ANÁLISE DE SENTIMENTO DO MUNDO

SENTIMENTO

       Sentimento do Mundo (1940), o terceiro livro de Carlos Drummond de Andrade, marca uma sensível mudança na orientação da poesia do autor, comentada por ele próprio:

Meu primeiro livro, Alguma Poesia (1930), traduz uma grande inexperiência do sofrimento e uma deleitação ingênua com o próprio indivíduo. Já em Brejo das Almas (1934)m alguma coisa se compôs, se organizou; o individualismo será mais exacerbado, mas há também uma consciência crescente de sua precariedade e uma desaprovação tácita da conduta ( ou falta de conduta) espiritual do autor. Penso ter resolvido as contradições elementares de minha poesia num terceiro volume, Sentimento do Mundo.”

      Quando Drummond afirma em Sentimento do Mundo que pensa ter resolvido as contradições elementares de sua poesia, refere-se às contradições ente o Eu e o Mundo – o veio principal da sua obra poética.

     Nessa fase, o eu lírico dos poemas manifesta interesse pelos problemas da vida social, da qual estivera isolado até então: nela pode-se perceber – “EU MENOR QUE O MUNDO”: compromissada com a poesia social, engajada.

     Essa mudança de postura diante da realidade observada nos poemas drummondianos relaciona-se, sem dúvida, ao contexto histórico. No período de gestação da obra em análise que pertence à segunda fase (1935-1945) do autor, o mundo presenciou a ascensão do nazifascismo, a guerra na Espanha e a Segunda Guerra Mundial; no Brasil, tiveram lugar ainda a Intentona Comunista (1935) e a ditadura de Vargas (1937-1945). Em todo o mundo se verificava o crescimento de uma literatura social, engajada em uma causa política.

     Além disso, pode-se supor que o gauche da primeira fase percebe que o gauchismo não lhe é exclusivo, é universal. Todos os homens são gauches, pois essa é a consequência de se estar em um mundo problemático. Portanto, em vez de o Eu se excluir do mundo, tenta transformá-lo e garantir nele o seu espaço.

     Essa consciência de debilidade do mundo e da necessidade de transformá-lo levou o poeta a simpatizar com o Partido Comunista e com a causa socialista. A adesão do poeta aos problemas de seu tempo e o sentimento de solidariedade diante das frustrações e das esperanças humanas resultaram na criação da melhor poesia social brasileira do século passado.

TÍTULOS DOS POEMAS QUE COMPÕEM  A OBRA

     A obra Sentimento do Mundo, composta de 28 poemas marcados pela solidão, às vezes, pela impotência do homem, diante de um mundo frio e mecânico, confirmando a abordagem mais conhecida da poesia desse poeta que procurou que procurou equacioná-la a partir da dialética “ EU X MUNDO”

