QUINHENTISMO

QUINHENTISMO

1.(UESC-2006)

E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se me alonguei um pouco, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, me fez pôr assim tudo pelo miúdo.

E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer cousa de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser por mim muito bem servida, a Ela peço que por me fazer singular mercê, mande vir da Ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que d’Ela receberei em muita mercê.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.    Pero Vaz de Caminha CASTRO, Sílvio. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 98. (Série Visão do Paraíso, v. 4).

[…] Assim, antes de ir a qualquer agência pública, a norma e a “sabedoria” indicam sempre que se deve primeiro descobrir as nossas relações naquela área. Uma vez que isso é estabelecido, a atuação da agência muda radicalmente de figura. O resultado é que todas as instituições sociais brasileiras estão sujeitas a dois tipos de pressão. Uma delas é a pressão universalista, que vem das normas burocráticas e legais que definem a própria existência da agência como um serviço público. A outra é determinada pelas redes de relações pessoais a que todos estão submetidos e aos recursos sociais que essas redes mobilizam e distribuem. […]

[…]

No fundo, vivemos em uma sociedade onde existe uma espécie de combate entre o mundo público das leis universais e do mercado; e o universo privado da família, dos compadres, parentes e amigos. É uma sociedade que tem formas diferenciadas de definição de seus membros, de acordo com o conjunto de relações que eles possam clamar ou demonstrar em situações específicas.

DaMATTA, Roberto. A casa & a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. 5. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. p. 83-85.

Estabeleça uma relação entre os dois textos, evidenciando em que aspecto o fragmento da carta de Caminha exemplifica o comportamento analisado por DaMatta.

RESPOSTA:  Roberto DaMatta destaca, em sua análise, aspectos da organização social brasileira que se assentam sobre uma estrutura de favores associada a relações familiares. Segundo ele, a tendência a misturar o universo privado (da família) com as questões de ordem pública, onde deveria imperar o princípio das leis universais e das leis de mercado, gera uma pressão indevida sobre as instituições sociais. Na carta de Caminha, tal comportamento é evidenciado pelo pedido final feito pelo escrivão da frota de Cabral ao rei português: “Vossa Alteza há de ser por mim muito bem servida, a Ela peço que por me fazer singular mercê, mande vir da Ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que d’Ela receberei em muita mercê.” Nessa passagem, Caminha pede que o rei conceda um favor pessoal ao seu genro.

2.(MACKENZIE-2006) Esta gentilidade nenhuma cousa adora, nem conhece a Deus; somente aos trovões chama TUPANE, que é como quem diz “cousa divina”. E assim nós não temos outro vocábulo mais conveniente para os trazer ao conhecimento de Deus, que chamar-lhe PAI TUPANE.                            Manuel da Nóbrega

O assunto do texto e a ideologia nele refletida revelam que pertence a um momento histórico-cultural em que

a) escritores já nascidos e formados intelectualmente no Brasil-colônia revelam-se críticos contundentes do processo de colonização.

b) a Bahia conheceu o espírito sagaz de Gregório de Matos, que, com seus improvisos e sua viola, caçoava de todos, inclusive das autoridades.

c) os novos escritores buscam a simplicidade formal, intimamente ligada ao grande valor dado à natureza, como base da harmonia e da sabedoria.

d) o ciclo do ouro propiciou o desenvolvimento da arquitetura, da escultura e da vida musical, principalmente em Minas Gerais.

e) relatos manifestam não só as preocupações do colonizador, como também o deslumbramento diante da paisagem brasileira.

Texto para as questões 3 e 4:

“Senhor:

Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba fazer pior que todos.

Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.

De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.

Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Doiro-e-Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.

Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.

Porém o melhor fruito que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.

A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto.

Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo

cristãos, porque eles, segundo parece, não têm nem entendem em nenhuma crença.

Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e fruitos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.

E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste Porto Seguro, da vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.                 Pero Vaz de Caminha.”

3.UnB-DF Evidenciando a leitura compreensiva do texto, julgue os itens abaixo.

( ) Diferentemente de outros documentos do século XVI acerca da descoberta do Brasil,

hoje esquecidos, a carta de Pero Vaz de Caminha continua a ser lida devido à sua importância

histórica e, também, por conter elementos da função poética da linguagem.

( ) A carta de Pero Vaz de Caminha é considerada pela história brasileira o primeiro documento publicitário oficial do país.

( ) A carta de Caminha é um texto essencialmente descritivo.

( ) Pero Vaz de Caminha foi o único português a enviar notícias da descoberta do Brasil ao rei de Portugal.

( ) Segundo Caminha, os habitantes da Ilha de Vera Cruz eram desavergonhados.

RESPOSTAS : V – F – V – F – F

4. UnB-DF Ainda com relação ao texto, julgue os seguintes itens.

( ) Substituindo-se “Posto que” por Haja vista, mantêm-se as mesmas relações de ideias.

( ) O nono parágrafo do texto ressalta uma prática dos silvícolas brasileiros: o extrativismo vegetal, que era a única forma de obtenção dos alimentos necessários à subsistência. Ressalta também que, apesar dessa prática, os silvícolas aparentavam ser mais fortes e bonitos que os conquistadores, mesmo sendo estes mais bem alimentados.

( ) No nono parágrafo do texto, as expressões “inhame” e “semente e fruitos” são repetitivas, pois, para a Biologia, a primeira contém a segunda. Além disso, a associação estabelecida entre “semente e fruitos” e “trigo e legumes” é biologicamente incoerente, pois legumes são sementes e trigo é fruto.

( ) As expressões de tratamento com que a correspondência é aberta e fechada revelam o respeito e a sujeição do remetente ao destinatário.

RESPOSTA:    F – F – F – V

Texto para as questões 5,6 e 7.

“CARTA

(Pero Vaz de Caminha)

Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanho, que haver nela, bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes longas barreiras, umas vermelhas e outras brancas; e a terra de cima, toda chã e muito cheia de grandes arvoredos.

De ponta a ponta, é toda a praia muito chã e muito formosa. Pelo sertão, nos pareceu vista

do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver, senão terra e arvoredos – terra que nos parecia muito extensa. Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal ou ferro, nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como o de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo de agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas, infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar, parece-me que será salvar esta gente, e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa alteza aqui esta pousada para esta navegação de Calicute bastava; quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentando da nossa fé! E desta maneira, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe, porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo. É pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que me elevo como em outra qualquer coisa que de Vossos serviços for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir a ilha de São Tomé a Jorge Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza.Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de     1500.”

 5.AEU-DF Julgue os itens abaixo em relação à compreensão e à interpretação do texto.

( ) O texto lido é uma descrição bem objetiva da terra descoberta.

( ) Nele, Caminha menciona as duas principais finalidades das expedições marítimas portuguesas: a expansão da fé católica e a descoberta de ouro e prata.

( ) Por não terem os portugueses se aventurado, até então, terra a dentro, as únicas informações que nos dá do interior são as transmitidas pelos indígenas.

( ) No entender do autor, mesmo que Portugal não explorasse e colonizasse a nova terra, tê-la unicamente como suporte das viagens às Índias, já seria uma grande dádiva.

( ) Para Caminha, o maior bem a que se deviam dedicar os portugueses é aquele que deriva das águas, tamanha a sua abundância na nova terra.

( ) O “será salvar a gente” é o que os soldados portugueses deveriam fazer para evitar que tribos indígenas mais fortes dizimassem outras menores e mais frágeis.

RESPOSTA:             F – V – F – V – F – F

 6.AUE-DF Julgue os itens que seguem, em relação à teoria literária e aos estilos de época

na Literatura Brasileira.

( ) Este texto, por se tratar de uma missiva, tem característica oratórias.

( ) A Carta, de Pero Vaz de Caminha, é o primeiro de uma série de textos no nosso primeiro século, que constituem a “Literatura de Informação” do Brasil.

( ) As constantes inversões e a sintaxe rebuscada da Carta é uma característica da literatura clássica do período, quase já uma transição do Renascimento para o Barroco.

( ) Ainda dentro do Humanismo renascentista, que tinha o homem no centro de tudo, vemos a preocupação de Caminha com o silvícola brasileiro e a preservação de sua cultura.

RESPOSTA: F – V – F – F

7.AEU-DF Julgue os itens seguintes, em relação à semântica e à estilística.

(Para esta questão, utilize o texto das questões 6 e 7.)

( ) Por “contra o sul vimos… contra o norte vem”, deduzimos que os conquistadores se movimentaram do litoral norte para o sul.

( ) A palavra chã que aparece no texto em “toda chã” e “muito chã” é a grafia da época para chão.

( ) Ao citar o “Entre-Douro-e-Minho”, para dar a ideia do clima da nova terra, estabelece- se um raciocínio analógico.

( ) Os termos “fruto” e “semente”, no texto, estão empregados em sentido figurado.

( ) A expressão “pelo miúdo” poderia, sem equívoco semântico, ser substituída por detalhadamente.

RESPOSTAS:    F – F – V – V – V

8.Cefet-RJ  

“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estima nenhuma coisa cobrir nem mostrar suas vergonhas; e estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto. (…) Porém a terra em si é de muito bons ares, (…). E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.”

O texto acima apresenta fragmentos:

a) do “Diálogo sobre a conversão dos gentios”, do Pe. Manuel da Nóbrega.

b) das “Cartas” dos missionários jesuítas, escritas nos dois primeiros séculos.

c) da “Carta” de Pero Vaz de Caminha a El-Rey D. Manuel, referindo-se ao descobrimento de uma nova terra e às primeiras impressões do aborígene.

d) da “Narrativa Epistolar e os Tratados da Terra e da Gente do Brasil”, do jesuíta Fernão Cardim.

e) do “Diário de Navegações”, de Pero Lopes de Souza, escrivão do primeiro colonizador,

o de Martim Afonso de Souza.

9.U.F. Santa Maria-RS O Quinhentismo, enquanto manifestação literária, pode ser definido  como uma época em que:

I.não se pode falar, ainda, na existência de uma literatura brasileira, pois a cultura portuguesa estabelecia as formas de pensamento e expressão para os escritores na colônia;

II.se pode falar na existência de uma literatura brasileira porque, ao descreverem o Brasil, os textos mostram um forte instinto de nacionalidade, na medida em que todos os escritores eram nativos da terra;

III. a produção escrita se prende à descrição da terra e do índio ou a textos escritos pelos jesuítas, ou seja, uma produção informativa e doutrinária.

Está(ão) correta(s):

a) Apenas I.      b) Apenas II e III.        c) Apenas II.        d) Apenas III.     e) Apenas I e III.

 10.UFRS Leia o texto abaixo, extraído da Carta de Pero Vaz de Caminha.

“O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de

ouro mui grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa* por estrado. (…) Entraram. Mas não fizeram sinal de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles pôs olho no colar do Capitão, e começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos dizendo que ali havia ouro. (…) Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo.”

Vocabulário: *alcatifa – tapete.

Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

I.As palavras de Caminha evidenciam o confronto entre civilização e barbárie vivenciado pelos portugueses na chegada ao Brasil.

II.A interpretação que o escrivão dá aos gestos do índio em relação ao colar do Capitão corrobora a intenção dos portugueses em explorar as possíveis jazidas de ouro da terra recém descoberta.

III. No trecho selecionado, Caminha sugere uma prática que viria a se tornar corrente nas relações entre portugueses e selvícolas: o escambo (a permuta) de produtos da terra por artigos manufaturados europeus.

Quais estão corretas:

a) Apenas I.        b) Apenas II e III.           c) Apenas II.            d) I, II e III.          e) Apenas I e II.

 11.U.E. Londrina-PR Leia os fragmentos a seguir e assinale o que for correto.

1) “Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé.”

Vocabulário:

infindo – infinito, muito grande, muito numeroso.

pousada – local onde se descansa durante uma viagem.

Calecute – primeira cidade da Índia em que desembarcou Vasco da Gama, na sua viagem de descobrimento do caminho marítimo da Índia, em 1498.

acrescentamento – aumento, adição, acréscimo.

A Carta de Pero Vaz de Caminha. In: TUFANO, Douglas. Estudos de Língua e Literatura. 5. ed. São Paulo, Moderna, 1998.

 

2) “À Santa Inês

Cordeirinha linda,

Como folga o povo

Porque vossa vinda

Lhe dá lume novo!

Cordeirinha santa,

De Jesus querida,

Vossa santa vinda

O diabo espanta.

Por isso vos canta,

Com prazer, o povo,

Porque vossa vinda

Lhe dá lume novo.”

Vocabulário:

folgar: alegrar.

lume: luz, orientação.     ANCHIETA, José de. Poesia. In: TUFANO, Douglas. Estudos de Língua e Literatura. 5. ed. São Paulo, Moderna, 1998.

  1. Os dois fragmentos pertencem à chamada literatura informativa que representa o

Brasil do século XVI. Caracterizam esses fragmentos:

1) a beleza da nova terra descoberta;

2) a necessidade de revigorar a fé cristã do povo que aqui habitava. Tais

características esclarecem os objetivos dos primeiros colonizadores portugueses: usufruir das riquezas e, ao mesmo tempo, catequizar os índios.

02.Os dois fragmentos pertencem à literatura informativa e jesuítica do Brasil do século

XVI. No primeiro excerto, Pero Vaz de Caminha nos permite perceber as expectativas

dos portugueses com relação ao Brasil (“dar-se-á nela tudo, por bem das águas

que tem”). No segundo excerto, José de Anchieta exalta a figura de Santa Inês e

incentiva o povo a praticar a fé religiosa cristã (“Cordeirinha linda, / como folga o

povo / porque vossa vinda / lhe dá lume novo”). Evidenciam-se, portanto, as informações

que a Coroa Portuguesa desejava obter, confirmando, desse modo, as reais

intenções de expansão do comércio, de conquista de novas fontes de riquezas e de

trabalho escravo.

04.Nos dois excertos, evidenciam-se as primeiras manifestações literárias do Brasil-

Colônia, denominado “ciclo dos descobrimentos”, compreendido por um conjunto de obras cujo objetivo era divulgar os descobrimentos marítimos e terrestres, a conquista e a colonização dos territórios ultramarinos, a vida no mar e as consequências morais e políticas desses fatos.

08.Nos dois excertos, fica muito evidente o objetivo maior do expansionismo marítimo de Portugal e da Espanha: “dilatar a fé e o império”. No primeiro, a terra brasileira confrontada com a paisagem desoladora da África, já conhecida dos portugueses, mais parecia um paraíso intacto (“Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”). No segundo, a cruz do cristianismo e a preocupação em “dilatar a fé” escondem objetivos mercantilistas e expansionistas da coroa portuguesa.

16.Nos dois excertos, o primeiro escrito por Pero Vaz de Caminha e o segundo pelo Padre José de Anchieta, confirmam-se as afirmações dos historiadores: nos primórdios do século XVI, não se pode falar em literatura no Brasil. O que existia eram relatos de viagem (de escasso valor literário), informando sobre a natureza, o índio, documentando o processo de conquista e colonização; as obras dos jesuítas aparecem, paralelamente às obras dos cronistas e viajantes, igualmente ricas de informações, mas acrescidas de um dado novo: a intenção pedagógica, moral e cristã.

Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.

RESPOSTA: 24

11.U.F. Santa Maria-RS Leia o texto a seguir.

“Eles não usam barba, elas têm cabelos compridos e tranças. Esguios, alimentados a peixe moqueado com biju, mingau de amendoim e frutas. Falam baixo, dormem cedo e só têm uma conversa: índio. É a tribo dos brancos composta de cientistas sociais, médicos, pedagogos, enfermeiras, biólogas e engenheiros agrônomos, vindos de diversas regiões brasileiras. Boa parte da engenhosa engenharia social e cultural que mantém o Parque do Xingu funcionando em harmonia se deve ao trabalho desses especialistas. O foco agora é preparar os índios para o inevitável confronto com a civilização que um dia ocorrerá. As cidadezinhas vizinhas do parque vão transformar-se em municípios de porte médio, a urbanização baterá às portas da reserva. Os moradores do parque, cada vez mais, dependerão de produtos fabricados pelo branco. Em todos os momentos da humanidade, sempre que o choque ocorreu, o mais forte sobrepujou o mais fraco. Quase sempre de forma violenta. Neste canto do Brasil, um punhado de brancos está conseguindo driblar essa inevitabilidade. Procuram transformar o abraço sufocante em um caminhar de mãos dadas de culturas tão diferentes.”FERRAZ, Silvio. Do Xingu. In: Veja, 30 de junho de 1999.

Relacione o texto com a carta de Pero Vaz de Caminha e indique se são verdadeiras (V) ou falsas

(F) as seguintes afirmativas quanto à preocupação do homem branco em relação ao índio:

( ) O texto tem o mesmo objetivo da carta, pois ambos destacam, várias vezes, que o rei de Portugal deveria cuidar da salvação dos índios.

( ) O texto tem o mesmo objetivo que a carta de Caminha, na medida em que tanto a “tribo de brancos” quanto o escrivão da esquadra de Cabral mostram preocupação com os índios do Xingu.

( ) O texto não tem o mesmo objetivo da carta pois Caminha, ao destacar que o rei deveria cuidar da salvação dos índios, usa “salvação” no sentido religioso, de converter o índio à fé católica, ou seja, no sentido de salvação da alma.

A sequência correta é:

a) F – F – V.              b) V – V – F.         c) F – V – F.       d) V – F – V.                 e) F – V – V.

 A terra é mui graciosa,

Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.
Tem goiabas, melancias,
Banana que nem chuchu.
Quanto aos bichos, tem-nos muitos,
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais
Diamantes tem à vontade
Esmeraldas é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca,
Cruzados não faltarão,
Vossa perna encanareis,
Salvo o devido respeito.
Ficarei muito saudoso
Se for embora daqui.                 (Murilo Mendes)
12.O texto:
a) faz referência à literatura dos jesuítas no Brasil no século XVI.
b) alude humoristicamente àquilo que se convencionou chamar de literatura informativa no Brasil.
c) parodia tendências próprias do Barroco brasileiro.
d) contraria qualquer proposta temática do Modernismo brasileiro de 1922.
e) apresenta elementos que o relacionam com o “Grupo Mineiro”, basicamente responsável pelo Arcadismo no Brasil.

13.No período compreendido entre o descobrimento do Brasil e o ano de 1601, produziu-se, no Brasil a literatura informativa, cuja temática está resumida na opção:
a) a vida dos habitantes nativos.
b) o perfil físico, étnico e cultural da nova terra.
c) o modelo de catequese adotado pelos jesuítas.
d) as aventuras do europeu descobridor.
e) a política predatória de Portugal em relação ao Brasil.

 14.Leia o texto.
As produções do quinhentismo brasileiro podem ser circunscritas, por convenção, entre a “Carta”, de Caminha, e a publicação, em 1601, do poema épico “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, que inicia o período do Barroco colonial.
(Abdala Júnior, Benjamin e Campedelli; Samyra Y. “Tempos da Literatura Brasileira”. SP, Ática, 1985.)
As afirmações a seguir relacionam-se com a época descrita acima. Julgue-as.
( ) Os jesuítas tiveram grande importância nessa época pois eram praticamente os únicos responsáveis pela atividade intelectual da colônia.
( ) “Diálogo sobre a conversão do gentio”, de José de Anchieta, é a principal obra literária quinhentista brasileira.
( ) Surgiu nesse século o sentimento nativista que foi desenvolvido mais tarde pelos românticos e pelos modernistas.
RESPOSTA:V F V

 15.“As águas são muitas, infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve alcançar.”
Visões otimistas sobre as potencialidades da natureza e dos indivíduos, a exemplo do que se verifica no trecho transcrito, são comuns durante o período colonial. Assinale a alternativa que identifica os textos que transmitiam esse tipo de mensagem.
a) Biografias de santos                        d) Sermões eucarísticos
b) Ficção regionalista                          e) Literatura informativa
c) Gênero lírico

16.(UFSC) A carta de Pero Vaz de Caminha Num dos trechos de sua carta a D. Manuel, Pero Vaz de Caminha descreve como foi o contato entre os portugueses e os tupiniquins, que aconteceu em 24 de abril de 1500:

“O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, aos pés de uma alcatifa por estrado; e bem vestido, com um colar de ouro, muito grande, ao pescoço […] Acenderam-se tochas. E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a ninguém. Todavia um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro da terra. E também olhou para um castiçal de prata, e assim mesmo acenava para a terra, e novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata! […] Viu um deles umas contas de rosário, brancas; fez sinal que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço, e depois tirou-as e meteu-as em volta do braço, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se davam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender, por que não lho havíamos de dar! E depois tornou as contas a quem lhas dera. E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de esconder suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam raspadas e feitas. O Capitão mandou pôr por de baixo de cada um seu coxim; e o da cabeleira esforçava-se por não a estragar. E deitaram um manto por cima deles; e, consentindo, aconchegaram-se e adormeceram.”     Coleção Brasil 500 anos, Fasc. I, Abril, São Paulo, 1999.

