DICAS DE MEMORIZAÇÃO

PESSOA ESTUDANDO

DICAS PARA ACELERAR A APRENDIZAGEM

De forma bem simples, podemos dizer que “aprender é memorizar (sejam dados ou procedimentos) de tal forma que essas informações sejam facilmente lembradas quando precisarmos delas”. 

PESSOA ESTUDANDO

Então, a maneira de aprender é decisiva. Se você tenta memorizar amontoando informações, desordenadamente, terá dificuldades de lembrar. No entanto, se você “ASSOCIA” as informações, terá mais facilidade para recuperá-las na memória.

PESSOA ESTUDANDO

Um exemplo: se você tem dúvida se sargento se escreve com G ou com J, pode memorizar simplesmente associando “SARGENTO” com “GARCIA” (aquele conhecido personagem dos filmes do Zorro). Veja como você poderia fazer o desenho dessa informação:

                                                  SARGENTO 

                                                    GARCIA

Feito isso, basta colar este “desenho” na mesa onde você estuda ou trabalha, e deixar lá por alguns dias. Você nunca mais esquecerá.

Você vai gastar pouco tempo para fazer esse desenho, bem menos do que gastaria se usasse os métodos convencionais de memorização.

PESSOA ESTUDANDO

Há também outros aspectos importantes que devem ser considerados. Por exemplo: 
As pessoas costumam ler livros didáticos ou apostilas de forma desordenada, muitas vezes até alucinadamente, afinal elas “precisam aprender” e acham que lendo depressa reterão mais informações. No entanto, isso é um erro grave. Em vez de agir assim, faça desta forma:

1 – Só comece a estudar quando estiver relaxado. Não adianta estudar estando ansioso. Tome um suco de maracujá ou um chazinho suave de erva-cidreira. Só então pegue no livro;
2 – Divida o tempo que você vai gastar na leitura, em blocos de no máximo 6 minutos. Enquanto lê, vá circulando as informações importantes e ligando-as por setas coloridas. Como se estivesse “brincando de estudar”.

3 – A cada 6 minuto pare uns 2 minutos. Levante-se, ande um pouco, converse com alguém. Só depois continue a leitura;
4 – Não se preocupe em memorizar nada. Isso só fará aumentar sua tensão. Simplesmente vá lendo e circulando as informações importantes.
5 – A cada meia-hora, pare por uns cinco minutos. Dê uma relaxada.
6 – Recomece voltando ao início, passando os olhos pelas informações assinaladas e vá fazendo (numa folha de papel branco) um mapa mental, tal como mostramos na ilustração a seguir. Faça o mais colorido e expressivo que puder. A qualidade do seu desenho vale pouco; o que vai valer é o ato de “desenhar as informações”. Isso facilitará muito o trabalho da memória.

7 – Cole esse mapa na sua mesa ou na parede. Deixe-o lá por alguns dias e dê uma passadinha de olhos nele sempre que puder, porém, bem naturalmente.
8 – Se pretende continuar lendo por mais de meia-hora, divida o tempo em blocos assim como descrito acima.
9 – Não ultrapasse duas horas contínuas de leitura. Lembre-se que nosso cérebro esgota com facilidade quando submetido muito tempo a uma mesma operação. Se, contudo, for muito necessário, a cada duas horas dê uma paradinha de 15 minutos; ouça música, tome um suco, divirta-se um pouquinho.
10 – Lembre-se de que “correr para aprender” não é “acelerar a aprendizagem”.

PESSOA ESTUDANDO

Nota importante: O “Jogo da Memória” – que todo mundo conhece – é um exercício e tanto para melhorar a concentração, desenvolver a percepção e descontrair a mente. Jogue sempre que estiver preocupado, tenso.

Anúncios

Análise de O Ateneu, Crônica de Saudades

O ATENEU

O ATENEU, CRÔNICA DE SAUDADES.

