Exercícios: Amor de Perdição

Amor-de-Perdição

1.Que tipo de narrador há na obra? Qual é a atitude dele diante dos fatos que está narrando?

RESPOSTA

O narrador não é impessoal. Ao contrário, manifesta claramente sua posição e seus sentimentos diante do que está sendo narrado, não evitando nem mesmo expressões exclamativas que acentuam o subjetivismo de sua narração

2.Pode-se dizer que Teresa e Mariana, embora de maneiras diferentes, encarnam personagens tipicamente românticas? Por quê?

RESPOSTA:

Sim, Teresa representa a heroína sofredora que é impedida de concretizar o seu amor, morrendo na flor da idade. Mariana é a heroína que transforma o amor impossível em  devoção, buscando a morte quando o seu amado deixa de viver.

4.Escreva o nome dos personagens do livro de acordo com as características apresentadas.

“É forte de compleição; belo homem com as feições de sua mãe, e a corpulência dela; mas de todo avesso em gênio.”_____________________________________________

“…era um composto de excelências, tinha apenas uma quebra: a absoluta carência de brios.” ________________________________________________________________

“…menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem nascida…tem força de caráter, orgulho fortalecido pelo amor…”______________________________

“… rapariga camponesa (…) bem mais bonita que a fidalga!”____________________

“… antes de ser ferrador foi criado de farda em casa do fidalgo de Castro-Daire, que é o senhor Baltasar…” ___________________________________________________

Simão – Baltasar Coutinho – Teresa – Mariana  – João da Cruz    

5.Mariana é uma figura de destaque na história. Seu comportamento é tipicamente romântico. Apesar de seu enorme amor por Simão, ela coloca a felicidade do amado acima de tudo, só existindo em função dele. Cite duas atitudes dela que comprove essa afirmação.

RESPOSTA:

Maria entrega as cartas de Simão e Teresa; serve de confidente de Simão e procura ajudá-lo de todas as formas. Não hesita em abandonar o pai para acompanhar o rapaz à prisão. Diante da morte dele, joga-se ao mar.

 6.À semelhança de Romeu e Julieta, Simão Botelho e Teresa de Albuquerque vivem um amor impossível de ser concretizado por causa da rivalidade de seus pais. Por que as famílias Botelho e Albuquerque se tornaram inimigas?

RESPOSTA:

O ódio entre as famílias teve origem em uma sentença desfavorável dada pelo corregedor Domingos Botelho, pai de Simão, a Tadeu Albuquerque, pai de Teresa

 7.Logo no primeiro capítulo, ao relatar o casamento de Domingos Botelho e D. Rita Preciosa, pais de Simão e avós paternos de Camilo, o narrador dá mostras de seu estilo humorístico e irônico:

       À distância duma légua de Vila Real estava a nobreza de vila esperando o seu conterrâneo. Cada família tinha a sua liteira com o brasão da casa. A dos Correias de Mesquita era a mais antiquada no feitio, e as librés dos criados as mais surradas e traçadas que figuravam na comitiva. Rita, avistando o préstito das liteiras, ajustou ao olho direito a sua grande luneta de ouro e disse:

-Ó Meneses, aquilo que é?

– São os nossos amigos e parentes que vêm esperar-nos.

– Em que século estamos nós nesta montanha? – tornou a dama do paço.

– Em que século? O século tanto é dezoito aqui como em Lisboa.

– Ah! Sim? Cuidei que o tempo parara aqui no século doze…

Comente a crítica social feita por Camilo no fragmento acima.

RESPOSTA:

Camilo, de forma irônica e bem-humorada, critica tanto a nobreza decadente e provinciana  com sua liteiras ultrapassadas e criados mal vestidos, como a  nobreza palaciana de Lisboa, representada por D. Rita e sua empáfia.

7.Amor de Perdição é um romance de Camilo Castelo Branco em que a instituição “família” desempenha um papel decisivo.

Estabeleça um paralelo entre os papéis exercidos pela família Albuquerque sobre Teresa e aqueles exercidos pela família Botelho sobre Simão.

RESPOSTA:

Tanto a família Albuquerque quanto a Botelho são muito ricas e deram uma educação rígida a Teresa e a Simão, respectivamente. O pai de Teresa quer ver a filha casada com Baltasar, primo de Teresa. Quando ela o recusa, por amor a Simão, é obrigada a ir pro convento, sua única alternativa. Já o pai de Simão deseja que este estude Direito em Coimbra e torne-se um homem letrado e poderoso, como ele. Ambas as famílias querem traçar os destinos dos amantes, sem preocupação com os desejos dos mesmos. A situação piora pela rivalidade antiga entre as famílias, que jamais permitiriam a comunhão de Teresa e Simão

8.Nesse romance, um dos tópicos importantes é o da relação entre pais e filhos: contraste as relações que se dão na família de João da Cruz, por um lado, com as que se dão nas famílias Botelho e Albuquerque, por outro.

RESPOSTA:

A família de João da Cruz, composta por ele e sua filha, Mariana, é de origem social bem inferior. Sua relação com a filha é baseada no amor, na harmonia, no trabalho. Mariana não é obrigada a nada pelo pai, ao contrário de Teresa e Simão. Os dois últimos não têm direito de escolher seu destino

No prefácio da quinta edição portuguesa do romance AMOR DE PERDIÇÃO, Camilo Castelo Branco afirmava ironicamente:

“Eu não cessarei de dizer mal desta novela que tem a boçal inocência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas salas, em presença de suas filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder-se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de Perdição fez chorar. Mau foi isso. Mas agora, como indenização, faz rir: tornou-se cômico pela seriedade antiga (…). E por isso mesmo se reimprime. O bom senso público relê isto, compara com aquilo, e vinga-se barrufando(*) com frouxos de riso realista as páginas que há dez anos aljofarava(**) com lágrimas românticas.

Como você pode notar, o autor faz referência a duas escolas literárias para explicar como AMOR DE PERDIÇÃO produziria no público leitor, por ocasião de sua reimpressão, uma reação completamente diferente daquela produzida ao ser publicado pela primeira vez. Considerando tal afirmação:
a) Cite um episódio do romance que poderia provocar lágrimas nos leitores da primeira edição e ataques de “riso realista” nos leitores da quinta edição.
b) Como se explica uma reação tão diferente por parte dos leitores dessas duas edições?

(*) barrufando: variante de borrifando.
(**) aljofarava: orvalhava.

RESPOSTA:

a)O amor como causa da morte de Tereza.
b)Os leitores da edição posterior já estariam influenciados pelo ideário realista-naturalista, descartando o sentimentalismo

9.(Unicamp-SP) Leia com atenção o trecho abaixo, extraído do último capítulo de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco.

 Viram-na, um momento, bracejar, não para resistir à morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe atirou aos braços. O comandante olhou para o sítio donde Mariana se atirara, e viu, enleado no cordame, o avental, e à flor da água, um rolo de papéis, que os marujos recolheram na lancha.

A) Que relação há, em Amor de Perdição, entre as personagens Simão e Mariana?

B) No trecho citado, o narrador menciona um “rolo de papéis”. Que papéis são esses?

C) Considerando as respostas dadas aos itens A e B, analise a função desempenhada pela personagem Mariana na estrutura do romance.

RESPOSTAS:

A)Mariana é apaixonada por Simão, que por sua vez é apaixonado por Teresa.

B) As cartas que Simão recebia de Teresa enquanto estivera preso, sob os cuidados de Mariana.

C) Mariana, por amor a Simão, ajuda-o a se comunicar com Teresa, através das cartas, e também o consola.

 10.De acordo com a obra “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco assinale a correta.

  1. o amor de Simão e Teresa é visto pelo narrador como uma brincadeira de criança.
  2. o amor de Simão e Teresa, caracterizado como “amor à primeira vista, foi intenso no início, mas não durou muito.
  3. Teresa, aos quinze anos, amava como uma “avezinha que ensaia o vôo fora do ninho”.
  4. o caso de amor entre Simão e Teresa quebrou as expectativas do narrador com relação a namoros de juventude.
  5. o amor de Simão e Teresa é prova de que os poetas e prosadores estão enganados com relação aos relacionamentos juvenis
  6. 11.Escreva V ou F nos parênteses.

(    ) Simão Botelho – Inicialmente é apresentado como um jovem de temperamento sanguinário e violento. Perturbador da ordem para defender a plebe com quem convive e agitador na faculdade, onde luta de forma brutal pelas ideias jacobinistas.

(    ) O episódio mais representativo do romance, no sentido de provocar lágrimas nos leitores românticos e risos nos leitores realistas, ocorre no início da obra, quando o tema da ‘morte por amor” atinge o clímax.

(    ) Teresa de Albuquerque – Protagonista, menina de 16 anos que se apaixona por Simão, também sai adquirindo densidade heroica ao longo da obra: firme e resoluta em seu amor, ela mantém-se inflexível perante os pedidos, as ameaças -e finalmente as atrocidades e violências cometidas pelo pai.

(    ) Mariana – Moça rica da cidade, de olhos tristes e belos, tem sido considerada, algumas vezes, como a personagem mais romântica da história, porque o sentir a satisfaz, sem necessidade ao menos de esperança de concretizar-se o seu amor por Simão.

(    ) João da Cruz – O pai de Mariana, destaca-se como personagem mais sensato, mais equilibrado, o único personagem que possui traços realistas, de Amor de Perdição. Ferreiro e transformado em assassino numa briga, João da Cruz consegue de Domingos Botelho, pai de Simão, a liberdade.

VFFFV

12.Assinale a alternativa incorreta sobre a obra de Camilo Castelo Branco

  1. Em Amor de Perdição, os sentimentos não se submetem aos preconceitos e se põem em luta com as convenções sociais.
  2. É uma das obras mais férteis da literatura portuguesa, pois nela encontramos poesia, teatro, crítica literária, ensaios, romances e novelas.
  3. A pequena burguesia do Porto é enfoque comum em sua novela.
  4. Apega-se exclusivamente ao real, sem se transpor para o domínio do imaginário

13.Na novela Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco,

a) Simão ficou indeciso entre o amor de Mariana e o de Teresa.
b) Simão rejeitou a oportunidade que lhe foi oferecida para livrar-se do desterro.
c) a apresentação do pai e de suas origens justifica o orgulho que a família de Simão ostenta.
d) o autor revela grande respeito pelas instituições religiosas de seu tempo.
e) Ritinha, irmã mais nova de Simão, abandonou a família para apoiá-lo em suas dificuldades.

14.Sobre a obra de Camilo Castelo Branco, Amor de perdição, assinale a alternativa

incorreta.

a) O amor é visto como um sentimento superior; é a razão de viver e de morrer; é o que

sela o destino dos homens.

b) Teresa mostra-se como uma mulher áspera e rebelde ao deixar-se levar para o

convento.

c) Mariana, ao atirar-se ao mar, procura na morte a possibilidade de encontrar-se

novamente com Simão.

d) O desprezo rebelde pelo mundo e pelas regras sociais; o amor que se configura como

um sentimento arrebatador, que leva à tragédia, é uma das características

ultrarromânticas presentes no texto.

Texto para as questões de 15 a 17

        Amava Simão uma sua vizinha, menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem-nascida. Da janela do seu quarto é que ele a vira a primeira vez, para amá-la sempre. Não ficara ela incólume da ferida que fizera no coração do vizinho: amou-o também, e com mais seriedade que a usual nos seus anos.

       Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romances dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima chamando; tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe.

        Teresa de Albuquerque devia ser, porventura, uma exceção no seu amor.

Camilo Castelo Branco – Amor de perdição

15.De acordo com o texto,

a) o amor de Simão e Teresa é visto pelo narrador como uma brincadeira de criança.

b) o amor de Simão e Teresa, caracterizado como “amor à primeira vista”, foi intenso no início, mas não durou muito.

c) Teresa, aos quinze anos, amava como uma avezinha que ensaia o voo fora do ninho.

d) o caso de amor entre Simão e Teresa quebrou as expectativas do narrador com relação a namoros de juventude.

e) o amor de Simão e Teresa é prova de que os poetas e prosadores estão enganados com relação aos relacionamentos juvenis.

16.Assinale a alternativa correta.

a) A analogia presente no segundo parágrafo corresponde a um argumento do narrador para provar a afirmação Enganam-se ambos.

b) A analogia presente no segundo parágrafo contradiz a afirmação Enganam-se ambos.

c) A analogia presente no segundo parágrafo retoma e confirma a afirmação feita por poetas e prosadores.

d) O último período do texto exemplifica a analogia usada pelo narrador no segundo parágrafo.

e) O último período contesta, ironicamente, a afirmação feita pelo narrador no primeiro parágrafo.

17.Assinale a alternativa correta.

a) A divergência do narrador com relação à concepção de amor veiculada pela ficção é prova de que o texto pertence ao Realismo.

b) No contexto, a crítica a poetas e prosadores funciona como estratégia para o narrador obter credibilidade dos leitores.

c) A temática do amor não correspondido, implícita no texto, revela-nos um ponto de vista narrativo comprometido com a fidelidade aos fatos da realidade.

d) O estilo romântico do texto é comprovado pela linguagem rebuscada com que o narrador comenta a fragilidade do amor entre Simão e Teresa.

e) O aproveitamento de temática amorosa nos moldes de Romeu e Julieta, de Shakespeare, atesta o estilo clássico de Camilo Castelo Branco

18.Sobre Amor de perdição, do escritor português Camilo Castelo Branco, assinale a alternativa INCORRETA:

a) Amor de perdição é uma novela ultrarromântica, marcada pelo sentimento passional e pelo idealismo amoroso, confirmando, assim, duas das principais características do período, que foram o subjetivismo e a luta individual do herói.

b) Narrada em terceira pessoa, a novela segue as convenções tradicionais da narrativa de ficção, como a sequência temporal dos acontecimentos e a linearidade do enredo, apresentando também referências históricas e biográficas.

c) O ultrarromantismo da novela é quebrado por tendências realistas observadas no posicionamento da personagem Mariana e na forma pouco subjetiva como a realidade é tratada numa ficção documental.

d) Mariana é a principal agente de comunicação entre Simão e Teresa, figurando como personagem auxiliar que promove a união amorosa entre os dois adolescentes apaixonados, embora não possa dela participar.

e) A personagem Mariana, encarnando o amor romântico, com pureza e resignação, e a personagem Teresa, representando a mulher inacessível e idealizada, encontram na morte a plenitude do amor idealizado, nesta novela da segunda fase romântica da literatura portuguesa.

20.Sobre Simão,  herói da obra Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco, podemos afirmar que:

A)parte do princípio que tudo é válido em nome do amor, até mesmo matar ou morrer, se preciso for. Transgredi; redime-se, no entanto, ao aceitar a punição que a sociedade lhe impõe.

B)é um indivíduo cheio de defeitos e vícios, egoísta, egocêntrico, incapaz de amar ou expressar qualquer sentimento. É, portanto, um total anti-herói.

C)é capaz dos maiores sacrifícios em nome do amor, até mesmo renunciar da companhia da amada para preservar a pureza e a grandeza de seu sentimento.

D)mesmo acreditando ser tudo lícito, desde que praticado em nome do amor, recusa-se a seguir seu coração por medo de trazer a infelicidade à sua amada.

E)é um anti-herói, representante da elite nobre, resquício do feudalismo em pela modernidade, e acredita ter o direito de casar-se com a amada porque assim lhe foi prometido pela família da moça.

21.(UEL) Sobre Amor de perdição, do escritor português Camilo Castelo Branco, assinale a alternativa INCORRETA:

(A) Amor de perdição é uma novela ultrarromântica, marcada pelo sentimento passional e pelo idealismo amoroso, confirmando, assim, duas das principais características do período, que foram o subjetivismo e a luta individual do herói.
(B) Narrada em terceira pessoa, a novela segue as convenções tradicionais da narrativa de ficção, como a sequência temporal dos acontecimentos e a linearidade do enredo, apresentando também referências históricas e biográficas.
(C) O ultrarromantismo da novela é quebrado por tendências realistas observadas no posicionamento da personagem Mariana e na forma pouco subjetiva como a realidade é tratada numa ficção documental.
(D) Mariana é a principal agente de comunicação entre Simão e Teresa, figurando como personagem auxiliar que promove a união amorosa entre os dois adolescentes apaixonados, embora não possa dela participar.
(E) A personagem Mariana, encarnando o amor romântico, com pureza e resignação, e a personagem Teresa, representando a mulher inacessível e idealizada, encontram na morte a plenitude do amor idealizado, nesta novela da segunda fase romântica da literatura portuguesa.