De acordo com o texto, assinale a(s) proposição(ões) VERDADEIRA(S):

01 ( ) Pero Vaz de Caminha, um dos escrivães da armada portuguesa, escreve para o Rei de Portugal, D. Manuel, relatando como foi o contato entre os portugueses e os tupiniquins.

02 ( ) Em “E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a ninguém”, fica implícito que os tupiniquins desconheciam hierarquia ou categoria social lusitanas.

04 ( ) Nada, na embarcação portuguesa, pareceu despertar o interesse dos tupiniquins.

08 ( ) O trecho “[…] e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se davam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós nesse sentido, por assim o desejarmos” evidencia que havia problemas de comunicação entre os portugueses e tupiniquins.

RESPOSTA: 1. 01, 02 e 04 são verdadeiras. 03 é falsa.

17.(Ufla-MG) Todas as alternativas são corretas sobre o Padre José de Anchieta, EXCETO:

a) Foi o mais importante jesuíta em atividade no Brasil do século XVI.

b) Foi o grande orador sacro da língua portuguesa, com seus sermões barrocos.

c) Estudou o tupi-guarani, escrevendo uma cartilha sobre a gramática da língua dos nativos.

d) Escreveu tanto uma literatura de caráter informativo como de caráter pedagógico.

e) Suas peças apresentam sempre o duelo entre anjos e diabos.

 18.(UEL-PR) “José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil, trouxe em sua bagagem, vindo da Canárias onde nasceu, mais do que seu pendor poético. Vinha ele com mais meia dúzia de bravos com a espantosa missão de converter e educar os índios, que seus olhos e dos outros, a princípio, não reconheciam qualquer cultura.”DELACY, M. Introdução ao teatro. Petrópolis: Vozes,

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a prática de catequização de José de Anchieta, considere as afirmativas a seguir:

I.Para catequizar, Anchieta valeu-se de sua criatividade, usando cocares coloridos, pintura corporal e outros adereços que os indígenas lhe mostravam.

II.Com a missão de levar Jesus àqueles “bugres e incultos”, Anchieta se afastou de suas próprias crenças convertendo-se à religião daquele povo.

III. Com a finalidade de catequizar, Anchieta começou a escrever autos, baseados nos autos medievais, nas obras de Gil Vicente e em encenações espanholas.

IV.Para implantar a fé como lhe foi ordenado, Anchieta representava os autos na língua pátria de Portugal.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e III.                      b) I e IV.                     c) II e IV.            d) I, II e III.                e) II, III e IV.

19.(UnB-DF)

Senhor:

I.”Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que nesta navegação agora se achou, não deixarei também de dar minha conta disso a Vossa Alteza, o melhor que eu puder, ainda que – para o bem contar e falar -, o saiba fazer pior que todos.”

II.”Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e muito formosa.”

III. “Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.”

IV.”Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre Doiro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.”

V.” Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.”

VI.”Porém o melhor fruito, que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”

VII. “A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto.”

VIII. “Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e ele a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença.”

IX.”Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e frutos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.”

X.”E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, pois o desejo que tinha de tudo vos dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.”

XI.”Beijo as mãos de Vossa Alteza.”

XII. “Deste Porto Seguro, da vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.”

Pero Vaz de Caminha
Cortesão, Jaime. A carta de Pero Vaz de Caminha.
Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1943, p.199-241.
Coleção Clássicos e Contemporâneos.

Evidenciando a leitura compreensiva do texto, julgue os itens a seguir como verdadeiros ou falsos.

I.( ) Diferentemente de outros documentos do século XVI acerca da descoberta do Brasil, hoje esquecidos, a carta de Pero Vaz de Caminha continua a ser lida devido à sua importância histórica e, também, por conter elementos da função poética da linguagem.

II.( ) A carta de Pero Vaz de Caminha é considerada pela história brasileira o primeiro documento publicitário oficial do país.

III. ( ) A carta de Caminha é um texto essencialmente descritivo.

IV.( ) Pero Vaz de Caminha foi o único português a enviar notícias da descoberta do Brasil ao rei de Portugal.

V.( ) Segundo Caminha, os habitantes da Ilha de Vera Cruz eram desavergonhados.

 RESPOSTAS:  V, F, V, F, F.

20.(Ufam) A respeito das primeiras manifestações literárias no Brasil, NÃO é correto afirmar:

  1. a) José de Anchieta escreveu um manual prático, intitulado Diálogo sobre a conversão do gentio, com evidentes intenções pedagógicas, nele expondo sobre a melhor forma de lidar com os indígenas.
  2. b) Em sua Carta, Pero Vaz de Caminha descreveu a paisagem do litoral brasileiro e o aspecto físico dos índios, admirando-se da ausência de preconceito que eles demonstravam em relação ao próprio corpo e à nudez.
  3. c) Pero de Magalhães Gandavo, demonstrando total incompreensão, julgou os índios de forma irônica, dizendo que, por não possuírem em sua língua as letras F, L e R, não podiam ter nem Fé, nem Lei, nem Rei.
  4. d) Os textos dos viajantes, no primeiro século de vida do Brasil, foram escritos com o objetivo de informar a Coroa Portuguesa sobre as potencialidades econômicas da nova terra.
  5. e) A Carta de Pero Vaz de Caminha é um documento fundado numa visão mercantilista (a conquista de bens materiais) e no espírito religioso (dilatação da fé cristã e a conquista de novas almas para a cristandade).

 

21.(Ufam) Leia as estrofes abaixo, que constituem o início de um famoso poema chamado A Santa Inês:

“Cordeirinha linda,
como folga o povo
porque vossa vinda
lhe dá lume novo!
Cordeirinha santa,
de Iesu querida,
vossa santa vinda
o diabo espanta.”

Pela religiosidade e pelo didatismo do poema, seu autor só pode ser:

a) Frei Vicente do Salvador                      d) Pero Lopes de Sousa

b) José de Anchieta                                     e) Manuel da Nóbrega

c) Gabriel Soares de Sousa

 22.(Ufam) Caracteriza a literatura dos viajantes, no primeiro século de existência do Brasil:

  1. a) A constatação de que a terra não possuía nem ouro nem prata em grande quantidade e que, por isso, não merecia ser explorada.
  2. b) O espanto do europeu diante do desconhecido, de um mundo estranho e fascinante, encarado como a própria representação do paraíso.
  3. c) A aceitação do índio como um indivíduo que, embora praticasse uma religião diferente, deveria ter sua cultura respeitada.
  4. d) O registro de que se fazia necessário estudar as diversas línguas existentes, como forma de manter um saudável intercâmbio com os povos nativos.
  5. e) O elogio dos índios pela sua falta de ambição quanto ao acúmulo de bens materiais, o que os fazia viver felizes.

 

23. (UFMG) Com base na leitura da Carta, de Pero Vaz de Caminha, é INCORRETO afirmar que esse texto

  1. a) Se filia ao gênero da literatura de viagem.
  2. b) Aborda seu próprio contexto de produção.
  3. c) Usa registro coloquial em estilo cerimonioso.
  4. d) Se compõe de narração, descrição e dissertação.

 24.(UEPB)

“A Carta de Caminha, que não foi escrita para ser publicada e cuja primeira edição é somente de 1817, tinha características adequadas para ocupar posto estratégico no que se queria que fosse a formação e a determinação do cânone da literatura brasileira, onde costuma ser vista como o seu grande momento inaugural. Isso é estranho, pois a Carta sequer é um texto literário nem de autor brasileiro. Descoberta no século XIX, ela não estava ‘no início’: este foi construído, inventado, ‘reconstruído’ a posteriori.

Não estando no começo, mas nele posta, postada, determina uma visão e um caminho: colocada no começo, determina um perfil e uma orientação, a visão do Brasil como utopia portuguesa, documentando que, embora não seja verdade, o território foi descoberto primeiro por Cabral […] Se um texto é convertido institucionalmente em algo que não corresponde à sua natureza, é porque atende a uma secreta necessidade, que precisa ser definida, ainda que sua vocação íntima seja não se desvelar para, assim, ser mais eficaz.”

Flávio Rene Kothe

Considerando o fragmento citado:

I.Textos literários são construídos em contextos políticos e econômicos e servem também como instrumento de propaganda de ideias das classes que os produzem para os estratos sociais consumidores de tal mercadoria.

II.Textos literários condensam em si vários significados e valores construídos no tempo e no espaço por sujeitos que os querem com determinados propósitos, como ocorreu com a Carta de Caminha, texto não-autorizado para configurar como literário, de acordo com a natureza estética da arte, mas forçou-se a entrada de tal produção no rol do que é considerado literatura.

III. Considerar a Carta de Caminha texto literário parece ser perigoso de um ponto de vista mais acurado e preciso porque se assim o for é possível que outros textos de igual “textura” tenham sido considerados literários e outros excluídos dessa relação, porque não atenderam às expectativas político-ideológicas de quem determina o que é literatura e qual texto deve servir como exemplo dessa produção.

É correto afirmar que:

a) Nenhuma proposição está correta.            d) Apenas as proposições I e II estão corretas.

b) Apenas as proposições II e III estão corretas. e) Apenas as proposições I e III estão corretas.

c) Todas as proposições estão corretas.

 (Mackenzie/SP-2007) Texto para as questões 25 e 26

Quando morre algum dos seus põem-lhe sobre a sepultura pratos, cheios de viandas, e uma rede (…) mui bem lavada. Isto, porque creem, segundo dizem, que depois que morrem tornam a comer e descansar sobre a sepultura. Deitam-nos em covas redondas, e, se são principais, fazem-lhes uma choça de palma. Não têm conhecimento de glória nem inferno, somente dizem que depois de morrer vão descansar a um bom lugar. (…) Qualquer cristão, que entre em suas casas, dá-lhe a comer do que têm, e uma rede lavada em que durma. São castas as mulheres a seus maridos.

Padre Manuel da Nóbrega

25.(Mackenzie/SP-2007) Assinale a alternativa correta a respeito do texto.

a) A narração acerca das festividades de um grupo indígena é verossímil na medida em que nasce da observação direta do autor, isenta de outros testemunhos que poderiam pôr em dúvida a credibilidade do relato.

b) O autor disserta sobre as superstições, a bondade e a harmoniosa relação dos cônjuges de um grupo de indígenas que vivenciam um processo de aculturação.

c) O texto tem como foco principal narrar os rituais praticados por uma sociedade que, embora de cultura diferente, adota os princípios religiosos do cristianismo.

d) Ao escolher determinados aspectos do comportamento dos indígenas, como a hospitalidade, por exemplo, o jesuíta revela que a comunidade, embora não catequizada, lhe é simpática.

e) No relatório sobre os índios brasileiros, o ritual funerário ao qual o jesuíta se refere reflete o tratamento igualitário que essa sociedade dispensa a seus membros.

26.(Mackenzie/SP-2007) O texto, escrito no Brasil colonial,

a) pertence a um conjunto de documentos da tradição histórico-literária brasileira, cujo objetivo principal era apresentar à metrópole as características da colônia recém-descoberta.

b) já antecipa, pelo tom grandiloquente de sua linguagem, a concepção idealizadora que os românticos brasileiros tiveram do indígena.

c) é exemplo de produção tipicamente literária, em que o imaginário renascentista transfigura os dados de uma realidade objetiva.

d) é exemplo característico do estilo árcade, na medida em que valoriza poeticamente o “bom selvagem”, motivo recorrente na literatura brasileira do século XVIII.

e) insere-se num gênero literário específico, introduzido nas terras americanas por padres jesuítas com o objetivo de catequizar os indígenas brasileiros.

 

(UFPB-2007) Texto para as questões de 27 a 30.

Em que se declara o modo e a linguagem dos tupinambás.

Ainda que os tupinambás se dividiram em bandos, e se inimizaram uns com outros, todos falam uma língua que é quase geral pela costa do Brasil, e todos têm uns costumes em seu modo de viver e gentilidades; os quais não adoram nenhuma coisa, nem têm nenhum conhecimento da verdade, nem sabem mais que há morrer e viver; e qualquer coisa que lhes digam, se lhes mete na cabeça, e são mais bárbaros que quantas criaturas Deus criou. Têm muita graça quando falam, mormente as mulheres; são mui compendiosas na forma da linguagem, e muito copiosos no seu orar; mas faltam-lhes três letras das do ABC, que são F, L, R grande ou dobrado, coisa muito para se notar; porque, se não têm F, é porque não têm fé em nenhuma coisa que adorem; nem os nascidos entre os cristãos e doutrinados pelos padres da Companhia têm fé em Deus Nosso Senhor, nem têm verdade, nem lealdade a nenhuma pessoa que lhes faça bem. E se não têm L na sua pronunciação, é porque não têm lei alguma que guardar, nem preceitos para se governarem; e cada um faz lei a seu modo, e ao som da sua vontade; sem haver entre eles leis com que se governem, nem têm leis uns com os outros. E se não têm esta letra R na sua pronunciação, é porque não têm rei que os reja, e a quem obedeçam, nem obedecem a ninguém, nem ao pai o filho, nem o filho ao pai, e cada um vive ao som da sua vontade; para dizerem Francisco dizem Pancico, para dizerem Lourenço dizem Rorenço, para dizerem Rodrigo dizem Rodrigo; e por este modo pronunciam todos os vocábulos em que entram essas três letras.(SOUSA, Gabriel Soares de. Tratado descritivo do Brasil em 1587- Capítulo CL – Em que se declara o modo e a linguagem dos tupinambás. In: VILLA, Marco Antônio e OLIVIERI, Antônio Carlos. Cronistas do Descobrimento. São Paulo: Ática, 1999, p. 144).

27.(UFPB-2007) Em seu texto, Gabriel Soares de Sousa

a) limita-se à descrição dos costumes indígenas, sem emitir nenhum juízo de valor.

b) destaca apenas qualidades negativas dos índios tupinambás, a quem chama de “bárbaros”.

c) exalta à liberdade em que vivem os índios, reconhecendo-a, indiscutivelmente, como um valor intocável.

d) reconhece a inferioridade da cultura dos tupinambás, ao compará-la com a de outros índios do Brasil.

e) tece considerações críticas a respeito da liberdade excessiva dos índios.

28.(UFPB-2007) Leia o fragmento.

“[…] nem os nascidos entre os cristãos e doutrinados pelos padres da Companhia têm fé em Deus Nosso Senhor, nem têm verdade, nem lealdade a nenhuma pessoa que lhes faça bem.” (linhas 7 a 9)

A leitura desse fragmento permite afirmar que o autor

a) considera eficaz a ação dos jesuítas na conversão dos indígenas.

b) mostra surpresa diante do fato de os índios não terem fé em Deus, mesmo sendo doutrinados no cristianismo.

c) defende, em princípio, que não se deve cobrar dos índios a fé em Deus.

d) reconhece a obediência dos tupinambás à conversão cristã.

e) ressalta a presença das doutrinas cristãs nas práticas religiosas dos índios.

29.(UFPB-2007) A ausência das letras F, L, R na linguagem dos tupinambás é comentada pelo autor do texto para

a) justificar a natureza mais simples da linguagem dos índios.

b) denotar apenas a diferença entre a língua dos brancos portugueses e a dos índios.

c) enfatizar, sobretudo, a criatividade na expressão linguística dos povos indígenas.

d) criticar, principalmente, a inexistência da fé, da lei e do rei na cultura tupinambá.

e) revelar somente os aspectos pitorescos na maneira de falar dos índios.

30.(UFPB-2007) O texto de Gabriel Soares de Sousa filia-se à vertente da literatura brasileira conhecida como “manifestações literárias” (século XVI). Nesse texto, verifica-se o predomínio da

a) função referencial da linguagem, embora se apresentem traços estilísticos comuns à produção literária da época.

b) função emotiva da linguagem, registrando impressões e sentimentos de natureza lírica.

c) função poética da linguagem, visto que se trata de um texto de cunho histórico.

d) linguagem conotativa, por se tratar de um texto eminentemente literário.

e) função apelativa da linguagem, uma vez que o receptor da mensagem é posto em destaque.

31.(PUC/PR/PAES-2006) Assinale a alternativa que contêm as obras consideradas os dois primeiros textos de informação, na literatura brasileira.

Para a resposta, considere fatos históricos como o descobrimento do Brasil, a chegada dos primeiros colonizadores, a vinda dos jesuítas, a passagem de viajantes e de cronistas pela nova terra.

a) Carta, de Pero Vaz de Caminha / Diário de Navegação, de Pero Lopes de Sousa.

b) Diálogo sobre a Conversão dos Gentios, de Manoel da Nóbrega / Tratado da Terra do Brasil, de Pero Magalhães Gândavo.

c) Tratados da Terra e da Gente do Brasil, de Fernão Cardim / Tratado Descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Souza.

d) Diálogos das Grandezas do Brasil, de Ambrósio Fernandes Brandão.

e) História do Brasil, de Vicente do Salvador / Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões, de José de Anchieta.

32. (PUC/PR/PAES-2006) Dos textos de informação dos jesuítas, destacam-se, pela sua importância, aqueles produzidos por três autores: ______________ / ______________ / ______________ e a característica que diferencia esses textos, também tão ricos de informações sobre a nova terra e de análise sobre a gente do Brasil, daqueles da crônica leiga, é: _____________

a) Fernão Cardim / Manoel da Nóbrega / José de Anchieta / a intenção pedagógica e moral.

b) Pero Magalhães Gândavo / Ambrósio Fernandes Brandão / Vicente do Salvador / a qualidade literária.

c) Pero Lopes de Sousa / José de Anchieta / Pero Vaz de Caminha / o amor à nova terra e ao índio do Brasil.

d) Pero Lopes de Sousa / Manoel da Nóbrega / Ambrósio Fernandes Brandão / a importância dos dados históricos.

e) Fernão Cardim / Pero Magalhães Gândavo / Vicente do Salvador / o sentimento de religiosidade.

 

33.(MACKENZIE-2006) José de Anchieta faz parte de um período da história cultural brasileira (século XVI) em que se destacaram manifestações específicas: a chamada “literatura informativa” e a “literatura jesuítica”. Assinale a alternativa que apresenta um excerto característico desse período.

a) Fazer pouco fruto a palavra de Deus no mundo pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. (Pe. Antônio Vieira)

b) Triste Bahia! ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado, / Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado, / Rica te vi eu já, tu a mim abundante.(Gregório de Matos)

c) Uma planta se dá também nesta Província, que foi da ilha de São Tomé, com a fruita da qual se ajudam muitas pessoas a sustentar a terra. (…) A fruita dela se chama banana.(Pêro de Magalhães Gândavo)

d) Vós haveis de fugir ao som de padre-nossos, / Frutos da carne infiel, seios, pernas e braços, / E vós, múmias de cal, dança macabra de ossos!(Alphonsus de Guimaraens)

e) Os ritos semibárbaros dos Piagas, / Cultores de Tupã e a terra virgem / Donde como dum trono enfim se abriram / Da Cruz de Cristo os piedosos braços. (Gonçalves Dias)

34.As primeiras manifestações literárias que se registram na Literatura Brasileira referem-se a:

a) Literatura informativa sobre o Brasil (crônica) e literatura didática, catequética (obra dos jesuítas).
b) Romances e contos dos primeiros colonizadores.
c) Poesia épica e prosa de ficção.
d) Obras de estilo clássico, renascentista.
e) Poemas românticos indianistas.