       O Ateneu (1888), que traz como subtítulo: Crônica de Saudades, foi consagrado pela crítica como uma das obras mais inteligentes da Literatura Brasileira. Fortemente autobiográfica, a obra parte da experiência pessoal do autor em um sistema de internato. No caso, o colégio Abílio. Marcado de forma radical por essa experiência, trata de recriá-la em termos artísticos, valendo-se para isso de um personagem chamado Sérgio. Projeção de Raul Pompeia, Sérgio evoca – em 1ª pessoa – o início de sua adolescência passada no internato. E o leitor tem a visão de um sujeito adulto que lembra os acontecimentos. Não a visão que o menino teria ao ingressar no internato. Assim, o romance é a memória adulta de uma experiência juvenil. Atente-se para o primeiro parágrafo do livro:

   “Vais encontrar o mundo”, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. “Coragem para a luta.”
Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. “

     Vê-se aí que o narrador, no presente (idade madura ), analisa os dados do passado. Suas lembranças confundem-se com os julgamentos que emitirá sobre a existência no educandário. Não há, pois, uma história encadeada, um enredo propriamente dito, e sim um acúmulo de fatos, percepções, situações e impressões, que servem para indicar a psicologia e a estrutura social do mundo do internato. O próprio tempo objetivo da ação dissolve-se na densa subjetividade do narrador.

     A inexistência de uma intriga, à maneira romântica ou realista, favorece os desígnios de Raul Pompeia – ele não quer contar a vida no Ateneu, ele quer desmascará-la e interpretá-la. Os episódios servem como desvelamentos sucessivos da corrupção e da miséria moral que habitavam o colégio. O romance denota sempre uma atmosfera de crise. Sobretudo, a crise das ilusões de Sérgio:

   “Onde metera a máquina dos meus ideais naquele mundo de brutalidade que me intimidava com os obscuros detalhes e as perspectivas informes, escapando à investigação de minha inexperiência?”

A CORRUPÇÃO

     Sensível ao extremo, Sérgio percebe, angustiado, o cair das aparências. “ Solitário e solidário” – consoante análise do crítico Astrogildo Pereira – procura ligações autênticas com os colegas. Mas o que encontra é a brutalidade, a vontade de poder, a exploração e o homossexualismo. Todas as camaradagens são efêmeras e dissimuladas:

     “Um cáfila! (dizia Rebelo) Não imagina, meu caro Sérgio. Conte como uma desgraça ter de viver com esta gente, (…) Aí vão as carinhas sonsas, generosa mocidade… Uns perversos. Têm mais pecados na consciência que um confessor no ouvido; uma mentira em cada dente, um vício em cada polegada de pele. Fiem-se neles. São servis, traidores, brutais, adulões. Vão juntos. Pensa-se que são amigos… Sócios de bandalheiras! Cheiram à corrupção, empestam de longe.”

      Há no colégio uma explícita divisão entre fortes e fracos. O relacionamento estre os colegas reduplicava os valores do universo social: opressores e oprimidos. A saída dos frágeis é o homossexualismo, com o qual adquirem a “proteção” de um dos rapazes mais fortes:

     “Isto é uma multidão; é preciso força de cotovelos para romper. (…) Os gênios fazem aqui dois sexos, como se fosse uma escola mista. Os rapazes tímidos, ingênuos, sem sangue, são brandamente impelidos para o sexo da fraqueza; são dominados, festejados, pervertidos como meninas ao desamparo. (…) Faça-se homem, meu amigo! Comece por não admitir protetores.”

     Dificilmente, contudo, alguém se isenta do homossexualismo sub-reptício ou direto que assalta as salas de aula, os corredores e os dormitórios de o Ateneu. Exceção feita a Rebelo, todas as amizades de Sérgio são ambíguas. Ele próprio – por medo – parece dispor-se a certo tipo de relacionamento:

     “Depois que sacudi fora a tranca dos ideais ingênuos, sentia-me vazio de ânimo; nunca percebi tanto a espiritualidade imponderável da alma: o vácuo habitava-me dentro. Premia-me a força das coisas; senti-me acovardado. Perdeu-se a lição viril de Rebelo; prescindir de protetores. Eu desejei um protetor, alguém que me valesse, naquele meio hostil e desconhecido, e um valimento direto mais forte do que palavras. (…) Pouco a pouco me ia invadindo a efeminação mórbida das escolas. (…) E, como se a alma das crianças, à maneira do físico, esperasse realmente pelos dias para caracterizar em definitivo a conformação sexual do indivíduo, sentia-me possuído de certa necessidade preguiçosa de amparo, volúpia de fraqueza…”