Sentimento do Mundo

Confidência do Itabirano

Poema da Necessidade

Canção da Moça-Fantasma de Belo Horizonte

Tristeza do Império

O Operário do Mar

Menino Chorando na Noite

Morro da Babilônia

Congresso Internacional do Medo

Os Mortos de Sobrecasaca

Brinde no Juízo Final

Privilégio do Mar

Inocentes do Leblon

Canção de Berço

Indecisão do Méier

Bolero de Ravel

La Possession du Monde

Ode no Cinquentenário do Poeta Brasileiro

Os Ombros Suportam o Mundo

Mãos Dadas

Dentaduras Dupla

Revelação do Subúrbio

A Noite Dissolve os Homens

Madrigal Lúgubre

Lembrança do Mudo Antigo

Elegia 1938

Mundo Grande

Noturno à Janela do Apartamento

ANÁLISE DOS POEMAS

 SENTIMENTO DO MUNDO

Tenho apenas duas mãos

e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

    O poema que abre a obra SENTIMENTO DO MUNDO possui o mesmo título, reiterando o seu compartilhamento com o momento difícil porque passavam naquele momento. Momento de dor, de choque, de medo, por isso o autor se penaliza por ter apenas duas mãos, ele gostaria de poder se doar mais, afinal as mãos simbolizam a sua consciência latente do mundo e do sofrimento que cercam todos. Daí, a solidariedade presente, ele abre a mão para a humanidade. Sabedor de que com a partilha, a cooperação de todos, poderá ser suavizado o sofrimento, entretanto, infelizmente o autor afirma estar “cheio de escravos”, ou seja, ele se sente preso e incapaz de vivenciar a vida e a humanidade, declara-se, portanto impotente. Como bem atesta a passagem – “ mas estou cheio de escravos” – , ele percebe também as forças sociais que escravizam e impossibilitam os homens de se humanizarem, como se pode perceber nos versos: “ os camaradas não disseram / que havia uma guerra / e que era necessário / trazer fogo e alimento”. Logo, justifica-se na terceira estrofe, quando pede perdão por se sentir impossibilitado para ajudá-los.

       No final do poema, a constatação de que o ingresso no mundo exterior está marcado pela noite, pela escuridão, em uma clara alusão à privação da clareza, da liberdade, da impossibilidade.

CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO

Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa…

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Talvez a mais importante manifestação temática de sua obra seja o passado. O poeta volta-se para sua família e a sua província. Era filho de fazendeiros e naquele tempo pretérito o universo tinha um sentido histórico e individual. Drummond, através de reminiscências, recupera esse tempo. Não com a nostalgia romântica da infância. Mas, reconquista o passado como quem procura uma explicação para si mesmo. Logo, todo o recuo temporal em Carlos Drummond de Andrade será uma forma de conhecimento do presente.

Ele evoca a grandeza de uma classe morta, a estrutura patriarcalista, visando um melhor entendimento de sua estrutura “gauche”. O passado ilumina o presente: o poeta se reconhece em antigas situações familiares, como a cidade natal, a casa, especificamente a sala de visitas. Todavia, por mais que as recordações esclareçam a existência atual, não são fortes o suficiente para fornecer princípios de vida ao poeta. Ele está sozinho e não encontra saída. De qualquer forma, mesmo sabendo que o passado não voltará, ele recolhe as suas raízes em: Confidência do Itabirano.

POEMA DA NECESSIDADE

É preciso casar João,
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.

        Neste poema, o poeta estabelece vínculo com o mundo que o cerca, demonstrando que ele necessita dessa aproximação como atesta o uso do recurso estilístico – a anáfora – repetição da expressão “é preciso” que reafirma essa necessidade. O poeta enumera ações humanas que são vivenciadas no dia a dia para justificar o final que dá ao poema – “e anunciar o FIM DO MUNDO” – que é o fim de todas as tradições as quais prendem o homem, dando significado à vida, mesmo que tais ações aprisionam, sejam elas frustrações ou a política opressiva que rege o mundo exterior.

CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

     O objetivo do eu lírico é cantar o medo que se expande e isto só é possível, porque o medo é personificado, pois ele tem poder de esterilizar os braços, bloqueando a ação do poeta e, ainda, esse medo se faz presente em todos os lugares. Inviável procurar fugir, mas o medo, também está no pai, na mãe, no companheiro. Como conseguir ajuda? Nem mesmo com a morte se escapa do medo, porque, mesmo em nossos túmulos nascerão flores medrosas. Nada pode interrompê-lo, não há obstáculo.

OS MORTOS DE SOBRECASACA

Havia a um canto da sala um álbum de fotografias intoleráveis,
alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,
em que todos se debruçavam
na alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.

Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentes
e roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos retratos.

Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentava
que rebentava daquelas páginas.

No poema, o autor enfatiza a comunicação entre a vida e a morte, já que elas se encontram ligadas por meio de um álbum, em que todos – os vivos – debruçavam, zombando das fotos de pessoas em antigas e estranhas vestimentas – “mortos de sobrecasaca” -, sem perceber “ o imortal soluço de vida que arrebentava daquelas páginas”.

