções sociais retrógradas da sociedade e opõe uma luta ativa que pode levá-las ao triunfo ou à destruição.

e)não há diferenças marcantes entre os anseios e posturas das heroínas dos dois escritores. São moças, bonitas, que esperam ansiosamente o príncipe encantado, como se vivessem em um conto de fadas.

9. (UFRN) O romance Inocência (1872), de Visconde de Taunay, é reconhecido pela crítica como uma das mais populares narrativas da Literatura Brasileira. Nessa obra, o leitor pode identificar valores do Romantismo regionalista por meio da

a) Caracterização do modo de vida urbano como sendo perverso.

b) Assimilação dos costumes do homem branco pelo caboclo.

c) Reprodução do linguajar típico do interior brasileiro.

d) Intervenção reflexiva do narrador protagonista.

10.(Ufam) Leia o trecho abaixo, extraído de um famoso romance brasileiro:

“Com a tarde, voltaram Meyer, José Pinho e Pereira e, pouco depois deles, três avelhantados escravos; estes dos trabalhos agrícolas, aqueles de grandes excursões entomológicas.

Vinha o mineiro meio risonho e em altos gritos acordou Cirino, que, deitando-se a dormir, sonhara todo o tempo com a graciosa doente.

— Olá, amigo! olá, doutor! chamou Pereira com voz retumbante, isso é que é vida, hem? Enquanto nós trabalhamos, eu e o Mocho do José, você está nessa cama de veludo!…

— É verdade, concordou o moço, apenas os Srs. se foram, estendi as pernas e até agora enfiei um sono só…

— E o remédio da menina? perguntou Pereira abaixando a voz.”

Pelo ambiente de fazenda, pelo nome de alguns personagens e pelo tom romântico da narrativa, estamos diante de um trecho do romance:

a) A Moreninha, de Bernardo Guimarães                               d) Lucíola, de José de Alencar

b) O Sertanejo, de José de Alencar                                            e) Inocência, do Visconde Taunay

c) O Garimpeiro, de Bernardo Guimarães

11.Inocência pode ser considerada a obra-prima do romance regionalista do nosso Romantismo. Seu autor, Visconde de Taunay, soube unir ao seu conhecimento prático do país, adquirindo em inúmeras viagens na condição de militar, o seu agudo senso de observação da natureza e da vida social do Sertão de:

a)Goiás                 b)Minas Gerais             c) Mato Grosso            d)São Paulo                        e) Pará

 12.Observe a sequência abaixo, do penúltimo capítulo de Inocência, de Visconde de Taunay:  

“Vinha a morte desdobrando as suas sombras no rosto de Cirino. Ia-se-lhe empanando o brilho dos olhos; ficara a língua trôpega, afilara-se-lhe o nariz e sinistro palor mais realçava a negra cor dos seus cabelos e barbas. Sentara-se Cesário no chão para segurar com mais jeito o corpo do moribundo. Duas lágrimas vinham-lhe sulcando as másculas faces. Ligeiro estremecimento agitava o corpo de Cirino.

—Agora, acrescentou com voz muito sumida, chegou… o meu dia… Mas… eu lhe peço… nada diga… à sua afilhada… Não consinta… que case com… Manecão.

—Então, interrompeu Cesário, foi ele quem?…

—Não, não, contestou Cirino, mas… ela havia de ser… infeliz… Ouviu? Promete-me?

—Prometo, respondeu Cesário com firmeza. Juro até…

—Pois bem, suspirou o agonizante, agora… agradeço a morte. Quero apegar-me… às Santas do Paraíso… e chamo por…

E com esforço, no último alento, murmurou mais e mais baixo:

—Inocência!

Na tarde deste dia, o viajante que passasse por aquele sitio poderia ver uma cova coberta de fresco, sobre a qual se erguia uma cruz tosca feita de dois grossos paus amarrados com cipós.

Eram mostras da caridade do mineiro Antônio Cesário.

A cena da morte de Cirino revela:

a) Que o livro é adepto de uma visão barroca da realidade, baseando-se no paradoxo que consiste na paixão vivida por Cirino e, ao mesmo tempo, a negação disso em nome dos valores religiosos (e da noção de honra) que ele cultiva. Manecão o mata sem que ele tenha tido (em virtude desse seu impasse) qualquer envolvimento com Inocência.

b) Que Taunay, autor realista, explora criticamente a temática dos conflitos de classe. O pano de fundo da batalha de Manecão com Cirino (que resulta na morte deste último) é o envolvimento de Inocência – comprometida com Manecão, homem pobre e honrado – com Cirino, um galanteador rico e esnobe. A vingança de Manecão é um modo de ele resistir à força de atração do dinheiro em seu meio social.

c) Que o romance carrega marcas típicas do Romantismo por mostrar o sofrimento (e o sacrifício) do protagonista Cirino como decorrência de sua oposição aos valores estabelecidos, uma vez que ele morre por reivindicar o direito de viver seu amor por Inocência, a qual, contra sua vontade, mesmo não amando Manecão, tem um compromisso de casamento com ele para atender a uma determinação de seu pai.

d) Que Inocência é um texto modernista, mas com traços neoclássicos, já que, mesmo situando sua intriga no sertão nordestino, narrando a rivalidade de duas famílias cujos membros se matam por questões de terra, o texto é uma releitura da obra Romeu e Julieta, de Shakespeare.

e) Que Inocência é um texto exemplar da vertente urbana do romantismo brasileiro. O conflito que culmina na morte de Cirino é relacionado à sua aproximação, por interesse, à família rica de Inocência, visando beneficiar-se do dote desta, o que lhe permitiria frequentar os salões da corte. Igualmente interessado nisso, Manecão vê no assassinato do rival uma forma de realizar seu intento.

13.Leia os trechos abaixo, extraídos do romance Inocência (1872), de Visconde de Taunay:

 “Ali começa o sertão chamado bruto.

Pousos sucedem a pousos, e nenhum teto habitado ou em ruínas, nenhuma palhoça ou tapera dá abrigo ao caminhante contra a frialdade das noites, contra o temporal que ameaça, ou a chuva que está caindo.

Por toda a parte, a calma da campina não arroteada; por toda a parte, a vegetação virgem, como quando aí surgiu pela vez primeira.

A estrada que atravessa essas regiões incultas desenrola-se à maneira de alvejante faixa, aberta que é na areia, elemento dominante na composição de todo aquele solo, fertilizado aliás por um sem-número de límpidos e borbulhantes regatos, ribeirões e rios, cujos contingentes são outros tantos tributários do claro e fundo Paraná ou,

na contra vertente, do correntoso Paraguai. (…)”

“Com a tarde, voltaram Meyer, José Pinho e Pereira e, pouco depois deles, três avelhantados escravos; estes dos trabalhos agrícolas, aqueles de grandes excursões entomológicas.

Vinha o mineiro meio risonho e em altos gritos acordou Cirino, que, deitando-se a dormir, sonhara todo o tempo com a graciosa doente.

— Olá, amigo! olá, doutor! chamou Pereira com voz retumbante, isso é que é vida, hem? Enquanto nós trabalhamos, eu e o Mocho do José, você está nessa

cama de veludo!…

— É verdade, concordou o moço, apenas os Srs. se foram, estendi as pernas e até agora enfiei um sono só…

— E o remédio da menina? perguntou Pereira  abaixando a voz.”

Observe as seguintes informações sobre o romance:

I.Inocência exemplifica a tendência regionalista da ficção do Romantismo, caracterizada pela descrição sempre positiva e idealizada da geografia e do modo de vida do sertão brasileiro. O interiorano típico, descrito como símbolo da pureza e dos bons princípios, que evoca a figura do “homem natural” da filosofia rousseauniana é, no enredo do romance, encarnado por Pereira, pai da protagonista, indivíduo simples e cordial, detentor de pacífica sabedoria agreste, e que é o principal incentivador do amor de Cirino por Inocência.

II.Ao deslocar a ação dos romances do meio social urbano (marcado pela perversa luta por poder e ascensão econômica, com o sacrifício dos sentimentos verdadeiros) para o ambiente camponês, o regionalismo romântico se aproxima da estética realista, a qual, em suas criações, privilegiou os espaços do interior como cenário e tema de reflexão da ficção.

III. Um dos focos da ação de Inocência é o contraste entre os costumes do homem urbano (e civilizado) e os do caboclo de localidades remotas do sertão. Cirino é um falso médico que, endividado, se embrenha pelo interior disposto a“tratar” mazelas de saúde em comunidades atrasadas nas quais, por seus modos e palavras, costuma ser recebido com respeito. Algo parecido acontece com o entomólogo alemão Meyer em suas pesquisas sobre as borboletas brasileiras. Os dois são hóspedes de Pereira. Porém, o anfitrião demonstra ser mais reticente em relação ao estrangeiro, de quem desconfia, suspeitando que tenha interesse em sua filha Inocência.

IV.Cirino se favorece da credulidade e da boa acolhida de Pereira, fazendeiro rústico do interior do Mato Grosso, para se aproximar de Inocência, moça excessivamente protegida pelo pai e que tem (por vontade deste) compromisso de casamento com um homem a quem Pereira deve dinheiro e favores. Conquistando-a, Cirino a faz ver que o sentimento deve se sobrepor às convenções sociais, o que a leva, romanticamente, a transgredir a ordem moral de seu grupo, impulsionada pela paixão e pelos valores defendidos pelo forasteiro. Ela recusa o casamento com Manecão, para espanto de seu pai e de seu noivo.

Estão CORRETAS:

a) Apenas as afirmações II e IV.                                                 d) Apenas as afirmações III e IV.

b) Apenas as afirmações I e III.                                                   e) Apenas as afirmações II e III.

c) Apenas as afirmações I e II.

14.A vertente regionalista (ou sertanista) do romance romântico tem em Inocência, de Taunay, uma de suas obras mais representativas. O título do romance guarda algumas sutilezas de significado que nos chamam a atenção. No plano denotativo, Inocência é o nome da protagonista, cujo perfil psicológico justifica o nome. Porém, no plano conotativo, o título faz pensar em outras dimensões da inocência representada pelo romance. Das alternativas abaixo, destaque a que NÃO corresponde à ideia de inocência trabalhada no texto:

a) A natureza brasileira, cuja representação tem grande importância no enredo do livro, é descrita a partir da ênfase dada à sua inocência, no sentido de ser intocada, pura, selvagem e, aos olhos do romântico Taunay, perfeita.

B) As comunidades do Brasil interior são apresentadas como inocentes vivendo em contato com a natureza (também inocente). Os brasileiros do sertão seriam cultua dores de valores morais rígidos e de uma noção de honra que, de tão inocente, chega a ser obtusa, como a defendida por Pereira, pai de Inocência.

b) O amor sentido pelos protagonistas, Inocência e Cirino, é inocente. Embora seja vivido clandestinamente e contrarie a moral vigente, esse sentimento é descrito como puro e sincero, opondo-se ao que motiva o casamento marcado de Inocência com Manecão, que é um arranjo de interesses que não leva em conta o que sentem os futuros cônjuges.

c) O processo de colonização do Brasil pelos portugueses, foco do enredo de Inocência, é captado a partir de seus traços inocentes, com a celebração do encontro fraterno de raças e culturas no contexto da exploração do Brasil pelos europeus.

d) Inocente é o ideal que justifica o sacrifício de Cirino, que morre quase como mártir de uma luta pelo direito de viver o seu amor por Inocência de modo livre. Em oposição à inocência (no sentido de ética) desse ideal, há a descrição da maldade dos valores sociais contra os quais ele se põe e que o martirizam.

15.A respeito da personagem Martinho dos Santos  Pereira, no romance Inocência, de Visconde de Taunay, é correto afirmar:

a) Ele ilustra um modelo de sertanejo cômico, de caráter duvidoso e sujeito a recorrer à mentira, porém de uma simpatia cativante.

b) Ele representa o sertanejo em alguns de seus aspectos mais severos e conservadores, sobretudo no que diz respeito à criação da filha.

c) Taunay caracteriza-o como um misto de sertanejo e cientista, propondo-o como um homem à frente de seu tempo.

d) Suas falas, sempre demonstrando erudição, representam o esforço de Taunay evitar o estereótipo do sertanejo inculto.

e) Ao buscar aproximar Inocência de Cirino, ele externa o desejo de um país que supere as diferenças e as fronteiras regionais.

16.Quanto ao estilo da narrativa em Inocência, de Visconde de Taunay, podemos afirmar, exceto, que:

a) há destacada exploração do cômico dos tipos, como o naturalista alemão e o orgulhoso sertanista que é Pereira.

b) há intensa emotividade na narrativa da fuga do leproso para a mata.

c) há muito exagero nos diálogos, que se apresentam artificiais, hiperbólicos ou desagradáveis ao leitor, que aguarda entediado o desenrolar da trama.

d) há excelente espontaneidade nos diálogos, com a inclusão de expressões idiomáticas do Sertão mineiro e o falar do sertanejo.

e) há curiosa descrição do grotesco sombrio do sertão, tanto na descrição do agreste das matas e costumes, quanto do tipo físico do anão Tico.

17.A partir do Romantismo, uma tendência nacionalista haveria de se consolidar no romance brasileiro. Gra­dativamente o público leitor interessa-se por romances de aventuras românticas que tivessem como ambiente o cenário brasileiro. Assim, o regionalismo romântico, já presente nas obras de José de Alencar, ganha fôlego com o surgimento de obras como Inocência, de Visconde de Taunay, publicada em 1872. A respeito desta obra, analise as seguintes proposições:

I.“Bem formado era o coração daquele moço, sua alma elevada e incapaz de pensamentos menos dignos; entretanto no íntimo do seu caráter se haviam insensivelmente enraizado certos hábitos de orgulho, repassado de tal ou qual charlatanismo, oriundo não só da flagrante insuficiência científica, como da roda em que sempre vivera.”Esta descrição da personagem Cirino mostra certa inadequação à idealização romântica de caracteres, tão frequente nesta escola literária. Entretanto, tal inadequação se dissipa ao longo do romance, já que, no transcorrer da narrativa, seja na afeição que Cirino devota à Inocência, seja nas atitudes castas de seu amor, seja na sua morte repleta de nobreza, o perfil de Cirino se mostra em conformidade com a idealização romântica.