22.(UFPI) Assinale a alternativa que não se relaciona com as personagens de Amor de Perdição:

  1. personagens ricas e pobres convivem lado alado.
  2. As ações das personagens são marcadas pela contenção de sentimento e emoções.
  3. Simão é caracterizado através de atributos antagônicos.
  4. Teresa representa a mulher burguesa subjugada pela prepotência dos pais.
  5. Mariana é a imagem da mulher do povo: franca, rude e generosa.

23.(Mackenzie-SP) É uma característica da obra de Camilo Castelo Branco:

a)a influência rica, em sua poesia, de símbolos, imagens alegóricas e construções.

b)a oscilação entre o lirismo e o sarcasmo, deixando páginas de autêntica dramaticidade, vibrando com personagens que comumente intervêm no enredo, tecendo comentários piedosos, indignados ou sarcásticos.

c) a busca de uma forma adequada para conter o sentimentalismo do assado e das formas românticas.

d)o fato de deixar ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização moderna e industrializada.

e)o apego ao conto como principal realização literária, através do qual se tornou um dos autores mais respeitados na literatura portuguesa.

24.Assinale a alternativa correta sobre Amor de Perdição:

a)Mariana é passional porque não pode cumprir tarefas contra si própria.

b)Simão é o tipo do fidalgo que explora Mariana para conseguir encontrar-se com Baltasar Coutinho.

c)Baltasar Coutinho sabe da chegada de Simão e o espera de tocaia.

d)João da Cruz é o homem do povo que se comporta como vassalo voluntário e fiel do herói do romance.

e)Teresa não deseja ver Simão por perto, porque deseja ganhar tempo e se decidir entre Simão e Baltasar

 

 

 

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Exercícios sobre A Moreninha

A MORENINHA

Texto 01 a 05:

                 Um sarau é o bocado mais delicioso que temos, de telhados abaixo. Em um sarau todo o mundo tem que fazer. O diplomata ajusta, com um copo de champanha na mão, os mais intrincados negócios; todos murmuram e não há quem deixe de ser murmurado. O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do seu tempo, e o moço goza todos os regalos da sua época; as moças são no sarau como as estrelas no céu; estão no seu elemento: aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se vaidosa nas asas dos aplausos, por entre os quais surde, às vezes, um bravíssimo inopinado, que solta de lá da sala do jogo o parceiro que acaba de ganhar sua partida no écarté, mesmo na ocasião em que a moça se espicha completamente, desafinando um sustenido; daí a pouco vão outras, pelos braços de seus pares, se deslizando pela sala e marchando em seu passeio (…) Finalmente, no sarau não é essencial ter cabeça nem boca, porque, para alguns é regra, durante ele, pensar pelos pés e falar pelos olhos.

                   E o mais é que nós estamos num sarau. Inúmeros batéis conduziram da Corte para a ilha de… senhoras e senhores, recomendáveis por caráter e qualidades; alegre, numerosa e escolhida sociedade enche a grande casa, que brilha e mostra em toda a parte borbulhar o prazer e o bom gosto.   A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo – pp. 66, 67. – Ed. Ftd…

1.Pesquise o significado de sarau e associe-o a um evento contemporâneo:

R: o sarau se aproxima das festas familiares em que ocorrem dança, jogos, conversa, não é uma balada, pois o sarau tinha caráter privado, não era aberto a quem quisesse.

2.No fragmento, o autor destaca os aspectos positivos do ambiente ou o deprecia? Justifique:

R: o autor destaca os aspectos positivos do ambiente, trata-se de um sarau, apresentado no trecho como uma festa agradável, frequentada por pessoas de bom gosto, de caráter e qualidades, alegre, escolhida sociedade.

3.O sarau associa-se ao modo de vida burguês. Que elementos justificam a afirmação?

o elemento que associa o sarau ao modo de vida burguês é o fato de ser uma festa urbana, noturna.

4.A burguesia se firmou como classe dominante a partir da Revolução Francesa. Que mudanças ela implantou no cotidiano?

introduziu a valorização da família, do trabalho, e novas formas de lazer, mais democráticas, como os bailes, os saraus.

5.  A linguagem do texto romântico marca-se pela metáfora/comparação e pela hipérbole. Destaque do texto exemplos das duas figuras:

R: metáfora/comparação: as moças são no sarau como as estrelas no céu; hipérbole: no sarau não é essencial ter cabeça nem boca, porque, para alguns é regra, durante ele, pensar pelos pés e falar pelos olhos.

6. Texto 1:
Já era tarde. Augusto amava deveras, e pela primeira vez em sua vida; e o amor, mais forte que seu espírito, exercia nele um poder absoluto e invencível. Ora, não há ideias mais livres que as do preso; e, pois, o nosso encarcerado estudante soltou as velas da barquinha de sua alma, que voou, atrevida, por esse mar imenso da imaginação; então começou a criar mil sublimes quadros e em todos eles lá aparecia a encantadora Moreninha, toda cheia de encantos e graças. Viu-a, com seu vestido branco, esperando-o em cima do rochedo, viu-a chorar, por ver que ele não chegava, e suas lágrimas queimavam-lhe o coração.(Joaquim Manuel de Macedo. “A Moreninha”. São Paulo: Ática, 1997, p.125.)

Texto 2:
Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
(Carlos Drummond de Andrade. “Reunião”. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p.19.)

a) Em ambos os textos, percebe-se a utilização de uma mesma temática mas com tratamentos distintos. Explique, com suas próprias palavras, a concepção de amor presente nos textos de Joaquim Manuel de Macedo e de Carlos Drummond de Andrade.

b) Nota-se que a estrutura do poema “Quadrilha” é construída a partir de dois movimentos. Identifique-os indicando, para cada movimento, o verso inicial e o final.

RESPOSTA:

a)A concepção de amor no texto 1 indica idealização do sentimento amoroso e da mulher amada; valorização da fantasia e da imaginação; caracterização do poder absoluto do amor sobre as personagens. O tema é tratado no texto 2 a partir de um tom crítico e irônico, apontando o desencanto e o desencontro entre as personagens.  b)Lili, a “que não amava ninguém”, é a única do grupo que ironicamente encontrou um par. Diferente dos outros que cumpriam um destino solitário ou trágico, ela se casou com J. Pinto Fernandes, uma personagem fora da quadrilha.

 Texto para as questões 7, 8, 9 e 10

“Malditos românticos, que têm crismado tudo e trocado em seu crismar os nomes que melhor exprimem as ideias!… O que outrora as chamava em bom português, moça feia, os reformadores dizem menina simpática!… O que numa moça era antigamente, desenxabimento, hoje é ao contrário: sublime languidez!… Já não há mais meninas importunas e vaidosas… As que o foram chamam-se agora espirituosas!… A escola dos românticos reformou tudo isso, em consideração ao belo sexo.” (MACEDO, Joaquim Manuel de. “A Moreninha”. São Paulo: FTD, 1991. p.31.)

 7.De acordo com o texto e considerando o período em que a obra foi escrita, é correto afirmar:

a) A figura de linguagem utilizada no texto para se referir ao modo como as mulheres passam a ser tratadas pelos artistas românticos é a hipérbole, que consiste no exagero com o intuito de realçar uma ideia.

b) O termo “românticos”, utilizado no texto, diz respeito a estado de espírito, desviando-se do movimento artístico dominante na primeira metade do século XIX brasileiro.

c) O movimento romântico teve caráter contestador, trazendo mudanças não somente para a arte como também para o comportamento.

d) Percebe-se, no texto, forte influência do Positivismo, pois o personagem preocupa-se com a maneira através da qual os escritores românticos referem-se às mulheres.

e) A referência ao modo de tratar a figura feminina exprime uma tentativa de aproximar dois polos considerados inconciliáveis e opostos, denotando profundo gosto pelo paradoxal e antitético.

8.Considere as afirmativas a seguir.

I.Há no texto uma nítida oposição entre “outrora” e “hoje”, podendo o primeiro ser lido como “época em que dominavam os valores clássicos”, e o segundo, como “época em que dominam os valores românticos”.

II.No período clássico, a designação da realidade era feita através de palavras precisas, deixando claro que aquele que a focalizava possuía grande conhecimento da língua portuguesa padrão.

III. No período romântico, a realidade não é mais vista por uma única perspectiva, por conseguinte, pode ser apreendida de maneira subjetiva.

IV.Olhar a realidade de forma romântica ou de forma clássica vem a ser a mesma coisa, pois o olhar é, antes de mais nada, humano.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.               b) I e III.                  c) II e IV.                   d) I, III e IV.              e) II, III e IV.

9.Dado o fato de haver no texto o emprego do substantivo “reformadores” aplicado aos românticos, é correto afirmar que Fabrício:

a) Mostra-se conservador devido à peculiaridade de sua história familiar.

b) Discorda da visão de mundo dos românticos, seus contemporâneos.

c) Está efetuando leitura da oposição visão de mundo romântica e visão de mundo clássica em período posterior à ocorrência das mesmas.

d) Possui visão de mundo católica, opondo-se aos adeptos da Reforma de Lutero.

e) Apresenta-se neutro frente à oposição visão de mundo clássica e visão de mundo romântica.

10.Sobre a expressão “em bom português”, presente no texto, considere as afirmativas a seguir. Estão corretas apenas as afirmativas:

I.Conforme aparece no texto, indica o desejo de estar de acordo com a norma culta da língua portuguesa.

II.Corresponde à expectativa de preservar, no uso corrente da língua portuguesa, a clareza e a objetividade.

III. Conforme aparece no texto, aponta a valorização da fidelidade aos sentidos originais dos vocábulos.

IV.É utilizada para ressaltar a admiração pela língua portuguesa conforme é falada em Portugal.

a) I e III.              b) II e III.             c) II e IV.             d) I, II e IV.            e) I, III e IV.

“Ora, o tal bichinho chamado amor é capaz de amoldar seus escolhidos a todas as circunstâncias e de obrigá-los a fazer quanta parvoíce há neste mundo. o amor faz o velho criança, o sábio doido, o rei humilde, cativo; faz mesmo. Ás vezes, com que o feio pareça bonito e o grão de areia um gigante. O amor seria capaz de obrigar um coxo a brincar o tempo-será, a um surdo o companheiro e a um cego o procura quem te deu. O amor foi inventor das cabeleiras, dos dentes postiços e de outros certos postiços que… mas, alto lá! Que isto é bulir com muita gente; enfim, o amor está fazendo um estudante do quinto ano de medicina passar um dia inteiro brincando com bonecas.”(Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha.)

11.A passagem extraída do romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, refere-se ao seu protagonista masculino, o estudante de medicina Augusto.

O tema abordado neste texto corresponde:

a) ao caráter inconstante da paixão amorosa

b)à relação problemática entre o amor e juventude.

c) à exaltação romântica do amor juvenil.

d) às alterações de comportamento provocadas pelo amor.

e) aos paradoxos afetivos que caracterizam os enamorados.

12.Assim se pode definir o romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo:

 a)Relato da vida nas repúblicas estudantis do tempo do Império.

b) Estudo da psicologia de um tipo de mulher brasileira, no ambiente rural.

c) História de fidelidade ao amor de infância, na sociedade do Rio

d) Crônica de um caso de mistério, na sociedade carioca de fins do século.

e)Narrativa sobre o problema da escravidão, na sociedade brasileira do século passado

13.Analise as afirmações abaixo sobre o romance “A Moreninha” e seu autor Joaquim

Manuel de Macedo.

I- A Moreninha é um livro centrado no romance entre Augusto e Carolina e é um dos pilares de nossa literatura romântica.

II- Numa época onde a cultura era totalmente voltada para a Europa, A Moreninha é uma das primeiras e magníficas tentativas de fazer literatura brasileira, observando usos e costumes do Brasil do Segundo Império, retratando o cotidiano da vida brasileira em meados do século XIX.

III- O romance apresenta a temática do casamento por interesse tão comum no século XIX e criticado pelo autor que já era considerado realista-naturalista.

 Quais são corretas?

A) Apenas I.      B) Apenas I e II.         C) Apenas II e III.           D) Apenas I e III.     E) I, II e III.

14.Analise as afirmações abaixo sobre o romance “A Moreninha” e seu autor Joaquim Manuel de Macedo.

 I- Mestre na arte do folhetim, Macedo sabia como entrelaçar vários fios narrativos, criando para o leitor momentos de emoção imprevistos e cenas cômicas que ajudam a desfazer a tensão, enquanto o narrador prepara o final feliz reservado para os protagonistas.

II- O Romantismo presente na trama desenvolvida por Macedo se manifesta em diversos aspectos da estrutura: há a pureza do amor infantil, que se concretiza na idade adulta; há a manutenção do mistério da identidade dos amantes; há até o traço nacionalista com a apresentação de uma lenda indígena.

III- Foi o primeiro romance romântico urbano com qualidade literária que alcançou grande sucesso de público e abriu caminho para uma vasta produção de folhetins escritos por autores brasileiros.

 Quais são corretas?

Apenas I.               B) I, II e III.        C) Apenas I e II.        D) Apenas II e III.      E) Apenas I e III.

15.Sobre o romance “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, leia o trecho reproduzido e responda à questão seguinte.

“Entre os rapazes, porém, há um que não está absolutamente satisfeito: é Augusto. Será porque no tal jogo da palhinha tem por vezes ficado viúvo?… não! ele esperava isso como castigo da sua inconstância. A causa é outra: a alma da ilha de … não está na sala! Augusto vê o jogo ir seguindo o seu caminho muito em ordem; não se rasgou ainda nenhum lenço, Filipe ainda não gritou com a dor de nenhum beliscão, tudo se faz em regra e muito direito; a travessa, a inquieta, a buliçosa, a tentaçãozinha não está aí: D. Carolina está ausente!…

Com efeito, Augusto, sem amar D. Carolina, (ele assim o pensa) já faz dela ideia absolutamente diversa da que fazia ainda há poucas horas. Agora, segundo ele, a interessante Moreninha é, na verdade, travessa, mas a cada travessura ajunta tanta graça, que tudo se lhe perdoa. D. Carolina é o prazer em ebulição; se é inquieta e buliçosa, está em sê-lo a sua maior graça; aquele rosto moreno, vivo e delicado, aquele corpinho, ligeiro como abelha, perderia metade do que vale, se não estivesse em contínua agitação. O beija-flor nunca se mostra tão belo como quando se pendura na mais tênue flor e voeja nos ares; D. Carolina é um beija-flor completo.”MACEDO, Joaquim Manuel de. A Moreninha. L&PM: Porto Alegre, 2001.p. 123-124.

A única alternativa incorreta sobre a obra e o trecho lidos é:

A) O cotidiano burguês do século XIX é apresentado em diversos capítulos, detalhando os hábitos e costumes da época.

B) A comparação de D. Carolina a um beija-flor é um recurso estilístico próprio do Romantismo, e serve para enfatizar o caráter idealizador sobre a figura feminina.

C) A inquietação de Augusto é causada pela ausência de D. Carolina, e não pelo fato de o jogo estar monótono.

D) Augusto começa a enxergar a jovem D. Carolina como uma mulher sedutora e extravagante, após alguns dias devidamente instalado na ilha de…

E) A obra sugere, em seu final, que o romance é resultado da derrota de Augusto na aposta realizada com seu amigo Filipe.

16.Sobre o contexto histórico-literário da obra “A Moreninha” e seu autor, analise as afirmações a seguir.

I.Joaquim Manuel de Macedo foi o primeiro romancista a alcançar sucesso junto ao novo público romântico formado por jovens senhoras e estudantes.

II.O contexto da publicação da obra revela um Rio de Janeiro imperial e seus costumes urbanos.

III. A burguesia mantém-se como personagem e consumidor dos romances românticos, fato esse herdado da estética literária anterior.

Quais são corretas?

A) Apenas I            B Apenas I e II.       C) Apenas II e III.    D) Apenas I e III.      E ) I, II e III.

17.(UFP)Em linhas gerais, o romance A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo, é:

a) o relato de uma história de fidelidade ao amor de infância, na sociedade brasileira do século passado.

b) a crônica de um caso amoroso ocorrido em fins do século XVII nas imediações do Rio de Janeiro.

c) uma história baseada no problema da escravidão, na sociedade brasileira do Segundo Império.

d) a história dramática de uma heroína às voltas com um amor impossível.

 e) uma história que mostra a oposição Roça/Corte no século passado, através de um episódio amoroso.