     Os vínculos de Sérgio com Sanches e Bento Alves estão assinalados por esta terrível atração que, às vezes, os dominados têm pelos dominadores. O quadro onde se desenha a figura de Bento Alves é bem nítido: o seu poder sedutor reside em sua força física:

      “Consideravam-no principalmente pela nomeada de hercúleo. Os fortes constituem uma fidalguia de privilégios no internato. (…)
Estimei-o femininamente, porque era grande, forte, bravo; porque me podia valer; porque me respeitava, quase tímido, como se não tivesse ânimo de ser amigo. Para me fitar espera que eu tirasse dele os meus olhos. (…) Aquela timidez, em vez de alertar, enternecia-me…”

MUNDO DEGRADADO

     Mário de Andrade reparou que ninguém parece escapar à corrupção que dominava o colégio. Professores, colegas, funcionários etc.  Mesmo Ema, esposa de Aristarco, dada pelo narrador como  uma criatura generosa, é envolvida em um clima de difuso erotismo em seu contato com Sérgio. Um adolescente, Franco, por sua fragilidade e fracasso nos estudos, torna-se o bode expiatório do colégio. Sérgio aproxima-se dele e descobre que inclusive o fraco está contaminado pela perversidade. Até mesmo o personagem mais simpático  do livro, dr. Cláudio – famoso por suas conferências nas quais sempre manifestava um pensamento revolucionário – revela uma curiosa e cínica argumentação:

“É uma organização imperfeita, aprendizagem de corrupção, ocasião de contato com indivíduos de toda origem? O mestre é a tirania, a injustiça, o terror? O merecimento não tem cotação, (…) aprova-se a espionagem, a adulação, a humilhação, campeia a intriga, (…) abundam as seduções perversas, triunfam as audácias dos nulos? Tanto melhor: é a escola da sociedade.
Ensaiados no microcosmo do internato, não há mais surpresas no grande mundo lá fora, onde se vão sofrer todas as convivências, respirar todos os ambientes; onde a razão da maior força é a dialética geral, e nos envolvem as evoluções de tudo o que rasteja e tudo que morde, porque a perfídia terra-terra é um dos processos mais eficazes da vulgaridade vencedora. (…)
E não se diga que é um viveiro de maus germes, seminário de nefasto de maus princípios, que hão de arborescer depois. Não é o internato que faz a sociedade; o internato a reflete. A corrupção que ali viceja, vem de fora.”

         Sérgio também se corrompe: “Tornei-me um animalzinho ruim”. Sofre o condicionamento do meio, torna-se vítima do sistema. O que não impede – conforme observação do crítico Alfredo Bosi – de se converter em promotor: seu texto tem o alcance de uma poderosa acusação contra o internato.

        E na exata medida em que o internato representa a sociedade, sua destruição – através do incêndio desnecessário para a coerência do romance – assume uma dimensão simbólica. O fogo que consome o Ateneu consome também a organização social que o fizera possível.

ANÁLISE

      A obra “O Ateneu” não pode ser definido em sentido estrito, realista, porque aparecem traços impressionista, na descrição plástica de alguns retratos e ambientações e traços expressionistas, como o gosto  grotesco com que deforma sem piedade o mundo do adolescente, no Ateneu, a captação dos ambientes e das pessoas não dispensa o expressionismo da imagem:

“As mangueiras, como intermináveis serpentes, insinuavam-se pelo chão. (…) “

“As crianças, seguindo em grupos atropelados, como carneiros para a matança. (…)”

     As aproximações são, em geral, violentas e, no caso das pessoas, depressivas. O padrão é o caricato, revelando o quanto de traumático deve ter marcado as experiências no internato.

