As Sem – Razões do Amor

amor

Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.

Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.

Traduzindo-me

solidão

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?

                                         (Ferreira Gullar)

PORTUGUÊS DESCOMPLICADO I

não erre

ERRADO – Embora eu seje pobre e esteje com fome, não robo.

CERTO – Embora eu seja pobre e esteja com fome, não roubo.

Não existe em língua portuguesa  as formas seje, esteje ,robo

ERRADO – Sobrou muitos ingressos do jogo.

CERTO –  Sobraram muitos ingressos do jogo.

Sobrar deve concordar com muitos ingressos do jogo (sujeito)

ERRADO – O espetáculo agradou os jovens.

CERTO – O espetáculo agradou aos jovens

O espetáculo não agrada o público, porque agradar significa neste contexto mimar, acariciar.

Agradar a significa satisfazer.

ERRADO – Você torce para o Flamengo?

CERTO – Você torce pelo Flamengo?

Pode-se torcer pelo, porque quem torce, torce por e não para

ERRADO – Quando se deu o seu desquite com Vicente?

CERTO – Quando se deu o seu desquite de Vicente?

A palavra desquite pede a preposição de.

 ERRADO – Antigamente se ensinava fazer a prova dos nove.

CERTO –  Antigamente se ensinava fazer a prova dos noves.

O nome dos números, geralmente, variam.

ERRADO – Li a reportagem no Globo.

CERTO –   Li a reportagem em o  Globo.

Não se combina preposição com artigo quando se refere a nome de jornal.

ERRADO – A Olimpíada será no Brasil.

CERTO –   As Olimpíadas serão no Brasil.

Os jogos olímpicos modernos desde 1896 se chamam Olimpíadas.

ERRADO – Comprei um televisor a cores.

CERTO –  Comprei um televisor em cores.

ERRADO – Todo o brasileiro gosta de futebol.

CERTO –  Todo  brasileiro gosta de futebol.

Existe diferença entre todo o (= inteiro) e apenas todo (= qualquer)

O LUTADOR DE DRUMMOND

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O LUTADOR

                            Carlos Drummond de Andrade

Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem 3 há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.

Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo
de nosso comércio.
Na voz, nenhum travo
de zanga ou desgosto.
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.

Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura.

Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes,
não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normas
da boa peleja.

Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
de entreabrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.

O ciclo do dia
ora se conclui 8
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.

 

IMPORTÂNCIA DO TRABALHO COLETIVO

 

 O FEIXE DE LENHA

lenhador

           Conta-se de um próspero fazendeiro, dono de muitas propriedades e que estava gravemente enfermo. Algo que lhe preocupava muito era o clima de desarmonia que reinava entre seus quatro filhos. Pesando em dar-lhes uma lição, ele chamou os quatro para fazer-lhes uma revelação importante.

Ao chegarem à casa do pai, viram-lhe assentado numa cadeira de balanço.  Pai chamou-os para mais perto e comunicou-lhes a seguinte decisão:

“ – Como vocês sabem, eu estou velho, cansado e creio que não me resta muito tempo de vida. Por isso, chamei-os aqui para avisa-los que vou deixar todos os meus bens para apenas um de vocês.”

Os filhos, surpresos, entreolharam-se e ouviram o restante que o pai tinha, ainda, para lhes dizer:

“ – Vocês estão vendo aquele feixe de gravetos ali, encostados naquela porta? Aquele que conseguir partir o feixe ao meio, apenas com as mãos, este será o meu herdeiro.”

Cada um deles teve a sua chance de tentar quebrar o feixe, mas nenhum, por mais esforço que fizesse, foi bem sucedido na sua tentativa. Indignados com o pai, que lhes propusera uma tarefa impossível, começaram a reclamar. Foi quando o fazendeiro pediu o feixe e disse que ele mesmo iria quebrá-lo. Incrédulos, os filhos deram o feixe de gravetos para o pai, que foi retirando, um a um , os gravetos, quebrando-os, separadamente, até não mais restar um único graveto inteiro. E depois concluiu:

“ – Eu não tenho o menor interesse em deixar os meus bens para só um de vocês. Eu quero, na verdade, que vocês, juntos, sejam os sucessores do meu trabalho, com garra, dedicação e, acima de tudo, repletos de amor, uns pelos outros.”