Carlos Drummond de Andrade compara o álbum a um túmulo, porque ali jazem todos os mortos, inclusive aos poucos roídos por um verme, agente, literariamente, consagrado da morte.

BRINDE NO JUÍZO FINAL

Poetas de camiseiro, chegou vossa hora,

poetas de elixir de inhame e de tonofosfã,

chegou vossa hora, poetas do bonde e do rádio,

poetas jamais acadêmicos, último ouro do Brasil.

em vão assassinaram a poesia nos livros,

em vão houve putschs, tropas de assalto, depurações.

os sobreviventes aqui estão, poetas honrados,

poetas diretos da Rua Larga.

(As outras ruas são muito estreitas,

só nesta cabem a poeira,

o amor

e a Light.)

A sutilidade é a marca desse poeta e mais uma vez ele demonstra essa habilidade ao criticar os autores acadêmicos que se distanciaram dos problemas sociais e, ao mesmo tempo, elogia os poetas populares, que tematizavam todos os temas desde um anúncio – elixir de inhame à luz da Light – empresa de energia elétrica.

OS INOCENTES DO LEBLON 
Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
Trouxe imigrantes?
Trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.

        Dois verbos presentes no poema são fundamentais para perceber a crítica à elite: “IGNORAM” e “ESQUECEM”. O primeiro sugere que as pessoas não veem a realidade (os imigrantes, a exploração etc.). O segundo, entretanto, torna impossível aceitar que não veem, já que não é possível esquecer o que não se viu. Portanto, se os “inocentes do Leblon” esquecem, é porque não são tão inocentes assim, mas preferem não ver, não agir para se manterem alienados à realidade social. É quando assume a “vida presente” como matéria de sua poesia, como faz neste poema, que Drummond marca o papel do escritor como intérprete de seu tempo.

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.”

Os Ombros não suportam o mundo declara a aceitação, a impotência do eu lírico diante da realidade o circunda, afinal o autor parece não acreditar mais em nada: perdeu a crença no amor, “ … o amor resultou inútil” visão pessimista diante dos problemas do mundo, já que o amor, em geral, funciona como uma força transformadora, que implica abnegação, paciência, envolvimento, compaixão. Os esforços depreendidos nesse sentimento, no comprometimento com o outro, não servem para o que realmente importa, a única certeza daquele momento: viver sem mistificação. Também não acredita na partilha “e nada esperas de teus amigos”, porque todos os problemas, as guerras, a fome, tudo o que exige mudança, transformação está sobre os ombros de todos os homens.

Só o real existe e é estupidamente errado como atestam os últimos versos do poema. Contudo, mesmo diante dessa constatação, não adianta fugir, não adianta buscar consolo – nada dissolve a visão prática do mundo. Para Drummond o mundo é errado, não por princípios, mas porque assim o fazem. Por isso, os dois últimos versos do poema apresentam o pessimismo mais vigoroso, porque sugere que não há lugar mágico para o qual se possa fugir, nem dentro da própria vida, tampouco fora dela. Vivê-la apenas com tudo o que ela contém de dor, de absurdo e de sem sentido é o que resta.

 MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

     Desinteressado do passado –  o mundo caduco – ou do futuro, o eu lírico anuncia neste poema o compromisso com seus semelhantes. A face social da poesia de Drummond também se manifesta sob a forma de denúncia da alienação da elite. Preso ao presente, ele cantará os heróis de Stalingrado, os homens do povo, a “vida sem mistificação.

A NOITE DISSOLVE OS HOMENS

A noite desceu. Que noite!

Já não enxergo meus irmãos.

E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.

A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,

nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão.

A noite caiu. Tremenda, sem esperança…

Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os guerreiros.

E o amor não abre caminho na noite.