      O romance guarda estritas relações com o passado do autor:  “ o romancista se vinga” – é a tese de Mário de Andrade: e a sondagem psicanalítica não hesita em detectar o complexo edipiano no afeto do menino Sérgio pela esposa de Aristarco, o diretor de o Ateneu, detestado como o pai tirano: nem, por outo lado Pompeia ocultou o jogo masculino-feminino das relações entre os alunos em plena crise da puberdade. Porém, as contribuições de conteúdo que a psicanálise faz à leitura do romance não devem induzir à tentação de transformá-lo em mero exemplário de recalques e neuroses.

       “Vais encontrar o mundo”, disse-me meu pai à porta do Ateneu. “ Coragem para a luta.” E tudo que segue acentua a ruptura com a vida familiar, definida como  “aconchego placentário”, em uma alusão clara e forte de segurança. O dado original da ruptura foi a responsável pela infelicidade para o adulto. Raul Pompeia, o Sérgio, não perdoou à vida o ser lançado à indiferença cruel da escola, e à sociedade. O seu único momento de abandono virá tarde, quando Ema o acarinha, convalescente, isto é, quando o sacrifício da vida social, competitiva e má, é posto de lado para não mais voltar. À cura de Sérgio se seguirá o incêndio da escola, conclusão do romance. O ato de incendiar o colégio é homólogo ao suicídio do autor: um e outro significam uma recusa selvagem daquela vida adulta que começa no internato.

      A descrição da experiência colegial é feita em termos de requisitório: a criança que subsiste no homem é o promotor e, vantagem do romancista, pode ser também o juízo final, manipulador do apocalipse. No primeiro plano de ataque, a fachada composta e brilhante do processo educativo, onde se pode ver o decoro das instituições do Império que o ardente republicano Raul Pompeia combatia:

       “Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos da última remessa.”

        A escola é microcosmo em vários níveis. No da direção onde a mola do divino Aristarco é o dinheiro: mas também entre os alunos cujas atividades  tecem uma rede de interesses econômicos:

     “ As especulações moviam-se como o bem conhecido ofício das corretagens. Havia capitalistas e usuários, finórios e papalvos… A principal moeda era o selo. No comércio do selo é que fervia a agitação de empório de cobiça, de agiotagem, de esperteza, de fraude. Acumulavam-se valores, circulavam, frutificavam; conspiram os sindicatos, arfava o fluxo, o refluxo das altas e das depreciações; os inexpertos arruinavam-se, e havia banqueiros atilados, espapando banhas de prosperidade.”

     Se, na teia da socialidade, tudo se prende ao prestígio da riqueza, que precisa os contornos das diferenças individuais, na vida afetiva, as matrizes dos gestos e das palavras são a agressividade e a libido.

CLASSIFICAÇÃO DA OBRA

      Existe uma superposição de diversos estilos, que torna problemático vincularmos O Ateneu a uma determinada estética literária. Por isso, podemos identificar:

  • Elementos expressionistas estão, na descrição, através de símiles exagerados, dos ambientes e das pessoas compondo quadros de muita riqueza plástica, especialmente visual, e desnudando de forma cruel os lugares, colegas e professores. A frase transmite grande carga emocional. O estilo nervoso, ágil. A redução das personagens a caricaturas grotescas parece proveniente da intensão de deformar, de exagerar, como se o autor estivesse vingando-se de tudo e de todos.
  • Elementos impressionistas evidenciam-se no trabalho da memória como fio condutor. O passado é recriado por meio de manchas de recordação, – daí a existência de um certo esfumaçamento da realidade, pois o internato é reconstituído por meio das impressões, mais subjetivas que objetivas, eivadas de um espírito de vingança, sofrimento e autopunição. Há quem, por isso, rotule O Ateneu de romance impressionista.
  • Elementos naturalistas decorrem da concepção instintiva e animalesca das personagens, cujo comportamento é determinado pela sexualidade, condição social etc. há certo gosto pela naturalista pelas perversões. É o que ocorre nas descrições de Ângela e na tensão de homossexualismo que existe nas relações de Sérgio com Sanches, Bento Alves e Egbert. Mas, é um naturalismo dissidente, que nada tem a ver com o apriorismo, ou com o esquematismo, característicos dessa corrente.