          Disse, ainda:

“- Enquanto vocês estiverem unidos, nada poderá pôr em risco tudo que construí para vocês. Nada, nem ninguém os quebrará. Mas, separadamente, vocês serão tão frágeis quando cada um desses gravetos.”

 

Assim como dois pedaços de madeira podem sustentar mais peso do que cada um pode sustentar separadamente, da mesma forma o ser humano chegará à conclusão que um ajudando o outro, todos irão muito mais longe do que o famoso “ cada um por si e Deus por todos…”

       Afinal, TRABALHANDO EM EQUIPE, todos chegarão melhor e mais rapidamente ao objetivo delineado.

CENTENÁRIOS EM 2014

GRAVURA 4

centenários – 2014

1.O cantor e compositor de samba e bossa nova, Dorival Caymmi completaria 100 anos em 2014.

2.Em 2014, é celebrado o centenário de morte de um dos principais autores da literatura brasileira – Augusto dos Anjos.

3. Em 1914, Charles Chaplin dava início à sua carreira como diretor de filmes mudos.

4. 100 ANOS – PRIMEIRA GURRA MUNDIAL

Eram 3h30 de 26 de agosto de 1914, em Rozelieures, na região de Lorena, fronteira com a Alemanha, quando Joseph Caillat, soldado do 54.º batalhão de artilharia do exército da França, escreveu: “Nós marchamos para a frente, os alemães recuaram. Atravessamos o terreno em que combatemos ontem, crivado de obuses, um triste cenário a observar. Há mortos a cada passo e mal podemos passar por eles sem passar sobre eles, alguns deitados, outros de joelhos, outros sentados e outros que estavam comendo. Os feridos são muitos e, quando vemos que estão quase mortos, nós acabamos o sofrimento a tiros de revólveres”.

AMBGUIDADE

AMBÍGUA

 SINTAXE

1. CONSIDERE A FRASE:

O professor conversou com o aluno nervoso.

 Explique por que ela é ambígua.

R. Porque nervoso pode ser uma característica do aluno ou do professor.

2. Reescreva a frase de tal maneira que a ambiguidade seja desfeita.

R. O professor conversou, nervoso, com o aluno.

3.Explique por que a oração abaixo é ambígua.

“A matança dos madrigais escandalizou a população”.

R. Matança dos madrigais pode significar que os madrigais mataram alguém ou que os madrigais foram mortos.. ( dos madrigais pode ser complemento nominal ou adjunto adnominal.)

4.Leia atentamente as frases abaixo.

  • O tribunal julgava louco o rapaz.
  • O tribunal julgava o rapaz louco.

  Elas podem ter sentidos diferentes e também iguais. Explique essa afirmação.

  1. A frase A tem apenas uma leitura: O tribunal considerava/achava que o rapaz era louco. Em b, julgava pode ser entendido de duas maneiras: o tribunal considera/achava que o rapaz era louco (como em a) ou o tribunal realizava /executava o julgamento de um rapaz louco.

6.Leia com atenção: O barco voltou ao cais vazio.

O posicionamento inadequado do termo vazio prova na frase uma ambiguidade.

  • Explique qual é essa ambiguidade.

R. O barco poderia estar vazio ou o cais poderia estar vazio.

Alterando a colocação do termo vazio, reescreva a frase duas vezes, de tal forma que fiquem claros os dois sentidos possíveis.

R. O barco voltou vazio ao cais.

O barco voltou ao vazio cais.

6.O período abaixo, como está estruturado, é ambíguo, isto é, tem dois sentidos.

Como eu fiz o trabalho, ele também fez.

  • Explique os dois sentidos possíveis.