 19.(ARL) Analise as afirmações abaixo sobre o escritor Joaquim Manuel de Macedo.

 I- Joaquim Manuel de Macedo foi médico, político,  professor, romancista, teatrólogo e poeta, numa época  de euforia da burguesia, classe social dominante, em  pleno Brasil pós independente.

II- Foi aceito de imediato pelo público porque explorou  com muita felicidade a “psicologia feminina e a  sociedade da época” bem como por usar a linguagem  do leitor.

III- Retratou a elite brasileira da corte com alguns tipos  inconfundíveis: os estudantes, a moça namoradeira, a  criada intrometida, a avó carinhosa, a senhora  fofoqueira, todos eles envolvidos em cenas que se  desenrolam em espaços claramente brasileiros (a Ilha

de Paquetá, as matas da Tijuca, os espaços urbanos  do Rio de Janeiro.

 Quais são corretas?

A) Apenas I.            B) Apenas I e II.      C) Apenas II e III.    D) Apenas I e III.     E) I, II e III.

 

 

 

 

Votação do impeachment, show de exibicionismo

IMPEACHMENT

( imagem -https://www.buzzfeed.com/susanacristalli)

NINGUÉM                   Tu estás a fim de quê?

TODO MUNDO           A fim de coisas buscar

que não consigo topar.

Mas não desisto, porque

O cara tem que teimar.

NINGUÉM                    Me diz teu nome primeiro.

TODO MUNDO            Eu me chamo Todo Mundo

e passo o dia e o ano inteiro

correndo atrás de dinheiro,

seja limpo ou seja imundo.

BELZEBU                      Vale a pena dar ciência

e anotar isto bem,

por ser fato verdadeiro:

que Ninguém tem consciência,

e Todo Mundo, dinheiro

NINGUÉM                    E o que mais procuras, hem?

TODO MUNDO           Procuro poder e glória.   […]

( Auto da Lusitânia, de Gil Vicente escrito em 1531)

        A epígrafe utilizada ilustra bem o que pasmou o país ontem, 17 de abril, no plenário da câmara dos deputados, em que foi palco de votação do impeachment de Dilma Rousseff, presidente do Brasil eleita pelo voto popular com 54.501.118 votos, isto é, 51,64% de aceitação. O encaminhamento do processo de impeachment por crime de responsabilidade ao senado é amparado pelo Art. 85 da Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988  e pela lei 1.079, de 10 de abril de 1950. Tudo que foi citado, o cidadão consciente de seus direitos e deveres já sabia. Entretanto, o que ele não sabia era que naquele tarde quente de domingo assistiria a um show de exibicionismo, egocentrismo e de assassinato a um legado cultural – a Língua Portuguesa -. Esperava-se daqueles que nos representam civilidade.

        Atrevo-me a registrar o significado da palavra a fim de que todos os leitores procurem pautar-se nele para entender o que digo: civilidade – conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração, boas maneiras, cortesia e polidez. – o que em raros momentos o significado dessa palavra se fez presente em plenário. Isto se justifica, pois a preocupação de muitos era se promover; claro estavam sendo filmados. Como se não bastasse a promoção de sua estampa, não satisfeitos destacavam sua árvore genealógica. Eu pergunto caro leitor, domingo é o seu dia de descanso como também o dia da família brasileira, que foi surpreendida com atos que violaram a moral e os bons costumes que os pais e os professores pregam a filhos e alunos.

       Deixo claro que não sou contra o impeachment, todavia reservo-me o direito de ser contra uma bancada composta de pessoas corruptas, notadamente aquele que presidiu a sessão. Pelos poucos conhecimentos que adquirir através de leituras exaustivas acerca do assunto sou ousada em dizer que para maior credibilidade e entrelaçamento de confiança entre o povo brasileiro e aqueles que os representam era de mister importância que as pessoas envolvidas naquela sessão fossem escolhidas pela sua lisura, pois só assim, e somente assim, todos acreditariam em uma mudança para este país.

                                                                                                                                                 Zamira Pacheco.

EXERCÍCIOS ARCADISMO

 

ARCADISMO

 

 

1.(FESP) Aponte a alternativa cujo conteúdo não se aplica ao Arcadismo:

a)Desenvolvimento do gênero épico, registrando o início da corrente indianista na poesia brasileira.

b) Presença da mitologia grega na poesia de alguns poetas desse período.

c) Propagação do gênero lírico em que os poetas assumem a postura de pastores e transformam a realidade em um quadro idealizado.

d) Circulação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político.

e) Penetração de tendência mística e religiosa, vinculada a expressão de ter ou não fé.

2.Sobre Bocage, assinale a informação incorreta:
a) Além de produzir poesia culta, foi poeta popular e exímio improvisador.
b) Sob a linguagem grosseira, mas sempre divertida, com que representa situações escabrosas, revela-se, muitas vezes, um moralismo bastante convencional, machista e preconceituoso.
c) A capacidade de representar o traço caricatural e ridículo de situações e pessoas, aliada à versificação fluente e precisa, à linguagem próxima da oralidade, fazem-nos rir, até nas passagens vulgares, mesmo quando discordamos da visão distorcida e encobertamente moralista.
d) Os alvos privilegiados de sua sátira foram os mulatos e os mestiços das colônias orientais. É contra eles que mostra a presunção de superioridade do branco europeu, o racismo e o preconceito.
e) A sátira bocagiana é superior à sua produção lírica, além de ser muito mais popular, autêntica e original.

3.Movimento estético que gravita em torno de três diretrizes, Natureza, Verdade e Razão, buscando fazer da literatura a “expressão racional da natureza para, assim, manifestar a verdade”. Trata-se do:
a) Barroco     b) Romantismo           c) Simbolismo        d) Neoclassicismo         e) Modernismo

4. (CESEP – PE) I   – “O momento ideológico, na literatura do Setecentos, traduz a crítica da burguesia culta, ilustrada, aos abusos da nobreza e do clero.”
II  – “O momento poético, na literatura do Setecentos, nasce de um encontro, embora ainda amaneirado, com a natureza e os afetos  comuns do homem”.
III – “Façamos, sim, façamos doce amada / Os nossos breves dias mais ditosos.” Estes versos desenvolvem o tema do carpe diem.
a) só a proposição I é correta;                    d) só a proposição II é correta;
b) só a proposição III é correta;                 e) são corretas somente as proposições I e II;
c) todas as proposições são corretas.

5.. (MACKENZIE) Sobre a obra de Bocage, é correto afirmar que:
a) seus sonetos contêm o mais alto sopro de seu talento lírico, sendo considerado um dos maiores sonetistas da língua;
b) basicamente se faz de anedotas, todas se aproximando da obscenidade grosseira;
c) a sátira ocupa o lugar de maior importância em seu desenvolvimento;
d) pode ser colocada como ponto máximo da poesia romântica portuguesa;
e) não supera regras e as coerções literárias ligadas ao movimento arcádico.

6.(FUVEST) De Bocage, pode-se dizer que:
a) passou a maior parte de sua vida no Brasil;
b) é o expoente máximo da poesia portuguesa do século XVIII;
c) foi grande cultor do soneto barroco;
d) escreveu contos eróticos;
e) representa a poesia parnasiana em Portugal.

7.(CENTEC-BA) Quando o poeta neoclássico pinta uma paisagem como um “estado de alma”, podemos dizer que estamos diante de uma paisagem:

a)tipicamente neoclássica.                                         d) prenunciadora do Parnasianismo
b) sugestivamente simbolista                                     e) antecipadamente romântica.c) rebuscadamente barroca

8.(MACKENZIE) Sobre Bocage, é incorreto afirmar que:
a) como poeta satírico, ironizou contemporâneos seus, o clero, a nobreza decadente;
b) houve, notada inclusive por ele mesmo em um famoso soneto, uma série de semelhanças entre sua vida e a de Camões;
c) em sua obra lírica, o Arcadismo interessou apenas como postura, aparência, pois, no fundo, o poeta foi um pré-romântico;
d) como abriu mão totalmente dos valores neoclássicos, desprezou o apuro formal, o bucolismo e a postura pastoril;

e) o subjetivismo, a confidência de sua vida interior, a confissão foram elementos frequentes em sua obra lírica.

9.(FUVEST) Bocage foi:
a) o poeta mais representativo do Arcadismo em Portugal;
b) o poeta mais representativo do Arcadismo no Brasil;
c) um poeta pré-romântico;
d) o escritor-chave para a compreensão do movimento barroco;
e) um cronista medieval.

10.Bocage só não escreveu:
a) poesia satírica e obscena;                        d) poesia lírica bucólica;
b) poesia lírica reflexiva;                            e) poesia encomiástica e de circunstância;
c) poesia épica.

11.. Assinale a incorreta sobre Bocage:
a) Foi fundador da Escola Arcádia Lusitana, em 1756, e pertenceu à Nova Arcádia, mas rompeu com as duas agremiações.
b) À semelhança de Camões, teve vida atribulada: viveu no Oriente, conheceu a miséria e a prisão.
c) À semelhança de Gregório de Matos, notabilizou-se como poeta satírico e como poeta lírico.
d) A lírica bocagiana evoluiu do Arcadismo convencional para o egocentrismo pré-romântico.
e) A tensão entre o racionalismo neoclássico e o individualismo pré-romântico é um dos eixos temáticos de sua obra.

12.(ITA) Dadas as afirmações:
I) O Uruguai, poema épico que antecipa em várias direções o Romantismo, é motivado por dois propósitos indisfarçáveis: exaltação da política pombalina e antijesuitismo radical.
II) O (A) autor(a) do poema épico Vila Rica, no qual exalta os bandeirantes e narra a história da atual Ouro Preto, desde a sua fundação, cultivou a poesia bucólica, pastoril, na qual menciona a natureza como refúgio.
III) Em Marília de Dirceu, Marília é quase sempre um vocativo; embora tenha a estrutura de um diálogo, a obra é um monólogo – só Gonzaga fala, raciocina; constantemente cai em contradição quanto à sua postura de Spastor e sua realidade de burguês.
Está(ão) Correta(s):
a) Apenas I           b) Apenas II          c) Apenas I e II        d) Apenas I e III              e) Todas

13.(ITA) Uma das afirmações abaixo é incorreta. Assinale-a:
a) O escritor árcade reaproveita os seres criados pela mitologia greco-romana, deuses e entidades pagãs. Mas esses mesmos deuses convivem com outros seres do mundo cristão.
b) A produção literária do Arcadismo brasileiro constitui-se sobretudo de poesia, que pode ser lírico-amorosa, épica e satírica.
c) O árcade recusa o jogo de palavras e as complicadas construções da linguagem barroca, preferindo a clareza, a ordem lógica na escrita.
d) O poema épico Caramuru, de Santa Rita Durão, tem como assunto o descobrimento da Bahia, levado a efeito por Diogo Álvares Correia, misto de missionários e colonos português.

e) A morte de Moema, índia que se deixa picar por uma serpente, como prova de fidelidade e amor ao índio Cacambo, é trecho mais conhecido da obra O Uruguai, de Basílio da Gama.

14. Poema satírico sobre os desmando administrativos e morais imputados a Luís da Cunha Menezes, que governou a Capitania das Minas de 1783 e 1788:
a) Marília de Dirceu                                          d) Vila Rica
b) Fábula do Ribeirão do Carmo                    e) Caras Chilenas
c) O Uruguai

15.Qual a alternativa que apresenta uma associação errada?
a) Barroco / Contrarreforma.                            d) Arcadismo / Iluminismo
b) Romantismo / Revolução Industrial.             e) Arcadismo / Anti-Classicismo
c) Arcadismo / Racionalismo

16.Entre os escritores mais conhecidos do “Grupo Mineiro”, estão:
a) Silva Alvarenga, Mário de Andrade, Menotti del Picchia.
b) Santa Rida Durão, Cecília Meireles, Tomás Antônio Gonzaga.
c) Basílio da Gama, Paulo Mendes Campos, Alvarenga Peixoto.
d) Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto.
e) Alvarenga Peixoto, Fernando Sabino, Cláudio Manuel da Costa.

17.A respeito da época em que surgiu o Arcadismo:
a) o século XVIII ficou conhecido como “século das luzes”;
b) os “enciclopedistas”construíram os alicerces filosóficos da Revolução Francesa;
c) o adiantamento cientifico é uma das marcas desta época histórica;
d) a burguesia conhece, então, acentuado declínio em seu prestígio;
e) em O Contrato Social, Rousseau aborda a origem da Autoridade.

18.Indique a alternativa errada:

 a) Cultismo e conceptismo são as duas vertentes literárias do estilo barroco.
b) O arcadismo afirmou-se em oposição ao estilo barroco.
c) O conceptismo correspondeu a um estilo fundado em “agudezas”ou “sutilezas”de pensamento, com transições bruscas e associações inesperadas entre conceitos.
d) O cultismo correspondeu sobretudo a um jogo formal refinado, com uso abundante de figuras de linguagem e verdadeiras exaltação sensorial na composição das imagens e na elaboração sonora.
e) O Arcadismo tendeu à obscuridade, à complicação linguística e ao ilogismo.

19.Assinale o que não se refere ao Arcadismo:
a) Época do Iluminismo (século XVIII) – Racionalismo, clareza, simplicidade.
b) Volta aos princípios clássicos greco-romanos e renascentistas (o belo, o bem, a verdade, a perfeição, a imitação da natureza).
c) Ornamentação estilística, predomínio da ordem inversa, excesso de figuras.
d) Pastoralismo, bucolismo suaves idílios campestres.
e) Apoia-se em temas clássicos e tem como lema: inutilia truncat (“corta o que é inútil”).

20.(MACKENZIE/SP-2006) Tomás Antônio Gonzaga, outro poeta árcade brasileiro, assim expressa o sentimento amoroso: Se não lhe desse, / compadecido, / tanto socorro / o deus Cupido; / se não vivera / uma esperança / no peito seu, / já morto estava / o bom Dirceu.

Nesses versos, encontram-se índices que apontam para o fato de que a poesia brasileira do século XVIII

I.preservou da cultura clássica as referências mitológicas.

II.adotou explicitamente o “fingimento” poético, ao desenvolver motivos pastoris.

III. apoiou-se também em padrões métricos mais populares, como o verso tetrassílabo.

Assinale:

a) se apenas a afirmação I estiver correta.           d) se apenas a afirmação II estiver correta.

b) se apenas a afirmação III estiver correta.        e) se apenas as afirmações I e II estiverem corretas.

c) se todas as afirmações estiverem corretas.

21.(MACKENZIE/SP-2006) Assinale a alternativa que apresenta comentário crítico adequado à obra de Cláudio Manuel da Costa, poeta do Arcadismo brasileiro.

a) … sua poesia prolonga uma atmosfera lírica e moral que descortinamos na poesia camoniana, evidente no emprego constante da antítese, do paradoxo e do racionalismo …

b) … a essência doutrinária revela um homem primitivo, apegado ainda à Idade Média: os poemas respiram uma fé inabalável, intocada pelos ventos críticos da Renascença.

c) … o sentimento amoroso se espraia livremente; nota-se que o poeta infringe os princípios clássicos da contenção e manifesta a emoção dum modo tal que seus versos acabam adquirindo foros de crônica amorosa.

d) …é preciso ver na força desse poeta o ponto exato em que o mito do bom selvagem, constante desde os árcades, acabou por fazer-se verdade artística.

e) … os seus versos agradaram, e creio que ainda possam agradar aos que pedem pouco à literatura: uma expressão fácil, uma sintaxe linear, uma linguagem coloquial e brejeira..

22.(UFPB-2006) No Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles recria poeticamente os acontecimentos históricos de Minas Gerais, ocorridos no final do século XVIII. Nesta mesma época, circulavam, em Vila Rica, as Cartas Chilenas, atribuídas a Tomás Antônio Gonzaga.
O fragmento a seguir foi extraído da Carta 2 em que Critilo (Gonzaga), dirigindo-se aoseu amigo Doroteu (Cláudio Manuel da Costa), narra o comportamento do Fanfarrão Minésio (Luís da Cunha Meneses, governador de Minas).