II.“Esta obrigação de casar as mulheres é o diacho!… Se não tomam estado, ficam jururus e fanadinhas…; se casam, podem cair nas mãos de algum marido malvado… E depois, as histórias! Hi, meu Deus, mulheres numa casa é coisa de meter medo… São redomas de vidro que tudo pode quebrar (…) O Manecão que se aguente, quando a tiver por sua… Com gente de saia não há que fiar… Cruz! botam famílias inteiras a perder, enquanto o demo esfrega um olho.” Na fala da personagem Pereira deixa-se transparecer claramente uma visão machista e patriarcal, corroborada, no romance, pela visão da personagem de Antônio Cesário, padrinho de Inocência. No entanto, contrapõem-se a esta postura o próprio narrador e também a personagem do naturalista alemão Meyer.

III. “Ah! desculpe-me, replicou o outro rindo-se, nem sequer o saudei… Sou mesmo um estabanado… Deus esteja convosco. Isto sempre me acontece… A minha língua fica às vezes tão doida que se põe logo a bater-me nos dentes… que é um Deus nos acuda e… não há que avisar: água vai! Olhe, por vezes já me tem vindo dano, mas que quer? É sestro antigo… Não que eu sela malcriado, Deus de tal me defenda, abrenuncio; mas pega-me tal comichão de falar que vou logo, sem ter-te, nem guarda-te, dando à taramela… A volubilidade com que foram ditas estas palavras causou certo espanto ao mancebo e o levou a novamente encarar o inopinado com­panheiro, desta feita com mais demora e ar menos altivo.”

Com relação à linguagem, o romance Inocência apresenta um elemento inovador que seria muitas vezes retomado em nossa literatura, inclusive por modernistas como Graciliano Ramos e Jorge Amado. Tal elemento é a incorporação da linguagem regional, do coloquialismo e da oralidade na feitura do discurso literário. Percebe-se esta linguagem abrasileirada no trecho acima e ao longo de todo o romance, principalmente nas falas das personagens.

Exemplo disto está no trecho transcrito acima, em que a personagem Cirino se apresenta ao fazendeiro Pereira, pai de Inocência.

Estão corretas as proposições:

a)Apenas I e II.        b) Apenas II e III.            c) Apenas I e II.       d) Apenas I.      e) Apenas II.

18.Leia atentamente os textos a seguir, para responder à questão sobre Inocência, de Visconde de Taunay.

Capítulo 1: O sertão e o sertanejo

Todos vos bem sentis a ação secreta

Da natureza em governo eterno;

É de ínfimas camadas subterrâneas

Da vida o indício à sugestão emerge.          (Goethe)

Então com passo tranquilo metia-me eu por algum recanto da floresta, algum lugar deserto, onde nada me indicasse a mão do homem, me denunciasse a servidão e o domínio; asilo em que pudesse crer ter primeiro entrado, onde nenhum importuno viesse

interpor-se entre mim e a natureza.           (J.J. Rousseau)

I.Os textos são epígrafes do romance de Taunay, fato que reforça a comunhão entre o Romantismo europeu e as ideias do autor brasileiro.

II.Em Inocência, a descrição da natureza não aparece nesse capítulo, que se limita a apresentar o personagem Albino.

III. A ligação entre a epígrafe retirada de Rousseau e  o texto de Taunay remete o leitor à separação da  natureza e do homem, cuja presença no sertão é  nociva.

IV.“Ora é a perspectiva dos cerrados, não desses cerrados de arbustos raquíticos, enfezados e retorcidos de São Paulo e Minas Gerais, mas as garbosas e elevadas árvores “(p.13). Esse trecho reafirma a ideia contida na segunda epígrafe do capítulo.

V.A epígrafe de Goethe se relaciona com o primeiro capítulo e com a obra como um todo, pois traduz a relação entre homem e natureza, que nela se encontra.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) As assertivas I, III, IV e V são verdadeiras.       d) As assertivas I, II e II são verdadeiras.

b) Somente as assertivas I e V são verdadeiras.        e) As assertivas I, II e V são falsas.

c) Todas as assertivas são verdadeiras.

19.Sobre o livro de Visconde de Taunay, Inocência, afirma-se:

I.É considerada a obra-prima do movimento regionalista do século XX conhecido como Romance de 30.

II.O romance centra-se no cenário urbano e nos costumes das grandes populações industrializadas do Brasil.

III. Há no texto um tema tipicamente ligado ao Romantismo: a supervalorização do amor.

IV.Inocência revela o perfil de uma mulher forte que supera as desilusões amorosas e prossegue vivendo de maneira livre e independente.

V.O romance focaliza os usos e costumes do interior do país.

São CORRETAS as afirmações:

a) I, apenas;    b) I e IV, apenas;   c) I, III e V, apenas;    d) III e V, apenas;    e) IV e V, apenas.

20. (UNICENTRO) Relativamente ao romance as afirmativas abaixo são procedentes, EXCETO

a) O autor desenvolve toda a história em cenário e meio tipicamente sertanejo.

b) Numa atmosfera agreste e idílica, a gente rústica do sertão de Mato Grosso vive seus conflitos.

c) Pereira decide casar a filha com Manecão, homem honrado e rude tal como o pai de

Inocência.

d) Órfã de mãe desde o nascimento, Inocência é criada pelo pai, Pereira afetuoso mas

turrão.

e) Inocência, que vivia, desde menina, apaixonada pelo prático Cirino, deixa de aceitar o noivado imposto pelo pai.

Leia o texto a seguir e responda às questões 21 e 22.

    “Ali começa o sertão chamado bruto. habitado ou ruínas, nenhuma palhoça ou tapera dá abrigo ao caminhante contra a  frialdade das noites, contra o temporal que ameaça, ou a chuva que está caindo. Por  toda a parte, a calma da campina não arroteada; por toda a parte, a vegetação virgem como quando aí surgiu pela vez primeira.

     A estrada que atravessava essas regiões incultas desenrola alvejante faixa, aberta que é na areia, elemento dominante na composição de todo  aquele solo, fertilizado aliás por um sem ribeirões e rios, cujos contingentes são outros tantos tributários do claro e fundo

Paraná ou, na contra vertente, do correntoso Paraguai.

    Essa areia solta e um tanto grossa tem cor uniforme que reverbera com intensidade

os raios do sol, quando nela batem de chapa. Em alguns pontos é tão fofa e movediça

que os animais das tropas viageiras arquejam de cansaço, ao vencerem aquele terreno incerto, que lhes foge de sob os cascos e onde se enterram até meia canela.”

21.Com relação à descrição do ambiente, assinale a alternativa correta:

a) Percebe-se a intenção de crítica social presente no regionalismo modernista.

b) A paisagem é utilizada para criar um

c) O tom simbolista e experimental é fruto das pretensões de cientificidade dessa obra.

d) Trata-se de um exemplo, ainda que sóbrio, do regionalismo romântico.

e) Vê-se uma valorização do elemento nacional que ilustra o indianismo romântico.

22. As informações abaixo devem ser consideradas para responder as duas questões a seguir.

Leia o trecho do capítulo XIII da obra Inocência, de Visconde Taunay.

“Se, de um lado, criava involuntária admiração por Meyer e, rodeando imaginação, do prestígio de uma beleza irresistível, via aumentar o seu receio em abrigar tão perigoso sedutor; do outro, sentia as mãos presas pelas obrigações imperiosas da hospitalidade, a qual, com a recomendação expressa de seu irmão mais velho, assumia caráter quase sagrado. Juntem-se a isto o preconceito sobre o  recato doméstico, a responsabilidade de vedar o santuário da família aos olhos de  todos, o amor extremoso à filha, em quem não depositava, contudo, como mulher que era, confiança alguma, as suposições logo ideadas acerca da impressão que naturalmente aquele estrangeiro produzira no coração da sua Inocência, já quase  pertencendo ela a outrem, e as colisões que previu para manter inabalável a sua palavra de honra, palavra dada em dois sentidos agora antagônicos de cogitações e de terrores. E tudo isto revolvendo-se na cabeça de Pereira refletia-se com sombrios traços de inquietação em seu rosto habitualmente tão jovial”.

A respeito do romance sertanista, classificação em que se enquadra o livro Inocência

de 1872, afirma-se que:

I.Juntamente com Bernardo Guimarães e Franklin Távora, Visconde de Taunay forma

a tríade de nossos mais importantes romancistas regionalistas.

II.As maneiras variadas que assume o sertanismo brasileiro tiveram origem no

encontro de certa cultura citadina e letrada do século XIX com a matéria bruta do

ruralismo do país, naquele tempo mais provinciano e arcaico.

III. O painel da paisagem pintada no romance é totalmente artificial e sem

funcionalidade narrativa, e não se integra no que é típico da escrita do romance

regionalista.

Está correto o que se afirma em

a) I, somente.   b) II, somente.    c) I e II somente   d) II e III somente       e) I, II e III.

 

 

 

 

Últimos Cantos, de Gonçalves Dias

GONÇALVES

1.(Unesp-SP adaptada) Leia os dois textos a seguir para responder às questões 01 e 02.

Canção do Tamoio

“I
Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.

A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.

II
Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

III
O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

IV
Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!”      Gonçalves Dias.

Oração aos Moços

“Magistrados ou advogados sereis. Suas duas carreiras quase sagradas, inseparáveis uma da outra, e, tanto uma como a outra, imensas nas dificuldades, responsabilidades e utilidades.

Se cada um de vós meter bem a mão na consciência, certo que tremerá da perspectiva. O tremer próprio é dos que se defrontam com as grandes vocações, e são talhados para as desempenhar. O tremer, mas não o descorçoar. O tremer, mas não o renunciar. O tremer, com o ousar. O tremer, com o empreender. O tremer, com o confiar. Confiai, senhores. Ousai. Reagi. E haveis de ser bem sucedidos. Deus, pátria e trabalho. Metei no regaço essas três fés, esses três amores, esses três signos santos. E segui, com o coração puro. Não hajais medo a que a sorte vos ludibrie. […]

Idealismo? Não: experiência da vida. Não há forças, que mais a senhoreiem, do que essas. Experimentai-o, como eu o tenho experimentado. Poderá ser que resigneis certas situações, como eu as tenho resignado. Mas meramente para variar de posto, e, em vos sentindo incapazes de uns, buscar outros, onde vos venha ao encontro o dever, que a Providência vos haja reservado.”     Rui Barbosa. Oração aos moços.

1.Qual a temática das obras I Juca Pirama, Os Timbiras e Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias?

Todas as obras citadas – Juca-Pirama, Os Timbiras e a Canção do Tamoio – tratam do tema do indianismo, típico do Romantismo brasileiro. Essa temática consistia na idealização do indígena, do homem nativo, do mesmo modo que na Europa cultivou-se a figura do cavaleiro medieval.
2.As virtudes básicas do guerreiro são: a força, a bravura, a coragem, a disposição para a luta que o guerreiro deve manifestar (exemplificadas nos versos: “A vida é combate,/Que os fracos abate,/Que os fortes, os bravos,/Só pode exaltar”). Além disso, o guerreiro deve ser também habilidoso, ter precisão no momento do ataque (“No arco que entesa/Tem certa uma presa,/Quer seja tapuia,/Condor ou tapir.”) e possuir grande sabedoria para que todos o ouçam (“Curvadas as frontes, /Escutam-lhe a voz!”).

 Aponte as três instituições que Rui Barbosa apresenta como parâmetros para o bom desempenho profissional dos jovens formandos.

As virtudes básicas do guerreiro são: a força, a bravura, a coragem, a disposição para a luta que o guerreiro deve manifestar (exemplificadas nos versos: “A vida é combate,/Que os fracos abate,/Que os fortes, os bravos,/Só pode exaltar”). Além disso, o guerreiro deve ser também habilidoso, ter precisão no momento do ataque (“No arco que entesa/Tem certa uma presa,/Quer seja tapuia,/Condor ou tapir.”) e possuir grande sabedoria para que todos o ouçam (“Curvadas as frontes, /Escutam-lhe a voz!”).

“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
[…]
Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento:
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
[…]
Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
[…]

3. (ITA-SP) O texto reproduz alguns trechos do poema Leito de folhas verdes, do escritor romântico Gonçalves Dias, que consta do livro Últimos cantos (1851). Nesse longo poema, o poeta dá voz a uma índia que dirige um apelo emocionado e sensual ao seu amado, o índio Jatir, e que permanece na expectativa da chegada do homem amado para um encontro sexual. Ao final, o encontro erótico-amoroso acaba não se concretizando, pois Jatir não chega ao local em que a índia o aguarda.

Sobre esse poema é INCORRETO afirmar que:

a) Há no poema a presença explícita da natureza como cenário perfeito para a realização do ato amoroso, o que costuma ser uma marca da poesia romântica.

b) A emoção do sujeito lírico feminino é notória pelo tom com que a índia apela ao amado para que ele venha ao seu encontro; daí a presença dos pontos de exclamação no poema.

c) A emoção do sujeito lírico feminino deriva do amor da índia por Jatir, amor que é sentimental e erótico (amor da alma e amor do corpo).

d) O texto é uma versão romântica das cantigas de amigo medievais, nas quais o trovador reproduzia a fala feminina que manifestava o desejo de encontro com o seu “amigo” (amado).

e) Não se trata de um poema romântico típico, pois o amor romântico é sempre pautado pelo sentimento platônico e pelo ideal do amor irrealizável no plano corpóreo.

4.(UFF-RJ )As estrofes abaixo, partes do poema Canção do Tamoio, representam um momento da literatura brasileira em que se buscou, através do sentimento nativista, inspiração em elementos nacionais, especialmente nos índios e em sua civilização.

“Não chores, meu filho;

Não chores, que a vida

É luta renhida;

Viver é lutar.

A vida é combate

Que os fracos abate,

Que os fortes, os bravos,

Só pode exaltar.

Um dia vivemos!