35.A literatura de informação corresponde às obras:

 a) barrocas;                                                                  d) arcádicas;

b) de jesuítas, cronistas e viajantes;                 e) do Período Colonial em geral;

c) n.d.a.

36.Qual das afirmações não corresponde à Carta de Caminha?
a) Observação do índio como um ser disposto à catequização.
b) Deslumbramento diante da exuberância da natureza tropical.
c) Mistura de ingenuidade e malícia na descrição dos índios e seus costumes.
d) Composição sob forma de diário de bordo.
e) Aproximações barrocas no tratamento literário e no lirismo das descrições.

37. (UNISA) A “literatura jesuíta”, nos primórdios de nossa história:
a) tem grande valor informativo;
b) marca nossa maturação clássica;
c) visa à catequese do índio, à instrução do colono e sua assistência religiosa e moral;
d) está a serviço do poder real;
e) tem fortes doses nacionalistas.

38.A importância das obras realizadas pelos cronistas portugueses do século XVI e XVII é:
a) determinada exclusivamente pelo seu caráter literário;
b) sobretudo documental;
c) caracterizar a influência dos autores renascentistas europeus;
d) a deterem sido escritas no Brasil e para brasileiros;
e) n.d.a.

39.Anchieta só não escreveu:
a) um dicionário ou gramática da língua tupi;
b) sonetos clássicos, à maneira de Camões, seu contemporâneo;
c) poesias em latim, portugueses, espanhol e tupi;
d) autos religiosos, à maneira do teatro medieval;
e) cartas, sermões, fragmentos históricos e informações.

40.São características da poesia do Padre José de Anchieta:
a) a temática, visando a ensinar os jovens jesuítas chegados ao Brasil;
b) linguagem cômica, visando a divertir os índios; expressão em versos decassílabos, como a dos poetas clássicos do século XVI;
c) temas vários, desenvolvidos sem qualquer preocupação pedagógica ou catequética;
d) função pedagógica; temática religiosa; expressão em redondilhas, o que permitia que fossem cantadas ou recitadas facilmente.
e)   n.d.a.

41.(UNIV. FED. DE SANTA MARIA) Sobre a literatura produzida no primeiro século da vida colonial brasileira, é correto afirmar que:
a) É formada principalmente de poemas narrativos e textos dramáticos que visavam à catequese.
b) Inicia com Prosopopeia, de Bento Teixeira.
c) É constituída por documentos que informam acerca da terra brasileira e pela literatura jesuítica.
d) Os textos que a constituem apresentam evidente preocupação artística e pedagógica.
e) Descreve com fidelidade e sem idealizações a terra e o homem, ao relatar as condições encontradas no Novo Mundo.

42.(UFV) Leia a estrofe abaixo e faça o que se pede:

Dos vícios já desligados
nos pajés não crendo mais,
nem suas danças rituais,
nem seus mágicos cuidados.
(ANCHIETA, José de. O auto de São Lourenço [tradução e adaptação de Walmir Ayala] Rio de Janeiro: Ediouro[s.d.]p. 110)
Assinale a afirmativa verdadeira, considerando a estrofe acima, pronunciada pelos meninos índios em procissão:
a) Os meninos índios representam o processo de aculturação em sua concretude mais visível, como produto final de todo um empreendimento do qual participaram com igual empenho a Coroa Portuguesa e a Companhia de Jesus.
b) A presença dos meninos índios representa uma síntese perfeita e acabada daquilo que se convencionou chamar de literatura informativa.
c) Os meninos índios estão afirmando os valores de sua própria cultura, ao mencionar as danças rituais e as magias praticadas pelos pajés.
d) Os meninos índios são figura alegóricas cuja construção como personagens atende a todos os requintes da dramaturgia renascentista.
e) Os meninos índios representam a revolta dos nativos contra a catequese trazida pelos jesuítas, de quem querem libertar-se tão logo seja possível.

43.(UFV) Leia a estrofe abaixo e faça o que se pede:

Dos vícios já desligados
nos pajés não crendo mais,
nem suas danças rituais,
nem seus mágicos cuidados.(ANCHIETA, José de. O auto de São Lourenço [tradução e adaptação de Walmir Ayala] Rio de Janeiro: Ediouro[s.d.]p. 110)

Assinale a afirmativa verdadeira, considerando a estrofe acima, pronunciada pelos meninos índios em procissão:

a) Os meninos índios representam o processo de aculturação em sua concretude mais visível, como produto final de todo um empreendimento do qual participaram com igual empenho a Coroa
Portuguesa e a Companhia de Jesus.

b) A presença dos meninos índios representa uma síntese perfeita e acabada daquilo que se convencionou chamar de literatura informativa.

c) Os meninos índios estão afirmando os valores de sua própria cultura, ao mencionar as danças rituais e as magias praticadas pelos pajés.

d) Os meninos índios são figura alegóricas cuja construção como personagens atende a todos os requintes da dramaturgia renascentista.

e) Os meninos índios representam a revolta dos nativos contra a catequese trazida pelos jesuítas, de quem querem libertar-se tão logo seja possível.

44.(UNIV. FED. DE SANTA MARIA) Sobre a literatura produzida no primeiro século da vida colonial brasileira, é correto afirmar que:

a)É formada principalmente de poemas narrativos e textos dramáticos que visavam à catequese.
b) Inicia com Prosopopeia, de Bento Teixeira.
c) É constituída por documentos que informam acerca da terra brasileira e pela literatura jesuítica.
d) Os textos que a constituem apresentam evidente preocupação artística e pedagógica.
e) Descreve com fidelidade e sem idealizações a terra e o homem, ao relatar as condições encontradas no Novo Mundo.

45.(UFMS) Assinale a única alternativa correta.

As manifestações literárias no Brasil do século XVI foram fundamentalmente:

a.relatos de viajantes e missionários estrangeiros e escritos catequéticos do padre José de Anchieta

b.poemas épicos indianistas e poesia lírica de caráter religioso.

c.teatro de sátira política e crônica sobre o cotidiano das pequenas cidades.

d.obras de caráter pedagógico, de circulação restrita.

46.(UEL-PR)

A curiosidade geográfica e humana e ao desejo de conquista e domínio corresponde, inicialmente, o deslumbramento diante da paisagem exótica e exuberante da terra recém-descoberta, testemunhado pelos cronistas portugueses:
a. Gonçalves de Magalhães e José de Anchieta.
b. Pêro de Magalhães Gandavo e Gabriel Soares de Sousa.
c. Botelho de Oliveira e José de Anchieta.
d. Gabriel Soares de Sousa e Gonçalves de Magalhães.
e. Botelho de Oliveira e Pêro de Magalhães Gandavo.

47.(FUVEST) Entende-se por literatura informativa no Brasil:

a) o conjunto de relatos de viajantes e missionários europeus, sobre a natureza e o homem brasileiros.

b) a história dos jesuítas que aqui estiveram no século XVI.

c) as obras escritas com a finalidade de catequese do indígena.

d) os poemas do Padre José de Anchieta.

e) os sonetos de Gregório de Matos.

48.(MACK-SP) Desde seu descobrimento, escreveu-se sobre o Brasil. Alguns escritores, após tal evento, compuseram textos com o propósito fundamental de retratar, não só a terra recém-descoberta, como também as características de seus habitantes. Trata-se, pois, de uma literatura de teor informativo, apesar de se encontrarem, às vezes, algumas passagens onde se mostram elementos artísticos. Aponte a alternativa em que se encontra o nome de um texto que não se encaixe nessa tendência.

a. “Carta do Descobrimento”

b. “Tratado da terra do Brasil”

c.”Tratado descritivo do Brasil”

d. “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”

e.”História da província de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil”.

 

49.(UNIMEP)

“Esta virtude estrangeira / me irrita sobremaneira./ Quem a teria trazido/com seus hábitos polidos

estragando a terra inteira? /Quem é forte como eu? / Como eu, conceituado? / Sou diabo bem assado,/ Boa medida é beber / cauim até vomitar. / Que bom costume é bailar! /Adornar-se, andar pintado, / tingir penas, empenado / fumar e curandeirar / andar de negro pintado”.

(Auto de São Lourenço, José de Anchieta)

Nestes versos aparecem características da produção poética de José de Anchieta, exceto:

a.versos curtos de tradição popular;

b.preocupação catequética;

c. linguagem direta;

d. tensão e elaboração artística renascentista;

e. conflito entre o bem e o mal.

 

50.(FEI-SP) Dos oito (autos) que lhe são atribuídos, o melhor é o intitulado na festa de São Lourenço, representado, pela primeira vez, em Niterói, em 1583. Seu autor é:

a.José de Anchieta     b.Gregório de Matos.     c.Bento Teixeira. d.Padre Manuel da Nóbrega.

e.Gabriel Soares de Sousa.

 

 

 

 

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Filmes para discutir a questão racial

ESCRAVIDÃO

O filme foi premiado com o o Oscar.

12 ANOS DE ESCRAVIDÃO (2013)

Hollywood e Washington caminham muitas vezes lado a lado. Foi assim na década de 1930, quando o New Deal do então presidente Franklin Delano Roosevelt encontrou respaldo e tradução em longas-metragens (notadamente as de Frank Capra, como A Mulher Faz o Homem) que confortavam o cidadão norte-americano e sinalizavam com alguma luz no fim do túnel da Grande Depressão. E tem sido assim também com a onda de filmes recentes que se debruçam sobre o racismo e a luta pelos direitos civis no país justamente no momento em que o primeiro presidente negro ocupa a Casa Branca.

Ao receber o Oscar de melhor filme (complementado pelos prêmios de roteiro adaptado e atriz coadjuvante), 12 Anos de Escravidão (2013) adquiriu importância especialmente simbólica nesse período. Não por acaso, deu origem a um projeto que levou filme e livro no qual foi baseado (escrito por Solomon Northup) a centenas de escolas norte-americanas. Barack Obama já exercia o segundo mandato quando essa recriação da história verídica de um negro vendido como escravo funcionou, para muitos ativistas da causa negra, como um lembrete: as novas gerações não podem deixar de conhecer o que se passou, sob o risco de permitir que aquilo venha a ocorrer outra vez.

Para ressaltar a simbologia, 12 Anos de Escravidão foi dirigido por um negro, o inglês Steve McQueen – cobrado por não ter dito, na entrevista coletiva após a cerimônia de entrega do Oscar, que foi o primeiro negro a dirigir uma produção premiada como melhor filme pela Academia de Hollywood. Barack McQueen, digamos.

NO CALOR DA NOITE (1967)

NO CALOR DA NOITE

No auge da luta pelos direitos civis nos EUA, um drama sobre preconceito baseado em romance de John Ball e dirigido por Norman Jewison. Um detetive negro (Sidney Poitier) investiga um assassinato em pequena cidade do Mississippi que é palco de tensão racial. Vencedor de cinco Oscars, incluindo os de melhor filme e ator (Rod Steiger).

A COR PÚRPURA (1985)

A COR PÚRPURA

Steven Spielberg dirigiu um grande elenco de atores negros – Danny Glover, Whoopi Goldberg, Adolph Caesar e a apresentadora de tevê Oprah Winfrey, entre outros – nessa adaptação do romance de Alice Walker sobre três décadas na vida de uma mulher do sul dos EUA, que engravida aos 14 anos por causa de uma relação incestuosa.

FAÇA A COISA CERTA (1989)

FAÇA A COISA CERTA

O diretor e roteirista Spike Lee ganhou projeção internacional por essa produção independente que recria a tensão racial em um bairro do Brooklyn, em Nova York. Pequenos episódios de preconceito e intolerância levam a uma espiral de violência. Lee realizou em seguida outros filmes, explorando os mesmos temas, como Febre da Selva (1991) e Malcolm X (1992).

Fonte: Carta Capital

CONCEITOS SEGUNDO:

 

  • KOCH (1997) Fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se encontram interligados, por meio de recursos também linguísticos, formando sequências veiculadas de sentido.

 

  • PLATÃO E FIORIN (1996)Ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões ou frases do texto.

 

  • SUÁREZ ABREU (1990) Encadeamento semântico que produz a textualidade: trata-se de uma maneira de recuperar, em uma sentença B, um termo presente em uma sentença A.

CONCEITOS SEGUNDO:

 

OS LUSÍADAS

OS LUSÍADAS

(Pism/UFJF-MG) Leia, com atenção, a estrofe do Canto I de Os lusíadas, transcrita abaixo para responder às questões 1 e 2.

“Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano
A quem Netuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.”

1.A estrofe transcrita é a estrofe III da obra de Camões. Leia-a, com atenção, para responder ao que está proposto em a) e b).

A respeito da estrofe, explique as referências:

a) A Netuno, a Marte e à Musa.

b) A Portugal/aos portugueses. Selecione, da estrofe III, os versos que comprovem sua explicação para essa referência.

a) Netuno, Marte e a musa são entidades mitológicas. Cada uma delas faz referência a uma qualidade ou habilidade do povo português. O domínio marítimo dos portugueses é sugerido pela referência a Netuno, deus dos mares. Marte, deus da guerra, indica a potência bélica lusitana. Quem inspira os poetas é a musa. A musa antiga — os poetas da Antiguidade — está dominada pelo valor poético de Camões e dos portugueses.
b) Os versos que se referem explicitamente ao povo português ou a Portugal são: “Que eu canto o peito ilustre Lusitano” e “Que outro valor mais alto se alevanta”. Esses versos indicam que o “peito ilustre Lusitano” é o novo valor que se afirma sobre os valores da Antiguidade.

 2.Assinale a alternativa incorreta:

a) Para o poeta épico renascentista, o Grego e o Troiano são modelos insuperáveis.

b) Há um forte nacionalismo laudatório que se estende pelo poema como um todo.

c) Para o poeta épico português, os portugueses são heróis de mar e guerra.

d) O herói do poema de Camões é coletivo e não individual.

e) Os portugueses, como os povos antigos, mereceram ser objeto de poesia épica.

3.(UFJF-MG) Leia o fragmento abaixo e responda ao que se pede.

“Amores da alta esposa de Peleu
Me fizeram tomar tamanha empresa.
Todas as deusas desprezei do céu,
Só por amar das águas a princesa.
Um dia a vi co’as filhas de Nereu,
Sair nua na praia: e logo presa
A vontade senti de tal maneira
Que inda não sinto cousa que mais queira.

Como fosse impossíbil alcançá-la
Pela grandeza feia de meu gesto,
Determinei por armas de tomá-la
E a Dóris este caso manifesto.
De medo a deusa então por mi lhe fala;
Mas ela, c’um fermoso riso honesto,
Respondeu: ‘Qual será o amor bastante
De ninfa, que sustente o dum gigante?”    Camões. Os lusíadas.

Nas estrofes acima, extraídas do episódio do Adamastor, observamos o amor entre o Gigante e Tétis, a “Princesa das Águas”. A partir disso, responda:

a) Como se manifesta, no texto, o amor do gigante, e como Tétis reage a esse amor?

b) Quem é, no poema de Camões, o gigante Adamastor?

RESPOSTAS

a)O amor do gigante manifesta-se como desejo sensual por Tétis. Ela reage negativamente, e, através de sua recusa, o tema lírico do amor impossível é introduzido no texto épico.
b) O Cabo das Tormentas.

4. (Fuvest-SP)

“Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.” Camões, Os lusíadas — episódio de Inês de Castro.

a) Considerando-se a forte presença da cultura da Antiguidade Clássica em Os lusíadas, a que se pode referir o vocábulo “Amor”, grafado com maiúscula, no 5º verso?b) Explique o verso “Tuas aras banhar em sangue humano”, relacionando-o à história de Inês de Castro.

RESPOSTAS

a) O vocábulo “Amor”, grafado em maiúscula, refere-se ao deus Amor da mitologia clássica, denominado Eros pelos gregos antigos e Cupido pelos romanos da Antiguidade.

b) Inês de Castro foi amante do príncipe de Portugal, que viria a ser o futuro rei D. Pedro I. Para evitar que o filho se casasse com D. Inês, o rei D. Afonso IV autorizou o assassinato dela por razões políticas. O verso “Tuas aras banhar em sangue humano” significa que o deus Amor exigiu o sacrifício da vida de Inês em seu altar (“ara”). Assim, Vasco da Gama, que narra o episódio de Inês de Castro em Os lusíadas, atribui uma causa transcendental à morte da amante de D. Pedro: no poema épico, essa morte teria sido determinada pelo deus Amor.

5.(UfsCar-SP)

“Partimo-nos assim do santo templo
Que nas praias do mar está assentado,
Que o nome tem da terra, para exemplo,
Donde Deus foi em carne ao mundo dado.
Certifico-te, ó Rei, que se contemplo
Como fui destas praias apartado,
Cheio dentro de dúvida e receio,
Que a penas nos meus olhos ponho o freio.”    Camões, Os lusíadas, Canto 4º — 87.

O trecho faz parte do poema épico Os lusíadas, escrito por Luís Vaz de Camões e narra a partida de Vasco da Gama para a viagem às Índias.

a) Em que estilo de época ou época histórica se situa a obra de Camões?

b) Para dizer que o nome do templo é Belém, Camões faz uso de uma perífrase:
Que o nome tem da terra, para exemplo,/Donde Deus foi em carne ao mundo dado.

Em que outro trecho dessa estrofe Camões usa outra perífrase?

RESPOSTAS

a) A obra Os lusíadas foi escrita, aproximadamente, entre 1550 e 1570 e publicada em 1572, coincidindo, do ponto de vista da história da cultura, com o Renascimento. Entre outras coisas, esse período incorpora a consolidação da palavra impressa, as guerras religiosas provocadas pela Reforma Protestante e o apogeu da expansão mercantilista, de que fala a estrofe de Camões. No que se refere aos movimentos estéticos, o estilo camoniano pertence ao Classicismo.

b) No último verso da estrofe, ocorre outra perífrase (recurso que consiste em evitar o termo próprio a partir do uso de outros). Trata-se da expressão “pôr freio nos olhos”, que significa, no caso, evitar o choro, conter as emoções.

6. “Mas um velho, de aspecto venerando,
(…)
A voz pesada um pouco alevantando,
(…)
Tais palavras tirou do experto* peito:
– Ó glória de mandar, ó vã cobiça.
Desta vaidade a quem chamamos Fama.
Ó Fraudulento gosto, que se atiça
Cua aura popular, que honra se chama.”
(Camões, OS LUSÍADAS, canto IV)

“… e então uma grande voz se levanta, é um labrego** de tanta idade já que o não quiseram, e grita subido a um valado***, que é púlpito dos rústicos. Ó glória de mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem justiça, e tendo assim clamado, veio dar-lhe o quadrilheiro uma cacetada na cabeça, que ali mesmo o deixou por morto.”
(José Saramago, MEMORIAL DO CONVENTO, p.293)

*experto – que tem experiência
**labrego – indivíduo grosseiro, rude, tosco (…)
***valado – elevação de terra que limita propriedade rústica
(Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa)

Confrontando os fragmentos anteriores, percebe-se que MEMORIAL DO CONVENTO dialoga com os clássicos. O episódio do Velho do Restelo, do Canto IV de OS LUSÍADAS, refere-se ao engajamento voluntário dos portugueses na grande empresa que foi a descoberta de novos mundos. Já no MEMORIAL DO CONVENTO, entretanto, o recrutamento para Mafra deu-se, em geral, à força.
a) Cite ao menos uma razão que levou “o rei infame” de MEMORIAL DO CONVENTO a tornar obrigatório o engajamento de todos os operários do reino, quaisquer que fossem suas profissões.
b) Quem era esse “rei infame” a que se refere o trecho citado e em que século essa ação do romance se passa?
c) Aponte, no trecho, ao menos uma passagem que indique a irreverência de Saramago em relação ao texto de Luís de Camões.