A noite é mortal, completa, sem reticências,

a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,

a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!

nas suas fardas.

A noite anoiteceu tudo… O mundo não tem remédio…

Os suicidas tinham razão.

Aurora, entretanto eu te diviso,

ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender

e dos bens que repartirás com todos os homens.

Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,

adivinho-te que sobes,

vapor róseo, expulsando a treva noturna.

O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos,

teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que avançam

na escuridão

como um sinal verde e peremptório.

Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,

minha carne estremece na certeza de tua vinda.

O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes

se enlaçam,

os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um perdão

simples e macio…

Havemos de amanhecer.

O mundo se tinge com as tintas da antemanhã

e o sangue que escorre é doce, de tão necessário

para colorir tuas pálidas faces, aurora.

       O tumulto no interior do poeta é grande e aqui é simbolizado pela antítese noite x aurora amanhecer. A noite representa as adversidades que a vida oferece, daí a necessidade de vigília, atenção, cuidado, já a aurora é o despertar, despertar para a vida, pois o novo dia surge e com ele a liberdade para brindar aqueles que se esforçaram e lutaram contra as forças das trevas: opressão. O novo dia anuncia que os esforços dos homens não foram inúteis, visto que o dia triunfará sobre a noite. O desejo do poeta de transformar o mundo exterior só é possível mediante a modificação do mundo interior. O EU de fato está relacionado com o MUNDO.

COMENTÁRIOS

 Os temas desenvolvidos em cada poema que compõe a obra tendem à universalização, sobretudo em função das crises vivenciadas pelo autor naquele momento. A problemática social é uma constante: a indignação frente aos rumos políticos do mundo; e medo e perplexidade diante das guerras; os abismos sociais gerados pelo econômico; enfim, a incerteza decorrente de tudo isso estão, profundamente, presentes nos poemas mostrando a precariedade da vida, pois Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.”

FONTE;

CEREJA, William Roberto. Literatura Brasileira 3ª ed. São Paulo: Atual, 2005

OLIVEIRA, Clenir Bellezi. Arte Literária Editora Moderna

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Paródia sobre o Expressionismo

O GRITO

Vamos falar do expressionismo
Preste atenção
deforma a realidade
Dá valor à expressão
Com cor intensa
E imagem sugestiva
Denúncias sociais
E coisas doloridas

E foi lá na Alemanha
Que tudo começou
Chegando aqui no Brasil
E quem representou
Raul Pompeia
E Mário de Andrade
Não vamos nos esquecer da Anita Malfatti

A intenção do movimento
Era retratar
As coisas que a gente vê
Mas com emoção
Deixando a realidade de lado
E usando o coração
E os temas que eles mais gostavam
De usar
De solidão até miséria
O resto a gente vai explicar
Depois da nossa paródia

Proposta de trabalho:  professora Zamira

Disciplina: Literatura Brasileira

Série: 2º Ano do Ensino Médio
Componentes do grupo: Mariana Freitas, Guilherme Ballini, Isabela Santana e Marcelo Paulino
Música original: Clichê – Jorge e Matheus

I JUCA PIRAMA

I JUCA

       Publicado em 1851 no livro ÚLTIMOS CANTOS, esse é o mais famoso e o mais importante poema indianista de Gonçalves Dias. Composto em dez pequenos cantos, nele o autor obtém o máximo de seus recursos expressivos, sobretudo pela força das imagens e pela riqueza e variedade dos ritmos. A concepção épico-dramática do poema nos oferece odos os elementos do indianismo: lutas, coragem, defesa da honra, merecimentos pelo valor pessoal, enfim, o heroísmo cavalheiresco revivido no selvagem idealizado. I Juca Pirama, segundo o autor, significa “ O QUE HÁ DE SER MORTO, E QUE É DIGNO DE SER MORTO.”