R. Ele fez o trabalho como (do mesmo jeito) que eu fiz.

Por causa de eu ter feito o trabalho, ele também fez.

 Reescreva-o de tal maneira que a ambiguidade seja desfeita.

R. Ele fez o trabalho, como eu fiz. (só comparação)

Ele fez o trabalho, porque eu fiz. (só causa)

 7.Leia atentamente o seguinte período.

Eu vi um elefante andando na rua.

Note que o uso inadequado da oração reduzida torna-o ambíguo. Faça o seguinte:

  • Explique a ambiguidade contida no período.

R. Pode-se entender que

  1. Eu estava andando na rua e vi um elefante.
  2. Eu vi um elefante que estava andando na rua.

Reescreva-o de tal maneira que a ambiguidade seja desfeita.

R. Quando eu andava (ou estava andando) na rua, vi um elefante.

Vi um elefante que estava andando na rua.

 INTERPRETANDO OS PERÍODOS

 II.PONTUAÇÃO

 1.Explique a diferença de sentido entre as duas frases abaixo.:

  • Mário, o ladrão de cavalos sumiu da cidade.
  • Mário, o ladrão de cavalos, sumiu da cidade.

 1.Em a, O falante se dirige a Mário, informando-lhe que o ladrão de cavalos sumiu. (vocativo)

Em b, O falante diz que Mário é ladrão e que sumiu. (Mário é o sujeito)

2.Explique a diferença de sentido entre as duas frases abaixo:

  • O tribunal condenou; eu não absolvo.
  • O tribunal condenou; eu não, absolvo.

 3.Em a, o falante reafirmou a condenação.

Em b, o falante não condena, e sim absolve, porque em b ocorre a elipse do verbo condenar.

4.Leia atentamente a seguinte frase.

“O rapaz revoltado começou a agredir o advogado”

Se, usando duas vírgulas, separarmos o termo revoltado, a frase continuará tendo o mesmo sentido? Explique.

R. Não. Da forma como a frase está, entende-se que o rapaz sempre (o tempo todo) está revoltado. Podo as duas vírgulas, revoltado passa a ser uma característica casual do rapaz, indicando que, naquele momento, ele estava revoltado.

 5.Considere a seguinte frase:

“ A velhinha caminhava pela praça.”

  • Reescreva a frase, acrescentando no final a palavra silenciosa, de tal forma que essa seja uma característica da praça.

A velhinha caminhava pela praça silenciosa.

Reescreva a frase, acrescentando no final a palavra silenciosa, de tal forma que essa seja uma característica da velhinha.

A velhinha caminhava pela praça, silenciosa.

6.Explique a diferença de sentido entre as duas frases:

  • Ele foi criticado, quando lutava pelos amigos.
  • Ele foi criticado, quando lutava, pelos amigos.

    Em a, ele foi criticado por alguém no momento em que lutava em favor dos amigos. Em b, os amigos é que o criticaram.

6.“ O pullman devora a estrada, solitária em horas tão noturnas.”

Haveria alguma diferença se a vírgula fosse transferida para depois da palavra solitária?Explique.

 R.  Sim. Da maneira como está escrita a frase, entende-se que o carro (pulman) percorre uma estrada que fica solitária (sem movimento) durante a noite. Se a vírgula for deslocada para depois de solitária, o sentido passa a ser o carro percorre à noite uma estrada que é solitária.

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    

 

 

 

 

 

 

DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA E ARGUMENTATIVA

red

DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA E ARGUMENTATIVA

     EXPOSITIVA: Disserta-se de maneira expositiva ou argumentativa. Um texto é expositivo quando aborda uma verdade inquestionável, dá a conhecer uma informação ou explica pedagogicamente um assunto, sem apresentar discussão.

 Equilíbrio ecológico

A vida em nosso planeta, é o próprio planeta, só são possíveis porque tudo se relaciona e interage, como num sistema integrado. A menor alteração num elemento deste sistema tem reflexos em todos os outros, afetando a estabilidade e o equilíbrio que permitem a sua continuidade.