RESPOSTAS:

a) Porque tinha medo de morrer e não concluir a construção do Convento de Mafra.
b) D. João V
c) Para Saramago “velho” é sinal de incapacidade para o trabalho. Em Camões o “velho” é a experiência.

7. Responda às seguintes questões sobre “Os Lusíadas”, de Camões:
a) Identifique o narrador do episódio no qual está inserida a fala do Velho do Restelo.
b) Compare, resumidamente, os principais valores que esse narrador representa, no conjunto de “Os Lusíadas”, aos valores defendidos pelo Velho do Restelo, em sua fala.
RESPOSTAS:

a) O narrador do episódio em questão é Vasco da Gama, o herói do poema, que, em dada altura da fábula, assume a função de personagem-narrador.
A fala do Velho do Restelo integra uma unidade narrativa maior em “Os Lusíadas”, que ocupa os cantos III, IV e V. Nela, Vasco da Gama conta ao rei de Melinde toda a história de Portugal, desde as origens do povo lusitano até a viagem de descoberta do caminho marítimo para as Índias, levada a efeito pelo herói do poema.
A fala do Velho do Restelo, por sua vez, é o desfecho do episódio conhecido como Partida das Naus, em que Vasco da Gama narra como deixou a Torre de Belém, porto do rio Tejo em Lisboa. No relato de sua partida, o capitão da armada rememora a despedida, cujo clima é de lamento e incerteza.
Dentre as pessoas que se manifestaram verbalmente na despedida, Vasco da Gama ficou particularmente sensibilizado pelo discurso do Velho, a ponto de o reconstituir com unidade retórico-discursiva ao rei de Melinde.

b) Vasco da Gama representa o ideal expansionista do Império Lusitano, que implica a dilatação da fé cristã e do comércio ocidental. Como herói do poema, encarna as convicções da “persona” épica, isto é, do narrador principal da epopeia, que, como manifestação do gênero épico, exalta o assunto da narrativa. Mais precisamente, Vasco da Gama encarna o projeto político da Dinastia de Avis, que, adepta das novidades do Renascimento, aplica as conquistas da ciência à difusão do comércio.
O Velho do Restelo, como personagem alegórica, representa o ponto de vista contrário à expansão do Império Lusitano, por considerá-la resultado do desejo de poder pelo poder. O Velho pode ser entendido, também, como manifestação do ideal da Dinastia de Borgonha, que se fundava na ordem feudal e a consequente preferência pela economia agrária em desfavor do mercantilismo ascendente.

 

 8. Oh! Maldito o primeiro que, no mundo,
Nas ondas vela pôs em seco lenho!
Digno da eterna pena do Profundo,
Se é justa a justa Lei que sigo e tenho!
Nunca juízo algum, alto e profundo,
Nem cítara sonora ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e a glória.    (Camões, “Os Lusíadas”)
a) Considerando este trecho da fala do velho do Restelo no contexto da obra a que pertence, explique os dois primeiros versos, esclarecendo o motivo da maldição que, neles, é lançada.
b) Nos quatro últimos versos, está implicada uma determinada concepção da função da arte. Identifique essa concepção, explicando-a brevemente.
RESPOSTAS:

a) Trata-se de uma das estâncias do canto V de “Os Lusíadas”, poema em que Camões engrandece as guerras de conquista portuguesas ao longo dos litorais da África e da Índia. Quem fala é o Velho do Restelo, e os dois primeiros versos que profere, na passagem, amaldiçoam quem primeiro içará velas a uma embarcação, para com ela se atirar aos mares da conquista e da aventura. Trata-se de uma condenação eloquente a toda empreitada mercantil portuguesa, coisa que se opunha à “justa lei” e que, com os pseudoproblemas da fama e da glória, só traria desgraça a Portugal.
b) Os quatro últimos versos da estrofe, no mesmo tom condenatório, exprimem o desejo de que aquele que se aventurara aos mares jamais viesse a ter, por isso, recompensa da glória ou da posteridade, fosse por um pensamento alto, ou pela musicalidade, ou pela inspiração (ou seja, pela poesia elevada). Estes últimos dons nada valeriam quando isentos da moral e da virtude. Com isso, verifica-se que a concepção do valor da arte, para o Velho do Restelo, está intimamente ligada aos princípios éticos e à tradição. Trata-se da tópica da arte como poder eternizador de feitos e vultos valorosos. No caso, o Velho do Restelo se vale dessa tópica de acordo com uma visão conservadora, contrária à expansão mercantil, no contexto da história de Portugal.

9. A morte de Inês de Castro, no ano de 1355, e as circunstâncias trágicas que a envolvem têm sido um dos temas amorosos mais caros aos escritores portugueses, justamente por simbolizar aspectos radicais do sentimentalismo lusitano. Inês era uma formosa dama castelhana, que acompanhara a infanta D. Constança quando esta chegou a Portugal para casar-se com o príncipe-herdeiro D. Pedro. Já casado com Constança, Pedro se apaixona por Inês, o que desperta iras e intrigas na Corte. Essa situação se complica após a morte de Constança, e culmina com o assassinato de Inês por ordem do rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro. Tempos depois, já rei de Portugal, D. Pedro realiza cruel vingança contra os assassinos de sua amada, e jura que era casado clandestinamente com D. Inês. Tomando por base esses fatos históricos e lendários, releia atentamente a letra do fado Formosa Inês e, a seguir,
a) aplicando-se em integrar seu melhor desempenho de análise e capacidade de síntese, e tendo em vista o contexto, interprete o segundo verso da última estrofe;
b) como parte da resposta anterior, aponte o efeito significativo dado pela repetição do conectivo “e”.

RESPOSTAS:

  1. a) “Porque é AMANTE e REI e PORTUGUÊS” indicam as causas do gesto louco do príncipe ao coroar Inês após a morte: Amante (paixão louca), Rei (poder absoluto) e Português (povo que não conhece limites).
    b) O uso do polissíndeto serve para ampliar e intensificar a carga semântica dos predicativos.

10. O infortúnio amoroso de D. Pedro e Inês de Castro, como já vimos, atravessa o tempo por obra de grandes escritores portugueses (além de brasileiros, espanhóis e franceses). Diversamente interpretado, se faz presente em todas as épocas e gêneros literários, às vezes tendo como fonte as antigas crônicas de Lopes de Ayala, Fernão Lopes e Rui de Pina, às vezes tendo como inspiração obras de outros clássicos portugueses. Camões deve ter-se inspirado nas trovas de Garcia de Resende (Cancioneiro Geral, 1516) para reanimar o tema nessa passagem de “Os Lusíadas”. Com base nesta informação, releia atentamente os dois textos e, a seguir:
a) Explique por que é possível concluir que o escritor brasileiro Jorge de Lima teve como fonte a abordagem do tema feita por Luís de Camões.
b) Interprete o sentido figurado do signo repouso no primeiro verso de Jorge de Lima.
RESPOSTAS:

a)Além dos aspectos formais como versos decassílabos e 8 rima e da linguagem classicizante, várias referências intertextuais do poema de Jorge de Lima remetem ao poema camoniano:
“Estavas linda Inês, posta em repouso”; “Tu só tu, puro amor e glória crua”.
b) No primeiro verso a palavra “repouso” tem o sentido figurado de morte, pois se associa ao verso “Transparente no leito em que jazias.”
Porém, se a associação for feita com os versos:
“Pois, Inês em repouso é movimento, / Nada em Inês é inanimado e lento”, o sentido de repouso pode ser de vida já que Inês representa a imortalidade do amor e da feminilidade.

11. Os Lusíadas – Luís de Camões – Justifique a afirmação: O discurso do “Velho Restelo” está em oposição a certas concepções dominantes na sociedade portuguesa da época dos grandes descobrimentos, expressas pelo discurso que exalta a empresa navegadora posta em marcha pela Coroa Lusitana.

RESPOSTA:

Esse velho, descontente com o empreendimento português de buscar do mundo novas partes, destrói ponto por ponto os ideais que levaram à epopeia das grandes navegações. Começa por desmitificar o ideal da fama, dizendo que ela nada mais é que a vontade de poder, fraude com que os poderosos atiçam as massas para fazê-las apoiar sua política expansionista.
“Chamam-te Fama e Glória soberana / Nomes com que se o povo néscio engana. Esse desejo de mandar só produz danos. Mostra que o projeto ultramarino será um desastre para a sociedade portuguesa, ocasionando o despovoamento e o enfraquecimento do país, já que os homens válidos estarão mortos ou em outras terras e, em Portugal, estarão os velhos, as mulheres, os órfãos. Para ele, a empresa navegadora produzirá somente pobreza, adultério, desamparo. Execra ainda os chamados heróis civilizadores, aqueles que fizeram progredir a sociedade humana, por exemplo: Prometeu, que roubou o fogo do céu e deu aos homens; Dédalo, grande arquiteto que fabricou para seu filho Ícaro umas asas, presas com cera nos ombros, com cujo auxílio pretendeu voar. Considera todo avanço técnico intrinsecament

(UFSCar/SP-2007)  Questões 12 e 13

Partimo-nos assim do santo templo

Que nas praias do mar está assentado,

Que o nome tem da terra, para exemplo,

Donde Deus foi em carne ao mundo dado.

Certifico-te, ó Rei, que se contemplo

Como fui destas praias apartado,

Cheio dentro de dúvida e receio,

Que a penas nos meus olhos ponho o freio.   (Camões, Os Lusíadas, Canto 4.° – 87.).

12.O trecho faz parte do poema épico Os Lusíadas, escrito por Luís Vaz de Camões e narra a partida de Vasco da Gama, para a viagem às Índias.

a) Em que estilo de época ou época histórica se situa a obra de Camões?

b) Para dizer que o nome do templo é Belém, Camões faz uso de uma perífrase: Que o nome tem da terra, para exemplo,/Donde Deus foi em carne ao mundo dado. Em que outro trecho dessa estrofe Camões usa outra perífrase?

RESPOSTAS:

a) Camões situa-se, na história literária, no período clássico ou renascentista português, que corresponde ao século XVI (1527-1580).
b) O “santo templo / Que nas praias do mar está assentado” é uma outra referência perifrástica à Torre de Belém

13.A oitava anterior constitui a terceira estrofe de OS LUSÍADAS, de Luís de Camões, poema épico publicado em 1572, obra máxima do Classicismo português. O tipo de verso que Camões empregou é de origem italiana e fora introduzido na Literatura Portuguesa algumas décadas antes, por Sá de Miranda. Quanto ao conteúdo, o poema OS LUSÍADAS toma como ponto de referência um episódio da História de Portugal. Baseado nestes comentários e em seus próprios conhecimentos, releia a estrofe citada e indique:
a) o tipo de verso utilizado (pode mencionar simplesmente o número de sílabas métricas);

b) o episódio da História de Portugal que serve de núcleo narrativo ao poema.

RESPOSTAS

a)Decassílabo.
b) A viagem de Vasco da Gama às Índias.

14.”Eis aqui se descobre a nobre Espanha,
Como cabeça ali de Europa toda”
II.
“Eis aqui quase cume da cabeça
De Europa toda, o reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa”
III.
“A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado,
O direito é em ângulo disposto
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra, onde afastado,
A mão sustenta, em que se apóia o rosto.

Fita com olhar sphyngico e fatal.
O Ocidente futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.”

Os textos I e II iniciam respectivamente as estâncias 17 e 20 do canto III d’ “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, e o texto III é um poema do livro Mensagem, de Fernando Pessoa.
a) A que movimento literário pertence cada um dos autores?
b) De que recurso comum aos dois textos se valem os autores para elaborar a descrição da Europa?
RESPOSTA:

a)Camões: Classicismo e Pessoa: Modernismo
b) Prosopopeia ou personificação.

15.(Fuvest 2013)

Não mais, musa, não mais, que a lira tenho

Destemperada e a voz enrouquecida,

E não do canto, mas de ver que venho

Cantar a gente surda e endurecida.

O favor com que mais se acende o engenho

Não no dá a pátria, não, que está metida

No gosto da cobiça e na rudeza

Duma austera, apagada e vil tristeza.               Luís de Camões. Os Lusíadas.

a) Cite uma característica típica e uma característica atípica da poesia épica, presentes na estrofe. Justifique.

b) Relacione o conteúdo dessa estrofe com o momento vivido pelo Império Português por volta de 1572, ano da publicação de Os Lusíadas.

RESPOSTA:

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]

b) Embora em 1572 o império português estivesse vivenciando seu auge, tornando-se verdadeiramente global, com uma rede de entrepostos que ligava Lisboa a Nagasaki, trazendo enormes riquezas para Portugal, o poeta, nesta estrofe, evidencia o paradoxo entre essa riqueza e a maneira como ela era obtida, através, especialmente, de “cobiça” e “rudeza”.

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Português]

a) Na estrofe que faz parte do epílogo da epopeia “Os Lusíadas”, o poeta dirige-se às musas, declarando-se incapaz de continuar a fazer poesia devido ao ambiente de cobiça e insensibilidade social que o rodeia. A menção a figuras da mitologia é típica da poesia épica que narra os feitos heroicos de um povo de forma grandiloquente e usa a intervenção de seres sobrenaturais para engrandecimento da ação. Também os versos decassílabos dispostos em esquema rimático ABABABABCC refletem o rigor formal característico do Classicismo. No entanto, o tom decepcionado do poeta que, nesta estrofe, tece duras críticas ao aviltamento moral em que o país tinha mergulhado não é comum nas epopeias clássicas que se restringem a enaltecer virtudes e qualidades do herói coletivo.

b) No final do século XVI, Portugal atingiu o ponto mais alto da sua economia mercantilista decorrente da expansão marítima por todos os continentes. No entanto, uma crise dinástica que tem início no reinado de D. Sebastião e que se intensifica após sua morte na batalha de Alcácer-Quibir, provocará o início do declínio do Império e que se agravará com o domínio espanhol sobre Portugal até meados do século XVII.

16.(Prise/UEPA-PA) Como disse, um dia, o teatrólogo e jornalista Nélson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”. Comprovando isso, também, ao exaltar os feitos do povo português em Os Lusíadas, o poeta Camões mostra que houve oposição à viagem de Vasco da Gama às Índias. Essa oposição foi feita pelo personagem:

a) Dom Manuel, rei de Portugal à época da viagem.

b) Dom Sebastião, a quem o poeta dedica o poema.

c) Inês de Castro, que foi rainha depois de morta.

d) O Velho do Restelo, que condena a cobiça dos portugueses.

e) Paulo da Gama, irmão do capitão, que recebe o governador da região de Malabar.

17. (UFPA)    Estrofes 64-65

“Nesta frescura tal desembarcavam
Já das naus os segundos Argonautas,
Onde pela floresta se deixavam
Andar as belas Deusas, como incautas.
Algũas, doces cítaras tocavam,
Algũas, harpas e sonoras frautas;
Outras, cos arcos de ouro, se fingiam
Seguir os animais, que não seguiam.
Assi lho aconselhara a mestra experta:
Que andassem pelos campos espalhadas;
Que, vista dos [pelos] barões [varões] a presa incerta,
Se fizessem primeiro desejadas.
Algũas, que na forma descoberta
Do belo corpo estavam confiadas,
Posta [= deposta] a artificiosa fermosura
Nuas lavar se deixam na água pura.”CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. p

Sobre as estrofes do episódio da Ilha dos Amores, é correto afirmar:

(A) Terminada a ação histórica, os deuses (“belas Deusas”) e homens (“barões”) encontram-se, finalmente, numa ilha encantada que Vênus preparou e povoou de ninfas à espera do encontro com os heróis.

(B) A Ilha dos Amores, sendo um episódio referente ao regresso de Vasco da Gama a Portugal, insere-se num plano puramente histórico, sem referências à cultura greco-romana.

(C) Embora encontrem as deusas e a elas se unam, os heróis não se tornam dotados de atributos divinos, já que o tempo e a morte são mantidos.

(D) Apesar de as ninfas se mostrarem aos navegantes portugueses, mantém-se a separação entre homens e deuses em obediência às normas da epopeia clássica.

(E) As estrofes f azem parte da descrição dos amores dos navegantes com as Ninfas, sendo estas responsáveis por uma ideia puramente sensual do amor, o que rebaixa, moralmente, os heróis.

18. (UFPA) O poema Os Lusíadas traz à tona a descoberta do caminho marítimo para as Índias, apresentando informações que abarcam história, geografia, ciências, astronomia, mitologia, etc. O episódio do Gigante Adamastor é um exemplo dessa variedade de assuntos que o poema apresenta e sobre ele NÃO é correto afirmar:

(A) O Adamastor representa os medos de todas os navegadores que passaram, antes de Vasco da Gama, pela costa africana.

(B) O episódio é uma criação poética em que se destacam referências ao passado e ao futuro das conquistas portuguesas.

(C) Um dos momentos líricos, no episódio, é aquele do encontro do gigante com Thetys, referido na estrofe 52.

(D) A “alta esposa de Peleu”, Thetys, cede aos apelos de Adamastor e isso facilita a passagem dos portugueses pelo Cabo das Tormentas.

(E) O episódio faz menção ao casal amoroso, Sepúlveda e Leonor, o que ressalta a presença do lírico no poema épico camoniano.

19. (PSS/ UFPA-2007)

“Há duas dimensões básicas no significado alegórico de Adamastor: por um lado, o gigante hiperboliza os percalços do mar; por outro, encarna as infelicidades do sentimento amoroso.” (TEIXEIRA, Ivan. Apresentação. In: CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas. 2. Ed. Cotia: Ateliê, 2001. P. 189.).

A alternativa que exemplifica a segunda dimensão apontada por Ivan Teixeira é:

a) “… crendo ter nos braços quem amava, / Abraçado me achei cum duro monte.”

b) “Aqui espero tomar, se não me engano, / De quem me descobriu suma vingança.”

c) “Antes, em vossas naus vereis, cada ano, / […] / Naufrágios, perdições de toda sorte.”

d) “E navegar meus longos mares ousas, / Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho.”

e) “E disse: — Ó gente ousada, mais que quantas / No mundo cometeram grandes cousas.”

 20. (PROSEL/UEPA-2006) Leia a estrofe abaixo, extraída do episódio A Ilha dos Amores, de Luís Vaz de Camões.

“Do pedacinho de papel ao livro impresso vai uma longa distância. Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de forma. A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa; ela faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho. Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda.

  1. “Quis aqui sua ventura que corria
  2. Após Efire, exemplo de beleza,
  3. Que mais caro que as outras dar queria
  4. O que deu, para dar-se, a Natureza.
  5. Já cansado, correndo, lhe dizia:
  6. Ó fermosura indigna de aspereza,
  7. Pois desta vida te concedo a palma,
  8. Espere um corpo de quem levas a alma, “ (p. 274)

Assinale a alternativa correta sobre ela.

a) Em sua fala, no sexto verso, Leonardo, o perseguidor da ninfa, insatisfeito com as dificuldades que enfrenta para alcançá-la, ofende-a, dizendo-lhe que é indigna da própria formosura (fermosura).

b) Refere-se ao momento em que Leonardo corre atrás de Efire, suplicando-lhe, com diversos elogios, que retarde o passo para poder alcançá-la.

c) Informa que Veloso, o marinheiro que persegue Efire, está consciente de que precisará pagar caro pelo amor da ninfa.

d) O último verso indica que Leonardo, o marinheiro que pretendia alcançar a ninfa, morreu sem conseguir realizar seu intento.

e) O terceiro e quarto versos, se tomados em conjunto, dizem que Efire, diferentemente das outras ninfas, e contrariando os próprios desígnios da natureza, pretendia cobrar pelo prazer que deveria conceder ao seu perseguidor.