AMBIENTE:

      No romance “O Ateneu”, a ação transcorre no ambiente fechado e corrupto de um internato, onde convivem crianças, adolescentes, professores e empregados. A narração é feita por Sérgio, um ex-aluno da escola, que recorda os nos que passou no Ateneu. Por isso, a obra adquire, assim, caráter memorialista, o que é indicado pelo subtítulo: “ A Crônica da Saudade”. Nesse sentido, O Ateneu não é uma reprodução fotográfica de certa realidade, mas o resultado de uma experiência em termos de impressões pessoais. Por isso, o mundo da escola é sempre viso e tratado a partir da perspectiva particular de Sérgio. Desse modo, a instituição, os colegas, os professores e o diretor Aristarco são representados em função de certa ética, claramente caricatural, em que os erros, hipocrisias e ambições são projetados e realçados.

      O Ateneu é, por conseguinte, um romance classificado como introspectivo, de caráter impressionista, que se faz a partir da análise psicológica do sensível e frágil Sérgio, que, saindo do aconchego do lar, sente-se deslocado no ambiente agressivo e sensual do colégio, representação em miniatura, da sociedade e do mundo: “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta de O Ateneu.  Coragem para a luta”. Essas são as palavras iniciais no romance, que antecipam o caráter simbólico da escola.

A LINGUAGEM DE O ATENEU

   A escritura de Raul Pompeia filia-se conscientemente à chamada “prosa artística”, desenvolvida na França pelos irmãos Gongourt. Trabalhada de maneira intensa, com grande força plástica e sonora, esta escritura despreza a noção realista de simplicidade e despojamento, buscando em comparações, símiles e metáforas a sua expressividade. O tom requintado de sua fabricação dá-lhe certo artificialismo. Trata-se de uma linguagem literária que se afasta da linguagem cotidiana. No caso de O Ateneu, a “escritura artística” transforma-se muitas vezes em retórica, o que prejudica a fluência do texto.

FOCO NARRATIVO

       A obra O Ateneu é narrada em 1ª pessoa por ser uma narrativa confessional. Sérgio, o narrador-personagem, relata suas memórias de infância e adolescência vivenciadas em um colégio – O Ateneu. Essa obra estrutura-se através de manchas de recordações, ou seja, de uma sucessão de episódios, cujo fio condutor é a memória do personagem-narrador.

TEMPO

     Por se tratar de um romance de memórias, o tempo predominante nessa narrativa é o psicológico. Pois, os episódios e as pessoas surgem na consciência do narrador, segundo sua importância no momento da narração.

PERSONAGENS

SÉRGIO: com onze anos, o menino Sérgio (que narra a história da obra em análise) entra para O Ateneu, famoso colégio interno dirigido pelo Dr. Aristarco Argolô de Ramos.

ARISTARCO:  Aristarco Argolo dos Ramos é o diretor do Ateneu encarna a perversidade do sistema, já que dirige o seu colégio como se fosse uma casa de comércio. O sucesso de Aristarco origina-se da aparência de educador. Mantém-na graças ao brilho de sua retórica. O diretor nos é apresentado em toda a sua hipocrisia e vileza, ele ama, sobretudo, a si mesmo, ou melhor, ele ama a imagem que fez de si.

  1. EMA:Nome tomado de empréstimo da personagem de Gustave Flaubert, escritor francês que imortalizou uma figura feminina com Ema Bovary. Em O Ateneu, D. Ema é a esposa do autoritário diretor e sua figura a ele se opõe: “bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por sua graciosa magreza, erigindo, porem, o tronco sobre os quadris amplos, fortes como a maternidade; olhos negros, pupilas retintas de uma cor só… de um moreno rosa que algumas formosuras possuem, e que seria a cor do jambo…Adiantava-se por movimentos oscilados, cadência de minueto harmonioso e mole que o corpo alternava. Vestia cetim preto justo sobre as formas, reluzente como pano molhado …”Quando Sérgio fica doente, ela se mostra uma enfermeira maternal, faz-lhe carinhos. “Não! eu não amara nunca assim a minha mãe.”Muitos meninos veem D. Ema com olhos divididos: ora mãe, ora mulher (afinal, ela era a presença feminina junto àqueles adolescentes em processo de descoberta da sexualidade.)