Assim as fumaças, os gases , as poeiras, lançados às toneladas na atmosfera, deterioram o ar que respiramos, modificam o clima, afetam a saúde do homem, dos animais e do planeta. Os rejeitos lançados nos rios matam os peixes, liquidam a flora aquática, envenenam as águas de que tanto precisamos.

A exploração indiscriminada e selvagem das riquezas do subsolo terá, inevitavelmente, conseqüências danosas, se não de imediato, por certo em longo prazo, prejudicando as gerações futuras.

Não é possível impor um “basta” ao progresso e ao desenvolvimento. O homem já incorporou ao seu dia-a-dia todas as conquistas feitas e não seria capaz de renunciar a elas, mesmo sabendo do sacrifício que isso lhe pode custar.

Por isso é preciso lutar pela melhoria da qualidade de vida, pela proteção do meio ambiente, pelo equilíbrio ecológico, pela preservação da natureza.

ARGUMENTATIVA: Já o texto argumentativo sustenta-se com exemplo elucidativos, interpretação analítica, evidência e juízos, sempre com visão crítica.

Assim, enquanto a dissertação expositiva apresenta um assunto, a argumentativa o discute.

A máquina respeitando a vida

       Que o progresso é bom, ninguém pode duvidar, muito menos pode alguém se opor a ele, no entanto cada nova conquista do progresso corresponde sempre uma considerável carga de inconvenientes imprevistos e indesejados.

É o que vem acontecendo desde os primórdios da indústria, alavanca e símbolo do progresso e do desenvolvimento. Foi assim quando, na Inglaterra, surgiram as primeiras fábricas de tecidos, substituindo os teares domésticos. O objetivo desejado era obter uma produção maior de tecidos, de qualidade mais uniforme. Em paralelo a isso, porém, verificou-se uma verdadeira avalanche de acidentes, vitimando milhares de pessoas que tiveram mãos e dedos mutilados pelas máquinas implacáveis.

Não se concebe, porém, que a inventividade dos responsáveis pela criação das máquinas, equipamentos e processos produtivos, que tornam mais fácil e confortável o viver de cada um não seja ainda capaz de criar também os meios necessários para tornar realidade o que o homem sonha. O que está falando é respeito à vida, á a visão do outro e de seus direitos.

à custa de muita criatividade e vultosos investimentos, as maquias deveriam ser domadas, neutralizadas com dispositivos de proteção, enquanto o homem fosse sendo treinado para conviver com elas, sem se expor a maiores riscos.

Portanto, é necessário e urgente que se compatibilize o progresso com a vida, com a saúde, com o bem estar do homem sobre a terra.(Jornal Opinião)

DISSERTAÇÃO

red

TEXTO DISSERTATIVO

O texto dissertativo é aquele que expressa uma tese ( que se quer provar),um  ponto de vista sobre determinado assunto, apoiado em dados, fatos, argumentos.

DEFINIÇÕES E OBJETIVOS

        Dissertar é expor ideias a respeito de um determinado assunto. É discutir essas ideias, analisá-las e apresentar provas que justifiquem e convençam o leitor da validade do ponto de vista de quem as defende. Dissertar é, pois, analisar de maneira crítica situações diversas, questionando a realidade e nosso posicionamento diante dela.

SÃO OBJETIVOS DA DISSERTAÇÃO:

1.Convencer alguém de um determinado ponto de vista é praticamente inquestionável.

2. Dar ou explicar qualquer assunto com intenção informativa ou pedagógica.

 3.Discutir o assunto, conferindo-lhe tom polêmico de debate, levando o leitor a tomar posição perante o problema.

CONTEÚDO

       O conteúdo constitui o encadeamento de ideias, formando a tessitura redacional informativa, questionadora, analítica, interpretativa ou opinativa.