 21. (PROSEL/UEPA-2007) Assinale a alternativa em que se associa corretamente a leitura do episódio do O gigante Adamastor, no canto V, de “Os Lusíadas”, às formas de comunicação presentes neste século XXI.

a) O episódio lembra uma peça publicitária de televisão em que o gigante funciona como um garoto propaganda.

b) A fala do gigante associa-se a de um candidato em horário eleitoral que tenta seduzir o leitor.

c) O episódio, no poema, funciona como um capítulo de telenovela: o gigante conta o sofrimento que o amor lhe causou.

d) A plasticidade, presente no episódio, leva o leitor a uma imediata relação com os outdoors espalhados pelas cidades.

e) Como um vidente moderno de programa de televisão, o gigante profetiza sucesso e felicidade àqueles que passaram por ele.

22.(FUVEST) “Já vai andando a récua dos homens de Arganil, acompanham-nos até fora da vila as infelizes, que vão clamando, qual em cabelo, Ó doce e amado esposo, e outra protestando, Ó filho, a quem eu tinha só para refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha, não se acabavam as lamentações, tanto que os montes de mais perto respondiam, quase movidos de alta piedade (…)”.(J. SARAMAGO, ‘Memorial do convento’)
Em muitas passagens do trecho transcrito, o narrador cita textualmente palavras de um episódio de “Os Lusíadas”, visando a criticar o mesmo aspecto da vida de Portugal que Camões, nesse episódio, já criticava. O episódio camoniano citado e o aspecto criticado são, respectivamente,
a) O Velho do Restelo; a posição subalterna da mulher na sociedade tradicional portuguesa.
b) Aljubarrota; a sangria populacional provocada pelos empreendimentos coloniais portugueses.
c) Aljubarrota; o abandono dos idosos decorrente dos empreendimentos bélicos, marítimos e suntuários.
d) O Velho do Restelo; o sofrimento popular decorrente dos empreendimentos dos nobres.
e) Inês de Castro; o sofrimento feminino causado pelas perseguições da Inquisição.

23.Leia as estrofes seguintes e assinale a alternativa INCORRETA:
“Mas um velho, de aspecto venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Com saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do esperto peito:
“Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Com a aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!”    (Camões)

“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!”
(Fernando Pessoa)
a) Através do tema tratado nas estrofes citadas, podemos dizer que as mesmas pertencem a dois grandes poemas épicos da Literatura Portuguesa: OS LUSÍADAS e MENSAGEM.
b) Nessas estrofes, os dois poemas relacionam-se ao mencionarem aspectos negativos das expedições portuguesas.
c) No poema de Camões todas as estrofes apresentam oito versos em decassílabos heroicos; no poema de Pessoa não há a mesma regularidade.
d) Uma das estrofes d’OS LUSÍADAS revela a fala do Velho do Restelo criticando os sentimentos de glória e cobiça na empresa portuguesa.
e) Os dois poemas não podem ser relacionados porque, além de um ser épico e o outro lírico, um pertence ao Renascimento e o outro ao Modernismo.
O tom pessimista apresentado por Camões no epílogo de “Os Lusíadas” aparece em outro momento do poema. Isso acontece no episódio:
a) do Gigante Adamastor.                     d) do Velho do Restelo.
b) de Inês de Castro.                              e) dos Doze de Inglaterra.
c) do Concílio dos Deuses.

24.Sobre OS LUSÍADAS, é INCORRETO afirmar que:
a) é dividido em cinco partes e dez cantos.
b) o “Canto I” contém a introdução, a invocação, a dedicatória e o início da narrativa.
c) a pedido do rei de Melinde, Vasco da Gama conta partes da história de Portugal.
d) os deuses reúnem-se no Olimpo para decidir a sorte dos portugueses.
e) no “Canto X”, a fala do Velho de Restelo acusa os portugueses de vaidade e cobiça excessivas.

25.FUVEST-SPConsidere as seguintes afirmações sobre a fala do Velho do Restelo, em “Os Lusíadas”:
I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram, experiência esta já acumulada na época em que o poema foi escrito.
lI. As críticas aí dirigidas às grandes navegações e às conquistas são relativizadas pelo pouco crédito atribuído a seu emissor, já velho e com um “saber só de experiências feito”.
III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela que Camões teve duas atitudes em relação a ela: tanto criticou o feito quanto o exaltou.
Está correto apenas o que afirma em
a) I.                  b) II.                    c) III.                  d) I e II.             e) I e III.

26.(FUVEST) Em “Os Lusíadas”, as falas de Inês de Castro e do Velho do Restelo têm em comum:
a) a ausência de elementos de mitologia da Antiguidade clássica.
b) a presença de recursos expressivos de natureza oratória.
c) a manifestação de apego a Portugal, cujo território essas personagens se recusavam a abandonar.
d) a condenação enfática do heroísmo guerreiro e conquistador.
e) o emprego de uma linguagem simples e direta, que se contrapõe à solenidade do poema épico.

27.(PUC-SP) Dos episódios “Inês de Castro” e “O Velho do Restelo”, da obra OS LUSÍADAS, de Luiz de Camões, NÃO é possível afirmar que
a) “O Velho do Restelo”, numa antevisão profética, previu os desastres futuros que se abateriam sobre a Pátria e que arrastariam a nação portuguesa a um destino de enfraquecimento e marasmo.
b) “Inês de Castro” caracteriza, dentro da epopeia camoniana, o gênero lírico porque é um episódio que narra os amores impossíveis entre Inês e seu amado Pedro.
c) Restelo era o nome da praia em frente ao templo de Belém, de onde partiam as naus portuguesas nas aventuras marítimas.
d) tanto “Inês de Castro” quanto “O Velho do Restelo” são episódios que ilustram poeticamente diferentes circunstâncias da vida portuguesa.
e) o Velho, um dos muitos espectadores na praia, engrandecia com sua fala as façanhas dos navegadores, a nobreza guerreira e a máquina mercantil lusitana.

28.Os versos de Camões foram retirados da passagem conhecida como “O Velho do Restelo”. Nela, o velho:

a) abençoa os marinheiros portugueses que vão atravessar os mares à procura de uma vida melhor.
b) critica as navegações portuguesas por considerar que elas se baseiam na cobiça e busca de fama.
c) emociona-se com a saída dos portugueses que vão atravessar os mares até chegar às Índias.
d) destrata os marinheiros por não o terem convidado a participar de tão importante empresa.
e) adverte os marinheiros portugueses dos perigos que eles podem encontrar para buscar fama em outras terras.

29. PUC-SP

“Tu só, tu, puro amor, com força crua

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem fero Amor, que a sede tua

Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangue humano.

Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano da alma ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes ensinando e às ervinhas,

O nome que no peito escrito tinhas.”

Os Lusíadas, obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa. Entretanto,

oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O

episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto

do lirismo camoniano, inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo,

pode afirmar-se que seu núcleo central

a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês.

b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos.

c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de

Portugal.

d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito

escrito tinha.

e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao

trono português.

30.UFRS Assinale a alternativa correta.

No canto I, na passagem que narra o concílio dos deuses, Júpiter:

a) conclama os deuses a auxiliarem os portugueses na Ásia, como recompensa pelos

ásperos perigos da viagem;

b) encontra acolhida a suas palavras entre os deuses maiores e menores;

c) reconhece a grandeza do povo lusitano, que enfrenta o mar desconhecido em frágeis

embarcações;

d) aceita as justificativas de Baco para impedir a chegada dos navegadores portugueses à Índia.

e) mostra dúvidas quanto à possibilidade de que os feitos do povo lusitano venham a

suplantar a glória dos gregos e romanos.

 31.UFRS Assinale a alternativa incorreta.No canto V de Os Lusíadas,

a) Adamastor representa os perigos enfrentados pelos navegadores lusitanos na travessia

do oceano Atlântico para o oceano Índico;

b) os portugueses assistem à transformação do gigante Adamastor em penedo quando

tentam ultrapassar a parte mais meridional da África;

c) apesar das ameaças do gigante, os navegantes prosseguem, esperando ardentemente

que os perigos e castigos profetizados sejam afastados;

d) a nuvem negra que se desfaz, antes associada ao Cabo das Tormentas, abre novas

esperanças em relação aos objetivos da viagem;

e) a voz de “tom horrendo e grosso” do gigante Adamastor, ao dar lugar a um “medonho choro”, deixa ver aos navegadores que o perigo já foi afastado.

32.MACKENZIE-SP) Sobre o poema Os Lusíadas, é incorreto afirmar que:

a) quando a ação do poema começa, as naus portuguesas estão navegando em pleno Oceano Índico,
portanto no meio da viagem;
b) na Invocação, o poeta se dirige às Tágides, ninfas do rio Tejo;
c) Na ilha dos Amores, após o banquete, Tétis conduz o capitão ao ponto mais alto da ilha, onde lhe
descenda a “máquina do mundo”;
d) Tem como núcleo narrativo a viagem de Vasco da Gama, a fim de estabelecer contato marítimo com as Índias;
e) É composto em sonetos decassílabos, mantendo em 1.102 estrofes o mesmo esquemas de rimas.

33.(FUVEST) Considere as seguintes afirmações do crítico Hernâni Cidade, a respeito do discurso feito por Inês de Castro em Os Lusíadas:
“O discurso é uma bela peça oratória, concebida por quem possui todos os segredos do gênero. (…) Nele a inteligência sonctrutiva do clássico superou, no poeta, o sentimento da verdade psicológica. A ideia fundamental – põe-me em triste desterro, mas poupa-me a vida em respeito de teus netos – alonga-se por toda uma eloquente oração ciceroneana, em que não faltam as alusões mitológicas apropriadas.“
Sobre as palavras do crítico e o conteúdo do episódio de Inês de Castro, é correto afirmar que:
a) pode-se considerar a fala de Inês de Castro um exemplo de peça oratória graças à intensa expressão lírica que o discurso apresenta;
b) uma das alusões mitológicas presentes no episódio relaciona-se a Vênus, deusa do Amor, responsável pela paixão trágica de Inês de Castro;
c) o tom oratório presente no discurso da personagem vem somar à expressão lírica a organização lógica das ideias, conferindo à enunciação um caráter argumentativo;
d) segundo o crítico, verificam-se elementos da oratória no episódio de Inês de Castro, os quais são resultado da capacidade do poeta de revelar a verdade psicológica dos personagens;
e) a ideia fundamental do discurso da personagem relaciona-se à tristeza em relação aos amores dos quais ela reconhecia não ter culpa, já que o verdadeiro culpado é Amor.

34.(POLI) Os versos a seguir pertencem ao Episódio de Inês de Castro, do poema épico Os Lusíadas:  
Do teu príncipe ali te respondiam
as lembranças que na alma lhe moravam,
que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam;
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memórias de alegria.

Camões, Os Lusíadas.
Em relação à composição formal (rima, métrica, ritmo) do trecho, NÃO podemos afirmar:
a) Nesta estrofe ocorre a única exceção da perfeição formal em que dizem ter Os Lusíadas, pois apresenta um verso com 11 sílabas.
b) A rima, combinação de sons das palavras, feita ao final de cada verso é a famosa composição abababcc, que Camões usou nas 1102 estrofes de Os Lusíadas.
c) Fazendo a divisão das sílabas poéticas (como se canta) dos versos, o terceiro verso da estrofe seria: que/ sem/ prean/ te/ seus/ o/ lhos/ te/ tra/zi.
d) Como em todo o poema épico de Camões, essa estrofe apresenta 8 versos.
e) Na divisão silábica do sexto verso a palavra “voavam” separa-se “vo/a” e conta-se até “a”, pois a sílaba “vam” é átona, por isso não deve ser considerada.

35.(FUVEST) Texto para a questão.
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito (fruto)
Naquele engano da alma, ledo e cego, (alegre)
Que a Fortuna não deixa durar muito, (Destino)
Nos saudosos campos do Mondego, (rio de Coimbra)
De teus fermosos olhos nunca enxuito, (enxuto)
Aos montes insinando e às ervinhas (ensinando)
O nome que no peito escrito tinhas.
                    (Camões, Os Lusíadas, III, 120)
e) A natureza é apresentada como solidária de Inês em seu amor por D. Pedro.
O trecho acima inicia o episódio de Inês de Castro, aquela que ‘depois de ser morta foi rainha’. Sobre ele, aponte a alternativa incorreta:
a) Os versos correspondem à chamada ‘medida nova’ (decassílabos).
b) Os versos transcritos formam uma oitava-rima, que é a estrofe utilizada no poema.
c) Camões narra o fato como um episódio guerreiro dentro de Os Lusíadas.
d) Os três atributos destacados em Inês são a beleza, a juventude e a paixão.

36.(FUVEST) Sobre o episódio do Velho do Restelo, assinale a alternativa correta:
a) O discurso do Velho do Restelo tem significado complexo, na medida em que sua opinião se apresenta de maneira obscura: ele condena certos aspectos da expansão ultramarina ao mesmo tempo em que exalta o poderio bélico de Portugal.
b) Trata-se de um episódio de intensidade dramática, dadas as circunstâncias em que a cena ocorre e ao conteúdo do discurso proferido pela personagem, que nada mais é do que a opinião do próprio autor da epopeia.
c) A veemência do discurso do Velho do Restelo reside no apelo feito pelo próprio aspecto físico do personagem, que indica a sabedoria acumulada por quem se tornou, com o decorrer dos anos, humilde e resignado.
d) Embora surja como uma voz discordante em relação ao propósito de exaltação das Navegações apresentado pelo narrador épico, o discurso do Velho do Restelo mostra-se coerente com uma ideologia defensora da vida junto à Pátria e à Família.
e) A opinião do Velho do Restelo em relação às Navegações é, ao mesmo tempo, reacionária, uma vez que defende a conservação dos valores humanitários e familiares, e arrojada, já que o personagem prevê com sabedoria os desastres que resultariam das viagens.

37.(POLI) O episódio do Velho do Restelo representa um contraponto à glorificação das navegações portuguesas narradas por Camões em todo seu poema. Em seu livro Dialética da Colonização (Companhia das Letras, 1992), Alfredo Bosi considera o episódio como o anticlímax da narrativa. Para ele:
“A fala do Velho do Restelo destrói ponto por ponto e mina por dentro o fim orgânico de Os Lusíadas, que é cantar a façanha do Capitão, o nome de Aviz, a nobreza guerreira e a máquina mercantil lusitana envolvida no projeto. (…) A viagem e todo o desígnio que ela enfeixa aparecem como um desastre para a sociedade portuguesa: o campo despovoado, a pobreza envergonhada ou mendiga, os homens válidos dispersos ou mortos, e, por toda parte, adultérios e orfandades. ‘Ao cheiro desta canela/ o reino se despovoa’, já dissera Sá de Miranda.
A mudança radical de perspectiva (que dos olhos do capitão passa para os do Velho do Restelo) dá a medida da força espiritual de um Camões ideológico e contra – ideológico, contraditório e vivo. (…)
No largar da aventura marítima e colonizadora o seu maior escritor orgânico se faria uma consciência perplexa: ‘Mísera sorte! Estranha condição!'”

O “Camões ideológico e contra ideológico, contraditório e vivo”, ao qual se refere Alfredo Bosi, pode ser visto como um resultado de:
a) Um período marcado pelo bifrontismo [coexistência de um espírito medieval que não foi abandonado por completo e de uma visão clássica, antropocêntrica, mercantilista].
b) Um período essencialmente materialista, no qual o homem superou o dilaceramento entre o teocentrismo e o antropocentrismo, o que justifica Os Lusíadas como epopeia sem ambivalência.
c) Um período em que os ideais renascentistas exaltam a expansão do Império Luso, dentro de uma unilateralidade que impede o uso de ideais cristãos e medievais dentro de uma epopeia como Os Lusíadas.
d) Um período paradoxal, porém marcado por ideais pacifistas, já que Camões, em Os Lusíadas, não celebra feitos guerreiros, mas sim, fatos humanos.
e) Um período bifronte, mas rígido em valores espirituais, representados pelo Velho do Restelo, que enaltece glória, honra e fama.

38.(PUC-PR) Leia os textos que se seguem e responda à questão:

Fala do Velho do Restelo ao Astronauta
(José Saramago)

Aqui na terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outra vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez,
E pusemos em ti nem eu sei que desejos
De mais alto que nós, de melhor e mais puro,
No jornal soletramos de olhos tensos
Maravilhas de espaço e de vertigem.
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede onde não chove.
Mas a terra, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalm são brinquedos)
Onde come brincando só a fome
Só a fome, astronauta, só a fome.

Mar Português
(Fernando Pessoa)

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Que quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Os Lusíadas (Camões)

Ó glória de mandar , ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C´uma aura popular que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

Os textos de Fernando Pessoa e de José Saramago são intertextuais em relação ao episódio do Velho do Restelo. Refletindo sobre a visão destes dois autores lusos, assinale a correta:
a) Saramago não faz referências críticas aos valores éticos ou existenciais, detendo-se na questão da guerra e do progresso.
b) Fernando Pessoa estabelece uma relação irônica com o texto camoniano, pois parodia o tom grandiloquente da fala do Velho do Restelo, valendo-se de apóstrofes.
c) Os versos de Fernando Pessoa se assemelham aos do episódio do Velho de Restelo pela ausência de personificação.
d) Saramago e Fernando Pessoa não se valeram da perfeição formal camoniana, o que invalida o teor intertextual, que compreende apenas estrutura e conteúdo.

e) Saramago apresenta uma crítica universalizante que retoma o alerta feito pelo Velho do Restelo, atualizando-o.

39.(POLI) Interpretando a estrofe extraída do episódio do Velho do Restelo, inserida no poema épico Os Lusíadas, poderíamos concluir que os termos “fama” e “glória” são usados, na opinião da personagem, para:
a) Recuperar Portugal do gosto fraudulento, das crueldades e das mortes que as navegações propiciaram aos lusos.
b) Ocultar do povo experiente a degeneração moral que o expansionismo acarretaria.
c) Disfarçar os desastres, os abandonos e a corrupção moral para que o povo tolo pudesse se beneficiar materialmente da “máquina mercantil lusitana”.
d) Enganar o néscio povo, para que este perceba que, por trás de palavras enobrecedoras, estão a cobiça fútil, a vaidade leviana e os perigos.
e) Enaltecer os navegadores, que morrerão no mar para defender a honra do povo simples.

40.(PUC-SP) No Canto IV de Os Lusíadas, denominado Episódio do Velho do Restelo, podemos encontrar:
a) idealismo e amor platônico;
b) imitação dos clássicos antigos como paradigmas;
c) preocupação com o estilo, confiança na Provid6encia divina, medida velha;
d) indicação de que o poeta tem preocupação exclusivamente platoniana;
e) orgulho nacionalista da auto realização.

41.(Rio Branco) Em Os Lusíadas, de Camões, a posição expressa no discurso do “Velho do Restelo” é:
a) de incentivo à viagem de Vasco da Gama, com ênfase nas vantagens econômicas que poderiam advir para Portugal das ligações comerciais com a Ásia.
b) De incentivo à viagem de Vasco da Gama, com ênfase nas suas consequências para o fortalecimento político e moral do povo português.
c) De incentivo genérico ao empreendimento das navegações portuguesas, sem especificar as razões que as podiam justificar.
d) De crítica ao empreendimento das navegações portuguesas.
e) Indiferente à questão das navegações portuguesas.

42.(FUVEST) Leia os versos transcritos de Os lusíadas, de Camões, para responder ao teste.
Tu, só tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.