O homem que é forte

Não teme da morte;

Só teme fugir;

No arco que entesa

Tem certa uma presa,

Quer seja tapuia,

Condor ou tapir.

E pois que és meu filho,

Meus brios reveste;

Tamoio nasceste,

Valente serás.

Sê duro guerreiro

Robusto, fragueiro,

Brasão dos tamoios

Na guerra e na paz.

As armas ensaia,

Penetra na vida:

Pesada ou querida,

Viver é lutar.

Se o duro combate

Os fracos abate,

Aos fortes, aos bravos,

Só pode exaltar.”               DIAS, Gonçalves.

Identifique o momento literário a que pertence o poema Canção do Tamoio.

a) Barroco.    b) Naturalismo.    c) Realismo.     d) Romantismo.     e) Modernismo.

5.(Mackenzie-SP)

“Meu canto de morte,

Guerreiros, ouvi,

Sou filho das selvas,

Nas selvas cresci;

Guerreiros, descendo

Da tribo Tupi    (Gonçalves Dias)

Aponte a alternativa incorreta sobre o texto citado.

a)Todos os versos em redondilha menor recriam, por meio do ritmo, o canto de guerra.

b) Ao interlocutor é dado um tratamento respeitoso, não só pelo vocativo guerreiros, mas também por vós, sujeito implícito na forma verbal ouvi.

c) O primeiro verso, constituindo o objeto direto de ouvi, tem a sua definição detalhada nos versos 3, 4, 5 e 6.

d) Trata-se de um grito heroico do eu, sem relação com o outro, o que está expresso nos verbos, todos em primeira pessoa do singular.

e) A reiteração das rimas em i, mais a repetição da figura das selvas ajudam a criar, nesse contexto, o efeito de uma fala marcada pelo ritmo solene.

6.(Unifor-CE) Nossos primeiros escritores nacionalistas – Gonçalves Dias e José de Alencar entre eles – voltaram seus olhos sobre nossas raízes históricas-culturais, buscando

nelas aspectos heroicos, dignos de alta expressão literária. É o que se pode verificar

quando se leem, dos dois autores citados, respectivamente, as obras:

a) Senhora e Lira dos Vinte Anos;                          d) Quincas Borba e Os Escravos;

b) Ressurreição e O Navio Negreiro;                       e) O Mulato e Canção do Exílio;

c) I – Juca Pirama e O Guarani.

7.(Mackenzie-SP)

No poema I-Juca-Pirama, um velho timbira conta a história de um índio tupi, prisioneiro de sua tribo, que, na iminência de ser sacrificado, pede clemência pelo fato de seu pai, cego, o estar aguardando na floresta. Assim, consegue a liberdade. Ao saber que seu filho chorara diante da morte, o pai o amaldiçoa e volta com ele à tribo inimiga, onde, repentinamente, é ouvido o grito de guerra do jovem que se põe a lutar contra todos. Demonstrada sua bravura, é reconhecido como guerreiro ilustre e acolhido novamente pelo pai, que chora lágrimas “que não desonram”.

Leia alguns versos desse poema de Gonçalves Dias.

01 “Tu, cobarde, meu filho não és.”
02 Isto dizendo, o miserando velho
03 A quem Tupã tamanha dor, tal fado
04 Já nos confins da vida reservara,
05 Vai com trêmulo pé, com as mãos já frias
06 Da sua noite escura as densas trevas
07 Palpando. — Alarma! Alarma! — O velho para.
08 O grito que escutou é voz do filho,
09 Voz de guerra que ouviu já tantas vezes
10 Noutra quadra melhor.

Nos versos transcritos,

a) A fala do pai renegando o filho antecede a descrição da figura do ancião, cuja fraqueza moral (caracterizada nos versos 03 e 04) é atribuída à súplica indigna do filho.

b) A caracterização dos indígenas é feita não só pela voz que está narrando os fatos, como também pelo discurso direto das próprias personagens.

c) O segmento Vai com trêmulo pé, com as mãos já frias/Da sua noite escura as densas trevas/Palpando constitui uma metáfora da morte do ancião.

d) Ocorrem duas distintas formas de se citarem palavras, mas as aspas denotam também que a fala é autoritária e agressiva.

e) Tem-se um exemplo de poema lírico, no qual o eu que se expressa, falando sempre de si mesmo, comunica a intensa dor.

 

8.(UEL/PR) A questão refere-se ao poema a seguir.

Leito de folhas verdes

“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso Tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espera ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lagos ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A Arazóia na cinta me apertaram.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! Nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!”                  DIAS, Antônio G.

Sobre o poema anterior, considere as afirmativas a seguir.

I.As marcas românticas do poema ficam evidentes na exaltação da atitude heróica do índio, sempre disposto a partir para as batalhas grandiosas, ainda que tenha que ficar longe da amada.

II.Apresenta traços em comum com as cantigas de amigo trovadorescas, a saber: o sujeito lírico é feminino e canta a ausência do amado, que está distante.

III. Em todo o poema a transformação da natureza revela a passagem das horas, marcando com isso a angústia do sujeito lírico pela espera de seu amado, a exemplo do que ocorre com os versos “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco” e “Do tamarindo a flor jaz entreaberta”.

IV.É possível observar, no poema, a ocorrência de momentos marcados pela ilusão da chegada do amado, como em “Eu sob a copa da mangueira altiva/Nosso leito gentil cobri zelosa”; e, por fim, um momento de clara desilusão: “Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inútil/A brisa da manhã sacuda as folhas!”

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.                     b) I e III.                     c) II e IV.              d) I, III e IV.            e) II, III e IV.

9.(CEETPS-SP)

Leito de folhas verdes

“Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso Tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espera ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lagos ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A Arazóia na cinta me apertaram.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! Nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! Lá rompe o sol! Do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!”  DIAS, Antônio G.

(CEETPS-SP) Assinale a alternativa correta com relação ao texto.

a) Principalmente pela manifestação de elementos simbólicos, tais como “luar”, “vales”,

“bosque” e “perfumes”, pode-se dizer que o poema muito se aproxima da estética

simbolista.

b) O poema romântico indianista recupera as antigas cantigas de amigo medievais, para expressar o amor por meio da espera.

c) O poema de Gonçalves Dias demonstra profunda influência renascentista, recebida

principalmente de Camões.

d) Apesar da intensa presença da natureza, o poema em questão já se aproxima do parnasianismo,

pela presença dos elementos mitológicos.

e) Mesmo sendo romântico, notam-se ainda no poema, os aspectos marcantes do Arcadismo, principalmente no que diz respeito ao bucolismo.
Marabá

“Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá?
Se algum dentre os homens de mim não se esconde
— “Tu és”, me responde,
“Tu és Marabá!”

Meus olhos são garços, são cor das safiras,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado,
As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
— ‘Teus olhos são garços’,
Responde anojado, ‘mas és Marabá:
‘Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
‘Uns olhos fulgentes,
‘Bem pretos, retintos, não cor d’ anajá!’

É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
Da cor das areias batidas do mar;
As aves mais brancas, as conchas mais puras
Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.

Se ainda me escuta meus agros delírios:
— ‘ És alva de lírios’,
Sorrindo responde, ‘mas és Marabá:
‘Quero antes um rosto de jambo corado,
‘Um rosto crestado
‘Do sol do deserto, não flor de cajá.’

Meu colo de leve se encurva engraçado,
Como hástea pendente do cáctus em flor;
Mimosa, indolente, resvalo no prado,
Como um soluçado suspiro de amor!
— ‘Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira’,
Então me respondem; ‘tu és Marabá:
Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
Que as flóreas campinas governa, onde está.’

Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
O oiro mais puro não tem seu fulgor;
As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
De os ver tão formosos como um beija-flor!

Mas eles respondem : — Teus longos cabelos,
‘São loiros, são belos,
Mas são anelados; tu és Marabá;
Quero antes cabelos bem lisos, corridos,
Cabelos compridos,
Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá.’

E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:

Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!”                     Gonçalves Dias

10.(UNIRIO/RJ) Após leitura, análise e interpretação do poema Marabá, algumas afirmações como as seguintes podem ser feitas, com exceção de uma. Indique-a.

a) O poema se inicia com uma pergunta de ordem religiosa e termina com uma consideração de aspecto sensual.

b) O poema é um profundo lamento construído com base na estrutura dialética, apresentando-se argumentação e contra argumentação.

c) Ocorre interlocução registrada em discurso direto, estrutura que enfatiza assim o desprezo preconceituoso dado à Marabá.

d) A ocorrência de figuras de linguagem e o emprego da primeira pessoa marcam, respectivamente, as funções da linguagem poética e emotiva.

e) Marabá é poema representante da primeira fase que cultua o aspecto físico da mulher.

11.(UNIRIO/RJ) A unidade dramática vivenciada pelo eu-lírico no poema Marabá concentra-se em

a) Tristeza e compreensão.                                        d) Aflição e frustração.

b) Amargura e comedimento.                                  e) Indignação e passividade.

c) Decepção e aceitação.

12.U.F. Santa Maria-RS Considere os versos de “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias. 

“Um dia vivemos!

O homem que é forte

Não teme da morte;

Só teme fugir;

No arco que entesa

Tem certa uma presa,

Quer seja tapuia,

Condor ou tapir.”

Vocabulário:

Tapuia – identificação dada a tribos inimigas.

Condor – ave semelhante à águia.

Tapir – anta.

Conforme os versos transcritos,

a) quem erra o alvo precisa fugir da caça;

b) os índios estão em guerra contra os tapuias;

c) a covardia é o único sentimento a ser temido pelos fortes;

d) quem não tem boa pontaria é excluído do grupo de guerreiros;

e) o bom índio se conhece pela qualidade do seu arco.

 

 

Teatro – Martins Pena

Daniel Pereira

1.UFPA)

“Rosa ― Quando lhe dei a minha mão, poderia prever que ele seria um traidor? E a senhora, quando lhe deu a sua, que se unia a um infame?

Florência ― Oh, não!

Rosa ― E nós, suas desgraçadas vítimas, nos odiaremos mutuamente, em vez de nos ligarmos, para de comum acordo perseguirmos ao traidor?

Florência ― Nem eu, nem a senhora temos culpa do que se tem passado; quisera viver longe da senhora… a sua presença aviva os meus desgostos, porém farei um esforço; aceito o seu oferecimento; unamo-nos e mostraremos ao monstro o que podem duas fracas mulheres quando se querem vingar…”    PENA, Martins. O noviço.

Sobre o fragmento e o texto a que pertence, é correto afirmar que

a) Reforça a visão da mulher, incapaz de cuidar de si, vítima dos abusos masculinos. O texto é uma espécie de denúncia de Martins Pena, que criou, em nosso Romantismo, um teatro voltado para as causas sociais.

b) O acordo feito entre Rosa e Florência terá como sequência uma das cenas engraçadas da peça O noviço, a surra que ambas dão em Ambrósio, por quem foram enganadas, no momento em que ele põe a cabeça fora do armário onde se encontra preso.

c) O acordo feito entre Rosa e Florência aponta para o final da peça: Ambrósio é mandado para o convento no lugar de Carlos, o noviço. Dessa forma todos se sentem vingados.

d) As duas mulheres tramam a vingança contra Ambrósio, por quem foram enganadas, revelando que são elas as personagens centrais da peça, que, embora se intitule O noviço, não dá relevância a Carlos, o noviço da trama.

e) Revela a linguagem de Martins Pena, desartificiosa, simples, natural, o que não foi aceito pelo público burguês da época, acostumado a rebuscamentos, a tiradas filosóficas e a arrebatamentos estilísticos.

2. (UFRGS-RS) Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Martins Pena.

I.A peça Judas em Sábado de Aleluia distingue-se pela apologia dos rituais religiosos.

II.Em Juiz de Paz na Roça, é apresentada uma visão da sociedade fluminense da primeira metade do século XIX.

III. Os aspectos burlescos, as situações equivocadas e os disfarces são recorrentes na produção teatral desse autor.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.            b) Apenas II.          c) Apenas III.        d) Apenas II e III.     e) I, II e III.

3.(UFG-GO) Martins Pena foi o fundador da comédia de costumes do teatro brasileiro, da qual faz parte a peça O noviço.

Nessa obra, pode-se encontrar:

( ) O predomínio da caricatura na concepção das personagens, baseada na exploração de tipos sociais facilmente identificados, o que leva ao efeito cômico desejado.

( ) O Brasil Colonial como pano de fundo histórico-social, época em que a influência jesuítica foi decisiva na política, na economia e principalmente na educação dos jovens, direcionando-os para a vida religiosa.

( ) A utilização de recursos dramáticos considerados primários, como o esconderijo, o disfarce e o erro de identificação, demonstrando a ingenuidade e a simplicidade que permeiam a edificação da trama.

( ) Uma vinculação nítida com o contexto romântico, uma vez que a resolução dos conflitos se encaminha para o final feliz e a consequente realização amorosa dos dois jovens e, ainda, a punição do vilão, recursos ostensivamente colhidos nos romances de folhetim da época.

V, F, V, V.

4.(Cesgranrio-RJ) O teatro brasileiro tem Martins Pena como um dos seus mais significativos representantes. Suas obras caracterizam-se por:

a) Reproduzir os autos religiosos do século XVI.

b) Usar, como modelo, as tragédias clássicas.

c) Realizar uma comédia de costumes.

d) Demonstrar forte influência do teatro romântico francês.

e) Construir suas peças em versos livres.

5.Considere as seguintes afirmações sobre a obra de Martins Pena.

I. A peça “Judas em Sábado de Aleluia” distingue-se pela apologia dos rituais religiosos.
II. Em “Juiz de Paz na Roça”, é apresentada uma visão da sociedade fluminense da primeira metade do século XIX.
III. Os aspectos burlescos, as situações equivocadas e os disfarces são recorrentes na produção teatral desse autor.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.          b) Apenas II.       c) Apenas III.       d) Apenas II e III.           e) I, II e III.

6.Assinale a alternativa que completa corretamente o enunciado a seguir.