Aquele, Doroteu, que não é Santo
Mas quer fingir-se Santo aos outros homens,
Pratica muito mais, do que pratica,
Quem segue os sãos caminhos da verdade.
Mal se põe nas Igrejas, de joelhos,
Abre os braços em cruz, a terra beija,
Entorta o seu pescoço, fecha os olhos,
Faz que chora, suspira, fere o peito;
E executa outras muitas macaquices,
Estando em parte, onde o mundo as veja. GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas Chilenas. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 68-69.

Considerando as informações apresentadas e esse fragmento poético, é correto afirmar:

a) O autor descreve as atitudes do governador de Minas sem fazer uso de um tom irônico.

b) O autor critica algumas atitudes do governador de Minas, julgando-as dissimuladas.

c) O autor descreve, com humor, o comportamento do governador de Minas, sem apresentar um posicionamento crítico.

d) O tom satírico, presente nas Cartas Chilenas, não é observado nesse fragmento, pois, aqui, há apenas a descrição das práticas religiosas do Fanfarrão Minésio.

e) O autor chama a atenção para o fato de que o governador de Minas age com fervor, longe dos olhos dos fiéis.

23.(PUC/PR/PAES-2006) É só a partir do Arcadismo, que começa a surgir no país uma relação sistemática entre autor, obra e público, que caracterizam um sistema literário. Aponte a alternativa que melhor descreve esse período.

a) Busca da simplicidade, racionalismo, imitação da natureza, caráter pastoril, imitação dos clássicos, ausência de subjetividade.

b) Individualismo e subjetivismo, culto à Natureza, evasão, liberdade artística, culto à mulher amada, sentimentalismo, indianismo, nacionalismo.

c) Subjetivismo, efeito de sugestão, musicalidade, irracionalismo, mistério.

d) Liberdade, de expressão, incorporação do cotidiano, linguagem coloquial, inovação técnica, ambiguidade, paródia.

e) Racionalismo, incorporação do cotidiano, culto à mulher amada, imitação dos clássicos, efeito de sugestão.

24.(UFAC-2007) O Arcadismo brasileiro surgiu por volta de 1700, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa, só não se pode afirmar que:

a) Tem suas fontes nos antigos grandes autores gregos e latinos, dos quais imita os motivos e formas.

b) Apresentou uma corrente de conotação ideológica, envolvida com as questões sociais do seu tempo, com a crítica aos abusos de poder da Coroa Portuguesa.

c) Legou a nós os poemas de feição épica Caramuru, de Frei José de Santa Rita Durão e O Uraguai, de Basílio da Gama, no qual se reconhece qualidade literária destacada em relação ao primeiro.

d) Teve em Cláudio Manuel da Costa o representante que, de forma original, recusou a motivação bucólica e os modelos camonianos da lírica amorosa.

e) Em termos dos valores estéticos básicos, norteou a produção dos versos de Marília de Dirceu, obra que celebrizou Tomás Antônio Gonzaga e que destaca a originalidade de estilo e de tratamento local dos temas pelo autor.

25.(PUC-CAMPINAS/SP-2007) A imagem mítica de uma natureza harmônica, capaz de inspirar o desejo do equilíbrio racional e da vida simples, constitui uma espécie de paradigma da poesia neoclássica, tal como se pode perceber nestes versos:

  1. a) O Demo a viver se exponha
    Por mais que a fama a exalta,
    Numa cidade onde falta
    Verdade, honra, vergonha.
  2. b) O vocábulo puro, em que me amparo,
    Esquiva-se a meu jugo; e raro canto.
    Que a palavra da boca é sempre inútil
    Se o sopro não lhe vem do coração.
  3. c) O poema é uma pedra no abismo.
    O eco do poema desloca os perfis.
    Para bem das águas e das almas
    Assassinemos o poeta.
  4. d) A morte é limpa.
    Cruel mas limpa.
    Com seus aventais de linho
    – Fâmula – esfrega as vidraças.
    Tem punhos ágeis e esponjas.
  5. e) Pois que viva eu em paz, em calma pura,
    Abrandando a paixão nestes ribeiros,
    Aspirando dos álamos a brandura,
    Ouvindo ao vento os cantos mais inteiros.

26. (UFV-MG) Todos os fragmentos abaixo representam, pela linguagem ou pela temática, o movimento árcade brasileiro, EXCETO:

  1. a) “A mesma formosura/é dote que só goza a mocidade:/rugam-se as faces, o cabelo alveja/mal chega a longa idade.”
  2. b) “Pastores que levais ao monte o gado,/Vede lá como andais por essa serra,/Que para dar contágio a toda a terra,/Basta ver-se o meu rosto magoado.”
  3. c) “Passam, prezado amigo, de quinhentos/Os presos que se ajuntam na cadeia./Uns dormem encolhidos sobre a terra,/Mal cobertos dos trapos, que molharam/de dia, no trabalho.”
  4. d) “Que havemos de esperar, Marília bela?/que vão passando os florescentes dias?/as glórias que vêm tarde, já vêm frias,/e pode enfim mudar-se a nossa estrela.”
  5. e) “Oh! Que saudades que eu tenho/Da aurora da minha vida,/Da minha infância querida/Que os anos não trazem mais!”

27.(UFV-MG) Observe com atenção os textos abaixo, pertencentes a autores dos estilos árcade e barroco:

Texto I “[…]
Ornemos nossas tendas com as flores,
e façamos de feno brando leito;
prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
gozemos do prazer de sãos amores.
Sobre as nossas cabeças,
sem que o possam deter, o tempo corre;
[…]”

Texto II “[…]
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
[…]”

Dentre as seguintes alternativas, assinale aquela que estabelece uma relação CORRETA entre a temática dos poemas transcritos, seus autores e os períodos literários a que pertenceram:

  1. a) O texto II traz implícita uma crítica à sociedade mineira do século XVIII e foi escrito pelo poeta barroco Gregório de Matos Guerra.
  2. b) O autor do texto I prioriza a tranquilidade da vida campestre e, movido por um forte sentimento nativista, exalta as belezas da natureza brasileira.
  3. c) O texto II insere-se no gênero satírico da estética barroca e confirma a veia crítica do poeta Tomás Antônio Gonzaga.
  4. d) O texto I compara os prazeres da vida no campo aos dissabores da vida na cidade e retoma o famoso princípio poético “fugere urbem”.
  5. e) O texto I é de autoria do poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga e evidencia a inevitável passagem do tempo, sobretudo a necessidade de aproveitar bem os momentos de felicidade.

28.(Ufam) Leia as afirmativas abaixo, feitas a propósito de poetas brasileiros do período colonial:

I.O apego à felicidade do “lar, doce lar” e ao comodismo burguês perpassam sua lírica muitas vezes erótica, e esse último aspecto desfaz em parte o código da idealização platônica da mulher eleita.

II.Seus versos, que nunca foram editados e circularam muito tempo em cópias volantes, até serem coligidos a partir do século XX, constituem um dos grandes problemas de autoria de nossa literatura.

III. Sua grande contribuição à literatura reside na habilidade com que infundiu lirismo ao verso narrativo, tendo imprimido no confronto civilização versus natureza várias notas de simpatia pelo selvagem.

Os enunciados se referem, respectivamente, a:

  1. a) Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama, Gonçalves Dias.
  2. b) Cláudio Manuel da Costa, Bento Teixeira, Santa Rita Durão.
  3. c) Alvarenga Peixoto, Gregório de Matos, Gonçalves Dias.
  4. d) Tomás Antônio Gonzaga, Gregório de Matos, Basílio da Gama.
  5. e) Cláudio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto, Basílio da Gama.

29.(Ufam) Leia as afirmativas abaixo, feitas a respeito do Caramuru, poema épico de Frei José de Santa Rita Durão:

I.Possui inspiração devota e a vontade de celebrar em Diogo Álvares Correia um herói camoniano, capaz de dilatar a fé cristã e o Império português.

II.Moema, preterida pelo Caramuru em favor de Paraguaçu, apostrofa o ingrato herói e morre agarrada ao leme do navio que o levará, com sua eleita, para a França.

III. Emprega o verso branco, que o neoclassicismo, em seu duplo afã de austeridade e naturalidade, valorizava.

IV.O alarido da glória bélica perde importância ante a sensibilidade amorosa registrada nas cenas de namoro entre o herói e sua eleita.

Estão corretas:

a) Apenas III e IV. b) I, II e III. c) I, III e IV.     d) Apenas II e IV.    e) Apenas I e II.

30.(Ufam) Todas as características de estilo abaixo relacionadas pertencem ao Arcadismo, exceto:

  1. a) A defesa de uma função social para a literatura, que devia ter caráter didático.
  2. b) O retorno ao equilíbrio e à simplicidade dos modelos greco-romanos.
  3. c) O culto da teoria aristotélica da arte como imitação da natureza.
  4. d) A exaltação da vida campesina, com sua paisagem, seus pastores e seu gado.
  5. e) O gosto pelo noturno, como forma de acentuar a atmosfera de mistério.

31.(Ufam) Considerando, principalmente, o nome da musa inspiradora, somente um dos trechos abaixo foi escrito por Tomás António Gonzaga. Assinale-o.

  1. a) “Não sei, Marília, que tenho.
    Depois que vi o teu rosto,
    Pois quanto não é Marília,
    Já não posso ver com gosto.
    Noutra idade me alegrava,
    Até quando conversava
    Com o mais rude vaqueiro:
    Hoje, ó bela, me aborrece
    Inda o trato lisonjeiro
    Do mais discreto pastor.”
  2. b) “Nise? Nise? Onde estás? Aonde espera
    Achar-te uma alma, que por ti suspira;
    Se quanto a vista se dilata e gira
    Tanto mais de encontrar-te desespera!”
  3. c) “Eu vi a linda Estela e namorado
    Fiz logo eterno voto de querê-la;
    Mas vi depois a Nise e é tão bela,
    Que merece igualmente o meu cuidado.
    [ ]”
  4. d) “Uma, que às mais precede em gentileza,
    Não vinha menos bela do que irada:
    Era Moema, que de inveja geme,
    E já vizinha à nau se apega ao leme.”
  5. e) Este lugar delicioso e triste,
    Cansada de viver, tinha escolhido
    Para morrer a miséria Lindóia.
    Lá, reclinada, como que dormia.”

32.

(UFPA)Convite a Marília

“Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus úmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores,
O prado ameno de boninas veste:
Varrendo os ares o subtil Nordeste
Os torna azuis: as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros [vento brando] e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste;
Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo:
Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!”

BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Sonetos.
Lisboa: Europa-América, s. d. p. 38.

Acerca do soneto, é correto afirmar:

(A) Observa-se, devido à presença de uma natureza agreste, um afastamento das convenções árcades referentes ao “locus amoenus”.

(B) O Pré-Romantismo, com sua valorização do sentimento, manifesta-se nas referências mitológicas, como “Zéfiros” e “Amores”.

(C) “Locus amoenus” é configurado, nos quartetos, por expressões como “a fértil Primavera”, “o prado ameno”, “a cor celeste”, o que afasta o texto das paisagens noturnas do Pré-Romantismo.

(D) A oposição entre “a vã grandeza” da corte e “as perfeições da Natureza” revela o conflito entre o eu lírico e os valores da sociedade, numa antecipação pré-romântica do sentimento da paisagem.

(E) No primeiro terceto, dada a presença do tema campestre, evidenciam-se o bucolismo e o sentimento da natureza, típicos do Pré-Romantismo.

33.(Ufal) Considere as seguintes afirmações:

I.Gregório de Matos e Tomás Antônio Gonzaga compuseram poesia lírica, mas o talento de ambos encontrou sua expressão máxima nas sátiras.

II.Em Marília de Dirceu, o árcade mineiro buscou figurar um equilíbrio entre a vida rústica e a cultura ilustrada.

III. Cláudio Manuel da Costa confronta a paisagem bucólica idealizada com a de sua terra natal.

Está inteiramente correto o que vem afirmado SOMENTE em

  1. a) I.                             b) II.                  c) III.                   d) I e II.                    e) II e III.

34. (UEL-PR) A chamada atividade literária das primeiras décadas de nossa formação histórica caracterizou-se por seu cunho pragmático estrito, seja a circunscrita ao parâmetro jesuítico, seja a decorrente de viagens de reconhecimento e informação da terra.

São representantes dos dois tipos de atividade literária referidos no excerto acima:

  1. a) Gregório de Matos e Cláudio Manuel da Costa.
  2. b) Antônio Vieira e Tomás Antônio Gonzaga.
  3. c) José de Anchieta e Gabriel Soares de Sousa.
  4. d) Bento Teixeira e Gonçalves de Magalhães.
  5. e) Basílio da Gama e Gonçalves Dias.

35.(Ufal) Considerando-se a produção poética de Gregório de Matos e Cláudio Manuel da Costa, é correto afirmar que ambos:

  1. a) Cultivaram o soneto, forma fixa pela qual exploraram temas e recursos poéticos próprios dos diferentes períodos e estilos literários que tão bem representaram.
  2. b) Cultivaram o soneto, pois valorizaram o mesmo estilo de época predominante no século XVII, quando essa forma fixa de poesia era considerada superior a todas as demais.
  3. c) Notabilizaram-se pela sátira, dirigida contra os mandatários da Coroa portuguesa responsáveis pela exploração econômica do açúcar e pela corrupção política na Bahia.
  4. d) Notabilizaram-se por um tipo de lirismo sentimental que já prenunciava o movimento romântico, influindo diretamente nas obras de Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo.
  5. e) Notabilizaram-se pela idealização do amor e da natureza, esses dois elementos centrais para a lírica que seguia os padrões e os valores do chamado estilo neoclássico.

36.(UFPE)

“Basta senhor, porque roubo em uma barca sou ladrão, e vós que roubais em uma armada sois imperador? Assim é. Roubar pouco é culpa, roubar muito é grandeza. O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas que levam de que eu trato, são os outros… ladrões de maior calibre e mais alta esfera… Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos, os outros furtam debaixo de seu risco, estes sem temor nem perigo; os outros se furtam são enforcados, e o bucolismo estes furtam e enforcam.”

Antonio Vieira. Sermão do bom ladrão.

“Que havemos de esperar, Marília bela?
Que vão passando os florescentes dias?
As glórias que vêm tarde já vêm frias;
E pode enfim mudar-se a nossa estrela.

Ah! Não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças
E ao semblante a graça.”     Tomás Antônio Gonzaga. Lira XIV.

Sobre a obra desses autores, analise as afirmativas a seguir.

I.A obra de Gonzaga é exemplar do Arcadismo. O tema dos versos acima é o “carpe diem” (gozar a vida presente), escrito numa linguagem amena, sem arroubos, própria do Arcadismo.

II.Despojada de ousadias sintáticas e vocabulares, a linguagem arcádica, no poema de Gonzaga, diferencia-se da linguagem rebuscada, usada pelo Barroco.

III. O texto de Vieira, sendo Barroco, está pleno de metáforas, de linguagem figurada, de termos inusitados e eruditos, sendo de difícil compreensão.

IV.Vieira adota a tendência barroca conceptista que leva para o texto o predomínio das ideias, do raciocínio, da lógica, procurando adequar os textos religiosos à realidade circundante.

Está(ão) correta(s) apenas:

a) I, II e III.           b) I.                                     c) II.                 d) I, II e IV.         e) II, III e IV.

37.(PUC-MG)

Texto I

“Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo claramente
Na vossa ardente vista o sol ardente,
e na rosada face a aurora fria;

Enquanto pois produz, enquanto cria
Essa esfera gentil, mina excelente
No cabelo o metal mais reluzente,
E na boca a mais fina pedraria.

Gozai, gozai da flor da formosura,
Antes que o frio da madura idade
Tronco deixe despido o que é verdura.

Que passado o zenith da mocidade,
Sem a noite encontrar da sepultura,
É cada dia ocaso da beldade.”      Gregório de Matos Guerra

Texto II

“Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos deuses
Sujeitos ao poder do ímpio Fado:
Apolo já fugiu do Céu brilhante,
Já foi pastor de gado.
Ah! enquanto os Destinos impiedosos
Não voltam contra nós a face irada,
Façamos, sim façamos, doce amada,
Os nossos breves dias mais ditosos,
Um coração, que frouxo
A grata posse de seu bem difere
A si, Marília, a si próprio rouba,
E a si próprio fere.