Assinale a afirmação incorreta em relação aos versos transcritos:
a) A apóstrofe inicial da estrofe introduz um discurso dissertativo a respeito da natureza do sentimento amoroso.
b) O amor é compreendido como uma força brutal contra a qual o ser humano não pode oferecer resistências.
c) A causa da morte de Inês é atribuída ao amor desmedido que subjugou completamente a jovem.
d) A expressão “se dizem” indica ser senso comum a ideia que brutalidade faz parte do sentimento amoroso.
e) Os versos associam a causa da morte de Inês não só à força cruel do amor, mas também aos perigosos riscos que a jovem inimiga representava para o rei.

43.(POLI) Camões em alemão
“Nas pequenas obras líricas de Camões encontramos graça e sentimento profundo, ingenuidade, ternura, melancolia cativante, todos os graus de sentimentos mais debilitados, indo do prazer mais suave até o desejo mais ardente, saudade e tristeza, ironia, tudo na pureza e claridade da expressão simples, cuja beleza não podia ser mais acabada, e cuja flor não podia ser mais florescente. Seu grande poema, “Os Lusíadas”, é um poema heroico no pleno sentido da palavra. Camões tira do poeta Virgílio a ideia de um poema épico nacional que compreenda e apresente, sob a luz mais fulgurante, a fama, o orgulho e a glória de uma nação desde suas mais antigas tradições.”
(Esse trecho foi extraído do curso de Friedrich Schlegel (1772-1829), conceituado filósofo romântico alemão, sobre história da literatura europeia, e publicado no Caderno Mais da Folha de São Paulo, em 21 de maio de 2000.)

Tendo em vista o texto acima, seria incorreto afirmar que:
a) em Os Lusíadas, Camões resgata alguns episódios tradicionais portugueses, como o de Inês de Castro.
b) em Os Lusíadas, Camões invoca as Tágides, ninfas do rio Tejo, a fim de que lhe deem inspiração na construção deste seu poema heroico.
c) em Os Lusíadas, Camões canta a fama e a glória do povo português.
d) em Os Lusíadas, Camões narra a viagem de Vasco da Gama às Índias, sendo este navegador o grande herói português aclamado no poema.
e) em Os Lusíadas, Camões dedica o poema a Dom Sebastião, e encerra tal obra um tanto quanto melancólico diante da estagnação cultural portuguesa.
44.(UNISA) A obra épica de Camões, Os Lusíadas, é composta de cinco partes, na seguinte ordem:
a) Narração, Invocação, Proposição, Epílogo e Dedicatória.
b) Invocação, Narração, Proposição, Dedicatória e Epílogo.
c) Proposição, Invocação, Dedicatória, Narração e Epílogo.
d) Proposição, Dedicatória, Invocação, Epílogo e Narração.
e) N.d.a.

45.(UNISA) Assinale a alternativa incorreta, em relação a Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões:

a) Foi publicada em 1572.
b) Contém 10 cantos.
c) Contém 1102 estrofes em oitava rima.
d) Conta a viagem de Vasco da Gama às Índias.
e) N.d.a.

46.(FUVEST) Leia os textos que seguem.

Texto I – Mar português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
     Fernando Pessoa

Texto II
“Em tão longo caminho e duvidoso
Por perdidos as gentes nos julgavam,
As mulheres co’um choro piedoso,
Os homens com suspiros que arrancavam.
Mães, esposas, irmãs, que o temeroso
Amor mais desconfia, acrescentavam
A desesperação e frio medo
De já nos não tornar a ver tão cedo.”
       Camões
A partir dos trechos e de seus conhecimentos de Os Lusíadas, assinale a alternativa incorreta.

a) O texto II pertence ao episódio “O velho do Restelo”, de Os Lusíadas, em que Camões indica uma crítica às pretensões expansionistas de Portugal, nos séculos XV e XVI.
b) Apesar das diferenças de estilo, tanto o texto de Camões quanto o de Fernando Pessoa indicam uma mesma ideia: a de que o caráter heroico das descobertas marítimas exige e justifica riscos e sofrimentos.
c) O fato de Camões, em Os Lusíadas, lançar dúvidas sobre a adequação das conquistas ultramarinas – o assunto principal do poema – contrapõe-se ao modelo clássico da epopeia.
d) Ainda que abordem uma mesma circunstância histórica e ressaltem as mesmas reações humanas, o texto de Fernando Pessoa e o episódio “O velho do Restelo” chegam a conclusões diferentes sobre a validade das navegações portuguesas.
e) Os dois textos referem-se aos sofrimentos que a expansão marítima portuguesa provocou.

47.(PUC-PR) Sobre o narrador ou narradores de os Lusíadas, é lícito afirmar que:
a) existe um narrador épico no poema: o próprio Camões;
b) existem dois narradores no poema: O eu-épico, Camões fala através dele, e o outro, Vasco da Gama, que é quem dá conta de toda a História de Portugal.
c) o narrador de Os Lusíadas é Luiz Vaz de Camões;
d) O narrador de os Lusíadas é o Velho do Restelo;
e) O narrador de Os Lusíadas é o próprio povo português.

48.(UFRGS) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, relacionadas aos Cantos I a V da epopeia Os Lusíadas, de Camões:
( ) A presença do elemento mitológico é uma forma de reconhecimento da cultura clássica, objeto de admiração e tmitacáo no Renascimento.
( )A disputa entre os deuses Vênus e Baco, da mitologia clássica, é um recurso literário de que Camões faz uso para criar o enredo de Os Lusíadas.
( ) Do Canto I ao Canto V leem-se as peripécias da viagem dos portugueses até a sua chegada á Índia, quando eles tornam posse daquela terra.
( ) No Canto II, lê-se a narração da viagem dos portugueses a Melinde, cujo rei pede a Camões que conte a história de Portugal:
a)V— V— V— F                                    d) V — F — F — V
b) F — V — F — V                                 e)F — F — V— F
c) V — V — F — F

49.Leia, com atenção, a estrofe do Canto I de Os lusíadas, transcrita abaixo para responder a questão a seguir:

“Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano
A quem Netuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.”

Assinale a alternativa incorreta:

a) Para o poeta épico renascentista, o Grego e o Troiano são modelos insuperáveis.

b) Há um forte nacionalismo laudatório que se estende pelo poema como um todo.

c) Para o poeta épico português, os portugueses são heróis de mar e guerra.

d) O herói do poema de Camões é coletivo e não individual.

e) Os portugueses, como os povos antigos, mereceram ser objeto de poesia épica.


50.Assinale V para verdadeiro e F para falso.

Esta questão refere-se à obra “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões.

(     ) concepção da história nacional como uma sequência de proezas de heróis aristocráticos e militares.

(      ) a temática desenvolvida na epopeia é o desconcerto do mundo.

(     )  apologia dos poderes humanos, realçando o orgulho humanista de autodestruição e do avanço no domínio da natureza.

(     ) Eliminação do pan-erotismo, existente em parte da lírica, em favor de uma ênfase mais objetiva na narração dos feitos lusitanos.

 RESPOSTA: ( V – F – V – F)

51.(UFPA) Pode-se afirmar que o Velho do Restelo é:

a) personagem central de Os Lusíadas.

b) o mais fervoroso defensor de viagem de Gama.

c) símbolo dos que valorizam a cobiça e a ambição.

d) símbolo das forças contrárias às investidas marítimas lusas.

e) a figura que incentiva a ideologia expansionista.

 

 

 



 

 

 

 

CLASSICISMO

CLASSICISMO

 

1.(Unicamp-SP) Leia com atenção os poemas transcritos abaixo:

Cantiga, partindo-se

“Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
tão fora de esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.” João Roiz de Castelo Branco. Cancioneiro geral de 1516.

 Soneto

“Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade.
Enquanto houver no mundo saudade,
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de uma outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
que duns e doutros olhos derivadas,
se acrescentaram em grande e largo rio;

Ela viu as palavras magoadas.
que puderam tornar o fogo frio
e dar descanso às almas condenadas.”    Luís de Camões

Ambos os poemas desenvolvem o tema da dor da separação, mas tratam-no de forma diferente. Exponha em que consiste esse tratamento diferenciado do tema, em cada poema.

RESPOSTA

No primeiro poema, de João Roiz de Castelo Branco, o eu lírico tem a amada como interlocutora e, metonimicamente, fala do sofrimento amoroso através de seus olhos. No poema de Camões, o sofrimento dos amantes é traduzido pela natureza, mais especificamente pela madrugada, que, testemunhando sua separação, reflete em suas características o sofrimento de ambos (“Aquela triste e leda madrugada”).

2.(UFF-RJ) Leia os dois textos para responder à questão a seguir:

“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”       Luís de Camões. Obra completa.

 Soneto do amor maior

“Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mas da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida malaventurada.

Louco amor meu que, quando toca, fere
E quando fere, vibra, mas prefere
Ferir a fenecer — e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.”       Vinicius de Moraes. Obra completa.

 Vinicius de Moraes (séc. XX) e Luís de Camões (séc. XVI) se aproximam, nestes sonetos, em relação à forma poética. Compare os poemas de Vinicius de Moraes e Camões, destacando:

a) Do soneto de Camões, uma antítese construída pela formação de nomes que tenham o mesmo radical.

b) Do soneto de Vinicius de Moraes, uma antítese construída pela formação de nomes com radicais diferentes.

RESPOSTAS:

a)“É um contentamento descontente.”
b) “E quando a sente alegre, fica triste/E se a vê descontente, dá risada.”

3.(Fuvest)

“Quando da bela vista e doce riso,
tomando estão meus olhos mantimento,
tão enlevado sinto o pensamento
que me faz ver na terra o Paraíso.

Tanto do bem humano estou diviso,
que qualquer outro bem julgo por vento;
assi, que em caso tal, segundo sento
assaz de pouco faz quem perde o siso.

Em vos louvar, Senhora, não me fundo,
porque quem vossas cousas claro sente,
sentirá que não pode merecê-las.

Que de tanta estranheza sois ao mundo,
que não é d’estranhar, Dama excelente,
que quem vos fez, fizesse Céu e estrelas.”                 Camões.

a) Caracterize brevemente a concepção de mulher que este soneto apresenta.

b) Aponte duas características desse soneto que o filiam ao Classicismo, explicando-as sucintamente.

RESPOSTAS

a) A mulher é apresentada como um exemplo perfeito da criação divina, que eleva o pensamento do eu lírico e está acima das coisas terrenas. Em resumo, é uma concepção platônica de mulher.
b) Podemos apontar como características do Classicismo a concepção platônica do amor (visão da mulher “pura”, e não apresentada em seus aspectos materiais) e o rigor formal, presente no uso de versos decassílabos e na forma do soneto.

(Ufscar-SP) Leia o trecho abaixo para responder às questões 4 e 5.

“Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado,
Assim que só pera mim
Anda o Mundo concertado.”Luís de Camões. Ao desconcerto do Mundo.
In: Rimas. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar Editora, 1963, p. 476.

4.O poema está composto com versos de sete sílabas e na forma conhecida como “esparsa”, que, junto com outras, constituía o estoque de formas medievais que muitos poetas clássicos de Portugal, dentre os quais Camões, continuaram usando no século XVI e que se denominavam de “medida velha”. Além dessas formas, Camões usou as italianizantes ou clássicas, que se denominavam de “medida nova”.

a) Cite outra forma de “medida velha” usada por Camões.

b) Cite duas formas de “medida nova”.

5.Este curto poema de Camões compõe-se de partes correspondentes ao destaque dado às personagens (o eu poemático e os outros). Quanto ao significado, o poema baseia-se em antíteses desdobradas, de tal maneira trançadas que parecem refletir o “desconcerto do mundo”. Posto isso:

a) Identifique a antítese básica do poema e mostre os seus desdobramentos.

b) Explique a composição do texto com base nas rimas.

RESPOSTAS:

a) A forma de “medida velha” em Camões é o vilancete, modalidade poética composta por um mote (proposta de um motivo ou tema) e glosa ou volta (desenvolvimento do tema proposto no mote). A cantiga é outra forma utilizada por Camões. Genericamente, as composições em “medida velha” podem ser chamadas de redondilhas.

b) O soneto é a forma de “medida nova” mais frequente em Camões. Além dessa, há ainda as seguintes formas: elegia, ode, sextina, écloga, oitavas, etc.

a) A antítese básica do poema se constrói a partir do choque entre o bem e o mal, presente na dualidade entre “os bons” e “os maus”. Os desdobramentos da antítese são punição e recompensa, explicada pelo fato de serem premiados aqueles que mereceriam punição e punidos aqueles que mereceriam a recompensa. Por isso é que o mundo está desconcertado, falta-lhe harmonia ou coerência.
b) O texto de Camões é poema de uma só estrofe com dez versos, denominado décima. Os cinco primeiros são unificados pelas mesmas rimas; os cinco últimos, por outras. Em ambas as partes, as rimas, quanto à disposição, são alternadas (intercaladas) e justapostas (paralelas): abbaab; cddcdc. Quanto ao valor, há pobres (eufonia entre palavras da mesma classe gramatical) e ricas (eufonia entre palavras de diferentes classes gramaticais).

 

Sete  anos de  pastor  Jacó servia

Sete anos de pastor Jacó servia
Lobão, pai de Raquel serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prêmio pretendia.

Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la:
Porém o pai usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida.

6. O racionalismo é uma das características mais frequentes da literatura clássica portuguesa. A logicidade do pensamento quinhentista repercutiu no rigor formal de seus escritores, e no culto à expressão das “verdades eternas”, sem que isto implicasse tolhimento da liberdade imaginativa e poética. Com base nestas observações, releia os dois textos apresentados e;
a) aponte um procedimento literário de Camões que comprove o rigor formal do classicismo;
b) indique o dado da passagem bíblica que, por ter sido omitido por Camões, revela a prática da liberdade poética e confere maior carga sentimental ao seu modo de focalizar o mesmo episódio.

RESPOSTAS:

a) Preferência pelo soneto petrarquista com rimas e versos decassílabos.
b) Camões omite que Jacó casou-se com Lia e, uma semana depois, com Raquel.

 7:Quando da bela vista e doce riso,
tomando estão meus olhos mantimento,
tão enlevado sinto o pensamento
que me faz ver na terra o Paraíso.

Tanto do bem humano estou diviso,
que qualquer outro bem julgo por vento;
assi, que em caso tal, segundo sento,
assaz de pouco faz quem perde o siso.

Em vos louvar, Senhora, não me fundo,
porque quem vossas cousas claro sente,
sentirá que não pode merecê-las.

Que de tanta estranheza sois ao mundo,
que não é d’estranhar, Dama excelente,
que quem vos fez, fizesse Céu e estrelas.
(Camões, ed. A.J. da Costa Pimpão)

Tomando mantimento – tomando consciência.
Estou diviso – estou separado, apartado.
Sento – sinto.
Não me fundo – não me empenho.

a) Caracterize brevemente a concepção de mulher que este soneto apresenta.
b) Aponte duas características desse soneto que o filiam ao Classicismo, explicando-as sucintamente.
RESPOSTAS:

a) A mulher é vista não como uma companheira mas como um ser angelical. A beleza converte-se em Beleza pura, que leva ao “mundo das ideias” e à divindade.
b) O soneto composto por dois quartetos e dois tercetos e a medida nova (versos decassílabos) são características do Classicismo. Ainda, há figuras de linguagem como o hipérbato, a seleção lexical e outros.

8.”Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;”
(Lírica de Camões, seleção, prefácio e Notas de MASSAUD MOISÉS, S. P., Ed. Cultrix, 1963)

“Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.”
(SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, “Terror de te amar”, em Antologia Poética)
Dos dois textos transcritos, o primeiro é de Luís Vaz de Camões (século XVI) e o segundo, de Sophia de Mello Breyner Andresen (século XX). Compare-os, discutindo, através de critérios formais e temáticos, aspectos em que ambos se aproximam e aspectos em que ambos se distanciam um do outro.
RESPOSTA:

Aproximam-se pelo tema do amor e pela utilização de anáforas.
Distanciam-se pela métrica (versos decassílabos em Camões e livres em Andresen) e pela forma de tratar o amor (em Camões o amor é impessoal, e em Andresen é pessoal).

9. (UFRGS-RS) Leia o soneto abaixo, de Luís de Camões. “Um mover de olhos, brando e piedoso,
sem ver de quê; um riso brando e honesto,
quase forçado, um doce e humilde gesto,
de qualquer alegria duvidoso;
um despejo quieto e vergonhoso;
um desejo gravíssimo e modesto;
uma pura bondade manifesto
indício da alma, limpo e gracioso;
um encolhido ousar, uma brandura;
um medo sem ter culpa, um ar sereno;
um longo e obediente sofrimento:
Esta foi a celeste formosura
da minha Circe, e o mágico veneno
que pôde transformar meu pensamento.”

Em relação ao poema acima, considere as seguintes afirmações.

I.O poeta elabora um modelo de mulher perfeita e superior, idealizando a figura feminina.

II.O poeta não se deixa seduzir pela beleza feminina, assumindo uma atitude de insensibilidade.

III. O poeta sugere o desejo erótico ao referir a figura mitológica de Circe.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.        b) Apenas III.        c) Apenas I e II.     d) Apenas I e III.     e) I, II e III.

10.(UFV-MG)

Leia o soneto a seguir, de autoria do poeta quinhentista Luis de Camões:

“Verdade, Amor, Razão, Merecimento,
qualquer alma farão segura e forte;
porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte,
têm do confuso mundo o regimento.
Efeitos mil revolve o pensamento
e não sabe a que causa se reporte;
mas sabe que o que é mais que vida e morte,
que não o alcança humano entendimento.
Doctos varões darão razões subidas,
mas são experiências mais provadas
e por isso é melhor ter muito visto.
Cousas há aí que passam sem ser cridas
e cousas cridas há sem ser passadas,
mas o melhor que tudo é crer em Cristo.”

Dentre as alternativas abaixo, apenas uma NÃO interpreta corretamente o poema. Assinale-a:

a) O soneto camoniano confirma a persistência de valores cristãos num momento em que se sentia a forte presença do racionalismo quinhentista.

b) O eu lírico mostra-nos que, se valores como a Verdade e o Amor podem fortalecer a alma do homem, outros como o Tempo e a Sorte podem definir-lhe o destino e governar o mundo

c) O homem renascentista, já capaz de conhecer o mundo e a si próprio, não consegue elucidar os mistérios da vida e da morte.

d) O texto confirma que o homem do século XVI também vivenciou os conflitos existentes entre o racionalismo antropocêntrico e a religiosidade teocêntrica.

e) O poema de Camões denuncia a existência de um eu lírico totalmente convencido de que a Verdade, a Razão, o Amor e o Merecimento são os grandes valores que regem o destino da humanidade.

 11.(Unifap)

“Ao desconcerto do mundo
Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E, para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim
Anda o mundo concertado.”

Os versos acima revelam um dos temas desenvolvidos por Camões em sua construção lírica. A afirmação que evidencia a temática sugerida pelo poeta no texto é o(a):

(A) acentuado pessimismo e a valorização da religiosidade mística.

(B) instabilidade e fugacidade da vida e dos bens materiais.

(C) desproporção entre o merecimento humano e o destino.

(D) sofrimento pela indiferença e pela espiritualização do amor.

(E) a desordem do mundo diante da indiferença e da rejeição.

 

(PUC-SP) Leia o texto a seguir para responder às questões 12 e 13.

“Um mover de olhos brando e piedoso,
Sem ver de quê, um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;

Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;

Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa, um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento:

Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.”

12.O soneto acima é de Luís de Camões e se enquadra em sua poesia lírica. Releia-o atentamente e indique a alternativa errada a respeito dele.

a) Pinta o retrato da mulher amada, composto de traços físicos e de caráter e realçado por imagens construídas por antíteses.

b) Apresenta uma sucessão de frases nominais que, no conjunto, caracterizam uma clara função descritiva.

c) Marca-se por uma força poética que atravessa o texto e alcança seu ápice no nome Circe, núcleo da nomeação e metáfora da mulher amada.

d) Configura, sintaticamente, os quartetos e o primeiro terceto como apostos da proposição contida no segundo terceto.

e) Apresenta regularidade sintática porque tanto os quartetos quanto os tercetos se constroem da idêntica estrutura lógico-oracional.