ÂNGELA: É uma empregada do colégio, “Grande, carnuda, sanguínea e fogosa” – é a materialização do sexo e da classe social inferior a serviço, quer no plano do trabalho ou no da sexualidade, de uma sociedade mais elevada. Embora seja bela, torna-se o símbolo do mal.

EGBERT: Um verdadeiro amigo: “Conheci pela primeira vez a amizade”“a ternura de irmão mais velho”, disse Sérgio.

REBELO: É o aluno modelo, exemplar, para o qual todos os demais são inferiores e sem importância.

FRANCO: É a vítima, o mártir, o alvo sobre o qual se descarrega toda a violência do internato, “a humildade vencida”“não ria nunca, sorria”“vivia isolado…”.

SANCHES: É o sedutor, que oferece proteção aos meninos novos e indefesos e ainda os ajuda nos estudos. Salva Sérgio de um afogamento na piscina, talvez, provocado pelo próprio Sanches, insinua o narrador, Sérgio se refere ao amigo dizendo “ele me provocava repugnância de gosma”.  “Sanches  foi se aproximando. Encostava-se, depois, muito a mim. Fechava o livro dele e lia no meu, bafejando-me o rosto com uma respiração de cansaço. “Aquele sujeito queria tratar-me definitivamente como um bebê” – “Notei que ele variava de atitude quando um inspetor mostrava a cabeça à entrada da sala…” – “Sanches esteve pio… Tive medo de perdê-lo. Deu-me as lições sem uma só das intragáveis ternuras.”– “Sanches passou a ser um desconhecido”.

NEARCO: um  ginasta de grande valor, que acabara de entrar para O Ateneu. Embora excelente nos exercícios de ginástica, foi como orador do grêmio literário do colégio que Nearco se destacou.

BENTO ALVES: um aluno mais velho que trabalhava como bibliotecário.

BARRETO: É um aluno, fanático religioso.

RÔMULO: É o “Mestre Cook”, por causa de sua paixão por comida.

FONTE:

BOSI, Alfredo, História Concisa da Literatura Brasileira ed. Cultrix

GONZAGA, Sergius. Manual de Literatura Brasileira. 5ª ed. Mercado Aberto.

TUFANO, Douglas. Estudos de Língua e Literatura. 4ª ed. rev. E ampl. – São Paulo: Moderna. 1990.

 

20 filmes para ajudar na hora de escrever a redação

Não dá para adivinhar qual será o tema da redação do vestibular, afinal, qualquer tema, sob diferentes abordagens, pode ser pedido. Mas sempre há aqueles assuntos importantes e atuais que valem a pena ficar de olho.

A seguir, listamos 20 filmes. Com eles, além de você se divertir, você aumenta seu repertório e treina a argumentação, essenciais na redação. Confira!

babel

– BABEL, de Alejandro Iñarritu, passa-se na África, América e Ásia e mostra a interdependência entre acontecimentos em diferentes continentes.

MILTON

– ENCONTRO COM MILTON SANTOS OU O MUNDO VISTO DO LADO DE CÁ, DE SILVIO TENDLER,

No filme “Encontro com Milton Santos – O mundo global visto do lado de cá”, é feito um recorte singular sobre a globalização, a sociedade de consumo, as divisões que esta sociedade se encontra, o território, os efeitos famigerados da globalização, as crises que esta promove, as barreiras físicas e simbólicas postas pelo capitalismo como efeito da globalização, o papel da mídia e as revanches organizadas por suas maiores vítimas.

A crise se estabelece e Milton Santos faz este alerta quando afirma que: “O consumo é o grande fundamentalismo”. E é sagaz quando apresenta as três vertentes da globalização no mundo; a globalização como é posta, a globalização da perversidade e o mundo por uma outra globalização.