Para se redigir um texto dissertativo, são indispensáveis:

  • Criticidade: exame e discussão crítica do assunto, por meio de argumentos convincentes, gerados pelo acervo de conhecimentos pessoais. É um processo de análise e síntese.
  • Clareza das ideias: vocabulário preciso e coerente às ideias expostas. O aprimoramento da linguagem e a diversidade vocabular são fundamentais para adequar pensamento e palavras.
  • Unidade: o texto deve desenvolver-se em torno de um assunto. As ideias que lhe são pertinentes devem suceder-se em ordem sequente e lógica, completando e enriquecendo a ideia-núcleo expressa na tese. Não deve haver redundância nem pormenores desnecessários.
  • Coerência: deve haver associação e correlação das ideias na construção dos períodos e na passagem de um parágrafo a outro. Os elementos de ligação são indispensáveis para entrosar orações, períodos e parágrafos.

    Observe como o texto abaixo apresenta estrutura dissertativa bem definida. A tese é uma citação, os argumentos são alicerçados através de exemplos e evidências e a conclusão retoma com concisão e objetividade o assunto do texto: o fanatismo. Atente também para o conteúdo crítico, a clareza de ideias, a unidade e a coerência que a dissertação apresenta.

 O FANATISMO DE CADA UM

       “A fonte de declínio, a principal explicação dos sofrimentos de um  povo reside em seu desprezo pelas estruturas da fé. A juventude foi corrompida pela música, pelo fato de andar com roupas sumárias, pelos jogos de xadrez e gamão, pelo fato de ir ao cinema e de se vestir airosamente.”

[ Parágrafo introdutório construído com uma citação a ser discutida na argumentação]

        É curioso notar como os moralistas – de todos os credos, tempos e latitudes – têm sempre um discurso semelhante. Este acima não é de um ministro da justiça brasileira, ou bispo censor, ou de senhoras chocadas com o realismo das novelas televisivas: é de Khomeini, em l980.

[Evidência: observação crítica que explica a citação introdutória e confirma uma evidência.]

(…) A história religiosa e política mostra que, em todos os tempos, o fanatismo é a arma principal daqueles que acreditam que a sua é a única visão válida da vida e que todas as outras visões devem ser destruídas.

A perseguição aos cristãos (Roma), a Inquisição (Europa Medieval), o massacre dos judeus (nazismo, século XX) e o confinamento dos intelectuais (stalinismo, século XX) são apenas alguns pouquíssimos exemplos de intolerância. Basta lembrar que houve um longo tempo em que os católicos promoviam chacinas e perseguições contra todos os infiéis, enquanto os islamitas se especializavam em queimar bibliotecas em nome de Deus. ( “ Se todos esses livros falam de coisas com que concordo, são inúteis; se falam de coisas de que discordo, precisam ser destruídos”, disse um desses líderes fanáticos).

[Exemplificação: fundamentação histórica, apresentando exemplos de intolerância ideológica.]

       (…) Todos podemos olhar para nós mesmos e procurar o que existe de Khomeini no nosso interior. Basta olhar para o espelho e procurar conhecer a intolerância diária – religiosa, política, profissional, esportiva, sexual. Curiosamente, talvez se descubra um grande número de  fanáticos: basta que alguém arranhe a sua crenças.”

[ Conclusão: perspectiva sobre o assunto (o reconhecimento de nossos fanatismos)]     (Marco Antônio de Carvalho)

Cruz e Sousa

IMAGEM - CURIOSIDADE 

 

cruz e sousa

Com a antonomásia de Dante Negro ou Cisne Negro, e as publicações das obras “Missal e Broqueis” introduziu a estética simbolista no Brasil.

Com o intento de combater a escravidão e o preconceito racial, trabalhou no jornal  Tribuna Popular em l881.

 Em 2007, seus restos mortais foram trasladado para Santa Catarina  – Palácio Cruz e Sousa, no centro de Florianópolis.

Cruz e Sousa foi chamado pelo crítico Tristão de Ataíde de poeta solar, por causa da predominância do branco e de claridades em seus poemas. Usando e abusando de substantivos e adjetivos que denotam a presença quase constante do branco em todos os seus matizes.