       O poema I Juca Pirama ilustra características dos poemas indianistas do autor. Nele é narrada a história do último descendente da tribo tupi, feito prisioneiro pelos índio timbiras. O poema começa apresentando o cenário da aldeia onde o prisioneiro será morto e, depois, devorado em um ritual antropofágico:

No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.
São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
As tribos vizinhas, sem forças, sem brio,
As armas quebrando, lançando-as ao rio,
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes acendem,
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.
No centro da taba se estende um terreiro,
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno dum índio infeliz. […]

 O INDIANISMO

        A temática indianista desenvolvida na Primeira Geração Romântica é mais do que uma convecção poética. Trata-se da reafirmação do intuito nacionalista, consequência direta de um processo de nativismo, posterior à Independência.

       Em geral, essa literatura é uma mescla de elementos pitorescos – os habitantes do novo mundo -, com elementos europeus – o mito de “bom sauvage” -, com elementos idealistas – os índios são inverossímeis, e ainda com alguns elementos etnográficos que dão um tom “verdadeiro” ao poema I Juca Pirama (roupagens, armas, costumes etc.), como atesta o fragmento:

[…]

São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
As tribos vizinhas, sem forças, sem brio,
As armas quebrando, lançando-as ao rio,
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes acendem,
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.
No centro da taba se estende um terreiro,
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno dum índio infeliz.
Quem é? – ninguém sabe: seu nome é ignoto,
Sua tribo não diz: – de um povo remoto
Descende por certo – dum povo gentil;
Assim lá na Grécia ao escravo insulano
Tornavam distinto do vil muçulmano
As linhas corretas do nobre perfil.
Por casos de guerra caiu prisioneiro
Nas mãos dos Timbiras: – no extenso terreiro
Assola-se o teto, que o teve em prisão;
Convidam-se as tribos dos seus arredores,
Cuidosos se incubem do vaso das cores,
Dos vários aprestos da honrosa função.
[…]

      Gonçalves Dias, contudo, prima pela boa qualificação estética. O autor demonstra, em seu poema, ter grande conhecimento da vida aborígene bem como apresentar o índio que não sofreu influência do homem branco.

       Pode-se dizer que a síntese do indianismo de Gonçalves Dias é I Juca Pirama. Através de um belíssimo jogo de ritmos: o ritmo varia de uma parte do poema a outra, traduzindo a multiplicidade de situações do argumento; através de uma linguagem precisa; e através da exaltação da bravura tupi, pois ela se afirma tão somente no final do poema, I Juca Pirama ainda pode ser lido comprazer. O lamento do guerreiro tupi preso numa aldeia timbira é famoso:

Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.  […]

      O índio no seu canto de morte lembra o velho pai, cego e débil, vagando sozinho, sem arrimo pela floresta, e começa a chorar. Então é solto pelo chefe timbira que não quer devorar um covarde. Perambula pela floresta até encontrar o pai que pelo cheiro das tintas do ritual e algumas perguntas, descobre a fraqueza do filho diante dos inimigos. Neste momento, o velho índio tupi maldiz seu descendente:

“Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Seres presa de vis Aimorés. […]

      O velho dirige-se, então, à aldeia timbira, mas o jovem, vendo o exemplo paterno, arma-se e parte para a luta com um grupo de inimigos e assim orgulhando o pai.

      A técnica poética do autor contribui para a magia do poema; logo após este acontecimento, ficamos sabendo que tudo aquilo era passado porque  no presente havia apenas a recordação do fato por um velho timbira:
Um velho Timbira, coberto de glória,
Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Dizia prudente: – “Meninos, eu vi!
“Eu vi o brioso no largo terreiro
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente, como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest’hora diante de mi.
“Eu disse comigo: Que infâmia d’escravo!
Pois não, era um bravo;
Valente e brioso, como ele, não vi!
E à fé que vos digo: parece-me encanto
Que quem chorou tanto,
Tivesse a coragem que tinha o Tupi!”
Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava prudente: “Meninos, eu vi!”. 