13.O lirismo é uma das vertentes da poesia camoniana e perpetua o poeta na história da sensibilidade humana. Desse lirismo é incorreto afirmar:

a) Se mostra em sonetos, cujos versos são marcados pelo “doce estilo novo”, trazido do Renascimento italiano por Sá de Miranda.

b) Dialoga com a sensibilidade e com a inteligência do leitor, mas é possível separar nele emoção e razão, já que o desconcerto amoroso inexiste neste gênero poético camoniano.

c) Se expressa em sonetos de construção racional e que combinam com o estilo de Camões, que é, não apenas de confissão afetiva, mas questionador da própria emoção.

d) Apresenta tensão entre os chamados do amor físico, isto é, os desejos e as paixões, e os do amor platônico, ou seja, o vislumbre do transcendental e a busca da unidade divina do ser no reino das ideias.

e) Desenvolve pluralidade de temas, como a transitoriedade da vida, a fugacidade do tempo e da beleza, a precariedade do destino, a necessidade de fruir o instante que passa e o desconcerto do mundo.

 14.Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmação seguinte:
O movimento desenvolveu-se no apogeu político de Portugal; consiste numa concepção artística baseada na imitação dos modelos clássicos gregos e latinos. Nele, o pensamento lógico predomina sobre a emoção, e a estrutura da composição poética obedece a formas fixas, com a introdução da medida nova, que convive com a medida velha das formas tradicionais.
Trata-se do:
a) Modernismo.  b) Barroco.  c) Romantismo.   d) Classicismo.    e) Realismo.

15.Põe-me onde se use toda a feridade,
Entre leões e tigres, e verei
Se neles achar posso a piedade
Que entre peitos humanos não achei.
Ali, co’o amor intrínseco e vontade
Naquele por quem morro, criarei
Estas relíquias suas, que aqui viste,
Que refrigério sejam da mãe triste.
O trecho evidencia características:
a) da poesia trovadoresca.
b) do Barroco português.
c) de um auto vicentino.
d) da poesia lírica de Antero de Quental.
e) da poesia épica camoniana.

 Texto 1:

“Sôbolos rios que vão
Por Babilônia, me achei,
Onde sentado chorei
as lembranças de Sião
E quanto nela passei.”

Texto 2:

“Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento
Escureceu-me o engenho ao tormento,
Para que seus enganos não dissesse.

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são e não defeitos.
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.”

16Sobre os textos acima, é correto afirmar que:
a) o primeiro faz parte de uma cantiga trovadoresca.
b) ambos pertencem à obra de Camões, sendo o primeiro um exemplo de medida velha e o segundo, de medida nova.
c) o primeiro foi extraído de um auto vicentino e o segundo, de um autor barroco.
d) pertencem ao Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.
e) têm aspectos evidentemente barrocos, fazendo parte, portanto, da lírica de Gregório de Matos.

17.Na LÍRICA de Camões,
a) o metro usado para a composição dos sonetos é a redondilha maior.
b) encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos.
c) cantar a Pátria é o centro das preocupações.
d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.
e) a Mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade.

18.UFRS Leia o soneto abaixo, de Luís de Camões.

“Um mover de olhos, brando e piedoso,

sem ver de quê; um riso brando e honesto,

quase forçado, um doce e humilde gesto,

de qualquer alegria duvidoso;

um despejo quieto e vergonhoso;

um desejo gravíssimo e modesto;

uma pura bondade manifesto

indício da alma, limpo e gracioso;

um encolhido ousar, uma brandura;

um medo sem ter culpa, um ar sereno;

um longo e obediente sofrimento:

Esta foi a celeste formosura

da minha Circe, e o mágico veneno

que pôde transformar meu pensamento.”

Em relação ao poema acima, considere as seguintes afirmações.

I.O poeta elabora um modelo de mulher perfeita e superior, idealizando a figura feminina.

II.O poeta não se deixa seduzir pela beleza feminina, assumindo uma atitude de insensibilidade.

III. O poeta sugere o desejo erótico ao referir a figura mitológica de Circe.

Quais estão corretas?

a) Apenas I.      b) Apenas III.               c) Apenas I e II.       d) Apenas I     e III e) I, II e III.

 19.Identifique a alternativa que não contenha ideais clássicos de arte:
a) Universalismo e racionalismo.
b) Formalismo e perfeccionismo.
c) Obediência às regras e modelos e contenção do lirismo.
d) Valorização do homem (do aventureiro, do soldado, do sábio e do amante) e verossimilhança (imitação da verdade e da natureza).
e) Liberdade de criação e predomínio dos impulsos pessoais.

20.O culto aos valores universais – o Belo, o Bem, a Verdade e a Perfeição – e a preocupação com a forma aproximaram o Classicismo de duas escolas literárias posteriores. Aponte a alternativa que identifica essas escolas:
a) Barroco e Simbolismo;                      d) Arcadismo e Parnasianismo;
b) Romantismo e Modernismo;              e) Trovadorismo e Humanismo;
c) Realismo e Naturalismo.

21.Assinale a incorreta sobre Camões:

a) Sua obra compreende os gêneros épico, lírico e dramático.
b) A lírica de Camões permaneceu praticamente inédita. Sua primeira compilação e póstumas, datada de 1595, e organizada sob o título de As Rimas de Luís de Camões, por Fernão Rodrigues Lobo Soropita.
c) Sua lírica compõe-se exclusivamente de redondilhas e sonetos.
d) Apesar de localizada no período clássico-renascentista, a obra de citações barrocas.
e) Representa a amadurecimento de língua portuguesa, sua estabilização e a maior manifestação de sua excelência literária.

22.Ainda sobre Camões, assinale a incorreta:
a) Não há um texto definitivo de lírica camoniana. Atribuem-se lhe cerca de 380 composições líricas, destacando-se os cerca de 200 sonetos, alguns de autoria controversa.
b) Camões teria reunido sua lírica sob o titulo de O Parnaso Lusitano, que se perdeu, e do qual há algumas referências nas cartas do poetas.
c) As redondilhas de Camões seguem os moldes da poesia palaciana do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende e , mesmo na medida velha, o poeta superou seus contemporâneos e antecessores.
d) A lírica na medida velha, tradicional, medieval, vale-se dos motes glosados, das redondilhas e são de cunho galante, alegre madrigalesco.
e) A principal diferença entre a poesia lírica e a poesia épica é formal e manifesta-se da utilização de versos de diferentes metros.

 23. O lirismo é uma das vertentes da poesia camoniana e perpetua o poeta na história da sensibilidade humana. Desse lirismo é incorreto afirmar:

a) Se mostra em sonetos, cujos versos são marcados pelo “doce estilo novo”, trazido do Renascimento italiano por Sá de Miranda.

b) Dialoga com a sensibilidade e com a inteligência do leitor, mas é possível separar nele emoção e razão, já que o desconcerto amoroso inexiste neste gênero poético camoniano.

c) Se expressa em sonetos de construção racional e que combinam com o estilo de Camões, que é, não apenas de confissão afetiva, mas questionador da própria emoção.

d) Apresenta tensão entre os chamados do amor físico, isto é, os desejos e as paixões, e os do amor platônico, ou seja, o vislumbre do transcendental e a busca da unidade divina do ser no reino das ideias.

e) Desenvolve pluralidade de temas, como a transitoriedade da vida, a fugacidade do tempo e da beleza, a precariedade do destino, a necessidade de fruir o instante que passa e o desconcerto do mundo.

 24.(Insper 2012)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

muda-se o ser, muda-se a confiança;

todo o mundo é composto de mudança,

tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,

diferentes em tudo da esperança;

do mal ficam as mágoas na lembrança,

e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,

que já coberto foi de neve fria, e, enfim,

converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,

outra mudança faz de mor espanto,

que não se muda já como soía*.             Luís Vaz de Camões

*soía: Imperfeito do indicativo do verbo soer, que significa costumarser de costume

Assinale a alternativa em que se analisa corretamente o sentido dos versos de Camões.

a) O foco temático do soneto está relacionado à instabilidade do ser humano, eternamente insatisfeito com as suas condições de vida e com a inevitabilidade da morte.

b) Pode-se inferir, a partir da leitura dos dois tercetos, que, com o passar do tempo, a recusa da instabilidade se torna maior, graças à sabedoria e à experiência adquiridas.

c) Ao tratar de mudanças e da passagem do tempo, o soneto expressa a ideia de circularidade, já que ele se baseia no postulado da imutabilidade.

d) Na segunda estrofe, o eu lírico vê com pessimismo as mudanças que se operam no mundo, porque constata que elas são geradoras de um mal cuja dor não pode ser superada.   

e) As duas últimas estrofes autorizam concluir que a ideia de que nada é permanente não passa de uma ilusão.

25.(UNOPAR-PR) Desenvolvimento do comércio de reduzida importância na Idade Média; crescente utilização do dinheiro, invenções e melhoramentos técnicos decorrentes das grandes navegações.

Os dados anteriores integram o painel histórico do:

a. Classicismo       b.Barroco               c.Romantismo       d.Arcadismo     e.Modernismo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Grande sertão: veredas – Um jovem sexagenário

Os 60 anos do livro de Guimarães Rosa vêm a propósito para apreciarmos seu trunfo máximo: o foco narrativo, manipulado pelo narrador Riobaldo e que servirá para analisar o romance.

GUIMARAES R

Guimarães Rosa internou-se pelas terras mineiras, interrogando as pessoas, registrando as histórias que ouvia e as peculiaridades da linguagem.

Os 60 anos de Grande sertão: veredas vêm a propósito para apreciarmos seu trunfo máximo: o foco narrativo. Manipulado por Riobaldo, narrador protagonista, esse elemento estrutural servirá para analisar o romance e expandir nossa compreensão de seus muitos desdobramentos.

O Riobaldo que se antepõe ao interlocutor que veio de longe para conhecê-lo, é um homem idoso, deitado em rede na varanda da sede de sua fazenda, procedendo às honras da casa. A face final do protagonista já velho é essa, de homem apaziguado e assentado na vida, dono de terras com muitos agregados e dependentes.

Nesse romance tudo decorre da escolha do foco narrativo, que acaba sendo seu alicerce e seu fundamento. Quem conta a história que lemos? É Riobaldo, que fala em primeira pessoa. E de quem é a história que ele conta? É a dele mesmo. Portanto, Riobaldo se apodera de dois pontos de vista: o do narrador e o do protagonista. Dessa alternância resulta todo o volumoso romance.

Mais um elemento complicador vem se juntar logo de saída a essa dupla perspectiva: o interlocutor, a quem o narrador dá o tratamento cerimonioso de “o senhor”. Todo o romance assumirá a forma de um relato autobiográfico feito a uma pessoa, invisível e calada, que é quem provoca a narração. Anônima, essa pessoa veio de fora do sertão, procurando por Riobaldo e dispondo-se a extrair dele a história de sua vida. O depoimento que então se desenrola subentende um diálogo que é apenas pressuposto e contido dentro do monólogo – iniciado e nunca fechado pelo primeiro sinal gráfico do texto, um travessão, índice de fala.

Como não podia deixar de ser, as diferenças culturais entre ambos são numerosas: um deles é sertanejo tosco, o outro, cidadão cultivado. E é de assinalar, portanto, a semelhança do interlocutor com o antropólogo ou o psicanalista.

Essa equação nos habilita, em primeiro lugar, a entender a intriga bastante emaranhada. Em segundo lugar, a travar conhecimento com os demais personagens, aos quais a voz de Riobaldo dá vida. Em terceiro lugar, a compreender quem ele próprio é. Com Riobaldo estabelecemos, enquanto leitores – mesmo cientes de que se trata de um romance, portanto de uma história inventada – um pacto sob palavraIsso posto, podemos começar a leitura.

Riobaldo não é um narrador direto ou fluente: demora muito a entabular sua história, é manhoso, tenta driblar o interlocutor. Boa parte do livro decorre antes que se resolva a abrir o jogo. Mas, enquanto isso, ele vai expondo ao leitor sua personalidade atual, a que assume depois de velho, quando se retira de tarefas anteriores, quando foi jagunço e chefe de jagunços. O romance começa pelo fim, quando todo o enredo já se passou e Riobaldo vive de reminiscências.

Chegou à fazenda, vindo da cidade, um personagem a que estamos chamando de interlocutor, pois ele não tem nome, procurando por um antigo chefe de jagunços de quem ouvira falar. Quer entrevistá-lo, indagando sobre seu passado, suas batalhas, das peripécias em que tomara parte, de onde viera, quem tinham sido seus pais, quais seus amores; enfim, como vivera sua vida. O interlocutor é então quem instiga a narração, e ela se faz em sua intenção, em resposta às múltiplas inquirições que vai formulando, para precisar melhor certos passos ainda vagos do enredo.

PARQUE NACIONAL

Parque Nacional Grande Sertão Veredas, na divisa entre Minas Gerais e Bahia.

Desse modo, poderíamos dizer que, embora demore a se configurar, o interlocutor poderia ser compreendido como a primeira personagem a ser delineada por Riobaldo. Quem é ele? Não é um sertanejo como Riobaldo, fica logo claro. Chegou de longe, da cidade, conduzido por um jipe. Veio para conhecê-lo e para estimulá-lo a falar de suas experiências. Usa óculos, tem título de doutor e toma notas em uma caderneta, incessantemente.

Como é que ficamos sabendo de tudo isso? Pela voz de Riobaldo, que dirige ao interlocutor comentários sobre uso de óculos, título de doutor, anotações feitas na caderneta. Sendo o romance constituído por uma fala só, emitida por Riobaldo, o conjunto dos acontecimentos é decretado por essa fala.

Tudo indica que João Guimarães Rosa tenha contrabandeado um simulacro seu para dentro do livro. E isso porque muitas vezes se colocou na posição de ouvinte de um narrador sertanejo, cujo relato instigou. Apesar de oriundo de uma vila no sertão, o escritor partiria para a cidade, primeiro para São João del Rei e em seguida para Belo Horizonte, em função de seus estudos secundários e depois superiores, em medicina. E mais tarde, ao ingressar na carreira diplomática, passaria a residir no exterior, antes de morar no Rio de Janeiro, onde passaria a última fase de sua vida.

Atinando a certa altura com o opulento veio entre o histórico e o fabuloso que seria a fonte de sua obra – as sagas do sertão –, para ali voltou inúmeras vezes, tangendo boiadas, internando-se pelas terras mineiras, interrogando as pessoas, registrando as histórias que ouvia e as peculiaridades da linguagem. Suas cadernetas de anotações, hoje depositadas no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo, tornaram-se um tesouro. Uma das fotos mais divulgadas mostra-o em uma dessas excursões, a cavalo, com a indefectível caderneta pendurada por um barbante ao pescoço. Ademais, sim, usava óculos e era médico.

Mas o interlocutor lança mão de outros saberes para ajudar Riobaldo à medida que ambos, conjuntamente, vão concretizando um texto biográfico, que cada um dos dois seria incapaz de levar a cabo separadamente. É do atrito dos dois personagens, tal como aparece unilateralmente na fala ininterrupta de Riobaldo, que toda a narrativa se institui enquanto texto.

A fala do protagonista, como se viu, inicialmente é relutante, dada à desconversa. Apenas a persistência do interlocutor vai forçando as comportas de tanta história sonegada, decorrente de um emaranhado de motivos que vão desde a perplexidade até vestígios de culpa difusa: incluindo o luto por Diadorim, de cuja morte Riobaldo se viu cúmplice, e o remorso pelo pacto com o diabo.

Ao fim e ao cabo, ainda bem que ambos se entregaram à ficção dessa empreitada, que só nos beneficia com as belezas de um dos mais extraordinários romances da língua portuguesa.

*Walnice Nogueira Galvão é professora de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, que tem 26 livros sobre Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, crítica literária e cultural.

Fonte:

Revista Carta Capital

Macunaíma, uma rapsódia

MÁRIO DE ANDRADE

Retrato de Mario de Andrade, autor de Macunaíma, pintado por Lasar Segall em 1927

Na sala de aula, as frases e os feitos de Macunaíma, o Herói Sem Nenhum Caráter, rapsódia de Mário de Andrade (1893-1945), publicada, pela primeira vez, em 1928.

Adotá-lo como leitura e estudo no Ensino Médio representa a possibilidade de debater, no plano da arte, um Brasil mais profundo, múltiplo.

LIVRO MACUNAIMA

Capa do livro Macunaíma, de Mário de Andrade

Um Brasil multifário (adjetivo tão do gosto do autor), na mira do projeto estético que se concretiza – “trabalhar e descobrir o mais que possa a entidade nacional dos brasileiros” –, conforme um primeiro prefácio escrito em 1926 e conservado inédito.

Macunaíma, no conjunto da obra mariodeandradiana, destaca-se como uma candente transfiguração dos nossos traços nacionais. A crítica literária Leyla Perrone-Moisés o considera “talvez o livro mais ‘nacional’ da literatura brasileira”.

Macunaíma, ficção experimental que é prosa e canto, inscreve-se na poética de estreita ligação com a música, proposta por Mário de Andrade em Paulicéia Desvairada, poesia que inaugura, em 1922, uma postura estética antropofágica programática, precedendo a rapsódia e o manifesto oswaldiano, ambos de 1928.

Em Paulicéia Desvairada, a apropriação ou o crivo crítico mostram-se na sutura arlequinal das matrizes reconhecidas pelo poeta ou recônditas nas leituras dele, e na proclamação do eu lírico – “Sou um tupi tangendo um alaúde!”, na profissão de fé intitulada “O trovador”.

Como rapsódia, Macunaíma transpõe a linguagem oral para a escrita; seleciona e costura fragmentos, dá a eles novos destinos,
ou seja, recria a partir de um crivo crítico. Trata-se do exercício do “direito permanente à pesquisa”, conquista da renovação estética empreendida no decênio de 1920, segundo o lúcido balanço “O movimento modernista”, que Mário fará em 1942.

Esse direito é vivido com plenitude pelo ficcionista quando ele firma, na língua portuguesa falada no Brasil, o canto do narrador rapsodo, prosa culta resultante da busca, em seu celeiro da criação, de tudo que lhe pareceu pertinente, tanto na cultura popular como na erudita.

Prosa que plasma citações de toda ordem, saturada de rimas, assonâncias, aliterações, enumerações sem pausas, cantos e rezas incorporados à trama; narrativa que joga com um presente histórico – 1926 e 1927 –, justaposto ao tempo imemorial, e que tem, como espaço, um Brasil desregionalizado, sem fronteiras, participante da América Latina.

Mário de Andrade, leitor ávido de tudo que lhe aumentasse o conhecimento do Brasil, em 1926 decalca o protagonista nas peripécias do deus contraditório Makunaíma, e de outras personagens dos mitos, lendas e contos dos índios  taulipang, arecuná e macuchi, do extremo norte do Brasil e da Venezuela, recolhidos pelo etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg no segundo volume da obra magna Vom Roroima zum Orinoco (De Roraima até o Orenoco; edição de 1924, Stuttgart: Strecker und Schröder).

Mas Macunaíma, o herói da nossa gente, será um herói marcado pela indefinição, nesse sentido, “o herói sem nenhum caráter” do aposto no título da rapsódia. A preguiça, a sensualidade e a mentira, traços-chave do seu comportamento, ao mesmo tempo que o afastam da responsabilidade sobre os próprios caminhos, sinalizam um mundo diverso daquele em que impera a máquina, um mundo em que predomina o ócio criador.

Em 1926 – talvez no mesmo 30 de maio do cabeçalho da “Carta pras icamiabas”, capítulo 9 de Macunaíma –, o romancista
começa a trabalhar. Nas margens do seu exemplar do livro de Koch-Grünberg, Mário deixa a grafite os fragmentos de uma primeira versão, a qual já indica a pesquisa em outros autores, a coleta inerente à rapsódia.