BIUTIFUL

– BIUTIFUL, também de Iñarritu, conta a história de Uxbal, que vive em um bairro pobre de Barcelona e explora imigrantes ilegais chineses e africanos, vendendo no mercado negro produtos feitos com mão de obra barata.

A ONDA

– A ONDA, de Dennis Gansel, conta a história de um professor na Alemanha que simula um regime autoritário em sala de aula, para convencer seus alunos de que eles ainda não estão livres da ameaça do nazismo.

TRABALHO INTERNO

– TRABALHO INTERNO, documentário vencedor do Oscar 2011, fala sobre a crise econômica atual, explicando de modo didático o sistema financeiro mundial e como a crise se desenvolveu da Islândia aos Estados Unidos.

Intolerância

Em um mundo marcado por violência, conflitos étnicos e desigualdades, surge a dificuldade em aceitar e respeitar as diferenças e conviver em uma sociedade cada vez mais dinâmica e plural.

CRASH

– CRASH – NO LIMITE, de Paul Haggis, fala sobre conflitos entre pessoas de diversas etnias nos EUA, explorando a questão do ódio e da intolerância.

PROMESSAS

– PROMESSAS DE UM NOVO MUNDO traz entrevistas feitas com crianças judias e palestinas, que trazem a sua visão do conflito entre Israel e Palestina e abordam a morte de amigos e parentes e seus sonhos.

Imigração

É cada vez mais comum à repressão à imigração ilegal, o choque cultural decorrente do aumento no fluxo de pessoas dos países mais pobres para os países mais ricos e os fluxos migratórios por causa de guerras e problemas ambientais.

MUROS

– ENTRE OS MUROS DA ESCOLA, de Laurent Cantet, é uma ficção feita com personagens e situações reais, em uma escola francesa, e aborda as dificuldades de relacionamento e convivência entre jovens imigrantes e jovens franceses.

TERRITÓRIO

TERRITÓRIO RESTRITO, de Wayne Kramer, mostra a complicada situação dos estrangeiros que tentam ingressar ilegalmente nos EUA.

Meio-ambiente

A sociedade capitalista e consumista vive hoje as consequências de seus atos, vendo graves problemas ambientais e o aumento da discussão sobre desenvolvimento sustentável e proteção ao meio-ambiente.

VERDADE

UMA VERDADE INCONVENIENTE, documentário do ex-presidente americano e Nobel da Paz Al Gore, apresenta os problemas ambientais de forma didática e clara e alerta para um futuro problemático para o planeta.

SURPLUS

SURPLUS, documentário sueco de Erik Gandini, se vale da linguagem de videoclipes para tratar dos paradoxos e desigualdades da sociedade de consumo e de seus efeitos devastadores no meio-ambiente e no modo como as pessoas se enxergam como cidadãos e indivíduos.

AVATAR

AVATAR, de James Cameron, apesar de ser uma animação de ficção científica, se vale de uma metáfora para tratar dos problemas ambientais e da exploração descontrolada de recursos naturais.

Violência urbana

Filmes que exploram com realismo a violência nas grandes cidades e a desigualdade social são cada vez mais comuns, principalmente no Brasil, onde a segurança pública é pauta principal nas grandes cidades.

CIDADE DE DEUS

CIDADE DE DEUS, de Fernando Meirelles, retrata a transformação da comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, em uma perigosa favela dominada pelo tráfico.

– O documentário Ônibus 174, de José Padilha, conta a história de Sandro do Nascimento, que em 2000 sequestrou um ônibus no Rio de Janeiro e manteve os passageiros como reféns.

TROPA DE ELITE

Do mesmo diretor há TROPA DE ELITE, um dos filmes mais vistos do cinema brasileiro, que narra a história de Capitão Nascimento e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), no Rio de Janeiro.

REDE SOCIAL

A REDE SOCIAL conta a história de Mark Zuckerberg, estudante de Harvard que cria o Facebook, a rede social mais famosa do planeta. De personalidade difícil, o filme mostra algumas das ações controversas que levaram Mark a se tornar um jovem milionário.