A obra de Martins Pena, um dos mais autênticos e originais escritores românticos,
a) apresenta, sobretudo no drama, recursos cênicos sofisticados e inovadores, adequados às exigências do público do século XIX.
b) traduz-se, em alguns casos, como sátira aos costumes rurais, utilizando-se de tipos rústicos, oriundos do interior paulista.
c) traduz, nas comédias urbanas, toda a complexidade social e humana das elites republicanas.
d) tem como tema dominante, tanto na comédia urbana quanto na rural, o amor contrariado.
e) imprime, à comédia nacional, assuntos, tipos, expressão e caráter herdados da comédia francesa.

7.(ESAN-RN) Martins pena é considerado um dos criadores do teatro romântico brasileiro. Escreveu:

a)comédias em verso, filiada à mais pura tradição vicentina, versando situações cômicas universais

b) comédias em prosa, de ação rápida, em linguagem coloquial, ricas de significado humano.

c) tragédias em verso, inspiradas em problemas universais e ricas de significado humano.

d) dramas inspirados em episódios do Brasil, enriquecidos de incidentes fictícios.

e) dramas de crítica social, inspirados na observação dos costumes regionais brasileiros.

Ubirajara

UBIRAJARA

1.(UFSCar/SP)

“Os tacapes, vibrados pela mão pujante dos guerreiros, bateram nos largos escudos retinindo.
Mas a voz possante da multidão dos guerreiros cobriu o imenso rumor, clamando:
— Tu és Ubirajara, o senhor da lança, o vencedor de Pojucã, o maior guerreiro da nação tocantim.
[…]
Quando parou o estrondo da festa e cessou o canto dos guerreiros, avançou Camacã, o grande chefe dos araguaias. […] Assim falou o ancião:
— Ubirajara, senhor da lança, é tempo de empunhares o grande arco da nação araguaia, que deve estar na mão do mais possante. Camacã o conquistou no dia em que escolheu por esposa jaçanã, a virgem dos olhos de fogo, em cujo seio te gerou seu primeiro sangue. ainda hoje, apesar da velhice que lhe mirrou o corpo, nenhum guerreiro ousaria disputar o grande arco ao velho chefe, que não sofresse logo o castigo de sua audácia. Mas Tupã ordena que o ancião se curve para a terra, até desabar como o tronco carcomido, e que o mancebo se eleve para o céu como a árvore altaneira. Camacã revive em ti, a glória de ser o maior guerreiro cresce com a glória de ter gerado um guerreiro ainda maior do que ele.”     ALENCAR, José de..

Apresenta-se, em Ubirajara, um cenário de exaltação ao herói. Logo, trata-se de um ritual grandiloquente para aquele que simboliza o poder na tribo, em valores que expressam o ideário romântico do qual participou Alencar.

a) Por que se pode dizer que a oração “Tu és Ubirajara” sintetiza o discurso de exaltação ao herói?

b) Comente a visão romântica do índio brasileiro, expressa em Alencar, comparando-a com a visão do índio no Modernismo, valendo-se da figura de Macunaíma, de Mário de Andrade: “No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo de Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.” ANDRADE, Mário. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.

a) Ubirajara ou “senhor da lança” é típico herói romântico nascido no nacionalismo. É aclamado herói por ser descendente de grande guerreiro e por estar ligado à terra de seus ancestrais.

b) O índio romântico terá o perfil do grande herói e será caracterizado como forte e próximo aos heróis medievais e também da Antiguidade. Trata-se de uma idealização do índio com base no modelo europeu. Já em Macunaíma, Mário de Andrade parece anunciar um índio bem diferente do herói romântico. Ser “preto retinto” e “feio” distancia Macunaíma das idealizações românticas e o aproxima da comicidade, da sátira e da paródia que não se leem no Indianismo.

2. (UFG/GO) No tocante à descrição dos costumes indígenas, José de Alencar, em Ubirajara, retoma um procedimento já utilizado nos relatos dos cronistas do século XVI. No romance, o tratamento das informações referentes à cultura indígena resulta na

a) Transformação do passado colonial do Brasil.

b) Apresentação dos primeiros habitantes do Brasil.

c) Indicação dos sentidos da cultura autóctone.

d) Idealização da figura do indígena nacional.

e) Introdução do índio na literatura brasileira.

3.(UFG/GO) Ubirajara, de José de Alencar, é uma narrativa que enaltece o heroísmo do índio pré-cabralino. Para atingir tal nível formativo, o protagonista está envolvido pelas índias Araci e Jandira, cujo interesse é:

a)auxiliar Ubirajara a conseguir meios de dominar o  terrível jaguar.

b) tramar formas de conquistar o coração do bravo índio protagonista.

c) cumprir as regras de hospitalidade para assegurar os costumes indígenas.

d) trabalhar em conjunto para unificação das tribos Araguaia e Tocantins.

e) providenciar armas e alimentos para a longa jornada iniciática do jovem caçador.

4.(Fuvest-SP) O índio, em alguns romances de José de Alencar, como Iracema e Ubirajara, é:

a)retratado com objetividade, numa perspectiva rigorosa e científica.

b)pretexto episódico para a descrição da natureza.

c) visto com o desprezo do branco preconceituoso, que o considera inferior.

d) representado como um primitivo feroz e de maus instintos

e) idealizado sobre o pano de fundo da natureza, da qual é o herói épico.

OS Escravos

ESCRAVOS

1.(UFRJ/RJ)

“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura…se é verdade
Tanto horror perante os céus…
Ó mar! Por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! Noites! Tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares tufão!”           Castro Alves. “Navio negreiro”..

Qual a geração romântica a que pertence o poema e que traço estilístico-formal é dominante na estrofe acima?

O poema pertence à 3ª a geração romântica. Nota-se a escolha de um vocabulário rigoroso e grandiloquente, em uma poesia que ficará conhecida por condoreirismo.

Texto para as questões 02 e 03

 (PUC-RJ)   

Navio Negreiro

“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus…
Ó mar! por que não apagas
Coa esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!…

Quem são estes desgraçados,
Que não encontram em vós,
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?…Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa…
Dize-o tu, severa musa,
Musa, libérrima, audaz!

São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz.
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus…
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão…
Homens simples, fortes, bravos…
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão…”Castro Alves.

2.O fragmento acima foi retirado do canto V de Navio Negreiro, um dos poemas mais significativos do romantismo brasileiro.

 a) Estabeleça uma comparação entre a temática abordada por Castro Alves e os tópicos recorrentes na segunda fase da poesia romântica, o chamado “mal do século”.

 b) Determine dois recursos estilísticos utilizados por Castro Alves com o objetivo de persuadir e comover o leitor.

 a)A temática social abordada por Castro Alves, explicitada na denúncia dos horrores da escravidão e na luta pela sua abolição, difere por completo dos tópicos recorrentes na fase do Ultrarromantismo ou “mal do século”, representados por poemas que abordam, num universo de pessimismo e angústia, os seguintes aspectos: individualismo, solidão, melancolia, frustração e morte.

 b. O uso de exclamações, apóstrofes e verbos no imperativo

3.(PUC-RJ) Especifique a que se refere a expressão “este borrão” no verso 7 da primeira estrofe do poema de Castro Alves.

A expressão “este borrão” refere-se ao navio negreiro e a todo o sofrimento ali imposto aos escravos. Na estrofe em questão, remete especialmente ao verso 4, “tanto horror perante os céus”.

 4.(UFRJ) As estrofes apresentadas a seguir foram retiradas do poema Vozes d’África, de Castro Alves. Vozes d’África é um dos textos em que o poeta expressa sua indignação diante da escravidão. Leia, com atenção, o fragmento selecionado para responder às questões propostas em a) e b):

Vozes d’África

“Deus! ó Deus, onde estás que não respondes!?
Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes,
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde, desde então, corre o infinito…
Onde estás, Senhor Deus?…
(…)
Mas eu, Senhor!… Eu triste, abandonada,
Em meio dos desertos esgarrada,
Perdida marcho em vão!
Se choro… bebe o pranto a areia ardente!
Talvez… pra que meu pranto, ó Deus clemente,
Não descubras no chão!…”

a) Cite e explique a figura de linguagem através da qual o poeta estrutura todo o poema.

b) Identifique os elementos que representam, figuradamente, o abandono e o desespero advindos da escravidão.

 a) Em “Deus! ó Deus, onde estás” ou em “Onde estás, Senhor Deus?” verifica-se o uso da apóstrofe, figura que torna enérgico o chamamento do interlocutor a que o eu lírico se dirige por meio do vocativo.

b) O abandono pode ser lido em “Há dois mil anos te mandei meu grito” ou ainda em “Em meio dos desertos es-garrada”. Já o desespero está mais nítido nos últimos versos: “Perdida marcho em vão!/Se choro … bebe o pranto a areia ardente!/Talvez… pra que meu pranto, ó Deus clemente,/Não descubras no chão!

5.(ITA-SP )Marque a opção que identifica autor, obra e escola a que pertence o excerto:

a)Fagundes Varela – Vozes da América – Romantismo

b)Basílio da Gama – Uraguai – Neoclassicismo

c)Castro Alves – Navio Negreiro – Romantismo

d)Jorge de Lima – Poemas Negros – Modernismo

e) Manuel Bandeira – Cinza das horas – Modernismo

6.(UFRGS-RS)

Ontem a Serra Leoa,

A guerra, a caça ao leão,

O sono dormido à toa

Sob as tendas da amplidão…

Hoje… o porão negro, o fundo

Infecto, apertado, imundo,

Tendo a peste por jaguar…

Pelo arranco de um finado,

E o baque de um corpo ao mar…

Nesta estrofe__________________________, de Castro Alves, os versos de ________________________________________ sílabas métricas evocam, num primeiro momento, a _____________________________ dos negros em sua terra natal, contrastando, na segunda parte, com imagens que indicam os rigores da ______________

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto acima.

a)Vozes da África – dez – luta – partida

b) Canção do exílio –sete – tranquilidade – solidão

c) Mocidade e morte – sete – passividade – prisão

d) Cachoeira de Paulo Afonso – dez – caçada – luta

7.(Fatec-SP)

Ontem plena liberdade…

A vontade por poder…

Hoje cúmulo de maldade!

Nem são livres pra…morrer!

Prende-os a mesma corrente

Férrea, lúgubre serpente

Nas roscas da escravidão…

Sobre esse texto não é correto afirmar que:

a)mostra o traço romântico do inconformismo

b) dá tratamento eloquente à linguagem para tratar do tema da escravidão

c) pode ser identificado com a poesia abolicionista de Castro Alves.

d) pelo tema que explora, classifica-se na corrente social da poesia romântica.

e) traduz o pessimismo e o egocentrismo do poeta romântico diante da impossibilidade de mudar o mundo

 8.( Mackenzie-SP) Assinale a alternativa em que se encontra o nome de um poema, dividido em seis partes, e que, na última, após referir-se com revolta à Bandeira Nacional, clama pela intervenção daqueles que o autor chama de “heróis do Novo Mundo”.

a)Navio Negreiro                                                              d) Círculo vicioso

b) Canção do exílio                                                              e) Violões que choram

c) Congresso internacional do medo

9.(UniCOC-SP)Um dos mais significativos poemas da terceira geração romântica é Navio Negreiro, de Castro Alves. Nele há o tom revolucionário e libertador.

“…Auriverde pendão de minha terra

Que a brisa do Brasil beija e balança

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança…

Tu que, da liberdade após as guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança,

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!

A partir das informações dadas e do trecho anterior, podemos reconhecer:

a)um sentimento ufanista do poeta em relação à fortaleza do Brasil.

b) um sentimento de derrota após uma guerra perdida.

c) um hino de amor à pátria.

d) um sentimento de indignação profunda diante da escravidão vigente no Brasil.

e) um hino de amor à bandeira brasileira.

Texto 1

“Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite…
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs! […]
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!…
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!”     Navio Negreiro, 1868.

Texto 2

“Sudorâncias bunduns mesclam-se intoxicantes
no fartum dos suarentos corpos lisos lustrosos.
Ventres empinam-se no arrojo da umbigada,
as palmas batem o compasso da toada.
[…]
Ó princesa Izabel! Patrocínio! Nabuco!
Visconde do Rio Branco!
Euzébio de Queiroz!
E o batuque batendo e a cantiga cantando
lembram na noite morna a tragédia da raça!
Mãe Preta deu sangue branco a muito ‘Sinhô
moço’…”   Publicado no livro Batuque: poemas (1939).

10. (UNAMA/AM) Embora separados pelo tempo, o poema de Bruno de Menezes se assemelha ao de Castro Alves, principalmente no que se refere a um dos aspectos do Romantismo que é o (a):

a) Condoreirismo, presente no tom hiperbólico e eloquente que objetiva chamar a atenção do seu interlocutor para a questão social por meio de uma poesia de tom declamatório, mais para ser ouvida do que lida.

b) Lirismo inflamado com predominância de elementos que sugerem a sexualidade da figura feminina concreta, próxima, conquistada.

c) Poesia épica retratando a miséria humana ao lado de certa “morbidez byroniana” e por meio do efeito de hipérboles, da adjetivação, da escolha de termos grandiloquentes, das enumerações, da conclamação de “heróis”.

d) Problemática da poesia centrada no “eu”, individualista, já que a função da linguagem predominante no texto é a função emotiva ou expressiva.

11.(UFSM-RS) Leia os versos de Navio negreiro, de Castro Alves:

“São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz.
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus…
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão…
Homens simples, fortes, bravos…
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão…”

Assinale a alternativa correta com relação ao sentido expresso pelos versos transcritos.

a) Descreve a vida dos escravos nas fazendas

b) Saúda a liberdade decorrente da abolição da escravatura.

c) Salienta a integração dos negros com os índios.

d) Compara o negro livre, na África, com o negro escravizado no Brasil.

e) Propõe que os homens se tornem escravos por quererem fugir do deserto.