Ornemos nossas testas com as flores;
E façamos de feno um brando leito,
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Gozemos do prazer de sãos Amores.
Sobre as nossas cabeças,
Sem que o possam deter, o tempo corre;
E para nós o tempo, que se passa,
Também, Marília, morre.”     Tomás Antônio Gonzaga

O texto I é barroco; o texto II é arcádico. Comparando-os, só não é correto afirmar que:

  1. a) Os barrocos e árcades expressam sentimentos.
  2. b) As construções sintáticas barrocas revelam um interior conturbado.
  3. c) O desejo de viver o prazer é dirigido à amada nos dois textos.
  4. d) Os árcades têm uma visão de mundo mais angustiada que os barrocos.
  5. e) A fugacidade do tempo é temática comum aos dois estilos.

38.(UFV-MG) Sobre o Arcadismo, anotamos:     

I.Desenvolvimento do gênero lírico, em que os poetas assumem postura de pastores e transformam a realidade num quadro idealizado.

II.Composição do poema Vila Rica por Cláudio Manuel da Costa, o Glauceste Satúrnio.

III. Predomínio da tendência mística e religiosa, expressiva da busca do transcendente.

IV.Propagação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político, atribuídos a Tomás Antônio Gonzaga.

V.Presença de metáforas da mitologia grega na poesia lírica, divulgando as ideias dos inconfidentes.

Considerando as anotações anteriores, assinale a alternativa CORRETA:

a) Apenas I e III são verdadeiras.             d) Apenas II e IV são falsas.
b) Apenas II e V são verdadeiras.             e) Apenas III e V são falsas.
c) Todas são verdadeiras.

39.(Ufla-MG) Apresentam-se em seguida três proposições: I, II e III.

I.O momento ideológico, na literatura do Setecentos, traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.

II.O momento poético, na literatura do Arcadismo, nasce de um encontro, embora ainda amaneirado, com a natureza e os afetos comuns do homem.

III. Façamos, sim, façamos, doce amada,

Os nossos breves dias mais ditosos.

A característica que está presente nesses versos de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, é o “carpe diem” (“gozar a vida”).

Marque:

a) Se só a proposição I é correta.                d) Se só a proposição II é correta.

b) Se só a proposição III é correta.             e) se só são corretas as proposições I e II.

c) Se todas as proposições são corretas.

40.(UFV-MG) Os árcades, no Brasil, assimilaram as idéias neoclássicas européias, muitas vezes, reinterpretando, cada um ao seu estilo, a realidade sociopolítica e cultural do país, como se observa no seguinte fragmento das Cartas chilenas:

“Pretende, Doroteu, o nosso chefe
erguer uma cadeia majestosa,
que possa escurecer a velha fama
da torre de Babel e mais dos grandes,
custosos edifícios que fizeram,
para sepulcros seus, os reis do Egito.
Talvez, prezado amigo, que imagine
que neste monumento se conserve,
eterna a sua glória, bem que os povos,
ingratos, não consagrem ricos bustos
nem montadas estátuas ao seu nome.
Desiste, louco chefe, dessa empresa:
um soberbo edifício levantado
sobre ossos de inocentes, construído
com lágrimas dos pobres, nunca serve
de glória ao seu autor, mas sim de opróbrio.”Tomás Antônio Gonzaga. Cartas chilenas. In: Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 814.

Todas as alternativas abaixo apresentam características desse estilo literário, presente nos versos acima citados, EXCETO:

  1. a) Valorização do ideal da vida simples e tranquila.
  2. b) Tendência ao discurso em forma de diálogo do eu poético com um interlocutor.
  3. c) Utilização de linguagem elegante, rebuscada e artificial.
  4. d) Intenções didáticas, expressas no tom de denúncia e sátira.
  5. e) Caracterização do poeta como um pintor de situações e não de emoções.

41.U.F. Santa Maria-RS Autor de Obras Poéticas, apresenta, em suas composições, motivos

árcades. Assinale a alternativa que identifica esse autor, associando, corretamente, seu nome à característica presente nessa obra.

  1. a) Cláudio Manuel da Costa – desencanto e brevidade do amor.
  2. b) Basílio da Gama – preocupação com feito histórico.
  3. c) Tomás Antônio Gonzaga – celebração da natureza.
  4. d) Basílio da Gama – inspiração religiosa.
  5. e) Tomás Antônio Gonzaga – celebração da amada.

42.Relacione este trecho ao seu respectivo estilo, de acordo com as informações contidas nas alternativas a seguir:
“Sou pastor, não te nego; os meus montados
São esses, que aí vês; vivo contente
Ao trazer entre a relva florescente
A doce companhia dos meus gados.”
a) BARROCO: O homem barroco é angustiado, vive entre religiosidade e paganismo, espírito e matéria, perdão e pecado. As obras refletem tal dualismo, permeado pela instabilidade das coisas.
b) ARCADISMO: Em oposição ao Barroco, esse estilo procura atingir o ideal de simplicidade. Os árcades buscam na natureza o ideal de uma vida simples, bucólica, pastoril.
c) ROMANTISMO: A arte romântica valoriza o folclórico, o nacional, que se manifesta pela exaltação da natureza pátria, pelo retorno ao passado histórico e pela criação do herói nacional.
d) PARNASIANISMO: A poesia é descritiva, com exatidão e economia de imagens e metáforas.
e) MODERNISMO: Original e polêmico, o nacionalismo nele se manifesta pela busca de uma língua brasileira e informal, pelas paródias e pela valorização do índio verdadeiramente brasileiro.

43.Considere as afirmações a respeito do Arcadismo brasileiro. Todas as alternativas estão corretas, EXCETO:
a) Foi o movimento literário que se desenvolveu no século XVIII, quando o “saber” assumiu uma importância fundamental.
b) Confirmou um dos princípios ideológicos do Iluminismo, por uma forte preocupação com a ciência e com o raciocínio.
c) Sob o ponto de vista literário reagiu contra o Barroco, retomando a simplicidade e o bucolismo dos clássicos.
d) Empreendeu uma minuciosa análise do personagem, revelando-nos claramente os traços de seu corpo e de sua alma.
e) Vivenciou uma expressiva transformação social, sendo fortemente marcado pelos ideais político-filosóficos do enciclopedismo francês.

44.Sobre o Arcadismo no Brasil, podemos afirmar que:
a) produziu obras de estilo rebuscado, pleno de antíteses e frases tortuosas, que refletem o conflito entre matéria e espírito.
b) não apresentou novidades, sendo mera imitação do que se fazia na Europa.
c) além das características europeias, desenvolveu temas ligados à realidade brasileira, sendo importante para o desenvolvimento de uma literatura nacional.
d) apresenta já completa ruptura com a literatura europeia, podendo ser considerado a primeira fase verdadeiramente nacionalista da literatura brasileira.
e) presente sobretudo em obras de autores mineiros como Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e Basílio da Gama, caracteriza-se como expressão da angústia metafísica e religiosa desses poetas, divididos entre a busca da salvação e o gozo material da vida.

45.Assinale a alternativa que NÃO apresenta um trecho do Arcadismo brasileiro.
a) “Se sou pobre pastor, se não governo
Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Passo o verão, outono, estio, inverno;”

b) “Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci! oh quem cuidara,
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!”

c) “Musas, canoras musas, este canto
Vós me inspirastes, vós meu tenro alento
Erguestes brandamente àquele assento
Que tanto, ó musas, prezo, adoro tanto.”

d) “Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel das paixões que me arrastava,
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim, quase imortal, a essência humana!”

e) “Não vês, Nise, este vento desabrido,
Que arranca os duros troncos ? Não vês esta,
Que vem cobrindo o Céu, sombra funesta,
Entre o horror de um relâmpago incendido?”

46.:Leia atentamente o texto a seguir e assinale a alternativa INCORRETA.
Não permitiu o Céu que alguns influxos, que devi às águas do Mondego, se prosperassem por muito tempo; e destinado a buscar a Pátria, que por espaço de cinco anos havia deixado, aqui, entre a grosseria dos seus gênios, que menos pudera eu fazer que entregar-me ao ócio, e sepultar-me na ignorância! Que menos, do que abandonar as fingidas Ninfas destes rios, e no centro deles adorar a preciosidade daqueles metais, que têm atraído a este clima os corações de toda a Europa! Não são estas as venturosas praias da Arcádia, onde o som das águas inspirava a harmonia dos versos. Turva e feia, a corrente destes ribeiros, primeiro que arrebate as ideias de um Poeta, deixa ponderar a ambiciosa fadiga de minerar a terra, que lhes tem pervertido as cores.”(COSTA, Cláudio M. da. Fragmento do “Prólogo ao Leitor”. In: CÂNDIDO, A. & CASTELLO, J. A. PRESENÇA DA LITERATURA BRASILEIRA, vol. I, S. Paulo, Difusão Europeia do Livro, 1971, p. 138)
a) o poeta estabelece uma conexão entre as diferenças ambientais e o seu reflexo na produção literária.
b) Cláudio Manuel da Costa manifesta, no texto, a sua formação intelectual europeia, mas que deseja exprimir a realidade tosca de seu país.
c) Depreende-se do texto uma forma de conflito entre o Academicismo Árcade europeu e a realidade brasileira que passaria a ser a nova matéria-prima do poeta.
d) Apesar dos índices do Arcadismo presentes no texto, há um questionamento do contexto sobre a validade de adotar esse modelo literário no Brasil.
e) O poeta sofre mediante o fato de não mais poder, na Europa, contemplar as praias da Arcádia de onde retirava suas inspirações poéticas.

47.Sobre o Arcadismo no Brasil, é incorreto afirmar que:
a) Cláudio Manuel da Costa, um de seus autores mais importantes, embora tenha assumido uma atitude pastoril, traz, em parte de sua obra poética, aspectos ligados à lírica camoniana.
b) em “Liras de Marília de Dirceu”, Tomás Antônio Gonzaga não segue aspectos formais rígidos, como o soneto e a redondilha em todas as partes da obra.
c) nas “Cartas Chilenas”, o autor satiriza Luís da Cunha Menezes por suas arbitrariedades como governador da capitania de Minas.
d) Basílio da Gama, em “O Uraguai”, seguiu a rígida estrutura camoniana de “Os Lusíadas”, usando versos decassílabos em oitava-rima.
e) “Caramuru” tem, como tema principal, o descobrimento da Bahia por Diogo Álvares Correia, apresentando, também, os rituais e as tradições indígenas.

(UFMT-2007) Leia o poema do poeta árcade Cláudio Manoel da Costa e responda às questões 48 e 49.

VIII

Este é o rio, a montanha é esta,
Estes os troncos, estes os rochedos;
São estes inda os mesmos arvoredos;
Esta é a mesma rústica floresta.
Tudo cheio de horror se manifesta,
Rio, montanha, troncos, e penedos;
Que de amor nos suavíssimos enredos
Foi cena alegre, e urna é já funesta.
Oh quão lembrado estou de haver subido
Aquele monte, e as vezes, que baixando
Deixei do pranto o vale umedecido!
Tudo me está a memória retratando;
Que da mesma saudade o infame ruído
Vem as mortas espécies despertando.MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através de textos. São Paulo: Cultrix, 1986.

48(UFMT-2007) A respeito do texto, assinale a afirmativa verdadeira.

  1. a) A natureza é cenário tranqüilo, descrita sem levar em conta o estado de espírito de quem a descreve, como ocorre no Romantismo.
  2. b) O poema faz elogio ao pastoralismo, criticando os males que o meio urbano traz ao homem.
  3. c) Exemplo típico do Arcadismo, o poema apresenta a primazia da razão sobre a emoção, revelando a influência da lógica iluminista.
  4. d) A antítese Foi cena alegre, e urna é já funesta. resume o poema, indicando a passagem do tempo e a lembrança do amor perdido.
  5. e) Faz referência à constância da vida, à previsibilidade do destino, recomendando que se aproveite o dia.

49.(UFMT-2007) 2. A respeito da construção do poema, assinale a afirmativa INCORRETA.

  1. a) A métrica regular e a estrutura do poema, um soneto, são de inspiração greco-latina.
  2. b) O jogo interior × exterior organiza o poema em duas partes: os dois quartetos × os dois tercetos.
  3. c) Nas duas primeiras estrofes, as rimas são emparelhadas e interpoladas; nas duas últimas, cruzadas.
  4. d) Apresenta períodos em ordem indireta, mas sem o radicalismo da escrita barroca.
  5. e) Apresenta vocabulário erudito, com latinismos próprios à literatura clássica.

50.(UNIFESP-2007) INSTRUÇÃO: Leia o poema de Bocage para responder às questões de números 50 a 53.

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre flores?

Vê como ali, beijando-se, os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha pára,
Ora nos ares, sussurrando, gira:

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.

50.(UNIFESP-2007) A descrição que o eu lírico faz do ambiente é uma forma de mostrar à amada que o amor

  1. a) acaba quando a morte chega.
  2. b) tem pouca relação com a natureza.
  3. c) deve ser idealizado, mas não realizado.
  4. d) traz as tristezas e a morte.
  5. e) é inspirado por tudo o que os rodeia.

51.(UNIFESP-2007) O emprego de Mas, na última estrofe do poema, permite entender que

  1. a) todo o belo cenário só tem tais qualidades se a mulher amada fizer parte dele.
  2. b) a ausência da mulher amada pode levar o eu-lírico à morte.
  3. c) a morte é uma forma de o eu-lírico deixar de sofrer pela mulher amada.
  4. d) a mulher amada morreu e, por essa razão, o eu-lírico sofre.
  5. e) o eu-lírico sofre toda manhã pela ausência da mulher amada.

52.(UNIFESP-2007) Leia os versos e analise as considerações sobre as formas verbais neles destacadas.

I.Olha, Marília, as flautas dos pastores… — Como o eu lírico faz um convite à audição das flautas dos pastores, poderia ser empregada a forma Ouça, no lugar de Olha.

II.Vê como ali, beijando-se, os Amores… — A forma verbal, no imperativo, expressa um convite do eu lírico para que a amada se delicie, junto a ele, com o belo cenário.

III. Mas ah! Tudo o que vês… — A forma verbal, também no imperativo, sugere que, neste ponto do poema, a amada já viu tudo o que o seu amado lhe mostrou.

Está correto o que se afirma apenas em:

A) I                           B.II                        C.I  e II                          D.III                  E. I e III

53.(UNIFESP-2007). O soneto de Bocage é uma obra do Arcadismo português, que apresenta, dentre suas características, o bucolismo e a valorização da cultura greco-romana, que estão exemplificados, respectivamente, em

  1. a) Tudo o que vês, se eu te não vira/Olha, Marília, as
    flautas dos pastores.
  2. b) Ei-las de planta em planta as inocentes/Naquele
    arbusto o rouxinol suspira.
  3. c) Que bem que soam, como estão cadentes!/Os
    Zéfiros brincar por entre flores?
  4. d) Mais tristeza que a morte me causara./Olha o Tejo a
    sorrir-se! Olha, não sentes

54.(Ufscar-SP)

“Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado;
E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado.
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!”

Cláudio Manuel da Costa. Sonetos (VlI).
In: Péricles Eugênio da Silva Ramos (Intr., sel. e notas).
Poesia do outro
– Antologia. São Paulo: Melhoramentos, 1964, p. 47.

O estilo neoclássico, fundamento do Arcadismo brasileiro, de que fez parte Cláudio Manuel da Costa, caracteriza-se pela utilização das formas clássicas convencionais, pelo enquadramento temático em paisagem bucólica pintada como lugar aprazível, pela delegação da fala poética a um pastor culto e artista, pelo gosto das circunstâncias comuns, pelo vocabulário de fácil entendimento e por vários outros elementos que buscam adequar a sensibilidade, a razão, a natureza e a beleza.
Dadas estas informações:

a) Indique qual a forma convencional clássica em que se enquadra o poema.

b) Transcreva a estrofe do poema em que a expressão da natureza aprazível, situada no passado, domina sobre a expressão do sentimento da personagem poemática.

Respostas:

a) Trata-se de um soneto, cuja forma poética é constituída de dois quartetos e dois tercetos.
b) É na terceira estrofe do poema em que o poeta descreve de modo objetivo a expressão de natureza aprazível. “Árvores aqui vi tão florescentes,/Que faziam perpétua a primavera:/Nem troncos vejo agora decadentes”

Exercícios sobre Marília de Dirceu

MARÍLIA

A resposta à próxima questão deverá basear-se, exclusivamente, nos dois textos literários abaixo: um fragmento da “Lira II” da obra “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, e o poema TERESA, integrante do livro “Libertinagem”, de Manuel Bandeira.