Notas de trabalho reunindo elementos, esboços, por certo ocuparam os meses que antecederam a preparação da vasta bagagem – rapsódica! –, com a qual Mário de Andrade se instala, em dezembro daquele ano, em Araraquara, no interior de São Paulo.
Em férias na chácara do primo e amigo Pio Lourenço Corrêa, escreve, então, três versões de Macunaíma, conservando apenas as páginas iniciais de duas. E um prefácio que nunca divulgou.

Planos, notas de trabalho, esboços e rascunhos alimentaram a dedicação integral à escritura entre o final de 1926 e a primeira quinzena de 1927, conforme as datas nos documentos, suplantados pela lenda que nasce nas cartas aos amigos e em um segundo prefácio, em 1928, quando a rapsódia já passou por várias redações: Macunaíma foi escrito em “seis dias ininterruptos de rede, cigarras e cigarros”.

O livro, hoje considerado a obra-prima de Mário de Andrade, envolveu muito trabalho; cristaliza um processo de criação complexo, nada veloz, o qual guarda estreitos vínculos com a viagem do escritor à Amazônia, no meio do ano de 1927, como se verifica em seu diário de Turista Aprendiz.

Esse processo não termina com a chegada de Macunaíma às livrarias paulistanas em junho de 1928. Prossegue em 1936/1937, pois, na oportunidade de uma nova edição, Mário refunde a obra ao sobrepor, a caneta, modificações ao texto impresso, em um exemplar que elege como seu “exemplar de trabalho”, o qual se torna, a partir de então, um manuscrito.

Na segunda tiragem que vem à luz em 1937, pela editora José Olympio, do Rio de Janeiro, a rapsódia perde a seqüência que justificava o título do capítulo 9, “As três normalistas”, e trechos referentes ao “brincar” do Imperador do Mato Virgem com Ci, a Mãe do Mato. Não tinha cabimento a presença das normalistas, moças de família, em um romance condenado pelo moralismo da burguesia paulistana.

O artista cedeu à pressão de seu meio e o texto de 1937 continuou na edição que veio em 1944, nas Obras Completas de Mário de Andrade, pela Livraria Martins Editora.

Multiplicado, portanto, em três edições durante a vida do ficcionista e em muitas outras tiragens, traduzido para várias línguas, além da imensa fortuna crítica e do farto conjunto de manifestações do autor concernentes à obra,em cartas, crônicas e entrevistas, Macunaíma conta documentos que se reportam diretamente aos caminhos da criação e lhe resgatam a história.

As novas edições da obra de Mário de Andrade 

Em 2008, as editoras cariocas Agir e Ediouro, associando-se à Equipe Mário de Andrade do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, em cujo patrimônio está o acervo do escritor e onde, de longa data, são desenvolvidos estudos sobre ele, lançaram uma proposta norteada pelo rigor e pela partilha.

Considerando a produção de Mário polígrafo, pretendem tiragens de texto apurado, isto é, edições fiéis ao projeto de origem, até onde a análise de quem delas se encarrega pode atingir esse objetivo.

O texto apurado no confronto dos manuscritos com as publicações à época, em livros ou periódicos, deseja não apenas sanar erros e infidelidades flagrados nas edições dos últimos anos, mas restabelecer coordenadas que balizaram o trabalho do poeta, do prosador, do crítico, bem como do estudioso de tantas áreas.

A proposta amplia-se na direção da história, da crítica genética e, é claro, da crítica literária, ao oferecer tanto as informações principais sobre cada texto como documentos que se reportam ao processo de criação e análises contemporâneas.

Assim acontece porque esta abordagem editorial pretende que os leitores vejam no livro impresso um ponto de chegada do trabalho do artista e que circulem com liberdade pelos espaços da ficção, da crônica, da poesia, dos estudos e das pesquisas de Mário de Andrade.

Por essa razão, as análises colocam-se no final do volume: para que os leitores conversem com as cogitações da crítica atual, depois de fazer as próprias descobertas.

Macunaíma, o Herói Sem Nenhum Caráter, o romance Amar, Verbo Intransitivo e Os Filhos da Candinha, o único conjunto de crônicas selecionado por Mário de Andrade, são os primeiros títulos apresentados.

Macunaíma em 2008, nesta edição que fornece subsídios sobre o projeto literário do autor, poderá, quem sabe, ampliar a
compreensão das peripécias de nosso herói/anti-herói, as quais, ao ligar a realidade brasileira à esfera do fantástico, calçam uma forte dimensão ideológica e política na sátira que capta, sem retoques, os descaminhos do nosso país, e que alcança um mundo submetido aos valores da máquina.

Essa compreensão foi sobejamente demonstrada pelos diretores Joaquim Pedro de Andrade e Antunes Filho, que fizeram releituras do livro no cinema e no teatro, por eles empreendida em 1969 e 1978.

É curioso pensar que Macunaíma, na vox populi, tornou-se um substantivo comum, simbolizando apenas a malandragem
do herói, não as dificuldades de povo que ainda não dá conta do próprio rumo.

 

                                                                    TELE PORTO ANCONA LOPEZ

Fonte:

Revista Carta Capital

HUMANISMO

HUMANISMO

1.O teatro de Gil Vicente caracteriza-se por ser fundamentalmente popular. E essa característica manifesta-se, particularmente, em sua linguagem poética, como ocorre no trecho a seguir, de “O Auto da Barca do Inferno”.

Ó Cavaleiros de Deus,
A vós estou esperando,
Que morrestes pelejando
Por Cristo, Senhor dos Céus!
Sois livres de todo o mal,
Mártires da Madre Igreja,
Que quem morre em tal peleja
Merece paz eternal.

No texto, fala final do Anjo, temos no conjunto dos versos
a) variação de ritmo e quebra de rimas.
b) ausência de ritmo e igualdade de rimas.
c) alternância de redondilha maior e menor e simetria de rimas.
d) redondilha menor e rimas opostas e emparelhadas.
e) igualdade de métrica e de esquemas das palavras que rimam.

2.(UESPI) Sobre o Humanismo, assinale a alternativa INCORRETA:
A)Houve a separação entre poesia e música.
B)Encontra-se a poesia palaciana que é declamada e ganha em expressão.
C)Gil Vicente é o fundador do teatro português.
D)Fernão Lopes é nomeado cronista-mor da Torre do Tombo e este fato é considerado o marco inicial do Humanismo.
E)O caráter humanista da Idade Média está relacionado ao Teocentrismo, onde Deus é o centro das atenções.

3.(UFPI/2006-1ª ETAPA) Sobre Gil Vicente e sua obra, assinale a alternativa correta.
A)Respeita apenas o poder da Igreja.
B)Centra suas críticas nos membros das classes baixas.
C)Conserva a lei das três unidades básicas do teatro clássico.
D)Identifica suas personagens pela ocupação ou pelo tipo social de cada uma delas.

4.(UFPA) Os temas do teatro vicentino são diversos, mas vale ressaltar que nada foi mais impressivo e atual, na obra de Gil Vicente, do que a crítica contundente à sociedade da época.
O Auto da Índia é um exemplo disso e sobre a peça NÃO é correto afirmar:

(A) O motivo mais destacado da obra em questão é o da cobiça, que levou muitos portugueses ao Oriente, descuidados dos perigos das viagens marítimas.

(B) Embora o tema da peça trate de assunto sério e de grande relevância moral, Gil Vicente repassa-o por meio de uma sátira leve e muito divertida.

(C) “Virtuosa esta minha ama!
       Do triste dele hei dó”.

Esses versos correspondem à fala da Moça, responsável pelos serviços domésticos da casa, e, por meio deles, é possível observar a carga de ironia com que Gil Vicente constrói os diálogos dos personagens.

(D) Lemos: “Que dizeis, senhora minha?”
Ama: “Metei-vos nessa cozinha,
Que m’estão ali chamando “.

Essas falas são uma amostra das atitudes da mulher que se cercava de amantes, na ausência do marido, e necessitava escondê-los para evitar encontros desagradáveis.

(E) O Auto da Índia consta sob a denominação de farsa. Essa categoria caracterizava-se por tratar dos vícios da sociedade quinhentista portuguesa.

5.(UFPA)

VELHA

“E o lavrar [o trabalho], Isabel?
ISA. Faz a moça mui mal feita,
Corcovada e contrafeita,
De feição de meio anel; 515
E faz muito mao [mau] carão [semblante],
E mao costume dolhar.
VEL. Hui! pois jeita-te [dedica-te] ao fiar
Estopa, linho ou algodão,
Ou tecer, se vem à mão.
ISA. Isso he [é] peor que lavrar. 520
VEL. Engeitas tu o fiar?
ISA. Que não hei de fiar não.
Eu sou filha de moleira?
Em roca me falais vós?
Ora assi salve Deos, 525
Que tendes forte cenreira [teimosia].

VELHA

Aprende logo a tecer.
ISA. Então bolir co fiado [tecer]:
Achais outro mais honrado
Ofício pera eu saber? 530”

VICENTE, Gil. Farsa de “Quem tem farelos”. In: Obras de Gil Vicente.
Porto: Lello & Irmão, 1965. p. 583-584.

Sobre o fragmento transcrito, é correto afirmar:

(A) Isabel, embora aceite a submissão dos filhos aos pais, não o admite alguns tipos de trabalhos manuais que possam comprometer a sua aparência física .

(B) Trata-se de um fragmento da discussão final entre a Velha e a Isabel (vv. 451-538), por meio da qual o leitor contrapõe conceitos opostos sobre o trabalho feminino da época.

(C) A Velha repudia as atividades relacionadas ao fiar e ao tecer, defendendo que apenas as moças pobres devem dedicar-se a trabalhos domésticos.

(D) A discussão final entre a Velha e a filha marca duas posições opostas e irreconciliáveis, o que as torna personagens individualizadas em oposição ao tipo do fidalgo pobre, representado por Aires Rosado.

(E) A sátira à sociedade portuguesa vincula-se a uma crítica de personagens, representando Isabel uma geração superada historicamente.

6.(PSS/UFPA-2007) Sobre as personagens femininas do Auto da Índia, de Gil Vicente, é CORRETO afirmar:

a) A Ama simboliza o modelo tradicional de esposa e permite estabelecer uma crítica severa ao adultério feminino.

b) A Ama, personagem principal do auto, apresenta-se como “moça e fermosa” e vale-se disso para justificar sua conduta na ausência do marido.

c) A Moça, por criticar o comportamento incorreto da Ama, foge à tipificação característica do teatro vicentino.

d) A Moça é a personagem principal, girando em torno dela toda a ação. Vale-se da mentira e da astúcia para enganar a Ama.

e) Constança representa o tipo dos dependentes domésticos, que não ousam questionar a autoridade dos patrões.

7. Sobre o Humanismo, identifique a alternativa falsa:
a) Em sentido amplo, designa a atitude de valorização do homem de seus atributos e realizações.
b) Configura-se na máxima de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas”.
c) Rejeita a noção do homem regido por leis sobrenaturais e opõe-se ao misticismo.
d) Designa tanto uma atitude filosófica intemporal quanto um período especifico da evolução da CULTURA ocidental.
e) Fundamenta-se na noção bíblica de que o homem é pó e ao pó retornará, e de que só a transcendência liberta o homem de seu insignificância terrena.

8.Ainda sobre o Humanismo, assinale a afirmação incorreta:
a) Associa-se à noção de antropocentrismo e representou a base filosófica e cultural do Renascimento.
b) Teve como centro irradiador a Itália e como precursor Dante Alighieri, Boccaccio e Petrarca.
c) Denomina-se também Pré-Renascentismo, ou Quatrocentismo, e corresponde ao século XV.
d) Representa o apogeu da cultura provençal que se irradia da França para os demais países, por meio dos trovadores e jograis.
e) Retorna os clássicos da Antiguidade greco-latina como modelos de Verdade, Beleza e Perfeição.

9.Sobre a poesia palaciana, assinale a alternativa falsa:
a) É mais espontânea que a poesia trovadoresca, pela superação da influência provençal, pela ausência de normas para a composição poética e pelo retorno á medida velha.
b) A poesia, que no trovadorismo era canto, separa-se da música, passando a ser fala. Destina-se à leitura individual ou à recitação, sem o apoio de instrumentos musicais.
c) A diversidade métrica da poesia trovadoresca foi praticamente reduzida a duas medidas: os versos de 7 sílabas métricas (redondilhas menores).
d) A utilização sistemática dos versos redondilhas denominou-se medida velha, por oposição à medida nova, denominação que recebemos os versos decassílabos, trazidos da Itália por Sá de Miranda, em  1527.
e) A poesia palaciana foi compilada em 1516, por Garcia de Resende, no Cancioneiro Geral, antologia que reúne 880 composições, de 286 autores, dos quais 29 escreviam em castelhano. Abrange a produção poética dos reinados de D. Afonso V (1438-1481), de D. João II (1481-1495) e de D. Manuel I – O Venturoso (1495-1521)

10.O Cancioneiro Geral não contém:
a) Composições com motes e glosas.                d) Cantigas e esparsas.
b) Trovas e vilancetes.                                           e) Composições na medida velha.
c) Sonetos e canções.


11.A obra de Fernão Lopes tem um caráter:
a) Puramente científico, pelo tratamento documental da matéria histórica;
b) Essencialmente estético pelo predomínio do elemento ficcional;
c) Basicamente histórico, pela fidelidade à documentação e pela objetividade da linguagem científica;
d) Histórico-literário, aproximando-se do moderno romance histórico, pela fusão do real com o imaginário.
e) Histórico-literário, pela seriedade da pesquisa histórica, pelas qualidades do estilo e pelo tratamento literário, que reveste a narrativa histórica de um tom épico e compõe cenas de grande realismo plástico, além do domínio da técnica dramática de composição.

12.(FUVEST) Aponte a alternativa correta em relação a Gil Vicente:
a) Compôs peças de caráter sacro e satírico.
b) Introduziu a lírica trovadoresca em Portugal.
c) Escreveu a novela Amadis de Gaula.
d) Só escreveu peças e português.
e) Representa o melhor do teatro clássico português.
13.(FUVEST-SP) Caracteriza o teatro de Gil Vicente:
a) A revolta contra o cristianismo.
b) A obra escrita em prosa.
c) A elaboração requintada dos quadros e cenários apresentados.
d) A preocupação com o homem e com a religião.
e) A busca de conceitos universais.

14.(Unitau-SP).Em relação a Gil Vicente, é incorreto dizer que
a) recebeu, no início de sua intensa atividade literária, influência de Juan del Encina.
b) sua primeira produção teatral foi “Auto dos Reis Magos”.
c) suas obras se caracterizaram, antes de tudo, por serem primitivas e populares.
d) suas obras surgiram para entretenimento nos ambientes da corte portuguesa.
e) seu teatro caracterizou-se por observações satíricas às camadas sociais da época.

15.( MACK-SP) Marque a alternativa incorreta a respeito do Humanismo:
a) Época de transição entre a Idade Média e o Renascimento.
b) O teocentrismo cede lugar ao antropocentrismo.
c) Fernão Lopes é o grande cronista da época.
d) Garcia de Resende coletou as poesias da época, publicadas em 1516 com o nome de Cancioneiro Geral.
e) A Farsa de Inês Pereira é a obra de Gil Vicente cujo assunto é religioso, desprovido de crítica social.

(MACK – SP) Na passagem da Idade Média para o Renascimento, dois escritores portugueses se destacaram, por apresentar características que já previam uma nova tendência  filosófica e artística.

Trata-se de:

a)Fernão Lopes e Gil Vicente                       d)Camões e Bocage

b)D. Dinis e Paio Soares de Taveirós           e) Padre Antônio Vieira e Gregório de Matos

c)Garcia de Resende e Aires Teles

17.( UM-SP ) Assinale a alternativa em que se encontra uma afirmação incorreta sobre a obra de Gil Vicente.

a)Sofre a influência de Juan del Encina, principalmente no teatro pastoril de sua primeira fase.

b)Seus personagens representam tipos de uma vasta galeria de estratos da sociedade portuguesa da época.

c)Por viver em pleno Renascimento, apega-se aos valores greco-romanos, desprezando os princípios da Idade Média.

d)Um dos maiores valores de sua obra é ter contrabalançado uma sátira contundente como pensamento cristão.

e)Suas obras-primas, como a Farsa de Inês Pereira, são escritas na terceira fase de sua carreira, período de maturidade intelectual.

18.Todo o Mundo: Folgo muito em enganar e mentir nasceu comigo.

Ninguém: Eu sempre verdade digo sem nunca me desviar.

Belzebu: Ora escreve lá compadre, não sejas tu preguiçoso.

Dinato: Que?

Belzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso e Ninguém diz a verdade.

O texto afirma que:

a)todo o mundo é mentiroso.                                       d)ninguém diz a verdade.

b)Ninguém é mentiroso.                                              e)Todo o Mundo é mentiroso.

c)todo o Mundo diz a verdade.

 

19.Sobre o teatro de Gil Vicente, é correto afirmar:

a)não tem como objetivo a moralização dos costumes.

b)foi todo escrito em português.

c)segue fielmente o modelo do teatro clássico grego.

d)apresenta um rico painel da sociedade portuguesa do início do século XVI.

e)apresenta personagens e situações fora do contexto social de sua época.

 

20.Das obras abaixo, assinale aquela que não faz parte da chamada trilogia das barcas:

a) Auto da barca do céu                                d) Auto da barca do inferno.

b) Auto da barca da glória                           e) Auto da barca do purgatório

e) Nenhuma das anteriores

 

21.Sobre o Humanismo português, julgue os itens a seguir:

I.No seu contexto histórico, o Humanismo marca uma fase de transição entre o teocentrismo medieval e o antropocentrismo renascentista.

II.Também no plano histórico, podemos constar ainda o renascimento urbano, crises na Igreja e no Feudalismo.

III.Para fins didáticos, podemos dividir as produções literárias do Humanismo em três grupos: o teatro vicentino, a prosa palaciana e a poesia historiográfica.

IV.Gil Vicente escreveu principalmente autos e farsas, nos quais ele tecia críticas à sociedade através do humor, respeitando a máxima do teatro da época: ridendo, castigat mores, ou seja, “rindo, corrigem-se os costumes.

Estão corretas todas as afirmativas, com exceção de:

a) I, III, IV                b) III               c) I, III                d) II, IV               e) I, II, III

 

22. (Mackenzie-SP) – Gil Vicente, autor representativo do Humanismo em Portugal, (1) revela-nos, em sua obra lírica, (2) uma ambivalência típica desse período (3) de um lado, a ideologia teocêntrica do mundo medieval; (4) de outro, influenciado pelo antropocentrismo emergente, (5) é o analista mordaz da sociedade portuguesa do século XVI. É esse ambivalência que o situa como autor de transição: (6) entre o humanismo e o antropocentrismo. (7) Dos fragmentos destacados:
a- Todos estão corretos.
b- Todos estão incorretos.
c- Apenas 4 e 5 estão incorretos.
d- Apenas 2 e 7 estão incorretos.
e- Apenas 2, 5 e 7 estão incorretos.

 

23.(UniCOC-SP) Considere as seguintes asserções sobre o teatro de Gil Vicente.

I.Autos pastoris, autos de moralidade e farsas são gêneros cultivados pelo autor.

II.O espírito crítico cultivado pelo teatro vicentino são poupa o clero corrupto, que é ridicularizado.

III.As personagens do autor representam tipos sociais como alcoviteiras, velhos ridículos, maridos ingênuos, nobres pedantes, entre outros.

Deve-se afirmar que:

a) I, II e III estão corretas                                                    d) apenas I e II estão corretas

b) apenas I e III estão corretas                                         e) apenas II está correta

c) apenas II e III estão corretas