12.(FURG-SC)

“[…]
Senhor Deus dos desgraçados
Dizei-me vós, senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus…
Ó mar! por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!…
[…]”

Esse fragmento do longo poema de Castro Alves, Navio Negreiro, vem marcado por

a) Uma linguagem despojada e coloquial.

b) Um sentido de credulidade na presença de Deus, que irá salvar os “desgraçados”.

c) Um metro regular e constante.

d) Ser a descrição dos caracteres heroicos dos “desgraçados”.

e) Total ausência de rimas ricas e pobres.

13.(UFSM/RS) Leia com atenção as seguintes estrofes de A cruz da estada, de Castro Alves

Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.

Caminheiro! do escravo desgraçado
O sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no leito de noivado,
Há pouco a liberdade o desposou.

(UFSM/RS) As duas estrofes apresentam vocábulos do mesmo campo semântico, como cruz, paz, solidão, sono, leito. Pode-se, através dessas estrofes, inferir que:

I.O escravo dorme depois de um dia estafante de trabalho.

II.“sono” e ‘liberdade o desposou” são eufemismos para a morte.

III. O eu lírico, que é o próprio escravo, dirige-se ao leitor, em 2ª pessoa.

IV.O eu lírico se dirige ao caminheiro.

Está (ão) correta (s):

a) apenas I.     b) apenas I e III.  c) apenas I e IV. d) apenas II e III     e) apenas II e IV.

14.Unifor-CE

“Palmares! A ti meu grito!

A ti, barca de granito,

Que no soçobro infinito

Abriste a vela ao trovão,

E provocaste a rajada,

Solta a flâmula agitada

aos uivos da marujada,

Nas ondas da escravidão.”

Está incorreta a seguinte afirmação sobre a estrofe acima:

a) O tom, o tema e o sentimento predominante indicam tratar-se de versos de Álvares de

Azevedo.

b) O estilo e o elemento histórico remetem ao autor de Navio Negreiro e Vozes d’África.

c) Essa estrofe é uma oitava, com versos de sete sílabas que cumprem um padrão de rimas.

d) A expressão “barca de granito” é uma metáfora de “Palmares”, a comunidade dos escravos que resistiram ao cativeiro.

e) São versos típicos de uma poesia que, romântica e exaltada, identificou-se plenamente

com a causa dos abolicionistas.

15.U.F. Santa Maria-RS

“Era um sonho dantesco… O tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho,

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros… estalar do açoite…

Legiões de homens negros como a noite

Horrendos a dançar.”

Assinale a alternativa que identifica, corretamente, autor, título da obra e período literário

dos versos citados.

a) Álvares de Azevedo – Noite na Taverna – Romantismo.

b) Castro Alves – O Navio Negreiro – Romantismo.

c) Aluísio Azevedo – O Mulato – Naturalismo.

d) Álvares de Azevedo – Conde Lopo – Romantismo.

e) Castro Alves – Vozes d’África – Romantismo.

Texto para as questões 16 e 17

Navio Negreiro

“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus…
Ó mar! por que não apagas
Coa esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!…

Quem são estes desgraçados,
Que não encontram em vós,
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?…Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa…
Dize-o tu, severa musa,
Musa, libérrima, audaz!

São os filhos do deserto

Onde a terra esposa a luz. 

Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus…
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão…
Homens simples, fortes, bravos…
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão…”Castro Alves.

16.(Cesgranrio-RJ) As indagações na 1ª e 2ª estrofes indicam:

a) dúvida      b) perplexidade     c) hesitação      d) negatividade     e) surpresa

17.(Cesgranrio-RJ) A musa a que o poeta se refere é:

a)a natureza em geral     d) a inspiração poética   b) a estrela     e) a figura divina   c)a sua amada

18.(UFV-MG)

“Era um sonho dantesco… o tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho,

          Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros, estalar do açoite…

Legiões de homens negros como a noite,

         Horrendos a dançar… “ ( Castro Alves – Navio Negreiro)

Aponte a alternativa que não se aplica ao texto.

a)o sonho dantesco a que se refere o poeta compõe-se de figuras humanas, os escravos.

b) Sonho dantesco remete às cenas horríveis do “Inferno”, descrito na Divina Comédia, de Dante Alighieri.

c) O sonho dantesco expressa a indignação do eu-lírico diante do desajuste opresso/oprimido da sociedade brasileira do século XIX.

d) A expressão sonho dantesco conota a recusa em admitir que o que se via era real.

e) O sonho dantesco é o resultado da inadaptação do poeta ao mundo, devido a seus conflitos exclusivamente interiores.

 

O vidente

Enfim a terra é livre! Enfim lá do Calvário

A águia da liberdade, no imenso itinerário,

Voa do Calpe brusco às cordilheiras grandes,

Das cristas do Himalaia aos píncaros dos Andes!

Quebraram-se as cadeias, é livre a terra inteira,

A humanidade marcha com a Bíblia por bandeira;

São livres que esta alma ardente com o canto audaz desfira,

Quero enlaçar meu hino aos murmúrios dos ventos,

As harpas das estrelas, ao mar, aos elementos!

[…]

Mas. Ao! Longos gemidos de míseros cativos,

Tinidos de mil ferros, soluções convulsivos,

Vêm-me bradar nas sombras, como fatal vedete:

“Que eu pensas, moço triste? Que sonhas tu, poeta?

[…]

19.Indique a alternativa em que estão presentes o poeta e o período literário a que pertence o fragmento do texto apresentado.

a)Castro Alves – 3ª geração romântica            d)Tomás Antônio Gonzaga – Arcadismo

b)Álvares de Azevedo – 2ª geração romântica    e) Gregório de Matos – Barroco

c)Gonçalves Dias – 1ª geração romântica

Vozes d’África

Deus! ó Deus, onde estás que não respondes!?

Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes,

Embuçado nos céus?

Há dois mil anos te mandei meu grito,

Que embalde, desde então, corre o infinito …

Onde estás, Senhor Deus? …

(…)

Mas eu, Senhor! … Eu triste, abandonada,

Em meio dos desertos esgarrada,

Perdida marcho em vão!

Se choro … bebe o pranto a areia ardente!

Talvez … pra que meu pranto, ó Deus clemente,

Não descubras no chão! …   (Castro Alves, Vozes d’África)

20.O poema acima, produzido para ser declamado aos brados e soar como um tambor nas consciências da sociedade escravagista, faz uso de recursos expressivos e figura(s) de linguagem para obter maior impacto emotivo no seu apelo, reforçando principalmente o efeito sonoro da leitura em voz alta. Dentre os recursos abaixo, o único que não contribui para tornar o poema mais vibrante e sonoro é:

a)apóstrofes, ou seja, vocativos, como em “Deus! ó Deus, onde estás…” e “Onde estás, Senhor Deus?…”

b) interrogações que transmitem um sentimento de revolta contra a omissão divina ante a injustiça praticada no mundo.

c) entonação emocionada expressa pelo ponto de exclamação.

d) tom grandiloquente, retumbante, exaltado, que realça o sofrimento do africano.

e) a suspensão do pensamento, expressa pelas reticências.

21.Leia com atenção as seguintes estrofes de “A cruz da estrada”, de Castro Alves:

Caminheiro que passas pela estrada,
Seguindo pelo rumo do sertão,
Quando vires a cruz abandonada,
Deixa-a em paz dormir na solidão.

Caminheiro! do escravo desgraçado
O sono agora mesmo começou!
Não lhe toques no leito de noivado,
Há pouco a liberdade o desposou.

As duas estrofes apresentam vocábulos do mesmo campo semântico, como cruz, paz, solidão, sono, leito.
Pode-se, através dessas estrofes, inferir que

I. o escravo dorme depois de um dia estafante de trabalho.
II. “sono” e “liberdade o desposou” são eufemismos para a morte.
III. o eu lírico, que é o próprio escravo, dirige-se ao leitor, em 2 pessoa.
IV. o eu lírico se dirige ao caminheiro.
Está(ão) correta(s)
a) apenas I.     b) apenas I e III.    c) apenas I e IV.   d) apenas II e III.   e) apenas II e IV.

 

Soneto de separação

PRANTO

De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.

 

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente.

 

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

MORAES, Vinícius de.

 

       Em seus inúmeros poemas que tematizam o amor, a influência da poesia camoniana é, extremamente, forte e pode ser percebida na tentativa de analisar o amor, como também na estrutura, dando preferência para o soneto como forma poética de se expressar, e ao utilizar a antítese para expor as contradições pertinentes a esse sentimento, conferindo ao soneto vida nova à forma antiga, povoando de ecos camonianos o estilo de tão poucos poetas estreados depois da guerra.

      Como um mestre no manejo da linguagem, Vinícius de Moraes cultivou tanto o requinte e a elegância dos jogos verbais, em um estilo engenhoso e muitas vezes solene, usou versos curtos, direto e incisivo, corrigindo os excessos de sua escrita.

      Nesse poema, Vinícius apresenta o amor em suas múltiplas manifestações: felicidade, pranto, drama, entrega, espanto, paixão. Com essa postura o poeta intuiu o fim do patriarcalismo nas relações afetivas do Brasil e soube cantar uma nova concepção sentimental, mais concreta, mais livre de preconceitos, mais atento às mulheres. O Soneto da Separação destruiu noções como o da eternidade do amor – dogma do patriarcalismo.

      O amor aqui é apresentado como um sentimento poderoso e fugaz. É essa a ideia central do Soneto de Separação, em que as antíteses mostram o impacto da perda do amor na vida das pessoas: o riso torna-se pranto, traz a dor, a tristeza. A tragédia, que provoca espanto, é constatar que toda essa transformação em um relacionamento acontece de repente, em um breve instante, como bem atesta o autor em seu último verso: “De repente, não mais que de repente.”

 

 

Lira dos vinte anos

lira

1.Leia a seguinte estrofe do poema “É ela! É ela! É ela!”, pertencente a segunda parte da Lira dos vinte anos:

“É ela! É ela! É ela! – murmurei tremendo,

E o eco ao longe murmurou – é ela!

Eu a vi… minha fada aérea e pura-

A minha lavadeira na janela!

Dessas águas-furtadas onde eu moro

Eu a vejo estendendo no telhado

Os vestidos de chita, as saias brancas;

Eu a vejo e suspirando enamorado!”

Nessa paródia de poesia ultrarromântica, a ironia reside nos contrastes.

a)Explique o contraste estabelecido na primeira estrofe.

À surpresa da visão da mulher amada, idealizada como uma “fada aérea e pura”, opõe-se a revelação de que ela é apenas uma lavadeira

b.Explique o contraste da segunda estrofe.

Aqui se estabelece o contraste entre o prosaísmo vulgar da cena e o suspiro enamorado que ela arranca ao rapaz que a contempla.

Texto para as questões 02 e 03 

Namoro a Cavalo

Eu moro em Catumbi. Mas a desgraça
Que rege a minha vida malfadada
Pôs lá no fim da rua do Catete
A minha Dulcinéia namorada

Alugo (três mil réis) por uma tarde
Um cavalo de trote (que esparrela!)
Só para erguer meus olhos suspirando
À minha namorada na janela…

Todo o meu ordenado vai-se em flores
E em lindas folhas de papel bordado,
Onde eu escrevo trêmulo, amoroso,
Algum verso bonito… mas furtado.

2.Por que a poesia acima foge dos padrões da 1ª e 3ª partes da Lira dos Vinte Anos?

3.O que aproxima e o que diferencia a mulher de “Namoro a Cavalo” e as mulheres da primeira parte da Lira?

RESPOSTAS:  Enquanto a primeira e terceira partes apresentam poesias de tendência tipicamente românticas, este é satírico, debochando dos sentimentos, é irônica e bem-humorada. 

 Em comum elas têm a distância, pois com nenhuma delas o poeta concretiza o amor. No entanto, as mulheres da primeira e terceira partes são etéreas e idealizadas; as da Segunda  são vulgares, caem no ridículo

4.(FURG) Considerando Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo, assinale a alternativa correta:

a) Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo, utiliza-se de uma linguagem marcada pela dualidade, em que se debatem duas formas distintas de ver e pensar a realidade.

b) Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo, divide-se em três partes, em que se pode surpreender uma concepção estática e homogênea de literatura.

c) Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo, vale- se de uma linguagem de tom essencialmente descritivista.

d) Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo, caracteriza-se pelo uso de uma linguagem que busca inspiração nos modelos da Antiguidade clássica.

e) Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo, traz um eu lírico que, diferentemente de seus contemporâneos, atinge a plena realização amorosa.

5.PUC-SP) Fragmento I

Pálida à luz da lâmpada sombria,

Sobre o leito de flores reclinada,

Como a lua por noite embalsamada,

Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar na escuma fria

Pela maré das águas embalada!

Era um anjo entre nuvens d’alvorada

Que em sonhos se banhava e se esquecia!

 Fragmento II

É ela! é ela! — murmurei tremendo,

E o eco ao longe murmurou — é ela!

Eu a vi — minha fada aérea e pura —

A minha lavadeira na janela!

(…)

Esta noite eu ousei mais atrevido

Nas telhas que estalavam nos meus passos

Ir espiar seu venturoso sono,

Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!

 

Como dormia! que profundo sono!…

Tinha na mão o ferro do engomado…

Como roncava maviosa e pura!…

Quase caí na rua desmaiado!

(…)

É ela! é ela! — repeti tremendo;

Mas cantou nesse instante uma coruja…

Abri cioso a página secreta…

Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!

            Os fragmentos acima são de Álvares de Azevedo e desenvolvem o tema da mulher e do amor. Caracterizam duas faces diferentes da obra do poeta. Comparando os dois fragmentos, podemos afirmar que,

a) no primeiro, manifesta-se o desejo de amar e a realização amorosa se dá plenamente entre os amantes.

b) no segundo, apesar de haver um tom de humor e sátira, não se caracteriza o rebaixamento do tema amoroso.

c) no primeiro, o poeta figura a mulher adormecida e a toma como objeto de amor jamais realizado.

d) no segundo, o poeta expressa as condições mais rasteiras de seu cotidiano, porém, atribui à mulher traços de idealização iguais aos do primeiro fragmento.

e) no segundo, ao substituir a musa virginal pela lavadeira entretida com o rol de roupa suja, o poeta confere ao tema amoroso tratamento idêntico ao verificado no primeiro fragmento.