LIRA II

Pintam, Marília, os Poetas
A um menino vendado,
Com uma aljava de setas,
Arco empunhado na mão;
Ligeiras asas nos ombros
O tenro corpo despido,
E de Amor, ou de Cupido
São os nomes, que lhe dão.

Os seus compridos cabelos,
Que sobre as costas ondeiam,
São que os de Apolo mais belos;
Mas de louras cor não são.
Têm a cor da negra noite;
E com o branco do rosto
Fazem, Marília, um composto
Da mais formosa união

Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
Purpúreas folhas de rosa,
Brancas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim.

Tu, Marília, agora vendo
De Amor o lindo retrato
Contigo estarás dizendo,
Que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a cópia é tua,
Cupido é Deus suposto:
Se há Cupido, é só teu rosto,
Que ele foi quem me venceu.

Teresa

A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos
[que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando
[que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus misturavam com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre
[a face das águas.
Marília e Teresa são representadas de formas diferentes, nos poemas acima reproduzidos.
Estabeleça uma comparação entre os personagens, considerando
1. a linguagem utilizada nos poemas;
2. o estilo de época da Literatura Brasileira a que pertence cada texto.
RESPOSTA: 1) Na “Lira II” o vocabulário é simples, a ordem das frases é, quase sempre, direta, os versos hexassílabos entremeados quebram a monotonia rítmica dos decassílabos heroicos, predominam os versos brancos. Em “Teresa”, a descrição da mulher é de forma cômica e irônica. Não há uma idealização. Os versos são brancos, com liberdade formal.

2) A “Lira II” pertence ao Arcadismo. “Teresa” pertence ao Modernismo.

3.Leia os seguintes fragmentos de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga.
Texto 1
Verás em cima de espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grandes livros,
E decidir os pleitos.

Texto 2
Os Pastores, que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado;
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja me tem o próprio Alceste.

Responda:
a) Em qual dos fragmentos o sujeito lírico é caracterizado de acordo com a convenção arcádica?
b) Explique.
RESPOSTA: No texto 2, o sujeito lírico apresenta características da convenção arcádica. Há presença dos pastores, a vida campestre (“monte”), para se tornar “agradável” ao leitor, para lhe proporcionar o prazer da fantasia, longe da agitação da vida urbana.

Nos dois poemas a seguir, Tomás Antônio Gonzaga e Ricardo Reis refletem, de maneira diferente, sobre a passagem do tempo, dela extraindo uma “filosofia de vida”. Leia-os com atenção:
LIRA 14 (Parte I)
Minha bela Marília, tudo passa;
a sorte deste mundo é mal segura;
se vem depois dos males a ventura,
vem depois dos prazeres a desgraça.
…………………………………………………………..
Que havemos de esperar, Marília bela?
que vão passando os florescentes dias?
As glórias, que vêm tarde, já vêm frias;
e pode enfim mudar-se a nossa estrela.
Ah! não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.  (TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA,” Marília de Dirceu”)

Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa –
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.     (RICARDO REIS, “Odes”)
a) Em que consiste a “filosofia de vida” que a passagem do tempo sugere ao eu lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga?
b) Ricardo Reis associa a passagem do tempo às estações do ano. Que sentido é dado, em seu poema, ao outono?
c) Os dois poetas valorizam o momento presente, embora o façam de maneira diferente. Em que consiste essa diferença?
RESPOSTA: a) Carpe diem, aproveitar o presente.
b) O declínio da vida.
c) Em Gonzaga a vida está em sua plenitude, enquanto em Reis ela parte para o fim.

Fragmento para as questões 4 a 7

Lira XIX

Nesta triste masmorra,

De um semivivo corpo sepultura,

Inda, Marília, adoro

A tua formosura.

Amor na minha ideia te retrata;

Busca extremoso, que eu assim resista

À dor imensa, que me cerca, e mata.

Quando em eu mal pondero,

Então mais vivamente te diviso:

Vejo o teu rosto, e escuto

A tua voz, e riso.

Movo ligeiro para o vulto os passos;

Eu beijo a tíbia luz em vez de face;

E aperto sobre o peito em vão os braços

Conheço a ilusão minha;

A violência da mágoa não suporto;

Foge-me a vista, e caio,

Não sei se vivo, ou morto.

Enternece-se Amor de estrago tanto;

Reclina-me no peito, e com mão terna

Me limpa os olhos do salgado pranto.

Depois que represento

Por lago espaço a imagem de um defunto,

Movo os membros, suspiro,

E onde estou pergunto.

Conheço então que amor me tem consigo;

Ergo a cabeça, que inda mal sustento,

E com doente voz assim lhe digo:

“Se queres ser piedoso,

“Procura o sítio em que Marília mora,

“Pinta-lhe o meu estrago,

“E vê, Amor, se chora.

“Se lágrimas verter, se a dor a arrasta,

“Uma delas me traze sobre as penas,

“E para alívio meu só isto basta.”

 4.Por que, na lira XIX, o autor grafa a palavra amor sempre com maiúscula?

A maiúscula indica a personificação do amor: o amor é uma entidade mitológica, o Cupido.

5.Com que artifício o A mor procura dar forças a Dirceu,pra que resista à dor da ausência de Marília?

O amor faz com que Dirceu tenha uma alucinação e veja a imagem de Marília.

6.Qual a reação de Dirceu ao tomar consciência da ilusão?


Não suportando a “violência da mágoa”, Dirceu desmaia.

7.O que Dirceu pede ao Amor, como único meio de aliviar seu sofrimento?

Dirceu pede ao Amor uma lágrima de Marília, como prova de que ela o ama e sofre por ele.

8.(Ufla-MG) Leia os seguintes fragmentos de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga.  Texto I

“Verás em cima de espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grandes livros,
E decidir os pleitos.”

Texto II

“Os Pastores, que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado;
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja me tem o próprio Alceste.”

Responda:

a) Em qual dos fragmentos o sujeito lírico é caracterizado de acordo com a convenção arcádica?        b) Explique.

RESPOSTAS: a) No texto 2.   B) O sujeito lírico apresenta características da convenção arcádica. Há a referência a pastoras e à vida campestre. (“monte”)

9. Quais as duas tendências coexistem nas liras de Marília de Dirceu de Tomás Antônio  Gonzaga?

RESPOSTA
a) a contenção e o equilíbrio neoclássicos, com a utilização de todos os lugares-comuns do Arcadismo: um pastor, uma pastora, o campo, a serenidade da paisagem principal.

b) o emocionalismo pré-romântico, na expressão pungente da crise amorosa e, posteriormente a prisão, da crise existencial do poeta.

O sujeito lírico é o pastor Dirceu, que confessa seu amor pela pastora Marília. Eis a convenção neoclássica realizada, Mas é evidente que nos pastores se projeta o drama amoroso vivido por Gonzaga e Maria Doroteia. A todo momento a emoção rompe o véu da estilização arcádica, brotando, dessa tensão, uma poesia de alta qualidade.

10.Leia os excertos abaixo, extraídos de “Marília de Dirceu” (Lira XIV), de Tomás Antônio Gonzaga.
“Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.”

“Ornemos nossas testas com as flores
E façamos de feno um brando leito;
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Gozemos do prazer de sãos Amores.
Sobre as nossas cabeças,
Sem que o possam deter, o tempo corre;
E para nós o tempo, que se passa,
Também, Marília, morre.”

“Ah, não, minha Marília,
Aproveite-se o tempo, antes que faça
O estrago de roubar ao corpo as forças,
E ao semblante a graça.”
Considere as seguintes afirmações sobre esses excertos.
I – Os versos chamam a atenção para a passagem do tempo e expressam um convite aos prazeres de um amor sadio.
II – Os versos 05 a 12 descrevem uma cena amorosa ambientada na paisagem mineira da cidade então chamada de Vila Rica.
III – Marília é um nome literário adotado para referir a noiva do poeta inconfidente, cujo nome verdadeiro era Maria Doroteia de Seixas Brandão.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.       b) Apenas II.         c) Apenas III.     d) Apenas I e III.     e) I, II e III.

11.Com base nos fragmentos a seguir, extraídos da Lira II, da obra “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações que seguem.
“Pintam, Marília, os Poetas
A um menino vendado,
Com uma aljava de setas,
Arco empunhado na mão;
Ligeiras asas nos ombros,
O tenro corpo despido,
E de Amor ou de Cupido
São os nomes, que lhe dão.”
[…]
“Tu, Marília, agora vendo
De Amor o lindo retrato,
Contigo estarás dizendo
Que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a cópia é tua,
Que Cupido é Deus suposto:
Se há Cupido, é só teu rosto,
Que ele foi quem me venceu.”
( ) Na primeira estrofe, o poeta descreve uma figura representativa do amor na mitologia clássica.
( ) Na primeira estrofe, a amada Marília é alertada sobre a violência que se esconde por detrás da superfície do amor.
( ) Na segunda estrofe, o poeta transfere o retrato de Cupido para o rosto vencedor de Marília.
( ) Na segunda estrofe, o poeta confessa à amada a sua rendição em relação aos poderes do amor.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – V – F – F.    b) V – F – V – V.      c) F – F – V – V.     d) V – F – F – V.   e) F – V – F – F.

12.Texto 1
“Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena
casarmo-nos
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
[…]
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.”
(PESSOA, Fernando. “Obra Poética”. Rio de Janeiro: Aguilar, 1965. p. 257 – sob o heterônimo de Ricardo Reis.)
óbolo: esmola

Texto 2
“Depois que nos ferir a mão da morte,
Ou seja neste monte, ou noutra serra,
Nossos corpos terão, terão a sorte
De consumir os dous a mesma terra.
Na campa, rodeada de ciprestes,
Lerão estas palavras os Pastores:
‘Quem quiser ser feliz nos seus amores,
Siga os exemplos que nos deram estes’.”
(GONZAGA, Tomás Antônio. “Marília de Dirceu”. In: PROENÇA FILHO, Domício (Org.). “A poesia dos Inconfidentes”. Rio de Janeiro: Aguilar, 1966. Lira I, p. 573.)

Em relação aos textos acima, é correto afirmar:
a) Ambos os textos expressam a ideia de que o sentimento amoroso pode ser preservado mesmo depois da morte, conforme atestam os versos “ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio” e “Quem quiser ser feliz nos seus amores/ Siga os exemplos que nos deram estes”.
b) Ambos os textos expressam a representação de uma natureza idealizada, conforme retratam os versos “E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio” e “Na campa, rodeada de ciprestes”.
c) Ambos os textos expressam uma visão do amor impossível, conforme retratam os versos “Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio” e “Quem quiser ser feliz nos seus amores/ Siga os exemplos que nos deram estes”.
d) Ambos os textos apresentam linguagem rebuscada, que reflete homens em conflito consigo mesmos, devido aos valores mundanos e espirituais neles inseridos.
e) Ambos os textos expressam um sentimento de tristeza e de desespero em relação à morte, como se lê nos versos “Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio” e “Quem quiser ser feliz nos seus amores/ Siga os exemplos que nos deram estes”.

13.Leia o fragmento de texto a seguir e faça o que se pede:

Esprema a vil calúnia muito embora
Entre as mãos denegridas, e insolentes,
Os venenos das plantas,
E das bravas serpentes.

Chovam raios e raios, no seu rosto
Não hás de ver, Marília, o medo escrito:
O medo perturbador,
Que infunde o vil delito.
[…]
Eu tenho um coração maior que o mundo.
Tu, formosa Marília, bem o sabes:
Eu tenho um coração maior que o mundo.
Tu, formosa Marília, bem o sabes:

Um coração …. e basta,
Onde tu mesma cabes.       (TAG, MD, Parte II, Lira II)

Sobre o fragmento de texto de Tomás Antônio Gonzaga, Marília de Dirceu, assinale a alternativa FALSA:
a) a interferência do mito na tessitura dos poemas, mantendo o poeta dentro dos padrões poéticos clássicos, impede-o de abordar problemas pessoais.
b) a interpelação feita a Marília muitas vezes é pretexto para o poeta celebrar sua inocência e seu destemor diante das acusações feitas contra ele.
c) a revelação sincera de si próprio e a confissão do padecimento que o inquieta levam o poeta a romper com o decálogo arcádico, prenunciando a poética romântica.
d) a desesperança, o abatimento e a solidão, presentes nas liras escritas depois da prisão do autor, revelam contraste com as primeiras, concentradas na conquista galante da mulher amada.
e) embora tenha a estrutura de um diálogo, o texto é um monólogo – só Gonzaga fala e raciocina.

14.Leia os seguintes textos, observando que eles descrevem o ambiente natural de acordo com a época a que correspondem, fazendo predominar os aspectos bucólico, cotidiano e irônico, respectivamente:
Texto 1

Marília de Dirceu

Enquanto pasta, alegre, o manso gado,
minha bela Marília, nos sentemos
À sombra deste cedro levantado.
Um pouco meditemos
Na regular beleza,
Que em tudo quanto vive nos descobre
A sábia Natureza.

Atende como aquela vaca preta
O novilhinho seu dos mais separa,
E o lambe, enquanto chupa a lisa teta.
Atende mais, ó cara,
Como a ruiva cadela,
Suporta que lhe morda o filho o corpo,
E salte em cima dela.(GONZAGA, Tomás Antônio. “Marília de Dirceu.” In: Proença Filho, Domício. Org. “A poesia dos inconfidentes.” Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1996, p. 605.)

Texto 2
Bucólica nostálgica

Ao entardecer no mato, a casa entre
bananeiras, pés de manjericão e cravo-santo,
aparece dourada. Dentro dela, agachados,
na porta da rua, sentados no fogão, ou aí mesmo,
rápidos como se fossem ao Êxodo, comem
feijão com arroz, taioba, ora-pro-nobis,
muitas vezes abóbora.
Depois, café na canequinha e pito.
O que um homem precisa pra falar,
entre enxada e sono: Louvado seja Deus! (PRADO, Adélia. “Poesia Reunida.” 2. ed, São Paulo: Siciliano, 1992, p. 42.)

Texto 3

Cidadezinha qualquer

Casas entre bananeiras
Mulheres entre laranjeiras
Pomar amor cantar

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar… as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.(ANDRADE, Carlos Drummond. “Obra Completa,” Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1967, p. 67.)
Assinale a alternativa referente aos respectivos momentos literários a que correspondem os três textos:
a) Romântico, contemporâneo, modernista.
b) Barroco, romântico, modernista.
c) Romântico, modernista, contemporâneo.
d) Árcade, contemporâneo, modernista.
e) Árcade, romântico, contemporâneo.

15.Uniube-MG Compare as descrições de Marília:

Texto I

“Vivos olhos, e faces cor-de-rosa,

Com crespos fios de ouro:

Meus olhos se vêem graças e loureiros.”

Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”.

Texto II

“O seu semblante é redondo,

Sobrancelhas arqueadas,

Negros e finos cabelos,

Carnes de neve formadas.”

Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”.

Texto III

“Papoula, ou rosa delicada, e fina,

Te cobre as faces, que são cor de neve.

Os teus cabelos são uns fios d’ouro;

Teu lindo corpo bálsamo vapora.”

Tomás Antônio de Gonzaga – “Marília de Dirceu”.

A pastora Marília, conforme é apresentada nas liras de Tomás Antônio Gonzaga, carece

de unidade de enfoques; ora é descrita como tendo cabelos negros, ora loiros. A oscilação

que se observa nas descrições de Marília permite ao leitor concluir que:

a) Embora Marília corresponda a um ser real, Maria Doroteia, ligado à vida do poeta, ele é, antes de tudo, uma idealização poética. As descrições apenas atendem à idealização da mulher, exigida pelas convenções neoclássicas.

b) O autor das liras está preocupado com a coerência dessas descrições, com o padrão poético realizado em cada composição, por isso a amada do poeta deixa de ser associada à figura convencional da pastora.

c) O sujeito lírico, caracterizado como pastor, descreve sua amada, a pastora Marília, na atmosfera atormentada dos conflitos da paixão, fugindo às convenções bucólicas e pastoris do Arcadismo.

d) Apesar de o autor invocar a pastora Marília, suas liras são destinadas a afirmar a dignidade e a valia do pastor Dirceu. As descrições mostram a intenção do autor em não revelar o objeto de seu amor.