      O efeito desse drama que interrompe o ritual antropofágico dá densidade psicológica ao poema e faz a maldição do pai impressionar mais os leitores. Em lugar de reconhecer o esforço do filho, que abdicou da própria honra para proteger o pai, ele interpreta o gesto de amor como covardia e afirma: “Não descende o cobarde do forte,/ pois choraste, meu filho não és!”.

     Para se redimir, o tupi volta à tribo timbira e se entrega para ser morto. É nesse ponto que fica claro o sentido do título do poema. A bravura demonstrada pelo índio o dignifica diante dos inimigos. O chefe dos timbiras, quando percebe que o jovem será massacrado por seus guerreiros, ordena que o soltem: pela coragem demonstrada, o tupi merece viver.

RESUMO DA OBRA

      Um índio tupi conduzia o seu pai, um velho cego, pelas matas. Procurando caça para se alimentarem, foi aprisionado pelos timbiras. Quando se iniciava o festim em que seria morto e devorado, o índio tupi, lembrando-se do ai abandonado na mata, pediu, entre lágrimas, que o libertassem, sob a condição de retornar quando o pai não mais existisse. O chefe timbira ordenou então que o soltassem, dizendo que não queria “com carne vil enfraquecer os fortes”. Seu pranto era tomado como covardia diante da morte. O jovem tupi foi solto, mas o pai obrigou-o a retornar à taba timbira para pedir, ele mesmo, a morte do filho. O discurso do velho tupi no canto VIII é a parte mais bela e mais impressionante do poema. Revoltado com as palavras do pai, que o acusava de covarde, o moço atirou-se à luta com tal bravura, que o chefe timbira reconheceu sua coragem.

FONTES:

Abaurre, MARIA Luiza M. – Português: contexto,  interlocução e sentido. São Paulo: Moderna, 2008

GONZAGA, Sergius. Manual de Literatura Brasileira. 5ª ed. Mercado Aberto.

Paródia sobre o Futurismo‏

FUTURISMO i

O nosso trabalho hoje vai falar
Literatura futurista
Não achei nada pra rimar
Então vamos logo começar
Nas suas características
Na poesia eles gostavam de certa velocidade
Pra essa sensação eles fragmentavam frases
Curtiam onomatopeia também
Propaganda como forma de
Comunicação
Nova tecnologia, sem nenhuma tradição
Minhas informações esgotei
Mas tudo bem, okay
Só digo pra vocês
O nosso trabalho hoje é falar
Literatura futurista
Se vocês se sentiram perdidos
Vou falar sobre o contexto
Verso sem nada olha que legal
Surgiu na França no final do século XIX
Dia 20, fevereiro, 1909
Com o manifesto futurista
Publicado pelo poeta Fellipo Marinetti
Era italiano, nada pra rimar com éti
Liberdade para as palavras
Esse era o slogan que eles curtiam usar
Acho que outro refrão já está para chegar
Com ele o final da paródia
Mas tudo bem, okay
Espero nosso 10
O nosso trabalho precisa falar
de alguns autores futuristas
Vamos falar dos principais
É rápido e nada demais
Ou talvez façamos uma lista
Não
Vladimir Maiakoviski
Fellipo Marinetti
Oh oh oh oh oh oh oh
Fernando Pessoa também
Oswald de Andrade ,tem.
Yeah yeah yeah yeah yeah
Final
O nosso trabalho hoje falou
futurismo, contexto e autor
Falamos isso bem relax
Ainda queremos um 10
Uma pena que isso já vai acabar
Me dá o meu 10
Tuturu tuturu tururu
Me dá o meu 10
Tuturu tuturu turryru
Me dá o meu 10

     Alunos: Alicia, Camila Erhart, Camila Leal, Leticia Vanzeli e Rafael José
Sala: 2º ano A
Paródia da música The lazy song do cantor Bruno Mars