6.Pálida à luz da lâmpada sombria
Sobre o leito de flores reclinada,
como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era uma anjo ente nuvens d’alvorada
que em sonhos se banhava e esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

 Leia o poema “Soneto” de Álvares de Azevedo, acima transcrito, e analise as seguintes afirmações em relação a esse texto.

I.O desejo sensual e erótico, que é experimentado veladamente e em sonho pelo poeta, revela o amor de sensibilidade juvenil, tipicamente ultrarromântico.

II.A atmosfera noturna e sombria é reforçada particularmente na primeira estrofe e sugere um encontro meio macabro e satânico com a mulher morta.

III. A antítese presente no último terceto evidencia a dor e o prazer, no plano da realidade e do sonho, respectivamente.

Assinale a alternativa correta.

a) são verdadeiras as afirmações I e II.              d) são verdadeiras as afirmações I e III.

b) são verdadeiras as afirmações II e III.           e) somente a afirmação II é verdadeira.

c) somente a afirmação III é verdadeira.

Os itens 7 e 8 referem-se ao poema abaixo:

Minha desgraça, não, não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco…
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro…
Eu sei… O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro…

Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito assim blasfema,
é ter para escrever todo um poema,
E não ter um vintém para uma vela.         
(Álvares de Azevedo. Lira dos vinte anos.)

7.Assinale a afirmação incorreta em relação ao poema

a) A última estrofe evidencia um ciclo que não se rompe: o poeta é pobre e não tem dinheiro para comprar o essencial para produzir poemas que lhe garantiriam sustento.

b) O poeta queixa-se da triste sorte, pois, além de ser pobre, sente a dor maior: não ter amor correspondido.

c) A crítica à sociedade capitalista, que se organiza em torno do dinheiro, é o tema central do poema.

d) O tom irônico e irreverente dos versos acentua o caráter de revolta contra o mundo burguês, que parece não reservar lugar para poetas.

e) O fato de o eu-lírico declarar-se um indivíduo rejeitado, marginalizado pela sociedade, reforça a imagem comumente associada aos dos poetas ultrarromânticos.

8.Álvares de Azevedo, algumas vezes, distanciou-se da tendência ultrarromântica, contrariando o rótulo comumente atribuído à sua obra poética. Isso é possível perceber no poema acima, posto que nele se constata

a) uma presença feminina, figura idealizada, responsável pela desgraça e pela frustração do eu poético.

b) um tom de ironia e de sarcasmo perceptível nos versos, cuja leveza e humor sutil apontam para uma poética que destoa de um fatalismo típico, presente em poemas como “Lembrança de morrer”.

c) um estado de alma que revela uma atmosfera de sonho, de fantasia, de escapismo, de devaneio, testemunhando um eu poético arraigado ao subjetivismo.

d) um tom grandiloquente e retumbante, apresentando versos que devem soar como um tambor nas consciências adormecidas da burguesia hipócrita e apática do século XIX.

e) a ausência da presença feminina, pois o eu lírico, refletindo a proximidade que mantém com o autor, reclama do fato de não existirem mais musas românticas, posto que as mulheres se vulgarizaram e corromperam, a ponto de, em outro poema, optar por uma lavadeira como sua amada.

Para responder as questões 9 e 10, leia atentamente os textos abaixo:

“Lira XXII

Nesta triste masmorra,

de um semivivo corpo sepultura,

inda, Marília, adoro

a tua formosura.

Amor na minha ideia te retrata;

busca, extremoso, que eu assim resista

À dor imensa, que me cerca e mata.”

Tomás Antônio Gonzaga.

“Perdoa-me, visão de meus amores

Perdoa-me, visão dos meus amores,

Se a ti ergui meus olhos suspirando!…

Se eu pensava num beijo desmaiando

Gozar contigo uma estação de flores!

De minhas faces os mortais palores,

Minha febre noturna delirando,

Meus ais, meus tristes ais vão revelando

Que peno e morro de amorosas dores…”         Álvares de Azevedo.

9.U.F. Juiz de Fora-MG Depois de ler comparativamente os dois textos acima, assinale a

alternativa inaceitável:

a) Em ambos os poemas o eu sucumbe e morre em consequência do sofrimento amoroso.

b) No poema de Gonzaga, a ideia funciona como uma tentativa racional de vencer a dor.

c) No poema de Álvares de Azevedo, a razão nada pode contra o sentimentalismo exacerbado.

d) Em ambos os poemas, o eu refere-se ao passado a partir da dor do presente.

10.U.F. Juiz de Fora-MG Em que verso se encontra referência direta ao contexto histórico

biográfico?

a) “Que peno e morro de amorosas dores”.          c) “À dor imensa que me cerca e mata”.

b) “Nesta triste masmorra”.                                   d) “Se a ti ergui meus olhos suspirando”.

11.(FUVEST) “Ossian o bardo é triste como a sombra Que seus cantos povoa. O Lamartine É monótono e belo como a noite, Como a lua no mar e o som das ondas… Mas pranteia uma eterna monodia, Tem na lira do gênio uma só corda; Fibra de amor e Deus que um sopro agita: Se desmaia de amor a Deus se volta, Se pranteia por Deus de amor suspira. Basta de Shakespeare. Vem tu agora, Fantástico alemão, poeta ardente Que ilumina o clarão das gotas pálidas Do nobre Johannisberg! Nos teus romances Meu coração deleita-se… Contudo, Parece-me que vou perdendo o gosto, (…)” AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos.

 Considerando-se este excerto no contexto do poema a que pertence

(“Ideias íntimas”), é correto afirmar que, nele,

a) o eu-lírico manifesta tanto seu apreço quanto sua insatisfação em relação aos escritores que evoca.

b) a dispersão do eu-lírico, própria da ironia romântica, exprime-se na métrica irregular

dos versos.

c) o eu-lírico rejeita a literatura e os demais poetas porque se identifica inteiramente com a natureza.

d) a recusa dos autores estrangeiros manifesta o projeto nacionalista típico da segunda

geração romântica brasileira.

e) Lamartine é criticado por sua irreverência para com Deus e a religião, muito respeitados pela segunda geração romântica.

12. FUVEST-SP

“Teu romantismo bebo, ó minha lua,

A teus raios divinos me abandono,

Torno-me vaporoso… e só de ver-te

Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.”AZEVEDO, Álvares de. “Luar de verão”, Lira dos vinte anos.

Neste excerto, o eu-lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela,

de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu-lírico manifesta a

a) ironia romântica.                                                   d) tendência romântica ao misticismo.

b) melancolia romântica.                                             e) aversão dos românticos à natureza.

c) fuga romântica para o sonho.

13.UFSE

“Quando junto de ti sinto às vezes

Em doce enleio desvairar-me o siso,

Nos meus olhos incertos sinto lágrimas…

mas da lágrima em troca eu temo um riso!”

Na estrofe acima, de Álvares de Azevedo, revela-se um traço forte de sua poesia, a:

a) idealização da amada, retratada como musa etérea, solene e distante;

b) projeção da própria morte, a um tempo temida e desejada;

c) sátira impiedosa, pela qual se rebaixa a linguagem ao plano do cômico;

d) insegurança amorosa, por temor de que a realidade rechace o devaneio lírico;

e) força material do cotidiano, expressa num detalhismo quase realista.

14. U.E. Ponta Grossa-PR “Se eu morresse amanhã”, com certeza, é um dos poemas mais

lembrados de Álvares de Azevedo.

“Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria

Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que manhã!

Eu perdera chorando essas coroas

Se eu morresse amanhã!

Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva

Acorda a natureza mais louçã!

Não me batera tanto amor no peito

Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora

A ânsia de glória, o dolorido afã…

A dor no peito emudecera ao menos

Se eu morresse amanhã!”

Nele estão contemplados temas recorrentes em sua poesia e na estética romântica, como:

01.a exaltação de sentimentos pessoais, com desespero e pessimismo;

02.a análise crítica e científica dos fenômenos sociais brasileiros;

04.o desajustamento do indivíduo ao meio social, que conduz à dor, à aflição e à busca

da solidão;

08.a valorização de elementos ligados à natureza, em poesia simples, pastoril, bucolicamente ingênua e inocente.

16.a morte como alívio para o “mal-do-século”.

SOMA:  01+ 04 + 16

15.Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,

É pela virgem que sonhei…que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!         (Álvares de Azevedo)
A característica do Romantismo mais evidente nesta quadra é:
a) o espiritualismo                                          d) o pessimismo
b) a idealização da mulher                         e) o confessionalismo
c) a presença do sonho

16.(ITA/SP) O texto a seguir reproduz as duas estrofes de um dos mais conhecidos poemas do romantismo brasileiro: Se eu morresse amanhã!, de Álvares de Azevedo.

“Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!”

Sobre esse poema, pode-se afirmar que

I.Ele mostra de forma clara o forte teor subjetivo e emotivo da poesia romântica, pois é totalmente centrado no “eu”, na interioridade subjetiva do poeta.

II.O egocentrismo romântico, ligado ao tema da morte, faz com que o poeta lamente de forma emocionada a própria morte, que imagina estar próxima.

III. A emoção excessiva, explicitada pelo uso recorrente dos pontos de exclamação, revela um desejo de fuga da realidade; o mergulho no “eu” é uma forma de opor-se ao problemático mundo exterior.

IV.A obsessão com a morte, tão presente no poema, é uma das formas do escapismo romântico, comumente aplicado ao tema do amor, o qual também possibilita uma fuga da problemática existencial.

Estão corretas

a)apenas I e II.    b) apenas I, II e III.      c) apenas I, II e IV.   d)apenas III e IV.   e) todas.

 17.(FEI/SP)

Lembrança de morrer

(Fragmento)
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
— Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade — é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai!… de meus únicos amigos,
Poucos — bem poucos — e que não zombavam
Quando, em noite de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidaram.”

Este trecho é de Álvares de Azevedo, famoso poeta romântico brasileiro. Qual das características a seguir não se encontra no poema?

a) O autor demonstra um desencanto precoce pela vida e vê na morte a solução de seus problemas.

b) Álvares de Azevedo, como outros escritores de sua geração, revela intensa necessidade de fugir do real através da lembrança de um passado idealizado.

c) Os principais motivos da lânguida tristeza sentida pelo poeta são a desilusão amorosa e a incompreensão de falsos amigos.

d) O autor de Lembrança de Morrer é um representante da segunda geração romântica, também chamada “mal do século”, caracterizada pela melancolia e pelo sentimentalismo exacerbados.

e) Através da leitura deste poema, percebe-se que Álvares de Azevedo pode ser considerado um representante da primeira geração romântica, a dos autores nacionalistas.

Para responder às questões 18 e 19, ler o texto que segue.

Adeus, meus sonhos!

“Adeus meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

 Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!”

Álvares de Azevedo

Para responder à questão 18, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto.

O poeta

I.Relativiza sua amargura estando na iminência da morte.

II.Lamenta ter-se dedicado a um amor não-correspondido.

III. Leva da vida apenas doces lembranças.

IV.Suplica a Deus por um consolo antes de morrer.

18.(PUC-RS) Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas

a) A I e a II, apenas.                                   d) A I e a III, apenas.

b) A II e a IV, apenas.                              e) A III e a IV, apenas.

c) A I, a II, a III e a IV.

19.(PUC-SP) O poema em questão associa-se à vertente _______, pelo _________ e _________ exacerbados.

a) romântica/subjetivismo/sentimentalismo   d) realista/individualismo/irracionalismo

b) simbolista/espiritualismo/sentimentalismo    e) romântica/misticismo/subjetivismo

c) simbolista/subjetivismo/espiritualismo

As questões 20 e 21 devem ser respondidas com base na leitura do poema de Álvares de Azevedo, pertencente à sua obra Lira dos Vinte Anos (1853).

Meu sonho

“Eu
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangüenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso…
E galopas do vale através…
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?…
Tu escutas… Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?

E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? — que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?
O Fantasma
Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!…”AZEVEDO, A. de. Lira dos vinte anos.

20.(UFRN) No texto poético, a sonoridade das palavras associa-se constantemente aos seus significados. Sob tal aspecto, o verso que sugere a atmosfera noturna do Romantismo é:

a) “Vertem fogo do teu coração?”                          c) “Um tropel teu galope acompanha?”

b) “Com a espada sanguenta na mão?”                 d) “Macilento qual morto na tumba?”

21.(UFRN) O ritmo de um poema é determinado pelo número e pela acentuação de suas sílabas poéticas; já as rimas implicam igualdade sonora, especialmente ao final dos versos. Por isso, é correto afirmar sobre Meu sonho que

a) O ritmo e as rimas irregulares figuram o mistério a envolver o cavaleiro dentro daquele clima sombrio.

b) O ritmo regular e as rimas irregulares mostram as alternâncias entre visões da vida e da morte.

c) O ritmo e as rimas regulares assemelham-se ao galope do cavaleiro na sua aventura misteriosa.

d) O ritmo irregular e as rimas regulares apontam as diferenças de postura entre o “Eu” e o “Fantasma”.

22.(Unesp-SP) Baseando-se na leitura do texto de Álvares de Azevedo, assinale a única alternativa incorreta.

“Junto a meu leito, com as mãos unidas,
Olhos fitos no céu, cabelos soltos,
Pálida sombra de mulher formosa
Entre nuvens azuis pranteia orando.
É um retrato talvez. Naquele seio
Porventura sonhei doiradas noites.
Talvez sonhando desatei sorrindo
Alguma vez nos ombros perfumados
Esses cabelos negros, e em delíquio
Nos lábios dela suspirei tremendo.
Foi-se minha visão. E resta agora
Aquela vaga sombra na parede
– Fantasma de carvão e pó cerúleo,
Tão vaga, tão extinta e fumarenta
Como de um sonho o recordar incerto.”Álvares de Azevedo. VI Parte de “Idéias Íntimas”.

a) Considerando os aspectos temáticos e formais do poema, pode-se vinculá-lo ao segundo momento do movimento romântico brasileiro, também conhecido como “geração do spleen” ou “mal do século”.

b) A presença da mulher amada torna-se o ponto central do poema. Isso é claramente manifestado pelas recordações do eu-lírico, marcado por um passado vivido, que sempre volta em imagens e sonhos.

c) O texto reflete um articulado jogo entre o plano do imaginário e o plano real. Um dos elementos, entre outros, que articula essa construção é a alternância dos tempos verbais presente/passado.

d) Realidade e fantasia tornam-se a única realidade do espaço da poesia lírica romântica, gênero privilegiado dentro desse movimento.

e) Apesar de utilizar decassílabos, esse poema possui o andamento próximo ao da prosa. Esse aspecto formal é importante para intensificar certo prosaísmo intimista da poesia romântica.