MATRIX

– MATRIX, dos irmãos Wachovski, fala de um mundo onde toda a realidade que conhecemos é uma ilusão, um programa de computador criado por máquinas para mascarar o mundo real, onde tudo foi destruído e a inteligência artificial domina os humanos.

Ciência e ética

Com grandes avanços científicos, é hora de pensar em questões éticas e no que é o ser humano. Como será uma sociedade cada vez mais avançada em termos científicos? Poderá mudar o modo como nos vemos como ser humano?

GATTACA

GATTACA, de Andrews Niccol, é uma ficção científica que mostra um mundo onde as pessoas são selecionadas geneticamente antes mesmo de nascer, provocando a eugenia e uma série de conflitos tecnológicos e éticos na sociedade.

EU ROBO

EU, ROBÔ, fala de um mundo, em 2035, onde os robôs existem para servir os humanos e obedecem às Leis da Robótica de Isaac Asimov. Contudo, não demorará a máquinas e humanos entrem em conflito.

INTELIGENCIA

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, de Steven Spielberg, fala de um mundo onde androides convivem com seres humanos normalmente. Um cientista, então, decide criar um modelo de robô com sentimentos, da aparência de uma criança, programada para amar seus pais.

ESCRITORES

ESCRITORES DA LIBERDADE”

Este filme mostra uma realidade vivida nos Estados Unidos, da segregação e exclusão racial que se inicia dentro de casa e se confronta na escola.

É importante também observar que o filme descreve direitinho o papel do “bom professor”. Aquele quer renuncia sua própria vida para compreender o contexto real em que seus alunos vivem, aquele que tem paixão pelo que faz e que acredita na possibilidade de mudança.

Elementos de Ligação

  redação

     Tendo por base um levantamento elaborado por Otton Moacyr Garcia (Comunicação em Prosa Moderna), listamos os elementos de ligação mais usuais – advérbios, locuções, conjunções e preposições. Os itens seguintes encerram o significado de cada grupo de elementos de ligação.

SIGNIFICADO

GRUPO

Prioridade, relevância em primeiro lugar, antes de mais nada, primeiramente, acima de tudo, precisamente, principalmente, primordialmente, sobretudo
Tempo (frequência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterioridade) então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio, pouco antes, pouco depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente, agora, atualmente, hoje, frequentemente, constatemente, às vezes, eventualmente, por vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, enquanto, quando, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que, todas as vezes que, apenas, já, mal.
Semelhança, comparação, conformidade igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual, tanto quanto, como, assim como, bem como, como se.
Condição, hipótese se, caso, eventualmente
Adição, continuação além disso, (a)demais, outrossim, ainda mais, ainda por cima, por outro lado.
Também as conjunções aditivas: e, nem, não só, mas também etc.
Dúvida talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é certo, se é que.
Certeza, ênfase de certo, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.
Surpresa, imprevisto inesperadamente, inopinadamente, de súbito, subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.
Ilustração, esclarecimento por exemplo, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber, ou seja.
Propósito, intenção, finalidade com o fim, a fim de, com o propósito de, para que, a fim de que.
Lugar, proximidade, distância perto de, próximo a ou de, junto a ou de, dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali.
E ainda algumas preposições e os pronomes demonstrativos.
Resumo, recapitulação, conclusão em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, logo, pois.
Causa e consequência, explicação por consequência, por conseguinte, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com efeito, porque, porquanto, pois, que, já que, uma vez, visto que, como (= porque), portanto, logo, pois (posposto ao verbo), que (= porque).
Contraste, oposição, restrição, ressalva pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, conquanto, se bem que, por mais que, por menos que, no entanto.

Certas palavras têm classificação à parte, por isso convém dizer apenas palavra ou locução denotativa de:

1. Inclusão: até, inclusive, mesmo, também etc.
2. Exclusão: apenas, exceto, salvo, senão, só, somente, menos, fora, sequer etc.
3. Designação: eis
4. Realce: cá. lá. é que, só, ainda, apenas etc.
5. Retificação: aliás, ou antes, isto é, ou melhor etc.
6. Situação: afinal, agora, então, mas etc.

7. Designação: eis