16. Cefet-RJ “Lira I (1ª parte)

Eu, Marília, não sou

algum vaqueiro,

que viva de guardar

alheio gado,

de tosco trato, de

expressões grosseiro,

dos frios gelos e dos sóis

queimado.

tenho próprio casal e

nele assisto;

dá-me vinho, legume,

frutas, azeite;

das brancas ovelhinhas

tiro o leite,

e mais as finas lãs, de

que me visto.

Graças, Marília

bela,

Graças à minha

estrela.”GONZAGA, Tomás Antonio. Marília de Dirceu. In: NICOLA,José de. Literatura brasileira: das origens aos nossos dias. São Paulo: Scipione, 1999.p. 116.

“O Arcadismo, Setecentismo ou Neoclassicismo é o período que caracteriza principalmente a segunda metade do século XVIII, tingindo as artes de uma nova tonalidade burguesa.” NICOLA, José de. Literatura brasileira: das origensaos nossos dias. São Paulo: Scipione, 1999.p. 106.

Assinale a alternativa que não caracteriza este período literário.

a) Os modelos seguidos são os clássicos greco-latinos e os renascentistas, embora a mitologia pagã não venha a construir-se como elemento estético.

b) Os árcades, inspirados na frase de Horácio, fugere urbem (“fugir da cidade”), voltam-se para a natureza em busca de uma nova vida simples, bucólica, pastoril.

c) O fingimento poético justifica-se pela contradição entre a realidade do progresso urbano e o mundo bucólico idealizado pelos árcades.

d) O uso de pseudônimos pastoris transparece: o pobre pastor Dirceu é o Dr. Tomás Antônio Gonzaga.

e) O carpe diem (“gozar o dia”) horaciano, que consiste no princípio de viver o presente,é uma postura típica também dos árcades.

17.(UFRRJ)  Lira XI        

“Não toques, minha musa, não, não toques
Na sonorosa lira,
Que às almas, como a minha, namoradas
Doces canções inspira:
Assopra no clarim que apenas soa,
Enche de assombro a terra!
Naquele, a cujo som cantou Homero,
Cantou Virgílio a guerra.”

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu.
Rio de Janeiro: Anuário do Brasil, s/d. p. 30.

Marília de Dirceu apresenta um dos principais traços do Arcadismo. A opção que aponta essa característica temática, presente no texto, é

a) O bucolismo.                                           d) A presença de valores ou elementos clássicos.

b) O pessimismo e negatividade.           e) A fixação do momento presente.

c) A descrição sensual da mulher amada.

18.(UFSM-RS)

“Tu não verás, Marília, cem cativos
tirarem o cascalho e a rica terra,
ou dos cercos dos rios caudalosos,
ou da minada serra.

Não verás separar ao hábil negro
do pesado esmeril a grossa areia,
e já brilharem os granetes de oiro
no fundo da bateia.”

No trecho de Marília de Dirceu, expressões como “cem cativos”, “rios caudalosos” e “granetes de oiro” remetem para:

a) A profissão de minerador exercida por Dirceu.

b) Uma atividade econômica exercida na época.

c) O desagrado de Dirceu em relação à atividade do pai de Marília.

d) Preocupações de Dirceu relativas à poluição dos rios.

e) A prosperidade em que vivia o povo brasileiro.

19.(Unifesp) Leia os versos do poeta português Bocage.

“Vem, oh Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo.
Deixa louvar da corte a vã grandeza;
Quanto me agrada mais estar contigo,
Notando as perfeições da Natureza!”

Nestes versos:

a) O poeta encara o amor de forma negativa por causa da fugacidade do tempo.

b) A linguagem, altamente subjetiva, denuncia características pré-românticas do autor.

c) A emoção predomina sobre a razão, numa ânsia de se aproveitar o tempo presente.

d) O amor e a mulher são idealizados pelo poeta, portanto, inacessíveis a ele.

e) O poeta propõe, em linguagem clara, que se aproveite o presente de forma simples junto à natureza.

20.(UFPA) Tomás Antônio Gonzaga escreveu Marília de Dirceu, um dos mais conhecidos poemas de nosso Arcadismo. Leia duas estrofes da Lira I, da primeira parte do poema.

“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro
Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, d`expressões grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
Irás a divertir-te na floresta,
Sustentada, Marília, no meu braço;
Aqui descansarei a quente sesta,
Dormindo um leve sono em teu regaço;
Enquanto a luta jogam os pastores,
E emparelhados correm nas campinas,
Toucarei teus cabelos de boninas,
Nos troncos gravarei os teus louvores.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!”GONZAGA, Tomás Antônio. “Marília de Dirceu”.
In: Literatura comentada. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

É correto afirmar sobre as estrofes:

(A) Ilustram não só preferências temáticas do Arcadismo, como o ideal de vida simples, o herói que se faz pela honradez e pelo trabalho, mas também o sentimento de transitoriedade da vida, que arrasta o poeta ao carpe diem (aproveitar a vida) horaciano.

(B) Representam os temas do bucolismo, do fugere urbem (fuga da cidade), da áurea mediocritas (existência dentro da mediania), mas fogem do convencionalismo arcádico da linguagem simples, o que torna o poema artificial.

(C) Apresentam a fina ironia de Gonzaga, o que liga o poema às Cartas Chilenas,

escritas pelo autor, depois que estava preso, para ridicularizar o Visconde de Barbacena, feroz inimigo dos Inconfidentes.

(D) Reiteram o nome de Marília nos estribilhos, mas, ao contrário do que pode parecer, esse recurso não imprime musicalidade ao texto, serve para enaltecer a mulher, vista, naquele momento, como elemento angélico e divinal, o que faz a poética de Gonzaga preceder o Romantismo.

(E) Ilustram tópicos preferenciais do Arcadismo, como o locus amenus (lugar ameno), o ideal de vida simples, a pintura de cenas pastoris, e revelam os valores da classe burguesa, de então, presentes na preocupação econômica que o pastor enuncia.

21. (UEM/PR-2007) Sobre o fragmento abaixo e sobre a escola a que ele pertence, assinale a alternativa incorreta.

Minha bela Marília, tudo passa;
a sorte deste mundo é mal segura;
se vem depois dos males a ventura,
vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos deuses
sujeitos ao poder do ímpio fado:
Apolo já fugiu do céu brilhante,
já foi pastor de gado.

“Marília de Dirceu” – Tomás Antônio Gonzaga

a) O trecho acima alterna versos decassílabos com versos hexassílabos. Curiosamente, o tema da estrofe é a inconstância da sorte. É como se o encurtamento do verso, alternado com o verso mais longo, imitasse os altos e baixos do destino.

b) A referência ao deus grego Apolo é típica do Arcadismo, escola que pretendia uma espécie de retorno ao tempo mitológico da Grécia clássica. Além disso, segue-se a referência ao período em que o deus foi pastor, reforçando o elo com a escola árcade, na qual os poetas frequentemente adotavam um pseudônimo pastoril, como Glauceste ou Elmano.

c) Para o Arcadismo, a vida do pastor, singela e próxima da natureza, é bela e pura. No entanto os versos “Apolo já fugiu do céu brilhante / já foi pastor de gado” criam uma imagem dentro da qual estar no céu é o polo positivo (felicidade) e ser pastor é o polo negativo (degradação). Portanto a imagem contida nos versos é surpreendente quando percebemos que ela subverte o tema árcade da vida pastoril como ideal a ser buscado.

d) A imagem do deus Apolo fugindo do céu possui forte valor simbólico, explicável pelas características do Arcadismo: ela remete a um conceito de mundo como espaço democrático, aberto às mudanças. Fica implícito que, se um Deus pode fugir do seu destino traçado (estar no céu), seja por vontade, seja por necessidade, um homem comum também pode mudar a própria condição de vida, tornando-se até mesmo rico e poderoso.

e) Os principais autores do Arcadismo, homens cultos e educados, escreviam poemas nos quais se exaltavam a simplicidade e a vida em contato com a natureza. Gonzaga é, até certo ponto, coerente com isso, embora o eu-lírico das Liras alterne poemas (ou estrofes) nos quais ele é “um triste pastor” com outros (ou outras) nos quais surge a figura do magistrado, diante de “altos volumes” sobre a mesa, decidindo processos jurídicos.

22.(PROSEL/UEPA-2006) Leia com atenção os versos abaixo.

“Depois que nos ferir a mão da Morte,
Ou seja neste monte, ou noutra serra,
Nossos corpos terão, terão a sorte
De consumir os dous a mesma terra.
Na campa, rodeada de ciprestes,
Lerão estas palavras os Pastores:
‘Quem quiser ser feliz nos seus amores,
Siga os exemplos, que nos deram estes.’
Graças, Marília Bela,
Graças à minha Estrela!Tomás Antônio Gonzaga, “Marilia de Dirceu”. 1ª parte. Lira I.

23.(PROSEL/UEPA-2006) Com esta estrofe, conclui-se a 1ª lira do poema, na qual o poeta se apresenta à Marília e faz uma projeção da vida que poderão viver juntos até que sejam feridos pela morte. Nesta estrofe, o tema da Morte evidencia a seguinte característica da poesia do Arcadismo:

a) recorrência a elementos da mitologia greco-romana.

b) carpe Diem: gozar a vida, porque ela é fugaz.

c) culto à natureza tomada como modelo de equilíbrio e beleza.

d) racionalismo: presença da razão na abordagem do tema amoroso.

e) predomínio do amor carnal sobre o platônico.

24. (PSS/UEPG-2006)

“Marília de Dirceu”. Tomás Antônio Gonzaga

Primeira Parte
Lira I
——————————————
Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do sol em vão se atreve;
Papoila ou rosa delicada e fina
Te cobre as faces, que são cor da neve.
Os teus cabelos são uns fios, d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora .
Ah! não, não fez o Céu, gentil Pastora ,
Para glória de amor igual Tesouro!
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
(bálsamos vapora = exala perfumes)

Segunda Parte
Lira XV
——————————————-
Se o rio levantado me causava,
Levando a sementeira, prejuízo,
Eu alegre ficava, apenas via
Na tua breve boca um ar de riso.
Tudo agora perdi; nem tenho o gosto
De ver-te ao menos compassivo o rosto.

(PSS/UEPG-2006) Em relação à compreensão dos dois fragmentos e à compreensão global da obra “Marília de Dirceu”, assinale a alternativa correta.

a) A descrição de Marília é real, o retrato fiel da mulher daquela época.

b) O tom de felicidade e otimismo permeia os dois fragmentos e constitui-se característica da obra toda.

c) O “eu lírico”, mesmo fragilizado pela incerteza de seu destino, não demonstra desalento e amargura.

d) A descrição de Marília é uma convenção clássica, tudo nela é ideal, sublimado e hiperbólico.

e) Observa-se a exploração do motivo da mulher inacessível e misteriosa desejada por um homem cansado e doente.

 25.(Ufviçosa) – Leia o texto a seguir e faça o que se pede:

Ornemos nossas testas com as flores
E façamos de feno um brando leito;
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Gozemos do prazer de sãos amores.
Sobre as nossas cabeças,
Sem que o possam deter, o tempo corre,
E para nós o tempo, que se passa,
Também, Marília, morre. (TAG, MD, Lira XIV)

Todas as alternativas a seguir apresentam características do Arcadismo, presentes na estrofe anterior, EXCETO:
a) Ideal de ÁUREA MEDIOCITAS, que leva o poeta a exaltar o cotidiano prosaico da classe média.
b) Tema do CARPE DIEM – uma proposta para se aproveitar a vida, desfrutando o ócio com dignidade.
c) Ideal de uma existência tranquila, sem extremos, espelhada na pureza e amenidade da natureza.
d) Fugacidade do tempo, fatalidade do destino, necessidade de envelhecer com sabedoria.
e) Concepção da natureza como permanente reflexo dos sentimentos e paixões do “eu” lírico.

26.Assinale a alternativa correta em relação a Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga.
(A) No livro, é estabelecido um contraste entre a paisagem, bucólica e amena, e o cenário da masmorra, opressivo e triste.
(B) Trata-se de um conjunto de cartas de amor, enviadas por Marília, de Minas Gerais, a Dirceu, que se encontra em Moçambique.
(C) Na obra, o pensamento racional é anulado em favor do sentimentalismo romântico.
(D) Nas liras de Gonzaga, Marília é uma mulher irreal, incorpórea, imaginada pelo pastor Dirceu.
(E) Trata-se de um livro satírico, carregado de termos pejorativos em relação às convenções da época.

27.(UFPR) – “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que vive de guardar alheio gado;
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelado e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.

Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”

A presente estrofe reflete a temática predominante no período:
a) romântico         b) parnasiano            c) arcádico      d) simbolista      e) modernista

28.(UFPR) – “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que vive de guardar alheio gado;
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelado e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.

Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”

O texto tem traços que caracterizam o período literário ao qual pertence. Uma qualidade patente nesta estrofe é:
a) o bucolismo;        b) o misticismo;       c) o nacionalismo;    d) o regionalismo; e) o indianismo

INSTRUÇÃO: Leia o seguinte texto, fragmento do poema Marília de Dirceu, para responder às questões 29 e 30

   Vem, ó Marília, vem lograr comigo

   Destes alegres campos a beleza,

   Destas copadas árvores o abrigo…

     Deixa louvar da corte a vã grandeza:

   Quanto me agrada mais estar contigo,

   Notando as perfeições da Natureza!

 29.  Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

   I – O poeta convida a amada, Marília, para aproveitarem  juntos as maravilhas da cidade (a corte).

  II –  Trata-se de um célebre poema de Tomás Antônio Gonzaga, no qual faz um elogio à vida simples e natural dos camponeses.

III – A natureza é idealizada como perfeita, em oposição à esterilidade e à inutilidade da cidade.

   Quais estão corretas?

  ( A ) Apenas I.      (B ) Apenas II.     ( C ) Apenas III.  ( D ) Apenas II e III.   ( E ) I, II e III.

30. Ainda segundo o texto, é correto afirmar-se que

  ( A ) a preocupação com a simplicidade, no estilo de vida e no estilo de texto, é típica da escola arcadista.

 ( B ) a admiração pelo progresso da cidade, presente nesse texto, é decorrente do parnasianismo.

 ( C ) o indivíduo em dúvida entre uma coisa e outra, o campo e a cidade, é típico do barroco.

( D ) a preocupação com o regional e o interior do Brasil, como aparece no texto, é marca do modernismo.

 ( E ) a fuga do mundo real para um idealizado, como propõe o texto, é marca do romantismo.

 31.Leia o texto:

“Que diversas que são, Marília, as horas
Que passo na masmorra imunda, e feia,
Dessas horas felizes já passadas
Na tua pátria aldeia!”

Esses versos de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, caracterizam:
A)a primeira parte da obra, o namoro.
B)a felicidade da futura família.
C)o sonho de realizar a Inconfidência.
D)a segunda parte da obra, a cadeia.
E)o sonho de um futuro feliz ao lado da amada. /Tu não verás, Marília, cem cativos/Tirarem o cascalho e a rica terra.

Texto para as questões 32 a 34.

Tu não verás, Marília, cem cativos

Tirarem o cascalho e a rica terra,

Ou dos cercos dos rios caudalosos,

Ou da minada serra.

Não verás separar ao hábil negro

Do pesado esmeril a grossa areia,

E já brilharem os granetes de ouro

No fundo da bateia.

Não verás derrubar os virgens matos;

Queimar as capoeiras inda novas,

Servir de adubo à terra a fértil cinza,

Lançar os grãos nas covas.

Não verás enrolar negros pacotes

Das secas folhas do cheiroso fumo;

Nem espremer entre as dentadas rodas

Da doce cana o sumo.

32.Com base no texto acima, é CORRETO afirmar que

A) a natureza, para os árcades, representa uma força incontrolável, como apregoam os lemas o poeta.

B) a repetição do “Não verás” confirma o caráter retórico e político do movimento separatista de Vila Rica, contrário à

C) musa da Inconfidência Mineira, Marília se vê afastada do mundo do trabalho escravo, isentando-se da devassa imposta pela metrópole.

D) o poema setecentista propõe um modo de produção feudal, à maneira da pólis greco-latina, por cuja literatura foi

E) o poeta poupa sua musa de participar de certas atividades, como a extração do ouro e a moenda da cana-de-açúcar.