23.(FURG) Sobre a obra Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo, é correto afirmar que:

a) revela, ainda, grande influência do neoclassicismo do século XVIII.

b) é um livro constituído predominantemente por sonetos em que o eu lírico revela profundo tédio existencial.

c) faz-se presente, de forma recorrente, o sentimento nacionalista, tão caro ao Romantismo.

d) caracteriza-se pelo descritivismo e pelo apuro formal.

e) representação da figura feminina é revestida de um caráter dual: ora é virgem imaculada, ora é meretriz.

24.(PUC/PR) Assinale a alternativa que identifica as qualidades do Romantismo presentes no poema O poeta, de Álvares de Azevedo:

“no meu leito adormecida,
Palpitante e abatida,
A amante do meu amor!
Os cabelos recendendo
Nas minhas faces correndo
Como o luar numa flor!”

a) O poema pertence ao Romantismo porque tem rimas emparelhadas.

b) Porque tem metáforas.

c) Porque apresenta um poeta enamorado.

d) Porque trata a natureza de forma humanizada.

a) É do Romantismo pela imagem da mulher amada idealizada.

25.(UEM/PR) Leia o fragmento abaixo do poema Lembrança de Morrer e assinale a alternativa CORRETA.

“Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.”

Álvares de Azevedo, Lira dos vinte anos.

a)O verso “Quando em meu peito rebentar-se a fibra” faz alusão direta ao receio do poeta em tornar-se covarde, “perder a fibra”. O Romantismo pregava a necessidade da coragem física e/ou moral por parte do indivíduo dotado de genialidade, para enfrentar a mediocridade que o rodeava e para transformar o mundo.

b) O verso “Que o espírito enlaça à dor vivente” faz alusão direta à vida,caracterizando-a como sofrimento. Tal caracterização não é exclusiva do Romantismo, mas foi bastante desenvolvida por autores dessa escola, especialmente os da segunda geração, ajudando a configurar seu pessimismo.

c) O verso “Não derramem por mim nenhuma lágrima” faz referência direta à “morte de amor”, situação na qual o jovem fazia um pacto de suicídio com a amada inatingível. Via de regra, a mulher escapava da morte e o fantasma do jovem passava a atormentá-la. Tal tema surgiu com força no romantismo graças à obra Os Sofrimentos do jovem Werther, de Goethe.

d) A estrofe toda faz referência direta à ingratidão dos amigos, que não derramarão uma lágrima pelo poeta morto. Tal temática será, anos depois, revisitada com muito maior amargura e morbidez nos “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos.

e) A estrofe toda faz referência direta à loucura, apresentada como musa do poeta. Tal visão do poeta como um ser visitado por uma espécie de entidade que, a um só tempo, ditava-lhe versos geniais e destruía a vida do jovem era comum no Romantismo, embora tivesse raízes na Antiguidade Clássica.

(PISM/ UFJF/MG) Leia, com atenção, o trecho do poema Idéias Íntimas de Álvares de Azevedo, para responder às questões 26 e 27:

I

Ossian – o bardo é triste como a sombra (1)
Que seus cantos povoa. O Lamartine (2)
É monótono e belo como a noite,
Como a lua no mar e o som das ondas…
Mas pranteia uma eterna monodia,
Tem na lira do gênio uma só corda,
– Fibra de amor e Deus que um sopro agita!
Se desmaia de amor… a Deus se volta
Se pranteia por Deus… de amor suspira

Basta de Shakespeare. Vem tu agora, (3)
Fantástico alemão, poeta ardente (4)
Que ilumina o clarão das gotas pálidas
Do nobre Johannisberg! Nos teus romances (5)
Meu coração deleita-se… Contudo,
Parece-me que vou perdendo o gosto,
Vou ficando blasé: passeio os dias (6)
Pelo meu corredor, sem companheiro,
Sem ler, nem poetar… Vivo fumando,
Minha casa não tem menores névoas
Que as deste céu d’inverno… Solitário
(…)       Álvares de Azevedo.

  1. figura mítica, cujos poemas circulavam como se fossem reais no período do Romantismo.
  2. poeta francês do início do século XIX.
  3. poeta e dramaturgo inglês do século XVI.
  4. referência ao poeta alemão Goethe (final do século XVIII).
  5. nome de vinho famoso.
  6. entediado, descontente.

26.(PISM/ UFJF/MG)  É POSSÍVEL afirmar que o poema de Álvares de Azevedo é:

a) lírico, em primeira pessoa do singular.       

b) épico, em terceira pessoa do singular.

c) satírico, em primeira pessoa do singular.

d) dramático, em terceira pessoa do singular.

e) descritivo, em primeira pessoa do singular.

27.(PISM/UFJF/MG)  A leitura do poema como um todo, especialmente, a leitura da 2ª estrofe, revela que o estado de espírito do eu lírico é de:

a) alegria.           b) tédio.                   c) raiva.            d) entusiasmo.             e) calma.

28.(UFRN-RN) As três estrofes abaixo pertencem ao poema Lembrança de Morrer, de Álvares de Azevedo.

“Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
– Foi poeta – sonhou – e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que Minh ‘alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua prantear-me a lousa!”

Álvares de Azevedo. Lira dos vinte anos.
Porto Alegre: L&PM, 2001. p. 115.

Nos versos que compõem as estrofes, a temática essencial da obra do poeta é revelada na

a) Valorização da morte como fuga dos problemas sociais de sua época.

b) Exaltação da natureza brasileira como propósito de enaltecimento à nacionalidade.

c) Manifestação do desejo de amor e de morte como impulsos presentes em sua sensibilidade poética.

d) Adesão aos valores cristãos como indica a imagem da cruz.

29.(UFPEL-RS) Leia os poemas abaixo:

“Pálida, à luz da lâmpada sombria,
sobre o leito de flores reclinada,
como a lua por noite embalsamada,
entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era a mais bela! O seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!”    Álvares de Azevedo

Os últimos românticos

“Deixas, enquanto o luar branqueia o espaço,
pela escada de seda, o parapeito…
e vens, leve e ainda quente do teu leito,
como um sono de tule, por meu braço…

Somos o par mais poético e perfeito
dos últimos românticos… Teu passo,
cantando no jardim, marca o compasso
do coração que bate no meu peito.

Depois partes e eu fico. E às escondidas,
sobre a volúpia das alfombras,
minha sombra confunde-se na tua…

Ah! Pudessem fundir-se nossas vidas
como se fundem nossas duas sombras,
sob o mistério pálido da lua!”      Guilherme de Almeida

Analise as seguintes afirmativas quanto aos poemas.

I.O amor é retratado de forma antagônica em ambos. Enquanto, no primeiro poema, esse sentimento é apresentado em sua forma idealizada – visto ser a mulher amada uma donzela –, no segundo, há a consumação desse desejo traduzida na descrição da dança dos amantes no jardim.

II.Apresenta-se, apenas no primeiro, a evasão na morte, característica romântica que atribui a ela a solução definitiva de todos os desencontros ou problemas amorosos.

III. Enquanto a forma verbal “pudessem” do texto de Almeida instaura o plano do desejo (irrealizado), expressões como “virgem do mar”, no poema de Azevedo, conotam um distanciamento maior entre a mulher amada e o eu lírico.

IV.Em ambos, o campo semântico formado pelas palavras e expressões que remetem à noite e à morte prenunciam o inconformismo do eu lírico diante da não correspondência de sentimento por parte da mulher, indiferente aos apelos de quem a ama.

Estão corretas tão-somente as afirmativas

a) I e II.                  b) II e III.                       c) I e IV.                d) I, II e IV.                   e) III e IV.

 30.(FURG) Sobre a obra Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo, é correto afirmar que:

a) revela, ainda, grande influência do neoclassicismo do século XVIII.

b) é um livro constituído predominantemente por sonetos em que o eu lírico revela profundo tédio existencial.

c) faz-se presente, de forma recorrente, o sentimento nacionalista, tão caro ao Romantismo.

d) caracteriza-se pelo descritivismo e pelo apuro formal.

e) a representação da figura feminina é revestida de um caráter dual: ora é virgem imaculada, ora é meretriz.

31.(UEM-PR) Sobre o texto abaixo, assinale a alternativa correta.

Soneto

Pálida, à luz da lâmpada sombria.
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’ alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!   Álvares de Azevedo

a) Os poetas ultrarromânticos brasileiros ignoraram deliberadamente a realidade nacional, cultivando uma poesia existencialista, metafísica, de difícil compreensão, marcada fortemente pelo conceptismo e pelo cultismo, como demonstra o poema transcrito.

b) O poeta ultrarromântico toma a natureza e seus elementos como seus únicos confidentes. É o que se verifica nos versos do primeiro terceto, os quais retratam o erotismo e a sensualidade da virgem bela e inacessível ao eu-lírico.

c) O soneto é constituído de versos decassílabos e octossílabos, justificando a tendência do poeta em retratar não só a beleza da mulher amada, bem como a importância épica do cenário: as flores, a noite, a lua, as nuvens e as águas do mar.

d) O eu-lírico, forçado a separar-se da amada, reencontra-a em uma cena íntima, comparando a sua beleza e a sua sensualidade com a beleza e a sensualidade de uma deusa. É o que se constata nos seguintes versos: “Sobre o leito de flores reclinada”, “Entre as nuvens do amor ela dormia!”, “Era mais bela! o seio palpitando…”, “Formas nuas no leito resvalando…”.

e) Nos versos “Pálida, à luz da lâmpada sombria”, “Entre as nuvens do amor ela dormia!”, “Por ti – as noites eu velei chorando”, “Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo”, evidencia-se a preferência pelo sentimentalismo, exacerbado pelas sombras, pela noite e pelos ambientes noturnos, preferência que justifica o perfil do poeta ultrarromântico.

32.No poema “A hora íntima”, Vinicius de Moraes pergunta “Quem pagará o enterro e as flores / Se eu me morrer de amores?”. Nessa passagem, os versos de Vinicius retomam, num tom ameno e voltado para a temática da relação amorosa, a ideia de “se eu morresse amanhã”, consagrada por

a)Álvares de Azevedo – condoreiro romântico.    d) Castro Alves – lírico romântico.

b) Fagundes Varela – condoreiro romântico.        e) Álvares de Azevedo – lírico romântico.

c) Castro Alves – condoreiro romântico.

33.(PUC-SP)

Oh! ter vinte anos sem gozar de leve
A ventura de uma alma de donzela!
E sem na vida ter sentido nunca
Na suave atração de um róseo corpo
Meus olhos turvos se fechar de gozo!
Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas
Passam tantas visões sobre meu peito!
Palor de febre meu semblante cobre,
Bate meu coração com tanto fogo!
Um doce nome os lábios meus suspiram,
Um nome de mulher… e vejo lânguida
No véu suave de amorosas sombras
Seminua, abatida, a mão no seio,
Perfumada visão romper a nuvem,
Sentar-se junto a mim, nas minhas pálpebras
O alento fresco e leve como a vida
Passar delicioso… Que delírios!
Acordo palpitante… inda a procuro;
Embalde a chamo, embalde as minhas lágrimas
Banham meus olhos, e suspiro e gemo…
Imploro uma ilusão… tudo é silêncio!
Só o leito deserto, a sala muda!
Amorosa visão, mulher dos sonhos,
Eu sou tão infeliz, eu sofro tanto!
Nunca virás iluminar meu peito
Com um raio de luz desses teus olhos?

Os versos acima integram a obra Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo. Da leitura deles podemos depreender que o poema:
a) ilustra a dificuldade de conciliar a idéia de amor com a de posse física.
b) manisfesta o desejo de amar e a realização amorosa se dá concretamente em imagens de sonho.
c) concilia sonho e realidade e ambos se alimentam da presença sensual da mulher amada.
d) espiritualiza a mulher e a apresenta em recatado pudor sob “véu suave de amorosas sombras”.
e) revela sentimento de frustração provocado pelo medo de amar e pela recusa doentia e deliberada à entrega amorosa.

34.(UEL) O fragmento do poema abaixo pertence à segunda parte da obra Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo. Leia-o, analise as afirmativas que o seguem e assinale a alternativa correta.

É ela! É ela! É ela! É ela!
É ela! É ela! – murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou – é ela!
Eu a vi — minha fada aérea e pura –
A minha lavadeira na janela!
[…]
Esta noite eu ousei mais atrevido
Nas telhas que estalavam nos meus passos
Ir espiar seu venturoso sono,
Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!
[…]
Afastei a janela, entrei medroso:
Palpitava-lhe o seio adormecido…
Fui beijá-la… roubei do seio dela
Um bilhete que estava ali metido…
Oh! Decerto… (pensei) é doce página
Onde a alma derramou gentis amores;
São versos dela… que amanhã decerto
Ela me enviará cheios de flores…
[…]
É ela! é ela! – repeti tremendo;
Mas cantou nesse instante uma coruja…
Abri cioso a página secreta…
Oh! Meu Deus! era um rol de roupa suja!