33.O texto manteria o sentido original, caso os termos nele destacados fossem substituídos, respectivamente, por

A) presos, abundantes, sutil, grãos, rica.

B) imigrantes, verbosos, astucioso, grãos, fecunda.

C) prisioneiros, abundantes, habilidoso, partículas, lucrativa.

D) imigrantes, torrenciais, engenhoso, grãos, rentável.

E) escravos, torrenciais, habilidoso, partículas, fecunda.

34.A obra Marília de Dirceu, de autoria de Tomás Antônio Gonzaga, um dos mais destacados representantes do movimento histórico colonial conhecido como “Inconfidência Mineira”, exprime, em certas  partes, o descontentamento de alguns setores da elite mineira, em relação ao sistema exploratório imposto pela Coroa portuguesa. Os inconfidentes, ao realizarem esse movimento, tinham vários objetivos, EXCETO

A) criar uma casa da moeda, uma siderurgia e uma fábrica de pólvora.

B) incentivar a manufatura em todas as capitanias, o que forçaria a ampliação do mercado consumidor local.

C) instituir a bandeira e o símbolo nacional – “Libertas quae sera tamen” (Liberdade ainda que tardia).

D) libertar o Brasil de Portugal e proclamar uma república, instalando sua capital em São João del Rey.

E) renegociar a dívida da elite mineira com os credores portugueses mediante um acordo denominado Derrama.

Utilize o texto a seguir para responder ao exercício 35.

Marília de Dirceu

Enquanto pasta, alegre, o manso gado,

minha bela Marília, nos sentemos

À sombra deste cedro levantado.

Um pouco meditemos

Na regular beleza,

Que em tudo quanto vive nos descobre

A sábia Natureza.

Atende como aquela vaca preta

O novilhinho seu dos mais separa,

E o lambe, enquanto chupa a lisa teta.

Atende mais, ó cara,

Como a ruiva cadela

Suporta que lhe morda o filho o corpo,

E salte em cima dela.

Repara, como cheia de ternura

Entre as asas ao filho essa ave aquenta,

Como aquela esgravata a terra dura,

E os seus assim sustenta;

Como se encoleriza,

E salta sem receio a todo o vulto,

Que junto deles pisa.

Que gosto não terá a esposa amante,

Quando der ao filhinho o peito brando,

E refletir então no seu semblante!

Quando, Marília, quando

Disser consigo: “É esta

“De teu querido pai a mesma barba,

“A mesma boca, e testa.”

Que gosto não terá a mãe, que toca,

Quando o tem nos seus braços, c’o dedinho

Nas faces graciosas, e na boca

Do inocente filhinho!

Quando, Marília bela,

O tenro infante já com risos mudos

Começa a conhecê-la!

Que prazer não terão os pais ao verem

Com as mães um dos filhos abraçados;

Jogar outros luta, outros correrem

Nos cordeiros montados!

Que estado de ventura!

Que até naquilo, que de peso serve,

Inspira Amor, doçura. (GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. )

É correto afirmar sobre esses versos

(a) O cenário bucólico e pastoril, típico dos poemas árcades, contrasta com a seleção de palavras de baixo calão como “vaca”, “teta” e “cadela”.

(b) Inspirado nos clássicos greco-latinos e renascentistas, o poeta recorre a uma linguagem rebuscada e  extravagante para valorizar a técnica barroca.

(c) Embora tenha a estrutura de um diálogo, os versos devem ser interpretados como um monólogo no  qual o poeta reflete sobre a sabedoria da natureza, tomada como modelo de equilíbrio.

(d) O eu-lírico expressa seu ufanismo, pois idealiza a pátria e sua amada, Marília, de forma a antecipar os  ideais do Romantismo.

(e) O poeta envolve sua amada numa atmosfera onírica para enfatizar a transfiguração do amor.

36.(Ufla-MG) Apresentam-se em seguida três proposições: I, II e III.

I.O momento ideológico, na literatura do Setecentos, traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.

II.O momento poético, na literatura do Arcadismo, nasce de um encontro, embora ainda amaneirado, com a natureza e os afetos comuns do homem.

III. Façamos, sim, façamos, doce amada,

Os nossos breves dias mais ditosos.

A característica que está presente nesses versos de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, é o “carpe diem” (“gozar a vida”).

Marque:

a) Se só a proposição I é correta.                             d) Se só a proposição II é correta.

b) Se só a proposição III é correta.                           e) se só são corretas as proposições I e II.

c) Se todas as proposições são corretas

Convite a Marília

“Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus úmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores,
O prado ameno de boninas veste:
Varrendo os ares o subtil Nordeste
Os torna azuis: as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros [vento brando] e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste;
Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo:
Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!” BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Sonetos.
Lisboa: Europa-América, s. d. p. 38.

37.Acerca do soneto, é correto afirmar:

(A) Observa-se, devido à presença de uma natureza agreste, um afastamento das convenções árcades referentes ao “locus amoenus”.

(B) O Pré-Romantismo, com sua valorização do sentimento, manifesta-se nas referências mitológicas, como “Zéfiros” e “Amores”.

(C) “Locus amoenus” é configurado, nos quartetos, por expressões como “a fértil Primavera”, “o prado ameno”, “a cor celeste”, o que afasta o texto das paisagens noturnas do Pré-Romantismo.

(D) A oposição entre “a vã grandeza” da corte e “as perfeições da Natureza” revela o conflito entre o eu lírico e os valores da sociedade, numa antecipação pré-romântica do sentimento da paisagem.

(E) No primeiro terceto, dada a presença do tema campestre, evidenciam-se o bucolismo e o sentimento da natureza, típicos do Pré-Romantismo.

38.Com base nos fragmentos a seguir, extraídos da Lira II, da obra “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações que seguem.
“Pintam, Marília, os Poetas
A um menino vendado,
Com uma aljava de setas,
Arco empunhado na mão;
Ligeiras asas nos ombros,
O tenro corpo despido,
E de Amor ou de Cupido
São os nomes, que lhe dão.”
[…]
“Tu, Marília, agora vendo
De Amor o lindo retrato,
Contigo estarás dizendo
Que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a cópia é tua,
Que Cupido é Deus suposto:
Se há Cupido, é só teu rosto,
Que ele foi quem me venceu.”
(    ) Na primeira estrofe, o poeta descreve uma figura representativa do amor na mitologia clássica.
(    ) Na primeira estrofe, a amada Marília é alertada sobre a violência que se esconde por detrás da superfície do amor.
(    ) Na segunda estrofe, o poeta transfere o retrato de Cupido para o rosto vencedor de Marília.
(    ) Na segunda estrofe, o poeta confessa à amada a sua rendição em relação aos poderes do amor.
V – F – V – V.

39.(MACK-SP) Obra que apresentou os maiores ideais da poesia árcade brasileira, expondo aspectos bucólicos, relacionados, em boa parte, ao carpe diem foi:

a)O Uraguai                                                       d)  Liras de Marília de Dirceu

b) Caramuru                                                       e) Mocidade e morte

c) Vila Rica

FONTE:

ABAURRE, Maria Luiza; ABAURRE, Marcela Pontara .Literatura Brasileira.

São Paulo: Editora Moderna.

CAMPEDELLI, Samira Yousseff, Jésus Barbosa Souza – Português, Literatura e Produção de

Textos 3ª ed. Ediora Saaiva

TERRA, Ernani – Gramática, Literatura e Produção de texto 2ª ed. São Paulo: Scipione

2002.

 

 

Exercícios sobre “Uraguai”

LINDOIA

Este lugar delicioso e triste,

Cansada de viver, tinha escolhido

Para morrer a mísera Lindoia.

Lá reclinada, como que dormia,

Na branda relva e nas mimosas flores,

Tinha a face na mão e a mão no tronco

Dum fúnebre cipreste, que espalhava

Melancólica sombra.  Mais de perto

Descobrem que se enrola no seu corpo

Verde serpente, e lhe passeia e cinge

Pescoço e braços, e lhe lambe o seio.

(…)

Porém o destro Caitutu, que treme

Do perigo da irmã, sem mais demora

Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes

Soltar o tiro, e vacilou três vezes

Entre a ira e o temor.  Enfim sacode

O arco e faz voar a aguda seta,

Que toca o peito de Lindoia e fere

A serpente na testa, e a boca e os dentes

Deixou cravados no vizinho tronco.

Açoita o campo com a ligeira cauda

O irado monstro, e em tortuosos giros

Se enrosca no cipreste, e verte envolto

Em negro sangue o lívido veneno.

Leva nos braços a infeliz Lindoia

O desgraçado irmão, que ao despertá-la

Conhece, com que dor! no frio rosto

Os sinais do veneno, e vê ferido

Pelo dente sutil o brando peito.

Os olhos, em que Amor reinava, um dia,

Cheios de morte; e muda aquela língua,

Que ao surdo vento e aos ecos tantas vezes

Contou a larga história de seus males.

Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,

E rompe em profundíssimos suspiros,

Lendo na testa da fronteira gruta

De sua mão já trêmula gravado

O alheio crime, e a voluntária morte.

 Fragmentos para as questões de 01 a 05

1.Indique o nome da obra

RESPOSTA:  O Uraguai

2.Sintetize o enredo do poema.

RESPOSTA: aborda a guerra entre os jesuítas e índios do projeto Sete Povos das Missões contra a tropa portuguesa, como consequência da aplicação do Tratado de Madri.

 3.Aponte, no texto dado, as rupturas com o modelo camoniano.

RESPOSTA: texto sem estrofação e versos brancos (sem rima), apesar dos versos decassílabos como no poema de Camões.

 4.Qual o dilema de Caitutu a ver sua irmão prostrada, com uma serpente sobre o corpo?

RESPOSTA: Caitutu teme ferir Lindoia com sua seta. Mas tem que atirar para salvá-la da serpente.

 5.Com que recurso estilístico o autor representa a comoção e a hesitação de Caitutu?

RESPOSTA:  com a repetição “ quis três vezes”, “vacilou três vezes”.

6.(UM-SP) Sobre o poema O Uraguai, é correto afirmar que:

a)o herói do poema é Diogo Álvares, responsável pela primeira ação colonizadora na Bahia.

b) o índio Cacambo, ao saber da morte de sua amada, Lindoia, suicida-se.

c) escrito em plena vigência do Barroco, filiou-se à corrente cultista.

d) os jesuítas aparecem como vilões enganadores dos índios.

e) segue a estrutura épica camoniana, com versos decassílabos e estrofes em oitava rima.

7.U.F. Santa Maria-RS O poema épico O Uraguai, de Basílio da Gama, é uma:

a) composição que narra as lutas dos índios de Sete Povos das Missões, no Uruguai,

contra o exército espanhol, sediado lá para pôr em prática o Tratado de Madri;

b) das obras mais importantes do Arcadismo no Brasil, pois foi a precursora das Obras

Poéticas de Cláudio Manuel da Costa;

c) exaltação à terra brasileira, que o poeta compara ao paraíso, o que pode ser comprovado

nas descrições, principalmente do Ceará e da Bahia;

d) crítica a Diogo Álvares Correia, misto de missionário e colono português, que comanda

um dos maiores extermínios de índios da história;

e) exaltação à índia Lindoia, que morre após Diogo Álvares decidir-se por Moema, que ajudava os espanhóis na luta contra os índios.

8.UFRS Assinale a afirmativa incorreta em relação à obra O Uraguai, de Basílio da Gama.

a) O poema narra a expedição de Gomes Freire de Andrada, Governador do Rio de Janeiro,

às missões jesuíticas espanholas da banda oriental do rio Uruguai.

b) O Uraguai segue os padrões estéticos dos poemas épicos da tradição ocidental, como

a Odisseia, a Eneida e Os Lusíadas.

c) Basílio da Gama expressa uma visão europeia em relação aos indígenas, acentuando

seu caráter bárbaro, incapaz de sentimentos nobres e humanitários.

d) Nas figuras de Cacambo e Sepé Tiaraju está representado o povo autóctone que defende

o solo natal.

e) Lindoia, única figura feminina do poema, morre de amor após o desaparecimento de

seu amado Cacambo.

9.(UFSM-RS) O poema épico O Uraguai, de Basílio da Gama, é uma

a) composição que narra as lutas dos índios de Sete Povos das Missões, no Uruguai, contra o exército espanhol, sediado lá para pôr em prática o Tratado de Madri.

b) das obras mais importantes do Arcadismo no Brasil, pois foi a precursora das Obras Poéticas de Cláudio Manuel da Costa.

c) exaltação à terra brasileira, que o poeta compara ao paraíso, o que pode ser comprovado nas descrições, principalmente do Ceará e da Bahia.

d) crítica a Diogo Álvares Correia, misto de missionário e colono português, que comanda um dos maiores extermínios de índios da história.

e) exaltação à índia Lindoia, que morre após Diogo Álvares decidir-se por Moema, que ajudava os espanhóis na luta contra os índios.

10.Em seu poema épico, tenta conciliar a louvação do Marquês de Pombal e o heroísmo do índio. Afasta-se do modelo de Os Lusíadas e emprega como maravilhoso o fetichismo indígena. São heróis desse poema:

a) Cacambo, Lindóia, Moema
b) Diogo Álvares Correia, Paraguaçu, Moema
c) Diogo Álvares Correia, Paraguaçu, Tanajura
d) Cacambo, Lindoia, Gomes Freira de Andrade
e) n.d.a.

11.Vunesp

“Quem vê girar a serpe da irmã no casto seio,

Pasma, e de ira e temor ao mesmo tempo cheio

Resolve, espera, teme, vacila, gela e cora,

Consulta o seu amor e o seu dever ignora.

Voa a farpada seta da mão, que não se engana;

Mas aí, que já não vives, ó mísera indiana!”

Nestes versos de Silva Alvarenga, poeta árcade e ilustrado, faz-se alusão ao episódio de uma obra em que a heroína morre. Assinale a alternativa correta em que se mencionam o nome da heroína (1), o título da obra (2) e o nome do autor (3):

a)Moema; (2) Caramuru; (3) Santa Rita Durão;

b)Marabá; (2) Marabá; (3) Gonçalves Dias;

c)Lindoia; (2) O Uraguai; (3) Basílio da Gama;

d)Iracema; (2) Iracema; (3) José de Alencar;

e)Marília; (2) Marília de Dirceu; (3) Tomás A. Gonzaga.

 

 

 

 

ANÁLISE : O ÚLTIMO POEMA

MANUEL BANDEIRA

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas

Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

A paixão dos suicidas que se matam sem explicação. (Manuel Bandeira)

        No, primeiro verso, o poeta anuncia o seu desejo: “Assim eu quereria o meu último poema”. Nos versos subsequentes, ele expõe similitudes que traduzem o seu desejo, explicitando, assim, quais seriam esses desejos. A saber: “Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais”, o poeta aspira à simplicidade que advém da espontaneidade, capaz de traduzir sem artifícios prévios o carinho afetivo; “Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas”, Manuel Bandeira deseja um verso que seja apto para transportar toda a intensidade da emoção sem, no entanto, resvalar na pieguice sentimental, sobretudo a pieguice sentimental praticada pelos românticos; “Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume” o poema, também, deveria ter  a beleza discreta, incapaz de alarde, comedida a ponto de resvalar-se discretamente, impondo-se pela forma, sem necessidade de estender suas intenções; “A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos”, ele anseia um poema que seja hábil em conter toda a beleza e preciosidade dos sentimentos e intenções raros, entretanto que toda a preciosidade possa ser consumida, isto é, dissolvida por uma chama, por um estilo simples capaz de frear, em sua simplicidade e pureza, a nobreza dos sentimentos afetivos. “A paixão dos suicidas que se matam sem explicação”, e por último, o eu-lírico deseja um poema que tenha habilidade de deter os mais intensos sentimentos sem, contudo, ser sentimental, por isso não compete a ele anunciar de forma dramática a intensidade das emoções, enfim o que autor deseja de fato é guardar o mistério que enaltece a alma humana.

   “O Último Poema”, de Manuel Bandeira é classificado como uma metapoesia, pois o autor tematiza a própria poesia – o curioso é que este é o último poema da obra Libertinagem, portanto fica claro que o eu-lírico conseguiu o tão desejado comedimento não só em relação ao sentimentalismo piegas, mas também consegue despojar a poesia dos ritmos clássicos, da métrica e do vocabulário elevado.

                                                                                                      Zamira Pacheco.