(A) O tema da mulher idealizada é constante na obra de Álvares de Azevedo. No poema em questão, a imagem da virgem
sonhadora é simbolizada pela lavadeira, uma forma de denunciar os problemas sociais e, ao mesmo tempo, reportar a
imagem feminina ao modelo materno.
a) No poema “É ela! É ela! É ela! É ela!”, a musa eleita é uma lavadeira. Dizendo-se apaixonado, o eu-lírico a observa enquanto dorme e retira do seio da amada uma lista de roupa, que imaginara ser um bilhete de amor. Trata-se de uma forma melancólica de expressar a grandeza das relações humanas e representar a concretização do amor.
b) O emprego de termos elevados em referência à lavadeira, tais como “fada aérea e pura”, é um fator que reforça o riso por associar a lavadeira a uma musa inspiradora e exaltadora da paixão. Trata-se, portanto, de um poema de linha irônica e prosaica, que revela os valores morais daquela época.
c) O poema, no conjunto das estrofes acima transcritas, revela tédio e melancolia. Esses sentimentos são reforçados pelo murmúrio do eu-lírico, “É ela! É ela!”, ao visualizar sua amada.
d) A figura da lavadeira no poema é a de uma mulher que não se pode possuir. Dessa maneira, o poema afasta a possibilidade de concretização do ato sexual, confirmando a idealização da mulher no período romântico.

35.(UFOP) Leia com atenção o seguinte texto:

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando
Negros olhos as pálpebras abrindo
Formas nuas no leito resvalando

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei, chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!  
(AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos.
a) O poema ressalta uma situação bastante comum na estética romântica, qual seja o paradoxo da figura feminina, construída entre passividade e atividade.
a) O poeta oscila entre a pura contemplação e a possibilidade de concretização da relação amorosa.
c) Romanticamente o poema leva a crer que é através do sonho que existe a melhor oportunidade para a realização carnal do amor.
d) É possível perceber uma certa antecipação da estética realista-naturalista na descrição do corpo da mulher.
e) Como poema do Romantismo, o texto apresenta uma construção saudosista, voltada para o passado.

36.(UFOP)

Namoro a cavalo

Eu moro em Catumbi. Mas a desgraça
Que rege minha vida malfadada,
Pôs lá no fim da rua do Catete
A minha Dulcinéia namorada.

Alugo (três mil réis) por uma tarde
Um cavalo de trote (que esparrela!)
Só para erguer meus olhos suspirando
À minha namorada na janela…

Todo o meu ordenado vai-se em flores
E em lindas folhas de papel bordado,
Onde eu escrevo trêmulo, amoroso,
Algum verso bonito… mas furtado.

Morro pela menina, junto dela
Nem ouso suspirar de acanhamento…
Se ela quisesse eu acabava a história
Como em toda a Comédia – em casamento…

Ontem tinha chovido… Que desgraça!
Eu ia a trote inglês ardendo em chama,
Mas lá vai senão quando uma carroça
Minhas roupas tafuis encheu de lama…

Eu não desanimei! Se Dom Quixote
No Rocinante erguendo a larga espada
Nunca voltou de medo, eu, mais valente,
Fui mesmo sujo ver a namorada…

Mas eis que ao passar pelo sobrado,
Onde habita nas lojas minha bela,
Por ver-me tão lodoso ela irritada
Bateu-me sobre as ventas a janela…

O cavalo ignorante de namoros
Entredentes tomou a bofetada,
Arrepia-se, pula, e dá-me um tombo
Com as pernas para o ar, sobre a calçada…

Dei ao diabo os namoros. Escovado
Meu chapéu que sofrera no pagode,
Dei de pernas corrido e cabisbaixo
E berrando de raiva como um bode.

Circunstância agravante. A calça inglesa
Rasgou-se no cair de meio a meio,
O sangue pelas ventas me corria
Em paga do amoroso devaneio!…   
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos.
Em relação ao texto acima, todas as afirmativas são verdadeiras, exceto:
a) O poema desfaz a sublimidade da relação amorosa, acentuando aspectos vulgares e/ou grotescos.
a) O envolvimento do poeta com a situação narrada não lhe permite qualquer tentativa de autocrítica.
c) O discurso poético explicita uma espécie de investimento frustrado, através do tratamento dado ao tema romântico.
d) A ironia é construída pelo distanciamento da voz poética, ou seja, pelo jogo entre presente e passado.
e) Há uma dissonância entre o discurso romântico-sentimental e o tom jocoso que a linguagem assume.

37.(PUC-RS)

“Já da morte o palor me cobre o rosto,

Nos lábios meus alento desfalecesse,

Surda agonia o coração fenece

E devora meu ser mortal desgosto!”

No fragmento anterior, pertencente a um poema de Álvares de Azevedo, notam-se características de qual tendência romântica?

a)mal-do-século       b)bucolismo       c)poesia condoreira     d)nacionalismo     e)indianismo

38.“Descansem o meu leito solitário

Na floresta dos homens esquecida

À sombra de uma cruz, e escrevam nela:

Foi poeta – sonhou – e amou na vida.”

 O excerto é de autoria  de…………….., importante poeta do ultrarromantismo brasileiro, autor de……………………….. .

a)Casimiro de Abreu – Primaveras.

b)Álvares de Azevedo – Lira dos Vinte Anos

c)Fagundes Varela – Cantos e Fantasias

d)Gonçalves Dias – Últimos Cantos

e)Castro Alves – Espumas Flutuantes

39.Leia os excertos a seguir, do poema “O Poeta Moribundo”, de Álvares de Azevedo.

01. “Poetas, amanhã ao meu cadáver
02. Minha tripa cortai mais sonorosa!…
03. Façam dela uma corda, e cantem nela
04. Os amores da vida esperançosa!
[…]
05. Eu morro qual nas mãos da cozinheira
06. O marreco piando na agonia…
07. Como o cisne de outrora… que gemendo
08. Entre os hinos de amor se enternecia.

09. Coração, por que tremes? Vejo a morte,
10. Ali vem lazarenta e desdentada…
11. Que noiva!… E devo então dormir com ela?…
12. Se ela ao menos dormisse mascarada!”
Considere as afirmações sobre os versos apresentados.
I – A temática amorosa-sentimental e a linguagem elevada, evidenciadas nos versos citados, são constantes na obra de Álvares de Azevedo.
II – O poeta manifesta a vontade de que seu corpo continue a ser um instrumento do cantar lírico, mesmo depois da morte.
III – Os versos exemplificam a faceta irônica que convive com a lírica emocional e erótica do poeta da “Lira dos Vinte Anos”.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.                 b) Apenas II.         c) Apenas III.             d) Apenas II e III.                 e) I, II e III.

40.(Vunesp) Leia atentamente os versos seguintes:

Eu deixo a vida como deixa o tédio

Do deserto o poento caminheiro

– Como as horas de um longo pesadelo

Que se desfaz ao dobre de um sineiro

Esses versos de Álvares de Azevedo significam a:

a)revolta diante da morte.

b) aceitação da vida como um longo pesadelo.

c) aceitação da morte como a solução.

d) tristeza pelas condições de vida.

e) alegria pela vida longa que teve.

 

 

 

 


A poesia, infância da língua

Na obra de Manoel de Barros para crianças, 
o despertar para as inquietações poéticas.

BARROS

Por ter nascido em 1916, Manoel de Barros pertence à geração de 45. No entanto, para além da cronologia, ele é também “mutilador da realidade e pesquisador de expressões e significados verbais”.  Presente no site da Fundação Manoel de Barros, essa característica explica boa parte da obra do poeta que, em seus versos, busca ampliar os instantes e os espaços da vida.

O tema principal de sua obra parece materializar o conselho de Tolstoi: “Se queres ser universal, começa por pintar a sua aldeia”. Nequinho, como era chamado na infância, trata de gente, de bicho, de árvores, de pedra e de palavras.

Diante desse quadro de experimentação do eu-lírico, seria possível pensar que há uma divisão significativa entre a obra de Manoel de Barros para adultos e para crianças. Uma teria um caráter mais complexo e a outra, menor mobilização dos recursos linguísticos e temáticos.

Essa, porém, não é a realidade. Como José Paulo Paes, cuja concepção de poesia para crianças era “igual poesia para adultos, só que mais difícil”, Barros não faz concessões e propõe inquietações.

A indagação como reflexão

O que se se distingue por vezes nos livros  infantis é apresentar o poema com perguntas, como se mimetizasse da infância os porquês, como em Exercício de Ser Criança, do livro de mesmo título (1999):

No aeroporto o menino perguntou:

– E se o avião tropicar num passarinho?

O pai ficou torto e não respondeu.

O menino perguntou de novo:

– E se o avião tropicar num passarinho triste?

BARROS I

Essas perguntas, típicas da idade, são um recurso do poeta para abalar o caráter mecânico do olhar que aplicamos no mundo. As interrogações “e se” deslocam posicionamentos e certezas, introduzindo a dúvida razoável e a necessidade de respostas – indício de que os adultos compreendem a pergunta como pertinente.

Já os leitores-mirins as veem como uma fala deles espelhada nos versos – ponto de identificação e de entrada para a compreensão do poema. Que outras perguntas fariam esses leitores?

No mesmo poema, a situação se desenvolve em reflexões que a mãe do menino propõe para si e, talvez, para o pai:

A mãe teve ternuras e pensou:

Será que os absurdos não são as maiores virtudes da poesia?

Será que os despropósitos não são mais carregados de poesia do que o bom senso?

Ao sair do sufoco o pai refletiu:

Com certeza, a liberdade e a poesia a gente aprende com as crianças.

E ficou sendo.

De forma diversa, o poema apresenta duas faces de um mesmo processo:  as interrogações como possibilidade de agir e pensar o mundo. O menino pergunta sobre possibilidades (e se) e a mãe indaga com uma forma verbal (será) que aponta para o futuro, para a desconstrução de uma perspectiva para a construção de outra.

Desses dois modos de ver o mundo, o da possibilidade e o do deslocamento, nasce a certeza do pai: a criança tem poder para ensinar. A criança, fonte de saberes, é uma das representações que o poeta traz para sua  poesia.

O tema do fazer poético

Em O Menino Que Carregava Água na Peneira, o menino sintetiza o que é ser poeta e como se dá o fazer poético, uma imagem do que é poesia.

No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.

Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.

E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o voo de um pássaro botando ponto no final da frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela..

Recursos poéticos

Nos poemas de Barros, os recursos mais frequentemente associados ao poético estão ausentes, pois seus poemas não têm rimas e apresentam poucas aliterações e assonâncias (repetições de sons vocálicos e consonantais respectivamente). O que traz a poeticidade aos versos são as criações lexicais, como é possível observar em O Fazedor de Amanhecer, do livro de mesmo título (2001):

Sou leso em tratagens com máquina.

Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.

“Tratagens” e “desapetite” são palavras pouco utilizadas, pois existem outras para a mesma função, como “sou leso ao lidar com máquinas” ou “não tenho disposição ou vontade de inventar coisas prestáveis”. A primeira sugere o cruzamento vocabular entre tratamento e engrenagem, indicando que o eu-lírico não domina a linguagem das máquinas.

Já “desapetite” apresenta a vontade de fazer algo como um apetite que se tem e que torna os atos uma necessidade tão vital quanto o alimento para o corpo. Cada criança tem experiência em criação neológica pela experimentação da língua no processo de aquisição.

Quando o poeta não faz eclodir um neologismo no poema, desloca as palavras, criando novos sentidos, como ocorre em Cantigas por Um Passarinho À Toa (2003):

Do alto de uma figueira

Onde pouso para dormir

Posso ver os vaga-lumes:

São milhares de pingos de luz

Que tentam cobrir o escuro.

Na primeira estrofe, os vaga-lumes passam de insetos a pingos de luz. A metáfora envolve a pintura: os pingos de luz estão pintando o céu em uma ação sempre precária pela inconstância (acende – apaga).

Tudo o que os livros me ensinassem

Os espinheiros já me ensinaram.

Tudo que nos livros

Eu aprendesse

Nas fontes eu aprendera.

O saber não vem das fontes?

Na quinta estrofe, utiliza-se o processo neológico semântico. Trata-se do deslocamento relacionado à palavra “fontes”, cujo significado foi do concreto (nascente de água) para o abstrato (origem), e recebe uma sobreposição de sentidos. Na pergunta do verso final, o eu-lírico entrelaça esses dois significados, projetando um novo sentido para a origem do conhecimento.

As metáforas são formas de apropriação do mundo. Os alunos do Fundamental I podem elaborar um baú ou varal de metáforas, explicando o mundo à moda deles.

Além da imagem criadora dos meninos-poetas, surge, nos versos, a imagem múltipla das línguas.

Não sinto o mesmo gosto nas palavras:

Oiseaux e pássaro.

Embora elas tenham o mesmo sentido.

Será pelo gosto que vem da mãe? de língua mãe?

(….)

Penso que a palavra pássaro carrega até hoje

Nela o menino que ia de tarde pra

Debaixo das árvores a ouvir os pássaros.

Nas folhas daquelas árvores não tinha oiseaux

Só tinha pássaros.

É o que me ocorre sobre língua mãe.

No poema A Língua Mãe, de O Fazedor de Amanhecer, assim como ocorreu com a palavra “fontes”, o eu-lírico alia sentidos enquanto a mãe que nutre promove, no eu, sensações (o gustativo – ter gosto) e propensões (o valorativo – apreciação) da língua. Essa reflexão de como os significados são construídos pelos eventos que vivenciamos torna-se um modo de construirmos o mundo.

Além da língua mãe, nos versos do poeta há também língua de ave e de criança. São línguas afloradas naquelas pessoas capazes de ensinar que os limites ainda não foram definitivamente colocados, como nos versos de Poeminha em língua de brincar (2007):

Ele tinha no rosto um de ave extraviada   Falava em língua de ave e de criança.

A língua desse menino dispensava pensamento, o que contraria as concepções epistemológicas, em que pensamento e linguagem têm uma relação constitutiva. Mas isso era possível:

Sentia mais prazer de brincar com as palavras

Do que pensar com elas.

Dispensava pensar.

Essa língua vista de fora pela “Dona de nome Lógica da Razão” que fala:

Isso é língua de brincar e é idiotice de criança

(….)

Isso é língua de raiz – continuou

É língua de faz de conta

É língua de brincar!

São muitas línguas e caminhos abertos na poesia de Barros para se trabalhar com o fazer poético e a descoberta do poder desse fazer.

Fonte: http://www.cartaeducacao.com.br/